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Núcleo Litoral Catarinense fecha 2019 reforçando compromissos de participação e responsabilidade compartilhadas

Como o nome já diz, a certificação participativa pressupõe participação. E a última reunião do Núcleo Litoral Catarinense de 2019, realizada no dia 10 de dezembro, reforçou o compromisso da Rede Ecovida com  princípios como participação, responsabilidade compartilhada, confiança e transparência. Princípios que vão muito além da credibilidade de um selo nos alimentos, mas que fundamentam a prática agroecológica das mais de 90 famílias que compõem o Núcleo.

Durante o Encontro, que teve representantes dos 11 grupos do Núcleo e aconteceu no Gaia Village, em Garopaba (SC), foram discutidas questões sobre o Sistema Participativo de Garantia a partir de experiências dos próprios grupos. Procedimentos e práticas foram conversados, buscando sempre o equilíbrio entre a autonomia entre os grupos (formados pelas famílias de alguns municípios) e a responsabilidade compartilhada entre todos no âmbito do Núcleo. Isso porque, no Sistema Participativo, todas as decisões e verificações são feitas em conjunto, pelas próprias famílias. É a confiança entre todas, que todas estão seguindo os procedimentos do SPG, que mantém a Rede firme e forte.

Para delinear melhor as discussões, o Núcleo vem formando Grupos de Trabalho temáticos, que trouxeram informes para a reunião.

O GT de Comercialização falou sobre o processo de articulação com o Circuito da Rede Ecovida e como está sempre com o olhar atento para a rastreabilidade dos alimentos e o compromisso com os princípios da Rede.

O GT Sementes e Mudas informou que quer levantar o potencial de produção desses insumos no núcleo, além de organizar compras coletivas de sementes orgânicas. O uso de sementes e mudas orgânicas na produção agroecológica ainda não é uma exigência efetiva do Ministério da Agricultura, mas a Rede Ecovida já vem buscando isso para garantir a qualidade dos alimentos desde o início. Pelo Cepagro, a parceria com a Universidade de Michigan no projeto Culturas de cobertura da próxima geração, que tem o apoio da Conservation, Food & Health Foundation, vem sendo estimulada a produção de sementes de adubos verdes entre as famílias do Núcleo, o que poderia incentivar a adoção dessa prática, já que o custo das sementes nas agropecuárias muitas vezes é um obstáculo. Além disso, a ideia do projeto é que as/os agricultoras/es sejam fontes de conhecimento sobre o tema e não somente de sementes.

O GT Extrativismo disse que pretende abordar temas como boas práticas de manejo de espécies como açaí juçara, butiá e pinhão, além de dialogar com o Poder Público para regulamentar essas atividades.

E durante a reunião foi formado o GT Gênero do Núcleo, com a missão de trabalhar a temática no âmbito dos grupos para a construção de relações de gênero justas e equilibradas. Para fomentar e colorir essas reflexões, a bandeira com o lema QUANDO UMA MULHER AVANÇA, NENHUM HOMEM RETROCEDE, construída pelas mulheres para o Encontro Ampliado rodará entre os grupos. O primeiro a levá-la foi o grupo Paulo Lopes.

Ainda no âmbito de pesquisas no contexto do Núcleo, o Cepagro apresentou durante a reunião a proposta de trabalho para levantamento de dados para construção de Indicadores de Agroecologia junto às famílias do Litoral Catarinense. A proposta tem apoio da IAF e conta com a parceria da Universidade de British Columbia (Canadá), que está desenvolvendo um aplicativo para uso em campo que colaborará para a sistematização de dados sobre as propriedades, auxiliando as famílias no seu planejamento e gestão.

A reunião teve também a participação do Ministério da Agricultura (MAPA), representado pelos agrônomos Francisco Alexandro Powell Van Casteele e Elder Guedes. Eles falaram sobre o trabalho de fiscalização e controle do uso de agrotóxicos do MAPA em Santa Catarina, que envolve inclusive alimentos orgânicos. “As análises apontam que 5% das amostras de alimentos orgânicos contêm resíduos de agrotóxicos. Metade desses casos é por contaminação de um vizinho (deriva). Os outros são por contaminação nos pontos de venda”, disse Francisco, reforçando a importância de manter a documentação do caminho percorrido pelos alimentos (rastreabilidade), além das barreiras nas propriedades agroecológicas.

