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Trocas de ramas, conhecimentos e causos marcam 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha

Realizado durante a já tradicional Feira da Mandioca de Imbituba, o 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha aconteceu no último domingo, 22 de julho, reunindo famílias engenheiras de Florianópolis, Angelina, Palhoça, Garopaba no engenho da ACORDI (Associação Comunitária Rural de Imbituba), cuja comunidade também participou do evento. Além de desfrutar das belas paisagens, conhecer o histórico de luta da Comunidade Tradicional dos Areais da Ribanceira e saborear o almoço da roça, as/os participantes trocaram sementes, mudas, ramas de mandioca e aipim e claro, muitos causos, experiências e saberes. O Cepagro participou na articulação e cobertura do evento.

Veja a matéria completa na página da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha.

 

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Cepagro é contemplado no Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura

A proposta do livro de receitas Saberes, Sabores e Histórias dos Engenhos de Farinha foi selecionada dentre outros 1.800 projetos inscritos em 2017. O projeto do Cepagro foi contemplado na categoria Culturas Populares e tem o objetivo de promover, através de eventos gastronômicos e da publicação de um livro de receitas, o patrimônio agroalimentar e biocultural dos engenhos de farinha de Santa Catarina. A iniciativa dá continuidade à mobilização junto aos engenhos de farinha artesanais de Santa Catarina que o Cepagro – através do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha – vem retomando desde final do ano passado.

 

 

 

Engenheiros de Farinha de SC promovem encontro em Santo Antônio de Lisboa

??????????Após receber o Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ponto de Cultura Engenhos de Farinha realiza um encontro no Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa, no próximo sábado, 17 de dezembro. O objetivo do evento é prosseguir qualificando a articulação da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Santa Catarina, que engloba famílias “engenheiras” desde Imbituba até Bombinhas, passando por Palhoça, Florianópolis e Angelina. As atividades começam às 9h da manhã e vão até às 18h.

O Ponto de Cultura foi uma iniciativa do Cepagro que promoveu ações de valorização dos engenhos artesanais de farinha catarinenses entre 2010 e 2014. No ano passado, ficou em quarto na premiação do IPHAN dentre 121 ações espalhadas pelo Brasil.  Na programação desse reencontro, além de avançar no mapeamento participativo dos Engenhos no Estado, acontece a exibição do documentário Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas e uma roda de conversa sobre os engenhos de farinha e áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis.

Outro ponto importante do encontro – além do cardápio cheio de quitutes de engenho – é a oficina sobre a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, com Regina Helena Santiago (IPHAN/SC). Isso porque esta nova fase do Projeto marca a continuidade da mobilização para construir a proposta de Registro dos Engenhos de Farinha como Patrimônio Cultural do Brasil de forma colaborativa entre as várias iniciativas do Estado.

A participação no evento é aberta e gratuita, mas espera-se uma contribuição de R$ 30 para o almoço e café, além da confirmação de presença pelo email engenhosdefarinha@gmail.com até a 5ª feira (15 de dezembro).

SERVIÇO:

O quê: Encontro de Articulação da Rede de Engenhos de Farinha de SC
Quando: Sábado, 17 de dezembro, às 9h
Onde: Casarão e Engenho dos Andrade (Caminho dos Açores, 1180, Santo Antônio de Lisboa).

 

Engenhos de Farinha: a expressão do Patrimônio Agroalimentar no litoral catarinense

Resultado de uma fusão de saberes e técnicas guaranis e açorianas, os Engenhos Artesanais de farinha de mandioca de Santa Catarina vêm enfrentando desafios para manter sua identidade e modos de fazer tradicionais transmitidos através das gerações em mais de dois séculos de história. De restrições sanitárias para a produção aos impactos da urbanização acelerada em algumas regiões do estado, várias são as pressões sofridas por este complexo agrícola e cultural. Ainda assim, os engenhos continuam rodando, seja como núcleos de educação patrimonial ou como unidades produtivas.

Articulados em rede e apoiados pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, estes espaços vêm sendo reavivados com práticas agroecológicas, vivências culturais e turismo de base comunitária. Um exemplo é o processo de certificação participativa da Rede Ecovida, do qual alguns “engenheiros” fazem parte, que além de assegurar a qualidade orgânica dos alimentos produzidos nas propriedades, fortalece e mobiliza o coletivo de agricultores familiares. Outra estratégia é a realização de atividades educativas nos engenhos, que sensibiliza as novas gerações para a importância da preservação dos saberes e sabores dos engenhos.

