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Rede de Compostagem encerra ciclo de formações e fortalece práticas pedagógicas em agricultura urbana

“A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. As pessoas transformam o mundo”. A frase de Paulo Freire resume bem o que foi a Formação Livre de Compostagem e Agricultura Urbana para Educadores/as, realizada no último final de semana, 13 e 14 de julho, na comunidade Chico Mendes. A atividade aconteceu na sede da Revolução dos Baldinhos e foi facilitada pelo trio de educadores populares Júlio Maestri, do Cepagro, Karolina Karla, da Comunidade Chico Mendes e Cíntia da Cruz, da Revolução dos Baldinhos.

A atividade foi mais uma ação da Rede Municipal de Gestão Comunitária dos Resíduos e Agricultura Urbana de Florianópolis e encerrou um ciclo de seis formações que tiveram a gerência do Instituto Çarakura em parceria com a Revolução dos Baldinhos e mandato agroecológico do vereador Marcos José de Abreu (Marquito). O objetivo dessa última formação foi gerar forças coletivas para práticas pedagógicas envolvendo compostagem e agricultura urbana. Além de educadores/as, também participaram lideranças comunitárias, estudantes e agricultores/as urbanos/as. 

O primeiro dia de atividades começou com uma apresentação da Revolução dos Baldinhos e em seguida o grupo pôde conhecer o pátio de compostagem da comunidade, que recebe em média 8 toneladas de resíduos por mês. Ali, Karol e Cíntia mostraram a estrutura e a manutenção das leiras. “O problema é tão sério e a receita é tão simples”, resume Cíntia. A agente comunitária falou sobre como a gestão dos resíduos pode ser usada para falar sobre outros temas, como as políticas públicas que nem sempre chegam em determinadas comunidades.

Em seguida, os participantes retornaram para a sede da Revolução, onde Júlio Maestri falou sobre a metodologia do Cepagro no trabalho com hortas pedagógicas, que alia o calendário agrícola com o calendário escolar abordando três temas centrais: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. A metodologia do Cepagro vem sendo desenvolvida há quase 10 anos. Entre 2010 e 2013, com o Programa Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia, o Cepagro chegou a trabalhar em 83 escola da rede municipal de Florianópolis. 

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

Além de apresentar as diversas possibilidades e metodologias unindo a horta e a compostagem no ambiente escolar, Júlio trouxe também um panorama do lixo em Florianópolis. Segundo dados da Comcap/Prefeitura Municipal, Florianópolis gera uma média de 17,5 mil toneladas de resíduos por mês.  Transportar esse montante até o aterro em Biguaçu custa cerca de R$ 150 reais por tonelada, ou seja, mais de R$ 2 milhões por mês. O Ministério do Meio Ambiente afirma que os resíduos orgânicos representam metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil. Portanto, se todo o resíduo orgânico da capital catarinense fosse tratado localmente, a economia seria próxima a R$ 1 milhão por mês.

A tarde, o vereador Marcos José de Abreu (Marquito) fez uma fala sobre a Rede Municipal de Gestão Comunitária dos Resíduos e Agricultura Urbana de Florianópolis, que nasceu de forma coletiva a partir de uma indicação do seu mandato para Edital de Subvenção Social da Prefeitura de Florianópolis. Sob a gerência do Instituto Çarakura, em parceria com a Revolução dos Baldinhos, as formações livres da Rede contemplaram lideranças comunitárias das comunidades do Morro do Mocotó, Morro do Quilombo, Morro da Mariquinha e Morro da Queimada, além de uma formação na Moradia Estudantil da UFSC. 

“A gente avalia a atuação da Rede como super positiva”, disse Marquito e lembrou que no conjunto de ações da Rede foi aprovada a Lei da Compostagem em Florianópolis, que dispõe sobre a obrigatoriedade da reciclagem de resíduos sólidos orgânicos no município. O primeiro dia de formação terminou com o percurso sensorial, uma atividade do Slow Food Mata Atlântica que estimula a despadronização do paladar. Através dos sentidos, os participantes puderam conhecer diferentes sabores e texturas de uma diversidade imensa de alimentos.

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

No domingo, a formação começou com uma atividade em teia, que teve como finalidade mostrar o poder de interdisciplinaridade da horta pedagógica. Com essa dinâmica, Júlio Maestri demonstrou como a horta é um espaço de convergência  de saberes. Ele defende que a educação escolar deve se aproximar mais da realidade das comunidades e conta que no caso da Revolução a escola teve um papel fundamental na sensibilização das famílias.

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

Em seguida, o coletivo seguiu para a Escola América Dutra Machado onde foi realizada uma prática de plantio em canteiro elevado com técnicas compartilhadas pelos próprios participantes, como a adubação verde e a relação entre espécies. Durante a tarde, a agente comunitária Karol deu uma oficina de mini composteira. 

Por fim, a formação terminou com um momento de planejamento comunitário. Como o público não era somente de professores/as, os participantes se dividiram em grupos e coletivamente decidiram fazer um plano de educação ambiental para uma escola e para três comunidades de Florianópolis. Aurora Liuzzi, do Instituto Çarakura, conta que as formações sempre têm esse momento de planejamento, onde os participantes pensam a técnica de compostagem pode ser integrada da melhor forma no cotidiano daquela realidade.

