Núcleo Litoral Catarinense fecha 2019 reforçando compromissos de participação e responsabilidade compartilhadas

Como o nome já diz, a certificação participativa pressupõe participação. E a última reunião do Núcleo Litoral Catarinense de 2019, realizada no dia 10 de dezembro, reforçou o compromisso da Rede Ecovida com  princípios como participação, responsabilidade compartilhada, confiança e transparência. Princípios que vão muito além da credibilidade de um selo nos alimentos, mas que fundamentam a prática agroecológica das mais de 90 famílias que compõem o Núcleo.

Durante o Encontro, que teve representantes dos 11 grupos do Núcleo e aconteceu no Gaia Village, em Garopaba (SC), foram discutidas questões sobre o Sistema Participativo de Garantia a partir de experiências dos próprios grupos. Procedimentos e práticas foram conversados, buscando sempre o equilíbrio entre a autonomia entre os grupos (formados pelas famílias de alguns municípios) e a responsabilidade compartilhada entre todos no âmbito do Núcleo. Isso porque, no Sistema Participativo, todas as decisões e verificações são feitas em conjunto, pelas próprias famílias. É a confiança entre todas, que todas estão seguindo os procedimentos do SPG, que mantém a Rede firme e forte.

Para delinear melhor as discussões, o Núcleo vem formando Grupos de Trabalho temáticos, que trouxeram informes para a reunião.

O GT de Comercialização falou sobre o processo de articulação com o Circuito da Rede Ecovida e como está sempre com o olhar atento para a rastreabilidade dos alimentos e o compromisso com os princípios da Rede.

O GT Sementes e Mudas informou que quer levantar o potencial de produção desses insumos no núcleo, além de organizar compras coletivas de sementes orgânicas. O uso de sementes e mudas orgânicas na produção agroecológica ainda não é uma exigência efetiva do Ministério da Agricultura, mas a Rede Ecovida já vem buscando isso para garantir a qualidade dos alimentos desde o início. Pelo Cepagro, a parceria com a Universidade de Michigan no projeto Culturas de cobertura da próxima geração, que tem o apoio da Conservation, Food & Health Foundation, vem sendo estimulada a produção de sementes de adubos verdes entre as famílias do Núcleo, o que poderia incentivar a adoção dessa prática, já que o custo das sementes nas agropecuárias muitas vezes é um obstáculo. Além disso, a ideia do projeto é que as/os agricultoras/es sejam fontes de conhecimento sobre o tema e não somente de sementes.

O GT Extrativismo disse que pretende abordar temas como boas práticas de manejo de espécies como açaí juçara, butiá e pinhão, além de dialogar com o Poder Público para regulamentar essas atividades.

E durante a reunião foi formado o GT Gênero do Núcleo, com a missão de trabalhar a temática no âmbito dos grupos para a construção de relações de gênero justas e equilibradas. Para fomentar e colorir essas reflexões, a bandeira com o lema QUANDO UMA MULHER AVANÇA, NENHUM HOMEM RETROCEDE, construída pelas mulheres para o Encontro Ampliado rodará entre os grupos. O primeiro a levá-la foi o grupo Paulo Lopes.

Ainda no âmbito de pesquisas no contexto do Núcleo, o Cepagro apresentou durante a reunião a proposta de trabalho para levantamento de dados para construção de Indicadores de Agroecologia junto às famílias do Litoral Catarinense. A proposta tem apoio da IAF e conta com a parceria da Universidade de British Columbia (Canadá), que está desenvolvendo um aplicativo para uso em campo que colaborará para a sistematização de dados sobre as propriedades, auxiliando as famílias no seu planejamento e gestão.

A reunião teve também a participação do Ministério da Agricultura (MAPA), representado pelos agrônomos Francisco Alexandro Powell Van Casteele e Elder Guedes. Eles falaram sobre o trabalho de fiscalização e controle do uso de agrotóxicos do MAPA em Santa Catarina, que envolve inclusive alimentos orgânicos. “As análises apontam que 5% das amostras de alimentos orgânicos contêm resíduos de agrotóxicos. Metade desses casos é por contaminação de um vizinho (deriva). Os outros são por contaminação nos pontos de venda”, disse Francisco, reforçando a importância de manter a documentação do caminho percorrido pelos alimentos (rastreabilidade), além das barreiras nas propriedades agroecológicas.

Mesmo com o horário avançado, os/as participantes encerraram a reunião em clima animado, talvez pela beleza do lugar, que sediará o próximo Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, que já tem data marcada: 22 e 23 de agosto, em Garopaba. Porque é promovendo encontros que se fortalece a Agroecologia!

