Entidades de Major Gercino promovem seminário sobre Alimentação, Saúde e Meio Ambiente

Tendo em vista a realidade da população brasileira, cada vez mais atingida por contaminantes diversos, seja na produção ou no consumo de alimentos, a agenda de ações integradas dos setores da Saúde e Agricultura de Major Gercino preparou para mais este Outubro Rosa o I Seminário sobre Alimentação, Saúde e Meio Ambiente: Caminhos da Produção ao Consumo.

O evento, que acontece no dia 24 de outubro nas dependências do Centro de Convivência Municipal Lourival dos Santos, e é aberto ao público. Agricultores familiares, profissionais da educação, da agricultura e da saúde, estudantes e todos os interessados na temática estão convidados a participar. O Seminário visa oportunizar um debate ampliado para os habitantes de Major Gercino e região, com discussões a respeito da saúde das agricultoras, agricultores e consumidores.

O evento começa às 8h com um café da manhã e credenciamento. Às 9h haverá a solenidade de abertura com a presença da comissão organizadora. E na sequência, o primeiro painel debaterá sobre Segurança Alimentar, Impacto dos Agrotóxicos na Saúde das Pessoas, com palestra da Secretaria Municipal de Saúde, sobre a realidade da saúde em Major Gercino, seguida do Doutor Pablo Moritz (Ciatox), que falará sobre os agrotóxicos e transgênicos e seu impacto na saúde das pessoas.

Após uma pausa para o almoço (gratuito), o evento continua com as atividades previstas para a tarde.

A organização do evento é uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Major Gercino, Epagri, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Coopermajor e Cepagro. Esperamos que deste evento, surjam avanços importantes na realização de ações informativas e práticas de alternativas ao uso de agroquímicos entre as esferas de governo municipal, da sociedade civil e comunidade participante, para a melhoria da nutrição e da saúde das populações.

Veja abaixo a programação completa. Para maiores informações entre em contato no (48) 3273-1122.

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Cepagro promove mutirão e revitaliza o horto da Pastoral da Saúde, em Capoeiras

Na tarde da última terça-feira, 16 de outubro, o horto de plantas medicinais da Pastoral da Saúde de Capoeiras ganhou cara nova. O Cepagro, junto com a Pastoral da Saúde, promoveu um mutirão para a revitalização dos canteiros. O espaço já vinha sendo utilizado pela instituição para o cultivo orgânico de plantas medicinais, que são utilizadas para a produção de compostos fitoterápicos, cremes, xaropes e cosméticos para diversas finalidades. Produtos que são comercializados para toda a comunidade a preços sociais.

A atividade, que teve como objetivo fortalecer o trabalho realizado na Pastoral e mobilizar a comunidade, foi mais uma das ações que o Cepagro, através do Projeto Misereor em Rede, vem desenvolvendo em Capoeiras. A primeira delas foi a implementação de um canteiro em espiral com ervas medicinais no Centro de Referência em Assistência Social do bairro. As ações concretizadas até agora já renderam frutos.

Alvira Bossy, psicóloga do CRAS Capoeiras, que também participou do mutirão no horto, elogia a metodologia de trabalhar com as hortas. Para ela, ao redor de um canteiro é possível trabalhar temas como cidadania, convivência comunitária e participação social, que são pilares do trabalho de assistência social. Além disso é um espaço onde se consegue reunir muitos saberes: “em um canteiro de ervas, por exemplo, a gente consegue agregar os saberes dos profissionais que trabalham saúde, que é um saber mais técnico. A gente consegue envolver a Pastoral da Saúde, que tem todo um conhecimento técnico mas também popular. Consegue incluir uma benzedeira para trabalhar a questão das crenças, que aqui na ilha é bastante forte”, conta Alvira.

