Lar São Francisco ganha Horta Agroecológica

Ontem, 20 de dezembro, foi dia de comemoração no Lar São Francisco, quando a vontade de ter uma Horta Agroecológica na instituição se tornou realidade. As engenheiras agrônomas do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi e Aline Assis e o engenheiro ambiental Pedro Ocampos Palermo estiveram no Lar construindo a Horta que agora vai enriquecer o ambiente e a alimentação dos residentes.

Quem deu o pontapé inicial para a implantação do espaço foi a nutricionista Bruna Cavalheiro: “a ideia de fazer uma horta já era antiga, o administrador do Lar tinha essa vontade há um tempo, até tinha uma horta tímida mas sem muita diversidade.” Com a variedade de alimentos orgânicos que serão colhidos a partir de agora, a lista de compras no Ceasa vai diminuir, além de garantir mais saúde no prato dos residentes e funcionários, que totalizam uma média de 60 pessoas.

Além da horta, também foi construído um berçário de plantas e as funcionárias receberam uma formação sobre Agroecologia. Por enquanto, Pedro Palermo vai ficar responsável pelo manejo da horta ao lado do funcionário Osni dos Santos, que participou do processo de implantação.

É Osni quem também cuida da composteira do Lar, que hoje absorve todo o resíduo orgânico gerado na cozinha. Bruna contou que com a inauguração da horta o ciclo se fecha: “nossos restos de alimento vão para o lixo orgânico, é levado para a composteira onde vira adubo e agora esse adubo está indo para a horta. Para mim é um sonho realizado”.

Leni Heidrich, residente do Lar São Francisco, também ficou muito feliz com o novo espaço. Filha de fazendeiros, ela ficou maravilhada em ver os canteiros com tanta diversidade, do jeito que seu pai fazia antigamente. “Para mim é um dos projetos mais bonitos, achei maravilhoso porque cada um tem que fazer a sua parte, né. Tem que motivar as pessoas a mexer na terra”, disse Leni.

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Crianças do NEIM Armação recebem visita de uma Bruxa na horta encantada

O ano letivo terminou com uma visita muito especial no Núcleo de Educação Infantil Municipal da Armação. Ontem, 18 de dezembro, foi a última aula do ano na Horta Pedagógica e a Bruxa Manidipá esteve na escola, à convite das crianças, especialmente para conhecer o canteiro de plantas medicinais que elas mesmas ajudaram a fazer.

A professora Angélica Laurent contou que a ideia de mandar uma cartinha convite surgiu depois que elas conheceram uma bruxa no SESC Cacupé. Lá elas descobriram que existem bruxas boas e que elas são criaturas que conhecem muito sobre plantas. Como as crianças da turma G5 já vinham fazendo um correio entre elas, resolveram juntas escrever a cartinha para a bruxa, e não demorou muito para a visita acontecer. Ao longo do dia elas ouviram muitas histórias e aprenderam que as plantas têm poderes mágicos e podem curar.

Nos bastidores, a engenheira agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe técnica do Cepagro, que é responsável pelas atividades na Horta do NEIM Armação entregou a carta para a colega Maria Dênis Schneider, da diretoria do Cepagro que, assim como as bruxas, entende muito de plantas. O convite foi aceito e a bruxa Manidipá surgiu e pôde ir até a escola conhecer a horta encantadora das crianças.

Depois de contar algumas histórias em sala de aula, a bruxa acompanhou os pequenos até a horta, onde fizeram suas próprias varinhas mágicas com as plantas do canteiro de ervas medicinais. Maria Dênis lembrou que as bruxas têm uma relação direta com a horta porque as plantas são a matéria prima de tudo o que ela faz, seja uma água perfumada, um remédio ou chá. “Galhos de lavanda junto com folhas de capim-limão amarradinhas embaixo do travesseiro são uma poção mágica que serve para acalmar e ajuda a dormir melhor. Ou o chá de calêndula que acalma a nossa pele depois de pegar muito sol na praia”, são algumas das receitas de Maria Dênis. 

Além das histórias e confecção das varinha mágicas, a bruxa também pôde conhecer a casa das abelhinhas Mandaçaias que moram na horta do NEIM. Ao final do dia, todos juntos repetiram as palavras mágicas, aquelas conhecidas mundialmente: sim sim salabim e outras como: cuidar das plantas e dos animais.

Juventude de Bombinhas homenageia a cultura dos engenhos de farinha

Elba Nair da Santa Cruz e Antônio Jacob Cruz cresceram em engenhos de farinha em Bombinhas. Com a chegada do turismo de massa à cidade, dedicaram-se a outras atividades: um pouco de pesca, um pouco de aluguel para temporada. Mas não esqueceram da produção artesanal de farinha: em 2005, compraram de novo um engenho, do sogro de sua filha. “Ele sabia que eu iria manter o engenho”, conta, orgulhosa, Elba Nair da Santa Cruz. Ainda hoje, ela e o marido produzem cerca de 250kg de farinha por ano. “Não é pra ter lucro, é pra nós mesmo. Pra dar pra algum vizinho”, diz Elba.

