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V Encontro Municipal de Agricultura Urbana debate: que projeto de cidade queremos?

As leis e programas existentes para a Agricultura Urbana no município estão sendo suficientes? Queremos uma Agricultura Urbana burocrática onde os informais não entram? Que projeto de cidade queremos? 

Esses foram alguns questionamentos feitos durante o V Encontro Municipal de Agricultura Urbana, realizado de 6 a 8 de novembro no Campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O encontro foi organizado pela Rede Semear Floripa e teve como tema desta edição “a agricultura como modo de vida”.

E foi sobre este tema a primeira roda de conversa do encontro. A historiadora e pesquisadora da Agricultura Urbana, Giovana Callado foi uma das debatedoras convidadas. Ela chamou a atenção para a extinção das zonas rurais no plano diretor de Florianópolis, reflexo do projeto de urbanização que está em curso no município. Ao longo da conversa, o acesso à terra foi colocado como uma questão central para fortalecer a agricultura urbana e a produção de alimentos.

Os assentados da Reforma agrária, Fábio Ferraz e Bárbara Ventura, do Assentamento Comuna Amarildo, também reforçaram a importância da distribuição de terra. Fábio falou da necessidade de cobrar o mapeamento exato das áreas ociosas do município porque “a reforma agrária passa pela reforma urbana”, disse. Mas somente o acesso a terra não é suficiente, é preciso haver assistência técnica para agricultores/as familiares, que no caso da Comuna Amarildo veio por parte de ONGs, como o Cepagro e de universidades, não através do poder público, lembrou Bárbara.

Outra questão levantada em torno da AU foi a necessidade de fomentar os circuitos curtos de comercialização. A agricultora e membra da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar, Rita de Cássia Maraschin da Silva lembrou do caos gerado pela greve dos caminhoneiros. O episódio mostrou como ficamos vulneráveis quando dependemos de atravessadores. A produção de alimento local e a comercialização direta em feiras são um contrapontos a esse modelo. Rita comentou ainda que a feira da qual participa quinzenalmente em Ponta das Canas tem sido um espaço cultural de encontro e discussão política. Tanto Rita quanto Fábio Ferraz afirmaram a necessidade de incentivar não apenas a agricultura familiar e urbana, mas a Agroecologia, que é o movimento que tem feito um enfrentamento maior contra o agronegócio.

Na tarde do dia 6 de novembro, a tenda do V EMAU reuniu diferentes crenças e saberes durante a roda de conversa sobre Saberes Populares. A benzedeira da Barra da Lagoa, Sueli Adriano dos Santos, a umbandista Janaína Carla Correia e o professor indígena da Aldeia M’Biguaçu, Daniel Kuaray compartilharam com o público os seus saberes no uso das ervas medicinais.

Daniel falou sobre como as ervas usadas nos ritos e presentes na cultura alimentar dos Guarani Mbya estão relacionadas com a noção de território tradicional. Ele compara o canteiro de ervas com uma farmácia natural, assim como Sueli da Barra e Janaína, que além de mãe de santo é benzedeira.

O segundo dia de encontro continuou afirmando a existência da agricultura rural e urbana em Floripa com a presença dos e das agricultoras do Grupo Ilha Meiembipe da Rede Ecovida de Agroecologia, que trouxeram uma diversidade de produtos orgânicos produzidos na ilha. E quem passou pelo V EMAU na quinta-feira também pôde receber os cuidados terapêuticos com acupuntura e as benzeduras da Enivalda de Deus Paslandi, conhecida como Dona Baiana, na Tenda de Práticas Integrativas

Murilo Leandro Marcos, que é médico do SUS e atende na Lagoa da Conceição, conta que a Agroecologia e as Práticas Integrativas têm relação pois ambas estão na contracorrente dentro de suas áreas de atuação. “As duas vêem a saúde e o cuidado com a vida de uma forma integral”, complementa. Para Murilo, a Agroecologia e as Práticas Integrativas são formas ancestrais de relação que se integram com as novas tecnologias.