A aproximação entre o CRAS e a Pastoral da Saúde traz a possibilidade de uso do espaço para atividades de convívio social e sensibilização ambiental. Durante o mutirão, técnicos, assistentes sociais e comunidade debatem a questão dos produtos agroecológicos, compartilham as dúvidas e trocam conhecimentos. O objetivo do Projeto Misereor em Rede é justamente de trabalhar com os consumidores. Erika Sagae, vice-presidenta do Cepagro, conta que a partir desse caminho, atuando nos espaços de produção do alimento, é possível formar e conscientizar os consumidores. E as ações realizadas até agora já mostraram resultado.

A partir de uma demanda da comunidade local, em breve, o CRAS Capoeiras será uma célula de consumo, em conjunto com o Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF), onde produtores agroecológicos da Rede Ecovida vão estar entregando produtos para uma célula de consumidores. Erika reforça que as atividades resultam de um trabalho integrado: a horta, a revitalização no horto da pastoral e a construção de consumidores conscientes.

A atividade no horto contou com o apoio do Hotel SESC Cacupé, na doação do composto orgânico.

Cepagro cultiva parceria com a comunidade Guarani Mbya, em Major Gercino

A cerca de 100 km de Florianópolis, a Aldeia Tekoá V’yá (Aldeia Feliz) é agora mais um ponto de parada do Cepagro. Há pouco mais de três meses, a comunidade Guarani Mbya, de Major Gercino, vem cultivando relações com o Cepagro, a partir de uma apresentação do técnico da Epagri, Remy Simão, que mediou o contato entre o Cacique Artur Benites e Charles Lamb, técnico da equipe do rural do Cepagro.

As lideranças da aldeia já vinham se mostrando interessadas pela produção orgânica e agroecológica ao comparecerem em reuniões com agricultores da região ligados à Rede Ecovida de Agroecologia. Depois de algumas conversas, o Cepagro identificou que a horta coletiva era uma demanda da comunidade e a primeira ação dentro da aldeia resultou em um mutirão para implementá-la.

Seguindo a tradição do calendário agrícola Guarani, a atividade aconteceu no dia 9 de agosto, mês que representa o início para um novo ciclo de plantio das hortaliças, amendoins e, principalmente, do milho. De lá pra cá a horta já serviu para alimentar a comunidade, que conta com 28 famílias e cerca de 120 moradores. O espaço também envolveu atividades da escola com a crianças que, de tempos em tempos, se juntam para cuidar dos canteiros.

Questionado sobre as plantas medicinais cultivadas na horta, o líder espiritual e Cacique Artur Benites conta que “na verdade, toda a verdura que está ali é um remédio para todos os problemas que existem no corpo. Às vezes o problema é nos ossos, às vezes no sangue, no pulmão, coração, visão e para isso tudo a horta serve. Pra quem não sabe, pensa que é só para comer. Mas não, tudo o que é de comer é remédio: pepino, salsa, cebola, alho. Eu tô comendo salada, então estou cada vez mais forte”, conta a liderança que pretende seguir o passo dos avós e passar dos 100 anos de idade.

Além de garantir alimentos para a comunidade, a horta agroecológica já rendeu novas ações. Charles Lamb conta que a partir dela “começou a se construir uma relação de maior integração e identificação de outras demandas que a comunidade tinha, como a participação em feiras para comercializar o artesanato e a melhoria no plantio de grãos”. Em sua rede, o Cepagro conseguiu então sementes de milho crioulo dos próprios agricultores da Rede Ecovida da região, como  Antonio Gilmar Cognacco, de Leoberto Leal, que produziu sementes que serão cultivadas na Tekoá V’yá.

Além do mutirão, houve uma viagem até a Reserva Indígena Coxilha da Cruz, no Rio Grande do Sul, para buscar sementes do milho Avati, variedade tradicional Guarani. E a participação de moradores da comunidade na feira festiva do CCA, na Universidade Federal de Santa Catarina.

