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Florianópolis recebe o Festival “SANTA CATARINA AGROECOLÓGICA”

O evento acontece de 6 a 8 de outubro e engloba o Seminário “Mulheres e Agroecologia” e o 11º Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia. A promoção é do Cepagro e do Grupo Meiembipe da Rede Ecovida de Agroecologia, com apoio da Inter-American Foundation e Fundação Banco do Brasil. Em breve, traremos mais informações nesta página, ou escreva para nucleolitoralcatarinense@gmail.com. 

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Atividades do Projeto Misereor em Rede movimentam o Campeche

Entre rodas de conversa e intercâmbios de saberes, o Projeto Misereor em Rede tem movimentado e dado visibilidade às agriculturas urbanas do bairro Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina. As atividades reúnem representantes de hortas comunitárias, agricultores/as urbanos/as, funcionários de Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) e Postos de Saúde, além de parcerias da Epagri, proporcionando ricas trocas de saberes e experiências – além de saborosos momentos de degustação com Plantas  Alimentícias Não Convencionais (PANCs).

No dia 18 de agosto, uma 6ª feira, 12 participantes do projeto  se reuniram no Jardim do Simples – quintal produtivo no Campeche – para iniciar a discussão sobre Agricultura Urbana no âmbito da Rede Ecovida de Agroecologia.  “O Jardim do Simples é um espaço particular no Campeche com uma proposta de fomentar atividades de interação com a comunidade . Lá foi possível visitar o banheiro seco, o galinheiro e uma área com mais de 30 espécies frutiferas e PANCs”, conta Erika Sagae, técnica de campo do projeto e doutoranda em Geografia com a temática de Agricultura Urbana.  Ela avalia que “criou-se um laço de amizade entre as pessoas”. Como encaminhamento desta atividade, o grupo decidiu que fará encontros periódicos, visitando outras hortas urbanas e experiências de Agricultura Urbana em Florianópolis.

Na semana seguinte, no dia 24 de agosto, cerca de 40 pessoas, entre profissionais dos postos de saúde do Ribeirão da Ilha, Caieira da Barra do Sul e Tapera, além de moradores do Ribeirão participaram de um intercâmbio na Horta Comunitária do PACUCA, o segundo de uma série de 4 atividades em parceria com a Epagri com a temática de PANCs.  A proposta foi trazer elementos teóricos, preparar receitas e também mobilizar a comunidade para atividades comunitárias. Além da visita à Horta do PACUCA, os/as participantes fecharam a atividade com um saboroso lanche a base de PANCs no Jardim do Simples.  “É importante ressaltar o interesse das pessoas em participar das atividades. Do primeiro encontro, com 15 pessoas, para este segundo tivemos um aumento considerável de participantes”, afirma Erika Sagae.

 

 

 

Feira de Sementes reúne 3 mil pessoas no Paraná

Cerca de 3 mil pessoas, entre agricultores e agricultoras, estudantes, técnicos/as e ativistas da Agroecologia participaram da 15ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade e 1ª Festa dos Guardiões de Sementes, realizada nos dias 11 e 12 de agosto no município de Teixeira Soares, no Paraná. O Cepagro esteve presente através de uma articulação do Projeto Misereor em Rede, com um grupo formado pela educadora Maria Dênis Schneider, da diretoria e equipe técnica da organização, junto com Letícia Barbosa e David Soares, membros de coletivos de Agricultura Urbana de Florianópolis, além da estudante de agronomia Camila Tavares.
 De acordo com Maria Dênis, “A Feira teve grande presença e participação de agricultoras e agricultores que são as guardiãs e guardiões das sementes da vida”. Ela conta que na tarde do dia 11 as escolas do município de Teixeira Soares visitaram a Feira. “Os estudantes questionaram muito sobre cada semente e levaram algumas pra casa pra suas famílias plantarem”, relata Maria Dênis.
O Cepagro levou sementes de girassol, arroz cateto, milho cunha, feijão rosa, feijão guandu e soja orgânica, oriundas do grupo Semente Puras da Comunidade Luz Figueira, no interior de Minas Gerais. Dênis conclui que “Foram 2 dias muito intensos de grandes aprendizados com as guardiãs e os guardiões de sementes. Em cada troca de sementes, em cada diálogo, éramos brindadas com muitos ensinamentos de cuidados para com a terra e com as sementes”.
com informações e fotos de Maria Dênis Schneider
Veja mais fotos do encontro abaixo e na fanpage do Coletivo Triunfo.

