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Trocas de ramas, conhecimentos e causos marcam 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha

Realizado durante a já tradicional Feira da Mandioca de Imbituba, o 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha aconteceu no último domingo, 22 de julho, reunindo famílias engenheiras de Florianópolis, Angelina, Palhoça, Garopaba no engenho da ACORDI (Associação Comunitária Rural de Imbituba), cuja comunidade também participou do evento. Além de desfrutar das belas paisagens, conhecer o histórico de luta da Comunidade Tradicional dos Areais da Ribanceira e saborear o almoço da roça, as/os participantes trocaram sementes, mudas, ramas de mandioca e aipim e claro, muitos causos, experiências e saberes. O Cepagro participou na articulação e cobertura do evento.

Veja a matéria completa na página da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha.

 

Cepagro é contemplado no Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura

A proposta do livro de receitas Saberes, Sabores e Histórias dos Engenhos de Farinha foi selecionada dentre outros 1.800 projetos inscritos em 2017. O projeto do Cepagro foi contemplado na categoria Culturas Populares e tem o objetivo de promover, através de eventos gastronômicos e da publicação de um livro de receitas, o patrimônio agroalimentar e biocultural dos engenhos de farinha de Santa Catarina. A iniciativa dá continuidade à mobilização junto aos engenhos de farinha artesanais de Santa Catarina que o Cepagro – através do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha – vem retomando desde final do ano passado.

 

 

 

Engenheiros de Farinha de SC promovem encontro em Santo Antônio de Lisboa

??????????Após receber o Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ponto de Cultura Engenhos de Farinha realiza um encontro no Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa, no próximo sábado, 17 de dezembro. O objetivo do evento é prosseguir qualificando a articulação da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Santa Catarina, que engloba famílias “engenheiras” desde Imbituba até Bombinhas, passando por Palhoça, Florianópolis e Angelina. As atividades começam às 9h da manhã e vão até às 18h.

O Ponto de Cultura foi uma iniciativa do Cepagro que promoveu ações de valorização dos engenhos artesanais de farinha catarinenses entre 2010 e 2014. No ano passado, ficou em quarto na premiação do IPHAN dentre 121 ações espalhadas pelo Brasil.  Na programação desse reencontro, além de avançar no mapeamento participativo dos Engenhos no Estado, acontece a exibição do documentário Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas e uma roda de conversa sobre os engenhos de farinha e áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis.

Outro ponto importante do encontro – além do cardápio cheio de quitutes de engenho – é a oficina sobre a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, com Regina Helena Santiago (IPHAN/SC). Isso porque esta nova fase do Projeto marca a continuidade da mobilização para construir a proposta de Registro dos Engenhos de Farinha como Patrimônio Cultural do Brasil de forma colaborativa entre as várias iniciativas do Estado.

A participação no evento é aberta e gratuita, mas espera-se uma contribuição de R$ 30 para o almoço e café, além da confirmação de presença pelo email engenhosdefarinha@gmail.com até a 5ª feira (15 de dezembro).

SERVIÇO:

O quê: Encontro de Articulação da Rede de Engenhos de Farinha de SC
Quando: Sábado, 17 de dezembro, às 9h
Onde: Casarão e Engenho dos Andrade (Caminho dos Açores, 1180, Santo Antônio de Lisboa).

 

Engenhos de Farinha: a expressão do Patrimônio Agroalimentar no litoral catarinense

Resultado de uma fusão de saberes e técnicas guaranis e açorianas, os Engenhos Artesanais de farinha de mandioca de Santa Catarina vêm enfrentando desafios para manter sua identidade e modos de fazer tradicionais transmitidos através das gerações em mais de dois séculos de história. De restrições sanitárias para a produção aos impactos da urbanização acelerada em algumas regiões do estado, várias são as pressões sofridas por este complexo agrícola e cultural. Ainda assim, os engenhos continuam rodando, seja como núcleos de educação patrimonial ou como unidades produtivas.

