EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

Por este edital ficam convocados todos os associados e associadas do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo – CEPAGRO, para a Assembleia Geral Ordinária a ser realizada às 19h00 horas, do dia 29/11/2021.

Devido a pandemia da COVID-19 definiu-se que a Assembleia Geral Ordinária será realizada por meio de uma sala virtual  disponibilizada  pela a entidade. Dessa forma, apresenta-se a seguinte ordem do dia:

– Aprovação das contas do ano de 2020;

– Retificação do quadro de associados;

– Informes institucionais.

Florianópolis, 19 de novembro de 2021.

Chegou a hora da colheita no projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José”


Após um semestre trabalhando com a gestão de resíduos e compostagem, produzindo mudas, planejando e montando canteiros, aprendendo sobre o ciclo das plantas, os/as alunos/as do Centro Educacional Municipal Santa Terezinha e da Escola do Mar Flavia Scarpelli Leite estão colhendo os alimentos que eles/as mesmos/as cultivaram. O projeto entra agora na etapa de Educação Alimentar, que envolve a preparação de receitas com os alimentos colhidos. E os trabalhos na horta continuam: “Conforme o calendário agrícola da estação, iniciamos o plantio de milho, amendoim, melancias, pepino, abóboras, batatas entre outros”, explica a agrônoma Karina Smania de Lorenzi, que coordena o projeto. 


Uma das turmas resolveu investir em embelezar a frente da escola Santa Terezinha, fazendo um projeto paisagístico. “Eles querem mostrar que a escola é tão bonita por fora quanto por dentro”, afirma Karina. Para o projeto paisagístico, houve o apoio do Superintendente Adjunto da Fundação do Meio Ambiente de São José, Agostinho Mignoni, que é quem cuida dos jardins da cidade de São José, através de uma palestra para os alunos do 5º ano sobre como fazer um projeto paisagístico, o que precisamos, e como fazer a manutenção posterior. 

Já na Escola do Mar, para aproveitar melhor os espaços, os/as estudantes iniciaram os plantios em caixas de peixe na lateral da escola e também avançaram com a horta para frente da Escola Ambiental, que fica junto a Escola do Mar. “Os/as alunos/as estão muito comprometidos/as a cuidar desses espaços, seguem um calendário de cuidados e já estão fazendo as primeiras colheitas”, avalia Karina.

O projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José” tem apoio do Instituto MRV.  A iniciativa envolve 16 turmas de alunos de 2 escolas, somando 330 alunos/as e 16 professores/as, além de outros/as funcionários/as das unidades.

“O que eu tenho a ver com a fome?” é o questionamento da 2ª formação cidadã da Ação Solidária COVID 19


Continuando o ciclo de formações cidadãs da iniciativa #açãosolidáriacovid19, no dia 14 de setembro foi realizado o segundo no CRAS Continente II, Capoeiras. Seguindo a mesma metodologia CIRCULAR da oficina anterior – baseada na problematização de Paulo Freire,  tem em seu centro a roda de conversa, rodeada por varais com impressões dos/as participantes sobre um tema. Neste encontro, a pauta foi “Fome, miséria e pandemia”. Participaram da atividade representantes de cozinhas comunitárias, moradoras da Vila Aparecida, além da equipe Cepagro e TearSan. 

A pergunta central da atividade foi: O QUE EU TENHO A VER COM A FOME?  Todes afirmaram que nunca chegaram a passar fome, mas tiveram momentos de bastante privação e insegurança alimentar. A jornalista Gloria Irulegui, por exemplo, recordou que até hoje tem um “trauma com macarrão alho e óleo”, porque em determinado período essa foi uma refeição muito presente na sua casa, por falta de condições financeiras para comprar outros alimentos.

Ela reconhece a importância de políticas públicas para manter sua segurança alimentar durante o período que esteve na universidade, por exemplo: como estudante cotista, afirma que se alimentava direito graças ao “Restaurante Universitário”.

Já Antônia Baschirotto Orbem, moradora da Vila Aparecida e voluntária na cozinha Dona Ilda, disse que nunca passou fome porque apesar de a família não ter muito dinheiro, produziam praticamente tudo o que comiam, menos o sal. A partir de relatos como esses, a professora Neila Machado refletiu: “Leve, moderada ou grave: é tudo fome. Fome é ausência daquilo que temos vontade”.

Neste sentido, as cozinhas comunitárias assumem um papel relevante, indo além do assistencialismo. Luciano Leite, da Ação Social Arquidiocesana, que apoia a Cozinha Comunitária Dona Ilda e a Horta Comunitária da Vila Aparecida, disse que “As ações da cozinha hoje não são só assistencialistas, a gente faz parte de uma engrenagem maior”, lembrando dos companheiros e companheiras que hoje ocupam os conselhos e fóruns que debatem e ajudam a construir e garantir os direitos sociais. Neila frisou que as cozinhas comunitárias de Florianópolis “são embriões de uma política pública”. Assim como as hortas comunitárias, de acordo com Glória, que desde o início vem acompanhando o desenvolvimento da horta comunitária do CRAS Continente II: “Vejo a horta como um espaço de formação política e não de assistencialismo”.

