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Impactos da fumicultura e alternativas ao cultivo são temas de mesa-redonda na Assembleia Legislativa de SC

 

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ATUALIZADO EM 22/10/2015

O evento, que acontece em 09/11/2015 no Plenarinho da ALESC (veja local no link), integra um ciclo de reuniões estratégicas sobre modelos de atividades bem sucedidas que oferecem potencial para implementação dos artigos 17 (apoio a atividades alternativas economicamente viáveis ao tabaco) e 18 (proteção ao meio ambiente e a saúde das pessoas) da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT).

OBJETIVOS:

  1. Debater alternativas e apoios viáveis ao cultivo do tabaco no Brasil
  2. Apresentar as conseqüências do tabaco: da produção ao consumo
  3. Discutir a implementação da ConvençãoQuadro para o Controle do Tabaco em Santa Catarina e no Brasil

PÚBLICO ALVO: Agricultores, Agentes Públicos e da Sociedade Civil, Acadêmicos, Docentes, Pesquisadores, Comunicadores, profissionais da Saúde e demais interessados.

 ORGANIZADORES PROPONENTES:

PROGRAMA

Clique no link para acessar: programacao-mesa-redonda-tabaco

APOIADORES 

 CONVIDADOS:

  1. Agricultores Familiares e suas representações
  2. Organizações públicas e não públicas executoras de ações ligadas as alternativas
  3. INCA
  4. ANVISA
  5. MDA, MAPA, MMA, IBAMA
  6. RFB
  7. SVS
  8. ALESC
  9. Universidades
  10. ETHCI
  11. CIT/SC
  12. AMUCC
  13. SOCIEDADE CATARINENSE DE PNEUMOLOGIA
  14. EPAGRI, CIDASC, Outros
  15. SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SC
  16. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E ESTADUAL
  17. Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT)
  18. MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DE SC
  19. UNIMED GRANDE FLORIANÓPOLIS
  20. CEREST ESTADUAL
  21. CONSEAs
  22. OPAS/OMS Brasil
  23. AMB
  24. ACM
  25. PROFESSORES, ACADÊMICOS
  26. OUTROS  INTERESSADOS

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Cumprindo agenda de tratado mundial, Cepagro integra reunião que discute os impactos da fumicultura e rumos da diversificação produtiva

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Dando seqüência a um compromisso institucional e diplomático decorrente do maior tratado internacional de saúde pública já realizado, realizou-se na última semana, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Brasília, a primeira reunião aberta de 2015 da Convenção Quadro para Controle do Tabaco (CQCT), promovida pela Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro (CONICQ). Reunindo os Ministérios da Saúde, Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, representações nacionais da indústria fumageira,  organizações da sociedade civil envolvidas com o controle e prevenção do tabagismo, e protagonistas de ações com diversificação produtiva alternativa ao tabaco junto aos agricultores familiares.

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Dra. Tania Cavalcanti conduz a abertura da reunião

Em sua fala de abertura da reunião, a  Dra. Tania Cavalcanti, secretária executiva da CONICQ, reafirmou que o objetivo destes diálogos é de qualificar cada vez mais as proposições dos setores envolvidos na implementação da Convenção no Brasil, bem como dos que recebem algum impacto resultante da mesma. Da reunião resultaram ainda subsídios ao posicionamento do Estado Brasileiro na 7ª Conferência das Partes da CQCT (COP7), que acontecerá em outubro de 2016 em Nova Delhi (Índia).

A metodologia utilizada na reunião proporcionou que todos tivessem voz e apresentassem suas demandas e  questionamentos, tornando o ambiente construtivo e propositivo. Enquanto participação do Cepagro, entidade membro da Rede Nacional de Diversificação desde 2006, contribuímos para ampliar as reivindicações em torno dos artigos 17 (trata da diversificação de cultivos) e 18  (trata da proteção ao meio ambiente e à saúde das pessoas) da CQCT, contextualizando as necessidades atuais e as conquistas obtidas nesta última década de trabalhos realizados no universo rural brasileiro, considerando as diversas organizações que atuam em sintonia com a Convenção Quadro.