Mesmo com o horário avançado, os/as participantes encerraram a reunião em clima animado, talvez pela beleza do lugar, que sediará o próximo Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, que já tem data marcada: 22 e 23 de agosto, em Garopaba. Porque é promovendo encontros que se fortalece a Agroecologia!

Porto Belo recebe Encontro da Rede Ecovida de Agroecologia

O Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida acontece anualmente, reunindo famílias agricultoras que se dedicam à produção sustentável de alimentos orgânicos
Cerca de 150 pessoas, a maioria agricultores e agricultoras orgânicos de Santa Catarina, são esperadas neste final de semana no 13º ENCONTRO DO NÚCLEO LITORAL CATARINENSE DA REDE ECOVIDA DE AGROECOLOGIA, que acontece no Salão da Igreja Nossa Senhora Aparecida, comunidade Sertão de Santa Luzia, em Porto Belo. Na programação, haverá palestras, oficinas e a tradicional Feira de Saberes, Sabores e Sementes, representando a riqueza da agricultura agroecológica de Santa Catarina. O evento, organizado pelo Grupo de Agroecologia Costa Esmeraldas (GACE), começa no sábado, 24 de agosto, às 15h e termina no domingo, 25 de agosto, às 16h. No domingo a programação será aberta ao público.
A mesa de abertura do Encontro, no sábado às 18h, será sobre TECNOLOGIAS EM PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE HORTALIÇAS, com a participação do agrônomo Euclides Schallenberger, da EPAGRI. No domingo o destaque é para as oficinas, abordando temas como: planejamento de produção, organização de grupos de consumidores e adubos. Durante todo o evento acontece a FEIRA DE SABERES SABORES, com alimentos e artesanato da agricultura familiar agroecológica catarinense. Um delicioso café e almoço agroecológicos serão servidos, a R$ 25 por pessoa. A organização pede confirmação da presença pelo telefone (47) 99720-6930.
O último encontro foi em Biguaçu

O Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida reúne cerca de 150 famílias de agricultores e agricultoras de 30 municípios catarinenses. Os Encontros  de Núcleo são realizados anualmente. Já a Rede Ecovida está presente nos três estados do Sul brasileiro, reunindo mais de 4 mil famílias de agricultores e agricultoras agroecológicos.

CEPAGRO E NÚCLEO LITORAL CATARINENSE VISITAM O CENTRO PARANAENSE DE REFERÊNCIA EM AGROECOLOGIA

A visita ao Centro Paranaense de Referência em Agroecologia aconteceu nos dias 26 e 27 de novembro, reunindo agricultores e agricultoras de diversos grupos da Rede Ecovida de Agroecologia, além da agrônoma Aline de Assis, da equipe técnica do Cepagro. O grupo pôde conhecer e conversar sobre comercialização, cestas agroecológicas, produção animal agroecológica, plantas medicinais e preparados homeopáticos, além de visitar a Casa da Semente Crioula.

Há algum tempo a coordenação do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida vinha discutindo maneiras de se tornar mais rede de Agroecologia e menos rede de certificação. Segundo Cátia Cristina Rommel, do Grupo Germinação (Anitápolis e Santa Rosa de Lima), o objetivo das capacitações era que os agricultores pudessem trabalhar mais a Agroecologia e passar menos tempo se fiscalizando e se punindo, ir para além da certificação. A visita ao CPRA, que se localiza na cidade de Pinhais, próxima a Curitiba, contemplou o desejo do grupo, pois incluiu diversos temas que vinham sendo discutidos nas reuniões.

A capacitação começou com uma discussão sobre formas mais democráticas e contra hegemônicas de comercialização, e que assegurem também menos fragilidade para os agricultores em meio às oscilações de mercado. Depois viram as questões de manejo animal agroecológico, rotação de pastagem, uso de fitoterápicos e outras formas de controle de parasitas. Além de conhecer várias espécies de abelhas nativas.

