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Biguaçu recebe o 12º Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida

A comunidade Fazenda de Dentro, em Biguaçu, será a casa do 12º Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, que acontece nos dias 22 e 23 de setembro. A expectativa é que cerca de 200 pessoas participem do Encontro, que reunirá agricultoras e agricultores de  cerca de 30 municípios, distribuídos em 11 grupos. Palestras, oficinas e a tradicional Feira de Saberes, Sabores e Sementes integram a programação, que neste ano será restrita a convidadxs.

O Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida reúne cerca de 150 famílias de agricultores e agricultoras de 30 municípios catarinenses. Os Encontros são realizados anualmente e neste ano terão uma participação especial: uma delegação de 17 organizações brasileiras e de outros países da América Latina (México, Paraguay, Peru, Colômbia, Equador, Guatemala e El Salvador) que participam de um intercâmbio sobre certificação de alimentos orgânicos promovido pelo Cepagro, promovendo uma rica troca de experiências.

 

 

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Cepagro participa de evento internacional de Agricultura Urbana

A equipe técnica do Cepagro participa nesta semana da 3ª Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma sociedade urbanizada, realizada de 17 a 21 de setembro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS). O tema central da Conferência será “Alimentos saudáveis, sociobiodiversidade e sistemas agroalimentares sustentáveis: inovações do consumo a produção”. Após duas edições europeia, esta é a primeira realizada num país do sul global.

De acordo com os organizadores, a Conferência “representa o esforço de uma comunidade internacional de pesquisadores acadêmicos, organizações da sociedade civil e formuladores de políticas que estão convencidos da necessidade de se colocar os alimentos e a questão alimentar no cerne das problemáticas centrais que desafiam a humanidade no século XXI, que são as mudanças climáticas e suas repercussões sobre a água e a biodiversidade, a busca por fontes alternativas de energia e as transformações demográficas. Neste sentido, a AgUrb busca reunir múltiplos atores envolvidos com a temática agroalimentar para refletir e debater sobre novas estratégias de produção, distribuição e consumo de alimentos para o século XXI em sociedades cada vez mais urbanizadas.”

Erika Sagae, Aline Assis, Juliana Luiz e Manuela Braganholo, da nossa equipe técnica, apresentam trabalhos;  enquanto Charles Lamb participa de Seminários Temáticos. Erika Sagae aborda o artigo Urban Agrarianism in Florianópolis: An Ethnographic Film – Innovative initiatives for sustainable cities (Agrarismo Urbano em Florianópolis: um filme etnográfico – iniciativas inovadoras para cidades sustentáveis), escrito em conjunto com o doutorando Evan Bowness e a professora Hanna Witmann, ambos da Universidade de British Columbia (Canadá).

No Grupo de Trabalho 9, As (re)configurações rurais e urbanas na alimentação e a perspectiva territorial, Manuela Braganholo discute o trabalho Engenhos de Farinha: construindo resistências em rede, sobre as relações sociais, tradições e práticas vividas nos engenhos de farinha catarinenses e articuladas entre diversos atores na Rede Catarinense de Engenhos de Farinha, ensejando seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil. Já Juliana Luiz  participa no GT8: Conexões entre Agricultura Urbana, Agroecologia, Direito à Alimentação e Direito à Cidade, com o artigo Agriculturas Urbanas cultivadas por populações caboverdianas na Grande Lisboa; direito a cidade e cidadania insurgente.

 

 

Cepagro recebe delegação latino-americana para debater Sistemas Participativos de Garantia (SPG)

Representantes de organizações do México, Paraguay, Perú, Bolívia, Guatemala, Equador, El Salvador e Colômbia e de mais 6 estados brasileiros estarão em Florianópolis para participar da I Vivência em Sistemas Participativos de Garantia que o Cepagro promove de 21 a 26 de setembro. A atividade tem o objetivo de compartilhar experiências diversas em certificação participativa e SPG, estimulando a troca de conhecimentos sobre estratégias de produção, articulação de famílias e comercialização entre organizações brasileiras e de outros países latino-americanos. A Vivência faz parte do projeto Saberes na Prática em Rede, que tem apoio da Inter-American Foundation.

