“Compostagem” abre ciclo de Oficinas Saber na Prática em 2017

Com suporte do Programa de Apoio a Projetos da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), o ciclo de Oficinas Saber na Prática iniciou as atividades de 2017 no último sábado, 18 de março, com uma capacitação sobre Compostagem no Jardim Botânico do Itacorubi. Cerca de 40 pessoas participaram da atividade, em que foram trabalhados diversos tipos e aplicações desta técnica de reciclagem de resíduos orgânicos, com facilitação dxs engenheirxs agrônomxs da equipe Cepagro Camilo Teixeira, Ícaro Pereira, Júlio César Maestri e Karina Smania de Lorenzi. As próximas oficinas abordarão temáticas como Plantas Medicinais, Viveiros de Mudas e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs).

Buscando sempre aliar teoria e prática, a equipe iniciou a oficina utilizando uma ferramenta pedagógica que faz sucesso na escolas: a TV Composteira, um caixote com paredes de vidro onde é possível visualizar as várias camadas de compostagem. Após uma rodada de perguntas, o grupo foi ao Pátio Didático de Reciclagem Orgânica, onde estão montadas composteiras nos modelos: leira estática com materiais estruturantes, com impermeabilização e também as de estrutura fechada (como a Super R3).  Além de mostrar o funcionamento de cada uma das estruturas, a equipe Cepagro sempre tem o cuidado de discutir a importância da compostagem com os participantes: “Se custa R$ 4 milhões para enterrar lixo no aterro, R$ 2 milhões é só para enterrar o orgânico. Sendo que 70% do peso dos resíduos orgânicos é água, como no nosso corpo”, explicou o Coordenador Urbano do Cepagro, Júlio Maestri. Diante desse quadro, o tratamento local de resíduos orgânicos ganha cada vez mais credibilidade, tornando a compostagem uma “onda irreversível”, nas palavras de Júlio.

Colocando esses saberes em prática, a turma da oficina fez então a montagem de uma leira de compostagem. Além da correta mistura de materiais – resíduos orgânicos, folhas secas, palhada, galhos -, os facilitadores ressaltaram a importância do cuidado estético na compostagem, para desmistificar a noção de “sujeira” associada aos resíduos orgânicos, o que animaria mais pessoas para adotar a técnica. “E é como uma obra de arte, cada pessoa vai fazer de um jeito”, explicou o técnico Camilo Teixeira.

Outra questão-chave para o funcionamento adequado da compostagem é a separação correta dos resíduos na fonte. Este foi o principal desafio da funcionária do Ministério Público Federal Cléria Nunes na implementação da compostagem na instituição, onde trabalha no setor de gestão de pessoas. Junto com a bibliotecária aposentada do MPF Cida Sell, elas participaram da oficina com esse foco de compartilhar os saberes com os colegas de trabalho.  “Já temos uma horta de plantas medicinais lá, agora queremos desenvolver a compostagem. Colocamos um pote de sorvete para coletar os resíduos em cada andar, agora falta organizar um pouco mais essa logística”, conta Cléria, que já havia participado de oficinas no Camping do Parque Estadual do Rio Vermelho e também assistido a um palestra  da Revolução dos Baldinhos.

A oficina também chamou a atenção dxs graduandxs em Educação no Campo Rodrigo Castro, Kátila Stefanes, Lucas Furtado, Antony Correa, Dara Ferreira e Daniel Braz. Mais do que uma técnica de reciclagem de resíduos orgânicos, a compostagem representa uma ferramenta pedagógica para eles. “Pensamos em incorporar nas nossas aulas em Ciências da Natureza. Também é ótimo para trabalhar em escolas rurais”, conta Rodrigo.

Para saber mais sobre as próximas oficinas, acompanhe o blog e a página do Facebook do Cepagro. O email do projeto é sabernapratica.cepagro@gmail.com.

Cepagro e Revolução dos Baldinhos são homenageados na ALESC

A homenagem, feita pelo gabinete do Deputado  Padre Pedro (PT-SC), aconteceu na última 2ª feira (6 de março), durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2017 na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. A agrônoma Aline Assis, da equipe técnica do Cepagro e articuladora da campanha de financiamento coletivo da Revolução dos Baldinhos, representou o projeto para receber a homenagem, concedida também a movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MMC (Movimento das Mulheres Camponesas) e Movimento pela Ponta do Coral 100% Pública. Ao final da sessão, o deputado Padre Pedro reforçou o chamado para doações para a Revolução, que podem ser feitas no site juntos.com.vc/baldinhos até o dia 17 de março.