O CPRA, como eles mesmo falam, possui o privilégio de trabalhar exclusivamente a Agroecologia, o que é raro. O Centro é uma autarquia do estado e em um mesmo espaço consegue concentrar várias abordagens. Durante a capacitação, os agricultores do Núcleo aprenderam ainda sobre construção de estufas usando bambu, plantas medicinais aromáticas e abordagens das Cromatografias de Pfeiffer, uma forma de análise de solo que o próprio agricultor pode fazer.

Em seguida, o grupo seguiu para a Associação Brasileira de Amparo a Infância (ABAI), em Mandirituba/PR, instituição que trabalha com crianças a partir da ecologia e usando sementes crioulas como forma de autonomia. Além disso eles abrigam a Casa da Semente Crioula, onde fazem um trabalho de resgate de sementes com as crianças. Lá os agricultores puderam trocar e adquirir sementes agroecológicas, o que é muito difícil de conseguir, segundo Cátia. Por fim, aprenderam como selecionar variedades de milho e visitaram o senhor Dantas, um dos guardiões de sementes que possui uma grande diversidade.

Cátia Cristina contou que a Casa da Semente Crioula é uma experiência que também envolve a Rede Ecovida de Agroecologia, porque algumas das sementes utilizadas pelos produtores associados vêm de lá. A agricultora disse ainda que essa capacitação era um sonho e que depois de meses de articulação, foi muito gratificante ter feito a viagem, “Olhar de fora o nosso lugar é sempre enriquecedor, é como cruzar uma fronteira e olhar para o teu país, é sempre uma percepção diferente quando se olha de fora. Está todo mundo voltando pra casa com muito entusiasmo e muita inspiração”.

A agricultora Cristina Alves, do Grupo Associada (Nova Trento e Major Gercino), se sentiu engajada a também se tornar uma guardiã, tentar plantar essas sementes crioulas, conseguir novas a partir do plantio e repassá-las. “Foi um conhecimento maravilhoso saber que existem pessoas que são esses guardiões e que protegem essas sementes e que têm a capacidade de estar passando para outras pessoas e de cuidar desse tesouro com muito carinho”, disse Cristina. A sensação ao final da viagem foi de quero mais.

Biguaçu recebe o 12º Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida

A comunidade Fazenda de Dentro, em Biguaçu, será a casa do 12º Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, que acontece nos dias 22 e 23 de setembro. A expectativa é que cerca de 200 pessoas participem do Encontro, que reunirá agricultoras e agricultores de  cerca de 30 municípios, distribuídos em 11 grupos. Palestras, oficinas e a tradicional Feira de Saberes, Sabores e Sementes integram a programação, que neste ano será restrita a convidadxs.

O Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida reúne cerca de 150 famílias de agricultores e agricultoras de 30 municípios catarinenses. Os Encontros são realizados anualmente e neste ano terão uma participação especial: uma delegação de 17 organizações brasileiras e de outros países da América Latina (México, Paraguay, Peru, Colômbia, Equador, Guatemala e El Salvador) que participam de um intercâmbio sobre certificação de alimentos orgânicos promovido pelo Cepagro, promovendo uma rica troca de experiências.

 

 

Oficinas enriquecem reunião do Núcleo Litoral Catarinense

A última quinta-feira, 16 de agosto, foi um dia de aprendizados durante a reunião da Comissão de Verificação do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida. Entre velhos conhecidos e caras novas, representantes dos grupos de Agroecologia que compõem o Núcleo estiveram presentes na Associação de Desenvolvimento da Microbacia do Rio Dúna, em Paulo Lopes, para discutir demandas sobre certificação e capacitação dos grupos, além de atividades futuras. Os agricultores e consumidores presentes participaram ainda de três oficinas com foco na fertilização do solo, sendo uma delas facilitada pelo Cepagro. 

Segundo Cátia Cristina Rommel, agricultora e secretária da coordenação do Núcleo, as reuniões mensais costumavam ficar centradas nas questões burocráticas e mais diretas que envolvem a certificação coletiva. Com o tempo, foi surgindo a demanda de trazer mais Agroecologia para os encontros, afinal, trocar conhecimentos e aprendizados sobre as práticas agroecológicas nunca é demais. Como o debate sobre o solo tinha vindo à tona em reuniões anteriores, surgiu a ideia de trazer oficinas com essa temática.