Amadeu Bonatto (esq), do DESER, e Charles Lamb, coordenador do Cepagro
Amadeu Bonatto (esq), do DESER, e Charles Lamb, coordenador do Cepagro

Para Amadeu Bonatto, do DESER, o impacto da exclusão de produtores de tabaco nesta última safra 2014/15 foi significativo, influenciado em parte pelas baixas nas exportações brasileiras, baixos preços pagos aos agricultores em determinadas regiões, e a própria orientação do setor fumageiro para que se plantasse menos fumo, pois os estoques mundiais estão altos – obstáculos que tendem a se agravar na próxima safra, que já contabiliza um acréscimo de 20% em média no custo de produção.

O quadro aponta para uma necessidade real de atenção ao movimento mundial da Indústria, cujo contexto evidencia a urgência de promover alternativas duradouras e realmente sustentáveis do ponto de vista da saúde pública, do meio ambiente e da diversificação produtiva.

Importante também é destacar o maior interesse do meio acadêmico no assunto, embasando cientificamente resultados positivos de substituição plena do cultivo de tabaco por alimentos, ou outros produtos e serviços em andamento. Além da apresentação dos novos parceiros conquistados, como o projeto de diversificação da fumicultura apoiado pelo FRBL de Santa Catarina, com foco voltado às atividades de diversificação agroecológica.

Um novo encontro ficou pré-agendado para novembro de 2015, tendo uma nova rodada de negociações e fortalecimento das estratégias nacionais de implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco.

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Território com 25 municípios reúne-se em Imbuia para o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense

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Na próxima semana (09 e 10/09/2015), representantes de 25 municípios catarinenses serão recepcionados em Imbuia para o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia. O evento é realizado para socialização das conjunturas, experiências e produtos das famílias agricultoras de base ecológica do território, fazendo parte das festividades do aniversário de emancipação do município sede.

Haverá ainda a Feira de Saberes e Sabores, aberta ao público, e a Feira de Sementes, espaço dedicado ao intercâmbio do material genético não transgênico produzido pelos agricultores do Núcleo. O Encontro acontece no Centro Social Dona Emília e Seu Lulu (Rua Otto Scheidt, 81 – próximo da Pizzaria La Bella Pizza/ Imbuia-SC).

Confira abaixo a programação completa.

Dia 09/09/2015

8:00 às 9:00hs – Recepção / Inscrição e café da manhã

9:00 – Espaço para organização da Feira de Saberes e Sabores;

10:00 – Abertura do evento

  • Representante do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia;
  • Representante da Rede Ecovida de Agroecologia;
  • Representantes do município de Imbuia (SC);

11:00 – Rede Ecovida – Laércio Meirelles;

12:00 – Almoço

13:30 – Oficinas

  • 1) Certificação Participativa, com representantes do Núcleo Litoral Catarina: Cadastro da Unidade Produtiva/ Agroindústria, Plano de manejo, DTC, Caderno de Campo;
  • 2) Adequação de agroindústrias (engenhos / alambiques artesanais), com Leomar Prezotto e Representante da Vigilância Sanitária Estadual;
  •  3) Rodada de negócios – representante da prefeitura de Florianópolis – compras para merenda escolar – representantes do Núcleo Litoral Catarinense relatando experiências diversas sobre comercialização (BOX 721 – Feiras – Mercados diversos);
  • 4) Mulheres & Gênero – com Ana Meirelles (coordenação da Rede Ecovida);

15:30 – Palestra sobre Vida, Alimentação e Saúde;

17:00 – Solicitação de novos interessados em assumir a equipe de Coordenação do Núcleo;

17:30 – Tesouraria – prestação de contas;

18:30 – Juventude – perspectivas futuras do Núcleo Litoral Catarinense;

19:30 – Jantar

20:00 – Apresentação Cultural – Grupo Folclórico de Dança e Viola de Vidal Ramos;

Dia 10/09/2015

7:30 às 8:30hs – Café da manhã

9:00 – Palestra sobre reprodução de sementes de hortaliças com Vladimir Moreira;

