Núcleo Litoral Catarinense participa de oficina sobre Comunicação Popular

Além de técnicas de manejo, estratégias de comercialização e boas práticas de pós colheita, um novo assunto entrou na pauta de oficinas do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia: a Comunicação. Através do convênio com a Universidade de British Columbia e com apoio da IAF, o Cepagro promoveu no último final de semana (1 e 2 de dezembro) uma oficina sobre Comunicação Popular e Agroecologia Visual, com facilitação do fotógrafo e estudante de Agronomia Carlos Pontalti e da jornalista Ana Carolina Dionísio. A atividade aconteceu na linda pousada Encanto Verde, em Santa Rosa de Lima, e contou com a participação de 10 agricultoras e agricultores, educadorxs e jovens de 5 grupos da Rede Ecovida.

Se a ideia da oficina é fortalecer a noção de que todxs podem ser comunicadorxs, a ferramenta de captação de imagens seria também a mais acessível: o celular. Após construírem coletivamente painéis sobre o que representa a comunicação e a agroecologia, o grupo teve uma exposição sobre os principais conceitos de fotografia com Carlos. As demandas do grupo eram diversas, assim como seu envolvimento e desenvoltura com a a câmera do celular, o que estimulou a troca de conhecimento entre todas e todos.

Para praticar os conceitos, a turma fez uma gira pela propriedade, guiada pelo jovem agricultor Luís Henrique Vanderlinde. Ele mostrou o cultivo de amoras orgânicas e os consórcios agroflorestais, falou sobre a extração e beneficiamento de açaí juçara e também sobre o manejo de cabras. Vendo as fotos antigas da propriedade, o grupo ficou impressionado com a regeneração ambiental promovida pela família ali.

Além da teoria e prática em conceitos e técnicas de fotografia, todos e todas aprenderam muito sobre Agroecologia com a família Vanderlinde, proprietária da pousada. O casal Rosângela e Sebastião e seus filhos já passaram pela produção de fumo e, integrando-se à Acolhida na Colônia e à Rede  Ecovida de Agroecologia, hoje são referência em transição agroecológica e produção orgânica. “Nós temos também bastante recurso público investido aqui na propriedade, pois acessamos várias políticas públicas. Então ficamos felizes de receber uma atividade assim”, conta Rosângela.

Com as fotos tiradas durante a oficina, o grupo produziu cards com mensagens sobre a Agroecologia e a agricultura familiar. A ideia é que esse tipo de material fortaleça a divulgação do trabalho dxs participantes, seja pela comercialização ou pela conscientização ambiental.

 

 

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No Dia da Luta contra os Agrotóxicos, sociedade civil diz não ao PL do Veneno em Florianópolis

O vazamento de uma usina de agrotóxicos da companhia norte-americana Union Carbide na cidade de Bophal, na Índia, no dia 3 de dezembro de 1984 ficou marcado como o Dia Mundial da Luta contra os Agrotóxicos. Calcula-se que 3 mil pessoas morreram intoxicadas só neste dia, outras 15 mil nos meses seguintes, além de 300 mil intoxicações. Mais de 30 anos depois, estima-se que 2 a 3 pessoas morram semanalmente ainda em decorrência do desastre.

Em  Florianópolis, o Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos promoveu neste 3 de dezembro o debate e a reflexão sobre nosso modelo de produção de alimentos, entre os venenos e a agroecologia.

Às 10h aconteceu no Largo da Catedral uma roda de conversa sobre CONSUMO AGROECOLÓGICO, com a participação do Assentamento Comuna Amarildo de Souza, LACAF, Cepagro e Revolução dos Baldinhos. Durante as discussões, ficou clara a importância de promover mais conscientização junto a consumidores e consumidoras para que optem por alimentos orgânicos quando possível, além da necessidade de promover a reforma agrária. “Nossa proposta como assentamento sempre foi produzir alimentos saudáveis a um preço justo para a população. “A Agroecologia em escala é possível. Mas é preciso ter Reforma Agrária”, disse o assentado Fábio Ferraz, presente ao evento.

A partir das 16h, na Câmara de Vereadores, foi realizada uma palestra com o Dr. Pablo Moritz, haverá uma palestra com o médico Pablo Moritz, do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC) e a solenidade de entrega do Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) – um amplo estudo científico que trata dos impactos dos agrotóxicos na Saúde – para os representantes do Legislativo Municipal.

Segundo o Dossiê Abrasco, no Brasil – que pelo décimo ano consecutivo lidera o ranking de maior consumidor de agrotóxicos no planeta – 64% dos alimentos estão contaminados por agrotóxicos, foram registradas 34.147 notificações de intoxicação por agrotóxicos de 2007 a 2014, houve 288% de aumento do uso de agrotóxicos entre 2000 a 2012. Apenas em 2014, o faturamento da indústria de agrotóxicos no Brasil foi de U$12 bilhões.

As mobilizações terminaram às 17h, em frente à Catedral, com uma aula pública de Rogério Dias, da Associação Brasileira de Agroecologia, sobre os retrocessos que o Projeto de Lei 6299/02, conhecido como o “PL do Veneno”, representa. Durante o evento, Rogério Dias chamou a atenção para que a sociedade civil pressione o Legislativo pela aprovação em Comissão Especial de outro projeto de Lei, o 6670/16, que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA).  Enquanto o PL do Veneno já foi aprovado em Comissão Especial e agora segue para votação na Câmara dos Deputados, a PNARA ainda não foi avaliada pela mesma Comissão Especial. “Não podemos deixar que o PL do Veneno siga para a votação em Plenário sem que a PNARA vá também. Ela representa o contraponto à flexibilização do uso de agrotóxicos que o PL 6299 quer instituir”, afirma Rogério.

*ATUALIZAÇÃO: a PNARA foi aprovada em Comissão Especial no dia 4 de dezembro, seguindo agora para votação em Plenário. 

 

CEPAGRO E NÚCLEO LITORAL CATARINENSE VISITAM O CENTRO PARANAENSE DE REFERÊNCIA EM AGROECOLOGIA

A visita ao Centro Paranaense de Referência em Agroecologia aconteceu nos dias 26 e 27 de novembro, reunindo agricultores e agricultoras de diversos grupos da Rede Ecovida de Agroecologia, além da agrônoma Aline de Assis, da equipe técnica do Cepagro. O grupo pôde conhecer e conversar sobre comercialização, cestas agroecológicas, produção animal agroecológica, plantas medicinais e preparados homeopáticos, além de visitar a Casa da Semente Crioula.

Há algum tempo a coordenação do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida vinha discutindo maneiras de se tornar mais rede de Agroecologia e menos rede de certificação. Segundo Cátia Cristina Rommel, do Grupo Germinação (Anitápolis e Santa Rosa de Lima), o objetivo das capacitações era que os agricultores pudessem trabalhar mais a Agroecologia e passar menos tempo se fiscalizando e se punindo, ir para além da certificação. A visita ao CPRA, que se localiza na cidade de Pinhais, próxima a Curitiba, contemplou o desejo do grupo, pois incluiu diversos temas que vinham sendo discutidos nas reuniões.

A capacitação começou com uma discussão sobre formas mais democráticas e contra hegemônicas de comercialização, e que assegurem também menos fragilidade para os agricultores em meio às oscilações de mercado. Depois viram as questões de manejo animal agroecológico, rotação de pastagem, uso de fitoterápicos e outras formas de controle de parasitas. Além de conhecer várias espécies de abelhas nativas.

O CPRA, como eles mesmo falam, possui o privilégio de trabalhar exclusivamente a Agroecologia, o que é raro. O Centro é uma autarquia do estado e em um mesmo espaço consegue concentrar várias abordagens. Durante a capacitação, os agricultores do Núcleo aprenderam ainda sobre construção de estufas usando bambu, plantas medicinais aromáticas e abordagens das Cromatografias de Pfeiffer, uma forma de análise de solo que o próprio agricultor pode fazer.

Em seguida, o grupo seguiu para a Associação Brasileira de Amparo a Infância (ABAI), em Mandirituba/PR, instituição que trabalha com crianças a partir da ecologia e usando sementes crioulas como forma de autonomia. Além disso eles abrigam a Casa da Semente Crioula, onde fazem um trabalho de resgate de sementes com as crianças. Lá os agricultores puderam trocar e adquirir sementes agroecológicas, o que é muito difícil de conseguir, segundo Cátia. Por fim, aprenderam como selecionar variedades de milho e visitaram o senhor Dantas, um dos guardiões de sementes que possui uma grande diversidade.

Cátia Cristina contou que a Casa da Semente Crioula é uma experiência que também envolve a Rede Ecovida de Agroecologia, porque algumas das sementes utilizadas pelos produtores associados vêm de lá. A agricultora disse ainda que essa capacitação era um sonho e que depois de meses de articulação, foi muito gratificante ter feito a viagem, “Olhar de fora o nosso lugar é sempre enriquecedor, é como cruzar uma fronteira e olhar para o teu país, é sempre uma percepção diferente quando se olha de fora. Está todo mundo voltando pra casa com muito entusiasmo e muita inspiração”.

A agricultora Cristina Alves, do Grupo Associada (Nova Trento e Major Gercino), se sentiu engajada a também se tornar uma guardiã, tentar plantar essas sementes crioulas, conseguir novas a partir do plantio e repassá-las. “Foi um conhecimento maravilhoso saber que existem pessoas que são esses guardiões e que protegem essas sementes e que têm a capacidade de estar passando para outras pessoas e de cuidar desse tesouro com muito carinho”, disse Cristina. A sensação ao final da viagem foi de quero mais.

SOBERANIA, SEGURANÇA ALIMENTAR E AGROBIODIVERSIDADE SÃO DEBATIDAS NA GRANDE FLORIANÓPOLIS

Avaliar e propor melhorias para políticas públicas de Alimentação e Agricultura são os objetivos do Seminário Estadual Segurança Alimentar e Nutricional: Programa de Aquisição de Alimentos e Programa Agrobiodiversidade, que acontece entre os dias 4 e 6 de dezembro em São José. Promovido pelo Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e pela Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) o evento reúne consumidores/as, agricultores/as e Poder Público para discutir principalmente três programas governamentais: o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Terra Boa (também chamado Troca-Troca) e o Programa Estadual de Agrobiodiversidade, recentemente elaborado pelo CONSEA/CAISAN. Comercialização e abastecimento de alimentos orgânicos, sementes transgênicas e crioulas são alguns dos temas a serem tratados na programação, que acontece no Golden Hotel, no bairro Serraria. Os debates e mesas redondas são abertas ao público em geral.

Criado em 2003, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma ação do Governo Federal para colaborar com o enfrentamento da fome e da pobreza no Brasil e hoje representa um importante canal de escoamento da produção da agricultura familiar.

Já o Programa Terra Boa acontece no âmbito estadual e tem finalidade “Subvencionar a aquisição de calcário e sementes de milho, a fim de aumentar a produção, reduzindo a dependência de importação”. O Programa faz parte do Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina (PESAN). Entretanto, constatou-se que, dentre as variedades de milho distribuídas aos agricultores, grande parte são transgênicas. Durante o Seminário, serão avaliadas possibilidades de ampliar e diversificar as sementes do Programa, promovendo a agrobiodiversidade em Santa Catarina.

Buscando manter e fomentar a utilização de espécies da agrobiodiversidade pelos agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, povos indígenas e quilombolas, o CONSEA e a CAISAN elaboraram o Programa Estadual de Agrobiodiversidade, que também será discutido durante o Seminário. “A conservação da agrobiodiversidade tem como finalidade promovera Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN), constituindo-se em um componente essencial para o desenvolvimento sustentável”, afirma o texto do programa.

VEJA A PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO

 

Grupo de Florianópolis participa de curso de Consumidores e Agroecologia, em Lages

Nos dias 24 e 25 de novembro, grupos de consumidores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estiveram reunidos em Lages para participar do 2º Módulo do Curso Consumidores e Agroecologia, promovido pelo Projeto Misereor em Rede. O Cepagro acompanhou o grupo de Florianópolis, que conta com 10 cursistas, entre consumidores e agricultores.

O módulo foi dividido em dois momentos, um teórico e outro com atividades a campo. Os participantes iniciaram o primeiro dia de curso compartilhando os relatos do “Tempo Comunidade”, período entre os módulos em que os grupos realizam dinâmicas entre si para colocar os aprendizados em prática. Erika Sagae, da equipe técnica do Projeto, conta que em Florianópolis o grupo optou por realizar mutirões e oficinas, “Em todas as atividades realizadas houve a participação quase que total dos cursistas, isso demonstra uma coesão do grupo que está cada vez mais integrando, se interagindo e fortalecendo relações”, disse.

Em seguida, os consumidores receberam uma formação sobre os Fundamentos da Agroecologia e Sistemas Agroflorestais e Políticas Públicas, facilitadas pelo agrônomo e educador Natal João Magnanti e pela técnica de campo Carolina couto waltrich,  do Centro Vianei de Educação Popular, de uma forma bastante participativa e construtiva. O dia encerrou com atividades culturais e uma feirinha solidária, gerando uma interação com os grupos de artesãos locais.

No segundo dia, os cursistas fizeram uma saída de campo e puderam conhecer de perto tipos de sistemas agroflorestais existentes. A experiência de agricultura sintrópica, na Propriedade Sol de Gaia, e a Propriedade Rio Bonito, que trabalha com sementes crioulas. Dois momentos muito ricos onde consumidores compreenderam também as dificuldades existentes no escoamento da produção e nos diferentes canais de comercialização.

O curso conta com quatro módulos e, até que o próximo aconteça, os grupos locais voltam a se reunir no tempo comunidade. Segundo Erika Sagae, o grupo de Florianópolis possui uma característica interessante que é ter em sua formação tanto consumidores quanto agricultores. Essa interação está fomentando a criação de duas novas células de consumo.

Direito à cidade e políticas públicas são debatidos no IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana de Florianópolis

“Um sonho que se sonha junto, como agricultor urbano, não é apenas um sonho, é realidade”.

A frase dita por Neldo Wazlawick, agricultor urbano da Rede Semear Floripa, durante a mesa de abertura do IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana de Florianópolis, deu o tom do evento que teve como tema o Direito à Cidade. Nos dias 23 e 24 de novembro, sociedade civil, coletivos de Agricultura Urbana, estudiosos do assunto e representantes do poder público estiveram reunidos para discutir a Agricultura Urbana em Florianópolis.

Políticas públicas, territorialidade e valorização das diversidades foram algumas das questões levantadas durante  o IV EMAU, promovido pela Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana com apoio do Cepagro, Prefeitura Municipal de Florianópolis, UFSC, FLORAM, Laboratório de Educação no Campo e Reforma Agrária (LECERA), Fundação Franklin Cascaes e COMCAP. A programação contou com seminários, oficinas e mesas de discussão que se dividiram entre o Jardim Botânico, a Epagri e o Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Na mesa de abertura, ao lado de Neldo, estiveram presentes representantes do Centro de Ciências Agrárias, Floram, COMCAP, Epagri, Prefeitura, Ministério da Agricultura e Poder Legislativo, na figura do vereador Marquito (PSOL), que definiu os espaços de articulação como a Rede Semear e o EMAU como sonhos que se concretizam. Eduardo Rocha, diretor-presidente do Cepagro, lembrou que a Agricultura Urbana é intersetorial e que trabalhar direito à cidade é trabalhar outros direitos, como segurança pública e alimentar.

A primeira atividade foi a mesa Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas, composta por Celso Sanches, professor da UNIRIO, Renata Rodrigues, do LECERA, Juliana Luiz, do Coletivo Nacional de AU e Margareth McQuade, consumidora e agricultora urbana. Juliana Luiz abriu a discussão falando sobre a cidade como um bem comum, um espaço que deve ser concebido não com função imobiliária, mas social: “Não queremos o direito à propriedade, queremos direito ao uso”, disse. Juliana lembrou que pensar a cidade e seus espaços é também defender um projeto de mundo.

Renata Rodrigues, do LECERA, trouxe para a discussão as palavras de ordem do MST: “ocupar, resistir e produzir”. Disse que a Agricultura Urbana é antissistêmica e que defendê-la significa disputar a cidade e lutar por direitos, “Ser da AU é ser ativista, enfrentar as grandes empresas que dizem que o correto é comer comida do mercado, é uma disputa com o agronegócio que está no nosso prato”. Renata resgatou ainda a história rural de Florianópolis e lembrou que o desenho das servidões do Campeche, por exemplo, é dessa maneira porque ali era um espaço de produção de alimentos.

Celso Sanches, em sua fala, nos levou de Floripa até a favela da Maré, no Rio de Janeiro, para contar a história da Vanessa, uma mulher, estudante e negra que cultiva e distribui mudas para a comunidade. Vanessa faz Agricultura Urbana no contexto da intervenção militar do Rio, e com ela Celso chamou a atenção para o embranquecimento e a invisibilidade dos sujeitos que fazem AU acontecer, algo a ser evitado.  Também reforçou o respeito que devemos ter com as ancestralidades e conhecimentos tradicionais que há muito tempo já fazem Agroecologia. Para ele, pensar AU é pensar em formas de resistência e re-existência, “fazer Agricultura Urbana é assumir um lado não neutro da história, é assumir partido” disse Celso.

A programação do evento seguiu na tarde de sexta-feira com seminários e atividades culturais e retornou no sábado de manhã com 13 oficinas gratuitas. No Cepagro, as agrônomas Karina Smania de Lorenzi e Aline de Assis facilitaram uma oficina sobre Hortas Pedagógicas.

O encerramento do evento foi uma mesa redonda sobre Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis. O vereador Marcos José de Abreu, Marquito, e o direto de Pesca, Maricultura e Agricultura de Florianópolis, Fábio Faria Brognoli foram convidados para apresentar a Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018) e o Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017) e promover o debate.

Fábio abriu o bate-papo apresentando o PMAU e contando um pouco sobre como o decreto foi construído pela Rede Semear. Ele frisou a importância da participação da comunidade na promoção da agricultura na cidade e disse que o poder público tem um papel muito importante na garantia de estrutura e apoio, mas que quem de fato faz a AU acontecer são as pessoas. Em seguida, Marquito explicou como funciona a Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis, projeto de lei construído por seu mandato em conjunto com sociedade civil. Ele apresentou a lei como uma conquista coletiva e que garante uma política concreta que deve permanecer independente da gestão. “Nós temos que pensar também a longo prazo”, disse o vereador e revelou que um dos desafios para a Agricultura Urbana hoje é colocar as políticas públicas acima das questões político partidárias.

Francisca Daussy, coordenadora de promoção da saúde da Secretaria de Saúde, participou na organização do evento e esteve presente no debate. Para ela, a Agricultura Urbana é um “campo de maravilhas” na área da saúde, apesar de ser ainda pouco explorada no Brasil. Francisca disse que a saúde ainda é muito prescritiva e que muitos problemas vêm da questão alimentar, e a Agricultura Urbana dialoga com tudo isso: “Eu vejo que é um espaço muito livre, as pessoas se sentem livres para contribuir com as discussões e é isso que a gente quer”. E a questão do fortalecimento político também é importante. Segundo a coordenadora, “esse fortalecimento na Câmara, na parte legislativa e na própria estrutura da Prefeitura é muito importante. E tudo isso são frutos desses encontros”.

Além de promover muitas discussões ricas e trocas de conhecimento, o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana encerrou com a formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis, que em breve será divulgada ao público.

Fotos: Evan Bowness

Florianópolis recebe o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana

Trazendo como temática o Direito à Cidade, o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana acontece em Florianópolis nos dias 23 e 24 de novembro, com programações no Jardim Botânico, na Epagri e no Centro de Ciências Agrárias da UFSC (todos no Itacorubi). De acordo com a organização do evento, o objetivo é “reunir pessoas e instituições para compartilhar experiências, discutir e fortalecer estratégias e práticas agrícolas de base agroecológica cujos avanços no município de Florianópolis o fazem referência em vários domínios nesta área, favorecendo a qualidade de vida, a sustentabilidade e a proteção ambiental”. Oficinas, seminários e apresentações culturais integram a programação, que é totalmente gratuita. Para participar, é só fazer a inscrição neste link.
A abertura do Encontro será na 6ª feira, com a mesa Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas, a partir das 10h, no Jardim Botânico. Na parte da tarde, 4 seminários abordarão a relação da Agricultura Urbana com Organização Popular, Promoção da Saúde, Processos Educativos e Produção, comercialização e consumo. No sábado pela manhã acontecem 13 oficinas com temáticas variadas. Encerrando o evento, haverá um mesa redonda às 14h sobre Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis, além da formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis, a partir das 15h30.
O IV EMAU é promovido pela Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana e conta com apoio do Cepagro, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, UFSC, FLORAM, LECERA, CCA, Fundação Franklin Cascaes e COMCAP.
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PROGRAMAÇÃO
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23 novembro 2018 – 6ª feira
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8h às 9h – CREDENCIAMENTO
Inscrição com café coletivo
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9h às 10h – ABERTURA
Mística de abertura – Música e poesia – Maria Adriana.
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10h às 12h – MESA REDONDA
Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas
Celso Sanches – UNIRIO
Renata Rodrigues – LECERA CCA/UFSC
Eduardo Elias – Destino Certo
Juliana Luiz – Coletivo Nacional de Agricultura Urbana
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 15h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO I – Agricultura Urbana e Organização Popular
● SEMINÁRIO II – Agricultura Urbana e Promoção da Saúde
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15h às 15h30min – Atividade cultural e café coletivo
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15h30min às 17h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO III – Agricultura Urbana e Processos Educativos
● SEMINÁRIO IV -Segurança Alimentar, Produção, comercialização e consumo
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24 novembro 2018 – SÁBADO
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9h às 12h – OFICINAS
Oficina 1 – Tipos de agriculturas – CCA
Oficina 2 – Vermicompostagem e Compostagem – Jardim Botânico
Oficina 3 – Circuito EPAGRI – PANCs, Cores da Terra, Meliponídeos, Plantio de Hortaliças.
Oficina 4 – Preparados Orgânicos para cultivos (Cancelada) – CCA
Oficina 5 – Oficina de Autocuidado – CCA
Oficina 6 – Agricultura Sintrópica – Jardim Botânico
Oficina 7 – Oficina de bancos de sementes crioulas artesanais – CCA
Oficina 8 – Gestão comunitária de resíduos orgânicos – CCA
Oficina 9 – Oficina de plantas medicinais – Quinta das Plantas CCA
Oficina 10 – Slowfood – CCA
Oficina 11 – Hortas pedagógicas – CCA
Oficina 12 – Agricultura Urbana e Direito à cidade – CCA
Oficina 13 – Video Mulheres Ambientalistas, exibição e discussão – EPAGRI
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 14h – Atividade Cultural
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14h às 15h – MESA REDONDA – Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis
Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018)
Marcos José de Abreu
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Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017)
Fábio Faria Brognoli
TRABALHO COLETIVO
15h às 15h30min – Sistematização dos Seminários
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15h30min às 16h30min – Formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis
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16h30min às 17h – Rio da Vida
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17h às 17h30min – Celebração final