A primeira mini-oficina foi facilitada pelo agricultor Pedro Henrique Eger, do grupo Harmonia da Terra, de Rancho Queimado. Pedro explicou passo a passo como capturar e preparar os Microorganismos Eficazes (ME), seres que auxiliam no equilíbrio da vida do solo e no controle de doenças de folhagens. Ainda pela manhã, Ika Porã, de Garopaba, fez uma apresentação sobre a criação de minhocas e falou sobre os benefícios desses animais tanto na fertilização do solo quanto no uso para a alimentação de outras criações.

A tarde foi dedicada à oficina de Compostagem, ofertada pelo engenheiro agrônomo da equipe técnica do Cepagro, Júlio César Maestri. A oficina começou com a preparação da TV Composteira, ferramenta didática onde é possível ver o modelo de compostagem do método UFSC camada por camada. Em seguida, todos seguiram para o pátio da associação, onde as dúvidas restantes foram sanadas com a montagem da composteira no chão, com palhada.

Júlio alertou para a importância de reaproveitar os resíduos orgânicos: “Florianópolis gasta mais de R$ 2 milhões de reais por mês para enterrar o lixo produzido na capital”. Todo o resíduo é levado para o aterro de Biguaçu, sendo que praticamente 50% deste volume é de resíduos orgânicos que poderiam ser compostados. “A maior parte do resíduo orgânico é formada por água, ou seja, Florianópolis gasta um dinheirão para transportar água até o aterro”, explica o agrônomo.

Na reunião, os agricultores também discutiram a programação do Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, que acontecerá nos dias 22 e 23 de setembro na Fazenda de Dentro, em Biguaçu. O evento acontece anualmente e a programação conta com oficinas, palestras e noite cultural, atividades pensadas de acordo com o interesse dos grupos locais. Luciano Zanghelini, do Grupo Flor do Fruto, está envolvido com a organização do evento e conta que muito provavelmente haverá uma oficina sobre o uso de bambu, já que esse tema tem surgido como uma demanda entre os agricultores. Já as palestras devem trazer temáticas mais gerais, entre técnicas e práticas agroecológicas, afim de contemplar um número maior de participantes.

Cooperativa de agricultores de Major Gercino inaugura agroindústria de sucos e geleia de uva

A agricultura familiar de Major Gercino obteve mais uma conquista na última sexta-feira, 15 de junho: foi inaugurada a agroindústria de Suco de Uva e Geleia da Coopermajor, cooperativa formada por agricultores município do Alto Vale do Rio Tijucas. A agroindústria, situada no Distrito de Pinheiral, conta com dez viticultores associados e já começou a funcionar. O Cepagro esteve presente na solenidade de inauguração, junto com IMG_2662o Prefeito de Major Gercino, Valmor Pedro Kammers, o Secretário da Agricultura do município, Valdecir Marchi, o engenheiro agrônomo extensionista da Epagri, Remy Simão e o presidente da Coopermajor, Elvino Staroski, além dos agricultores que compõem a cooperativa. De acordo com Elvino, até agora, cerca de 4 mil litros de sucos já foram processados ali. A produção é feita separadamente pelos agricultores, mas a comercialização, que deve iniciar em breve utilizará uma só rotulagem. A agroindústria processará tanto uvas convencionais quanto orgânicas, estas certificadas pela Rede Ecovida de Agroecologia. 

Para o presidente da Coopermajor, a agroindústria beneficia os associados principalmente no valor da venda. Se antes a uva era vendida à granel e com um preço estipulado, muitas vezes, pelo comprador, com a venda do suco, a valorização do produto e do produtor aumentam. “A gente foi conversando em reuniões e viu que tinha um meio de agregar mais valor e nos juntamos. Hoje a gente está com 10 associados nomeados e com um preço bem melhor do suco do que com a uva vendida a granel”, conta Elvino. Nenhuma garrafa foi comercializada até agora, mas a produção já está acontecendo desde fevereiro deste ano.