Núcleo Litoral Catarinense e Cepagro participam de capacitação sobre SPG em Torres

A coordenação do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida e os agrônomos Gisa Garcia e Francys Pacheco, da equipe técnica do Cepagro, estiveram em Torres (RS) na semana passada participando de uma capacitação sobre o novo sistema informatizado de registro de dados das famílias da Rede. A comitiva também aproveitou para intercambiar experiências com iniciativas de coletivos de consumidores locais, além de firmar os entendimentos sobre os Sistemas Participativos de Garantia. A atividade foi realizada com apoio da Fundação Inter-Americana.

No primeiro dia da visita, 8 de agosto, o grupo conheceu a cooperativa de consumidores EcoTorres, onde tiveram um bate-papo com Laércio Meirelles, um dos idealizadores da Rede Ecovida, sobre o processo de formação da Rede e o contexto politico da época, além de possíveis rumos deste coletivo que reúne quase 4.500 famílias de agricultores e agricultoras agroecológicos. O coordenador da EcoTorres, Beto Johann, contou sobre a iniciativa de consumidores em criar uma cooperativa para que tivessem acesso a um alimento saudável, limpo e que valorizasse a produção local.

Na 4ª feira, 9 de agosto, o grupo visitou a sede da Associação Ecovida de Certificação Participativa, onde foram apresentados ao novo sistema de cadastro de famílias da Rede Ecovida. Cristiano Motter, técnico do Centro Ecológico, explicou que a partir desse ano todos os dados da propriedade e de produção das famílias membros da Rede serão incluídos nessa plataforma online, o que permitirá gerar automaticamente os certificados e relatórios específicos sobre os grupos e Núcleos, como por exemplo, áreas de produção, diversidade de alimentos, entre outros.
com informações e fotos de Gisa Garcia

Alimentos orgânicos: mais saúde e segurança para quem cultiva e para quem come

Seja pela apresentação de dados estatísticos, estudos acadêmicos ou pelas histórias de agricultoras e agricultores, essa foi a tônica da Semana Nacional do Alimento Orgânico em Florianópolis, celebrada no final de maio e início de junho. No Seminário de Alimentos Orgânicos realizado pela Cidasc em parceria com o Cepagro na FIESC no dia 1º de junho e na Feira Orgânica CCA do dia 2, o público pode conhecer melhor sobre a produção, certificação e comercialização de alimentos orgânicos. Além de mais reconhecimento pelo trabalho dos e das que produzem alimentos bons e limpos, outra demanda ganhou força nessa Semana: maior participação dos consumidores e consumidoras nos processos de certificação e comercialização de orgânicos. Como disse o agricultor Anderson Romão, do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida: “A parte mais difícil a gente faz, que é acordar cedo e plantar. Para o negócio virar mesmo, tem que partir do consumidor”.

Texto e foto: Carú Dionísio

“Me sinto confortável em dizer para os consumidores que podem consumir orgânico em Santa Catarina, porque é de qualidade”. A fala do engenheiro agrônomo Matheus Mazon Fraga, da CIDASC, veio após ele apresentar os resultados do Programa de Monitoramento da Produção Orgânica Vegetal durante o Seminário de Alimentos Orgânicos que aconteceu no dia 1º de junho. Implementado pela CIDASC com apoio do Banco Mundial, o Programa fez a coleta e análise de 1840 amostras de 13 cultivos orgânicos entre 2012 e 2016. Dessas, apenas 6% apresentaram inconformidades, como resíduos de agrotóxicos. “E, nesses casos, os órgãos públicos estão tomando as providências”, assegurou o agrônomo.

