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Núcleo Litoral Catarinense entrega certificados e faz planejamento para o segundo semestre

“Para nós, a certificação por auditoria estava fora de cogitação. Não só pelo custo, mas porque o sistema participativo é também estar junto. Isso é fundamental neste momento político”. Em 2017, a professora Tatianne de Faria Vieira deixou o emprego no Instituto Federal de Goiás para instalar uma micro-padaria artesanal em Santo Amaro da Imperatriz. Quase  dois anos depois, ela espera ansiosamente receber o primeiro certificado para sua agroindústria, o que atesta a qualidade do local para beneficiamento de alimentos orgânicos. Mas mais do que o documento de certificação, o importante para Tatianne é estar dentro do Sistema Participativo: “Vocês são minha referência”, disse ela para as famílias que participaram da última reunião do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, realizada no Engenho da Família Gelsleuchter, em Angelina, na quinta passada, dia 13 de junho. Além da entrega de 56 certificados de produção orgânica, durante a reunião também foram tratados assuntos como o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, repasses do Fórum Brasileiro de SPGs e da Plenária catarinense da Rede Ecovida e ainda a agenda de capacitações do Núcleo para o segundo semestre do ano.

A entrega dos certificados 2019-2020 acontece num contexto de informatização do sistema de emissão de certificados da Rede Ecovida. Para que toda a documentação das mais de 100 famílias do Núcleo fosse organizada e digitalizada, foi mobilizada uma equipe de 10 representantes de vários grupos, como informou e agradeceu a coordenadora Tânea Mara Follmann. “Os problemas que tivemos na emissão de certificados foram por falhas no preenchimento da documentação, não por inconformidades”, afirma a agricultora. Com o sistema informatizado, qualquer problema na documentação trava o processo de emissão do certificado. Dos grupos e famílias que estavam com tudo ok, só sorrisos; quem teve problemas terá que esperar mais um pouco até a situação estar regularizada no sistema central da OPAC.

Encontro do Núcleo Litoral Catarinense será em Porto Belo
O grupo Costa Esmeralda, que promove nos dias 24 e 25 de agosto o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, fez alguns informes sobre a organização.  “Nossa ideia é ter alimentação 100% orgânica”, disse Flávia Mundstock, da equipe de organização. Para isso, a colaboração das famílias agricultoras do Núcleo será fundamental, doando e fornecendo alimentos. Para as oficinas estão listados temas como: preparados biodinâmicos, plantas alimentícias não convencionais (PANCs), reaproveitamento integral de alimentos, plantas medicinais, processamento, integração agricultores/as e consumidores/as e gênero. Haverá atividades especiais para as crianças, o famoso Encontrinho, além do espaço Cuidar de Si, com diversas práticas terapêuticas.

Fórum Brasileiro de SPGs: equidade e violência de gênero passam a integrar princípios dos sistemas participativos
A temática de gênero emergiu na discussão sobre o Encontro do Núcleo a partir dos informes feitos pela agricultora Claudete Ponath sobre o encontro do Fórum Brasileiro de SPGs, realizado em Valinhos (SP) nos dias 1 a 3 de maio, reunindo 54 representantes de 26 Sistemas Participativos de Garantia do Brasil. A Carta de Valinhos, documento final do encontro, traz que “O Fórum recomenda fortemente que os manuais de procedimentos dos SPGs e OCSs explicitem que a violência de gênero não será tolerada e implica na suspensão do certificado do responsável”. Neste sentido, a proposta de manter a discussão de gênero viva nos encontros da Rede é para “Ver o que pode estar velado. Não tolerar a violência de gênero parece algo óbvio, mas não é. Tanto é, que não falamos muito. Precisamos trazer esse tema mais para as reuniões”, disse Claudete. Outros pontos abordados no encontro e disponíveis na carta foram notas técnicas e instruções normativas sobre a certificação orgânica que ainda precisam ser discutidas com o coletivo dos SPGs, além do encaminhamento de manter as Comissões Estaduais de Produção Orgânica (CPOrgs) funcionando, apesar do decreto presidencial 9759, de 11 de abril de 2019, que extingue diversos conselhos e comissões.