O investimento para a concretização da Indústria veio em grande parte dos próprios agricultores associados e contou também com recursos do programa SC Rural, do Governo do estado de Santa Catarina, mobilizados através da Epagri. Além disso, a produção dos sucos e geleias, que serão em parte orgânicos, conta com a certificação participativa da Rede Ecovida de Agroecologia, da qual Aloísio, Salete e outros agricultores familiares da região fazem parte.

IMG_2667Depois das falas iniciais da cerimônia, Valdecir Marchi, Secretário da Agricultura e Meio Ambiente do município, falou um pouco sobre a história da cooperativa e fez um agradecimento especial à Aloísio e Salete Stolarczk, casal de agricultores associados que doaram o terreno para a construção da indústria da Coopermajor.

IMG_2676Após os agradecimentos, os presentes assistiram à palestra com o enólogo Stevan Arcari, que explicou um pouco sobre o novo sistema de produção do suco, não mais feito em panelas e com evaporação, mas por meio de um processo enzimático. Segundo Stevan, os viticultores que produzirem no maquinário da indústria terão a vantagem de fabricar um suco integral, feito com pura uva, colhida de manhã e processada a noite – vantagem ainda maior para aqueles que utilizarem uvas orgânicas.

O enólogo ainda lembrou que o custo final do suco pode até ficar um pouco maior, se comparado à grandes empresas produtoras. Mas essa característica é compensada levando em conta toda a qualidade embutida no produto, vindo de agricultura familiar e fruto de uma cooperativa.

IMG_2698Após a palestra, os casais associados, Aloísio e Salete e Elvino e Ana, cortaram a fita de inauguração e os presentes puderam fazer uma visita ao interior da fábrica. 

Alimentos orgânicos: mais saúde e segurança para quem cultiva e para quem come

Seja pela apresentação de dados estatísticos, estudos acadêmicos ou pelas histórias de agricultoras e agricultores, essa foi a tônica da Semana Nacional do Alimento Orgânico em Florianópolis, celebrada no final de maio e início de junho. No Seminário de Alimentos Orgânicos realizado pela Cidasc em parceria com o Cepagro na FIESC no dia 1º de junho e na Feira Orgânica CCA do dia 2, o público pode conhecer melhor sobre a produção, certificação e comercialização de alimentos orgânicos. Além de mais reconhecimento pelo trabalho dos e das que produzem alimentos bons e limpos, outra demanda ganhou força nessa Semana: maior participação dos consumidores e consumidoras nos processos de certificação e comercialização de orgânicos. Como disse o agricultor Anderson Romão, do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida: “A parte mais difícil a gente faz, que é acordar cedo e plantar. Para o negócio virar mesmo, tem que partir do consumidor”.

Texto e foto: Carú Dionísio

“Me sinto confortável em dizer para os consumidores que podem consumir orgânico em Santa Catarina, porque é de qualidade”. A fala do engenheiro agrônomo Matheus Mazon Fraga, da CIDASC, veio após ele apresentar os resultados do Programa de Monitoramento da Produção Orgânica Vegetal durante o Seminário de Alimentos Orgânicos que aconteceu no dia 1º de junho. Implementado pela CIDASC com apoio do Banco Mundial, o Programa fez a coleta e análise de 1840 amostras de 13 cultivos orgânicos entre 2012 e 2016. Dessas, apenas 6% apresentaram inconformidades, como resíduos de agrotóxicos. “E, nesses casos, os órgãos públicos estão tomando as providências”, assegurou o agrônomo.

Enquanto a coleta e análise de resultados cabe à CIDASC, a averiguação das inconformidades está a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo o engenheiro agrônomo Francisco Powell Van de Casteele, do MAPA, a maioria das ocorrências de resíduos de agrotóxicos em alimentos orgânicos é devido à proximidade entre propriedades agroecológicas e convencionais, com barreiras insuficientes: “Parece um contrassenso, mas é o produtor orgânico que tem que proteger sua produção de um vizinho que às vezes não segue boas práticas no uso de agrotóxicos”, afirmou. Nos casos em que se verifica negligência ou má fé por parte do agricultor supostamente orgânico, é feito um auto de infração, que pode gerar multas. “Depois de várias autuações, encaminhamos para o Ministério Público”, completou.