Articulados em rede e apoiados pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, estes espaços vêm sendo reavivados com práticas agroecológicas, vivências culturais e turismo de base comunitária. Um exemplo é o processo de certificação participativa da Rede Ecovida, do qual alguns “engenheiros” fazem parte, que além de assegurar a qualidade orgânica dos alimentos produzidos nas propriedades, fortalece e mobiliza o coletivo de agricultores familiares. Outra estratégia é a realização de atividades educativas nos engenhos, que sensibiliza as novas gerações para a importância da preservação dos saberes e sabores dos engenhos.

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Mapa de visitação dos Engenhos – Clique para ampliar

Complementando este desenhar de soluções criativas para a preservação deste patrimônio agroalimentar, o turismo de base comunitária vem se consolidando como uma ferramenta importante para a manutenção da sustentabilidade dos engenhos. Mais do que o simples consumo de paisagens, produtos e serviços, a atividade apresenta-se como uma oportunidade para visitantes e visitados compartilharem vivências culturais e gastronômicas. Visitar um engenho é saborear as histórias de iguarias como o beijú, a bijajica e o cuscus, as técnicas e tradições, ritos e rituais que circulam junto com as engrenagens. É compreender a importância do trabalho destes agricultores familiares para a segurança alimentar da população, contribuindo para o fortalecimento desta rede e preservação desta (agri)cultura. E ainda desfrutar de cenários diversos, que vão das belas praias da costa catarinense e sua tradição açoriana aos vales do interior, onde a influência germânica e italiana é mais presente.

Atenção: Para visitar os Engenhos, é fundamental fazer agendamento (vide contatos no mapa acima).

 

 

Arca do Gosto – Santa Catarina

Um registro das matérias-primas, paisagens, comunidades e receitas da Arca do Gosto de Santa Catarina.  A bijajica, recém incorporada ao catálogo, tem origem histórica ligada aos engenhos artesanais da região de Florianópolis.

Os outros produtos são: pinhão, butiá e berbigão. No final de outubro, uma delegação catarinense representará estas matérias-primas durante o Salone del Gusto / Terra Madre 2014.

Veja também: reportagem do Estúdio SC de 28/09/2014

Livro e audiovisual “Engenhos da Cultura” estão disponíveis online

Organizada pela historiadora Gabriella Pieroni e produzida pela equipe do PdC Engenhos de Farinha/Cepagro, a coleção Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas traça um registro histórico das ações do projeto através de seus protagonistas – agricultores, ativistas, educadores e chefs de cozinha -, metodologias de trabalho e incidência política. O e-book pode ser acessado através do link http://issuu.com/sandraalves91/docs/livro_engenho_da_cultura_vf. Já o vídeo documentário pode ser visto neste link.

O livro também pode ser solicitado gratuitamente em sua versão impressa, na sede do Cepagro.

A coleção foi lançada em Julho de 2014 no CIC - Centro Integrado de Cultura, em Florianóplis. O evento, realizado pela Rede Cultura Viva SC e Rede Catarina Slow Food, contou com a presença das comunidades urbanas e rurais envolvidas na produção. A iniciativa fez parte de uma campanha levantada pelo Convívio Engenhos de Farinha/Slow Food e viabilizada pelo Cepagro que propõe o registro do modo de fazer a farinha polvilhada  de Santa Catarina como Patrimônio Cultural Imaterial Estadual.
A coleção foi lançada em Julho de 2014 no CIC – Centro Integrado de Cultura, em Florianóplis. O evento, realizado pela Rede Cultura Viva SC e Rede Catarina Slow Food, contou com a presença das comunidades urbanas e rurais envolvidas na produção. A iniciativa fez parte de uma campanha levantada pelo Convívio Engenhos de Farinha/Slow Food e viabilizada pelo Cepagro que propõe o registro do modo de fazer a farinha polvilhada de Santa Catarina como Patrimônio Cultural Imaterial Estadual.