A ações realizadas até agora na Aldeia Tekoá V’yá têm tido suporte provenientes do projeto Saberes na Prática em Rede (Inter-American Foundation), e Ministério Público do Trabalho, via TACs (Termo de Ajustamento de Conduta), este último, possibilitará tanto a compra de equipamentos e ferramentas para a lavoura, como a melhoria dos insumos para fortalecer a produção de alimentos para a comunidade. “Essa é uma característica bem interessante da comunidade, que tem como prioridade produzir alimentos agroecológicos, alimentos sem veneno para atender as mais de 100 pessoas que hoje residem na Tekoa V’yá”, conta o técnico Charles Lamb.

Encontro do Núcleo Litoral Catarinense celebra a Agroecologia com participações latino-americanas

“Porque a gente precisa festejar, celebrar, se ver, ser visto. Precisa recarregar as baterias pelo menos uma vez por ano”. Perguntada sobre o que faz valer a pena construir o Encontro do Núcleo Litoral anualmente, a agricultora Tânea Mara Follmann, de Águas Mornas, ressalta o diferencial festivo e de trocas do evento: “Quando você estiver na sua propriedade e der um desânimo, você vai lembrar da turma no Encontro e vai achar força e alegria pra continuar. O encontro é isso: trocas, vivências e compartilhar de força pra gente seguir em Rede. É o retrato da Rede Ecovida”. Como parte da coordenação do Núcleo Litoral Catarinense, Tânea participa de pelo menos 20 reuniões da Rede por ano. Junto com as visitas de verificação e o manejo de toda a documentação das 73 famílias e mais 10 agroindústrias certificadas no Núcleo, não são poucos os compromissos relacionados ao Sistema Participativo de Garantia que ela assume. O Encontro do Núcleo Litoral é um respiro festivo em meio a tantas agendas de trabalho.

Realizado nos dias 22 e 23 de setembro na Comunidade Fazenda de Dentro, em Biguaçu, o Encontro deste ano foi encabeçado pelo Grupo Flor do Fruto, que reúne agricultores/as deste município e também de Santo Amaro da Imperatriz. “Fiquei com medo quando era dar o pontapé inicial e dizer que a gente faria. Mas, depois a gente vê como é gratificante, pois é uma troca de conhecimento empírico. Ver as pessoas interagindo, com tanta alegria, é muito gratificante”, conta o agricultor Pedro Luis Nau, do Grupo Flor do Fruto. Cerca de 130 pessoas participaram do Encontro neste ano, que teve convidados/as muito especiais: além do grupo de consumidores/as do projeto Misereor em Rede, vieram também representantes de 17 organizações brasileiras e latino-americanas que participavam da Vivência em SPG promovida pelo Cepagro naqueles dias. A diferença de idioma não foi um problema, frente à receptividade e acolhimento da turma do Núcleo.

Dois participantes da Vivência integraram a mesa de abertura do Encontro, junto com a agricultora Catarina Gelsleuchter, de Angelina: Romeu Leite, do Fórum Brasileiro de SPGs e Rosa Murillo Naranjo, do Movimento de Economia Social e Solidária do Equador (MESSE).Catarina Gelsleuchter: “No Sistema Participativo a gente se enxerga”, afirma a agricultora, ressaltando o caráter de envolvimento humano do SPGRomeu Leite, do Fórum Brasileiro de SPG: “O que o governo não entendeu é que a certificação participativa é mais do que só certificação. É gente visitando gente, o mais experiente acolhendo o menos experiente. O processo que a gente chama de SPG é muito mais rico do que o certificado”.

Rosa Murillo Naranjo, do MESSE (Equador), falou sobre o hiato entre a legislação de certificação de orgânicos e as práticas dos grupos de agroecologia no seu país. Também abordou a luta e as atividades de incidência política do MESSE pela conservação de sementes crioulas e contra os transgênicos.

O Encontro começou, entretanto, com a apresentação dos grupos da Rede.

Após uma animada noite cultural no sábado, durante o domingo foram realizadas as oficinas.