No dia Luta Contra os Agrotóxicos, Conferência Estadual de SAN exige políticas públicas para a Agroecologia

Já chegou a 439 o número de agrotóxicos liberados pelo governo federal desde janeiro, fato que se une à uma onda de retrocessos na área da segurança alimentar, como a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Foi nesse contexto que Santa Catarina realizou a VI Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CESAN), para discutir e propor melhorias no acesso da população à alimentos saudáveis. Muitas das propostas elaboradas focaram no fomento, fortalecimento e promoção da agricultura orgânica e transição agroecológica.

Com o tema  “Vozes, direitos e fome”, a Conferência aconteceu na semana da Luta Contra os Agrotóxicos, 2 e 3 de dezembro. Como colocou Carmen Munarini, membra do Movimento de Mulheres Camponesas, “lutar por uma alimentação saudável e adequada significa lutar contra os venenos, transgênicos e qualquer espécie de aditivos químicos colocados no nosso alimento”. Carmen foi uma das representações convidadas para o Painel de análise de conjuntura da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, realizado no Auditório do Espaço Físico Integrado da UFSC. Ao lado dela também estiveram ex-presidentes do Consea e representações do Movimento Negro Unificado, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e Movimento Indígena.

A conferência é organizada a cada quatro anos pelo Consea/SC e pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social. Na conferência, conselheiros(as) municipais trazem as demandas tiradas nos seus municípios e junto da sociedade civil debatem e constroem as proposições e recomendações para a construção do Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional.

O diretor presidente do Cepagro e atual secretário do Conselho Municipal de Florianópolis, Eduardo Rocha, lembrou que o Consea é o único conselho onde a sociedade civil tem mais voz do que o próprio governo, pois tem reservada ⅔ da participação, enquanto os demais conselhos são paritários. E a Conferência é o espaço onde diversos setores sociais e do governo conversam lado à lado: “a conversa é diretamente entre sociedade e poder executivo, que é quem pode e deve executar as propostas colocadas. É a democracia participativa acontecendo na prática”, comenta Eduardo.

Este ano, a CESAN contou com a participação de 88 delegados(as) de Comseas municipais, além de outros(as) 129 participantes. Em comparação às conferências anteriores, esta esteve esvaziada de algumas representações, principalmente de comunidades tradicionais. Vanda de Oliveira Gomes Pinedo, militante do Movimento Negro Unificado (MNU) e integrante do Consea, diz que essa ausência se deve à não realização de Conferências Municipais em diversas cidades, um reflexo do fechamento do Consea Nacional no início do ano.

Vanda aponta que “isso é prejudicial para as políticas que atendem especificamente essas populações. A não titulação das terras quilombolas e não demarcação das terras indígenas impossibilita que essas populações possam desenvolver de fato uma política e uma ação voltada para a alimentação de verdade e para políticas de SAN”. Opinião endossada pelo professor guarani e conselheiro municipal de Canelinha, Marcelo Kuaray, único conselheiro indígena presente na conferência. Marcelo esteve representando não apenas o povo guarani, mas também as populações Xokleng e Kaingang e disse que uma das demandas dos indígenas é ter um(a) representante titular dentro do conselho estadual, “como o conselho vai trabalhar com os indígenas sem entender as dificuldades de cada povo e a relação de cada povo com o alimento?”, questionou.

Levando essa realidade em conta, uma das propostas aprovadas na Plenária Final foi a titulação e o completo processo de demarcação de povos e comunidades tradicionais. “Uma coisa é você falar de segurança alimentar para quem tem terra, casa e território. Outra coisa é você defender uma política de SAN pra quem não tem nem água”, comentou Rita de Cássia Maraschin, última presidenta do Consea/SC, ao lembrar também das pessoas em situação de rua. “O nosso desafio aqui é pensar em políticas que atendam de fato a realidade dessas pessoas”, complementou.

Antes de ir para a plenária e aprovação final, as propostas foram discutidas em três grupos de trabalho:  (1) Avanços e obstáculos para a conquista da alimentação adequada e saudável e da soberania alimentar, (2) Dinâmicas em curso, escolhas estratégicas e alcances da política pública e (3) Fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

Uma das propostas mais frisadas ao longo da Conferência foi o fim da isenção fiscal do ICMS para os agrotóxicos e a destinação do recurso arrecadado para atividades de SAN através do FUNSEA-SC, Fundo Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional. A proposta foi debatida em todos os grupos de trabalho e aprovada com amplitude pela plenária final, reforçando o desejo da população pela tributação verde e fim do subsídio fiscal à indústria do agrotóxico.