Feira de Troca de Sementes_Imbuia_201511:00 – Programação especial: Feira de Sementes (clique no cartaz ao lado para saber mais);

12:00 – Almoço

13:30 – Palestra com Rogério Dias – Coordenador de Agroecologia do MAPA (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento);

14:30 – Palestras:

  • Controle de resíduos de Agrotóxicos (CIDASC – Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina)
  • Conformidade orgânica no Sistema Participativo – com Eduardo Amaral e Francisco Castelle (MAPA –  Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento);

16:00 – Encaminhamentos e Encerramento;

TRAGAM SUAS CANECAS!

Agricultores conhecem iniciativas agroecológicas em intercâmbio promovido pelo Cepagro e FRBL

Realizada nos dias 11 e 12 de agosto, a atividade reuniu 15 famílias beneficiárias do projeto de diversificação na fumicultura que o Cepagro executa nos municípios de Leoberto Leal, Major Gercino e Nova Trento com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Foram visitadas propriedades e agroindústrias agroecológicas em Rancho Queimado e Santo Amaro da Imperatriz, além do Box 721 de Orgânicos da Ceasa em São José. O objetivo do intercâmbio foi mostrar que é possível produzir de maneira sustentável, além de incentivar a troca de conhecimentos com quem já vem trabalhando com sistemas agroecológicos. A ideia é possibilitar a formação de redes de agricultores sob novas formas de organização para a cooperação entre as famílias.

texto e fotos – Ana Carolina Dionísio, Gisa Garcia e Marina Pinto

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A primeira parada do intercâmbio, ainda na manhã da terça-feira, foi na propriedade de Pedro Eger em Rancho Queimado, que faz parte do grupo Harmonia da Terra da Rede Ecovida de Agroecologia. O agricultor mostrou os canteiros onde produz morangos orgânicos, explicando como é feito o preparo do solo, a adubação orgânica, a compra coletiva de mudas, a colheita, pós-colheita e custo de produção. Quanto à comercialização, a família destina sua produção para uma rede de supermercados local, algumas feiras e merenda escolar. Os que não atendem ao padrão de comercialização in natura vão para a agroindústria da região, servindo de matéria prima para deliciosas geleias e polpa de frutas. “Nenhum morango é perdido e recebemos muitos pedidos de encomenda, mas não damos conta de contempla-los”, disse Pedro Eger, que também ressaltou que “os agricultores estarem organizados é fundamental para que tenham força na conquista de mercados e no acesso a políticas públicas junto aos governos locais”.

IMG_0110A próxima visita, ainda no período da manhã, foi na agroindústria do Rancho EcoFrutícola, outro nó local da Rede Ecovida de Agroecologia. Na propriedade também são cultivados morangos orgânicos, mas na forma de canteiros suspensos e protegidos, um sistema diferente da propriedade anterior. De acordo com o  proprietário Samuel Weigert, a técnica cria um ambiente menos propício ao desenvolvimento de fungos e um maior controle no fornecimento dos nutrientes necessários para o desenvolvimento da cultura. Os participantes também conheceram os locais onde os morangos são selecionados, embalados e destinados para polpas ou geleias. Samuel relatou que absorvem a produção de outros agricultores orgânicos, mas que a demanda é muito maior que a oferta.

A última parada do primeiro dia de intercâmbio foi no BOX 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos.

O primeiro dia de intercâmbio terminou com uma visita ao Box 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos. O agricultor Elton Laureth e o técnico do Cepagro Francys Luiz Pacheco, que fazem a gestão da iniciativa, explicaram um pouco da logística e funcionamento do Box, enquanto o coordenador do projeto Charles Lamb ressaltou o caráter coletivo do empreendimento.

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A maioria dos agricultores não conhecia a CEASA e não tinha ideia do tamanho da movimentação comercial de alimentos que acontece naquele espaço. Um deles afirmou: “Estamos acostumados a receber o comprador em casa, mas com a desvantagem de que ele é que coloca o preço, aqui realmente podemos ficar mais próximos do cliente e possibilitar a negociação”.