Boas Práticas de Pós-Colheita, com a agricultora Rosa Silva Tomás, de Paulo Lopes

 

 

 

 

 

Criação de galinhas soltas, com Romeu Leite

Plantas Medicinais, com Lourdes Lopes Souza
Jardim das brincadeiras, com Henrique Martini Romano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minhocários, com Igor

Através de um grande esforço logístico do Grupo anfitrião e da generosidade dos/as agricultores/as do Núcleo, grande parte da alimentação oferecida no Encontro foi agroecológica.

A tradicional Feira de Saberes e Sabores ganhou novos aromas e sabores, com a participação da Alternativa a Pequena Agricultura do Tocantins (APA-TO) e da Associação Outro Olhar, de Guarapuava (PR), que integravam a Vivência em SPG. João Palmeira, da APA-TO, trouxe o COCO BABAÇU e seus subprodutos, gerando interesse e curiosidade em muita gente. Enquanto Sandra Konig, da Outro Olhar, apresentou óleos essenciais produzidos em aldeias guarani do Paraná.

No encerramento do Encontro, Tânea trouxe alguns encaminhamentos para o Núcleo. Em novembro haverá uma visita ao Centro de Referência em Agroecologia do Paraná, com 2 representantes de cada grupo. Além disso, haverá capacitações sobre preenchimento da documentação até final de outubro. E, o mais esperado: a escolha do próximo grupo que receberá o Encontro do ano que vem. Com bastante espontaneidade, o Grupo de Agroecologia Costa Esmeralda (GACE), que reúne famílias de Porto Belo, Itapema e Tijucas, se dispôs a receber o Encontro do Núcleo 2019. Já estamos a espera!

Veja abaixo mais algumas fotos do Encontro:

Vivência em SPGs reúne organizações latino-americanas em Florianópolis

Confiança. Considerada um dos princípios fundamentais dos Sistemas Participativos de Garantia, a confiança foi mencionada diversas vezes durante a Vivência em Sistemas Participativos de Garantia (SPGs) que o Cepagro promoveu de 21 a 26 de setembro em Florianópolis, com apoio da Inter-American Foundation. Participaram 17 organizações de 5 estados brasileiros (BA, SP, PR, RS, MG) e oito países latino-americanos (Bolívia, Colômbia, El Salvador, Equador, Guatemala, México, Paraguay e Peru) todas apoiados pela IAF. Com uma programação dinâmica e variada, a Vivência teve o objetivo de compartilhar experiências diversas em certificação participativa e SPG, estimulando a troca de conhecimentos sobre estratégias de produção, articulação de famílias e comercialização no âmbito da Agroecologia.

Basicamente, os SPGs partem do princípio que os/as próprios/as agricultores/as, organizados/as em grupos, podem realizar a certificação de sua produção para garantir sua qualidade orgânica. O Brasil é referência na construção de SPGs e na sua regulamentação, cujo marco é a Lei 10.831, de 2003, que equipara os SPGs às certificações por auditoria. Neste sentido, a Rede Ecovida teve atuação fundamental nesta construção. A caminhada para a consolidação de um SPG, contudo, passa por diversos estágios: da pesquisa sobre as possibilidades ao reconhecimento na legislação, passando pela organização de grupos de agricultores/as. As organizações participantes da Vivência encontram-se em distintos estágios deste caminho, e aí residiu a riqueza do intercâmbio. Reconhecer-se nesta caminhada foi uma das primeiras atividades da Vivência.