Outro ponto que ganhou atenção foi com relação à alimentação escolar e à ameaça ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Atualmente há um projeto de lei (5.695/2019) em tramitação no Senado que altera a Lei do PNAE ao propor a transferência da cota-parte da União do salário-educação para estados e municípios. O PL flexibiliza a aquisição mínima de merenda escolar da agricultura familiar, que hoje corresponde a 30%.

Uma das propostas aprovadas no documento final da VI CESAN foi a oferta de café da manhã nas escolas públicas. Rita de Cássia lembrou que “a refeição na escola para muitas crianças é a única refeição do dia” e disse que comer é um ato político e pedagógico. O também ex-presidente do Consea, Marcos José de Abreu, conhecido como Marquito, disse que o Consea vai ter um papel de protagonismo na defesa pelo PNAE, PAA e outros programas. Para ele, “se o capitalismo vai pressionar e não deixar taxar os agrotóxicos, então o governo tem que garantir a compra institucional de agricultores familiares e quilombolas”.

Ainda sobre educação, os(as) delegados(as) aprovaram a proposta de instituir o programa de hortas escolares nas unidades de ensino público e privado e incluir a educação alimentar e nutricional no currículo. Além de ampliar o quadro de nutricionistas do PNAE. Algumas propostas giraram em torno do fomento à produção orgânica e agroecológica, como a criação de um programa estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), à exemplo dos que já existem no Paraná, Bahia e Maranhão. Também a exigência de que a Epagri garanta recursos financeiros para o desenvolvimento da pesquisa e assistência técnica em Agroecologia e que se comprometa com a transição agroecológica.

Outra recomendação a ser incluída no Plano Estadual de SAN foi a criação de mecanismos que ampliem a participação popular nos conselhos municipais e estaduais e a garantia de orçamento para ações de capacitação e cursos aos membros do conselho. Atualmente o Consea Estadual está sem presidente e o 1º Secretário, Pedro Xavier presidiu a Conferência ao lado da 2ª secretária Vanda Pinedo e da Secretária Geral, Naianne Hoffmann, por sua vez representando a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social.

Agora, as propostas e recomendações aprovadas na Conferência serão enviadas a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) para a elaboração do Plano Estadual de SAN junto às secretarias responsáveis. O objetivo é que o maior número de propostas seja incluída no Plano, já que elas vieram de uma construção social diversa e ampla no estado.

Após as conferências municipais e estaduais, deveria ser realizada a Conferência Nacional de SAN. Com a extinção do Consea Nacional a Conferência está sendo construída de forma Popular, Aberta e Democrática e será realizada em 2020, possivelmente no Maranhão.

Na semana da Luta Contra os Agrotóxicos, Major Gercino comemora avanços da Agroecologia 

Sexta-feira, 6 de dezembro, foi dia de celebrar mais um ano de promoção da Agroecologia em Major Gercino (SC).  Desde março, o Cepagro esteve desenvolvendo ações de capacitação e transição agroecológica com famílias agricultoras e atividades de educação na escola rural Professor Tercílio Bastos, através do projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em comunidades rurais. A fim de fazer uma avaliação final do projeto, foi realizado o Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidades. O evento reuniu agricultores e estudantes em torno da Agroecologia e trouxe novas possibilidades para a educação agroecológica na região.

O projeto de Horta Escolar no município surgiu a partir de uma demanda colocada por famílias agricultoras em seminário realizado no ano passado. O evento acontecia no contexto do Outubro Rosa e tinha como tema o impacto dos agrotóxicos na saúde. Naquele momento, os agricultores do Grupo Associada da Rede Ecovida falaram da necessidade de um trabalho que envolvesse os(as) jovens, o que se tornou realidade com o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz.

Durante o Seminário deste ano, turmas do 6º ano ao ensino médio compartilharam as experiências feitas junto com o técnico de campo e educador do Cepagro, Henrique Martini Romano. Ao longo do ano letivo, foi possível trabalhar o conceito de agroecologia, atividades de compostagem, cultivo de cogumelos e o mais importante, segundo Henrique, trabalhar valores para uma relação de mais respeito e cuidado com a natureza. Além disso, as turmas puderam visitar agricultores orgânicos da região e assim conhecer alternativas de trabalho e renda no campo.

A diretora da escola, Fabiane Laurindo Motta diz que a horta é um laboratório de experiências e avalia que o projeto melhorou a qualidade da alimentação escolar, levando a educação alimentar para fora da escola. “O mais importante é que a gente come o que planta. Estamos muito felizes com esse projeto e desejamos do fundo do coração que ele continue”, disse Fabiane. E assim como a horta escolar rural surgiu a partir de um seminário, este também gerou novas proposições.