Assim, a conversa da roda evoluiu para identificar ações que já acontecem nas comunidades para fazer frente à fome e à miséria em meio a uma pandemia. Compostagem, hortas e cozinhas comunitárias, feiras, células de consumo, CRAS, ateliê de costura e padaria comunitária foram algumas ações identificadas nos bairros Vila Aparecida, Capoeiras, Abraão e Ribeirão da Ilha. Depois, Dudu e Neila foram apresentando algumas políticas públicas municipais, estaduais e federais que se conectavam com aquelas ações. Em conjunto, o grupo foi avaliando quais daquelas políticas estavam de fato presentes nas comunidades, mas de modo geral ficou evidente  que é a a ausência de políticas públicas que prevalece. O coletivo identificou como causas desse vácuo: falta de vontade política; políticas construídas de cima para baixo, sem a participação da sociedade; lobby do agronegócio e da indústria alimentícia; interesses privados. 

Como na roda de conversa anterior, todo o debate foi sendo sistematizado em tempo real pela #facilitaçãográfica da Bárbara … A ideia é que posteriormente as reflexões sejam apresentadas aos Conselhos Estadual e Municipal de Segurança Alimentar e Nutrcional ( Consea e Comseas).

Cepagro inicia ciclo de rodas de conversa sobre segurança alimentar no CRAS Continente II

Fome: condição que voltou a assombrar quase 20 milhões de pessoas no Brasil no final do ano passado. Num cenário de desmonte de políticas públicas que assegurem esse direito básico à população – o direito à alimentação adequada – o que as comunidades mais periféricas e vulneráveis podem fazer para combater a fome? E o que esperam e precisam que o Estado faça para combater a fome de alimentos e também de direitos? Foi com perguntas assim que iniciou-se o ciclo de formações cidadãs da iniciativa Ação Solidária COVID 19, com sua primeira roda de conversa realizada no dia 24 de agosto, no CRAS CONTINENTE II, Capoeiras.

O primeiro encontro teve como tema “FOME, MISÉRIA E ALIMENTAÇÃO – O QUE É FOME PRA VOCÊ?”. Facilitada por uma equipe multidisciplinar resultante da parceria entre Cepagro e o projeto TearSan (Teia de Articulação pelo Fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional), da UFSC, a roda de conversa teve a presença de lideranças comunitárias dos territórios da Chico Mendes, Vila Aparecida e Capoeiras, além de representantes de cozinhas comunitárias e da ASA Florianópolis (Ação Social Arquidiocesana). A metodologia utilizada foi batizada de CIRCULAR: seu centro foi a roda de conversa, rodeada por varais com impressões dos/as participantes sobre o tema da FOME. “Estes varais ficam instalados nas cozinhas comunitárias e a comunidade interage por uma semana nestes materiais, com auxílio da ‘caixa de sementes'”, explica Isadora Escosteguy, facilitadora da equipe técnica do Cepagro.

Após os encontros serão compartilhados vídeos interativos que compõem a discussão do tema, cuja personagem principal é Marina, moradora do território em que se desenvolvem as atividades. “Essa metodologia está baseada na problematização de Paulo Freire, em que o ponto de partida é a realidade vivida nas comunidades”, explica a professora da TearSAN Neila Maria Viçosa Machado. Paralelamente, a dinâmica da #facilitaçãográfica ia criando um registro escrito e ilustrado das falas.

“A fome sempre esteve presente na comunidade e existe um apoio entre as pessoas para que a fome não seja agravada”, disse a jornalista Gloria Irulegui, moradora da Vila Aparecida, noção reforçada por Cíntia Cruz, liderança da Revolução dos Baldinhos, na Chico Mendes: “As comunidades não passaram e nunca vão passar por um isolamento social durante uma pandemia, pois as relações que as mantêm vivas são de proximidade entre os/as membros”, afirma.

A importância da articulação dentro e entre comunidades para combater a fome emergiu na roda de conversa, mas sem esquecer do papel do Estado e das políticas públicas de romper o ciclo de fome e miséria em que cada vez mais pessoas têm vivido. Neste sentido, é fundamental discutir a diferença entre assistencialismo e políticas públicas, de acordo com Eduardo Rocha, do Cepagro: “Enquanto o assistencialismo não emancipa, as políticas públicas que asseguram DIREITOS estão se esvaindo neste momento político que estamos. Sendo assim os espaços comunitários de apoio, como as cozinhas e o restaurante popular, são fundamentais. As organizações como a ASA e o CEPAGRO também se fazem necessárias e realizam seu trabalho nesse sentido”, afirma.