As formações que vêm sendo realizadas pela Rede desde janeiro resultaram na implantação da gestão comunitária dos resíduos em três lugares: na Moradia Estudantil, no Morro do Quilombo e no Morro do Mocotó, cada uma com um método diferente. 

“No Mocotó a gente viu a galera se colocando mesmo pra mudar sua realidade diante da necessidade”, contou Cíntia. Lá, a identificação com o projeto foi grande e a formação envolveu 80 pessoas. Além de uma horta na creche, a atividade resultou na implantação de duas leiras de compostagem que vêm recebendo os resíduos orgânicos da creche da comunidade. Paulo Rogério Gomes Antunes, morador do Mocotó, conta que a gestão comunitária de resíduos serve para “mudar a realidade e reeducar as crianças da comunidade. Tirar essa imagem do crime e da rua que a comunidade tem”.

Mas apesar da vontade dos moradores, algumas questões dificultam o processo. Segundo Cíntia, a dificuldade maior hoje é a falta de apoio, principalmente com material estruturante, como a poda e serragem, porque nem sempre o poder público dá o apoio necessário.

E o projeto das Formações Livres tem o intuito de englobar essas questões também, conta Aurora Liuzzi: “tem a parte técnica da compostagem que dá um destino para o resíduo orgânico. Mas tem o porta a porta nas famílias e toda essa sensibilização também que dá resultados que saem só do ambiental e entram no âmbito social. Que é você chegar numa família para falar do resíduo e se deparar com uma situação social ali acontecendo e ter que dar conta disso também, se colocar à disposição”. 

Karol e Cíntia viveram isso ao longo dos 10 anos de Revolução dos Baldinhos, fazendo mobilização e sensibilização diariamente na comunidade Chico Mendes. “A gente acredita que outro ser pode transformar a realidade dele assim como a gente está transformando a nossa. A gente vai se comunicando e trazendo essa interação comunitária, trazendo essa certeza de que o poder está na mão do povo e somos dignos de transformar cada um a sua realidade”, disse Cinta da Cruz. 

Cepagro e Revolução dos Baldinhos reaplicam Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos

Desde o último domingo, 10 de fevereiro, mais 160 famílias do programa Minha Casa, Minha Vida passaram a ter um espaço correto para a destinação dos seus resíduos orgânicos. De 8 a 10 de fevereiro, o Engenheiro Agrônomo do Cepagro, Júlio Maestri e a agente comunitária da Revolução dos Baldinhos, Cíntia Aldaci da Cruz estiveram em Sorocaba para a reaplicação da Tecnologia Social em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no Conjunto Habitacional Carandá, um dos maiores empreendimentos do programa de habitação, com mais de 2.500 apartamentos. 

O Carandá está dividido em condomínios de 160 apartamentos cada. A atividade de formação e implantação das composteiras durou três dias e foi realizada no Condomínio Buriti, como um projeto piloto. Além de moradores, participaram da formação representantes do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), lideranças locais, agentes de saúde e representantes de outros condomínios do Carandá.

ideia é que o Projeto Vidas: compostagem para um mundo melhor, Carandá e Altos do Ipanema seja estendido aos demais moradores do conjunto, englobando também o Residencial Altos do Ipanema, que se encontra próximo ao Carandá.

A ação iniciou na sexta-feira,  quando o Júlio e a Cíntia fizeram a apresentação da Tecnologia Social e explicaram o passo-a-passo do processo de compostagem com a composteira televisão. No sábado, os moradores puderam confeccionar suas próprias composteiras, feitas de caixas d’água e decoradas com a ajuda das crianças.

Com as composteiras implantadas, era hora de planejar a gestão comunitária e, no domingo, os moradores e lideranças locais definiram a logística das atividades que deverão ser realizadas no pátio de compostagem. No início, 50 famílias ficarão responsáveis pela gestão e por sensibilizar mais moradores a separarem os resíduos orgânicos.

Cíntia Adalci da Cruz viu um potencial enorme na comunidade local, principalmente nas mulheres, que compareceram em peso na formação. Algumas das famílias, inclusive, já se mobilizam fazendo a triagem dos materiais recicláveis e o dinheiro da venda retorna para a comunidade: “Elas ajudaram o time de futebol com uniformes, roupas, compraram materiais de música, como tambor e violino. Então eles já têm uma organização bem legal no local. É um potencial enorme daquelas mulheres”, conta Cíntia.

É a segunda vez que a agente comunitária realiza uma formação e conta que foi realizador ver pessoas depressivas que nunca tinham saído do seu condomínio comparecendo em todos os dias de formação e participando ativamente. “Eu me senti fazendo o meu papel mesmo. Ser uma recrutadora popular e poder contribuir com outras comunidades no desenvolvimento social, econômico e pensando mesmo nessa prática para o futuro”, disse.

A ação é uma parceria entre o Cepagro, Revolução dos Baldinhos, projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (MUTS), da Fundação Banco do Brasil, Rede Interação, Mater Dei e Prefeitura de Sorocaba. E a parceria promete ainda novas frentes: na segunda-feira, Cepagro e Revolução dos Baldinhos estiveram reunidos na Secretaria de Habitação, com representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria de Água e Esgoto a fim de discutir a possibilidade de aliar a gestão dos resíduos secos, que já vem sendo feita por cerca de 50 famílias, e gestão dos resíduos orgânicos. A ideia é tornar o Conjunto Habitacional Carandá uma referência na gestão integrada de resíduos.