Basicamente, a certificação participativa num SPG é realizada pelos/as próprios/as agricultores/as. No Brasil, ela tem a mesma legitimidade que a certificação realizada por empresas de auditoria. Um dos principais SPGs brasileiros é o da Rede Ecovida de Agroecologia, que reúne mais de 4 mil famílias de agricultores agroecológicos do Sul do Brasil e inspirou outros sistemas no Brasil e na América Latina.

A programação da Vivência terá momentos abertos ao público, como o debate Certificação Participativa Orgânica: conexões latino-americanas, que acontece na 2ª feira, 24 de setembro, das 14h às 18h no Centro de Ciências Agrárias da UFSC. Na mesa de discussões, estão representantes do Ministério da Agricultura, dos Fóruns Brasileiro e Latinoamericano de SPGs, além de organizações do Paraguay, México e também da Rede Ecovida de Agroecologia. A participação no debate é aberta e gratuita. Para inscrições, clique aqui.

 

Cepagro participa de Feira de Sementes Crioulas no Paraná

Realizada nos dias 31 de agosto e 1 de setembro em São João do Triunfo (PR), a 16ª Feira Regional das Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade recebeu mais de 4 mil visitantes para conhecer as 120 bancas de guardiões e guardiãs de sementes, além de artesanato e alimentos agroecológicos. A maioria dos grupos expondo sementes eram do Paraná, mas marcaram presença também Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraíba e Mato Grosso do Sul. O Cepagro participou através do projeto apoiado pela Misereor, levando um grupo de consumidores/as, produtores/as, feirantes e agricultore/as urbanos/as para intercambiar experiências e saberes sobre a riqueza da agrobiodiversidade representada pelas sementes. “Foi uma experiência riquíssima aproximar consumidorxs desse universo das sementes, pra entendermos o que significa proteger sementes crioulas e disseminar seu cultivo no processo produtivo, fazendo frente à indústria da alimentação e agronegócio. É importante pra gente entender a diversidade e variedade de sementes que tem e como estamos à mercê de indústria de alimentos que padroniza o acesso, os sabores e a relação que temos com alimento”, avalia Eduardo Daniel da Rocha, da equipe Cepagro/Misereor.

“Nunca tinha vindo numa feira com uma variedade de sementes tão grande. Com tantas experiências, pessoas preocupadas com não agrotóxicos e com a saúde, com alimento mais saudável”, conta a consumidora-produtora Isamara Thomas de Quadros, da Enseada do Brito, que estava na delegação de Floripa mobilizada pelo Cepagro. Outro estreante em Feiras de Sementes Crioulas era o agricultor Juliano Alexandre dos Santos, de Águas Mornas: “Antes de vir pra cá, pensei: ‘se eu conseguir um milho crioulo, já fico satisfeito”. Mas foi muito mais do que isso”, conta. Juliano é agricultor orgânico e já vem buscando sementes e mudas orgânicas para qualificar sua produção, que ele comercializa em feiras na Grande Florianópolis. Ele também cria animais para o consumo da família e “não ficava tranquilo de dar milho transgênico pra eles”, afirma. Além das inúmeras variedades de milho, ele trouxe da Feira sementes de hortaliças crioulas que ele nem sabia que existia, alimentos processados para revender na sua feira, material didático sobre manejo de sementes crioulas… “Quase enchi o bagageiro inteiro da van”, brinca o agricultor. “E claro, o conhecimento: em cada stand, com cada guardião a gente adquire uma bagagem riquíssima”, completa.

Somente no acervo da AS-PTA, organizadora da Feira, são 256 variedades crioulas de milho, feijão, adubos verdes, hortaliças, arroz, café, amendoim, mostarda e outros grãos. E as Feiras são o grande momento de troca e circulação dessas variedades, além do enriquecimento dos bancos locais. “A maioria das entidades não têm muitas pessoas na equipe, dependemos de financiamento. Então nas Feiras conseguimos catalogar com cada agricultor/a o que está sendo exposto, toda a diversidade de alimentos cultivados pela agricultura familiar”, conta André Emílio Jantara, da AS-PTA Palmeira, organizadora do evento. André conta que a ideia das Feiras regionais surgiu com um grupo de mulheres no ano 2000. “Elas sentaram numa comunidade e cada uma levou as sementes que tinham para fazer a troca entre elas. Só ali já tinha mais de 100 variedades de sementes. Daí surgiu a ideia das Feiras Municipais, depois as Feiras Regionais e assim foi aumentando o número de guardiões de sementes”.