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Mapa de visitação dos Engenhos – Clique para ampliar

Complementando este desenhar de soluções criativas para a preservação deste patrimônio agroalimentar, o turismo de base comunitária vem se consolidando como uma ferramenta importante para a manutenção da sustentabilidade dos engenhos. Mais do que o simples consumo de paisagens, produtos e serviços, a atividade apresenta-se como uma oportunidade para visitantes e visitados compartilharem vivências culturais e gastronômicas. Visitar um engenho é saborear as histórias de iguarias como o beijú, a bijajica e o cuscus, as técnicas e tradições, ritos e rituais que circulam junto com as engrenagens. É compreender a importância do trabalho destes agricultores familiares para a segurança alimentar da população, contribuindo para o fortalecimento desta rede e preservação desta (agri)cultura. E ainda desfrutar de cenários diversos, que vão das belas praias da costa catarinense e sua tradição açoriana aos vales do interior, onde a influência germânica e italiana é mais presente.

Atenção: Para visitar os Engenhos, é fundamental fazer agendamento (vide contatos no mapa acima).

 

 

Arca do Gosto – Santa Catarina

Um registro das matérias-primas, paisagens, comunidades e receitas da Arca do Gosto de Santa Catarina.  A bijajica, recém incorporada ao catálogo, tem origem histórica ligada aos engenhos artesanais da região de Florianópolis.

Os outros produtos são: pinhão, butiá e berbigão. No final de outubro, uma delegação catarinense representará estas matérias-primas durante o Salone del Gusto / Terra Madre 2014.

Veja também: reportagem do Estúdio SC de 28/09/2014

Livro e audiovisual “Engenhos da Cultura” estão disponíveis online

Organizada pela historiadora Gabriella Pieroni e produzida pela equipe do PdC Engenhos de Farinha/Cepagro, a coleção Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas traça um registro histórico das ações do projeto através de seus protagonistas – agricultores, ativistas, educadores e chefs de cozinha -, metodologias de trabalho e incidência política. O e-book pode ser acessado através do link http://issuu.com/sandraalves91/docs/livro_engenho_da_cultura_vf. Já o vídeo documentário pode ser visto neste link.

O livro também pode ser solicitado gratuitamente em sua versão impressa, na sede do Cepagro.

A coleção foi lançada em Julho de 2014 no CIC - Centro Integrado de Cultura, em Florianóplis. O evento, realizado pela Rede Cultura Viva SC e Rede Catarina Slow Food, contou com a presença das comunidades urbanas e rurais envolvidas na produção. A iniciativa fez parte de uma campanha levantada pelo Convívio Engenhos de Farinha/Slow Food e viabilizada pelo Cepagro que propõe o registro do modo de fazer a farinha polvilhada  de Santa Catarina como Patrimônio Cultural Imaterial Estadual.
A coleção foi lançada em Julho de 2014 no CIC – Centro Integrado de Cultura, em Florianóplis. O evento, realizado pela Rede Cultura Viva SC e Rede Catarina Slow Food, contou com a presença das comunidades urbanas e rurais envolvidas na produção. A iniciativa fez parte de uma campanha levantada pelo Convívio Engenhos de Farinha/Slow Food e viabilizada pelo Cepagro que propõe o registro do modo de fazer a farinha polvilhada de Santa Catarina como Patrimônio Cultural Imaterial Estadual.

Articulação catarinense do Slow Food promoveu Encontro em Florianópolis

por Fernando Angeoletto / Cepagro

No último domingo, 23/03, foram reunidos os Convivia, Fortalezas, Comunidades do Alimentos e demais pontos de articulação do Slow Food catarinense. O evento foi realizado no Camping do Rio Vermelho e organizado pela equipe dos Convivia Engenhos de Farinha e Mata Atlântica. Compareceram aproximadamente 50 pessoas, entre membros articuladores do movimento, chefs de cozinha, nutricionistas, educadores, empreendedores em turismo sustentável e os agentes comunitários da Revolução dos Baldinhos.

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Na seqüência das apresentações iniciais, realizadas no período da manhã, os convidados foram agraciados com um farto almoço agroecológico, preparado pelos chefs do Convivium Mata Atlântica com produtos do Box 721 da Rede Ecovida, pescados artesanais, produtos da comunidade da Farinha de Mandioca Polvilhada, da Fortaleza do Pinhão e de Butiá, suculento fruto de palmeira endêmica do sul do Brasil que agora candidata-se a uma vaga na Arca do Gosto.