Com o tema Biomas Brasileiros e Defesa da Vida, a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deste ano “coloca em pauta a temática ambiental e seus impactos sociais”, segundo Pe. Pedro. Ressaltando o princípio da “ecologia integral” colocado na Encíclica Laudato Si, publicada pelo Papa Francisco em novembro de 2015, o deputado afirma que “não podemos mais pensar na natureza como algo separado”. Como atitudes importantes para preservação do meio ambiente e, consequentemente, da espécie humana, Pe. Pedro apontou a necessidade de mudar nosso modelo agrícola para uma base agroecológica. Para isso, aumentar o acesso a crédito para fomentar tecnologias de produção e estratégias de comercialização de alimentos agroecológicos é fundamental.  A mesma crítica ao modelo de agricultura químico dependente ainda hegemônico – e por isso chamado convencional – foi feita pelo professor Dr. Ademir Reis (Biologia – UFSC). “É possível produzir sem usar tanto veneno, preservando nossas águas também”.

Equipes do Projeto Misereor em Rede planejam atividades para 2017

As equipes de trabalho das organizações que compõem o Projeto Misereor em Rede – AS-PTA, Centro Vianei, Cepagro e CETAP – estiveram reunidas em Florianópolis nos dias 2 e 3 de março para fazer seu planejamento de atividades para 2017, como oficinas, intercâmbios e seminários regionais. A primeira ação coletiva das organizações neste ano será no 10º Encontro Ampliado da Rede Ecovida, que acontece de 21 a 23 de abril em Erexim (RS) e onde participarão 40 consumidores e agricultores urbanos envolvidos no projeto. Além disso, a equipe do projeto irá oferecer uma oficina sobre Segurança Alimentar, Abastecimento e Consumo durante o Encontro.

 

Ainda para o primeiro semestre está prevista a realização de um intercâmbio e um seminário em Lages, e na segunda metade do ano em Florianópolis. Também serão promovidas oficinas de temas ligados a Agroecologia em todas as regiões onde as organizações envolvidas no projeto têm atuação, nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O projeto finaliza em dezembro de 2017, e uma nova proposta de continuidade esta sendo elaborada pelas organizações.

 

Ciclo de oficinas “Saber na Prática” continua em 2017

gama3778Contemplado pelo Programa de Apoio a Projetos da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), o ciclo de oficinas “Saber na Prática”, que trabalha temáticas de agroecologia para o público em geral, terá continuidade em 2017. O diretor-presidente do Cepagro, Eduardo Daniel Rocha, e o coordenador urbano da entidade, Júlio César Maestri, participaram no dia 17 de janeiro da cerimônia de entrega das placas e assinatura do convênio com a ACIF.

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O diretor-presidente do Cepagro, Eduardo Rocha, recebe a placa do presidente da ACIF

O programa apoiará a realização de 5 oficinas, com temáticas como: compostagem, hortas residenciais e escolares, plantas medicinais e plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Eduardo ressalta que o projeto do Cepagro foi o único aprovado que tem enfoque de educação ambiental. Para mais informações, o email de contato é sabernapratica.cepagro@gmail.com.

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Júlio Maestri explica as temáticas das oficinas

Com apoio de fundação canadense, agricultores investem em alternativas ao cultivo de tabaco

“Se a gente compra no nosso local, todo mundo sai ganhando. Diminui o nosso custo de frete e dá um estímulo pros outros produzirem”. A avaliação de José Will, agricultor e gerente da agroindústria Conservas Will, de Nova Trento, foi feita durante a visita de Robert Thomas, representante da fundação canadense SHARE, que está apoiando o empreendimento através de um projeto articulado pelo Cepagro. A visita aconteceu no dia 9 de janeiro, com a equipe do Cepagro acompanhando Thomas na visita à agroindústria e também em duas propriedades de famílias que participam do projeto.

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Visita da Fundação SHARE à agroindústria Conservas Will

Os recursos concedidos pela SHARE servirão para a Conservas Will comprar alimentos  in natura de 6 famílias de agricultores que no momento produzem tabaco. Cada uma das 6 famílias poderá vender até R$ 2 mil em matéria-prima para a agroindústria. Os alimentos cultivados nesta primeira etapa são:  pepino, couve-flor, cenoura, beterraba, brócolis e vagem. A primeira compra será por volta de maio/junho deste ano.