Uma delas feita pela técnica da Coordenadoria Regional de Educação em Brusque, Darli de Amorim Zunino, que atende Major Gercino e outros 7 municípios. Darli lembrou que até 2022 as escolas estaduais terão de se adaptar ao novo ensino médio, com formação técnica e profissional. Contente em ver os impactos positivos do projeto, Darli afirmou a necessidade de criar um curso de Agroecologia no município e assim “preparar para que esses jovens possam estar trabalhando com produtos saudáveis e orgânicos, pela possibilidade de uma futuro melhor”, disse. Ela defendeu ainda a importância da educação do campo, “uma forma de mostrar para as crianças que ser agricultor neste país é algo significativo e precisa ser valorizado”. O Coordenador Regional de Educação, João Eugênio Rovaris, também estava presente no seminário. Ele acredita que “ensinar é amar” e parabenizou o trabalho realizado na escola dizendo que “são trabalhos como esse que contribuem muito com a comunidade”.

O Coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro, Charles Lamb, confirma a continuidade do trabalho com a horta escolar para o ano letivo de 2020 e comenta: “Do ponto de vista de fortalecer relações com as comunidades e escolas do campo, a iniciativa proposta pela coordenação regional de educação em trabalhar com um ensino profissionalizante agroecológico na Escola Professor Tercílio Bastos foi uma grande surpresa. É um reflexo dos resultados alcançados neste ano de trabalho e uma oportunidade aos jovens agricultores e agricultoras da região”.

Além dos estudantes, os agricultores orgânicos também compartilharam os avanços obtidos em 2019. Um deles foi o abastecimento da merenda escolar municipal por parte do Grupo Associada da Rede Ecovida, o que também havia sido colocado como uma demanda no último seminário. Embasado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o coordenador do Grupo, Ernande Stolarczk, articulou com a nutricionista da educação municipal, Ana Luiza Zambonato Dorneles, a compra da merenda escolar orgânica. Ana Luiza conta que graças à iniciativa do grupo, há quase 6 meses os 30% da compra da Agricultura Familiar é orgânica e defendeu a importância disso ao lembrar que a ingestão de agrotóxicos pode causar câncer e outras doenças.

Ernande também estudou na Escola Prof. Tercílio Bastos e está há mais de 10 anos na agricultura orgânica. Ele comemora por não usar mais agrotóxico e por ver que o Grupo Associada está crescendo: “Uma família sozinha não consegue, é muito difícil, por isso a gente criou o grupo”, que hoje abrange também Angelina, Leoberto Leal, São João Batista e Nova Trento. Ernande convidou as famílias dos estudantes a participarem do Grupo Associada e a fazerem a transição agroecológica. Convite reforçado por sua mãe, Salete Stolarczk. “É muito bom trabalhar na Agroecologia, nossa saúde melhorou 80%”, disse Salete. Antes de cultivar uvas orgânicas e biodinâmicas, ela plantava fumo. Não sente saudades daquele tempo e durante o seminário recitou: “vou dar minha opinião, mesmo ela sem ser pedida. Quem produz sem agrotóxico, valoriza toda a vida”. 

As atividades de apoio a estas famílias em 2019 envolveram capacitações para o planejamento de produção, manejo integrado de pragas, implantação de biodigestor e melhoria na comercialização. Esta última se deu através da organização de células de consumo, apresentada pelo agricultor e vice-prefeito, Moacir Batisti. “A gente vem de família que trabalhava na roça antes do tempo do agrotóxico. Quando ele chegou começamos a usar pra ser mais fácil de produzir”, conta Moacir, que hoje agradece o convite feito há mais de 6 anos pela família Stolarczk para a transição agroecológica e apoio do Cepagro nesse processo.

Este ano, Moacir iniciou a entrega de cestas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Conta que já foram entregues pelo menos 2.591 cestas de 4,5 kg ou 9 kg. Mais de 12.800 kg de alimentos orgânicos entregues, melhorando o escoamento dos produtos e o faturamento da família, principalmente por se tratar de uma venda mensal garantida.

Além dessas famílias, outros agricultores do Grupo Associada se apresentaram durante o evento, como Emerson Casas Salvador, que cultiva cogumelos e contribuiu com substratos para as atividades de educação. Uma das riquezas do projeto de Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas foi a relação desenvolvida entre estudantes e agricultores. Relação que seguirá fortalecida em 2020, segundo Charles Lamb, “Enquanto Cepagro, seguiremos em 2020 parceiros e fomentadores dessas relações oportunizadas pelo projeto das Irmãs da Santa Cruz”.