Cepagro e Revolução dos Baldinhos levam a Gestão de Resíduos Orgânicos para Foz do Iguaçu (PR)


E a Revolução dos Baldinhos segue inspirando práticas de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana pelo Brasil. No último final de semana (6 a 9 de julho), foi a vez do Conjunto Habitacional Grande Lago, em Foz do Iguaçu (PR), receber a capacitação em compostagem e montar suas leiras e canteiros de horta, com a assessoria de agente comunitária Cíntia Aldaci da Cruz, da Revolução dos Baldinhos, e o agrônomo Júlio César Maestri, da equipe de Agricultura Urbana do Cepagro. A reaplicação faz parte do projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social, que conta com apoio da Fundação Banco do Brasil para disseminar Tecnologias Sociais em empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. 

Nesta etapa, “foram mobilizadas 50 famílias, que receberam baldinhos para coletar seus resíduos e participaram da dinâmica de escolher o desenho do pátio, onde ficariam as hortas e o desenho delas”, explica Júlio Maestri.  A coleta, compostagem e manutenção das leiras e hortas ficou sob responsabilidade de um grupo de 15 moradoras/es – na sua maioria, mulheres e jovens.  Assim como na Revolução dos Baldinhos, no Grande Lago a liderança também é feminina, com a presidente da Associação de Moradores, Nina Nassif, participando ativamente em todo o processo. “Achei muito interessante de ver o empoderamento feminino ali, já que a maioria do grupo é composto por mulheres. Vi muito potencial com elas, a agricultura urbana já está bem presente ali”, avalia Cíntia Cruz.

As atividades começaram na 6ª feira (6 de julho), com a escolha do modelo tradicional de leira do método UFSC para fazer a compostagem pelas famílias, que elaboraram também o seu próprio projeto de pátio, sempre com a assessoria de Cíntia e Júlio. No sábado, foi feito o mutirão para implantar a horta e o pátio, que saiu com um belo diferencial: o caminho das flores, feito de caixotes plantados com cravinhos, espécie que é ótima para controlar insetos nas hortas. No domingo, Cíntia e as lideranças comunitárias locais fizeram a rodada de sensibilização. “Fizemos a sensibilização porta a porta, conscientizamos 3 grandes geradores, fechamos com 50 famílias, que foram bem receptivas, muito carinhosas”, conta Cíntia.

Inicialmente, foram implantadas 2 leiras de compostagem para reciclar cerca de 3 toneladas de resíduos orgânicos das 50 famílias iniciais por mês. Deste volume, espera-se produzir 600 kg de composto mensalmente. “Serão 300kg pra doação entre moradoras/es e outros 300 kg pra venda, resultando em 150 pacotes de 2kg. Se considerarmos o preço de venda que a Revolução dos Baldinhos pratica (R$ 10), seria uma renda mensal de R$ 1.500 para dividir entre as 50 famílias”, explica Júlio Maestri. Além disso, a compostagem geraria cerca de 180 litros de biofertilizante líquido, sendo metade para doação e outra metade para venda, podendo chegar a um total de R$ 900 de receita. “Estima-se então uma geração de renda de R$ 2.400 para as 50 famílias”, completa. Se a Tecnologia Social fosse expandida para o total das famílias do empreendimento – 296, ou cerca de 1184 pessoas – Júlio e Cíntia calculam que resultaria numa renda de R$ 13 mil para o coletivo.

Mais além da geração de renda, Cíntia percebe que a Tecnologia Social pode elevar a autoestima da comunidade, como aconteceu na Chico Mendes: “Elas têm um potencial muito grande, mesmo considerando que elas sofrem preconceito pelo local onde se encontram, que é bem retirado. Mas a Revolução Grande Lago vai ajudar nesse processo”, avalia a agente comunitária.

Para que a iniciativa tenha sucesso, as parcerias  são fundamentais. Por isso, na 2ª feira (9 de julho), Cíntia e Júlio, juntamente com Nina Nassif, da Associação de Moradores do Residencial, estiveram reunidos com representantes da Prefeitura e da empresa local de coleta de resíduos, além da parceira local QI COMEX. “O presidente da empresa de coleta de resíduos se prontificou para disponibilizar grama cortada pra ajudar no processo”, afirma Júlio. Também participaram dessas reuniões as lideranças do conjunto habitacional, o presidente da Rede Interação, Altemir Almeida e do projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social – que articulam a reaplicação das TS em empreendimentos Minha Casa, Minha Vida. “Todos  demonstraram empenho e se colocaram para ajudar”, conta Cíntia.

 

 

 

Cepagro e Revolução dos Baldinhos são parceiros da Prefeitura de Florianópolis em projeto de compostagem

Ana Karolina da Conceição, coordenadora comunitária da Revoluução dos Baldinhos, durante lançamento do projeto apoiado pelo MMA.