Núcleo Litoral Catarinense terá mais duas capacitações neste ano
Enquanto no primeiro semestre os grupos estavam intensamente envolvidos nas visitas e dinâmicas da certificação, a partir de agosto as reuniões do Núcleo terão caráter mais formativo. Para depois do Encontro do Núcleo em Porto Belo nods dias 24 e 25 de agosto, ficaram agendadas capacitações sobre:
– o Circuito de Comercialização da Rede Ecovida, que será na propriedade da família Cognacco, em Leoberto Leal, em outubro;
– mudas orgânicas, com uma visita a um centro produtor em Blumenau.

Fechando a atividade, uma rodada pela bela propriedade da família Gelsleuchter, visitando as áreas de cultivo e aproveitando para trocar informações e saberes sobre a produção agroecológica.

Veja mais fotos da reunião!

 

 

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Doutoranda dos EUA apresenta resultados de pesquisa para famílias agricultoras

Ervilhaca e aveia, duas culturas comuns em adubação verde.

Como a adubação verde e os consórcios de hortaliças podem melhorar a produtividade dos cultivos e a qualidade dos alimentos? Essa pergunta motivou a doutoranda Anne Elise Stratton, da Universidade de Michigan (EUA), a vir para Santa Catarina desenvolver a pesquisa de campo do seu doutorado. “Minha tese é de que a diversificação de cultivos e a adubação verde têm potencial de reduzir custos e aumentar a produtividade, contribuindo para a autossuficiência das famílias agricultoras”, explica Anne Elise. Desenvolvida em parceria com o Cepagro, a pesquisa Cultivos em consórcio, adubação verde e a qualidade do solo e das hortaliças produzidas já trouxe alguns resultados, que foram apresentados na última terça, 4 de junho, em Angelina.

O engenho da família Gelsleuchter (da Rede Ecovida de Agroecologia) recebeu a atividade, que reuniu 10 agricultoras e agricultores de Angelina, Major Gercino e Leoberto Leal. Anne Elise apresentou um panorama da pesquisa, que envolveu 15 propriedades em seis municípios: Angelina, Águas Mornas, Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento e Santa Rosa de Lima. Em todas foram implantadas parcelas experimentais de consórcio de cultivos, quando dois ou três espécies são cultivadas no mesmo espaço simultaneamente. Além disso, em sete das 15 propriedades foram feitos experimentos com adubação verde  – cultivos feitos para fornecer cobertura e nutrientes para o solo, não para serem colhidos.

Visitando a parcela experimental de adubação verde

O consórcio experimentado por Anne nas propriedades foi de ervilha e pepino. Os resultados foram variados: em alguns casos, houve diferença na produção, em outros não, indicando que é preciso aprofundar as análises. No caso da adubação verde, os resultados foram diferentes, principalmente para o pepino: quanto mais tempo de cobertura de solo, melhor o rendimento do pepino. Já a ervilha, de acordo com Anne Elise, “fixa seu próprio nitrogênio no solo e não precisa de tantos nutrientes, por isso o benefício não é tão evidente”.

Dione Eger (centro) falando sobre o uso da adubação verde em sua propriedade

As famílias agricultoras já vêm observando as vantagens da adubação verde há tempos. Uma delas é o casal Dione e Zenaide Eger, que cultiva fumo na sua propriedade em Major Gercino. “Lá tem muita erosão, então temos que usar cobertura de solo. Usamos aveia preta como adubação de inverno, pois é a cultura mais adaptada à nossa região”, explica Dione, que já facilitou uma oficina sobre o assunto em 2015. Sobre a pesquisa, Zenaide avalia que “é fundamental para nós. Pois assim entendemos o porquê das coisas. Se ficamos só com a nossa observação, precisamos esperar um ano até colher a nova safra pra saber se o que a gente tentou vai dar certo ou não”.

Gabriela e Amauri Batisti mudaram da fumicultura para a agroecologia.