No caso de organizações como APA-TO (Tocantins) e IPHAE (Bolívia), que ainda estão levantando informações sobre SPGs, uma das questões a serem regulamentadas é quanto à certificação de alimentos oriundos do extrativismo, como o babaçu, o açaí e o cupuaçu, foco dos grupos com elas trabalham. Outras, como a SERRACIMA (SP) e o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM – MG), discutem se serão só uma organização de apoio à certificação ou se já se formalizam como uma OPAC (Organismo Participativa de Avaliação da Conformidade). Já o Movimento da Economia Social e Solidária do Ecuador (MESSE), não aceitou a forma como o governo local tentou impor a regulamentação do SPG e decidiram manter a certificação por eles mesmos, no contato direto e confiança entre agricultores/as e consumidores/as: “Não nos interessa que o Estado nos reconheça”, afirma Rosa Murillo Naranjo,  do MESSE. CETAP e CEPAGRO, como participantes da Rede Ecovida, já integram um SPG consolidado, que inclusive serviu de inspiração para Paraguay e México implementarem seus próprios sistemas. No México, contudo, ainda não há legislação específica para certificação participativa.

Para as organizações que ainda estão construindo um SPG, os desafios são múltiplos: dificuldade para certificar alimentos do extrativismo, falta de legislação específica ou que não contempla suas realidades locais, comercialização. No caso dos SPGs já consolidados, como o da Rede Ecovida, “o desafio é trabalhar a Agroecologia para além do SPG”, como disse Albenir Concolatto, representante do CETAP (RS) na Vivência. No caso da Rede Povos da Mata, da Bahia, os obstáculos são: obter recursos para manter equipe técnica e as grandes distâncias entre diferentes biomas das propriedades certificadas, contou Sidilon Mendes.

Feito esse diagnóstico no primeiro dia sobre o desenvolvimento e desafios dos SPGs, a turma partiu no sábado e domingo (22 e 23 de setembro) para conhecer duas feiras agroecológicas: a do Campeche, abastecida pelo agricultor Gilmar Cognacco; e a VIVA CIDADE, no Centro, com agricultores/as do Grupo Flor do Fruto, de Biguaçu.

Após um almoço no Mercado Público de Florianópolis, a turma seguiu para o 12º Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia. Realizado na comunidade Fazenda de Dentro, em Biguaçu, o Encontro reuniu cerca de 150 pessoas, com ricas trocas de experiências, saberes e sementes. Dois participantes da Vivência – Romeu Leite, do Fórum Brasileiro de SPG, e Rosa Murillo Naranjo, do MESSE – compartilharam a mesa de abertura do Encontro com a agricultora Catarina Francisco Gelsleuchter.

Na sequência do Encontro, os/as participantes da Vivência conversaram com a professora Hanna Wittman sobre a pesquisa de Indicadores em Agroecologia. A atividade teve o intuito de sensibilizar e fazer um levantamento junto às organizações sobre que tipos de dados já vêm sendo pesquisados por elas com seus grupos de ação e quais tipos de indicadores – Econômicos, Sociais e Ambientais – elas consideram mais importantes.

Na segunda-feira, 24 de setembro, a programação continuou no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, com destaque para o debate Certificação Orgânica Participativa: conexões latino-americanas, com a participação de Virgínia Lira, coordenadora de Agroecologia do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Laércio Meirelles, do Fórum Latino-americano de SPG e Romeu Leite, coordenador do Fórum Brasileiro de SPG, além de representantes dos SPGs Tijtoca Nemiliztli (México); Paraguay Orgânico e Rede Ecovida de Agroecologia. Veja a matéria sobre o evento aqui.

Ainda buscando conhecer experiências agroecológicas, na terça-feira, 25 de setembro, o grupo visitou duas propriedades no bairro Ratones, um dos que mais mesclam o urbano ao rural na Ilha de Santa Catarina. O Sítio Flor de Ouro e o Espaço Pergalê.

