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Desafios e alternativas ao cultivo de tabaco em discussão

O Cepagro organizou na última terça, 4 de junho, um debate que faz parte de um ciclo de reuniões sobre atividades bem sucedidas que oferecem potencial para implementação dos artigos 17 e 18 da Convenção Quadro para Controle do Tabaco. Estes tópicos dizem respeito a alternativas economicamente viáveis para produtores que desejam abandonar a fumicultura e a proteção ao meio ambiente e a saúde das pessoas. Promovido pela Secretaria Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (SE-CONICQ) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceria com o Cepagro, o encontro aconteceu no Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

por Ana Carolina Dionísio

Artesãs, agricultoras, estudantes e representantes dos poderes públicos estavam presentes
Artesãs, agricultoras, estudantes e representantes dos poderes públicos estavam presentes

Estiveram presentes representantes do Ministério da Saúde, Instituto Nacional do Câncer, Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, MDA, Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Embrapa, além de estudantes de pós-graduação da UFSC, membros do Grupo de Mães da comunidade de Três Barras (Palhoça) e do Grupo de Agroecologia Terra Viva de Angelina.  A secretária-executiva da Conicq Tânia Cavalcante apresentou um panorama dos avanços da Convenção Quadro no país e no mundo, lembrando como o tratado não está focado somente na diminuição do consumo do tabaco, mas também em criar alternativas de produção para as milhares de famílias (só no Brasil são 186 mil) que ainda dependem da fumicultura. “A Convenção busca salvaguardas para quem produz, não simplesmente a proibição”, disse.

Tânia Cavalcante apresentou a Convenção Quadro de Controle do Tabaco, seus avanços e metas
Tânia Cavalcante apresentou a Convenção Quadro de Controle do Tabaco, seus avanços e metas

Outra convidada foi a empresária Francisca Vieira, do Grupo Natural Cotton Color, que desenvolve roupas feitas com algodão naturalmente colorido desenvolvido pela Embrapa. O cultivo, processamento e confecção de peças com esta fibra tem se mostrado como uma opção de desenvolvimento sustentável para dezenas de agricultores familiares da Paraíba, inclusive ex-fumicultores. Para impulsionar a iniciativa, Francisca contou com o apoio do Sebrae, e não só financeiro. “O mais problemático é o desenvolvimento do produto: saber qual produto fazer, para quem e como vender”, afirmou, lembrando como capacitações neste sentido são fundamentais para agricultores e artesãos. Esta fala foi extremamente valiosa sobretudo para o Grupo de Agroecologia Terra Viva, que reúne mulheres que trabalham com artesanato com fibras naturais e tecelagem manual. O intercâmbio entre elas foi intenso, e Francisca destacou que os artigos delas têm potencial para atingir vários mercados, desde que seja uma produção planejada, com apoio técnico especializado. Neste sentido, o grupo vem sendo apoiado pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha através da formadora em economia solidária Miriam Abe, que promove capacitações com as mulheres sobre artesanato com matérias primas locais e cooperativismo.

A confecção com algodão colorido representa, segundo Francisca, uma produção sustentável, pois leva em conta as comunidades produtoras
Francisca expõe e vende suas roupas com algodão colorido em feiras e eventos de moda no Brasil e no exterior

O algodão colorido poderia ser, então, uma alternativa ao tabaco no Sul do Brasil, região responsável por 95% da produção de folhas no país? Nem Francisca nem Gilvan Ramos, da Embrapa-PB, puderam responder estar pergunta, mas lembraram que a riqueza do algodão colorido não é o cultivo em si, mas o arranjo produtivo local organizado ao redor dele. “É nisto que devemos concentrar esforços e recursos, nestes produtos únicos que ao longo do tempo vão ser aperfeiçoando”, completou Ramos.

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Patrimônio Agroalimentar em Debate II mostra que os engenhos de farinha não morreram

Esta foi a tônica da intensa troca de saberes, experiências e até mesmo receitas que marcou a segunda edição do evento, realizado na última quarta (15/05) no Museu Comunitário Engenho do Sertão, em Bombinhas, integrando a programação da Semana Nacional de Museus. Promovido pelo Cepagro através do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, em parceria com a ONG Instituto Boi Mamão, o evento reuniu representantes do poder público e da Epagri, acadêmicos, estudantes de Ensino Médio e mestres de engenhos locais. Nesta etapa, as atividades estiveram focadas na farinha e outros derivados da mandioca produzidos nestes espaços que continuam vivos: os engenhos artesanais.

por Ana Carolina Dionísio – Cepagro

O evento reuniu representantes do poder público, da Epagri, estudantes, acadêmicos e mestres de engenhos da região
O evento reuniu representantes do poder público, da Epagri, estudantes, acadêmicos e mestres de engenhos da região