Articulação catarinense do Slow Food promoveu Encontro em Florianópolis

por Fernando Angeoletto / Cepagro

No último domingo, 23/03, foram reunidos os Convivia, Fortalezas, Comunidades do Alimentos e demais pontos de articulação do Slow Food catarinense. O evento foi realizado no Camping do Rio Vermelho e organizado pela equipe dos Convivia Engenhos de Farinha e Mata Atlântica. Compareceram aproximadamente 50 pessoas, entre membros articuladores do movimento, chefs de cozinha, nutricionistas, educadores, empreendedores em turismo sustentável e os agentes comunitários da Revolução dos Baldinhos.

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Na seqüência das apresentações iniciais, realizadas no período da manhã, os convidados foram agraciados com um farto almoço agroecológico, preparado pelos chefs do Convivium Mata Atlântica com produtos do Box 721 da Rede Ecovida, pescados artesanais, produtos da comunidade da Farinha de Mandioca Polvilhada, da Fortaleza do Pinhão e de Butiá, suculento fruto de palmeira endêmica do sul do Brasil que agora candidata-se a uma vaga na Arca do Gosto.

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Dentre as pautas da reunião, destacaram-se 2: a composição da delegação estadual para compor o próximo Terra Madre/Salone del Gusto, evento bianual que ocorre na Itália em outubro, e as reflexões sobre as metas traçadas pelo Slow Food Brasil, que agora configura-se como uma associação nacional, atrelada à matriz italiana porém com estrutura e funcionamento próprios.

A participação no Terra Madre mundial é sem dúvida um dos momentos de maior estímulo aos que se dedicam a levar adiante a produção artesanal de alimentos e a conservação da biodiversidade em seus territórios. Na reunião do último domingo, foi esclarecido que qualquer associado Slow Food pode candidatar-se à participação, que é integralmente custeada pelo movimento (passagem, hospedagem e alimentação).

As indicações, porém, são baseadas em alguns critérios determinantes: ser membro de alguma comunidade vinculada a produtos que já compõem ou em vias de compor a Arca do Gosto, possuir potencial de articulação local e nunca ter participado do evento. Esclarecidos os critérios, os participantes da reunião foram informados de que receberiam uma ficha de inscrição na semana corrente, que após preenchida é submetida à análise dos articuladores locais.

Até o momento, 30 produtos brasileiros estão listados na Arca do Gosto. É, sem dúvida, um número tímido diante de nossa biodiversidade e cultura gastronômica. Neste contexto insere-se uma das atuais metas do Slow Food brasileiro: alcançar 1.000 produtos componentes da Arca.

Farinha de mandioca polvilhada de Santa Catarina, bijajica, mel de bracatinga, méis de abelhas nativas e butiá estão na fila para indicação à Arca, somente para citar alguns produtos do nosso território. Durante a reunião, o butiá foi defendido por alguns de seus representantes, os agricultores familiares Antonio Augusto e Lurdes Soares. “Fazemos polpa, geleia e doce de corte. Dentro do coquinho há uma amêndoa muito boa para fazer pães. E ainda se pode fazer artesanato com as folhas da palmeira”, explica dona Lurdes. Um dos encaminhamentos do encontro foi a formação de uma comissão para identificar e realizar os protocolos de indicação dos produtos catarinenses à Arca do Gosto.

Antonio Augusto apresenta o butiá, durante defesa da indicação para Arca do Gosto
Antonio Augusto apresenta o butiá, durante defesa da indicação para Arca do Gosto

Outra meta prioritária do Slow Food nacional é atingir 1.000 pontos de articulação no território brasileiro. Dentre os participantes da reunião, um coletivo com este potencial era a Revolução dos Baldinhos, que já foi representada no Terra Madre Itália de 2010, com 3 agentes comunitários que ministraram oficinas de compostagem para a juventude do movimento. Foi aventada também a criação de um Convivium de pesquisadores e acadêmicos, liderado por Érika Sagae, mestranda em educação do Campo.