DSC_0263Após um belo fim de tarde e pernoite no Hotel do SESC Cacupé, a caravana partiu na manhã seguinte para Santo Amaro da Imperatriz. O destino foi a chácara Recanto da Natureza, localizada na comunidade da Vargem do Braço. A propriedade pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e recentemente os órgãos ambientais determinaram que no local só serão permitidas atividades agrícolas feitas de forma ecológica. Não foi a legislação ambiental, contudo, que levou as seis famílias proprietárias da chácara a entrarem na produção orgânica. Foi um episódio de forte intoxicação por agrotóxicos, ainda no início dos anos 90, que estimulou o agricultor Amilton Voges a fazer sua revolução agroecológica.

DSC_0244Os participantes do intercâmbio visitaram algumas áreas da chácara, que possui 22 hectares cultivados. Amilton mostrou como adaptou as técnicas agroecológicas para sua realidade: “Quando resolvemos plantar orgânico, tive que ir para outras propriedades longe daqui para aprender as técnicas e também fiz muitos cursos, mas muito do conhecimento tem que ser adaptado para nossa realidade e particularidade. Na agricultura orgânica é assim, o planejamento é fundamental e a toda hora temos que ter ideias e experimentar coisas novas”. Ainda complementou que a primeira técnica que realizou foi a adubação verde, que “proporcionou a desintoxicação das nossas terras e até hoje nos utilizamos dessa técnica como geradora de nutrientes para as hortaliças”.

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A chácara também tem uma agroindústria de pré-processamento das hortaliças, a qual foi construída por uma demanda de mercado. Eles abastecem restaurantes e mercados da Grande Florianópolis e também a merenda escolar. Como a demanda é maior que a produção, a agroindústria também compra hortaliças de outros agricultores orgânicos locais.

DSC_0274Amilton expôs que a produção da agricultura orgânica é constantemente fiscalizada pela CIDASC e por isso realiza todo o registro da produção que entra para pré-processamento. A garantia da qualidade dos produtos, entretanto, vai além dos controles burocráticos. Para Amilton, “uma vez que o agricultor experimenta fazer agricultura orgânica, ele nunca mais volta a usar agrotóxicos e insumos químicos”. Hoje as famílias se orgulham de seu trabalho e de serem exemplos vivos de que uma agricultura sustentável dá certo.

Imbuia sediará Encontro da Rede Ecovida de Agroecologia

O Encontro de Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia já tem data e local certos: será nos dias 9 e 10 de setembro, em Imbuia, a convite do grupo Semear Sementes para o Futuro, que reúne agricultores deste município e de Leoberto Leal. Na última 5ª feira, 6 de agosto, os anfitriões estiveram reunidos com representantes de outros 8 grupos no Camping do Rio Vermelho para discutir e encaminhar diversas questões referentes ao Encontro, cuja última edição aconteceu na comunidade do Pinheiral, em Major Gercino.

Logo Encontro Núcleo Imbuia

Dentre os principais encaminhamentos, estipulou-se a data de 20 de agosto para que os grupos enviem o número de participantes para o email flaviamundstock@hotmail.com.  Tal levantamento é extremamente importante para que os grupos possam organizar sobretudo a questão da alimentação. Para o alojamento, haverá vagas em uma propriedade de Imbuia. Clique aqui para ver a programação.

Além da pauta do Encontro, a reunião também foi um momento de troca entre os membros da Rede e representantes do poder público. O diretor de proteção de ecossistemas da FATMA, Tenente-coronel Márcio Luiz Alves, fez uma explanação sobre o Parque do Rio Vermelho e outras unidades de conservação do estado (foto abaixo). Explicou também a inserção do Cepagro na administração do Camping, ressaltando seu processo de recuperação.

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Atendendo a uma demanda sobre o debate levantado pelo grupo de Itapema – certificação de agricultores urbanos – o coordenador do eixo urbano do Cepagro, Marcos José de Abreu, traçou um panorama da atuação da organização na cidade. A articulação de hortas comunitárias, a formação com profissionais dos Centros de Saúde e Assistência Social e a gestão de resíduos orgânicos foram alguns dos tópicos abordados.