Antes de começarem a discutir questões relativas aos engenhos, como a sua importância tanto para a preservação da memória e dos saberes tradicionais ligados à gastronomia quanto como atividade econômica, os participantes visitaram duas unidades produtivas, que neste mês já estavam em plena ação. Uma das anfitriãs foi D. Rosa Melo, proprietária de um engenho artesanal em que algumas técnicas tradicionais de preparação e o processamento da matéria prima são mantidas, como a prensa manual de fuso para desidratar a massa da mandioca. Além da produção para a subsistência, D. Rosa também vende farinha para quatro localidades da região. Nas fases de raspagem e lavagem das raízes, feitas manualmente, ela conta com a ajuda de várias mulheres dos bairros vizinhos, que vêm trabalhar ali em troca de massa para beiju, outro processado do engenho. De acordo com Gabriella Pieroni, coordenadora do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, este tipo de vivência comunitária aliada ao interesse pelo produto demonstra a relevância que os engenhos continuam tendo localmente: “Os engenhos não morreram porque os produtos e processados não saíram da mesa das pessoas”, afirma.

Nas rodas de bate-papo das visitas aos engenhos, muito diálogo de saberes e experiências
Nas rodas de bate-papo das visitas aos engenhos, muito diálogo de saberes e experiências

Entre a visita aos engenhos e as apresentações do painel Os Engenhos de Farinha não morreram, a segunda atividade do dia, um delicioso almoço foi servido no Engenho do Sertão, preparado no fogo a lenha por Salete Pinheiro, Rosa Melo, Darci, Rosete e Rosane Fritsch com matérias primas locais: mariscos, cação e a farinha para o pirão. A prefeita de Bombinhas, Ana Paula da Silva, estava presente e demonstrou a abertura da gestão atual para fomentar ações de apoio à manutenção dos engenhos, seja do ponto de vista econômico ou enquanto espaços de preservação da cultura local.

Pausa para o almoço preparada no fogão a lenha com matérias primas locais
Pausa para o almoço preparado no fogão a lenha com matérias primas locais

Após o almoço, com a chegada de mestres produtores de farinha, a presidente da Fundação Municipal de Cultura Nivea Maria Bücker abriu o debate ressaltando a importância de conhecer a história da nossa tradição gastronômica para saber mais da cultura local. “É claro que o produto final – seja uma tainha assada ou um beiju – é muito bom, mas quando a gente agrega esse valor da história ou da herança destes alimentos, fica melhor ainda”, disse. Exemplos da valorização de matérias primas tradicionais, como a mandioca e o berbigão, aparecem no curta-metragem “Litoral Catarinense”, apresentado no evento. O vídeo, focado nos engenhos de farinha e reservas de pesca artesanais, representou Santa Catarina na Expo Movil do Terra Madre, encontro internacional do movimento Slow Food realizado na Itália em outubro do ano passado.

Rosane Lutchemberg, presidente do Instituto Boi Mamão e coordenadora do Museu Comunitário Engenho do Sertão, deu continuidade ao painel após a exibição do curta, questionando uma matéria do Jornal da Assembleia Legislativa de 2004 intitulada Os engenhos de farinha estão morrendo. “Pra nós, eles estão muito vivos. Quando fizemos um mapeamento dos engenhos na região em 1999, havia 9 em funcionamento. Dez anos depois, em um levantamento da Fundação Municipal de Cultura, foram registrados 13”, afirma a gestora de projetos. O próprio Engenho do Sertão, adquirido por Rosane em 1997 e cadastrado como Museu Comunitário em 2007, é um exemplo de como estes espaços podem continuar ativos, ainda que sua função produtiva e econômica tenha entrado em declínio, como destaca Fernanda Silva, neta de José Amândio da Silva, antigo proprietário do local: “Há engenhos de farinha e há pessoas que se preocupam em preservá-los. O engenho do meu avô José Amândio hoje é o Museu Comunitário Engenho do Sertão, onde muita gente vai conhecer um pouco da nossa cultura”. Uma dessas pessoas é o estudante André Cordeiro, do Curso Profissionalizante em Turismo da EBM Maria Rita Flor, que participou do evento e relata que “Agora a gente está sabendo que eles não estão deixando que a cultura morra, que estão passando para os alunos, para a comunidade, uma coisa que eles faziam antigamente e que o pessoal acha que está morrendo”.

Rosane Lutchemberg rememorou a tradição da farinha de mandioca em Bombinhas destacando os proprietários de engenhos artesanais
Rosane Lutchemberg rememora a tradição dos engenhos artesanais em Bombinhas , sendo que alguns estavam presentes no painel

Assim, constituir um atrativo turístico é apenas uma dentre as várias funções do Museu, onde também são realizadas oficinas de arte-educação envolvendo aspectos da cultura popular local e percepção ambiental para estudantes de 14 a 18 anos e aulas de antropologia para pós-graduandos da Univali.  Ao ver mestres de engenho reunidos ali, Rosane completa: “Este museu é de vocês. Vocês estão se reapropriando do que é de vocês de direito”.