No último dia 5 de dezembro, mestres e mestras dos engenhos como Elba e Antônio foram homenageados/as por estudantes da Escola de Educação Básica Maria Rita Flor, que fecharam o ano letivo apresentando os trabalhos resultantes de sua imersão na cultura dos engenhos. A pesquisa junto aos engenhos de farinha do município foi motivada por uma oficina de educação patrimonial que o Cepagro facilitou ali em agosto deste ano e coordenada pelas professoras Caroline Celle Waltrick (Artes), Josiane Mendes Bezerra (Turismo) e Maria José (História). Quatro turmas do 2º ano do Ensino Médio participaram da pesquisa, que passou por 4 engenhos da região, gerando músicas, pinturas e 2 mini-documentários. “Toda a ideia e organização da homenagem foi dos/as jovens”, conta a professora Carolina Waltrick.

“Falar de engenho é falar da identidade de Bombinhas. E dela não podemos desistir”, afirma a estudante Ariel da Silva Serra Gonçalves de 17 anos. “Foi plantado pra nós que o engenho, a roça de mandioca, a horta eram feios. Mas mudamos isso. Não podemos deixar morrer essa cultura nem ter vergonha dela”, confirma a professora Maria José. Para Josiane Bezerra, professora do curso técnico em Hospedagem, a valorização e promoção da identidade cultural do município amplia as possibilidades de atividades turísticas ali. “Muitas cidades que têm o eixo turístico de sol e praia esquecem que a identidade cultural também atrai visitantes. Se o destino tem identidade cultural, pode trazer gente tanto no inverno quanto no verão”, afirma.

O trabalho dos/as estudantes da Maria Rita Flor vai compor o inventário cultural dos engenhos de farinha que a Rede Catarinense de Engenhos está mobilizando. Além da bela pesquisa de campo, a iniciativa é valiosa por mostrar o envolvimento da juventude na temática.

 

Oficina em Imbituba mostra que os engenhos de farinha continuam vivos

Mapeamento realizado pela Rede Catarinense de Engenhos de Farinha identificou pelo menos 23 engenhos artesanais de farinha ativos na região

As rotinas de trabalho, as brincadeiras e a fartura dos engenhos de farinha e ranchos de pesca foram relembradas no último domingo, 9 de dezembro, durante a Oficina Mapeando os Engenhos de Farinha realizada na Associação Comunitária Rural de Imbituba, a ACORDI. Na atividade, promovida pela ONG Cepagro através de um projeto apoiado pela Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (SOL), participaram agricultoras, agricultores e proprietários de engenhos da região. O objetivo foi mapear os engenhos ainda existentes e também levantar informações sobre o patrimônio cultural ligado a eles, fortalecendo a Rede Catarinense de Engenhos de Farinha e complementando os mapeamentos já realizados em Florianópolis, Bombinhas e Garopaba.

“Quando começava a farinhada, era como abrir as portas de uma festa”, recorda Luís Farias, da ACORDI. A temporada de produção artesanal de farinha – as farinhadas ­-, que começa perto de maio e estende-se até agosto, representava a reunião de vizinhos e familiares para o trabalho coletivo de arrancar e descascar a mandioca, colaborar na seva, prensar e torrar a farinha. Tudo envolto em brincadeiras, versinhos irônicos (chamados pasquim) e fartura: além da farinha, saía muito beijú, cuscuz, bijajica, mané pança, além das colheitas de batata doce e milho. “Também dava muito namoro nas farinhadas”, completa Luís Farias.

A industrialização da produção de farinha e o recrudescimento da legislação sanitária para ela contribuíram para que muitos engenhos artesanais fossem fechados. Entretanto, durante as atividades da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha, percebe-se que os engenhos seguem vivos e ativos. No mapeamento realizado em Imbituba, foram identificados pelo menos 23 engenhos que continuam produzindo mandioca artesanalmente. A Rede também já mapeou engenhos em Bombinhas, Florianópolis e Garopaba, mostrando que esta cultura segue pulsante no litoral catarinense.

Ainda assim, muitos dos saberes relacionados aos engenhos estão desaparecendo. “A técnica de fazer um fuso ou uma prensa de madeira está se perdendo”, afirma Marlene Borges, também da ACORDI. Aroldo dos Reis Carvalho, que tem um engenho em Imbituba, conta que “Eu aprendi a tirar o ponto da farinha com a minha mãe. Colocava na boca e sentia se tava estralando. Mas vou repassar isso pra quem?”. Neste sentido, o levantamento sobre os bens culturais dos engenhos – suas celebrações, saberes, mestres, objetos – revela-se importante para sua salvaguarda como patrimônio cultural de Santa Catarina e do Brasil. Além disso, a sensibilização da juventude na preservação deste patrimônio é peça fundamental.