Por fim, os líderes brasileiros estão incumbidos em contribuir com a criação de 10 hortas no continente africano, dentre o expressivo número de 10.000 hortas assumido pelo Slow Food mundial. Trata-se, na visão do movimento, de amenizar uma dívida histórica da Europa com a África, além de fortalecer a soberania alimentar no continente, sabidamente ameaçada.

A reunião de domingo contou também com a presença de uma parlamentar, a deputada federal Luci Choinacki (PT), idealizadora da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica. Sensibilizada com o Slow Food, a deputada comprometeu-se a colaborar com a viabilização da ida de agricultores ao Terra Madre da Itália, já que as vagas financiadas pelo movimento são limitadas.

Deputada Luci Choinacki segura pacote de composto produzido pela Revolução dos Baldinhos, ao lado de agentes comunitários e agricultores
Deputada Luci Choinacki segura pacote de composto produzido pela Revolução dos Baldinhos, ao lado de agentes comunitários e agricultores

A reunião tratou ainda do fortalecimento associativo do Slow Food, com convites a novos futuros membros, que podem vincular-se aos Convivia Engenhos de Farinha e Mata Atlântica ou a Fortaleza do Pinhão catarinenses. Para estimular o consumo local de produtos tradicionais e agroecológicos, foi socializada a lista das Compras Coletivas e a oferta semanal do Box 721 da Rede Ecovida na Ceasa/SC. O próximo evento do coletivo está agendado para maio, em Lages, com oficinas sobre o uso gastronômico do Pinhão e outras atividades que serão divulgadas em breve.

Confira, clicando na foto abaixo, o álbum completo do Encontro Slow Food catarinense.

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Turismo com mais cultura e sabor

texto Ana Carolina Dionísio
foto Fernando Angeoletto, Gabriella Pieroni e Gisa Garcia

 

Compreendido por muito tempo como uma opção recreativa descompromissada para as camadas populares, o turismo social vem se consolidando como uma nova forma de viajar e de ter lazer, voltada mais para vivências baseadas na troca cultural entre visitantes e visitados do que para o simples consumo de paisagens, produtos e serviços. Buscando aprofundar a discussão sobre alternativas para transcender práticas turísticas convencionais e valorizar o aspecto inclusivo e humanista desta atividade, o SESC Florianópolis promoveu nos dias 28 e 29 de outubro a Jornada de Turismo Social, na unidade do Cacupé. O Cepagro e o Ponto de Cultura Engenhos de Farinha estiveram presentes no evento, expondo produtos agroecológicos do Box 721 do Ceasa e dos engenhos, artesanato do Grupo Nosso Espaço – que reúne mulheres da zona rural de Angelina –, e o composto produzido na Revolução dos Baldinhos.