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Dentre as pautas da reunião, destacaram-se 2: a composição da delegação estadual para compor o próximo Terra Madre/Salone del Gusto, evento bianual que ocorre na Itália em outubro, e as reflexões sobre as metas traçadas pelo Slow Food Brasil, que agora configura-se como uma associação nacional, atrelada à matriz italiana porém com estrutura e funcionamento próprios.

A participação no Terra Madre mundial é sem dúvida um dos momentos de maior estímulo aos que se dedicam a levar adiante a produção artesanal de alimentos e a conservação da biodiversidade em seus territórios. Na reunião do último domingo, foi esclarecido que qualquer associado Slow Food pode candidatar-se à participação, que é integralmente custeada pelo movimento (passagem, hospedagem e alimentação).

As indicações, porém, são baseadas em alguns critérios determinantes: ser membro de alguma comunidade vinculada a produtos que já compõem ou em vias de compor a Arca do Gosto, possuir potencial de articulação local e nunca ter participado do evento. Esclarecidos os critérios, os participantes da reunião foram informados de que receberiam uma ficha de inscrição na semana corrente, que após preenchida é submetida à análise dos articuladores locais.

Até o momento, 30 produtos brasileiros estão listados na Arca do Gosto. É, sem dúvida, um número tímido diante de nossa biodiversidade e cultura gastronômica. Neste contexto insere-se uma das atuais metas do Slow Food brasileiro: alcançar 1.000 produtos componentes da Arca.

Farinha de mandioca polvilhada de Santa Catarina, bijajica, mel de bracatinga, méis de abelhas nativas e butiá estão na fila para indicação à Arca, somente para citar alguns produtos do nosso território. Durante a reunião, o butiá foi defendido por alguns de seus representantes, os agricultores familiares Antonio Augusto e Lurdes Soares. “Fazemos polpa, geleia e doce de corte. Dentro do coquinho há uma amêndoa muito boa para fazer pães. E ainda se pode fazer artesanato com as folhas da palmeira”, explica dona Lurdes. Um dos encaminhamentos do encontro foi a formação de uma comissão para identificar e realizar os protocolos de indicação dos produtos catarinenses à Arca do Gosto.

Antonio Augusto apresenta o butiá, durante defesa da indicação para Arca do Gosto
Antonio Augusto apresenta o butiá, durante defesa da indicação para Arca do Gosto

Outra meta prioritária do Slow Food nacional é atingir 1.000 pontos de articulação no território brasileiro. Dentre os participantes da reunião, um coletivo com este potencial era a Revolução dos Baldinhos, que já foi representada no Terra Madre Itália de 2010, com 3 agentes comunitários que ministraram oficinas de compostagem para a juventude do movimento. Foi aventada também a criação de um Convivium de pesquisadores e acadêmicos, liderado por Érika Sagae, mestranda em educação do Campo.

Por fim, os líderes brasileiros estão incumbidos em contribuir com a criação de 10 hortas no continente africano, dentre o expressivo número de 10.000 hortas assumido pelo Slow Food mundial. Trata-se, na visão do movimento, de amenizar uma dívida histórica da Europa com a África, além de fortalecer a soberania alimentar no continente, sabidamente ameaçada.

A reunião de domingo contou também com a presença de uma parlamentar, a deputada federal Luci Choinacki (PT), idealizadora da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica. Sensibilizada com o Slow Food, a deputada comprometeu-se a colaborar com a viabilização da ida de agricultores ao Terra Madre da Itália, já que as vagas financiadas pelo movimento são limitadas.

Deputada Luci Choinacki segura pacote de composto produzido pela Revolução dos Baldinhos, ao lado de agentes comunitários e agricultores
Deputada Luci Choinacki segura pacote de composto produzido pela Revolução dos Baldinhos, ao lado de agentes comunitários e agricultores

A reunião tratou ainda do fortalecimento associativo do Slow Food, com convites a novos futuros membros, que podem vincular-se aos Convivia Engenhos de Farinha e Mata Atlântica ou a Fortaleza do Pinhão catarinenses. Para estimular o consumo local de produtos tradicionais e agroecológicos, foi socializada a lista das Compras Coletivas e a oferta semanal do Box 721 da Rede Ecovida na Ceasa/SC. O próximo evento do coletivo está agendado para maio, em Lages, com oficinas sobre o uso gastronômico do Pinhão e outras atividades que serão divulgadas em breve.

Confira, clicando na foto abaixo, o álbum completo do Encontro Slow Food catarinense.

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