Autonomia das grandes empresas e adaptação às práticas de cultivo agroecológicas que diminuem o custo de produção são algumas das vantagens do uso das sementes crioulas apontadas por agricultores e agricultoras. “Tem um custo mais acessível, porque além de eu não precisar comprar a semente, ela também aceita adubo orgânico, esterco de galinha e os resíduos orgânicos que eu uso pra adubar”, afirma a agricultora e guardiã de sementes Maria Vanderléia Barbosa, da comunidade Rio Baio, de São João do Triunfo. Ela participa da COAFTRIL (Cooperativa Mista Triunfense de Agricultores e Agricultoras Familiares) e veio para a Feira com diversas variedades de milho, feijão, gila, mostarda. “É uma tradição, né. É uma coisa boa, pura, saudável, sem veneno. O sabor é outro. Então a gente não quer perder”, afirma a agricultora.

O agricultor e estudante Mateus Gelinski, de 19 anos, avalia que “Além da independência das grandes produtoras de semente transgênicas, temos mais variabilidade e melhor custo benefício”. Mateus também acrescenta que “O jovem tem papel fundamental na preservação das sementes, porque é ele que vai manter as futuras gerações. Tem variedades que meu pai planta há mais de 30 anos, se a gente não seguir com isso, elas vão se acabar”, completa. André Jantara concorda: o envolvimento da juventude no trabalho de resgate, conservação e multiplicação de sementes é primordial. “O foco está nas escolas, com a juventude, com aqueles que estão na propriedade com os pais ainda. Esses são nossos guardiões mirins”, afirma.

Na programação da Feira, além da grande troca de sementes, aconteceram também oficinas e o I Seminário de Consumo Consciente e Alimentação Saudável, com o professor Rubens Nodari (UFSC) e o engenheiro Manuel Delafoulhouze, do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA). Delafoulhouze trouxe reflexões sobre a dinâmica de distribuição centralizada de alimentos e seu impacto negativo na qualidade da nossa alimentação. Buscando fazer um contraponto, o CPRA media grupos de Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA), proposta de comercialização que compartilha custos e responsabilidades da produção entre agricultorxs e consumidorxs, aproximando esses elos da cadeia. Só na Grande Curitiba, o CSA articula entre 40 a 50 grupos de consumidorxs, que recebem alimentos de mais de 1000 famílias de agricultorxs.

Abordando inicialmente os já conhecidos reveses dos monocultivos – sobretudo transgênicos – no Brasil e no mundo (aumento da contaminação por agrotóxicos, diminuição da população de insetos polinizadores e maior vulnerabilidade agrícola), Nodari ressaltou a contribuição que o público urbano pode ter para resgatar a dignidade dos agricultores e agricultoras: consumindo alimentos agroecológicos. Para Nodari, se considerarmos a qualidade superior desses alimentos, veremos que não são tão caros como se diz. Além disso, a diversidade de cultivos postulada pela Agroecologia é a melhor barreira contra pragas.

A agricultora Angelice Dias Barbosa conhece na prática a diferença dos alimentos agroecológicos. Tendo trabalhado como confeiteira e salgadeira durante vários anos, Angelice passou a trabalhar na agricultura agroecológica em 2016, quando conheceu seu companheiro, Celson José Chagas. Vivendo e trabalhando no Assentamento Contestado, na Lapa (PR), Angelice conta que “eu achava que conhecia sabor, mas era sabor artificial. Hoje é o sabor natural. Tenho tomate com sabor de verdade. Brócolis e alface antes era borracha, hoje é algo suculento, sem veneno. Hoje eu posso usar numa receita o morango orgânico do companheiro que é nosso vizinho e planta. Conheci trigo orgânico, saí do veneno. Hoje me orgulho disso”.