Os chefs Philipe Bellettini e Fabiano Gregório e o produtor José Furtado apresentam os alimentos do café agroecológico
Os chefs Philipe Bellettini e Fabiano Gregório e o produtor José Furtado apresentam os alimentos do café agroecológico
Vários dos alimentos que estavam sendo comercializados – como  frutas, geleias e sucos orgânicos, beiju, bijajica e pão integral – puderam ser degustados no café preparado pelos slow-chefs Fabiano Gregório e Philipe Bellettini, em mais uma parceria do Slow Food com o Ponto de Cultura. Alguns dos produtores destas iguarias estavam presentes, como o casal José e Rose Furtado, que mantêm um engenho de farinha e plantam hortaliças e morango numa propriedade certificada pela Rede Ecovida em Garopaba. Este contato direto entre consumidor e agricultor é valorizado tanto entre os pressupostos da agroecologia quanto nas práticas inovadoras do turismo social.
Flora Castellano, do Ponto de Cultura, e o casal Rose e José Furtado, integrantes da Rede Ecovida de Agroecologia
Flora Castellano, do Ponto de Cultura, e o casal Rose e José Furtado, integrantes da Rede Ecovida de Agroecologia
Uma das iniciativas mais frutíferas neste sentido é a Acolhida na Colônia, associação de agroturismo sediada em Santa Rosa de Lima, nas encostas da Serra Geral catarinense. Fundada em 1999, a Acolhida reúne 180 famílias de agricultores que recebem turistas em propriedades espalhadas por 30 municípios do estado. “Além da melhoria da renda, a valorização do agricultor familiar e o resgate do patrimônio cultural estão entre os benefícios do agroturismo na região”, explica Daniele Gelbcke, uma das representantes da associação no evento. “Eu me encontrei na vida trabalhando com turismo . Eu cresci tendo vergonha de falar que era agricultora, mas isso já não acontece com meu filho, por exemplo”, conta a produtora-acolhedora Leonilda Baumann, de Santa Rosa de Lima. Na sua fala durante a Jornada, Dida, como é conhecida, deixou claro que, apesar do sucesso do empreendimento hospitaleiro no seu sítio, ela não abandonou a atividade agrícola e continua plantando hortaliças, frutas, milho, feijão e batatinha, tanto para consumo próprio quanto dos turistas.
A assessora em economia solidária Miriam Abe Alexandre dá explicações sobre o artesanato em fibras naturais produzido por um grupo de mulheres de Angelina
A assessora em economia solidária Miriam Abe Alexandre dá explicações sobre o artesanato em fibras naturais produzido por um grupo de mulheres de Angelina
“Na agroecologia percebemos a diversificação produtiva como a opção mais viável para os agricultores familiares. Por isso entendemos o turismo como mais uma alternativa, mas não a única, de geração de renda para os proprietários de engenhos”, afirma a coordenadora do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha Gabriella Pieroni. As visitas a engenhos artesanais de farinha representam opções promissoras de circuitos turísticos na perspectiva da atividade como uma oportunidade para compartilhar experiências ligadas a cultura, gastronomia e tradições locais – tendência ressaltada durante a palestra da gerente de projetos socioeducativos do SESC-SP Flávia Costa -, e por isso o PdC Engenhos de Farinha vem firmando uma parceria com a Tekoá, operadora de turismo sustentável e de base comunitária de Florianópolis. A gerente Fernanda Carasilo já incluiu vivências em engenhos da Grande Florianópolis em alguns de seus roteiros de ecoturismo e city-tours, que também estavam sendo expostos no SESC. “Agências que trabalham com grupos escolares vieram perguntar sobre os programas, além de muitos guias e condutores ambientais”, diz Fernanda.
Daniele Gelbcke, da Acolhida na Colônia
Daniele Gelbcke, da Acolhida na Colônia

“O potencial dos engenhos é enorme”, afirma Daniele Gelbcke, ressaltando que a organização e articulação entre proprietários é fundamental para que as iniciativas tenham resultados. “As parcerias para turismo pedagógico também são importantes”, completa. Em alguns engenhos da rede dos Pontos de Cultura, a promoção de atividades educativas já é freqüente. No Engenho do Sertão, em Bombinhas, são realizadas oficinas de arte-educação envolvendo aspectos da cultura popular local e percepção ambiental para estudantes de 14 a 18 anos e aulas de antropologia para pós-graduandos em Saúde e Turismo da Univali. No Casarão e Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa, já foram ministradas oficinas de vídeo e de percepção sensorial de alimentos com alunos da rede pública de educação de Florianópolis. A escola também já foi ao engenho da família Gelsleuchter, em Angelina.

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A formação para valorização do patrimônio histórico e cultural permeia todas estas atividades, que também vêm abordando aspectos de educação alimentar, como nas oficinas realizadas em conjunto com técnicos do Programa Educando com a Horta Escolar e Gastronomia. O desenvolvimento destas metodologias ocorrem no âmbito de um esforço para realizar um inventariamento sobre os engenhos artesanais de farinha visando à salvaguarda  dos seus saberes e modos de fazer como patrimônio imaterial junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). No contexto atual de restrições sanitárias e ambientais à produção artesanal de farinha, o registro no IPHAN simboliza um caminho para a sobrevivência desta (agri)cultura. “A salvaguarda, no entanto, deve estar combinada com estratégias de desenvolvimento sustentável para que estes produtores também possam gerar renda a partir da preservação deste patrimônio agroalimentar. Neste sentido, o turismo de base comunitária é uma ferramenta importante”, avalia Gabriella Pieroni.
Clique na imagem abaixo para conferir o álbum completo 
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Cepagro e Ponto de Cultura participam do 7º Encontro dos Sem-Terrinha