No Flor de Ouro, o destaque foi o sistema agroflorestal implementado ali, suas técnicas de manejo e a convivência com as abelhas nativas sem ferrão. Além disso, o Flor de Ouro é um exemplo de comercialização de alimentos agroecológicos em conexão direta com os/as consumidores/as. Eles entregam cestas agroecológicas no esquema CSA – Comunidade que Sustenta a Agricultura e abriram mão da certificação. De acordo com o agricultor Daniel Cavalari, que trabalha no sítio, a confiança dos/as consumidores/as é tanta que não sentiram mais a necessidade de ter a certificação. Além disso, quem quiser pode visitar o sítio para verificar a qualidade orgânica dos alimentos. As cestas levam de 13 a 15 itens e custam R$ 55.

O CSA continuou na pauta de discussões do grupo durante a visita ao Espaço Pergalê, da agricultora e chef de cozinha Sônia Jendiroba. Margareth McQuade, representante do CSA Campeche, conversou com a turma da Vivência sobre os princípios e funcionamento dessa lógica de comercialização em que, ao invés de “consumidores/as” existem “co-agricultores/as”. “O CSA me encantou pela sua filosofia: os agricultores fazem o que gostam e nós apoiamos eles”, contou Margareth. Isso porque o CSA funciona numa lógica de planilha aberta, em que todos os custos de produção e logística dos alimentos são compartilhados entre agricultores/as e co-agricultores/as. Como observou João Palmeira, da APA-TO, é ir da “cultura do preço para a do apreço”.

A proprietária do espaço Pergalê, Sônia Jendiroba, também comercializa cestas agroecológicas com legumes e verduras que ela cultiva em seu sítio. Sônia, entretanto, faz questão de manter a certificação pela Rede Ecovida e inclusive enviar periodicamente via whatsapp seu certificado para quem compra dela. A turma da vivência pode conhecer ali sua horta agroecológica com cerca de meio hectare e até ajudou um pouco na capina.

Na despedida do grupo, no dia 26 de setembro, foram recuperados os pontos que mais lhes chamou a atenão. A relação entre agricultores/as e consumidores/as foi um deles. “Apesar de ser um intercâmbio de SPG, vimos experiências também de produção, comercialização e participamos do Encontro do Núcleo da Rede Ecovida, nos sentimos muito acolhidos”, observa Clara Esther Martínez, da organização colombiana CORAMBIENTE. Sandra Konig, da Associação Outro Olhar, de Guarapuava (PR), disse que “saiu convencida que o SPG vai muito além da certificação, e que sempre precisa estar de acordo com diferentes contextos, especialmente considerando povos originários”. Na bagagem de volta à casa, além de muitas experiências e aprendizados, os/as participantes certamente levam saudades da praia do Campeche, que estava a poucos minutos de caminhada da pousada onde foi realizado o evento, a Tulipane.

Mais de 50 pessoas, entre colaboradores/as diretos e indiretos, estiveram envolvidos/as na organização da Vivência, entre equipe técnica do Cepagro e da Pousada, agricultores/as que forneceram os alimentos agroecológicos para as refeições e tradutores/as.

 

 

 

 

 

 

 

Comer é um ato político: entidades apresentam carta-compromisso sobre Alimentação para candidatos à eleição 2018

Na última quinta-feira, 27 de setembro, iniciativas pela Segurança Alimentar e Nutricional, Alimentação Saudável e Adequada e contra os agrotóxicos se uniram em Florianópolis para apresentar cartas-compromisso aos candidatos à eleição de 2018, durante o ato Candidato, o que tem no seu prato?, realizado no SindSaúde, no Centro da capital. Quatorze candidatos a deputado federal e estadual e um candidato a governador assinaram a carta durante o ato, que teve a presença de mais uma candidata a deputada estadual e de assessores políticos também. A engenheira agrônoma Gisa Garcia Barreto, da equipe Cepagro, representou nossa organização e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável no evento.