As formações cidadãs continuam nos próximos meses, trabalhando temas como fome, miséria e pandemia; fome, miséria e políticas públicas e direitos sociais. “No último encontro realizaremos a construção coletiva do mapa da comunidade identificando o acesso a direitos, tanto como a promoção e violação de SAN nos territórios”, completa Isadora. Esta ação complementa a distribuição de alimentos às cozinhas do ciclo inicial do Ação Solidária Covid 19. E é proporcionando esses espaços de diálogo e reflexão que vão se fortalecendo sujeitos/as “reivindicando direitos, reivindicando políticas públicas estruturantes que combatam as desigualdades sociais e econômicas e que assegurem a vida com qualidade de todos e para todos, todas e todes”, nas palavras da professora Neila.

É tempo de cultivar no projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José”

Durante o mês o de junho, as atividades do projeto Educando e Transformando com a Horta foram intensas e cheias de novidades na CEM Santa Terezinha e no CEM Escola do Mar Flavia Scarpelli Leite, com o início da construção dos canteiros das hortas. Para isso, os/as alunos/as aprenderam a escolher o espaço ideal para a implantação dos canteiros, baseando-se na localização da escola de acordo com os pontos cardeais, declividade, drenagem, solo, acesso a água, entre outros. “Antes de plantar foi preciso aprender sobre o calendário agrícola e as plantas da estação, afinal não é toda planta que gosta do frio”, explica a agrônoma Karina de Lorenzi, do Cepagro, que coordena o projeto. 

As duas escolas estão fazendo a compostagem. No CEM Santa Terezinha, após a composteira em caixa d’água ficar cheia, foi montada uma composteira em leira junto com os alunos do 6º ano. Na Escola do Mar, após assistir um vídeo sobre a Revolução dos Baldinhos, os alunos passaram a adotar baldinhos para levar para casa e ensinar as famílias a separar os resíduos orgânicos. “Esses resíduos estão voltando para a escola, onde estamos fazendo a compostagem”, afirma Karina. 

Os/as estudantes também passaram a produzir as próprias mudas nas escolas. Na Santa Terezinha os/as participantes do projeto já haviam construído um espaço de viveiro e na Escola do Mar as mudas foram produzidas para também serem distribuídas na Semana do Meio Ambiente. A estudante Esther Silva Andrade, de 12 anos, levou mudas para casa e vem cuidando desde então. “Cuido todos os dias dessa plantinha para minha mãe”, conta Esther. “Acho o trabalho na horta bem criativo, gosto de plantar as sementes das verduras e regar as plantas. Minha mãe também gosta de hortas”, completa.

Esther Silva Andrade [ de blusa cor de vinho ] é estudante da Escola do Mar e tem achado o trabalho na horta bem criAtivo.

O projeto Educando e Transformando com a Horta em São José conta com apoio do Instituto MRV. Para realização dessas atividades tivemos a parceria do SESC para doação de composto, da CEASA para cessão de palhada e do Parque Ambiental dos Sabiás (São José), com doação de terra para substrato das mudas. Paralelamente, as vídeo-aulas continuam sendo produzidas, e desta vez conta com a participação dos alunos das duas escolas envolvidas no projeto.

Um ano de desafios e realizações: Cepagro publica Relatório de Atividades 2020

Com muita alegria compartilhamos nosso Relatório de Atividades 2020, que traz um panorama do nosso trabalho no ano que passou. Em 2020, os encontros e atividades presenciais coletivas, que tão bem definem a forma de atuar do Cepagro, tiveram de ser revistos e adaptados. A soma das crises sanitária, econômica e política decorrentes da pandemia da Covid-19 reorientaram o olhar da organização para demandas urgentes, como o combate à fome.

Desta forma, em 2020 o Cepagro realizou 9 projetos, atuando diretamente com 30 famílias agricultoras, 88 famílias indígenas e sensibilizando pelo menos outras 5 mil pessoas. Desenvolvemos ações em 14 municípios, 4 escolas, 3 aldeias indígenas, 1 Centro de Referência em Assistência Social e 6 cozinhas comunitárias. Articulamos a distribuição de 4,6 toneladas de alimentos agroecológicos para cozinhas comunitárias, que geraram cerca de 26.700 refeições para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social.

Tudo isso graças ao apoio e confiança de nossos financiadores, parceiros e de todo o público que acompanha e acredita em nosso trabalho de promoção da Agroecologia no campo e na cidade. Confira a versão completa do RELATÓRIO 2020 neste link.

Mais conforto para as famílias Guarani: Cepagro conclui construção de moradias na Tekoá Vy’a

“Foi a tarde, estava chovendo. Quando era umas 4 horas da tarde veio um vento muito forte. Chegou destruindo tudo, muito rápido. A gente nem sabia o que fazer, estávamos em casa rezando pra que nada acontecesse com as crianças”.

Assim a Vice-Cacica da aldeia Tekoá Vy’a, Cecília Brizola descreve a passagem do ciclone bomba na comunidade indígena de Major Gercino em junho de 2020. O ciclone passou por Santa Catarina causando estragos e deixando pessoas desabrigadas, entre elas oito famílias da aldeia Guarani. O ocorrido deu início a uma campanha de arrecadação realizada pelo Cepagro buscando recursos para o reparo das moradias e reposição de itens domésticos perdidos. 