Enquanto a coleta e análise de resultados cabe à CIDASC, a averiguação das inconformidades está a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo o engenheiro agrônomo Francisco Powell Van de Casteele, do MAPA, a maioria das ocorrências de resíduos de agrotóxicos em alimentos orgânicos é devido à proximidade entre propriedades agroecológicas e convencionais, com barreiras insuficientes: “Parece um contrassenso, mas é o produtor orgânico que tem que proteger sua produção de um vizinho que às vezes não segue boas práticas no uso de agrotóxicos”, afirmou. Nos casos em que se verifica negligência ou má fé por parte do agricultor supostamente orgânico, é feito um auto de infração, que pode gerar multas. “Depois de várias autuações, encaminhamos para o Ministério Público”, completou.

Se pela segurança a população pode confiar nos alimentos orgânicos, seu valor de mercado ainda restringe seu consumo. Entretanto, os benefícios ambientais da agricultura orgânica não têm preço, de acordo com Francisco Powell: “Falam que o orgânico é caro. Mas se pensarmos na água potável que deixa de ser contaminada e na contribuição da agricultura orgânica para sua preservação, perceberemos os benefícios dessa atividade no fornecimento de água de qualidade para toda população”, avaliou.

A relação entre o consumo de alimentos orgânicos e os benefícios ambientais e para a saúde da agricultura ecológica foi corroborada durante o Seminário pela nutricionista Elaine de Azevedo, professora da Universidade Federal do Espírito Santo: “Comprando da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais, continuaremos donos de nossos recursos ambientais”, afirmou. Convidando o público a refletir sobre o alto consumo de carnes – já que a pecuária é uma das atividades com mais impactos socioambientais da atualidade -, a professora ressaltou na sua fala como a alimentação também é política. Quando podemos escolher o que comemos, optamos também por determinado modelo produtivo e social. “Para a alimentação ser política, é preciso pensar em quem trabalha no campo”, disse. Além de mais seguro para trabalhadores e trabalhadoras rurais, pois não envolve o manejo de agrotóxicos, os alimentos orgânicos também têm melhor valor nutricional em relação aos chamados convencionais, de acordo com vários estudos apresentados pela professora no Seminário. Elaine encerrou sua fala com a leitura do potente “Manifesto da Comida de Verdade”.

Mas como aumentar o acesso a esses alimentos bons, limpos e justos, num cenário em que grandes conglomerados empresariais dominam o mercado mundial de alimentos? Para o professor Oscar José Rover, coordenador do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar da UFSC, a chave é aproximar produtores e consumidores, investindo em feiras, circuitos curtos de comercialização e células de consumidores, muitas vezes organizados pela internet. Novamente, o papel do consumidor e da consumidora é enfatizado, como disse o agricultor agroecológico Anderson Romão.

Anderson fez sua apresentação junto com outros 5 agricultores e agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, que fecharam a programação do Seminário de Alimentos Orgânicos. Além de explicar o funcionamento da Rede, a agricultora Claudete Ponath (Piçarras) apresentou um panorama de abrangência do Núcleo Litoral Catarinense, que envolve 130 famílias de agricultores de 28 municípios, de Garopaba até Joinville. Nas suas falas, o grupo reforçou que a Rede vai bem além da certificação, como disse a agricultora Sônia Jendiroba, do grupo Ilha Meiembipe (Florianópolis): “Quando entrei pra Rede eu queria muito mais do que plantar sem veneno. Queria fazer parte da agroecologia, estar mais próximo dos consumidores e com outros agricultores”.

Para Sônia, ser visitada pelas pessoas que comem os alimentos que ela cultiva só traz mais credibilidade para seu trabalho, além de fortalecer seu compromisso com a Rede: “Esse olhar nos dá credibilidade e também responsabilidade de produzir e vender, saber que não vamos falhar na frente, senão toda a Rede vai pagar o pato. Temos esse compromisso social de que o que produzimos é saúde”, concluiu.

Já Pedro Eger, do grupo Harmonia da Terra, de Rancho Queimado, enfatizou o intercâmbio de informações entre agricultores e agricultoras como uma das principais motivações para estar na Rede: “Além da diminuição do custo, nós migramos da certificação por auditoria para a participativa pela oportunidade de trocar experiências com outros agricultores”, disse.