Na última sexta-feira, 8 de junho, foi lançado no Jardim Botânico o Projeto Ampliação e Fortalecimento da Valorização de Resíduos Orgânicos de Florianópolis, que ficou em 2º lugar dentre 12 cidades selecionadas pelo Ministério do Meio Ambiente no edital para projetos de compostagem de resíduos orgânicos urbanos. O Cepagro participou ativamente da construção do projeto e esteve presente na solenidade, junto com a Revolução dos Baldinhos e a Horta Comunitária do PACUCA. Marcaram presença também o Prefeito de Florianópolis, representantes da COMCAP, FLORAM, Secretarias de Saúde, Educação e Infraestrutura e SESC/SC. O agrônomo Antônio Storel Júnior, que foi coordenador de resíduos orgânicos da Amlurb (São Paulo) à época da implantação do Pátio de Compostagem do Programa Feira Livre Sustentável, que conta com assessoria técnica do Cepagro desde sua implantação, também fez uma fala durante o evento.

De acordo com Flávia Vieira Guimarães Orofino, engenheira sanitarista da COMCAP e coordenadora do projeto, o objetivo da iniciativa – que tem um orçamento total de cerca de R$ 967 mil e duração prevista de 2 anos – é desviar resíduos orgânicos do aterro sanitário, através da distribuição de composteiras domésticas, coleta porta-a-porta em bairros piloto (Monte Verde e Itacorubi), além do apoio a grupos comunitários (Revolução dos Baldinhos e PACUCA) e a a instalação de outros 5 pátios de compostagem institucional, a cargo da COMCAP e FLORAM. “Com os grupos comunitários, o desafio é a sustentabilidade financeira”, explica Flávia Orofino. “Por isso iremos fazer um estudo em parceria com a Revolução dos Baldinho para verificar a viabilidade de remunerá-los a partir do Pagamento por Serviços Ambientais Urbanos (PSAU). Ao final do projeto, esperamos colocar o PSAU em prática”, afirma a engenheira sanitarista. Enquanto isso, o grupo comunitário d da Revolução receberá 2 bolsas no valor de 1 salário mínimo para continuar as atividades durante 18 meses.

“A gente não quer que a Revolução fique só na Chico Mendes, mas que vá pra todo Brasil. E o pagamento por serviços ambientais é uma alternativa para que várias comunidades possam fazer sua Revolução também”, disse o coordenador do eixo urbano do Cepagro Júlio Maestri durante o Seminário. O Cepagro ficará responsável pelas formações em compostagem no projeto apoiado pelo MMA, considerando os mais de 10 anos de experiência em gestão de resíduos orgânicos da organização. Júlio apresentou esse histórico da atuação do Cepagro em compostagem: desde o Projeto Família Casca, passando pela Revolução Dos Baldinhos, Programa Educando com a Horta Escolar, reaplicação da tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil e os cursos de gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana.

Em 10 anos de atuação na comunidade Chico Mendes, a Revolução dos Baldinhos já reciclou e desviou do aterro sanitário centenas de toneladas de resíduos orgânicos da comunidade, de acordo com Ana Karolina da Conceição, coordenadora comunitária da Revolução. Somente entre 2009 e 2013 foram 437 toneladas de resíduos transformadas em adubo, resultando numa economia de R$ 137 mil aos cofres públicos, de acordo com a pesquisa de mestrado do agrônomo Marcos José de Abreu, um dos fundadores do projeto. Nos anos seguintes, a Revolução manteve uma média de compostagem de 6 toneladas de resíduos por mês, resultando em cerca de outras 300 toneladas de resíduos desviados do aterro entre 2013 e 2018. Considerando a média de R$ 148/tonelada enviada ao aterro, seriam outros R$ 44 mil reais economizados. Além de coletar orgânicos e fazer a compostagem, a Revolução também transforma óleo de cozinha em sabão e coleta roupas usadas para um brechó comunitário onde a peça mais cara custa R$ 5. “Nós somos o meio ambiente, então temos que voltar a participar desse circuito”, disse Ana Karolina da Conceição durante o Seminário.

Cepagro, Revolução dos Baldinhos e Rede Ecovida participam do IV Encontro Nacional de Agroecologia

Realizado em Belo Horizonte (MG) de 31 de maio a 3 de junho com o lema Agroecologia e Democracia Unindo Campo e Cidade, o IV Encontro Nacional de Agroecologia reuniu mais de 2 mil participantes, em sua maioria agricultoras e agricultores, indígenas, quilombolas, jovens e militantes de movimentos sociais ligados à agroecologia e à defesa de territórios e recursos ambientais. O Parque Municipal de Belo Horizonte foi tomado por geodésicas com seminários e rodas de conversa, além de intervenções artísticas, culturais e a colorida Feira de Saberes e Sabores, que funcionou nos dias 2 e 3 de junho.

Revolução dos Baldinhos e Cepagro estiveram presentes na Tenda das Metrópoles, atividade realizada no dia 1 de junho que trouxe experiências de Agricultura Urbana, Gestão de Resíduos Orgânicos e Economia Solidária do Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. Estou cursando Educação do Campo. O campo que eu pretendo defender é a cidade, as pequenas hortas produtivas. Pra gente ter um país melhor, precisa construir uma política coletiva. Geralmente as políticas públicas são feitas para as grandes indústrias, o agronegócio. Agora é nossa vez de tentar construir coisas para que a população possa ter acesso”, disse Ana Karolina da Conceição, da Revolução dos Baldinhos, durante sua apresentação. Nas discussões, reafirmou-se o importância da Agricultura Urbana para produzir comida de verdade, ressaltando-se a participação de mulheres e também de povos e comunidades tradicionais. Porque na cidade tem quilombo sim, e terra indígena também! Segurança e cultura alimentar, feminismos, direito a cidade foram algumas das temáticas discutidas, ressaltando a necessidade de visibilizar a Agroecologia praticada nas cidades, resistência a especulação imobiliária, ao silenciamento nos planos diretores e ao modelo de produção de alimentos baseado no latifúndio e no uso indiscriminado de agrotóxicos.