O que iniciou como uma campanha pontual a partir da doação de pessoas físicas, resultou numa ação conjunta com outras organizações e coletivos da Grande Florianópolis para a construção de cinco novas moradias. Neste mês de maio, a construção e instalações necessárias foram concluídas e as famílias puderam se mudar.  “Todos os que receberam as casinhas ficaram felizes. Eu principalmente, porque eu fico feliz de ter conseguido isso para as famílias que perderam suas casas. Pra gente é importante estar protegidos da chuva, dos ventos e dos raios. Eu fiquei muito assustada com o que aconteceu. Fiquei pensando ‘onde vou conseguir as casinhas para morar’”, conta Cecília Brizola, contemplada com uma das casas.

Além de trazer mais conforto e segurança para as famílias, a construção das moradias também resultou na instalação de um tratamento mais adequado para os efluentes sanitários. Com o apoio voluntário da empresa Emboá e da ONG Engenheiros Sem Fronteiras Núcleo Florianópolis, foram instalados quatro sistemas ecológicos de tratamentos de efluentes, compostos por bacia de evapotranspiração e círculo de bananeiras. Tecnologias reconhecidas que conciliam o tratamento ecológico de efluentes com a produção de alimentos, evitando assim a poluição do solo, do lençol freático e do rio.

WhatsApp Image 2021-04-29 at 17.40.23Conforme explicam os Engenheiros Sanitaristas e Ambientais da Emboá, João Vitor Cipriano, Rodrigo Franco e Caio Castílio, basicamente, o sistema instalado é dividido em duas partes: uma é o círculo de bananeiras, onde são tratadas as chamadas águas cinzas, provenientes do lavatório, pia da cozinha e chuveiro. A segunda é a bacia de evapotranspiração, que promove o tratamento das águas pretas, provenientes do vaso sanitário, ao mesmo tempo que gera nutrientes para o desenvolvimento de plantas em sua superfície. A bacia consiste em um tanque escavado, impermeabilizado e preenchido com pneus, materiais filtrantes – nesse caso, resíduos de demolição – e com solo fértil na superfície, onde é feito o plantio de espécies vegetais de crescimento rápido, como as bananeiras. Estas plantas são responsáveis por fazer a filtragem final evaporando a água limpa para fora do sistema, sem causar impacto na natureza.

A equipe Emboá avalia que na aldeia as fontes de água estão bem próximas de onde os efluentes são eliminados e que por isso “instalar um sistema que propõe uma nova forma de olhar o problema, é um passo inicial para a tomada de consciência da aldeia acerca dos passivos ambientais presentes. E também, por se tratar de um sistema que prioriza a evapotranspiração como destinação final das águas tratadas, não há o contato direto dos efluentes com o solo ou com as águas subterrâneas. Deste modo, esta tecnologia traz uma maior segurança e proteção ambiental”, comenta o coletivo. 

Um dos cuidados tomados durante a instalação, além da atenção aos equipamentos de segurança individual para prevenir a Covid, foi o envolvimento da comunidade na instalação. A partir de agora, a manutenção dos sistemas exigirá dos moradores apenas a inspeção das caixas de passagem e de gordura, podas das plantas que estão sobre a bacia e renovação da cobertura vegetal dos sistemas. 

Para os sistemas de tratamento, além do trabalho voluntário da Emboá e Engenheiros Sem Fronteiras, tivemos o apoio da empresa Emplasul com a doação de bombonas; da empresa Lider Ambiental (Nova Trento) com a doação de entulhos; da Comcap, que disponibilizou 95 pneus para o projeto; e da Prefeitura de Major Gercino que contribuiu com o maquinário necessário para execução dos trabalhos.

A ação contou ainda com o financiamento do Instituto Comunitário da Grande Florianópolis, que contribuiu com R$ 66 mil a partir do Fundo de Impacto para Justiça Social, da Empresa Elera com R$ 25 mil, do Ministério Público do Trabalho com R$ 9,5 mil, do Instituto das Irmãs da Santa Cruz com R$ 7 mil, através do projeto “Terra, Comunicação e Artesanato sustentáveis: iniciativas para o fortalecimento das Tekoá Guarani” e mais as doações de pessoas físicas, que somaram R$ 14 mil. Assim, a ação teve como valor total R$121.500,00, dos quais 90% foi gasto com empresas locais. O montante foi utilizado da seguinte forma:

  • R$ 45 mil na aquisição de 5 kits casas de madeira e acessórios;
  • R$ 42 mil para a contratação de mão de obra local para construção das casas;
  • R$ 25,5 mil para a aquisição de materiais para construção das casas;
  • R$ 9 mil para a aquisição de materiais para os sistemas ecológicos de tratamento de efluentes.

A conclusão das moradias é comemorada pelos indígenas, mas algumas preocupações persistem. A falta de saneamento básico segue sendo um problema na comunidade e nem todas as 46 famílias que compõem a aldeia contam com moradias adequadas, um reflexo do abandono das políticas públicas com relação às comunidades tradicionais. Neste momento de crise sanitária, estas questões se tornam ainda mais urgentes e requerem esforços conjuntos, não apenas de ONGs e das próprias comunidades, mas especialmente do poder público.