Cerca de 350 crianças de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em Santa Catarina estiveram reunidos entre os dias 10 e 12 de outubro na UFSC para o 7º Encontro Estadual dos Sem-Terrinhas. Na programação, além de atividades culturais e de intercâmbio com projetos sociais urbanos, os meninos e meninas integraram 24 oficinas com temas ligados a arte, agroecologia e educação, realizadas na 5ª feira (10/10). Nesta parte do evento, os técnicos do Cepagro Gisa Garcia e Alexandre Cordeiro e o chef do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha / Slow Food Fabiano Gregório contribuíram abordando práticas de agricultura urbana e percepção sensorial dos alimentos.

O Encontro reuniu 350 crianças de assentamentos do MST em Santa Catarina na UFSC. Foto: Wagner Behr (Agecom / UFSC)
O Encontro reuniu na UFSC 350 crianças de assentamentos do MST em Santa Catarina. Foto: Wagner Behr (Agecom / UFSC)

Quinze crianças de assentamentos de Curitibanos, Campos Novos e Ponte Alta testaram suas aptidões sensoriais durante a Oficina do Sabor, ministrada pelo chef Fabiano Gregório, integrante dos movimentos Slow Food e Convivia Mata Atlântica e educador do gosto do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha. A atividade, que já se tornou uma rotina durante os eventos do Ponto de Cultura, busca estimular os cinco sentidos dos participantes através do contato com diferentes alimentos. De olhos vendados – e por isso com os sentidos mais aguçados -, as crianças degustaram suco de uva, beiju e balas de banana, tatearam frutas e sentiram o cheiro de café.

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O objetivo da prática era que elas adivinhassem quais eram os alimentos presentes ali, e a maioria dos meninos e meninas descobriram quase tudo o que estavam provando. A exceção foi o beiju, que várias crianças disseram não conhecer ou não gostar. “Eu também não gostei muito da bala de banana”, disse Ana Paula dos Santos, de 13 anos. Moradora do assentamento Neri Fabres, em Curitibanos, ela iria conhecer outra novidade durante o Encontro: o mar, já que na programação também estava prevista uma confraternização na Praia do Forte. Junto com o irmão Gustavo, de 8 anos, ela estava visitando a costa pela primeira vez. “Tem gente que diz que às vezes o mar fica branco, outras está mais azul. Quero ver como que é”, contou.

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Enquanto cada participante da Oficina do Sabor conversava individualmente com Fabiano, os outros companheiros desenhavam e contavam histórias sobre os alimentos que são comuns nos seus assentamentos, junto com as monitoras Marivane dos Santos, Suzimara Garcia e Neusete de Arruda. Após a atividade, as crianças saborearam um pic-nic agroecológico com alguns dos alimentos que foram degustados, além de pão integral e geleia orgânica. Esta foi uma oportunidade para verificar qual a percepção que eles tinham do que é alimento orgânico. A resposta unânime foi: “Aquele que não tem veneno!”.

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Na oficina de Agricultura Urbana, ministrada pelos agrônomos Gisa Garcia e Alexandre Cordeiro, da equipe técnica do Cepagro, junto com duas agrônomas do Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (Lecera-UFSC), as crianças construíram uma horta suspensa usando garrafas PET, onde plantaram hortaliças e temperos. Os técnicos abordaram todo o passo a passo de construção da horta de forma lúdica, mesclando jogos de adivinhação dos nomes das mudas, por exemplo. “A única planta que elas não conheciam era o manjericão”, disse Gisa Garcia.