Lançado o Programa Estadual de Agrobiodiversidade

Texto foi construído durante o “Seminário Estadual Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Agrobiodiversidade”, realizado entre os dias 4 e 6 de dezembro em São José

Programa Estadual de Agrobiodiversidade acaba de ser lançado pelo Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA/SC). De acordo com a presidenta do CONSEA/SC, Rita de Cássia Marschin da Silva, o Programa Estadual de Agrobiodiversidade “visa a Promoção da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, constituindo-se em um componente essencial para o desenvolvimento sustentável e manutenção da diversidade genética das espécie ficando assim assegurado a importância socioeconômica e diversificação da produção agregando valor tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.”

Confira o texto na íntegra – Consea – Programa Agrobiodiversidade.

Cepagro participa de Encontro de Agroecologia no México

A cidade de Tlaxcala, a 140km da Cidade do México, recebeu entre 04 e 06 de dezembro o Encontro Nacional de Saberes Campesinos sobre Agroecologia e Sistemas Participativos de Garantia no Campo e na Cidade, promovido pelo Centro Campesino e da Rede Tijtoca Nemiliztli (Sembramos Vida), organizações parceiras do Cepagro em projeto apoiado pela IAF.

Mais de 90 pessoas participaram do evento: consumidores/as, agricultoras e agricultores, membros da academia, juntamente com organizações da sociedade civil de nove estados mexicanos. Além das discussões em torno de temáticas agroecológicas, os/as participantes conheceram também os Mercados y Tianguis Alternativos.

Além das organizações de 9 estados mexicanos e do Cepagro, participaram também a Asociación de Productores Orgánicos del Paraguay (APRO), a ANAFAE (Honduras) e representantes de IAF. “Foram reafirmados compromissos em torno de uma aliança pela soberania alimentar, tendo como eixos principais a agroecologia, a defesa do território, da economia solidária, do consumo responsável e dos sistemas participativos de garantia”, conta Charles Lamb, do Cepagro. O resultado prático desta unificação de interesses comuns se expressou na ampliação da certificação participativa via SPG, constituindo uma Rede de Agroecologia com organizações de 9 estados mexicanos. “Essa articulação fortalece a incidência política junto ao novo Governo mexicano nas pautas relacionadas a Agroecologia, além de ampliar as pontes entre países parceiros”, completa Charles.

Núcleo Litoral Catarinense participa de oficina sobre Comunicação Popular

Além de técnicas de manejo, estratégias de comercialização e boas práticas de pós colheita, um novo assunto entrou na pauta de oficinas do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia: a Comunicação. Através do convênio com a Universidade de British Columbia e com apoio da IAF, o Cepagro promoveu no último final de semana (1 e 2 de dezembro) uma oficina sobre Comunicação Popular e Agroecologia Visual, com facilitação do fotógrafo e estudante de Agronomia Carlos Pontalti e da jornalista Ana Carolina Dionísio. A atividade aconteceu na linda pousada Encanto Verde, em Santa Rosa de Lima, e contou com a participação de 10 agricultoras e agricultores, educadorxs e jovens de 5 grupos da Rede Ecovida.

Se a ideia da oficina é fortalecer a noção de que todxs podem ser comunicadorxs, a ferramenta de captação de imagens seria também a mais acessível: o celular. Após construírem coletivamente painéis sobre o que representa a comunicação e a agroecologia, o grupo teve uma exposição sobre os principais conceitos de fotografia com Carlos. As demandas do grupo eram diversas, assim como seu envolvimento e desenvoltura com a a câmera do celular, o que estimulou a troca de conhecimento entre todas e todos.

Para praticar os conceitos, a turma fez uma gira pela propriedade, guiada pelo jovem agricultor Luís Henrique Vanderlinde. Ele mostrou o cultivo de amoras orgânicas e os consórcios agroflorestais, falou sobre a extração e beneficiamento de açaí juçara e também sobre o manejo de cabras. Vendo as fotos antigas da propriedade, o grupo ficou impressionado com a regeneração ambiental promovida pela família ali.

Além da teoria e prática em conceitos e técnicas de fotografia, todos e todas aprenderam muito sobre Agroecologia com a família Vanderlinde, proprietária da pousada. O casal Rosângela e Sebastião e seus filhos já passaram pela produção de fumo e, integrando-se à Acolhida na Colônia e à Rede  Ecovida de Agroecologia, hoje são referência em transição agroecológica e produção orgânica. “Nós temos também bastante recurso público investido aqui na propriedade, pois acessamos várias políticas públicas. Então ficamos felizes de receber uma atividade assim”, conta Rosângela.

Com as fotos tiradas durante a oficina, o grupo produziu cards com mensagens sobre a Agroecologia e a agricultura familiar. A ideia é que esse tipo de material fortaleça a divulgação do trabalho dxs participantes, seja pela comercialização ou pela conscientização ambiental.