O companheiro de Angelice, Celson, tem mais experiência no trabalho com sementes crioulas. Ele conta que, junto com os Núcleos Maria Rosa da Anunciação e Maurício Burmester da Rede Ecovida de Agroecologia, o Assentamento Contestado vem fomentando esse trabalho para “ter mais sustentabilidade e soberania na questão da semente. A gente participa também da Casa da Semente e vem tentando resgatar o conhecimento sobre as sementes crioulas de hortaliças”, afirma. “A ideia é vender de agricultor para agricultor. Temos 10 famílias produzindo sementes no Assentamento, além de outras 20 em Palmeira. Fazemos também o melhoramento genético dessas sementes”, completa. “Hoje não dá pra falar em Agroecologia sem falar de semente. Primeiro para seu consumo, depois na comunidade do entorno e, se possível, para outros agricultores da região”.

Uma participação mais do que especial na Feira foi do povo Guarani-Kaiowá junto com assentados da Reforma Agrária que vieram na delegação do Mato Grosso do Sul, articulados pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. “Começamos a plantar semente que não era nossa e fomos perdendo nossos alimentos. Mas estamos resgatando e agora até os fazendeiros procuram nossas sementes. Pra nós isso é uma grande soberania. Pois isso é vida, alimento saudável. Hoje temos DAP e vendemos  mandioca, batata doce, abacate e moranga nas escolas da reserva indígena”, conta Edite Martins Guarani, da Aldeia Jaguaperu, localizada na Terra Indígena de Dourados.

Na cultura Guarani-Kaiowá, o manejo dessas sementes é especial, pois conta com tecnologias espirituais, como conta Anastácio Peralta, também da TI Dourados: “A semente pra nós tem alma, tem vida. Hoje quem manda é o trator, o veneno. Isso mata o ser humano, a natureza, os microrganismos. Mas nós trabalhamos com tecnologias espirituais. O solo é batizado, a semente também. Fazemos reza para chamar a chuva. Como a planta tem vida e alma, temos que rezar pra ela sempre ir e voltar”.

 

Política de Redução de Agrotóxicos é debatida na UFSC

Enquanto o Brasil continua sendo o campeão mundial no consumo de agrotóxicos (saiba mais no Dossiê da ABRASCO) e com a aprovação em Comissão Especial da Câmara de Deputados do Projeto de Lei 6299, que flexibiliza o registro e controle destes produtos, crescem também iniciativas que buscam frear e diminuir o avanço do envenenamento dos pratos e do meio-ambiente no País. Algumas delas foram discutidas na última 2ª feira, 27 de agosto, no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC: a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos – PNARA, que tramita na Câmara de Deputados, e o Programa Alimento Sem Risco, do Ministério Público de Santa Catarina. Participaram na mesa de debate o deputado Pedro Uczai (PT/SC), relator do Projeto de Lei 6670/2016 que dispões sobre o PNARA; Greicia Malheiros da Rosa Souza, promotora de Justiça e coordenadora do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos; Rubens Nodari, professor da UFSC e Marcos José de Abreu, vereador de Florianópolis (PSOL) e autor do texto da Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica, aprovada neste ano pela Câmara de Vereadores.

De acordo com Pedro Uczai, a PNARA  tem os objetivos de “reduzir, gradual e continuamente, a disponibilidade, o acesso e o uso de agrotóxicos, bem como desestimular economicamente seu uso e estimular os sistemas de produção sem químicos, práticas de manejo sustentável e agroecológicas criando zonas livres da influência de pesticidas e transgênicos”. O texto da proposta foi apresentado pela ABRASCO em 2016, desde então foi aprovado na Comissão de Legislação Participativa e aguarda instalação de Comissão Especial para seguir na tramitação.

Uczai sugeriu algumas metas que poderiam constar na PNARA, a partir da discussão com a sociedade, como:

  • que em 10 anos tenhamos 100% de alimentos orgânicos nas compras públicas para hospitais, escolas e presídios. Aumentando a demanda e as possibilidades de mercado para os agricultores, seria estimulada também a produção;
  • que metade do orçamento da EMBRAPA seja voltado para a pesquisa de técnicas de manejo orgânicas e agroecológicas;
  • que em 10 anos metade dos recursos do PRONAF sejam voltados para a produção orgânica e agroecológica
  • para aumentar a disponibilidade de assistência técnica agroecológica, converter metade dos currículos dos cursos de Agronomia e Técnicos  Agrícolas para conteúdos agroecológicos.