Durante o seminário, os alunos e alunas também levaram as famílias agricultoras para conhecer a horta pedagógica e em seguida foi servido um café agroecológico com produtos do Grupo Associada, preparados com carinho pelas cozinheiras e funcionárias da escola. O evento encerrou com uma apresentação musical dos estudantes, em tom de comemoração pelos passos dados nos últimos meses e pelo caminho que se abre para a agroecologia no município. As famílias e estudantes também puderam levar para casa mudas de frutíferas nativas da Mata Atlântica, doadas pela Floricultura Flora Santa Rita, da Palhoça.

O Seminário foi organizado pelo Cepagro em parceria com a Escola Professor Tercílio Bastos e Grupo Associada da Rede Ecovida e contou com o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz e da Prefeitura de Major Gercino.

 

Cepagro participa de encontro de hortas educativas no Chile

Enquanto a luta do povo chileno contra o neoliberalismo nas ruas de Santiago marcava as notícias internacionais há mais de um mês, ao sul da capital, nas terras da Araucania, a força da cultura originária Mapuche aquecia e enriquecia o IX Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas, realizado entre os dias 27 e 30 de novembro em Villarica. Inspirado  no tema Con las Manos en la Tierra, por una Comunidad de Aprendizaje sin Fronteras, o evento reuniu cerca de 300 pesquisadoras/es, educadoras/es e ativistas de 16 países. “O Encontro foi bem especial porque trouxe um viés de conexão com os povos tradicionais do Chile. Também trouxe pessoas de vários cantos do mundo que estão pesquisando, trabalhando e disseminando o tema de hortas educativas”, avalia a agrônoma Karina Smania de Lorenzi, que junto com o agrônomo Júlio César Maestri, representaram o Cepagro no evento. O tema se desdobrou em eixos como Agroecologia, Alimentação, Saúde, Bem-estar e Educação Ambiental, Sementes Livres, Câmbio Climático e Políticas Públicas.

O Encontro teve oficinas práticas, mesas temáticas, Feira de Sociobiodiversidade, troca de sementes, e saídas de campo para conhecer mais do território e da cultura Mapuches. “Conhecemos as rotas de Kurarrewe, onde pudemos conhecer sobre povos Mapuches, sua história, sua cultura, seus costumes e nos conectar com sua ancestralidade”, conta Karina. “Foi muito rica a experiência de trocas de conhecimento, de estar conectados com o mesmo objetivo e principalmente de fortalecer os laços dessa rede”, completa. Karina explica que o termo Hortas Educativas foi um diferencial no encontro deste ano: “Entende-se que as hortas são espaços educativos não só na escola, mas existe também as comunitárias, as experiências de agricultura urbana… E o termo ‘educativas’ contempla tudo isso”.

Confira a entrevista com Claudia Flisfisch, da Comissão Organizadora do Encontro, feita por Karina.

Como foi a experiência de trazer o Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas para o Chile?
Foi uma decisão muito sábia desde o início, vimos a possibilidade de sediar o Encontro Internacional como uma oportunidade muito concreta de articular as iniciativas de hortas educativas em nível nacional. Esperamos promover uma rede nacional de hortas educativas e acredito que alcançamos esse objetivo de inspirar e reunir pessoas que estão trabalhando em questões comuns. Agora temos que continuar trabalhando para dar continuidade a isso. Esta é apenas uma faísca inicial.

Quantas pessoas e países estiveram presentes?
Cerca de 300 pessoas participaram do Encontro, de 16 nacionalidades diferentes: Estados Unidos do México, Guatemala, Nicarágua, Peru, Uruguai, Brasil, Argentina, Itália, França, Chile, Colômbia. É muito interessante entendermos que o Chile é um território muito longo e magro, com uma presença importante de diferentes regiões do país do norte ao sul chilenos. Conseguimos reunir pessoas de territórios muito diferentes e também entender que o Chile é um país composto por diferentes culturas. E no Encontro estiveram representantes da cultura aimara, quíchua e, claro, a cultura mapuche. Foi um encontro muito diverso, o que obviamente lhe dá uma enorme riqueza.

O Encontro caracterizou-se por uma forte presença da cultura Mapuche, além de acontecer num momento de várias manifestações sociais no Chile. Queres comentar sobre isso?
Para sermos anfitriões do IX Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas e ter tomado a decisão de realizar a reunião no Wallmapu, no território Mapuche, foi porque entendemos que as hortas educacionais não estão separadas do território que os rodeia. As hortas educativas são a expressão desse território, a cultura local reflete o clima e o ecossistema local e nos parecia importante poder apresentar um pouco da cultura mapuche em um contexto mais vinculado à educação e à criação de alternativas que ecoem as necessidades que temos hoje nos aspectos sociais e ambientais.