DSC_0096Outro momento importante foi com a presença das nutricionistas Sanlina Hülse e Raquel Erdmann (foto), do Departamento de Alimentação Escolar da Prefeitura Municipal de Florianópolis. Elas falaram sobre a aquisição de produtos da agricultura familiar para alimentação escolar, esmiuçando questões como o funcionamento da chamada pública de alimentos, especificações dos produtos e dinâmica de entregas em Florianópolis.

Agricultores e técnicos compartilham saberes em atividades do Cepagro em Major Gercino

Se a troca de saberes entre agricultores é um dos princípios básicos da agroecologia, no contexto de iniciativas de promoção da agricultura ecológica é fundamental realizar cursos em que os ministrantes são também agricultores. Foi o que aconteceu nas propriedades das famílias Eger e Stolarczk, moradoras de Major Gercino e participantes do projeto de Fomento à Assistência Técnica e Extensão Rural para Fumicultores visando à Transição Agroecológica, executado desde o ano passado na região com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Na última 3ª, 9 de junho, o agricultor Dione Eger e o engenheiro agrônomo Guilherme Gomes ministraram uma oficina sobre adubação verde, na propriedade localizada na comunidade do Campinho. Já nos dias 11 e 12 foi a vez da família Stolarczk e do técnico agrícola Marcos Stumer, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, mostrarem como é o manejo orgânico da batata-salsa, cultivo que representa, junto com o fumo e a uva, uma das principais fontes de renda para os agricultores de Major Gercino.

Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy (Epagri) e Marina (Cepagro).
Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy Salomão (Epagri) e Marina Pinto (Cepagro).
Além dos agricultores participantes do projeto, estiveram presentes nas atividades os Secretários de Agricultura e Meio-Ambiente de Nova Trento e Major Gercino, técnicos da Epagri e a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, Marlene Fuck. A auditora do Ministério Público de Santa Catarina, Juliana Miguel Procópio da Silva, também assistiu à oficina do dia 9.

A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
Manter o solo coberto, evitar a erosão e garantir a renovação da matéria orgânica incorporada à terra são alguns dos objetivos do uso da adubação verde, técnica que consiste no plantio de espécies (principalmente leguminosas) em rotação ou consorciação com as culturas anuais. Na propriedade de Dione, ele semeou aveia na área das roças de fumo. Assim que o ciclo da aveia estiver completo e ela secar, ele irá acamar as plantas e realizar o plantio direto das mudas de fumo em meio à palhada. “Por isso é muito importante conhecer o ciclo produtivo da planta que será usada na adubação verde, para saber quando acamá-la”, explica o agricultor.

Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.
Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.

Segundo Dione, nos 2 anos em que vem praticando a adubação verde nas roças de fumo, já é possível perceber um aumento na produtividade do solo. “Além disso, a palhada não deixa o inço [ervas daninhas] vir. Também mantém as lesmas longe do pé de fumo”, conta o agricultor, que vem reduzindo o uso de herbicidas e inseticidas desde que começou a adotar a técnica. Sua ideia também é diminuir gradualmente o cultivo de fumo na propriedade, por não se tratar de uma cultura alimentícia.

A diminuição do uso de agrotóxicos seguramente contribui para melhorar a qualidade do solo, pois não extermina organismos que o mantém vivo e saudável, tais como fungos, bactérias e minhocas. A manutenção da qualidade do solo através da constante incorporação de matéria orgânica foi a tônica da fala introdutória ao curso, feita pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes.

A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
Nos dias 11 e 12 de junho o tema foi o cultivo orgânico de batata-salsa, num curso promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC), através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, na propriedade da família Stolarczk, na comunidade do Pinheiral. Conhecendo a demanda dos beneficiários do projeto por mais conhecimento quanto a este cultivo, visto por muitos como uma alternativa rentável à produção de fumo, a equipe do Cepagro/FRBL incorporou a atividade ao projeto. “Diagnosticamos nas lavouras da cultura dos beneficiários do projeto um uso intensivo do solo sem planejamento e preparação do mesmo, a utilização demasiada e indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes químicos, o que causa um desequilíbrio do sistema e uma contaminação química do meio ambiente. O tema do curso esta totalmente ao encontro do objetivo do nosso projeto: apresentar técnicas conservacionistas do solo e diminuir o uso intensivo de insumos químicos”, explica a engenheira agrônoma Gisa Garcia, extensionista rural do projeto Cepagro/FRBL.