Além de atrativo turístico, o Museu Comunitário Engenho do Sertão também é um espaço de educação patrimonial e ambiental
Além de atrativo turístico, o Museu Comunitário Engenho do Sertão também é um espaço de educação patrimonial e ambiental

Enquanto a promoção de atividades educativas nos engenhos é um estímulo para a participação comunitária nestes espaços, a realização de intercâmbios entre proprietários destas unidades constitui uma oportunidade para trocar experiências e buscar soluções para obstáculos e limitações enfrentadas pelos processadores artesanais de mandioca ligados, por exemplo, à legislação sanitária e à comercialização dos produtos, de acordo com Gabriella Pieroni. Na sua fala, ela apresentou o projeto Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, que já realizou um mapeamento dos engenhos no Litoral Catarinense e vem fomentando encontros entre membros destas comunidades, além de oficinas de mídia-educação e obras de melhoramento na estrutura física de algumas propriedades. Outro eixo de trabalho do projeto é a articulação com o movimento Slow Food e o Convivium Mata Atlântica, grupo de gastrônomos-expedicionários que viajam pelo Brasil buscando valorizar matérias-primas regionais. Isso porque o reconhecimento gastronômico da farinha de mandioca polvilhada de Santa Catarina pode abrir um canal de comercialização do produto e, consequentemente, de fortalecimento da produção artesanal e familiar deste item no estado. A coordenadora do projeto finalizou sua intervenção convidando a todos os mestres de Bombinhas e região a participarem das atividades, iniciativa apoiada pela presidente da Fundação Municipal de Cultura Nívea Bücker.

Gabriella Pieroni apresenta os eixos de trabalho do projeto "Ponto de Cultura Engenhos de Farinha"
Gabriella Pieroni apresenta os eixos de trabalho do projeto “Ponto de Cultura Engenhos de Farinha”

As diversas relações entre cultura gastronômica e patrimônio cultural continuaram permeando a conversa no Engenho, desta vez conduzida pela professora do Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria da Univali Yolanda Flores e Silva. Antropóloga de formação, a acadêmica realiza uma parte das suas aulas no próprio engenho, tentando, assim, “trazer saberes tradicionais para a sala de aula, através de visitas dos estudantes a locais como este”, explica. Estas visitas sempre incluem uma refeição preparada no próprio engenho, com ingredientes locais. Através destas vivências antropológico-gastronômicas, a professora busca chamar a atenção dos estudantes para a valorização “das pessoas que alimentam o mundo: os agricultores e pescadores”, diz. Nestas dinâmicas, Yolanda trabalha com a noção de “pertencimento cultural”, baseada no conhecimento da história e cultura locais. “Pertencer a um lugar como Bombinhas é, então, conhecer os engenhos”, conclui.

Yolanda Flores e Silva: "Não é porque a gente vira doutor que tem que esquecer que come farinha de mandioca".
Yolanda Flores e Silva: “Não é porque a gente vira doutor que tem que esquecer que come farinha de mandioca”.

Uma das orientandas de Yolanda é a nutricionista Hellany Brum, que está desenvolvendo sua dissertação de mestrado com as famílias de Bombinhas no contexto da preservação da cultura local como um novo segmento turístico. Ela apresentou seu projeto de pesquisa durante o evento, mostrando como a integração com universidades pode ser outra opção de apoio à manutenção de atividades nos engenhos.

A importância de agregar a pesquisa e extensão universitárias a outras iniciativas nestes espaços já fora apontada pelo engenheiro agrônomo da Epagri Enilto Neubert na primeira edição de Patrimônio Agroalimentar em Debate, em março deste ano. Ele participou novamente nesta segunda rodada, trazendo dados que indicam uma crescente revalorização da mandioca. Além de fazer um levantamento que encontrou 350 engenhos em funcionamento em Santa Catarina, Enilto citou pesquisas que demonstram diversas propriedades nutricionais da mandioca. O engenheiro elencou mais alguns tópicos relevantes para a discussão do tema que entraram em consonância com a fala de Gabriella, como manter o horizonte da geração de renda e da valorização do trabalho dos agricultores, lembrando também da necessidade de socializar as agendas para promover encontros entre as comunidades produtoras .

O engenheiro agrônomo Enilto Neubert, da Epagri, apresenta dados que reforçam a ideia de que os engenhos de farinha não morreram.
O engenheiro agrônomo Enilto Neubert, da Epagri, apresenta dados que reforçam a ideia de que os engenhos de farinha não morreram.

Outro palestrante do evento anterior que também veio a  Bombinhas foi Cláudio Andrade, proprietário do Engenho dos Andrade, no bairro de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis. O artista plástico e historiador auto-didata expôs as diversas atividades educativas desenvolvidas em seu engenho, tombado como Patrimônio Histórico Municipal: oficinas de teatro, vídeo, contação de histórias e passeios de carro-de-boi. De acordo com Cláudio, mais de mil crianças já visitaram o local em 2013. Para ele, “o engenho deveria ser um bem tombado em cada município”, dada a sua relevância para a preservação da memória local.

