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Cepagro e Revolução dos Baldinhos são homenageados na ALESC

A homenagem, feita pelo gabinete do Deputado  Padre Pedro (PT-SC), aconteceu na última 2ª feira (6 de março), durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2017 na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. A agrônoma Aline Assis, da equipe técnica do Cepagro e articuladora da campanha de financiamento coletivo da Revolução dos Baldinhos, representou o projeto para receber a homenagem, concedida também a movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MMC (Movimento das Mulheres Camponesas) e Movimento pela Ponta do Coral 100% Pública. Ao final da sessão, o deputado Padre Pedro reforçou o chamado para doações para a Revolução, que podem ser feitas no site juntos.com.vc/baldinhos até o dia 17 de março.

Com o tema Biomas Brasileiros e Defesa da Vida, a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deste ano “coloca em pauta a temática ambiental e seus impactos sociais”, segundo Pe. Pedro. Ressaltando o princípio da “ecologia integral” colocado na Encíclica Laudato Si, publicada pelo Papa Francisco em novembro de 2015, o deputado afirma que “não podemos mais pensar na natureza como algo separado”. Como atitudes importantes para preservação do meio ambiente e, consequentemente, da espécie humana, Pe. Pedro apontou a necessidade de mudar nosso modelo agrícola para uma base agroecológica. Para isso, aumentar o acesso a crédito para fomentar tecnologias de produção e estratégias de comercialização de alimentos agroecológicos é fundamental.  A mesma crítica ao modelo de agricultura químico dependente ainda hegemônico – e por isso chamado convencional – foi feita pelo professor Dr. Ademir Reis (Biologia – UFSC). “É possível produzir sem usar tanto veneno, preservando nossas águas também”.

Revolução dos Baldinhos lança campanha de financiamento coletivo

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Referência nacional em gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana, a Revolução dos Baldinhos busca agora o apoio da população em geral para manter suas atividades em 2017. Com a finalização dos projetos que a financiavam e ainda esperando receber uma remuneração do Poder Público pelos serviços ambientais prestados, a Revolução – que mensalmente recicla toneladas de resíduos orgânicos na Comunidade Monte Cristo, em Florianópolis – lançou na última 2ª feira, 16 de janeiro, uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar 60 mil reais, necessários para subsidiar as atividades do grupo comunitário durante pelo menos 6 meses. A campanha, disponível no link juntos.com.vc/baldinhos, fica no ar até o dia 17 de março.

O processo de cadastro e doação é fácil e prático, dura menos de 10 minutos. A equipe do Cepagro está toda mobilizada para colaborar na iniciativa, e conta com o apoio de todxs amigxs, parceirxs e entusiastas da Revolução dos Baldinhos para não deixar o projeto morrer. Que tal começar 2017 contribuindo com a agricultura urbana?

Saiba mais sobre a campanha neste vídeo. A REVOLUÇÃO AGRADECE!

Revolução dos Baldinhos e Cepagro reaplicam a Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos no RN