A Semana do Alimento Orgânico terminou com uma edição festiva da Feira Orgânica CCA. Veja como foi na fotorreportagem de Joelson Cardoso para o Cotidiano UFSC e também na reportagem de Marcelo Luiz Zapelini para o Desacato.info.

Confira também a matéria de Fernando Lisbôa para o telejornal UFSC Cidade.

Veja mais fotos do Seminário na galeria abaixo:

Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco é tema de Seminário em Florianópolis

O Cepagro realiza a articulação local do evento, que acontece de 5 a 7 de junho no Majestic Palace Hotel, em Florianópolis, trazendo representantes da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), da Secretaria Executiva da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, da Fundação Oswaldo Cruz e Fundação do Câncer, além de organizações de assistência técnica e extensão rural que promovem alternativas ao cultivo de tabaco nos três estados do Sul do País. O objetivo é debater potencialidades e estratégias de diversificação em áreas cultivadas com tabaco, com vistas a atender as recomendações da Convenção-Quadro de Controle do Tabaco (CQCT) e aperfeiçoar o Programa Nacional de Diversificação de Áreas Cultivadas com Tabaco. 

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de tabaco e líder em exportações desse produto. Com a queda no consumo interno de cigarros, abarrotamento de estoques mundiais e crescente atenção para os impactos socioambientais da produção de fumo – atividade que só em Santa Catarina envolve mais de 40 mil famílias de agricultores – a discussão sobre alternativas ao cultivo de tabaco tem ganhado importância. Com a implementação do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário em 2006, o Brasil tornou-se referência mundial na promoção de alternativas à produção de fumo. Buscando avaliar e qualificar os resultados de uma década de Programa, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e a Secretaria Executiva da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco promovem de 5 a 7 de junho, no Majestic Palace Hotel, em Florianópolis, o Seminário sobre Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco.

A ideia do evento é criar um espaço de diálogo participativo baseado em quatro temáticas principais: o estado da diversificação de cultivos no Brasil; desafios e gargalos para a diversificação; experiências brasileiras e políticas públicas, marcos legais e instrumentos internacionais para a promoção da diversificação do tabaco. Estarão presentes representantes da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), da Secretaria Executiva da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, da Fundação Oswaldo Cruz e Fundação do Câncer, além de organizações de assistência técnica e extensão rural que promovem alternativas ao cultivo de tabaco nos três estados do Sul do País.

O Cepagro atuou junto a 100 famílias do Alto Vale do Rio Tijucas promovendo a agroecologia como alternativa ao cultivo de tabaco.

O Seminário conta com apoio local do Cepagro, que desde 2006 assessora famílias que desejam migrar do cultivo de tabaco para o de alimentos orgânicos. Entre 2014 e 2016, por exemplo, o Cepagro trabalhou junto a 100 famílias de agricultores dos municípios catarinenses de Major Gercino, Nova Trento e Leoberto Leal através de um projeto financiado pelo Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. A organização também já participou do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco do antigo Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Mais do que promover uma “substituição de cultivos”, a Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco busca reduzir os impactos socioambientais negativos da fumicultura na região, atendendo ao Artigo 17 da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT), primeiro tratado internacional de saúde pública que tem o objetivo de reduzir as consequências sociais, ambientais, sanitárias e econômicas da produção e consumo do tabaco

Apesar de configurar uma atividade rentável em alguns momentos, o cultivo de tabaco também mostra-se muito desgastante para o agricultor. À excessiva demanda por mão-de-obra, principalmente durante a época da colheita, soma-se a Doença da Folha Verde do Tabaco, conhecida também como “porre do fumo”: intoxicação aguda decorrente da absorção da nicotina pela pele, trazendo sintomas como enjoo, náuseas, perda do apetite e do sono. A impregnação é maior quando as plantas estão molhadas ou as mãos úmidas de suor, o que é comum durante a colheita, realizada nos meses mais quentes do ano.  A indústria já desenvolveu uma roupa que supostamente protegeria o agricultor do “porre do fumo”, mas que não vem sendo usada, por ser muito quente e a colheita ser feita durante o verão. O contato constante com agrotóxicos e as oscilações do mercado mundial de tabaco também são queixas frequentes dos agricultores que ainda dependem do cultivo de fumo.