Na parte teórica do curso, ministrada pelo técnico agrícola Marcos Stumer, do SENAR/SC, foram abordados assuntos como: preparação e manejo do solo para a cultura da batata salsa; preparação de mudas, podas, colheita e irrigação; receitas de preparados como biofertilizantes, inseticidas e fungicidas naturais utilizando ervas como losna, arruda e erva de defunto. Após as explicações, os participantes construíram um canteiro elevado, com o objetivo de fornecer um ambiente equilibrado para cultura sem necessitar revolver o solo.

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Durante o mês de junho as técnicas do projeto seguem mobilizando as famílias inscritas, focando nas comunidades rurais do município de Leoberto Leal. A próxima oficina será neste município no dia 2 de julho, na propriedade do agricultor Gilmar Cognacco,  comunidade de Vargem dos Bugres. Gilmar, que cultivava quase 200 mil pés de tabaco, hoje destaca-se como produtor de alimentos orgânicos na região e organiza uma feira em Brusque. Durante a oficina, ele irá compartilhar um pouco de sua experiência em transição agroecológica e diversificação produtiva.

Brasil e América Latina intercambiam saberes durante o IX Encontro Ampliado da Rede Ecovida

Revelando muitos oásis agroecológicos entre uma das mais fortes regiões da monocultura transgênica do país, o município de Marechal Cândido Rondon (PR) sediou na última semana o IX Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia. Com densa programação ao longo de 3 dias, totalizando sete seminários, quarenta oficinas e a tradicional Feira de Saberes e Sabores, o evento engajou milhares de participantes no fortalecimento do movimento agroecológico em torno de 3 eixos: a institucionalização da agroecologia (marco legal, normas, e certificação da conformidade orgânica, entre outros), o contexto agrícola e agrário brasileiro (concentração e integração entre a agricultura, produção de insumos, grandes complexos agroindustriais, redes de supermercados e o capital financeiro) e a organização da Rede em sua coordenação e grupos de trabalho, com ações estratégicas para o biênio 2015 e 2016. Além de quase 1500 agricultores dos 29 Núcleos regionais da Rede Ecovida, o evento também contou com uma ilustre delegação formada por 92 representantes de outras regiões brasileiras, dos EUA e de 16 países latino-americanos: Argentina, Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Paraguay, Peru e República Dominicana. Trata-se de um grupo de técnicos e agricultores de organizações donatárias da Fundação Interamericana (IAF), que atualmente tem foco em estimular processos de intercâmbio suprindo demandas comuns entre os projetos de Agroecologia do continente americano. Na sequência do Encontro Ampliado, a delegação latina permaneceu por mais 3 dias no Brasil, realizando um encontro com metodologia e logística próprias no município de Francisco Beltrão – tendo como anfitriã a entidade Assesoar, com 50 anos de história na educação popular e assitência técnica agroecológica. Debatendo suas similaridades e diferenças, o grupo estabeleceu compromissos para um engajamento continental no fortalecimento de suas práticas locais. Somente no sul do Brasil, a IAF apóia a execução de projetos em várias entidades ligadas à Rede Ecovida, gerando impactos positivos em cadeia, desde o âmbito da produção agroecológica à sistematização de experiências que possibilitam a replicação de metodologias. Em breve, os encaminhamentos do encontro de donatários serão divulgados nesta página. Vejam mais: Cobertura da ANA (Articulação nacional de Agroecologia) Abertura do evento Seminário da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica Conjuntura política e econômica em debate A força da alimentação escolar no Oeste do Paraná Galeria de fotos (de Fernando Angeoletto / Cepagro e Amaro Korb / Assesoar)