A horta foi instalada nas grades da janela da diretora do Restaurante Universitário, que se comprometeu a cuidar dela. A ideia da atividade, de acordo com Gisa, era mostrar que é possível cultivar alimentos mesmo quando há restrição de espaço (como é o caso das áreas urbanas), além de avaliar a compreensão deles acerca das vantagens de plantar alimentos na cidade.

Ao conjugar o lúdico com o educativo, as oficinas atendem a dois objetivos que estão sempre presentes nos Encontros dos Sem-Terrinha. “Sempre juntamos estudo, diversão, luta e intercâmbio com as crianças do urbano”, explica Revero Ribeiro, da comissão organizadora do evento. Nos dois últimos tópicos, as crianças construíram uma pauta de reivindicações para o governador Raimundo Colombo a partir de uma discussão realizada na manhã de 5ª feira sobre as condições das escolas e de qualidade de vida nos assentamentos da Reforma Agrária. O debate foi sistematizado em um documento entregue para o governador na 6ª (11/10). Neste dia eles também visitaram o Instituto Vilson Groh, para conhecer as crianças que participam de projetos sócio-educacionais em bairros desfavorecidos de Florianópolis, como o Morro do Mocotó e o Monte Serrat.

Núcleo Litoral Catarinense reúne seus 14 grupos para debates e agendas comuns na promoção da Agroecologia

As dinâmicas produtivas dos 14 grupos que compõem o Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida, representados por mais de 100 agricultores agroecológicos, foram fortalecidas durante o Encontro realizado na semana passada em Rancho Queimado.

Tendo como anfitrião o grupo local “Harmonia da Terra”, o evento foi aberto com a tradicional apresentação dos grupos, alguns já consolidados e outros, como os de Piçarras e Itapema, recém fundados e encontrando naquele espaço o estímulo para seguir na caminhada da produção agroecológica de alimentos, fitoterápicos e plantas ornamentais.

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Grupos do Litoral Catarinense na abertura do Encontro

Autoridades do segmento da agricultura e segurança alimentar deram suas contribuições na abertura do evento. Francisco Powell, da superintendência local do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), balizou o debate sobre a legislação nacional de produção orgânica. O foco  recaiu sobre a Instrução Normativa (IN) 46, que dispõe sobre o regulamento técnico dos sistemas de produção orgânica vegetal e animal, sobretudo nas questões de insumos, aspectos ambientais e normas de certificação.

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Francisco Powell, do MAPA

Substrato e sementes estão na essência dos itens da IN 46, que estabelece o ano de 2013 como prazo para que todos os insumos envolvidos na produção orgânica também sejam de procedência orgânica. “As CPOrg’s (Comissões de Produção Orgânica) de cada Estado estão listando as sementes orgânicas disponíveis no mercado. Sabemos que a oferta ainda é pequena, portanto o Ministério vai estender este prazo”, explicou Powell ao público do Encontro. A recomendação da Rede Ecovida é que, mesmo que sejam utilizadas sementes germinadas em cultivos convencionais, não se usem as que possuem algum tratamento químico, como aplicação de fungicidas.

Já em relação à “cama de aviário”, mistura de maravalha (serragem à base de pinus) e excrementos de aves confinadas bastante utilizado na fertilização dos solos, ainda há permissividade por parte do MAPA, embora o horizonte também aponte para a exigência de substratos e fertilizantes integralmente orgânicos. Deste cenário surge mais um item de valorização da reciclagem da fração orgânica nos centros urbanos, com separação, compostagem e produção de adubo. O elo entre o rural e o urbano na ciclagem de nutrientes já entrou na agenda de municípios como Garopaba, no litoral catarinense, onde situa-se um dos grupos do Encontro. A municipalidade está investindo na construção de 3 pátios de compostagem em propriedades agroecológicas, para receber os resíduos de restaurantes da cidade e transformá-los em adubo. Pretende-se, num período de 3 anos, chegar a 12 pátios de compostagem, abrangendo, gradativamente, a coleta de médios e grandes geradores (mais restaurantes, supermercados, escolas, etc.)