Finalmente, e sem saber que isso aconteceria, acho que também é muito potente que a reunião coincidisse com um momento social muito importante em nosso país. Estamos passando por uma profunda crise, que é a expressão de um sistema que está em crise no econômico, no social, no político no ambiental. De certa forma, acho que o Encontro caiu muito bem porque dá respostas muito específicas às necessidades e desafios que estamos enfrentando, então estamos definitivamente muito felizes em vários níveis por ter acolhido o evento.

Como é trabalhar um tema comum como as hortas com um grupo tão diverso de participantes?
Sediar Encontros internacional é muito importante quando se quer fazer um trabalho em nível territorial ou mais local, porque permite que as pessoas que participam estejam cientes de que os desafios que temos aqui são desafios que se repetem em muitos outros territórios do planeta, e a possibilidade de vinculá-los a outros territórios com outras realidades é muito potente. Existem soluções, existem caminhos percorridos que podem ser usados ​​para inspirar trocas de experiências, de conhecimentos e também, é claro, gerar laços humanos sinceros, relacionamentos fraternos, de colaboração. Às vezes cabe trabalhar um pouco em contracorrente e essas reuniões também servem para dar força e esperança às pessoas que trabalham no dia a dia nessas questões.

 

Atividades na Horta Escolar de Major Gercino encerram com visita a agricultores

Na última quinta-feira, 28 de novembro, foi realizada a última atividade na Horta Pedagógica da Escola Professor Tercílio Bastos, no Pinheiral, em Major Gercino. E para enriquecer ainda mais os aprendizados obtidos ao longo de todo o ano letivo, os estudantes encerraram as atividades visitando a propriedade de agricultores da região. A atividade compõe o projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em comunidades rurais, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz. 

Foram realizadas duas visitas, começando pela propriedade da família Stolarczk, onde Dona Salete e Seu Aloísio cultivam uvas biodinâmicas e produzem sucos e vinhos orgânicos. Mas antes de conhecer os parreirais da família, os(a) estudantes aprenderam o funcionamento de um Biodigestor. A estrutura foi implantada como uma ação do mesmo projeto, que envolveu além da escola, famílias agricultoras do município, visando promover a Agroecologia.

Seu Aloísio explicou todo o processo de transformação do esterco das vacas em adubo e gás de cozinha. Ele contou que o equipamento produz em média o equivalente à 3 botijões por mês e que o investimento a ser feito para a sua implantação pode ser recuperado em 2 anos. O agricultor conta que apesar de ser um sistema simples, vale muito à pena. Depois das dúvidas sanadas, as turmas seguiram para o parreiral da família. 

Lá, eles puderam entender um pouco melhor como produz quem não utiliza agrotóxicos, prática que foi bastante trabalhada pelo técnico de campo e educador do Cepagro, Henrique Martini Romano, durante as atividades na horta. Henrique conta que um dos objetivos com a visita foi justamente apresentar para os estudantes, alternativas de trabalho e renda no campo.

Em seguida, Dona Salete mostrou os preparados biodinâmicos que ela usa para fertilizar as parreiras de uva. Como todos os ingredientes utilizados são inofensivos para a saúde, diferente dos agrotóxicos que a família deixou de usar há mais de 10 anos, os alunos puderam ver de perto e ajudar a fazer as misturas a base de melado, chá, leite e outros ingredientes naturais. Tudo para deixar as uvas mais bonitas, saudáveis e saborosas sem agredir a saúde do solo, dos agricultores e dos consumidores.

E antes de retornar para a escola, a turma tomou um lanche com os sucos da família Stolarczk e pratos preparados pela cozinheira da escola, Roseli S. Scheidt. Roseli conta que a experiência com a horta agroecológica não foi boa somente para os estudantes, mas para ela também, que pôde cultivar alimentos e temperos que nunca havia cultivado antes. Ela também disse que gostou de aprender a preparar pratos com cogumelo e de poder cozinhar com alimentos saudáveis vindos da horta da escola.

A escola já contava com uma horta, mas ainda não com uma proposta agroecológica. a Diretora Fabiane Laurindo Motta conta ter notado uma grande diferença: “os canteiros estão cheios, a horta está produzindo e a gente tem visto que os canteiros estão mais nutridos”. Além disso o projeto contribuiu com a aprendizagem, principalmente pelo caráter rural da escola. “É fundamental que as nossas crianças e adolescentes tenham contato com a agricultura, com o cultivo das hortaliças, com a manutenção do solo, porque é algo que eles podem levar para os seus pais e familiares e adotar esse tipo de cultivo nas suas hortas também”, disse Fabiane.