IMG_3501Nesse sentido, “o Cepagro manterá a parceria com o Núcleo Florianópolis dos Engenheiros Sem Fronteiras, visando a busca de outras melhorias no saneamento e no abastecimento hídrico às famílias”, como afirma o Técnico em Agropecuária e Permacultor Charles Lamb (Bagé), que tem coordenado as ações do Cepagro nas aldeias Guarani da região. Além disso, “seguimos com os trabalhos envolvendo o artesanato e os cultivos agrícolas, o apoio no fortalecimento institucional através da associação comunitária, a integração junto a outras aldeias da região e atividades que fortaleçam a cultura Mbyá na Terra Indígena Tekoá Vy’a”, complementa.

Mãos à horta! Projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José” inicia atividades práticas em 2 escolas

Após um longo período somente com atividades virtuais e vídeo aulas, aos poucos o projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José” está retomando as atividades presenciais. Observando sempre os cuidados necessários, a agrônoma Karina de Lorenzi, da equipe do Cepagro, tem semanalmente realizado reuniões e atividades práticas no CEM Escola do Mar Flavia Scarpelli Leite e no Centro Educacional Municipal Santa Terezinha, ambas em São José. Além disso, o projeto mantém a produção de vídeo aulas para atender os/as estudantes que estão no ensino remoto. 

“A gente está em conversa com as escolas desde fevereiro, realizando o planejamento das atividades com os/as profissionais das unidades. Em março fizemos um diagnóstico das escolas, apresentação do projeto para comunidade escolar e iniciamos as atividades no formato híbrido, com presencial e também com vídeo aulas”, explica Karina. Na sala de aula, Karina conversou com as turmas sobre o que é Agroecologia e vem projetando junto com os/as estudantes como fazer a horta. “Pensamos juntos/as como vai ser, em qual espaço da escola que seja mais adequado ao plantio, os materiais que são necessários, onde vamos consegui-los”, afirma a agrônoma.

Além desse caráter participativo, outra característica da metodologia de hortas pedagógicas do Cepagro implementada no projeto é criar diálogos entre as disciplinas escolares e o trabalho na horta. “Iniciamos trabalhando principalmente com as professoras nas disciplinas de História e Geografia, falando sobre a origem da agricultura, das plantas, sobre o solo”, diz Karina “Quando a Karina chegou e  trouxe pra sala o planisfério, globo terrestre, sementes para falar sobre a origem dos alimentos, veio ao encontro do que estávamos trabalhando: a superfície terrestre, planeta terra, povos que

foram habitando as Américas e como apropriar-se da agricultura colaborou na sedentarização”, explica a professora Clarisse da Luz Nascimento, que trabalha com os 5ºs anos do Centro Educacional Municipal Santa Terezinha. “E as crianças começaram a fazer essa associação: pra morar, preciso ter um ambiente bom e agradável. Na sequência, foram a campo para escolher o melhor local para fazer a horta. Foi incrível”, completa. 

Na Escola do Mar, o trabalho nos canteiros já começou, com os trabalhos sobre o solo e a diversidade no plantio agroecológico. No Centro Educacional Santa Terezinha, estão começando as atividades de compostagem e a montagem dos canteiros. O projeto Educando e Transformando com a Horta em São José conta com apoio do Instituto MRV e vai até dezembro de 2021.  Ao todo, 237 estudantes e 10 professoras/es nas 2 escolas participam das atividades. 

Ação Solidária COVID 19 fecha ciclo de entregas com 10 toneladas de alimentos distribuídas

Entre outubro de 2020 e março de 2021, quase toda quarta-feira às 7h30 da manhã a engenheira agrônoma Isadora Escosteguy estava na sede do Cepagro, no campus Itacorubi da Universidade Federal de Santa Catarina. Sem atividades presenciais por conta da pandemia, o escritório da organização se transformou numa central de abastecimento agroecológico. Por ali passaram as 10 toneladas de alimentos adquiridos ao longo de 6 meses de 14 famílias agricultoras e do Circuito de Comercialização da Rede Ecovida de Agroecologia, de 2 cooperativas do Movimento dos/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra, além da aldeia equipe-cepagro-indo-entregar-alimentos-acao-covid-19guarani Tekoá Vy’á. Isadora pesava, contava e distribuía as mais de 20 variedades de alimentos de acordo com as demandas de 6 cozinhas comunitárias de Florianópolis. Isso tudo com outros companheiros e companheiras da organização, como o técnico agrícola Charles Lamb, a educadora do campo Erika Sagae, a jornalista Clara Comandolli, o administrador de empresas Eduardo Rocha e o engenheiro Rafael Beghini. A picape Cepagro era carregada com os pedidos e perto das 11h Isadora saía com o/a colega da semana para a rota de distribuição, passando pelo Centro, Bairro Monte Cristo, Vila Aparecida, Ribeirão da Ilha e Rio Vermelho.