O médico lembrou que essas práticas foram incluídas no SUS a partir de 2006 com a aprovação da Política Nacional de Práticas Integrativas. A política foi ampliada nos anos de 2013 e 2017 e hoje engloba práticas como a homeopatia, ayurveda, massoterapia e práticas chinesas como a acupuntura. No município de Florianópolis nós tivemos alguns avanços no tema, aponta Murilo, mas as práticas integrativas, apesar de terem validação científica, ainda são marginalizadas: “A gestão municipal precisa investir em contratação de profissionais nessas áreas e em formação continuada aos profissionais que já atendem pelo SUS”. 

Na quinta-feira ainda foi realizada uma oficina de bambu na Sala Verde da UFSC. A atividade apresentou os inúmeros usos que essa planta pode ter, desde uso na construção civil e de móveis, na produção de materiais como fraldas e tecidos, até no uso do broto de bambu na alimentação.

E para finalizar o Encontro, a roda de conversa do último dia teve como tema Políticas Públicas e Agricultura Urbana. Participaram do debate organizações, agricultores/as, consumidores/as, pesquisadores/as e gestores/as públicos/as. Parte da conversa girou em torno do Programa Municipal de Agricultura Urbana (PMAU), aprovado em 2017. O PMAU foi construído coletivamente com a sociedade civil através da Rede Semear e do mandato do Vereador Marcos José de Abreu, conhecido como Marquito (PSOL).

O PMAU trouxe não apenas avanços, mas também novas demandas para o fortalecimento da agricultura urbana no município. A burocratização do programa foi uma das questões apontadas durante o debate. O Parque Cultural do Campeche (PACUCA), por

exemplo, que tem um trabalho reconhecido pela horta e gestão comunitária dos resíduos orgânicos no bairro, atualmente não conta com apoio institucionalizado, como lembrou Eduardo Rocha, diretor presidente do Cepagro. Essa burocratização tem invisibilizado algumas iniciativas que já acontecem no município.

Iniciativas estas que inclusive revertem em economia para o município. É o caso das compostagens comunitárias realizadas no Pacuca, Quintais do Córrego e em outros espaços que desviam toneladas do volume de resíduos que iria para o aterro sanitário. Além do fornecimento de insumos para a prática da compostagem, outra exigência colocada durante o EMAU foi o pagamento por serviço ambiental e de saneamento prestado por essas comunidades.

O Vereador Marquito também apresentou algumas demandas, como a aprovação de um plano de Estado e não apenas de governo ou de mandatos, para assim garantir a permanência de ações em AU. Um plano que garanta verba e um planejamento de ações com metas, apontou Silvane Dalpiaz do Carmo, Chefe do Departamento de Educação Ambiental da Floram. 

A realização do Censo Municipal das Agriculturas produtoras de alimentos orgânicos e agroecológicos da cidade também foi colocada como uma urgência pelo coletivo. Daiane Mastedine, representante da Comcap no PMAU disse que um mapeamento das iniciativas de AU em Florianópolis já começou a ser feito pela prefeitura.

Por fim, outro tema debatido ao longo da manhã de sexta-feira foi o acesso aos espaços ociosos do município. Eduardo Rocha, que também é membro do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, comentou que “a agricultura urbana é produção e comercialização, mas também é ocupação do espaço” e defendeu a função social da terra. Para isso se faz necessário fazer um enfrentamento à especulação imobiliária dentro da ilha, complementou Silvane Dalpiaz do Carmo, da Floram.

As demandas apresentadas pela sociedade civil organizada ao longo dos três dias de Encontro foram incluídas na Carta Política do V EMAU. Além das já mencionadas, também foram colocadas como exigências a regulamentação da Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica por meio de uma Conferência Local, a realização de formações livres e populares com incentivos provindos do orçamento público para a criação de espaços coletivos de hortas urbanas e feiras, a inclusão da produção urbana de alimentos orgânicos no plano diretor da cidade de Florianópolis, entre outras.

Eduardo Rocha, que participou da organização do evento comemorou a diversidade de participação no V EMAU. “Essa metodologia da roda de conversa, de ter sido em um espaço aberto, na rua foi muito acertada”, comenta. Nas discussões estiveram presentes agricultores/as, organizações ligadas a saúde mental, coletivos livres de compostagem, representantes de hortas comunitárias, do MST, da Reforma Urbana, consumidores/as, pesquisadores/as, além de representantes do poder público.