Além da mesa de abertura com representantes das entidades presentes, a programação contou com um espaço para os candidatos que se comprometem com a Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional e o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável apresentarem e debaterem suas propostas, que vão da agricultura familiar e agroecologia à nutrição, saúde e gastronomia. Quatro documentos foram elaborados para cobrar dos candidatos um comprometimento com as temáticas, que segundo as entidades deveriam estar na centralidade das plataformas eleitorais, mas não estão. Apenas três planos de governo à presidência da república mencionam os temas e segundo os realizadores os mesmos “são abordados de modo pouco qualificado, não acompanhando o aprofundamento do debate gerado no Brasil nas últimas décadas pelos movimentos sociais e conselhos, à exemplo do Consea, Aliança e frentes contra os impactos dos agrotóxicos”, comenta Gabriella Pieroni, do Movimento Slow Food Brasil.

Candidato, o que tem no seu prato_-2

“O Brasil é considerado um exemplo em várias ações e políticas públicas na área da alimentação e da nutrição mas ainda temos muito o que avançar, principalmente no campo de legislativo e regulatório. Precisamos urgentemente assumir leis e resoluções que já são realidade em outros países como a taxação de bebidas açucaradas e a proibição de venda destas bebidas em escolas além da melhoria das informações nos rótulos dos alimentos ultraprocessados” frisa Ana Ana Carolina Feldenheimer, membro do Comitê Gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

No contexto específico de Santa Catarina, o Consea-SC defende prioridade à agenda em defesa da soberania e segurança alimentar dos povos através da garantia de condições para implementação do Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, elaborado de forma participativa. Já o Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos, composto por 93 entidades, propõe ações de redução ao uso dos agrotóxicos e estímulo à Agroecologia nos níveis municipal, estadual e federal.

Em escala nacional, a Aliança  elencou dez pontos que vão da amamentação e alimentação escolar a medidas fiscais e regulação da publicidade, para que haja um monitoramento do estado e sociedade das ações nocivas a saúde. A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida também cobra dos governos uma reação ao incentivo dado ao veneno pelo estado alertando sobre seus males.

A iniciativa foi do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina (Consea-SC), Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, Slow Food Brasil e Fórum Catarinense de Combate ao Impacto dos Agrotóxicos e Transgênicos e conta com o apoio do Instituto de Defesa do Consumidor – IDEC, Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo e Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE).

CANDIDATOS QUE ASSINARAM AS CARTAS:
Afrânio Boppré – PSOL – candidato a Deputado Federal
Cleusa Correa Lima – PSL – candidata a Deputada Estadual
Décio Lima – PT – candidato a Governador
Edileuza Fortuna – PSOL – candidata a Deputada Estadual
Elson Pereira – PSOL – candidata a Deputado Estadual
Eunice Antunes Kerexu – PSOL – candidata a Deputada Federal
João de Deus Medeiros – REDE – candidato a Deputado Federal
Marcos José de Abreu – Marquito – PSOL – candidato a Deputado Estadual
Padre Pedro – PT – candidato a deputado estadual
Dirceu Dresch – PT – candidato a deputado Federal
Adriano de Martini – Adrianinho – PT – candidato a deputado estadual

E estavam presentes:
Jana Marla dos Santos Alves – PSL – candidata a Deputada Estadual
Fernando Coelho Correa – assessor do candidato a deputado estadual Cesar Valduga
Rui da Luz – assessor do candidato a deputado federal Pedro Uczai

*com informações da Aliança pela Alimentação Saudável e Adequada e Slow Food Brasil

 

Rede Semear fortalece articulação da Agricultura Urbana em Florianópolis

Seguindo a proposta que surgiu ao longo deste ano, a Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana realizou mais uma reunião itinerante junto a um coletivo de agricultura urbana de Florianópolis. Na última quinta-feira, 27 de setembro, a reunião aconteceu na Comcap de Canasvieiras, onde há três meses o grupo Quinta das Plantas se reúne semanalmente “para trocar saberes sobre qualidade de vida”, nas palavras de Edna Antunes, coordenadora do grupo.