WhatsApp Image 2020-10-09 at 19.54.42Essa era apenas uma parte da lida da Ação Solidária COVID 19, iniciativa de articulação entre campo e cidade para distribuição de alimentos junto a cozinhas comunitárias. Nos outros dias da semana, Isadora e Charles estavam em contato com as famílias agricultoras e cooperativas para organizar a entrega dos alimentos no Cepagro, pensar a produção para os próximos períodos, coletar as demandas das cozinhas. “Através do trabalho em rede, a AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 coloca no debate o direito à alimentação adequada e saudável e a Segurança Alimentar das comunidades periféricas em Florianópolis. A ação aproxima o campo e a cidade por meio da promoção da agroecologia nos territórios. Acreditamos que o alimento de verdade é uma ferramenta transformadora para enfrentar momentos de crise, não só sanitária, mas também socio-cultural, ambiental e econômica”, afirma Isadora. 

WhatsApp Image 2020-11-30 at 17.09.23 (1)A iniciativa contou com apoio da Inter-American Foundation, sendo incluída no projeto LA 188, que o Cepagro desenvolve desde 2016, como uma ação emergencial para mitigação dos impactos da pandemia.  “Quando emergiu essa problemática da fome na pandemia, de imediato começamos a pensar estratégia de abastecer estruturas coletivas que estivessem distribuindo alimentos a família em situação de vulnerabilidade. E assim desenvolvemos, com parceiros institucionais, a Ação Solidária COVID 19”, explica Charles Lamb, articulador do projeto. “Por isso foi muito importante nosso histórico de articulação com famílias agricultoras da região e também no meio urbano, com diferentes coletivos que se organizaram”, completa.

Cozinhas comunitárias: espaços de resistência pelo alimento

IMG_3250Quando geridas por governos estaduais ou municipais, as cozinhas comunitárias são consideradas equipamentos públicos de Segurança Alimentar e Nutricional, assim como os bancos de alimentos e os restaurantes populares. Infelizmente, em Florianópolis, não temos nenhuma Cozinha Comunitária sob responsabilidade do Estado. O que temos é uma rede de cozinhas comunitárias solidárias – formadas por grupos de pessoas engajadas nos bairros da cidade – que se fortaleceram durante a pandemia, quando a fome ganhou proporções alarmantes.

Com diferentes dinâmicas e estruturas, elas têm levado alimento de qualidade para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Sem recursos do poder público, elas vivem de doações e da boa vontade de seus voluntários/as tornando-se espaços de encontro, inclusão social e fortalecimento de vínculos comunitários.

122912893_1122454044840489_4374407563270142912_oUma das cozinhas que recebeu alimentos semanalmente é a Cozinha Mãe, que atua desde 2018 no bairro Monte Cristo. “Esse ano a gente viu aumento muito brusco do desemprego, da ausência do poder público, nenhuma cesta foi entregue na comunidade. Essa parceria com o Cepagro foi fundamental pra ter alimento de qualidade nesse momento tão delicado da pandemia. A Cozinha foi um ponto forte para trabalhar a fome na comunidade”, conta Cíntia Cruz, coordenadora da cozinha e presidente da associação 106455923_1645396385636523_6880441035056903941_nRevolução dos Baldinhos. “A cozinha comunitária tem esse poder de interceder, sensibilizar, cultivar e fortalecer as relações. A nossa atuação tem um poder muito grande de transformar de fato essas realidades, porque diante do abandono do poder público, essas ações estão conseguindo chegar diretamente em quem precisa. Fortalecer um espaço desses é fortalecer a base, porque a gente tem uma relação direta com as famílias da comunidade”, completa. 

IMG_3327Do outro lado da BR 1010, na Vila Aparecida, outra cozinha comunitária foi atendida pela Ação Solidária COVID 19. Inaugurada em junho de 2020, o dia 27 de junho, a cozinha comunitária do Centro de Integração Social Santa Dulce dos Pobres  tem o propósito de preparar e distribuir pelo menos 150 marmitas semanalmente aos moradores da comunidade da Vila Aparecida e da Maloca. A iniciativa tem o apoio e envolvimento de lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil e voluntários, além da Ação Social Arquidiocesana. “são pessoas da comunidade que preparam os alimentos e distribuem para famílias da comunidade”, explica o  técnico de Projetos Sociais da ASA,  Luciano Leite da Silva Filho.

IMG_3356A Cozinha Solidária Ribeirão da Ilha foi outra iniciativa voluntária para atuar frente ao crescimento da fome na pandemia, distribuindo marmitas no Centro de Florianópolis e também em São José, sobretudo para população em situação de rua. Inicialmente atuando com doações de pessoas físicas, a equipe da cozinha viu uma oportunidade de fortalecer o trabalho com o aporte dos alimentos da Ação Solidária COVID 19. “Esses alimentos, além de maravilhosos por serem orgânicos na maioria das vezes, vieram num momento que as doações diminuíram muito. Foram muito importantes”, avalia Shira Maciel, culinarista e voluntária do projeto.