Ter optado por fazer o evento em na Universidade Federal também foi algo simbólico para Eduardo, por estar sofrendo grandes ataques ao longo do ano com contingenciamento e reestruturação. Especialmente a UFSC, “tão importante para o tema da agricultura urbana ao longo da última década em Florianópolis. Isso traz um simbolismo muito bacana”.

 

 

Rede Semear inicia o ano conhecendo experiência do SESC Cacupé em Agricultura Urbana

Representantes de associações de bairro, coletivos de agricultura urbana, de organizações não governamentais, do poder público municipal, estadual e federal, além de acadêmicos e curiosos por conhecer a Rede estiveram presentes na primeira reunião da Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana em 2019. O encontro aconteceu no Hotel SESC Cacupé, na tarde da última quarta-feira, 10 de abril, e discutiu principalmente as perspectivas para a atuação da Rede em 2019.

O encontro iniciou com uma apresentação da experiência em Agricultura Urbana realizada pelo SESC Cacupé, que conta com um pátio de compostagem, uma horta e um viveiro. Ali os resíduos orgânicos gerados no restaurante são transformados em adubo para a horta, que possui fim didático. No espaço, está sendo desenvolvido ainda experimentos com aquecimento de água a partir energia gerada nas leiras de compostagem, além de trabalho com agrofloresta e abelhas nativas.

Depois da ambientação, o grupo seguiu para o Engenho de Farinha do SESC, onde a enfermeira da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e gestora do Programa Municipal de Agricultura Urbana Francisca Daussy e a Vice-Presidenta do Cepagro Erika Sagae fizeram uma apresentação da Rede Semear para aqueles que estavam na reunião pela primeira vez. Francisca lembrou que desde o início, a Rede tem como foco articular os diversos setores que debatem agricultura urbana para que juntos pautem políticas públicas no tema.

A Rede Semear é aberta e permite a participação de pessoas e instituições. Ela é composta por diferentes setores da prefeitura municipal, desde a saúde até a educação e assistência social. Na reunião desta terça-feira, estiveram presentes representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Saúde, Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (LECERA), Epagri, Sloow Food, Quinta das Plantas, Departamento de Alimentação Escolar da Prefeitura Municipal de Florianópolis, SESC, Conselho Comunitário da Costa de Dentro, Pousada Rosemary Dream e gabinete do Vereador Marquito.

Além de conversar sobre as perspectivas para 2019, a Rede também fez um balanço do IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana de Florianópolis, que aconteceu em novembro do ano passado. Mais uma vez o encontro se mostrou um espaço de discussão muito positivo para a AU na capital e para o fortalecimento da Rede Semear e resultou na construção coletiva da Carta Política do IV Encontro, que ainda será divulgada ao público.

Falou-se sobre os avanços da Rede no último ano, como a criação do Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017) e a aprovação da Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018), projeto de lei elaborado junto ao mandato do vereador Marcos José de Abreu, o Marquito. Outras conquistas são a presença de hortas em 35 centros de saúde e o aumento do número de hortas comunitárias pelos bairros de Florianópolis.

Essas hortas que vão surgindo demandam estrutura e assistência do poder público e é nesse sentido que caminham os desafios da Rede Semear para a Agricultura Urbana. Eugênio Luiz Gonçalves, membro do Conselho Comunitário da Costa de Dentro e do Conselho de Saneamento Básico, esteve presente na reunião. Ele falou de algumas dificuldades enfrentadas pela Horta Comunitária do bairro e sobre a necessidade de apoio institucional na distribuição dos alimentos colhidos para entidades carentes, apoio na realização de uma feira local e formação para os agricultores urbanos, ações que fortaleceriam o trabalho local.

As ferramentas existem e as ações em Agricultura Urbana estão acontecendo, mas a falta de recurso dificulta o trabalho. Para planejar as ações práticas para o ano de 2019, a Rede Semear voltará a se reunir no final de abril.  Antes de encerrar a reunião, Erika Sagae lembrou do IV Encontro Latinoamericano de Agricultura Urbana e Periurbana – ELAUP, que acontecerá em Florianópolis entre os dias 6 e 8 de novembro. 