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A tecnologia social da Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana da Revolução dos Baldinhos começou a ser reaplicada em empreendimentos imobiliários do Programa Minha Casa, Minha Vida.  Através  da articulação com a Associação de Apoio às Comunidades do Campo do RN (AACC), o técnico do Cepagro Júlio Maestri e a coordenadora comunitária da Revolução, Ana Karolina da Conceição, estiveram em Macaíba, no Rio Grande do Norte, nos dias 5 e 6 de dezembro para iniciar a capacitação da comunidade local, com a participação de cerca de 35 moradores e mais 15 crianças. “A formação teve como objetivo disseminar a gestão local e fortalecer a comunidade através de uma mudança de olhar aos nossos resíduos orgânicos, que podem virar a base para uma agricultura agroecológica”, explica Júlio Maestri. Além da comunidade e a equipe da AACC, estiveram presentes na formação o Grupo Mandala de Permacultura/UFRN e representantes das Secretarias de Agricultura, Habitação, Trabalho e Assistência Social do município.
baixa6O Residencial Campinas, que receberá a tecnologia social certificada pela Fundação Banco do Brasil, possui 403 habitações. Durante as oficinas, Júlio e Ana Karolina compartilharam o passo a passo da Revolução, os principais desafios e as maiores motivações e o método UFSC de compostagem.
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Segundo Maestri, a abordagem dos encontros buscou estimular a participação coletiva, “respeitando a experiência de participante e motivando ao máximo o empoderamento do pessoal para, a partir destas inspirações, iniciarmos um envolvimento comunitário para reciclagem orgânica, hortas e trocas de saberes”.
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Também foram visitadas famílias que já têm hortas em casa e foram convidadas a apresentar as variedades para todo o grupo. Um dos resultados da oficina foi a elaboração de um planejamento coletivo, em que o grupo se denominou Revolução dos Baldinhos – Residencial Campinas – Macaíba/RN.
baixa1Neste início da reaplicação, houve a formação do Grupo Comunitário, que integrou 18 famílias. Esses multiplicadores já iniciaram com a separação dos seus resíduos orgânicos nos baldinhos. O próximo passo será a sensibilização de novas famílias, a implantação de PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) no empreendimento e a elaboração de hortas comunitárias e residenciais, de acordo com o ritmo dos envolvidos. Também foram integrados grupo de permacultura e algumas secretarias, para que a iniciativa possa se consolidar e refletir estas questões no município e entorno.
* com informações de Júlio Maestri e fotos de Juliano Duend’Jah

Revolução dos Baldinhos segue como exemplo de gestão de resíduos orgânicos

No artigo publicado na Revista Ciência e Cultura, intitulado “Fechando o ciclo dos resíduos orgânicos: compostagem inserida na vida urbana”, os agrônomos Marcos José de Abreu e Thais Menina de Siqueira afirmam: “De fato, a Revolução dos Baldinhos também nos ensina isto: orientada com base em envolvimento comunitário, a gestão descentralizada de resíduos orgânicos pode ser utilizada como ferramenta para promover saneamento, saúde pública, agricultura urbana e capital social em ambientes urbanos vulneráveis”.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

 

Compostagem chega ao Jardim Botânico de Florianópolis com apoio do Cepagro

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* com informações da Prefeitura Municipal de Florianópolis e Adriana Baldissarelli (Comcap)

O Cepagro coordenou, a convite da COMCAP, a primeira oficina de Compostagem no Jardim Botânico de Florianópolis na última quinta feira, 13 de outubro. O agrônomo Júlio Maestri, da equipe técnica do Cepagro, facilitou a capacitação em reciclagem de resíduos orgânicos para os funcionários da Comcap e técnicos convidados da Secretaria Municipal de Habitação e Saneamento Ambiental e Fatma. De acordo com a Comcap, “a ideia é multiplicar na cidade experiências de agricultura urbana para garantir a política pública de desvio dos resíduos orgânicos do aterro sanitário”.

Saiba mais neste link e também no vídeo abaixo:

Mara Gama, colunista da Folha de S. Paulo, também destacou a experiência do Cepagro em gestão comunitária de resíduos orgânicos pelo trabalho no Jardim Botânico. Veja a matéria aqui.

 

 

Rede de Agricultura Urbana sai fortalecida do II Encontro Municipal

Quase 200 pessoas participaram do II Encontro Municipal de Agricultura Urbana no último sábado, 25 de junho. O evento aconteceu no Departamento da Arquitetura da UFSC, com apoio do Cepagro, Ministério da Agricultura, Quintais de Floripa  e Prefeitura Municipal de Florianópolis. Dentre os principais temas discutidos, a Rede defende em Carta a manutenção de áreas rurais na Ilha de Santa Catarina pelo Plano Diretor. Como afirmou o agricultor urbano Anderson Adalício Silva em uma das mesas de debate do Encontro, “Dá pra ter agricultura na Ilha. Não em grande escala, mas para viver e comer bem”.

Fotos: Carú Dionísio e Erika Sagae

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Da construção civil para a agroecologia urbana. Anderson Silva produz hortaliças orgânicas no bairro Ratones e as comercializa na Feira Viva Cidade e em restaurantes de Florianópolis. Com as mudanças previstas no Plano Diretor que podem restringir as áreas rurais dentro da Ilha de Santa Catarina, a atividade de Anderson pode ser afetada. Ele compartilhou esta vivência durante o painel sobre Certificação de Produção Orgânica e Agroecológica, que contou com a presença também da professora Graziela Del Monaco (Educação no Campo – UFSC), do representante do Ministério da Agricultura Francisco Powell e mediação do engenheiro agrônomo Francys Pacheco, do Cepagro.