Aires Niedzielski, da Rede Ecovida de Agroecologia, na tenda Mata Atlântica do Sul.

A Rede Ecovida marcou presença nas tendas dos biomas Mata Atlântica do Sul e Pampa, instalações onde representantes de movimentos sociais e comunidades dos diversos territórios naturais do Brasil se reuniram: Mata Atlântica, Pampa, Caatinga, Cerrado(s), Amazônia, Litoral e Pantanal.

As irmãs Adriana e Ivonete Ferreira da Silva, da Comunidade Quilombola Invernada dos Negros (SC), na tenda Mata Atlântica do Sul.

O IV ENA na verdade foram muitos com dezenas de atividades paralelas abarcando a diversidade da agroecologia em um território continental como o Brasil. Foram 4 Plenárias (Mulheres, Juventudes, Quilombolas, Indígenas), 14 Seminários Temáticos, 16 vivências de campo, além de dezenas de oficinas autogestionadas, da Feira de Saberes e Sabores e também da Agrobiodiversidade. Na Plenária Final, foram lidas as sínteses das discussões realizadas ao longo dos 3 dias anteriores.

Neste momento, assim como havia sido na abertura político cultural e durante todo o encontro, um dos marcos foi a centralidade das lutas dos povos e comunidades tradicionais, das mulheres e das juventudes, trazendo pautas como o enfrentamento ao racismo e ao genocídio de povos indígenas, a demarcação de territórios tradicionais e originários e as demandas ligadas aos diversos feminismos, como a distribuição justa de tarefas domésticas e o fim da violência de gênero e LGTBfobia. Mesmo com os impactos da greve dos caminhoneiros que abalou as estruturas de abastecimento brasileiras no final de maio, o IV ENA foi mantido e fortaleceu a Agroecologia, em suas diversas formas de implementação por populações tão diversas, como modelo de produção, abastecimento e distribuição de alimentos saudáveis. Ao ecoar as vozes de sujeitas/os comumente invisibilizados por opressões de gênero, raça e classe, o IV ENA também fortaleceu os laços entre Agroecologia e Democracia, no campo, na cidade, nas florestas e nas águas.

Clique aqui para ver a CARTA POLÍTICA DO IV ENA.

Saiba mais sobre a Plenária das Mulheres, das Juventudes, dos Povos Indígenas e da Comunidades Quilombolas.

 

 

 

 

Revolução dos Baldinhos e Cepagro falam sobre compostagem em Santos (SP)

A coordenadora comunitária da Revolução Ana Karolina da Conceição e o agrônomo Júlio Maestri, da equipe do Cepagro, participaram no último sábado (12 de maio) da OCUPAÇÃO VERDE, uma série de encontros do SESC Santos (SP) que traz “reflexões e práticas sobre ocupações de espaços públicos baseadas na cultura da sustentabilidade”. Na roda de conversa sobre “Compostagem Urbana Descentralizada”, Júlio e Karol falaram sobre a experiência da Revolução, “tentando motivar na cidade de Santos algumas ações”, afirma Júlio. O evento reuniu professores, representantes do poder público e moradore/as de comunidades diversas.

Santos foi uma das cidades selecionadas no edital de Apoio a Projetos de Compostagem do Ministério do Meio Ambiente. A formação com as 12 prefeituras selecionadas aconteceu em Florianópolis em meados de abril, e incluiu uma visita à Revolução (foto abaixo).

Revolução dos Baldinhos chega a Taubaté (SP)

Seguindo na reaplicação da Tecnologia Social de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana pela Fundação Banco do Brasil, a Revolução dos Baldinhos chegou a Taubaté, no interior de São Paulo. No final de fevereiro foi a vez do residencial Sérgio Lucchiari, empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida receber a capacitação  com a coordenadora da Revolução Karolina Karla e o engenheiro agrônomo Júlio Maestri, da equipe técnica do Cepagro. 

Através da articulação da Associação Veracidade, cerca de 20 famílias aprenderam sobre compostagem, hortas residenciais e a importância da sensibilização e mobilização comunitárias para o sucesso da tecnologia social. Também houve reuniões com o Poder Público local para discutir as possibilidades de expandir a compostagem para outros contextos na cidade.

 

Lúdica, didática e comunitária: Gestão de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no Curso do Cepagro

Realizado de 20 a 23 de novembro, o III Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana contou com a participação de mais de 40 pessoas, entre estudantes, representantes do poder público, lideranças comunitárias, educadores e educadoras e também jornalistas de vários municípios de Santa Catarina e de outros estados. Mais do que ensinar a fazer compostagem, o Curso teve o objetivo de compartilhar experiências e conhecimentos em rodas de conversa e visitas de campo para fomentar a Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos em outros contextos, de acordo com o coordenador do eixo urbano de projetos do Cepagro, Júlio César Maestri. O Curso foi promovido pelo Cepagro e FAPESC, em parceria com a UFSC, FATMA e COMCAP.