O Encontro é um espaço acadêmico para professores, pesquisadores e gestores públicos e de projetos na América Latina e no Caribe apresentarem suas pesquisas, as experiências em andamento e discutirem os aportes teóricos e metodológicos provenientes das ciências sociais, econômicas e ambientais. A participação dos agricultores urbanos neste encontro é muito importante, por isso haverá isenção de taxa de inscrição para estes.

A tarde terminou com um café e troca de mudas e sementes.

 

Florianópolis recebe o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana

Trazendo como temática o Direito à Cidade, o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana acontece em Florianópolis nos dias 23 e 24 de novembro, com programações no Jardim Botânico, na Epagri e no Centro de Ciências Agrárias da UFSC (todos no Itacorubi). De acordo com a organização do evento, o objetivo é “reunir pessoas e instituições para compartilhar experiências, discutir e fortalecer estratégias e práticas agrícolas de base agroecológica cujos avanços no município de Florianópolis o fazem referência em vários domínios nesta área, favorecendo a qualidade de vida, a sustentabilidade e a proteção ambiental”. Oficinas, seminários e apresentações culturais integram a programação, que é totalmente gratuita. Para participar, é só fazer a inscrição neste link.
A abertura do Encontro será na 6ª feira, com a mesa Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas, a partir das 10h, no Jardim Botânico. Na parte da tarde, 4 seminários abordarão a relação da Agricultura Urbana com Organização Popular, Promoção da Saúde, Processos Educativos e Produção, comercialização e consumo. No sábado pela manhã acontecem 13 oficinas com temáticas variadas. Encerrando o evento, haverá um mesa redonda às 14h sobre Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis, além da formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis, a partir das 15h30.
O IV EMAU é promovido pela Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana e conta com apoio do Cepagro, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, UFSC, FLORAM, LECERA, CCA, Fundação Franklin Cascaes e COMCAP.
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PROGRAMAÇÃO
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23 novembro 2018 – 6ª feira
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8h às 9h – CREDENCIAMENTO
Inscrição com café coletivo
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9h às 10h – ABERTURA
Mística de abertura – Música e poesia – Maria Adriana.
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10h às 12h – MESA REDONDA
Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas
Celso Sanches – UNIRIO
Renata Rodrigues – LECERA CCA/UFSC
Eduardo Elias – Destino Certo
Juliana Luiz – Coletivo Nacional de Agricultura Urbana
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 15h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO I – Agricultura Urbana e Organização Popular
● SEMINÁRIO II – Agricultura Urbana e Promoção da Saúde
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15h às 15h30min – Atividade cultural e café coletivo
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15h30min às 17h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO III – Agricultura Urbana e Processos Educativos
● SEMINÁRIO IV -Segurança Alimentar, Produção, comercialização e consumo
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24 novembro 2018 – SÁBADO
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9h às 12h – OFICINAS
Oficina 1 – Tipos de agriculturas – CCA
Oficina 2 – Vermicompostagem e Compostagem – Jardim Botânico
Oficina 3 – Circuito EPAGRI – PANCs, Cores da Terra, Meliponídeos, Plantio de Hortaliças.
Oficina 4 – Preparados Orgânicos para cultivos (Cancelada) – CCA
Oficina 5 – Oficina de Autocuidado – CCA
Oficina 6 – Agricultura Sintrópica – Jardim Botânico
Oficina 7 – Oficina de bancos de sementes crioulas artesanais – CCA
Oficina 8 – Gestão comunitária de resíduos orgânicos – CCA
Oficina 9 – Oficina de plantas medicinais – Quinta das Plantas CCA
Oficina 10 – Slowfood – CCA
Oficina 11 – Hortas pedagógicas – CCA
Oficina 12 – Agricultura Urbana e Direito à cidade – CCA
Oficina 13 – Video Mulheres Ambientalistas, exibição e discussão – EPAGRI
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 14h – Atividade Cultural
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14h às 15h – MESA REDONDA – Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis
Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018)
Marcos José de Abreu
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Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017)
Fábio Faria Brognoli
TRABALHO COLETIVO
15h às 15h30min – Sistematização dos Seminários
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15h30min às 16h30min – Formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis
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16h30min às 17h – Rio da Vida
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17h às 17h30min – Celebração final

 

Rede Semear fortalece articulação da Agricultura Urbana em Florianópolis

Seguindo a proposta que surgiu ao longo deste ano, a Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana realizou mais uma reunião itinerante junto a um coletivo de agricultura urbana de Florianópolis. Na última quinta-feira, 27 de setembro, a reunião aconteceu na Comcap de Canasvieiras, onde há três meses o grupo Quinta das Plantas se reúne semanalmente “para trocar saberes sobre qualidade de vida”, nas palavras de Edna Antunes, coordenadora do grupo.

Edna conta que o Quinta das Plantas já existe há sete anos e nasceu como um grupo de estudos sobre plantas medicinais. “Com o passar do tempo a gente foi percebendo que não é possível tratar de plantas medicinais sem tratar de alimento puro, alimento bom, que por sua vez nos leva a agroecologia e nos joga na agricultura urbana. Esse link que uma coisa vai trazendo para outra já deu ao Quinta das Plantas uma característica de um grupo de estudos de qualidade de vida”, explica.

Conforme as agricultoras urbanas chegavam, o centro da roda ia ficando mais colorido. Como de costume, as integrantes do Quinta das Planta são convidadas a trazer mudas, sementes ou colheitas para trocar informações, dúvidas e descobertas.

Após apresentar a Rede Semear para o coletivo, Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro, falou sobre o Encontro da Rede que acontecerá em novembro, e convidou o grupo para participar da programação, que ainda está sendo construída, com uma oficina e participação em uma das mesas de debate. Sem hesitar, o grupo aceitou a proposta com unanimidade e se propôs a preparar uma oficina sobre produção de mudas de plantas medicinais.

Edna Antunes se mostra contente com essa relação que se cria nos espaços de agricultura urbana  “não é simplesmente pegar um terreno baldio e plantar, mas é o quê, porquê, como e com quem vamos plantar. É um despertar de autonomia e um exercício de cidadania”.

Depois de se reunir na Horta Orgânica do CCA (HOCCA) e na Horta Comunitária do PACUCA, no Campeche, Erika conta que a proposta da Rede com as reuniões itinerantes é justamente a de promover cidadania: “a ideia é que as pessoas possam entender a importância de estar presente na Rede Semear e de participar das reuniões para que a gente possa estar identificando quais são as demandas dos grupos e ir pautando a política pública, fazendo esse papel que é o da sociedade civil e do cidadão, que é também um agricultor urbano, de exigir aquilo que é demanda. É nesses espaços de construção coletiva que a gente consegue também juntos buscar soluções”, conta.

Laços foram criados e o encontro seguiu como de costume, trocando informações sobre plantas e alimentos. No centro da roda apareceu uma batata diferente que algumas viam pela primeira vez. No fim, quem não sabia sequer que alimento era aquele, saiu conhecendo o cará aéreo e sabendo até mesmo qual a melhor forma de plantar, preparar e quais suas propriedades nutricionais. Para Edna Antunes, “a agricultura urbana é um movimento muito interessante para resgatar esses alimentos não convencionais, para que a gente comece a reaprender a se alimentar, reaprender a plantar a ter uma relação de independência, exercitar a liberdade de escolha. Esse exercício de liberdade eu acho que é a alma da agricultura urbana”.

Depois da conversa, o grupo seguiu para a horta para preparar novas mudas, regar os canteiros e cuidar da produção que cresce firme, forte, diversificada e livre de agrotóxicos. Giselene Bornhause, moradora do Rio Vermelho, apesar do pouco espaço, tem sua horta em casa. Foi no Quinta das Plantas que ela conheceu a ideia de horta agroecológica “são várias mudas e plantas diferentes e elas vão se ajudando, acho muito legal isso, essa ideia de plantar várias coisas juntas”. A tarde terminou com um café coletivo com receitas e alguns alimentos cultivados ali mesmo.

Ao final, todos foram convidados a participar do curso de Introdução à Agrofloresta e Oficina de Implantação de Canteiros Agroflorestais, que acontecerá na próxima quinta-feira, 4 de outubro, das 8h às 17h na Comcap de Canasvieiras. O curso será dividido entre teoria e prática e tem o custo de inscrição no valor de R$50,00. Também existe a opção de inscrição social por R$30,00, e quem não tiver condições pode conversar com a organização, a ideia é que todos possam participar. Os interessados podem entrar em contato com Philipe pelo número  (47) 9 9609-5818. O almoço não está incluso, fica por responsabilidade de cada um e ao final haverá um café coletivo onde cada participante é convidado a trazer um alimento para compartilhar.

Com música e poesia, Rede Semear articula o movimento da Agricultura Urbana em Florianópolis

“Caminho e planto sementes / nos cantos, nas pedras, nas mentes / que eu nunca perda o passo / que eu plante por todos os espaços”. Os versos cantados pela comunicadora Adriana Ribeiro, de Penha (SC), traduzem poeticamente a última reunião da Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana, realizada no sábado (04 de agosto) no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a convite do grupo Horta Orgânica do CCA (HOCCA). Com a participação de agricultores e agricultoras urbanxs (inclusive de outras cidades, como Adriana), representantes da Sociedade civil, Poder Público e Universidade, a Rede segue crescendo pautada pela diversidade e pela aproximação com grupos de base que promovem a ocupação de espaços urbanos com hortas, como a HOCCA.

Surgido a partir da iniciativa de estudantes do CCA que passaram a implantar hortas em espaços ociosos do Câmpus Itacorubi da UFSC, a HOCCA hoje fornece alimentos para o Restaurante Universitário, promove oficinas temáticas e é um espaço de aprendizado para graduandxs e também para a comunidade. Estas e outras informações foram compartilhadas durante a visita pelas hortas do campus guiada pelo grupo, que também falou sobre sua luta para seguir cultivando espaços e mentes na Universidade.

Mas a pauta principal da reunião foi a organização do IV Encontro Municipal da Agricultura Urbana (com data a ser definida), um dos principais momentos de integração e articulação do movimento em Florianópolis. “Podemos falar em movimento da Agricultura Urbana, pois reúne sociedade civil, poder público, agricultores urbanos, universidade, todos engajados em tema comum: Agricultura Urbana, produção alimentos na cidade, gestão comunitária de resíduos orgânicos e cuidado com a saúde”, explica Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro.

Além disso, também foi discutido contexto do Programa Municipal de Agricultura Urbana, instituído em junho do ano passado. Francisca Daussy, da Secretaria Municipal de Saúde, facilitou o debate sobre o Programa. Quem quiser conhecer mais sobre a proposta da PMAU, nesta sexta, 10 de agosto, das 9h às 11h, haverá um debate no Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Na busca por atender a diversas regiões da cidade e aproximar-se dos grupos de base, a próxima reunião da Rede Semear será provavelmente no Rio Vermelho, em data e local a serem confirmados.

Rede Semear Floripa ganha cara nova com reunião na Horta Comunitária do PACUCA

Buscando aproximar-se dos grupos de base da Agricultura Urbana de Florianópolis, a Rede Semear Floripa teve sua última reunião na Horta Comunitária e Pedagógica do PACUCA, no Campeche, no sábado passado, dia 30 de junho. A vice-diretora do Cepagro, Erika Sagae, representou a organização ali e avaliou o encontro como “muito positivo, com ampla participação de agricultores e agricultoras urbanos locais, profissionais do CRAS Capoeiras e Saco dos Limões, estudantes, professores e acadêmicos da UFSC (Geografia, Arquitetura, Saúde e Agronomia), órgãos públicos e do gabinete do vereador Marquito”. Cerca de 25 pessoas participaram da atividade, que teve também uma visita guiada pela horta, um “momento muito importante de troca de experiências, conhecimentos e mudas”, disse Erika. “Isso mostra a importância de que as reuniões aconteçam nos espaços das hortas, pra ter interação e fortalecer a Rede”, completa.

Depois de conhecerem a história da Horta do PACUCA pelo relato de seu coordenador, Ataíde Silva, as/os participantes  discutiram a importância da participação na Rede para a construção do IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana. Além de encaminhamentos, todxs saíram com sacolas cheias de verduras e aipim. A próxima reunião será no dia 4 de agosto no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a convite do grupo HOCCA – Horta Orgânica do CCA. Junto com a organização do Encontro de Agricultura Urbana, na pauta também está uma oficina sobre formatos de horta e propagação de mudas.

Entre em contato!
Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana – facebook.com/redesemearfloripa/
Horta Pedagógica e Comunitária do PACUCA – facebook.com/hortadopacuca/

fotos: Paulo Freitas e Erika Sagae