Visita a propriedade fumicultora participante do projeto
Visita a propriedade fumicultora participante do projeto

Construída como uma alternativa da família Will para abandonar a fumicultura, agora a agroindústria passa a representar um primeiro canal de escoamento para a produção de alimentos de mais famílias que desejam fazer a mesma transição da produção de fumo para a de alimentos. Uma delas é a de Saul Jaczczak, da comunidade Rio Veado, em Nova Trento, que no momento cultiva 75 mil pés de tabaco. Beneficiário também do projeto Cepagro/FRBL, Saul pretende fornecer beterraba e vagem para as Conservas. Ele afirma que também quer começar a produzir abóbora para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), canal que ele também passou a considerar após o contato com a agroindústria.

Bob Thomas, da SHARE, conversa com o agricultor Saul Jaczczak
Bob Thomas, da SHARE, conversa com o agricultor Saul Jaczczak na estufa de fumo da família
Outro participante do projeto é o agricultor Odirlei Bonikoski, da comunidade Três Barras, em Nova Trento.
Outro participante do projeto é o agricultor Odirlei Bonikoski, da comunidade Três Barras, em Nova Trento.

 

 

Projeto Misereor em Rede faz mapeamento de agricultura urbana e consumo de alimentos agroecológicos

Equipe do Projeto Misereor em Rede
Equipe do Projeto Misereor em Rede

Resultado de uma articulação entre Cepagro e outras três organizações do Sul do Brasil – CETAP, ASPTA e Centro Vianei de Educação Popular – o Projeto Misereor em Rede promoveu em 2016 diversas atividades com produtores agroecológicos urbanos e consumidores. O objetivo geral da iniciativa é promover e articular dinâmicas locais e regionais de produção, processamento e abastecimento agroecológico em organizações do campo e da cidade, orientadas em relações solidárias e nos princípios da Segurança Alimentar das populações. Para 2017, com o apoio da Misereor e juntamente com as entidades parceiras do projeto em rede, as atividades de oficinas, intercâmbios e incidência politica continuarão fortalecendo as ações de articulação e promoção da Agroecologia seja no campo ou na cidade.

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Horta Comunitária do PACUCA, no bairro Campeche, em Florianópolis.

Em Florianópolis, onde o Cepagro atua, já foi feito um mapeamento das iniciativas de produção agroecológica a partir de quintais produtivos, hortas comunitárias, hortas escolares e em postos de saúde.  Os resultados finais da pesquisa serão apresentados no livro que esta sendo elaborado e será editado até o final do projeto. De acordo com a equipe local do projeto – composta pela educadora Erika Sagae e o administrador Eduardo Rocha, da diretoria do Cepagro -,  Florianópolis apresenta particularidades quando se discute Agricultura Urbana, pois áreas com características rurais estão fortemente presentes no espaço urbano, apresentando uma escala de produção onde o produtor tem a renda da propriedade como sua principal fonte de sustento. Além disso, apresenta hortas comunitárias em espaços públicos, com finalidades sociais e terapêuticas. “Contamos com o apoio de diversos pesquisadores e colaboradores para a construção de metodologias e ferramentas de análises da pesquisa, tanto com os agricultores urbanos quanto com os consumidores”, explica Erika Sagae.

Feira Orgânica do CCA
Feira Orgânica do CCA

Também foram feitas visitas de campo e entrevistas com grupos específicos de consumidores de cestas, além de entrevistas com fregueses de feiras. As feiras mapeadas foram: Viva Cidade, no Centro de Florianópolis; a Feira Orgânica do Centro de Ciências Agrárias e a Feira da UFSC no campus Trindade. A necessidade de maiores informações quanto às diferenças entre produtos agroecológicos e orgânicos, bem como com relação aos tipos de certificação existentes, foram alguns aspectos apontados.

O projeto também previa assessoria e capacitação com coprodutores e organizações para que fossem parceiros na construção de dinâmicas locais de abastecimento. Atividades de oficinas sobre compostagem, segurança alimentar e nutricional, produção de mudas foram oferecidas aos consumidores e produtores urbanos no ano de 2016 e continuarão a ocorrer em 2017.

Intercâmbio em Palmeira (PR), promovido pela ASPTA
Intercâmbio em Palmeira (PR), promovido pela ASPTA

Além disso, os beneficiários do projeto puderam participar de intercâmbios no Paraná e Rio Grande do Sul, em atividades promovidas pelas entidades parceiras, configurando momentos de grande troca de experiências e aprendizados. As atividades ocorreram no município de Palmeiras (PR), durante o Encontro de Troca de Sementes promovido pela ASPTA, e no Encontro Sananduvense de Diversidade Orgânica  realizado pelo CETAP. (RS)

Mantendo sua missão de incidência politica em Segurança Alimentar e Nutricional, o Cepagro teve forte atuação no Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (COMSEAS) e no Conselho Estadual de Segurança Alimentar, em ambos ocupando a presidência.