Para exemplificar a necessidade de ações para a redução do uso de agrotóxicos e estímulo à agroecologia, Uczai falou sobre a alarmante incidência de câncer na população catarinense – sobretudo a que vive no campo. “Em 95 municípios catarinenses, o câncer é a primeira causa de mortes na população. São 18 mil novos casos de câncer a cada ano em Santa Catarina. De cada 100 casos, 18,7 são agricultores e agricultoras. Em termos de classe trabalhadora, é alarmante”, disse.

Para Rubens Nodari, professor do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a academia e os pesquisadores têm grande responsabilidade no desenvolvimento e disseminação de informações sobre  agrotóxicos. Além disso, a “perversidade do sistema de avaliação onde quem produz também fornece os dados sobre os produtos” contribuem para o descontrole   do uso de agroquímicos no país. Neste sentido, ele reforça a Agroecologia como modelo de produção de alimentos verdadeiramente saudáveis: “a diversidade preconizada pela Agroecologia é a principal barreira para pragas e base para sustentabilidade”, afirma.

Neste sentido, o Estado tem o papel de promover um modelo de agricultura de baixo impacto ambiental e humano, de acordo com Marcos José de Abreu, vereador de Florianópolis pelo PSOL. Uma das primeiras medidas para isso seria diminuir as isenções fiscais para os agrotóxicos. No Brasil, os agrotóxicos têm desconto de 60% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) nas saídas interestaduais, além de não pagar Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de acordo com o Convênio 100/1997, do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Em 2016, a partir de texto construído com a ABRASCO, o PSOL entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5553) no Supremo Tribunal Federal questionando essas facilitações à comercialização de agrotóxicos no País.

“Os gastos públicos frequentemente são questionados, mas não se discutem isenções fiscais como essas, aos agrotóxicos”, ponderou a promotora do MPSC Greicia da Rosa de Souza. Ela falou sobre o Programa Alimento Sem Risco, do Ministério Público de Santa Catarina em parceria com a CIDASC e outros órgãos do Poder Público, que coleta e analisa amostras de pelo menos 25 tipos de frutas, legumes e hortaliças, buscando identificar resíduos de agrotóxicos proibidos ou acima do “limite seguro”. “Mas a conformidade tampouco quer dizer segurança, considerando a flexibilidade da legislação de agrotóxicos no nosso país”, avaliou a promotora. Entre 2011 e 2016, o percentual de amostras desconformes caiu de 34% para 18%. As amostras com algum resíduo, contudo, aumentaram de 35% para 52%.

As desconformidades são comunicadas à EPAGRI e à CIDASC. De acordo com o MPSC, como resultados do Programa, “mais de 250 acordos extrajudiciais na forma de termos de compromisso de ajustamento de conduta (TACs) foram firmados até junho de 2017, para promover medidas de adequação do cultivo e do comércio, envolvendo agricultores, distribuidores, cerealistas, supermercadistas e comerciantes de agrotóxicos e outros tipos de fornecedores de alimentos e insumos agrícolas”.

 

Turma do NEI Armação conhece a Horta Comunitária do Pacuca

Na tarde da última terça, 28 de agosto, os alunos do Núcleo de Ensino Infantil Armação conheceram a Horta Comunitária do Pacuca, Parque Cultural de Campeche. As crianças se divertiram ao ver numa escala maior o que já estão praticando na escola, como a compostagem e o plantio de hortaliças. 

Quem recepcionou a turma foi Ataíde Silva, um dos articuladores do Pacuca, que começou apresentando as composteiras em diferentes etapas do processo de reciclagem de resíduos orgânicos. Karina Smania De Lorenzi, engenheira agrônoma do Cepagro responsável pelas atividades na Horta Pedagógica do NEI Armação, acompanhou a visita e contou: “Eles ficaram muito felizes porque já conheciam e explicaram também que já fazem compostagem na escola”.

Ataíde contou um pouco sobre a história do Parque, onde antes se localizava o Campo de Aviação do Campeche, sobre o piloto e escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, e convidou as crianças para conhecer a Geladoteca, uma geladeira repleta de livros que elas puderam levar para casa.