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A reciclagem de resíduos orgânicos urbanos contribuirá na fertilização dos solos agroecológicos rurais

O agrônomo Matheus Mazon Fraga, responsável pelo setor de agrotóxicos e fiscalização da Cidasc, explanou ao público o programa de monitoramento da produção agrícola realizado pelo órgão. São fiscalizados tanto produtos convencionais, visando a aferição dos agrotóxicos permitidos e a possível incidência dos proibidos, quanto os orgânicos, com o intuito de averiguar a credibilidade dos sistemas de certificação. Das coletas de produtos orgânicos em Santa Catarina, que no ano de 2013 somaram 375 amostras de alface, arroz, banana, batata, brócolis, cebola, cenoura, feijão, maçã, morango e pimentão das Ceasas e varejistas, houve 95,16% de aprovação. “A reprovação é relativamente baixa, mas o correto seria que fosse zero. O item mais problemático foi a cebola, com apenas 69% de aprovação”, explicou Fraga.

Algumas amostras desses vegetais, incluindo a cebola, foram coletadas junto ao Box de Produtos Agroecológicos da Ceasa/SC, que comercializa boa parte da produção do Núcleo Litoral Catarinense. Maçã, batata-inglesa, feijão e arroz foram analisados, e todos os resultados foram negativos quanto a presença de compostos químicos de agrotóxicos. “É uma conquista da sociedade brasileira ter acesso a alimentos seguros legitimados pela certificação participativa”, lembrou o coordenador-geral do Cepagro Charles Lamb.

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Agricultor Jair Scheidt, de Imbuia-SC, com sua produção de feijão e cebola que passou pela avaliação da Cidasc

O final do primeiro dia do Encontro foi dedicado ao diagnóstico do Núcleo quanto ao Sistema Participativo de Garantia (SPG), modalidade de acreditação da conformidade orgânica exercido pela Rede Ecovida e controlado pelo MAPA. Na ocasião foram indicados e apresentados os membros dos comitês de verificação de cada grupo, representados por no mínimo 2 pessoas, cujos nomes devem constar nas atas que comprovam o andamento da articulação (reuniões) entre as famílias.

Cada comitê assume por um ano a responsabilidade das visitas de pares, método de controle social onde as propriedades requerentes de certificação são verificadas conforme as normas da Rede Ecovida e do MAPA. No Encontro de Núcleo foi estabelecido um “agendão”, pontuado pelas demandas de renovação e novos pedidos de certificação em cada grupo, e agendadas as respectivas visitas. É com este engajamento permanente, sempre registrado por documentos, que a metodologia da certificação participativa vai se fortalecendo perante o público consumidor e toda sociedade.

Depois de tanta informação para processar, e cumpridos os compromissos do dia, o público do Litoral Catarinense pôde se deliciar com uma variada programação cultural, com muita música popular e campeira e um tradicional número de dança folclórica alemã.

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A manhã do dia seguinte foi dedicada às oficinas, onde os agricultores intercambiam seus ofícios, valorizam seus saberes, aprimoram suas lidas. Foram tratados de forma prática 6 temas, em propriedades espalhadas pela região rural de Rancho Queimado: Compostagem, Certificação Participativa, Comercialização, Patrimônio Agroalimentar, Insumos e Boas Práticas na pós-Colheita. As impressões e encaminhamentos de cada oficina foram registradas e socializadas com o público ao final do evento.

Sistematização das Oficinas – Encontro Núcleo Litoral Catarinense 2013

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Oficina de Compostagem
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Oficina de Patrimônio Agroalimentar

Está marcado para setembro de 2014 o próximo Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida. Desta vez o grupo anfitrião será o “Semear Sementes para o Futuro”, e a cidade-sede Leoberto Leal, no Alto Vale do Itajaí.

Clique na imagem abaixo para ver o álbum

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