Abordar a compostagem de forma lúdica e criativa foi a atividade de abertura do Curso, no Jardim Botânico do Itacorubi. Com muitxs educadoras e educadores entre os participantes, o agrônomo Júlio Maestri explicou não só o passo-a-passo da compostagem e listou os materiais necessários, mas trouxe várias dicas para trabalhar o tema em contextos educacionais e comunitários. Com a TV Composteira – uma caixa de madeira com uma das paredes feita de vidro – é possível visualizar e entender como funciona o processo de transformação de resíduos orgânicos em adubo.

Na parte da tarde, os/as participantes montaram uma leira de compostagem no Centro de Valorização de Resíduos Orgânicos do Jardim Botânico de Florianópolis. Com a orientação dos engenheiros agrônomos Júlio MaestriAline Assis e Guilherme Bottan, a turma colocou a mão na palha, nos resíduos, na serragem e no composto, aprendendo na prática o passo a passo das camadas da leira e os cuidados na sua manutenção. 

O segundo dia de atividades foi dedicado às visitas de campo: Revolução dos Baldinhos na parte da manhã e Horta Pedagógica e Comunitária do Pacuca, no bairro Campeche, à tarde. “Os visitantes conheceram a comunidade e o rotina dos agentes comunitários, visitando os pontos de separação direta na fonte pela comunidade e a agrofloresta da Margarida dos Santos na beira da BR”, conta a agente comunitária Cíntia Aldaci Cruz. “Descobrindo que não existem lugar certo pra plantar, a gente é que faz! Também participaram da prática no Pátio de Compostagem, tirando duvidas e aprimorando conhecimentos”, completa. 

Já no Sul da Ilha, na Horta Comunitária do PACUCA, o grupo foi guiado pelos voluntários Bianca Pulice e David Soares, conhecendo as leiras de compostagem que recebem resíduos orgânicos do bairro e os canteiros de hortaliças, legumes e ervas medicinais, cultivados de forma agroecológica e seguindo princípios de consórcios entre as plantas. De acordo com Ataide Silva, uma das lideranças da iniciativa, a compostagem do Pacuca recebe em média 2 toneladas de resíduos orgânicos por semana, chegando a produzir 70 toneladas de adubo por ano. Todo o trabalho que move a Horta do Pacuca é realizado por cerca de 10 voluntários, que desde 2015 vêm transformando aquele terreno na Rua da Capela com muito trabalho, carinho e amor pela terra, como afirmou o guardião Anilton Bardança.

Na quarta-feira, 22 de novembro, o Curso abriu as portas para o público em geral, durante o Seminário INTEGRANDO REVOLUÇÕES, que trouxe para o Jardim Botânico a Revolução dos Baldinhos e outras duas experiências inspiradas por ela: a Revolução de Macaíba (RN) e a Cooperativa de Resíduos Orgânicos de Paragominas (PA). 

 

 

O Curso terminou com a elaboração de planos de ação em gestão de resíduos orgânicos para as diversas localidades presentes. Demandas de grupos que gostariam de iniciar planos e as vivências de projetos já consolidados foram intercambiadas na vivência.

SEMINÁRIO “INTEGRANDO REVOLUÇÕES” DEBATE INICIATIVAS EM GESTÃO COMUNITÁRIA DE RESÍDUOS ORGÂNICOS

O III Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana teve como parte da programação o Seminário “Integrando Revoluções”, que aconteceu no dia 22 de novembro às 14h no Jardim Botânico do Itacorubi. A atividade reuniu representantes da Revolução dos Baldinhos, da Cooperativa de Compostagem de Paragominas/PA e da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN, que relataram experiências com Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos. Assim como o Curso, o Seminário “Integrando Revoluções” foi gratuito e promovido pelo Cepagro em parceria com a FAPESC, COMCAP, UFSC, FATMA, contando com o apoio do Ministério da Agricultura. Após o Seminário, representantes de ONGs,  universidades e comunidades do Rio de Janeiro, Macaíba/RN, Paragominas/PA, São Francisco do Sul, Itapema/SC e Florianópolis se reunirão para elaborar planos de ações em gestão de resíduos orgânicos para suas localidades. A Banda Cores de Aidê encerrou o evento.

Mesa de abertura do seminário composta por representantes do poder público e ONGs

A abertura do seminário foi realizada com representantes das organizações que promoveram o evento.  Em seguida, representantes da Revolução dos Baldinhos e outras duas experiências de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos a Cooperativa de Compostagem de Paragominas/PA e da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN junto com o vereador Marcos José de Abreu ocuparam a mesa e relataram suas experiências na mobilização comunitária para agricultura urbana. A mesa foi coordenada pelo professor Oscar José Rover do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. 

Representantes das experiencias em gestão de resíduos orgânicos de Macaíba/RN, Paragominas/PA e Revolução dos Baldinhos de Florianópolis/SC.

Projeto “Revolução dos Baldinhos e Agricultura Urbana” inspira outras experiências pelo país

As duas experiências do Norte e Nordeste do país, a Cooperativa de Compostagem de Paragominas e a Revolução dos Baldinhos de Macaíba foram inspiradas na primeira Revolução dos Baldinhos e Agricultura Urbana aqui do sul, em Florianópolis, na comunidade Chico Mendes. O projeto do Sul implementado em 2008 e certificado como “Tecnologia Social” pelo Banco do Brasil em 2011. Em seguida, replicado em Macaíba/RN e em Paragominas/PA.