Edna conta que o Quinta das Plantas já existe há sete anos e nasceu como um grupo de estudos sobre plantas medicinais. “Com o passar do tempo a gente foi percebendo que não é possível tratar de plantas medicinais sem tratar de alimento puro, alimento bom, que por sua vez nos leva a agroecologia e nos joga na agricultura urbana. Esse link que uma coisa vai trazendo para outra já deu ao Quinta das Plantas uma característica de um grupo de estudos de qualidade de vida”, explica.

Conforme as agricultoras urbanas chegavam, o centro da roda ia ficando mais colorido. Como de costume, as integrantes do Quinta das Planta são convidadas a trazer mudas, sementes ou colheitas para trocar informações, dúvidas e descobertas.

Após apresentar a Rede Semear para o coletivo, Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro, falou sobre o Encontro da Rede que acontecerá em novembro, e convidou o grupo para participar da programação, que ainda está sendo construída, com uma oficina e participação em uma das mesas de debate. Sem hesitar, o grupo aceitou a proposta com unanimidade e se propôs a preparar uma oficina sobre produção de mudas de plantas medicinais.

Edna Antunes se mostra contente com essa relação que se cria nos espaços de agricultura urbana  “não é simplesmente pegar um terreno baldio e plantar, mas é o quê, porquê, como e com quem vamos plantar. É um despertar de autonomia e um exercício de cidadania”.

Depois de se reunir na Horta Orgânica do CCA (HOCCA) e na Horta Comunitária do PACUCA, no Campeche, Erika conta que a proposta da Rede com as reuniões itinerantes é justamente a de promover cidadania: “a ideia é que as pessoas possam entender a importância de estar presente na Rede Semear e de participar das reuniões para que a gente possa estar identificando quais são as demandas dos grupos e ir pautando a política pública, fazendo esse papel que é o da sociedade civil e do cidadão, que é também um agricultor urbano, de exigir aquilo que é demanda. É nesses espaços de construção coletiva que a gente consegue também juntos buscar soluções”, conta.

Laços foram criados e o encontro seguiu como de costume, trocando informações sobre plantas e alimentos. No centro da roda apareceu uma batata diferente que algumas viam pela primeira vez. No fim, quem não sabia sequer que alimento era aquele, saiu conhecendo o cará aéreo e sabendo até mesmo qual a melhor forma de plantar, preparar e quais suas propriedades nutricionais. Para Edna Antunes, “a agricultura urbana é um movimento muito interessante para resgatar esses alimentos não convencionais, para que a gente comece a reaprender a se alimentar, reaprender a plantar a ter uma relação de independência, exercitar a liberdade de escolha. Esse exercício de liberdade eu acho que é a alma da agricultura urbana”.

Depois da conversa, o grupo seguiu para a horta para preparar novas mudas, regar os canteiros e cuidar da produção que cresce firme, forte, diversificada e livre de agrotóxicos. Giselene Bornhause, moradora do Rio Vermelho, apesar do pouco espaço, tem sua horta em casa. Foi no Quinta das Plantas que ela conheceu a ideia de horta agroecológica “são várias mudas e plantas diferentes e elas vão se ajudando, acho muito legal isso, essa ideia de plantar várias coisas juntas”. A tarde terminou com um café coletivo com receitas e alguns alimentos cultivados ali mesmo.

Ao final, todos foram convidados a participar do curso de Introdução à Agrofloresta e Oficina de Implantação de Canteiros Agroflorestais, que acontecerá na próxima quinta-feira, 4 de outubro, das 8h às 17h na Comcap de Canasvieiras. O curso será dividido entre teoria e prática e tem o custo de inscrição no valor de R$50,00. Também existe a opção de inscrição social por R$30,00, e quem não tiver condições pode conversar com a organização, a ideia é que todos possam participar. Os interessados podem entrar em contato com Philipe pelo número  (47) 9 9609-5818. O almoço não está incluso, fica por responsabilidade de cada um e ao final haverá um café coletivo onde cada participante é convidado a trazer um alimento para compartilhar.