Na outra ponta da transição agroecológica está o casal Gabriela e Amauri Batisti, também de Major Gercino. Eles também cultivavam fumo e resolveram investir na agroecologia para trabalhar com mais saúde. “Depois que paramos com o fumo, chegamos a trabalhar fora durante dois anos. Mas aí fizemos as contas e vimos que seria melhor os dois ficarem trabalhando na roça”, conta Gabriela. Hoje eles produzem banana, açaí, aipim, batata salsa, batata doce e hortaliças num sistema agroflorestal, com cultivos tanto em meio à floresta nativa quanto junto com eucaliptos. “Antes a gente plantava uma coisa só em cada lugar. Depois que ela chegou, começamos a plantar tudo junto. E ainda quero experimentar plantar aveia no meio das bananeiras”, afirma a agricultora. Ela e o companheiro comercializam sua produção na alimentação escolar de Major Gercino e São João Batista, além de fornecerem 40 a 45 cestas de alimentos semanalmente. “No futuro, queremos montar uma agroindústria para beneficiamento de aipim”, completa.

O agricultor Gilmar Cognacco também plantava fumo e hoje está na agroecologia, participando da pesquisa. Aproveitou a atividade para colher um pouco de couve para as feiras de Brusque e Florianópolis.

Além das conexões acadêmicas entre a UFSC e a Universidade de Michigan, essas diferentes caminhadas na transição para uma agricultura mais sustentável foram um atrativo para Anne Elise desenvolver sua pesquisa de campo no Brasil. “Vocês são um exemplo dessa transição sustentável na agricultura, com conservação de solos e diversificação”, disse ela às famílias. “Acredito que essa pesquisa será um reforço para a noção da Agroecologia como ciência, além de reunir informações e dados sobre práticas como a adubação verde”, completa Anne Elise.

A pesquisa continua até 2020. Um novo ciclo de adubação verde será plantado em agosto, para ser incorporado e aí receber mudas de hortaliças. Nessas próximas fases, será importante o apoio que o Cepagro vem recebendo do Instituto das Irmãs da Santa Cruz para compra de insumos e logística da equipe de campo.

Plenária catarinense da Rede Ecovida reúne 11 núcleos em Caçador

Plenária Caçador 2Nem as chuvas intensas nem as longas distâncias desanimaram os/as representantes dos 11 núcleos da Rede Ecovida de Agroecologia em Santa Catarina, que se reuniram na semana passada (31 de maio) em Caçador, no meio-oeste catarinense, para mais uma Plenária Estadual da Rede. As plenárias são importantes instâncias de decisão e encaminhamento da Rede Ecovida, fundamentais para manter princípios como a confiança, a coletividade e o respeito entre integrantes do movimento agroecológico.

Plenária Caçador 3Um dos principais pontos discutidos durante a Plenária foi o 11º Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia, que será em Anchieta, no oeste Catarinense, de 15 a 17 de novembro. Construído num cenário de restrição de recursos, o Encontro está previsto para receber 800 pessoas dos três estados que compõem a Rede. Ainda assim, os núcleos Oeste, Vale do Uruguai e Noroeste, responsáveis pela organização, estão determinados a manter princípios importantes do Encontro, como a alimentação majoritariamente agroecológica. Nos próximos meses, a organização receberá inscrições para Oficinas, além de fechar a programação de seminários. Até o momento, há 5 seminários listados: Agroflorestas, Juventudes, Sementes, Criação de aves e Produção de leite.

Também foi aprovada a criação de um novo núcleo, o Vale do Itapocu, um desmembramento do Núcleo Litoral Catarinense. O Vale do Itapocu abrange 10 municípios ao redor de Joinville e conta com 46 famílias certificadas e 2 agroindústrias, distribuídas em 9 grupos. O anúncio do novo núcleo será feito durante o Encontro Ampliado de Anchieta.

Durante a Plenária foram indicadas novas representações de Santa Catarina para a coordenação geral da Rede Ecovida: Iran Fogaça (Núcleo Planalto Serrano), Edilza Frison (Oeste), Aires Niedzielki (Planalto Norte) e uma integrante do Litoral Catarinense a confirmar. Problemas de documentação e questões burocráticas da certificação também foram discutidos. Para além dos pormenores de cada caso, foi consenso entre os/as participantes que a certificação não deve ser o principal foco da Rede. A Rede existe para promover a articulação e confiança entre seus membros, não só para conceder um selo.