Para fechar o painel, a intervenção especial de D. Rosa Melo, uma das mestres de engenho presentes. Rememorando a rotina de trabalho árduo iniciada na infância, ela fez um testemunho detalhado dos tempos em que a farinha de mandioca constituía uma das principais fontes de renda da região, como na década de 60: “Teve ano em que fizemos até 60 sacos de farinha. Foi uma luta. Nós, mulheres, chegava a inchar os pulsos de tanto raspar mandioca”. Ela conta que, sem água encanada nem energia elétrica, “era tudo muito duro naquele tempo. Mas eu não enjeitei não. Lutei, lutei e lutei”.

"Era tudo muito duro naquele tempo", afirma D. Rosa de Melo sobre a época em que a farinha de mandioca era uma das principais fontes de renda locais
“Era tudo muito duro naquele tempo”, afirma D. Rosa de Melo sobre a época em que a farinha de mandioca era uma das principais fontes de renda locais

Além das receitas com mandioca e milho que coloriram a mesa do café do evento – coruja (rosca de polvilho), nego deitado com banana (bolo de fubá na folha de bananeira), pudim de aipim na folha, beiju e bolo de aipim com coco –,  a herança dos tempos narrados por D. Rosa foi reavivada com uma roda de ratoeira formada pelas mulheres que estavam ali. O refrão “Ratoeira bem cantada faz chorar, faz padecer/Também faz o triste amante de seu amor esquecer” foi acompanhado também por alguns homens, emocionando a todo o público.

“Ratoeira bem cantada faz chorar, faz padecer Também faz o triste amante de seu amor esquecer”
“Ratoeira bem cantada faz chorar, faz padecer
Também faz o triste amante de seu amor esquecer”

Clique na imagem abaixo para conferir o álbum de fotos completo

Nego deitado, cabeça de gato, beiju:  herança cultural e gastronômica na mesa do café
Nego deitado, coruja, beiju: herança cultural e gastronômica na mesa do café

Grupo de agroecologia da Rede Ecovida tem destaque na 19ª Festa do Queijo e do Mel de Angelina

Articulado pelo Cepagro e composto por agricultoras e artesãs, o Grupo de Agroecologia Terra Viva participou no último dia 21/04 da 19ª Festa do Queijo e do Mel de Angelina.  A festividade foi recuperada pela atual gestão municipal após um intervalo de três anos. As associações e conselhos comunitários das localidades rurais foram então convocados para montar seus estandes com produtos  e desfilar na praça central  mostrando suas produções culturais.

Por Gabriella Pieroni – Ponto de Cultura Engenhos de Farinha

Fotos Sandra Alves

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A iniciativa, batizada de 1ª Festa das Comunidades, teve a intenção de oferecer “atrativos gastronômicos e culturais diferenciados, buscando surpreender os participantes com atrações e produtos únicos, que não lhe são oportunizados diariamente”, como consta da proposta elaborada pela prefeitura.

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A  festa deste ano mostrou que  muito pode ser feito em Angelina neste sentido. O grande público presente surpreendeu os produtores locais, que não conseguiram suprir a  procura por produtos coloniais. Isto porque, além das comunidades, um grande número de pessoas de outros municípios como  Blumenau, Balneário Camboriú e Florianópolis compareceram à festa, desfrutando de um ensolarado domingo de outono.

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Os alimentos ofertados nas barracas se esgotaram na metade da programação do dia deixando muita gente com água na boca. O queijo foi o primeiro a desaparecer das barracas, revelando a necessidade de viabilização da venda da produção de diversas famílias que necessitam de certificação. Os visitantes também enfrentaram muitas filas e foi necessário fazer reservas para  levar para casa o queijo e o  mel, entre outros produtos coloniais e de estação de Angelina.

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O grupo Terra Viva expôs o artesanato com matérias-primas locais, resultado de um processo de capacitação com a formadora em economia solidária Mirian Abe, que estava presente,  juntamente com o agrônomo Javier Bartaburu, do Cepagro. Eles aproveitaram a oportunidade para  levantar alternativas  de fortalecimento do grupo e da agroecologia na região.

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Atuais exemplos únicos da agricultura familiar orgânica de Angelina, Celso e Catarina Gelsleuchter levaram à festa mel, frutas e processados de engenho de sua propriedade, que é certificada pela Rede Ecovida de Agroecologia. O mel e a farinha artesanal de mandioca, produtos de longa tradição na família, foram os mais disputados. Foi apresentada  também a rota de agroturismo da Rede dos Engenhos Artesanais de Farinha da grande Florianópolis, a qual faz parte o engenho da família Gelsleuchter, situado na localidade do Garcia e movido à roda d’água.

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Também estavam presentes  Angelita Hames e Elza Hames, atuais representantes dos grupos de artesanato Nosso Espaço e Mães e Amigas de  Garcia e Coqueiros. O grupo de agroecologia Terra Viva, junto com a equipe do Cepagro,  foram responsáveis pelo estande da comunidade do Garcia. Durante a festa, o Secretário de Agricultura do município agendou uma reunião com estas equipes para viabilizar possibilidades de avanço da agroecologia e agricultura familiar no município.

Clique na imagem abaixo para conferir a galeria completa de fotos no blog do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha

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Sabores e saberes tradicionais ganham destaque em evento realizado pelo Cepagro

por Ana Carolina Dionísio

Foi com auditório lotado e mesa farta que pesquisadores, representantes de entidades governamentais, da Rede Ecovida e do Movimento Slow Food, líderes extrativistas, agricultores, estudantes, professores e eco-chefs discutiram as diversas relações entre saberes tradicionais, alimentação e cadeias produtivas durante o evento Patrimônio Agroalimentar em Debate, realizado na quarta-feira passada (27/03) no campus Continente do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), em Florianópolis. O encontro foi promovido pelo Cepagro em parceria com o Convivium Mata Atlântica, grupo de gastrônomos-expedicionários que viajam pelo Brasil buscando valorizar matérias-primas regionais, e com o Curso de Gastronomia do IFSC – que também atua neste sentido, através da formação de profissionais.

Auditório cheio para debater potenciais e restrições de alimentos tradicionais
Auditório cheio para debater potenciais e restrições de alimentos tradicionais

Lia Poggio, coordenadora do Slow Food na América Latina, abriu o debate afirmando a importância de combinar desenvolvimento territorial com preservação da identidade cultural, lembrando que o turismo consciente pode contribuir para isso. Na sequência, Andrea Fantini, pesquisador do Laboratório de Economia e Marketing Agroalimentar da Universidade de Teramo (Itália), abordou a comercialização de produtos típicos no contexto da economia solidária. Ele destacou a noção de preço justo, “aquele que maximiza o bem estar conjunto dos produtores e consumidores”, afirmando que, para chegar a este valor, é necessário “promover e garantir a transparência do processo de formação dos preços”, o que começa com o conhecimento efetivo dos custos de produção.

Produtos típicos a preços justos e economia solidária foram tópicos abordados pelo prof. Andrea Fantini, da Universidade de Teramo (Itália)
Produtos típicos e economia solidária foram abordados pelo prof. Andrea Fantini, da Universidade de Teramo (Itália)

O coordenador geral do Cepagro Charles Lamb encerrou a primeira mesa apresentando as várias frentes de atuação da ONG e da Rede Ecovida em prol da agricultura familiar e da democratização do acesso a alimentos saudáveis em Santa Catarina. As iniciativas de agricultura urbana da organização, que envolvem a gestão comunitária de resíduos orgânicos e de hortas escolares, foi um dos eixos de trabalho abordados, assim como a assessoria para a certificação participativa de produtos ecológicos – sistema de garantia em que conformidade orgânica é avaliada pelos próprios agricultores articulados em rede, não por uma agência.

Outro projeto abordado é o da diversificação produtiva em áreas de cultivo de tabaco. No Brasil, um dos maiores produtores mundiais de fumo, cerca de 200 mil famílias (55 mil só em Santa Catarina), ainda sobrevivem da fumicultura. Segundo Lamb, para mudar esta realidade é fundamental questionar não só as fumageiras, mas “o próprio modelo de produção, que privilegia o tabaco em detrimento do cultivo de alimentos”. Buscando isso, o Cepagro presta assessoria técnica para dezenas de famílias fumicultoras em processo de transição para o cultivo de alimentos (especialmente orgânicos). Este apoio não se restringe às etapas de plantio, mas também do escoamento da produção, através do circuito de comercialização da Rede Ecovida e do recém-inaugurado Box de Produtos Orgânicos no Ceasa/SC. Lamb também ressaltou a forte incidência política da Rede na discussão de marcos legislatórios para alimentos orgânicos e agricultura familiar.

A busca de alternativas para o funcionamento de engenhos artesanais de farinha de mandioca que combinem a preservação da sua atividade como patrimônio cultural com a legalização e valorização dos seus produtos foi o tema da segunda mesa de debates do evento. A mediação foi do agrônomo Marcos José de Abreu, idealizador do projeto “Ponto de Cultura Engenhos de Farinha”, que desde 2011 vem realizando ações no sentido de reconhecer e dinamizar atividades nestes locais em 5 municípios do Litoral Catarinense.

A importância histórica e cultural dos engenhos artesanais de farinha e os entraves para a comercialização dos seus produtos foram discutidos durante o evento
A importância histórica e cultural dos engenhos artesanais de farinha e os entraves para a comercialização dos seus produtos foram discutidos durante o evento

O painel começou com uma recuperação histórica do papel da farinha de mandioca na economia catarinense, feita por Claudio Andrade, proprietário do Casarão e Engenho dos Andrade, no bairro de Santo Antônio de Lisboa. Do surgimento dos engenhos como uma adaptação dos moinhos de vento europeus, ele chegou ao panorama atual em que a farinha de mandioca artesanal sofre um desprestígio frente a outros alimentos industrializados, somado ao que ele chamou de “exigências sanitárias absurdas”, como a instalação de azulejos em pequenas unidades produtivas familiares.

É por causa da inviabilidade destas medidas que o agrônomo da Epagri Enilto Neubert, que falou a seguir, diferenciou os engenhos voltados para a preservação da memória dos que têm produção comercial. Para ele, a realização de trabalhos de pesquisa e extensão universitária nestes locais é fundamental para a manutenção de ambos, assim como a valorização gastronômica da farinha de mandioca no âmbito das unidades produtivas comerciais. Já o representante da Cidasc Wladimir Mendes apresentou um olhar mais pessimista, destacando o declínio do consumo de farinha de mandioca no país e a dificuldade de encontrar opções para que os engenhos continuem ativos sem ferir a legislação e os parâmetros sanitários brasileiros.

Se o reconhecimento culinário da farinha é um caminho para os engenhos com atividade comercial, a salvaguarda deste produto como patrimônio cultural pode ser uma opção para as unidades mais tradicionais, num processo que foi esclarecido pela historiadora Regina Helena Santiago, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela explicou que o pedido de registro deve ser feito por um coletivo representativo da comunidade, pensando na questão “O que essa farinha representa para as populações que a consomem?”, assim como aconteceu com o queijo mineiro, os doces de Pelotas e o acarajé baiano, itens que já estão sendo registrados junto ao Iphan.

Apesar dos entraves burocráticos e dificuldades econômicas, os engenhos artesanais continuam em atividade. Dois dos seus produtos, a bijajica (bolo de farinha de mandioca com amendoim) e o beijú, foram degustados durante o evento, junto com outros sabores tradicionais do litoral catarinense, como o berbigão, servido em um patê, doces e geleias orgânicos, pães integrais e queijo cremoso. Tudo acompanhado de águas aromatizadas e sucos naturais preparados na cozinha industrial do IFSC pelos chefs Fabiano Gregório, Bernardo Simões e Philipe Bellettini, além de frutas do Box de Produtos Orgânicos do Ceasa.

Beijú, bijajica, patê de berbigão, doces caseiros e frutas orgânicas deixaram o debate mais colorido e saboroso
Beijú, bijajica, patê de berbigão, doces caseiros e frutas orgânicas deixaram o debate mais colorido e saboroso

Assim como a produção tradicional de farinha, a pesca artesanal também enfrenta impasses. Alguns deles foram expostos durante o segundo painel do evento, mediado por Gregório, que também estava representando o Convivium Mata Atlântica/SC e o Movimento Slow Fish, que pretende recuperar os saberes tradicionais de comunidades de pescadores. Além da doutoranda em Sociologia Política Mariana Policarpo, participaram do debate duas importantes lideranças de Reservas Extrativistas de Pesca Artesanal (Resex) de Santa Catarina: Maria Aparecida Ferreira, de Ibiraquera, e Valdeuclides do Nascimento, da Costeira do Pirajubaé, em Florianópolis.

Numa fala emocionada, Maria Aparecida contou os vários obstáculos enfrentados pelas comunidades de pescadores do litoral sul catarinense para prosseguir com a pesca de subsistência, da falta de apoio (e às vezes até oposição) do município à ação predatória da grande indústria. Na mesma linha, Valdeuclides do Nascimento apresentou o panorama da Resex da Costeira, que segundo ele é a primeira do Brasil e a maior em uma área urbana. Por estar dentro da cidade, sofre muito mais a pressão da crescente especulação imobiliária na Ilha de Santa Catarina. Sr. Vado, como é conhecido, questionou a concessão de licenças ambientais para empreendimentos à beira-mar enquanto ranchos de pesca artesanal são considerados ilegais. “A Resex é vista por alguns como um obstáculo ao desenvolvimento do sul da Ilha, por exemplo, por atrapalhar a duplicação da estrada para o aeroporto”, completou.

Maria Aparecida Ferreira, da Resex de Imbituba e Garopaba: “Ninguém quer conhecer essa maravilha que é a pesca artesanal só por fotos. Todos queremos vê-la ao vivo e a cores sempre”
Maria Aparecida Ferreira, da Resex de Imbituba e Garopaba: “Ninguém quer conhecer essa maravilha que é a pesca artesanal só por fotos”

Os representantes da pesca artesanal também falaram de conquistas, como a própria Resex de Imbituba e Ibiraquera, resultado de 5 anos de discussões na comunidade e de atuação política em diversas instâncias. “Muitas vezes dá vontade de largar o pano, mas quando vemos tanta gente nos apoiando, dá mais ânimo de continuar”, disse Maria Aparecida. Uma das plataformas de apoio à atividade está na pesquisa acadêmica, como a investigação de Mariana Policarpo, focada nas estratégias integradas de geração de trabalho e renda a partir da valorização da identidade cultural das comunidades pesqueiras tradicionais. De acordo com ela, estes territórios estão marcados por atividades diversificadas, como pesca, agricultura e turismo. Conciliá-las com a preservação de recursos naturais é um desafio necessário, já que o meio-ambiente é também o principal atrativo turístico local. Mariana constatou isso após analisar cerca de 3 mil exemplares de materiais impressos de promoção turística da região de Imbituba e Garopaba; na maioria deles, as praias e lagoas tinham destaque. Mas, como lembrou Maria Aparecida, estas belezas não podem ficar só no papel: “Ninguém quer conhecer essa maravilha que é a pesca artesanal só por fotos. Todos queremos vê-la ao vivo e a cores sempre”.

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Grande Florianópolis ganha espaço que aproxima consumidores e agricultores agroecológicos

por Ana Carolina Dionisio e Fernando Angeoletto / Cepagro

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Aproximar produtores e consumidores, oferecer alimentos saudáveis a preços justos e gerar alternativas de diversificação produtiva para famílias fumicultoras: objetivos centrais do movimento agroecológico em Santa Catarina que ganharam agora um grande aliado, com a inauguração do Box de Produtos Orgânicos na Ceasa/SC. A solenidade aconteceu na última quarta (20/03) às 10h, e teve a participação de representantes de entidades da sociedade civil, da UFSC (Universidade federal de Santa Catarina), dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, da Câmara Municipal de Florianópolis e de agricultores(as) e membros(as) da Rede Ecovida dos três estados do Sul do Brasil. O Box 721 da Ceasa/SC será o único destinado exclusivamente à comercialização de produtos agroecológicos, que terão garantia de conformidade orgânica por certificação participativa ou por auditoria.

Público assiste à inauguração do Box 721
Público assiste à inauguração do Box 721

 

A abertura do espaço é resultado de dois anos de esforços conjuntos entre o Cepagro e o Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (Lacaf) da UFSC, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que repassou verba necessária para viabilizar o funcionamento do local e pagar funcionários que prestarão apoio técnico à comercialização. O Box já estava aberto desde janeiro, mas trabalhando somente com feiras, restaurantes, pequenos e médios varejistas. A partir desta semana, atenderá também ao público em geral, às segundas, quartas e sextas-feiras, das 5h às 8h da manhã. Além das variedades orgânicas de cebola, batata, feijão, maçã, morango, laranja e mini-tomate que já eram ofertadas, entraram para a lista de produtos: banana, milho, caqui, abóbora, alho-poró, maracujá, batata-doce, além de sucos, doces, geleias e da polpa de açaí extraída dos frutos da palmeira juçara da Mata Atlântica.

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O Box 721, exclusivo para produtos orgânicos certificados

Muitos destes itens são oriundos de propriedades onde antes se plantava tabaco, cultura ao qual se dedicam cerca de 55 mil famílias só em Santa Catarina. A inclusão de novos produtores que desejam sair da fumicultura é uma das principais metas do Box, segundo o coordenador geral do Cepagro Charles Lamb, pois aumenta as opções de escoamento da produção agroecológica. O representante da Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Santa Catarina, Elder Guedes, concorda: “A implementação do Box atende a diversas demandas do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, como a articulação de mercados institucionais e convencionais e a realização de projetos de espaços coletivos de comercialização”. Ele ressalta que, para o fumicultor, a agroecologia sinaliza uma perspectiva de cultivo com valor agregado, por isso é um caminho viável para a substituição do tabaco. “Diminuir a participação de intermediários através da estruturação da comercialização em rede agrega mais valor ainda ao produto”, completa, lembrando que “a conquista deste espaço é um mérito da Rede Ecovida”.

Programa Ação, da rede Globo, produziu nesta semana matéria com agricultor da Rede Ecovida, ex-fumicultor que hoje produz orgânicos e comercializa em feiras e no Box 721
Programa Ação, da rede Globo, produziu nesta semana matéria com agricultor da Rede Ecovida, ex-fumicultor que hoje produz orgânicos e comercializa em feiras e no Box 721

Além dos agricultores, os consumidores saem ganhando, tendo acesso a produtos de qualidade orgânica com preços similares – e às vezes até mais baixos – do que os convencionais. O kilo da banana branca, por exemplo, está R$2 no Box, enquanto numa das maiores redes de supermercados de Santa Catarina custa R$2,99. A cebola, vendida a R$3 no Box, sai por R$3,29 no outro estabelecimento. Isso é possível, de acordo com Lamb, devido ao trabalho conjunto de cooperativas, associações e grupos de agricultores do estado na logística de transporte associado à agricultura de base ecológica.

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Outro mercado servido pelo Box poderá ser o das compras governamentais, como para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a merenda escolar. Atualmente, a Lei 11.947 determina que pelo menos 30% da alimentação escolar seja procedente da agricultura familiar, mas esta participação pode crescer muito mais, de acordo com o coordenador do Cepagro, o que garantiria um canal seguro de comercialização para os produtores de orgânicos.

Após o evento de inauguração do Box, membros do Circuito de Comercialização da Rede Ecovida reuniram-se ali para discutir os critérios de uso do espaço e estratégias coletivas de abastecimento, tanto daquele quanto de outros pontos de comercialização de produtos agroecológicos. Produtores, associados e cooperados de 12 municípios dos três estados do Sul do Brasil estavam presentes e apresentaram produtos que têm em oferta e demanda no momento.

VEJA TAMBÉM: MATÉRIA NO BOM DIA SC SOBRE A INAUGURAÇÃO (Clique na Imagem abaixo)

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Espaço para comercialização de produtos orgânicos será aberto na próxima quarta, 20/03

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O Cepagro, em conjunto com Cooperativas, Grupos e Associações integrantes dos Núcleos Regionais da Rede Ecovida em Santa Catarina, tem o imenso prazer em  comunicar  mais uma conquista da Agricultura Familiar para nosso Estado.
Trata-se de um momento afirmativo resultante de dois anos de pleito junto à CEASA/SC, visando a disponibilização de um espaço, agora concretizado, para comercialização de alimentos de base ecológica da agricultura familiar.
A relevância deste espaço – o Box 721, no Pavilhão da Agricultura Familiar da CEASA (São José/SC), cuja inauguração será em 20/03 (vide convite acima), se deve ao grande gargalo ainda existente em torno da logística de distribuição, e maior incidência desta sobre o custo na venda direta dos alimentos. “Embora saibamos que somente esta ação é pouca para ampliar  a agricultura de base ecológica, consideramos que, aliada a outros esforços públicos e da sociedade civil, resultará em passos largos na direção do real sentido de Desenvolvimento Sustentável dos ambientes rurais e urbanos”, avalia Charles Lamb, da coordenação geral do Cepagro.
O Box 721 vai permitir maior constância e variedade no abastecimento de dezenas de pequenos varejos de Florianópolis. O consumidor ganha ao ter acesso a produtos com preços justos e com garantia da procedência orgânica, uma vez que somente alimentos certificados, tanto por sistema participativo quanto de auditoria, serão comercializados no local.
A diversidade da oferta, respeitado a sazonalidade dos cultivos, ganha mais consistência através da articulação do Box com o Circuito de Comercialização da Rede Ecovida, que movimenta produtos da Agricultura Familiar de base ecológica provenientes dos 3 Estados do Sul. No momento, variedades orgânicas de batatas, cebolas, laranjas, maças e feijões, além de morango e mini-tomate, estão na lista de produtos ofertados. Outro produto com grande destaque é a Polpa de Açaí, extraído dos frutos da árvore Juçara (palmiteiro) da Mata Atlântica, com qualidade, textura, aparência e valor nutricional superiores ao açaí amazônico. O Açaí de Juçara é extraído por agricultores da região de Jaraguá do Sul e Joinville, numa manejo que gera recursos financeiros e a preservação da mata, mantendo e propagando os palmiteiros.
Além de servir aos varejos, o Box 721 vai facilitar a logística de circulação das compra governamentais, a exemplo do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) implementado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento). Semanalmente, cerca de 5 toneladas de produtos orgânicos serão enviados pela Cooperativa Ecoserra, de Lages, para abastecer instituições sociais e de caridade da grande Florianópolis.
Organizado a partir de uma frutífera articulação com a UFSC, através do LACAF (Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar), o Box 721 é também um forte aliado para transformações positivas no campo. A garantia de mercado para os produtos orgânicos viabiliza outra realidade para produtores de fumo, historicamente expostos à grande carga de agrotóxicos e a integração dificilmente superável com as indústrias fumageiras. Dezenas de ex-fumicultores, pertencentes a grupos e cooperativas da região, escoarão seus produtos orgânicos através do Box. É o caso do sr. Jair Scheidt (foto abaixo), agricultor de Imbuia (SC), que abandonou o fumo e atualmente produz cebolas, tomates, feijões e frutas orgânicas.
Os contatos comerciais do Box 721 são: (48) 9652-6610 (TIM) e 8437-1875 (OI).
Para mais informações: Assessoria de Comunicação / Cepagro – (48) 9633-4007 / comunicacao@cepagro.org.br
Sr. Jair Scheidt, ex-fumicultor de Imbuia, que irá comercializar seus produtos no Box 721
Sr. Jair Scheidt, ex-fumicultor de Imbuia, que irá comercializar seus produtos no Box 721
Na seqüência, diálogos sobre a comercialização na Rede
No mesmo dia da inauguração, no período da tarde, acontece a reunião do Circuito de Comercialização Rede Ecovida, seguindo a dinâmica mensal de organização do coletivo. Serão tratados os seguintes pontos, pautados pelos integrantes e articuladores:
  • Apresentação dos participantes;
  • Apresentação do funcionamento operacional e critérios acordados de utilização do espaço CEASA;
  • Demandas e ofertas das estações, estratégias coletivas de abastecimento;
  • Dinâmica de funcionamento de cada estação presente;
  • Situação e encaminhamentos de projetos;
  • construção de agendas comuns, inclusive proposta de data para plenária de comercialização da Rede;
  • Informes gerais

Veja também: notícia do Box no Jornal do Ceasa (abaixo)

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Links externos sobre o Box 721 de Produtos Orgânicos da Grande Florianópolis