Segurança alimentar para além da cesta básica

WhatsApp Image 2021-02-11 at 17.32.02No percurso da Ação Solidária COVID 19, ficou evidente a diferencial de promover segurança alimentar pela Agroecologia, indo além da distribuição de cestas básicas. Isso porque, junto com os alimentos, chegam reflexões sobre segurança alimentar e o papel do estado na sua promoção. “O movimento agroecológico tem a oportunidade de falar de falta de comida, de dificuldade de abastecimento, de precariedade do duduabastecimento por parte do governo, mas trazendo junto o alimento saudável, adequado e socialmente justo. A Agroecologia tem essa potência: trazer o alimento e o abastecimento para a centralidade do combate a fome com qualidade alimentar, justiça social. Bem diferente de combater a fome somente com cestas básicas”, afirma Eduardo Rocha, diretor-presidente do Cepagro e que também atuou na equipe do projeto. 

Mesmo sabendo dos nossos limites enquanto organização da sociedade civil, e que o enfrentamento à fome passa fundamentalmente pela adoção de uma postura do Estado brasileiro de priorizar a segurança alimentar da população, fomentando e mantendo políticas públicas para que as pessoas voltem a ter pelo menos três refeições ao dia, acreditamos que essas micro iniciativas servem de exemplo de como a Agroecologia enquanto modo de produção e abastecimento é o melhor caminho para promover a segurança alimentar nas comunidades.

Fortalecendo a Segurança Alimentar também nas comunidades guarani

Assim como nas comunidades urbanas, no contexto rural e de povos e comunidades tradicionais a promoção da Segurança Alimentar preconizada pela AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 vai além da distribuição de cestas básicas. No caso da aldeia guarani Tekoá Vy’á, em Major Gercino, o projeto envolve o estímulo à produção de alimentos agroecológicos que servem tanto às famílias da comunidade quanto das periferias urbanas, aonde chegam através da AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19. 

WhatsApp Image 2021-02-10 at 17.27.53Cultivada desde 2018, a parceria entre o Cepagro e a comunidade guarani trouxe aportes como mudas e sementes para agricultura, materiais para artesanato, participação das famílias em feiras para comercialização de seus produtos, além da promoção de práticas de conservação do solo.

A chegada da pandemia impactou a comunidade guarani, já que não era mais possível sair da aldeia para vender artesanato, uma das principais fontes de renda das famílias. Nesse momento, a produção de alimentos iniciada no ano anterior aliviou um pouco os efeitos dessas restrições, pois serviu para abastecer as famílias da aldeia e também serem comercializados, gerando renda.

Os guaranis forneceram para a AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 cerca de 200 kg de batata doce, 150 kg de banana e 260 kg de feijão – tudo produzido sem agrotóxicos. Mudas e sementes conservadas pela agricultura familiar e movimentos sociais frutificaram no solo guarani, provendo alimentos de qualidade às periferias urbanas. O projeto também distribuiu o arroz do MST para as famílias guarani, fortalecendo sua base alimentar com um produto orgânico da reforma agrária.

Agricultura Familiar: cultivando a Segurança Alimentar da população 

WhatsApp Image 2020-11-30 at 17.20.01Responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelos/as brasileiros/as, durante a pandemia a agricultura familiar reforçou seu compromisso com a segurança alimentar. No âmbito da Ação Solidária COVID não foi diferente: para abastecer as cozinhas comunitárias, o CEPAGRO contatou grupos e cooperativas de agricultores/as familiares,  conectando campo e cidade com comida de verdade.

Dentre as iniciativas fornecedoras de alimentos estão a Rede Ecovida de Agroecologia, que reúne mais de 4 mil famílias agricultoras do Sul do Brasil. Para a Ação Solidária COVID, recebemos alimentos de 14 famílias da Rede. Além disso, compramos arroz orgânico da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (COOPAN-RS), ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), maior produtor de arroz agroecológico da América Latina. Grande parte do feijão distribuído veio da CooperConstestado, de Fraiburgo (SC), também ligada ao MST.

bárbaraValorizar quem produz comida de verdade para a população, sobretudo num contexto de pandemia, também é promover a Agroecologia. E seguimos na luta para que essa valorização seja retomada em políticas públicas de apoio à agricultura familiar, às cozinhas comunitárias, aso equipamentos públicos de segurança alimentar. Do Assentamento Comuna Amarildo de Souza, um dos fornecedores de alimentos para a Ação Solidária, vem o indicativo desse caminho: “É necessário se organizar para se inserir nas tomadas de decisões políticas que favoreçam a Agroecologia e não o agronegócio. Nós somos beneficiados hoje pela nossa luta e podemos nos alimentar e também oferecer alimentos de qualidade para nossos consumidores e para projetos como da Ação Solidária”, afirma a agricultora e agrônoma Bárbara Ventura, assentada da Comuna. 