Em seguida, elas deram um pulo na horta e reconheceram lá algumas plantas que estão cultivando na escola, como repolho, rúcula, manjericão e brócolis. Conheceram também a roça de aipim e as técnicas de colher esse alimento tão rico, que ao final do dia foi levado para as cozinheiras do NEI.

Por fim, a turminha aproveitou o dia ensolarado para fazer um piquenique onde elas saborearam morangos e cenouras colhidos no dia.

Projeto Misereor em Rede segue articulando agricultorxs e consumidorxs

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Visita ao Sítio Saraquá, em Águas Mornas (SC)

Se “comer é um ato político”, faz parte desta ação política a escolha consciente dos nossos alimentos. Buscando conscientizar e sensibilizar o público urbano para o consumo de alimentos agroecológicos, o Projeto Misereor em Rede vem promovendo a aproximação entre as duas pontas – consumidorxs e agricultorxs – das cadeias de comercialização agroecológica. Através de visitas a campo, consumidorxs conhecem propriedades agroecológicas e conversam com agricultorxs, passando a entender mais sobre a sazonalidade dos alimentos, os desafios de produção e logística e a importância de buscar produtorxs que estejam mais próximxs às suas residências. Neste mês, o projeto articulou essas vivências em Florianópolis e Águas Mornas.

WhatsApp Image 2018-08-20 at 19.14.28No sábado passado, 18 de agosto, um grupo de consumidores se reuniu com agricultores do Sítio Florbela (localizado no Sertão do Ribeirão), buscando mobilizar um grupo para receber cestas de alimentos agroecológicos no Sul da Ilha.  “Refletimos sobre como essa proximidade entre  produtorxs e consumidorxs é positiva do ponto de vista do frescor do alimento também”, avalia Erika Sagae, da equipe do projeto. No domingo, já no Sítio Florbela, a reunião do grupo Ilha Meiembipe da Rede Ecovida de Agroecologia teve a participação de consumidorxs mobilizadxs pelo projeto. Além de fortalecer o debate sobre a participação de consumidorxs na Rede Ecovida, a atividade serviu também para o grupo perceber demandas e oportunidades de divulgação de sua produção.

No outro sábado, 25 de agosto, a equipe Cepagro/Misereor em Rede levou um grupo de consumidores e consumidoras para conhecer o Sítio Saraquá, em Águas Mornas. A propriedade é certificada pela Rede Ecovida de Agroecologia e cultivada pelos agricultores Tânea Mara e Vítor Follmann, do grupo Harmonia da Terra. Eles fornecem semanalmente alimentos agroecológicos para grupos de Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA), uma proposta de comercialização que compartilha custos e responsabilidades da produção entre agricultorxs e consumidorxs.

A ideia da Comunidade que Sustenta a Agricultura, surgida na Alemanha nos anos 1920 e chegada a Florianópolis em 2016, é que haja uma planilha aberta de custos de produção, que são compartilhados entre consumidores e produtores. O planejamento de produção é feito de acordo com a sazonalidade dos alimentos, a gestão administrativa e financeira do empreendimento é toda compartilhada e cada membro paga uma cota mensal dos custos de produção, que vão de R$ 130 a R$ 200 por mês (dependendo dos alimentos comprados). Custos de mão de obra, transporte, logística e até um fundo para emergências são divididos entre todxs. Tânea e Vítor, do Sítio Saraquá, entregam semanalmente 32 cestas agroecológicas (a capacidade de produção deles é para até 40 cestas).

Além de diminuir a presença de atravessadores, a articulação entre consumidores e produtores fortalece também o compromisso de quem compra com a produção.  Durante a visita ao Sítio Saraquá, o grupo da cidade pode conversar sobre estes e outros temas com os agricultores. “Os consumidores também fizeram várias perguntas também sobre certificação participativa, como funciona, quais são as dificuldades. Foi um momento bem interessante de intercâmbio e aproximação entre consumidores e produtor, importante pra entendermos os desafios que os agricultores têm pra levar alimento até a cidade”, avalia Erika Sagae. Na caminhada pelo Sítio, o grupo pôde ver a Agroecologia sendo cultivada na prática, com muita diversidade de alimentos e técnicas de manejo agrícola sustentáveis.