A experiência paraense teve início em 2015, quando o técnico Júlio Maestri esteve em Paragominas/PA para realizar a mobilização de famílias com objetivo de replicar o Modelo de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana realizado pelo Cepagro. A experiência teve seu início junto ao projeto Sustentabilidade Ambiental do empreendimento Morada dos Ventos (Minha Casa Minha Vida/CAIXA), no local vivem 1.100 famílias,  contou com o apoio integral do poder público e se transformou em uma cooperativa.

A iniciativa do Rio Grande do Norte foi concebida em empreendimentos imobiliários do Programa Minha Casa, Minha Vida.  Por meio de uma parceria entre  a Associação de Apoio às Comunidades do Campo do RN (AACC), o Cepagro, e a Revolução dos Baldinhos da comunidade Chico Mendes foi realizada uma capacitação em dezembro de 2016 em Macaíba/RN com a participação de 50 pessoas. Facilitaram essa capacitação o técnico do Cepagro  Júlio Maestri e a coordenadora comunitária da Revolução, Ana Karolina da Conceição. A capacitação facilitada pela equipe do Cepagro foi o ponto de partida para a criação da “Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN. “As pessoas (em Macaíba/RN) não sabiam o que era compostagem até a chegada do Cepagro para dar assessoria técnica. Então aprendemos a construir hortas e a fazer nosso próprio adubo” disse Maria Heloísa Lima  da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN durante o seminário “Integrando Revoluções”

No seminário, representantes das experiências do Norte e Nordeste do país foram as primeiras a relatar como se deram as atividades em suas localidades. “Ao contrário das experiências aqui presentes (Revolução dos Baldinhos da comunidade Chico Mendes, Florianópolis e Macaíba/RN), a nossa experiência com gestão de resíduos orgânicos teve iniciativa do poder público, da prefeitura de Paragominas que enxergou a possibilidade de geração de trabalho e renda por meio da compostagem”. disse Rosilene Oliveira, Assistente Social do CRAS Comunidade Morada dos Ventos em Paragominas/PA e colaboradora da Cooperativa de Compostagem de Paragominas.

Rosilene Oliveira, Assistente Social do CRAS Comunidade Morada dos Ventos em Paragominas/PA e colaboradora da Cooperativa de Compostagem de Paragominas.
Maria Heloísa Lima  da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN durante o seminário “Integrando Revoluções”

Poder público

Sobre o patrocínio das entidades públicas ainda há uma lacuna que precisa ser preenchida, segundo Ana Karolina da Conceição coordenadora da Revolução dos Baldinhos na comunidade Chico Mendes, “Diferente da experiência da colega lá do Norte, aqui é preciso mais apoio, sempre vamos cobrar isso, porque o que fazemos é tarefa do poder público.” avaliou Ana Karolina. O Diretor Presidente do Cepagro, Eduardo Rocha reforçou a importância da participação mais ampla do poder público. “Essas experiências têm a participação pontual de agentes e técnicos públicos, é necessário ampliar a participação governamental na gestão de resíduos” disse Eduardo Rocha.

Eduardo Rocha – Diretor Presidente do Cepagro à esquerda. Profº Oscar Rover do Centro de Ciencias Agrárias –  UFSC à direita.

Participação da comunidade

Para as participantes de Paragominas/PA a comunidade tem papel essencial para o desenvolvimento do projeto. “A participação da comunidade é fundamental para o desenvolvimento da gestão comunitária de resíduos. Na nossa experiência essa foi a parte mais difícil, mas hoje somos referência para outras regiões do norte do país.” disse Rosilene Oliveira. Segundo Cínthia Cruz é necessário sensibilizar as pessoas sobre a causa da gestão comunitária de resíduos orgânicos e a agricultura urbana. “A sensibilização é um trabalho difícil, mas tem que ser feito, porque sem a comunidade não há Revolução” diz Cíntia Cruz que divide a coordenação do Projeto com Ana Karolina da Conceição na comunidade Chico Mendes.

A força da mulher

“A grande força de trabalho é de mulheres! Os homens desistem mais fácil. Nós persistimos e colocamos nossa força naquele propósito (compostagem). É um trabalho pesado, muito pesado, mas insistimos nele porque acreditamos nisso (Gestão de Resíduos Orgânicos) ” disse Sonia Maria Oliveira – Diretora Financeira da Cooperativa de Compostagem Resíduos Orgânicos de Paragominas. A socióloga Janaína Henrique Santos ainda afirma: “Não existe agricultura urbana sem as mulheres”. Janaína também compôs a mesa representando a iniciativa de Macaíba/RN. A socióloga chamou a atenção para a condição das mulheres nas iniciativas, eventos e movimentos que envolvem a Agricultura Urbana e solicitou para que as reividicações do feminismo também nessa mobilização fossem respeitadas e não ficassem às margens desse Movimento Social.

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Planos de ações

No dia seguinte ao Seminário “Integrando Revoluções” representantes de ONGs,  universidades e comunidades do Rio de Janeiro, Macaíba/RN, Paragominas/PA, São Francisco do Sul, Itapema/SC e Florianópolis se reuniram para elaborar planos de ações em gestão de resíduos orgânicos para suas localidades.