 

Cepagro fortalece atuação no rural com nova parceria

Com apoio do Instituto Irmãs da Santa Cruz, as ações do Cepagro nas comunidades rurais de Major Gercino, Nova Trento e Leoberto Leal vai ganhar novo impulso em 2019. Entre março e dezembro deste ano, o projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais: ampliando os conhecimentos, fortalecendo as relações e garantindo sustentabilidade irá desenvolver ações junto a 40 famílias agricultoras (principalmente as que se dedicam ao cultivo do tabaco) e também na Escola de Educação Básica Tercílio Bastos, na comunidade do  Pinheiral (zona rural de Major Gercino). As primeiras visitas a campo já começaram: no último dia 23, a equipe técnica do projeto visitou a Escola para planejar atividades e também colaborou na colheita e despolpa de açaí numa das propriedades atendidas.

O objetivo do projeto é promover a Agroecologia como alternativa sustentável de produção agropecuária e também de organização comunitária e conservação ambiental. Uma das estratégias será o estabelecimento de áreas de cultivo diversificados com práticas de manejo e conservação de solos, como a adubação verde. A disseminação das práticas de manejo agroecológicas será principalmente por oficinas e visitas a experiências exitosas. Além disso, a agregação das famílias às dinâmicas de grupo da Rede Ecovida de Agroecologia será outro método de sensibilização e capacitação para a transição agroecológica.

Acompanhe aqui no site as próximas notícias do projeto!

Feira Orgânica CCA retoma edição festiva nesta sexta

Nesta sexta, 15 de março, a já tradicional FEIRA ORGÂNICA CCA terá sua primeira edição FESTIVA de 2019. Além dos alimentos agroecológicos do grupo FLOR DO FRUTO, que reúne 12 famílias agricultoras, estarão presentes também: famílias assentadas da Comuna Amarildo de Souza, famílias agricultoras da Rede Ecovida de Agroecologia e Convivium Slow Food Mata Atlântica. A comunidade guarani de três aldeias da Grande Florianópolis também marcará presença, com uma apresentação do coral das crianças e com o lindo artesanato feito pelas mulheres indígenas.
Tudo com um saboroso café agroecológico.

A partir deste ano, cada edição da Feira Orgânica CCA será uma homenagem à professora Maria das Graças Brightwell, investigadora e docente apaixonada pela temática da alimentação. Graça, como era carinhosamente chamada, faleceu ao final do ano passado.

Núcleo Litoral Catarinense participa de oficina sobre Comunicação Popular

Além de técnicas de manejo, estratégias de comercialização e boas práticas de pós colheita, um novo assunto entrou na pauta de oficinas do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia: a Comunicação. Através do convênio com a Universidade de British Columbia e com apoio da IAF, o Cepagro promoveu no último final de semana (1 e 2 de dezembro) uma oficina sobre Comunicação Popular e Agroecologia Visual, com facilitação do fotógrafo e estudante de Agronomia Carlos Pontalti e da jornalista Ana Carolina Dionísio. A atividade aconteceu na linda pousada Encanto Verde, em Santa Rosa de Lima, e contou com a participação de 10 agricultoras e agricultores, educadorxs e jovens de 5 grupos da Rede Ecovida.

Se a ideia da oficina é fortalecer a noção de que todxs podem ser comunicadorxs, a ferramenta de captação de imagens seria também a mais acessível: o celular. Após construírem coletivamente painéis sobre o que representa a comunicação e a agroecologia, o grupo teve uma exposição sobre os principais conceitos de fotografia com Carlos. As demandas do grupo eram diversas, assim como seu envolvimento e desenvoltura com a a câmera do celular, o que estimulou a troca de conhecimento entre todas e todos.

Para praticar os conceitos, a turma fez uma gira pela propriedade, guiada pelo jovem agricultor Luís Henrique Vanderlinde. Ele mostrou o cultivo de amoras orgânicas e os consórcios agroflorestais, falou sobre a extração e beneficiamento de açaí juçara e também sobre o manejo de cabras. Vendo as fotos antigas da propriedade, o grupo ficou impressionado com a regeneração ambiental promovida pela família ali.