Se pela segurança a população pode confiar nos alimentos orgânicos, seu valor de mercado ainda restringe seu consumo. Entretanto, os benefícios ambientais da agricultura orgânica não têm preço, de acordo com Francisco Powell: “Falam que o orgânico é caro. Mas se pensarmos na água potável que deixa de ser contaminada e na contribuição da agricultura orgânica para sua preservação, perceberemos os benefícios dessa atividade no fornecimento de água de qualidade para toda população”, avaliou.

A relação entre o consumo de alimentos orgânicos e os benefícios ambientais e para a saúde da agricultura ecológica foi corroborada durante o Seminário pela nutricionista Elaine de Azevedo, professora da Universidade Federal do Espírito Santo: “Comprando da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais, continuaremos donos de nossos recursos ambientais”, afirmou. Convidando o público a refletir sobre o alto consumo de carnes – já que a pecuária é uma das atividades com mais impactos socioambientais da atualidade -, a professora ressaltou na sua fala como a alimentação também é política. Quando podemos escolher o que comemos, optamos também por determinado modelo produtivo e social. “Para a alimentação ser política, é preciso pensar em quem trabalha no campo”, disse. Além de mais seguro para trabalhadores e trabalhadoras rurais, pois não envolve o manejo de agrotóxicos, os alimentos orgânicos também têm melhor valor nutricional em relação aos chamados convencionais, de acordo com vários estudos apresentados pela professora no Seminário. Elaine encerrou sua fala com a leitura do potente “Manifesto da Comida de Verdade”.

Mas como aumentar o acesso a esses alimentos bons, limpos e justos, num cenário em que grandes conglomerados empresariais dominam o mercado mundial de alimentos? Para o professor Oscar José Rover, coordenador do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar da UFSC, a chave é aproximar produtores e consumidores, investindo em feiras, circuitos curtos de comercialização e células de consumidores, muitas vezes organizados pela internet. Novamente, o papel do consumidor e da consumidora é enfatizado, como disse o agricultor agroecológico Anderson Romão.

Anderson fez sua apresentação junto com outros 5 agricultores e agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, que fecharam a programação do Seminário de Alimentos Orgânicos. Além de explicar o funcionamento da Rede, a agricultora Claudete Ponath (Piçarras) apresentou um panorama de abrangência do Núcleo Litoral Catarinense, que envolve 130 famílias de agricultores de 28 municípios, de Garopaba até Joinville. Nas suas falas, o grupo reforçou que a Rede vai bem além da certificação, como disse a agricultora Sônia Jendiroba, do grupo Ilha Meiembipe (Florianópolis): “Quando entrei pra Rede eu queria muito mais do que plantar sem veneno. Queria fazer parte da agroecologia, estar mais próximo dos consumidores e com outros agricultores”.

Para Sônia, ser visitada pelas pessoas que comem os alimentos que ela cultiva só traz mais credibilidade para seu trabalho, além de fortalecer seu compromisso com a Rede: “Esse olhar nos dá credibilidade e também responsabilidade de produzir e vender, saber que não vamos falhar na frente, senão toda a Rede vai pagar o pato. Temos esse compromisso social de que o que produzimos é saúde”, concluiu.

Já Pedro Eger, do grupo Harmonia da Terra, de Rancho Queimado, enfatizou o intercâmbio de informações entre agricultores e agricultoras como uma das principais motivações para estar na Rede: “Além da diminuição do custo, nós migramos da certificação por auditoria para a participativa pela oportunidade de trocar experiências com outros agricultores”, disse.

A Semana do Alimento Orgânico terminou com uma edição festiva da Feira Orgânica CCA. Veja como foi na fotorreportagem de Joelson Cardoso para o Cotidiano UFSC e também na reportagem de Marcelo Luiz Zapelini para o Desacato.info.

Confira também a matéria de Fernando Lisbôa para o telejornal UFSC Cidade.

Veja mais fotos do Seminário na galeria abaixo: