Rio de Janeiro e Santa Catarina celebram a Agricultura Urbana Agroecológica

cartaz-Favela-visita-final2
Na próxima terça (19/05) acontece o evento “Favela Orgânica visita a Revolução dos Baldinhos: Agricultura Urbana é Alimento de Verdade na Cidade”.  A atividade será um encontro preparatório para as Conferências de Segurança Alimentar e Nutricional (municipal e estadual).
Contará com o apoio do Instituto Lixo Zero para a arrecadção da xepa (alimentos descartados do ciclo comercial, mas em perfeitas condições de uso)  que será aproveitada no almoço. O Convivium Mata Atlântica e a Rede Catarina Slow Food estarão encarregados da preparo da Comida de Verdade. Regina Tchelly abrilhanta o evento com a palestra “O ciclo do alimento com Amor“.
Público esperado: apoiadores, simpatizantes e representantes de escolas, creches, projetos, universidades, além de todas as famílias participantes da Revolução dos Baldinhos.
Local: Galpão da Revolução dos Baldinhos (Bairro Monte Cristo, Comunidade Chico Mendes)
Mais informações: julio@cepagro.org.br
Programação completa:
  • 9h30 – acolhida das familias e apresentação dos convidados
  • 10h – palestra | Regina Tchelly: O Ciclo do alimento com Amor
  • 11h – palestra | Presidente do Conselho Municipal de SAN de Florianópolis – Eduardo Rocha (sobre a Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional/SAN)
  • 11h – visita guiada ao pátio de compostagem pela equipe da Revolução dos Baldinhos
  • 12h15 – palestra | Presidente do CONSEA/SC – Marcos José de Abreu (sobre o lema Comida de Verdade, no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar)
  • 12h30h – Almoço

Cepagro e Slow Food trabalham a educação alimentar em escola pública

Com o objetivo de ajudar a despertar nas crianças uma maior curiosidade sobre os alimentos, as plantas e a alimentação saudável, a equipe técnica do Cepagro promoveu a “Feira da Agrobiodiversidade” durante a Semana da Saúde do Instituto Estadual de Educação, uma das maiores escolas públicas de Florianópolis. A Feira foi realizada no dia 27 de abril; nos dias 28 e 29 foi a vez de membros da Rede Catarina Slow Food trabalharem a relação dos estudantes com a comida através das Oficinas do Gosto.

texto e fotos Ícaro Pereira, Gisa Garcia e Marina Pinto (Cepagro); Giselle Miotto, João Almeida e Jaqueline Todescato (Rede Catarina Slow Food)

IMG_0332O formato de feira didática proporcionou um contato direto com os alimentos. As crianças puderam tocar, sentir cheiros e sabores de mais de 60 espécies diferentes de plantas utilizadas pelo homem, muitas das quais elas nunca haviam visto. As bancas da “Feira da Agrobiodiversidade” foram separadas de acordo com o continente de origem do alimento: África, Ásia, Europa, Américas. Com isso, foram explorados temas como os diferentes povos que colonizaram nosso país, a importância e herança dos povos indígenas com sua agricultura, a história da agricultura e a biodiversidade. O tema da Alimentação Saudável também foi abordado, conversando um pouco com as crianças sobre a importância de comer mais alimentos frescos e diversificados e menos de alimentos industrializados.IMG_0313

Foram montadas junto à feira algumas exposições para melhor ilustrar o tema alimentação e agrobiodiversidade: uma banca de livros sobre plantas, agroecologia e alimentação; um mural de cartazes didáticos sobre agricultura, agroecologia e origem dos alimentos; uma exposição de utensílios indígenas utilizados para preparar alimentos como o Tipiti, peneiras de açaí e cestaria. Foram trazidas também diversas mudas de plantas utilizadas na nossa alimentação, como uma mandioqueira, açaizeiro, maracujazeiro, pitangueira, pé de inhame, entre outras, para ilustrar um pouco de onde vêm os frutos, raízes, folhas e grãos que encontramos no mercado.

IMG_0366A Feira foi um sucesso, com muito interesse das crianças naquele mundo de novidades, de sabores, cores, formas e cheiros. Ao final, mais de 400 pessoas – entre crianças professores e pais de alunos – passaram pela “Feira da Agrobiodiversidade”.

Nos dias 28 e 29 de abril, educadores da Rede Catarina Slow Food realizaram atividades conectando a alimentação aos 5 sentidos das crianças, focando na importância de prestarmos mais atenção nos nossos alimentos – que muitas vezes nem são alimentos, mas sim produtos.

oficina gostoA audição foi abordada na forma de conversa, com perguntas como Quais os sons que podemos escutar e relacionar com a comida? Para o sentido do paladar foi pingado na língua de cada estudante sabores como amargo, doce do açúcar, ácido, azedo, salgado e doce da fruta. Já para tratar o sentido do tato, utilizou-se uma caixa sensorial, na qual o educando não consegue visualizar o alimento de dentro da caixa e terá que adivinhar somente apalpando. Para finalizar, os estudantes degustaram um suco de uva integral orgânico da agricultura familiar local, na qual o instrutor explanou não só a importância na saúde do consumidor, como a importância social e ambiental.

educacao

Dando um exemplo de abordagem interdisciplinar com foco na educação ambiental e alimentar, as atividades tiveram uma ótima recepção pelos estudantes, uma vez que foram todas praticas e bem ativas, diferindo da metodologia teórica da escola. O diálogo aconteceu, principalmente com perguntas e relatos pessoais. Após a sensibilização do público alvo na escola, possivelmente haverá a replicação de aspectos trabalhados nas atividades junto às famílias das crianças.

Brasil e América Latina intercambiam saberes durante o IX Encontro Ampliado da Rede Ecovida

Revelando muitos oásis agroecológicos entre uma das mais fortes regiões da monocultura transgênica do país, o município de Marechal Cândido Rondon (PR) sediou na última semana o IX Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia. Com densa programação ao longo de 3 dias, totalizando sete seminários, quarenta oficinas e a tradicional Feira de Saberes e Sabores, o evento engajou milhares de participantes no fortalecimento do movimento agroecológico em torno de 3 eixos: a institucionalização da agroecologia (marco legal, normas, e certificação da conformidade orgânica, entre outros), o contexto agrícola e agrário brasileiro (concentração e integração entre a agricultura, produção de insumos, grandes complexos agroindustriais, redes de supermercados e o capital financeiro) e a organização da Rede em sua coordenação e grupos de trabalho, com ações estratégicas para o biênio 2015 e 2016. Além de quase 1500 agricultores dos 29 Núcleos regionais da Rede Ecovida, o evento também contou com uma ilustre delegação formada por 92 representantes de outras regiões brasileiras, dos EUA e de 16 países latino-americanos: Argentina, Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Paraguay, Peru e República Dominicana. Trata-se de um grupo de técnicos e agricultores de organizações donatárias da Fundação Interamericana (IAF), que atualmente tem foco em estimular processos de intercâmbio suprindo demandas comuns entre os projetos de Agroecologia do continente americano. Na sequência do Encontro Ampliado, a delegação latina permaneceu por mais 3 dias no Brasil, realizando um encontro com metodologia e logística próprias no município de Francisco Beltrão – tendo como anfitriã a entidade Assesoar, com 50 anos de história na educação popular e assitência técnica agroecológica. Debatendo suas similaridades e diferenças, o grupo estabeleceu compromissos para um engajamento continental no fortalecimento de suas práticas locais. Somente no sul do Brasil, a IAF apóia a execução de projetos em várias entidades ligadas à Rede Ecovida, gerando impactos positivos em cadeia, desde o âmbito da produção agroecológica à sistematização de experiências que possibilitam a replicação de metodologias. Em breve, os encaminhamentos do encontro de donatários serão divulgados nesta página. Vejam mais: Cobertura da ANA (Articulação nacional de Agroecologia) Abertura do evento Seminário da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica Conjuntura política e econômica em debate A força da alimentação escolar no Oeste do Paraná Galeria de fotos (de Fernando Angeoletto / Cepagro e Amaro Korb / Assesoar)

Fortalecendo a certificação participativa, núcleo Litoral Catarinense realizou atividade formativa

por Fernando Angeoletto – coordenação de comunicação (Cepagro)

Na última quinta, mais de 40 representantes dos 16 grupos do Núcleo Litoral Catarinense (Rede Ecovida) reuniram-se na propriedade agroecológica de Acácio Schroeder, em Joinville (SC), para uma oficina prática de visita de olhar externo – uma das etapas do Sistema Participativo de Garantia, método de certificação de alimentos orgânicos que substitui empresas de auditoria pela responsabilidade compartilhada entre os produtores, devidamente cadastrados e homologados pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

DSC_2106
Participantes acompanham a fala de Francisco Powell, do MAPA

Representando a superintendência catarinense deste Ministério,  o agrônomo Francisco Powell compartilhou na oficina o seu olhar sobre as principais inconformidades que encontra no trabalho de fiscalizar o rigor das auditorias, tanto as de empresas de terceira parte quanto as participativas. O objetivo das colocações, como todo o processo envolvendo a certificação participativa, é de envolver os produtores no aprimoramento de suas técnicas, resultando em mais eficiência e credibilidade no sistema como um todo.

Destacam-se, segundo Powell, os seguintes problemas de maneira mais recorrente: barreiras insuficientes (fronteiras verdes para proteger possíveis “derivas” de agrotóxicos, vindos de cultivos convencionais); excesso de plásticos (coberturas, sacarias, restos de mangueiras), que podem tornar-se poluentes; armazenamento inadequado de insumos; acondicionamento inadequado de produtos para o transporte; uso de insumos não registrados pelo MAPA.

A seguir, a agricultora de Piçarras (SC) Claudete Ponath, coordenadora do Núcleo Litoral Catarinense, apresentou um extenso roteiro de perguntas que devem ser consideradas nas visitas de verificação. Essas visitas são articuladas e realizadas entre os membros dos grupos, gerando relatórios que podem homologar ou não o requerente à certificação da produção orgânica. “Mais que uma mera fiscalização sobre o uso de agroquímicos, o olhar da Rede Ecovida abrange a preocupação com as nascentes, o tratamento de resíduos gerais, a adequação da reserva legal e a justa remuneração dos trabalhadores”, recorda Claudete.

Seu Acácio mostra área usada antigamente para agricultura, deixada em descanso para recuperação da Mata Atlântica
Seu Acácio mostra área usada antigamente para agricultura, deixada em descanso para recuperação da Mata Atlântica

Como atividade prática, o anfitrião Acácio Schroeder guiou os participantes a uma visita técnica por sua bela propriedade, à margem do Rio Piraí, que corre desde a vizinha Serra Dona Francisca. É ali que ele realiza os cultivos agroecológicos de hortaliças de época, vagem, mangarito, aipim e abacaxi. “Além da criação de galinha angola, ganso, pato, marreco e peru”, completa Schroeder, junto a seu Tobata todo com comandos hidráulicos e um motor de arranque elétrico que ele mesmo adaptou.

Funcionário aposentado do setor metal-mecânico, ocupação que envolve grandes contingentes na industrializada Joinville, o seu Acácio devotou-se à viver da terra na propriedade que é da família desde 1959. Deste os tempos do pai ele se lembra dos cuidados empíricos com a natureza. No ano de 2007, participou de um Encontro Ampliado da Rede Ecovida, identificando seus saberes e histórias com milhares de famílias do sul do Brasil. Desde então, orienta seus trabalhos pelo conhecimento sistematizado na Rede, participando ativamente das reuniões de grupo.