Além da diretora, o professor de ciências Izair Knaul deseja que o projeto tenha continuidade no ano que vem. “O trabalho que o Henrique desenvolve aqui vem colaborar muito com a prática e isso é importante porque acaba reforçando a teoria, o diálogo que acontece é super interessante”, afirma Izair. Relações e ciclos ecológicos foram alguns dos conteúdos trabalhados em aula que se tornaram mais visíveis na horta, segundo o professor.

No período da tarde, as turmas do 6º e 7ª ano foram conhecer os cultivos de shimeji do fumicultor aposentado Paulo Gazdzcki. Com a visita, os alunos e alunas viram em escala maior, a experiência com o cultivo de cogumelos feita na escola. Paulo é avô de um dos estudantes e cultiva cogumelos há um ano. Ele transformou a antiga estufa de fumo em um ambiente agradável para o cultivo dos fungos e atualmente colhe cerca de 5kg por semana.

Depois das visitas, as turmas ainda voltaram para a escola e começaram a preparar os canteiros para o período de férias, quando as atividades serão interrompidas. Sobre esse ano de projeto, Henrique conta que além de trabalhar muitos conteúdos e conhecimento, foram desenvolvidas também habilidades e, o mais importante, muitos valores. “Esse cuidado com a terra e essa observação do ciclo de vida de uma planta e dos insetos que aparecem, as borboletas e as abelhas, isso traz um encantamento com a natureza e esse encantamento gera uma relação de mais respeito e de mais cuidado com a natureza. Isso pra mim é a maior contribuição da horta nas escolas”, diz Henrique.

E para encerrar também as atividades do projeto apoiado pelas Irmãs da Santa Cruz como um todo, será realizado o Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidade, nesta sexta-feira, 6 de dezembro. O Seminário irá promover o inverso e trazer as famílias agricultoras para dentro da Escola Professor Tercílio Bastos. O evento é aberto à quem quiser participar e conhecer a produção agroecológica na região, além de ouvir dos próprios estudantes a sua experiência com a horta escolar.

Para saber mais sobre esse evento acesse: http://bit.ly/34Rlg11.

Seminário apresenta experiências de Agroecologia no município de Major Gercino

Ao longo de 2019, o município de Major Gercino recebeu diversas ações voltada para a promoção e valorização da Agroecologia. Foram atividades realizadas pelo Cepagro através do projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em comunidades rurais, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz, que tiveram como foco as famílias agricultoras do Grupo Associada da Rede Ecovida de Agroecologia. Agora chegou a hora de compartilhar com toda a comunidade do município um pouco do que foi realizado ao longo deste ano no Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidades.

Durante o evento, que acontecerá na Escola Professor Tercílio Bastos nesta sexta-feira, 6 de dezembro, as famílias agricultoras do Grupo Associada da Rede Ecovida irão compartilhar suas experiências com a produção e comercialização de alimentos agroecológicos na região. O coordenador do Grupo Associada, Ernande Stolarczk é um dos convidados e vai falar sobre a experiência do grupo com agroindústria e com o fornecimento de alimentação escolar municipal. Também serão apresentadas experiências com a comercialização dos alimentos agroecológicos através das feiras e das células de consumo.

Outras ações do projeto serão apresentadas na sexta-feira, como a capacitação para a tecnologia social de biodigestão. E além das famílias agricultoras, o projeto teve como foco os alunos e alunas da escola estadual, que irão apresentar o trabalho com as Hortas Escolares no Seminário.

Ao final das falas e apresentações, haverá um café agroecológico com alimentos produzidos na região, da qual todos e todas são convidados a participar. O evento é realizado pelo Cepagro em parceria com a Escola Professor Tercílio Bastos e tem o apoio da Prefeitura de Major Gercino, do Grupo Associada da Rede Ecovida e do Instituto das Irmãs da Santa Cruz.

Serviço:

O que: Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidades

Onde: Escola Professor Tercílio Bastos, Rua Geral – Pinheiral, Major Gercino (SC)

Quando: Sexta-feira, 6 de dezembro, às 14h

Projeto de adubação verde une pesquisa acadêmica e extensão rural

A última segunda-feira, 25 de novembro, foi dia de colher pepinos e ervilhas no município de Santa Rosa de Lima. Não para consumo nem comercialização, mas para pesquisa. É o projeto Culturas de cobertura da próxima geração: impulsionando a inovação no manejo do solo com a certificação participativa, que une pesquisa e extensão rural visando ampliar a adubação verde entre as famílias agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida.

O projeto é uma parceria do Cepagro com a doutoranda Anne Elise Stratton, da Universidade de Michigan (EUA) e tem o apoio da The Conservation, Food & Health Foundation. Ele ainda está na fase inicial, de pesquisa, que se dá de forma participativa junto a 14 famílias agricultoras em seis municípios catarinenses. Além dos agricultores agroecológicos, também participam famílias fumicultoras que buscam alternativas ao cultivo do tabaco.