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O Encontro começou com um ciclo de oficinas que trabalharam temas como adubação verde, compostagem e minhocários, produção de mudas e construção de espirais de ervas.

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Na mesa de abertura do evento estavam presentes o médico Leandro Pereira, representando a Secretaria Municipal de Saúde; o diretor-presidente do Cepagro Eduardo Daniel Rocha; Letícia Barbosa da organização Quintais de Floripa e o chefe do Departamento de Arquitetura da UFSC César Floriano.

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Divididos em grupos, os participantes agregaram contribuições para a Carta do II Encontro Municipal de Agricultura Urbana, com diversas sugestões e demandas para incentivar e fortalecer a prática da agricultura nas cidades e assim contribuir para a requalificação urbana, o meio ambiente e a saúde. Como explica a socióloga Juliana Luiz, professora da FURB e uma das fundadoras da Rede Municipal de Agricultura Urbana, a Carta representa tanto “um texto político para os movimentos sociais se apropriarem quanto para orientar políticas públicas”.

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Outro painel durante o evento foi sobre Espaços para Agricultura Urbana no Planejamento Urbano, com a presença do agrônomo Marcos José de Abru (Cepagro), do presidente da Comcap Marius Bagnati  e de representantes do IPUF e do Parque Municipal do Maciço do Morro da Cruz.

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Muitas trocas de mudas, sementes e experiências permearam todo o Encontro.

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Curso do Cepagro destaca importância da compostagem na gestão de resíduos urbanos

Reunindo 45 participantes de sete estados brasileiros – Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais – a 2ª Formação em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos promovida pelo Cepagro na semana passada reforçou a importância de realizar o tratamento local da fração orgânica dos resíduos urbanos tanto para atender às metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos quanto para promover a agricultura urbana. “Somando à nossa primeira Formação, realizada em março do ano passado, este segundo encontro consolida uma rede do tema da Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana como uma ação crescente, que dialoga com diferentes setores econômicos, sociais e de desenvolvimento sustentável para as cidades”, afirma o agrônomo Marcos José de Abreu, coordenador do eixo urbano do Cepagro.

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Mão na massa (e também na palha e nos resíduos orgânicos): a montagem de uma leira de compostagem termofílica é uma das principais atividades durante as Formações em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos. Se realizada adequadamente, a compostagem faz o tratamento de resíduos sem gerar mau cheiro nem atrair moscas. O calor gerado pela leira de compostagem também elimina bactérias, vírus e outros organismos que causam doenças.

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Para conhecer a compostagem sendo feita em diversas escalas, os participantes visitaram, com o apoio logístico do Ministério da Agricultura (MAPA), três pátios em Florianópolis: o da Revolução dos Baldinhos, na terça-feira; e o da empresa Prócomposto e o do SESC Cacupé na quinta. Neste último, a capacitação para a técnica foi realizada pela equipe da Revolução dos Baldinhos.

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A centralidade da compostagem no contexto da Política Nacional de Resíduos Sólidos ficou clara durante o painel de debates na Assembleia Legislativa de Santa Catarina realizado na quarta feira. Compondo a mesa estavam o analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente Lúcio Costa, o professor do Centro de Ciências Agrárias da UFSC Rick Miller e o engenheiro agrônomo Antonio Storel Junior, coordenador de gestão de resíduos orgânicos da autoridade de limpeza pública da Prefeitura de São Paulo, além de uma abertura feita pelo deputado estadual Dirceu Dresch (PT-SC). Na capital paulista, o Cepagro está assessorando a implantação de pátios de compostagem para tratar os resíduos de feiras livres na cidade.

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“Florianópolis é um polo de referência e inovação em gestão de resíduos orgânicos. Precisamos transformar essa efervescência social em política pública”, afirmou Lúcio Costa, do Ministério do Meio Ambiente (foto abaixo). Na sua fala ele demonstrou que a compostagem já integra a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que no artigo 36 delega aos municípios a responsabilidade pela implantação de pátios para resíduos orgânicos. Além de incentivar a prática da agricultura urbana, a compostagem nas cidades também traz benefícios para a saúde pública e o meio ambiente: “Não deve ser vista só a partir da agricultura, mas como serviço ambiental também”, completou.