DSC_2125
Os cuidados devem estender-se inclusive ao uso de implementos terceirizados, lembram os verificadores

Através de sugestões partilhadas logo após a visita, recomendou-se o adensamento de uma das barreiras verdes laterais – podendo inclusive pensar em um corredor ecológico com espécies nativas de valor comercial, como o açaí de juçara, sugere o veterano produtor Glaico Sell, de Paulo Lopes. A limpeza de implementos terceirizados, como o trator utilizado esporadicamente no preparo de terrenos, deve ser sempre exigida – evitando sementes indesejadas ou resíduos de agroquímicos, alertam os verificadores.

Finalizando as atividades, os grupos articularam entre si as próximas visitas de verificação, visando a renovação dos certificados, que tem validade máxima de 1 ano, e agregando novas famílias que incorporam-se ao processo. A dinâmica vai movimentar os agricultores em visitas por todo o território do Núcleo Litoral Catarinense, que transcende a faixa litorânea de Garopaba à Joinville, tendo a oeste agricultores no Alto Rio Tijucas, Alto Rio Itajaí, encostas da Serra do Tabuleiro e o município de Jaraguá do Sul.

Saiba Mais: Volume 2 da Coleção Saber na Prática – Certificação Participativa

A seguir, imagens da oficina realizada em 09/04.

“Overdose de Tabaco”, na revista Galileu, expõe drama de fumicultores de SC

A revista Galileu deste mês publicou uma reportagem de 6 páginas, dando voz a agricultores que sofrem da enfermidade reconhecida somente em 2009 pelo Ministério da Saúde, a “doença da folha verde do tabaco.”
DSC_2151
Trata-se de uma intoxicação dérmica aguda, que pode elevar em 50 vezes o nível de nicotina no sangue principalmente em agricultores não fumantes, causando vômito, diarreia, dores no corpo, tontura e escurecimento de vista, segundo relatos dos próprios entrevistados, que integram projeto executado pelo Cepagro e apoiado pelo Fundo para Reconstituição dos Bens Lesados (Ministério Público Estadual/SC).
A longo prazo, explica a dra.Tania Cavalcante do INCA (Instituto Nacional do Câncer), esta superexposição à nicotina pode aumentar os riscos de câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares.
A revista está nas bancas de todo o Brasil.

Organizações da sociedade civil podem candidatar-se a uma das 18 vagas no CONSEA

Os representantes da sociedade civil que desejarem podem se inscrever para as 18 vagas no Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea/SC) até 1º de maio.

eleição-consea2O processo seletivo será composto de duas etapas: a habilitação para a formação do colégio eleitoral e uma fase de seleção por votos dos representantes indicados pelas instituições habilitadas conforme detalhado no item 3 do edital (documento no link abaixo).

Edital seleção CONSEA

Os documentos deverão ser enviados para a Secretaria do CONSEA/SC, localizada na Av. Mauro Ramos nº 722, CEP 88020-300 (Florianópolis/SC), indicando no envelope o número e a chamada deste Edital. Não serão considerados os documentos encaminhados após a data final prevista para inscrição de entidades (recebimento dos documentos de habilitação). A postagem dos documentos deverá ser comunicada à Secretaria do CONSEA/SC, através do email: consea@sst.sc.gov.br, para o acompanhamento do processo.

Calendário de atividades:
06/04 a 01/05/2015 – inscrição de entidades para a formação do Colégio Eleitoral (recebimento dos documentos de habilitação);
04/05 a 11/05/2015 – análise da documentação das entidades;
12/05/2015 – divulgação e publicação das entidades habilitadas que formarão o Colégio Eleitoral na página da SST
13/05 a 14/05/2015 – prazo para recursos;
15/06 a 19/05/2015 – parecer final da Comissão Eleitoral sobre o (s) recurso (s) publicado na página da SST
20/05/2015 – eleição das entidades que irão compor o Consea/SC 2015-2017;
21/05 a 31/05/2015 – publicação dos nomes das entidades representantes da sociedade civil eleitas para o período de 2015-2017 no Diário Oficial do Estado.

 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 55 outros seguidores