Depois da fase de pesquisa, que já é uma forma de capacitar os(as) agricultores(as) para esse tipo de manejo, o projeto seguirá trabalhando com as famílias interessadas em cultivar espécies de adubos verdes para a criação de bancos de sementes, uma demanda que tem sido colocada pelos(as) agricultores(as) do Núcleo Litoral, segundo Charles Lamb, Coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro. A ideia é que esses(as) agricultores(as) sejam fontes de conhecimento sobre o tema e não somente de sementes.

Leda Maria Assing é uma das agricultoras agroecológicas envolvidas na pesquisa. Ela compõe o Grupo Germin’Ação e cultiva diversos alimentos orgânicos que abastecem a sua pousada Doce Encanto, além de produzir melado e outros derivados da cana. Para ela o cultivo de sementes de adubação verde seria ótimo, principalmente para poder trocar com outros(as) agricultores(as) da Rede. Atualmente, boa parte deles usa cama de aviário como fertilizante para o solo, que é uma alternativa ecológica aos insumos químicos. No entanto, essa ferramenta pode significar um custo de produção mais elevado, além de não oferecer tanta garantia quanto à sua procedência.

Anne Elise explica que a adubação verde se torna uma ferramenta complementar à Agroecologia. Ela tem um custo de implantação menor, fornece cobertura e mais matéria orgânica para o solo, além de aumentar a futura produção de alimentos. Anne Elise explica ainda que um dos principais nutrientes que garantem o crescimento e desenvolvimento das plantas é o nitrogênio. Na natureza, ele é devolvido ao solo normalmente com a decomposição das plantas, enquanto na agricultura é retirado com a colheita dos alimentos, onde se encontra a maior concentração de nutrientes. Por isso deve ser reposto de alguma forma, mantendo o solo fértil. 

Assim, a adubação verde se torna uma alternativa também para os agricultores convencionais. Anne Elise comenta que além de contaminarem o solo e a água, os insumos químicos geram uma dependência com as empresas que os produzem. A inclusão das culturas de adubos verdes como a mucuna, ervilhaca, aveia e girassol entre os agricultores é também uma forma de promover a autossuficiência dessas famílias.

Outra agricultora que está participando da pesquisa é Rosângela Bonetti Vanderlinde, também do Grupo Germin’Ação. Quando ela e o companheiro Sebastião adquiriram o terreno onde hoje tocam a Pousada Encanto Verde, o solo estava completamente degradado. Os antigos proprietários produziam tabaco e a partir de 2005 Rosangela e Sebastião foram recuperando a fertilidade através da adubação verde e de cultivos agroecológicos. Sebastião conta que desde então, anualmente o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Jucinei Comin leva os estudantes para conhecer a sua propriedade e a cada visita diz encontrar o solo mais fértil.

Rosângela confirma a importância da adubação verde e também da pesquisa acadêmica: “Para nós é maravilhoso porque a gente sempre aprende muita coisa. Já fazia adubação verde há muito tempo, mas com a pesquisa a gente vê o resultado científico comprovado ali mesmo no teu terreno”. A agricultora conta que alguns grupo que visitam a propriedade perguntam o porquê de ceder o terreno para pesquisa sem ganhar nada em troca, ao que Rosângela responde: “a troca não é monetária, mas é o conhecimento científico que a gente adquire”. 

E a ideia do projeto não é apenas incluir a cultura dos adubos verdes entre os agricultores, mas institucionalizar essas culturas de cobertura nos planos de manejo da Rede Ecovida. Anne Elise conta que nos Estados Unidos a certificação participativa não é uma prática permitida e que sua escolha por realizar a pesquisa com agricultores da Rede se deu, entre outros motivos, porque “a Rede Ecovida é muito inspiradora, é uma referência. Não existem muitas redes de agroecologia como essa”. A agricultora Leonilda Boeing Baumann, mais conhecida como Dida, concorda com Anne Elise e diz: “gosto de estar na Rede Ecovida porque não é só a certificação, a gente aprende muito”.

A pesquisa já vem sendo realizada desde 2018 e até 2020 demonstrará se a diversificação de cultivos e a adubação verde têm mesmo o potencial de reduzir custos e aumentar a produtividade, contribuindo para a autossuficiência das famílias agricultoras. Até lá, seguimos juntos apoiando o Núcleo Litoral Catarinense e incentivando a transição agroecológica através de pesquisas e práticas que estejam em sintonia com a realidade dos agricultores(as) da região.