Os planos de ações eram elaborados por grupos que continham participantes da localidade-alvo da ação, e participantes que eram de outras comunidades, e que ajudavam a elaborar os planos a partir das experiências já consolidadas.

Para Macaíba/RN  o tema central do plano de ação para aquela localidade é de criar mecanismos de fortalecer a Revolução de Baldinhos de Macaíba, e envolver mais a comunidade com a gestão de resíduos orgânicos. Em Paragominas tembém foram concentrados esforços em planos de ações para maior envolvimento da comunidade e fortalecer a cooperativa local de compostagem e gestão de resíduos orgânicos, a Coompag.

A AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, organização do Rio de Janeiro que atua no fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável, enviou representantes para conhecerem as experiências relatadas no seminário e participarem do III Curso de Gestão de Resíduos Orgânicos. Para o Rio de Janeiro o plano de ação se concentrou na implementação da compostagem.

 

Para Florianópolis, os planos de ações se concentraram tanto na implementação da compostagem quanto no fortalecimento das experiências já existentes. Philipe  Bellettini, cozinheiro integrante do movimento Slow Food, e mora  no bairro Agronômica e Carine Bergeman do Bairro Costa de dentro conversaram com as lideranças dessas comunidades sobre as experiências relatadas no Seminário “Integrando Revoluções”, no caso do bairro Agronômica para implementação da compostagem em condomínios. A experiência do projeto “Revolução dos Baldinhos e Agricultura Urbana” do bairro Chico Mendes segue com plano de ações para o fortalecimento da iniciativa e continuar servindo de referência para outras iniciativas.

Organizações das cidade de Brasília/DF e Bombinhas/SC também enviaram representantes para III Curso de Gestão de Resíduos Orgânicos realizado pelo Cepagro. Esses representantes não puderam participar do plano de ações, mas seguem em diálogo com Júlio Maestri, técnico do Cepagro e  com outros participantes do curso para troca de experiências e conhecimento.

O contato contínuo com os participantes faz parte também do planejamento de ações do III Curso de Gestão de Resíduos Orgânicos realizado pelo Cepagro. A finalidade do contato permanente entre os participantes do curso, o Cepagro e os representantes das experiências relatadas em seminário é criar uma rede de colaborativa, para que os integrantes troquem conhecimentos e solicitem ajuda em qualquer dificuldade técnica.

Revolução dos Baldinhos e Cepagro participam de Seminário sobre cooperativismo e empoderamento feminino em Lages (SC)

A Revolução dos Baldinhos participou no último sábado, 11 de novembro, do 1º Seminário de Sensibilização para o Associativismo e Cooperativismo promovido pelo Programa de Promoção do Acesso ao Mundo do Trabalho (Acessuas Trabalho) em Lages (SC). O evento foi voltado para mulheres trabalhadoras da região da Associação dos Municípios da Região Serrana (AMURES) e reuniu cerca de 200 pessoas. “Promovemos este Seminário porque sentimos a necessidade de instigá-las a trabalhar na lógica do associativismo e da economia solidária, além de empoderá-las para que se sintam capazes de formar grupos”, afirma a psicóloga Maria Rita Werner, do ACESSUAS Trabalho, responsável pela organização do evento.

Ana Karolina da Conceição apresenta a Revolução dos Baldinhos durante o Seminário.

Ao lado de agricultoras e representantes de grupos de mulheres artesãs e profissionais da assistência social, Ana Karolina da Conceição, uma das coordenadoras da Revolução dos Baldinhos, apresentou a experiência do projeto e falou sobre a formalização da cooperativa de gestão de resíduos orgânicos que elas estão levando a cabo. Na roda de conversa mediada pela técnica em Agroecologia Carolina Couto Waltrich, da equipe do Centro Vianei de Educação Popular, brilharam as histórias de superação daquelas mulheres, que através da organização em grupos conseguiram transpor os desafios como baixa renda e desigualdade de gênero para materializar seus sonhos e conquistar mais autonomia e qualidade de vida.

Dirlei Conceição Luiz faz parte da Associação de Mulheres do Cruzeirinho, no município de Cerro Negro (SC). que reúne 12 famílias desta comunidade. Com apoio do Centro Vianei de Educação Popular, as mulheres do Cruzeirinho acessaram uma linha de crédito para construir estufas de produção de hortaliças, que elas certificam através da Rede Ecovida e entregam na alimentação escolar do município.
Belmira Antunes da Cruz integra um grupo de mães da Comunidade Santa Terezinha do Boqueirão, em Lages. Juntas, elas produzem peças de crochê que são vendidas em feiras, além de produzirem hortaliças agroecológicas, comercializadas também em feiras e entregues na alimentação escolar do município. “Tem dia que algumas não vêm porque o marido não deixa, mas a gente continua!”, conta Belmira.
Karol: a Revolução dos Baldinhos mudou a autoestima dela e também da Comunidade Chico Mendes.

Reunir, produzir, comercializar: de peças de crochê a hortaliças agroecológicas, passando pelo “ouro negro” do adubo produzido a partir de resíduos orgânicos, os relatos de experiências mostraram o impacto positivo para a renda e a autoestima das mulheres  quando elas resolvem trabalhar unidas. No caso da Revolução dos Baldinhos, “o projeto mudou também a autoestima do meu bairro”, afirma Ana Karolina, moradora da comunidade Chico Mendes, uma das mais socioeconomicamente vulneráveis de Florianópolis.