WhatsApp Image 2021-03-22 at 16.45.52 (1)Para favorecer essa discussão, a sequência da Ação Solidária COVID 19 será com formações cidadãs com as equipes das cozinhas, abordando temas como fortalecimento institucional, segurança e soberania alimentar e direito humano à alimentação adequada.

NOVAS REPRESENTAÇÕES DO COMSEAS TOMAM POSSE PARA O BIÊNIO 2021-2023

Em eleição realizada no dia 24 de março, o Cepagro manteve sua representação no Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Florianópolis (COMSEAS). A titular da cadeira, antes ocupada pelo Diretor-Presidente do Cepagro Eduardo Rocha, passa a ser a Engenheira Agrônoma Gisa Garcia, que dividirá a representação com a educadora do campo Giselle Miotto como suplente.

WhatsApp Image 2021-03-24 at 15.15.30 (1)A eleição foi realizada de forma virtual num Fórum Eletivo da Sociedade Civil. Em breve, serão eleitas a Presidência e a mesa diretiva do Conselho. No total, foram escolhidas 8 organizações da sociedade civil. Estão entre elas a Rede Com a Rua, o Conselho Regional de Nutricionistas da Décima Região, SESC Mesa Brasil, o Grupo Ilha Meiembipe da Rede Ecovida de Agroecologia, Associação dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins, Colônia de Pescadores Z11 e Movimento População de Rua, além do Cepagro.

O Cepagro tem representação no COMSEAS de Florianópolis desde a primeira gestão do Conselho, iniciada em 2014. Ao longo desses anos, foi possível levar para as discussões do Conselho as pautas da Agroecologia, da Agricultura Urbana e do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável, bem como demandas colocadas por populações periféricas e povos e comunidades tradicionais, públicos com os quais a organização atua. Para Gisa Garcia, “é muito importante que não só continuemos realizando o controle social, mas que continuemos pautando a Agroecologia no processo de construção e consolidação de políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional”.

Eduardo Rocha, que esteve ocupando a mesa diretiva do Conselho como 2ª secretário, lembra que em  2020, o COMSEAS teve participação importante na aprovação da lei da venda direta dos pescados que garantiu aos pescadores artesanais de Florianópolis a possibilidade de comercializar diretamente aos restaurantes. Outra frente importante foi a articulação do conselho na aprovação de duas propostas da agricultura familiar para o Programa Aquisição de Alimentos (PAA), urgente no contexto da pandemia

05O Restaurante Popular, tema que já vinha sendo discutido pelo Conselho em gestões anteriores, também ganhou força no ano passado com a campanha “Restaurante Popular em Florianópolis, já!”, lançada em conjunto com organizações e coletivos que debatem o tema da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) na capital catarinense. Como resultado da pressão popular, em dezembro a Câmara de Vereadores aprovou a inclusão de R$ 1 milhão na Lei Orçamentária Anual de 2021 para a instalação deste equipamento público de SAN. Para os próximos dois anos, este tema certamente continuará na lista de  prioridades do Comseas. 

Gisa Garcia afirma que “nesse momento de pandemia, é evidente a crescente insegurança alimentar da população e o Restaurante Popular, como um equipamento público de SAN, pode garantir o direito de todos e todas a uma alimentação adequada e saudável”. E complementa: “é importante acrescentar que o Restaurante Popular não deverá só realizar o atendimento de forma emergencial, mas permanente, através da garantia do acesso a uma alimentação saudável, de baixo custo a toda a população, especialmente àquela de menor renda. E talvez o maior desafio seja transformar esse espaço num ambiente de promoção da saúde, objetivando a melhoria da qualidade de vida de todas e todos aqueles moradores de rua, trabalhadores e cidadãos do município de Florianópolis”.

Participação popular e democracia

Com a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional em 2019, os Conselhos municipais, assim como os estaduais, ganharam ainda mais relevância. Eles são a principal instância de controle social da política municipal de SAN. Cabe aos Conselhos municipais realizar certas articulações junto ao Poder Público municipal – seja ele executivo, legislativo ou judiciário -, bem como deliberar e formular diretrizes para a elaboração de um plano municipal de SAN e fazer o chamamento para as conferências municipais de SAN. “E mais do que isso, o COMSEAS foi uma conquista histórica, de uma luta histórica, para o retorno da democracia no Brasil”, recorda Eduardo Rocha.

Sendo uma instância democrática, o COMSEAS deve tornar-se cada vez mais plural. Nesse sentido, um movimento chave da sua última gestão foi garantir uma reserva de vagas tanto para a população em situação de rua, público prioritário na política de SAN, quanto para povos e comunidades tradicionais. Dessa forma, foi feita uma recondução automática de representantes da Associação dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins. Além disso, a gestão 2019/2021 mobilizou e garantiu a participação desses importantes segmentos da sociedade de Florianópolis no processo eleitoral do conselho. Esta preocupação e articulação interna culminou na eleição de representações de pescadores/as artesanais, organizados na Colônia de Pescadores Z11 e da população em situação de rua, organizados no Movimento População de Rua, antes ausentes no Conselho.

CEPAGRO