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Os aspectos técnicos do funcionamento da leira e do chamado “método UFSC” de compostagem foram apresentados pelo professor Paul Richard Miller, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade. Adaptado de um método indiano que fora sistematizado por um casal de pesquisadores britânicos, o método UFSC representa uma solução de baixo custo que pode ser adaptada a todo Brasil e outras regiões de condições climáticas tropicais.

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Cuidado com a procedência dos resíduos colocados na leira e boas práticas de manejo são importantes para que a decomposição dos resíduos aconteça adequadamente, garantindo um adubo de qualidade e uma “boa convivência com os vizinhos”, nas palavras de Rick Miller. Não foi o que aconteceu nas experiências prévias de compostagem feitas em São Paulo, de acordo com Antônio Storel Júnior. “A compostagem chega a São Paulo após uma experiência negativa de tratamento local de resíduos sólidos urbanos”, afirmou o representante da Prefeitura paulistana.

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As “usinas” de compostagem de Vila Leopoldina e São Matheus operaram durante vários anos, mas utilizando uma técnica que gerava mau cheiro e um composto de má qualidade. “Estava baseada num velho paradigma de que o gerador não é responsável pelo resíduo”, disse Storel, lembrando a importância da separação na fonte para uma gestão de resíduos de sucesso. Contrapondo-se a este modelo, a política de resíduos da gestão Haddad na capital paulista propõe a separação na fonte em 3 frações: orgânicos, recicláveis e rejeitos. “Isso começa na pia da cozinha”, resumiu Storel.

Assim como na tecnologia social da Gestão Comunitária de Resíduos da Revolução dos Baldinhos, a mobilização e sensibilização da população é fundamental para que a separação na fonte aconteça. Para Storel, buscar diálogo com a população e mostrar como a política de resíduos vem sendo ressignificada é fundamental neste processo. “A Educação e a Comunicação são centrais na política”, afirmou. A experiência do CompostaSP, programa que distribuiu 5 mil minhocários para a realização de compostagem em apartamentos, é um exemplo prático deste diálogo.

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Na esteira da certificação da Gestão Comunitária de Resíduos da Revolução dos Baldinhos como tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil, a compostagem poderá ser implementada em empreendimentos de habitação social do programa Minha Casa, Minha Vida. Além disso, Storel afirmou durante o painel que a Revolução dos Baldinhos será implantada em quatro comunidades de São Paulo.

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Para contribuir nesse processo, o Cepagro editou, com apoio da FAPESC, dois materiais sobre compostagem e gestão comunitária de resíduos orgânicos: uma cartilha e um manual técnico. Ambas publicações foram lançadas durante o evento na ALESC.

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A possibilidade de replicar o modelo em outras comunidades foi explorada pelos participantes da Formação, que criaram planos de adaptação da tecnologia social a diferentes contextos. “Os planos tiverem arranjos diversos, envolvendo catadores, empresas sociais, ONGs, coletivos, organizações comunitárias e prefeituras”, explica Marcos José de Abreu.

Enquanto a Revolução dos Baldinhos serve de exemplo e inspiração para diversas iniciativas Brasil afora, em Florianópolis a importância do projeto em termos de limpeza e saúde públicas e qualidade ambiental ainda não é plenamente reconhecida. A instalação de um pátio modelo para tratar 10 toneladas de resíduos por dia, prevista no projeto apoiado pela FAPESC (com participação da UFSC, da COMCAP e da FATMA), foi novamente adiada por problemas com a concessão e regularização do terreno junto à Prefeitura Municipal de Florianópolis. “É inadmissível saber que a Revolução dos Baldinhos pode acabar pela falta de apoio do poder público para a aquisição do terreno e a remuneração pelo serviços ambientais de limpeza pública que desempenham, pois todos os grupos que estiverem presentes foram e são inspirados na Revolução dos Baldinhos”, avalia Marcos José de Abreu.

Para saber mais, veja a matéria da TV ALESC.