Além da teoria e prática em conceitos e técnicas de fotografia, todos e todas aprenderam muito sobre Agroecologia com a família Vanderlinde, proprietária da pousada. O casal Rosângela e Sebastião e seus filhos já passaram pela produção de fumo e, integrando-se à Acolhida na Colônia e à Rede  Ecovida de Agroecologia, hoje são referência em transição agroecológica e produção orgânica. “Nós temos também bastante recurso público investido aqui na propriedade, pois acessamos várias políticas públicas. Então ficamos felizes de receber uma atividade assim”, conta Rosângela.

Com as fotos tiradas durante a oficina, o grupo produziu cards com mensagens sobre a Agroecologia e a agricultura familiar. A ideia é que esse tipo de material fortaleça a divulgação do trabalho dxs participantes, seja pela comercialização ou pela conscientização ambiental.

 

 

No Dia da Luta contra os Agrotóxicos, sociedade civil diz não ao PL do Veneno em Florianópolis

O vazamento de uma usina de agrotóxicos da companhia norte-americana Union Carbide na cidade de Bophal, na Índia, no dia 3 de dezembro de 1984 ficou marcado como o Dia Mundial da Luta contra os Agrotóxicos. Calcula-se que 3 mil pessoas morreram intoxicadas só neste dia, outras 15 mil nos meses seguintes, além de 300 mil intoxicações. Mais de 30 anos depois, estima-se que 2 a 3 pessoas morram semanalmente ainda em decorrência do desastre.

Em  Florianópolis, o Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos promoveu neste 3 de dezembro o debate e a reflexão sobre nosso modelo de produção de alimentos, entre os venenos e a agroecologia.

Às 10h aconteceu no Largo da Catedral uma roda de conversa sobre CONSUMO AGROECOLÓGICO, com a participação do Assentamento Comuna Amarildo de Souza, LACAF, Cepagro e Revolução dos Baldinhos. Durante as discussões, ficou clara a importância de promover mais conscientização junto a consumidores e consumidoras para que optem por alimentos orgânicos quando possível, além da necessidade de promover a reforma agrária. “Nossa proposta como assentamento sempre foi produzir alimentos saudáveis a um preço justo para a população. “A Agroecologia em escala é possível. Mas é preciso ter Reforma Agrária”, disse o assentado Fábio Ferraz, presente ao evento.

A partir das 16h, na Câmara de Vereadores, foi realizada uma palestra com o Dr. Pablo Moritz, haverá uma palestra com o médico Pablo Moritz, do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC) e a solenidade de entrega do Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) – um amplo estudo científico que trata dos impactos dos agrotóxicos na Saúde – para os representantes do Legislativo Municipal.

Segundo o Dossiê Abrasco, no Brasil – que pelo décimo ano consecutivo lidera o ranking de maior consumidor de agrotóxicos no planeta – 64% dos alimentos estão contaminados por agrotóxicos, foram registradas 34.147 notificações de intoxicação por agrotóxicos de 2007 a 2014, houve 288% de aumento do uso de agrotóxicos entre 2000 a 2012. Apenas em 2014, o faturamento da indústria de agrotóxicos no Brasil foi de U$12 bilhões.

As mobilizações terminaram às 17h, em frente à Catedral, com uma aula pública de Rogério Dias, da Associação Brasileira de Agroecologia, sobre os retrocessos que o Projeto de Lei 6299/02, conhecido como o “PL do Veneno”, representa. Durante o evento, Rogério Dias chamou a atenção para que a sociedade civil pressione o Legislativo pela aprovação em Comissão Especial de outro projeto de Lei, o 6670/16, que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA).  Enquanto o PL do Veneno já foi aprovado em Comissão Especial e agora segue para votação na Câmara dos Deputados, a PNARA ainda não foi avaliada pela mesma Comissão Especial. “Não podemos deixar que o PL do Veneno siga para a votação em Plenário sem que a PNARA vá também. Ela representa o contraponto à flexibilização do uso de agrotóxicos que o PL 6299 quer instituir”, afirma Rogério.

*ATUALIZAÇÃO: a PNARA foi aprovada em Comissão Especial no dia 4 de dezembro, seguindo agora para votação em Plenário.