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Alimentos orgânicos: mais saúde e segurança para quem cultiva e para quem come

Seja pela apresentação de dados estatísticos, estudos acadêmicos ou pelas histórias de agricultoras e agricultores, essa foi a tônica da Semana Nacional do Alimento Orgânico em Florianópolis, celebrada no final de maio e início de junho. No Seminário de Alimentos Orgânicos realizado pela Cidasc em parceria com o Cepagro na FIESC no dia 1º de junho e na Feira Orgânica CCA do dia 2, o público pode conhecer melhor sobre a produção, certificação e comercialização de alimentos orgânicos. Além de mais reconhecimento pelo trabalho dos e das que produzem alimentos bons e limpos, outra demanda ganhou força nessa Semana: maior participação dos consumidores e consumidoras nos processos de certificação e comercialização de orgânicos. Como disse o agricultor Anderson Romão, do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida: “A parte mais difícil a gente faz, que é acordar cedo e plantar. Para o negócio virar mesmo, tem que partir do consumidor”.

Texto e foto: Carú Dionísio

“Me sinto confortável em dizer para os consumidores que podem consumir orgânico em Santa Catarina, porque é de qualidade”. A fala do engenheiro agrônomo Matheus Mazon Fraga, da CIDASC, veio após ele apresentar os resultados do Programa de Monitoramento da Produção Orgânica Vegetal durante o Seminário de Alimentos Orgânicos que aconteceu no dia 1º de junho. Implementado pela CIDASC com apoio do Banco Mundial, o Programa fez a coleta e análise de 1840 amostras de 13 cultivos orgânicos entre 2012 e 2016. Dessas, apenas 6% apresentaram inconformidades, como resíduos de agrotóxicos. “E, nesses casos, os órgãos públicos estão tomando as providências”, assegurou o agrônomo.

Enquanto a coleta e análise de resultados cabe à CIDASC, a averiguação das inconformidades está a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo o engenheiro agrônomo Francisco Powell Van de Casteele, do MAPA, a maioria das ocorrências de resíduos de agrotóxicos em alimentos orgânicos é devido à proximidade entre propriedades agroecológicas e convencionais, com barreiras insuficientes: “Parece um contrassenso, mas é o produtor orgânico que tem que proteger sua produção de um vizinho que às vezes não segue boas práticas no uso de agrotóxicos”, afirmou. Nos casos em que se verifica negligência ou má fé por parte do agricultor supostamente orgânico, é feito um auto de infração, que pode gerar multas. “Depois de várias autuações, encaminhamos para o Ministério Público”, completou.

Se pela segurança a população pode confiar nos alimentos orgânicos, seu valor de mercado ainda restringe seu consumo. Entretanto, os benefícios ambientais da agricultura orgânica não têm preço, de acordo com Francisco Powell: “Falam que o orgânico é caro. Mas se pensarmos na água potável que deixa de ser contaminada e na contribuição da agricultura orgânica para sua preservação, perceberemos os benefícios dessa atividade no fornecimento de água de qualidade para toda população”, avaliou.

A relação entre o consumo de alimentos orgânicos e os benefícios ambientais e para a saúde da agricultura ecológica foi corroborada durante o Seminário pela nutricionista Elaine de Azevedo, professora da Universidade Federal do Espírito Santo: “Comprando da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais, continuaremos donos de nossos recursos ambientais”, afirmou. Convidando o público a refletir sobre o alto consumo de carnes – já que a pecuária é uma das atividades com mais impactos socioambientais da atualidade -, a professora ressaltou na sua fala como a alimentação também é política. Quando podemos escolher o que comemos, optamos também por determinado modelo produtivo e social. “Para a alimentação ser política, é preciso pensar em quem trabalha no campo”, disse. Além de mais seguro para trabalhadores e trabalhadoras rurais, pois não envolve o manejo de agrotóxicos, os alimentos orgânicos também têm melhor valor nutricional em relação aos chamados convencionais, de acordo com vários estudos apresentados pela professora no Seminário. Elaine encerrou sua fala com a leitura do potente “Manifesto da Comida de Verdade”.

Mas como aumentar o acesso a esses alimentos bons, limpos e justos, num cenário em que grandes conglomerados empresariais dominam o mercado mundial de alimentos? Para o professor Oscar José Rover, coordenador do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar da UFSC, a chave é aproximar produtores e consumidores, investindo em feiras, circuitos curtos de comercialização e células de consumidores, muitas vezes organizados pela internet. Novamente, o papel do consumidor e da consumidora é enfatizado, como disse o agricultor agroecológico Anderson Romão.

Anderson fez sua apresentação junto com outros 5 agricultores e agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, que fecharam a programação do Seminário de Alimentos Orgânicos. Além de explicar o funcionamento da Rede, a agricultora Claudete Ponath (Piçarras) apresentou um panorama de abrangência do Núcleo Litoral Catarinense, que envolve 130 famílias de agricultores de 28 municípios, de Garopaba até Joinville. Nas suas falas, o grupo reforçou que a Rede vai bem além da certificação, como disse a agricultora Sônia Jendiroba, do grupo Ilha Meiembipe (Florianópolis): “Quando entrei pra Rede eu queria muito mais do que plantar sem veneno. Queria fazer parte da agroecologia, estar mais próximo dos consumidores e com outros agricultores”.

Para Sônia, ser visitada pelas pessoas que comem os alimentos que ela cultiva só traz mais credibilidade para seu trabalho, além de fortalecer seu compromisso com a Rede: “Esse olhar nos dá credibilidade e também responsabilidade de produzir e vender, saber que não vamos falhar na frente, senão toda a Rede vai pagar o pato. Temos esse compromisso social de que o que produzimos é saúde”, concluiu.

Já Pedro Eger, do grupo Harmonia da Terra, de Rancho Queimado, enfatizou o intercâmbio de informações entre agricultores e agricultoras como uma das principais motivações para estar na Rede: “Além da diminuição do custo, nós migramos da certificação por auditoria para a participativa pela oportunidade de trocar experiências com outros agricultores”, disse.

A Semana do Alimento Orgânico terminou com uma edição festiva da Feira Orgânica CCA. Veja como foi na fotorreportagem de Joelson Cardoso para o Cotidiano UFSC e também na reportagem de Marcelo Luiz Zapelini para o Desacato.info.

Confira também a matéria de Fernando Lisbôa para o telejornal UFSC Cidade.

Veja mais fotos do Seminário na galeria abaixo:

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Agroecologia transcende fronteiras pelo bem viver durante o 10º Encontro Ampliado da Rede Ecovida

Reunindo cerca de 1.500 pessoas, o 10º Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia aconteceu em Erexim (RS) entre os dias 21 e 23 de abril, com a organização encampada pelo Núcleo de Agroecologia do Alto Uruguai. Com o lema “Cuidado, Cultura e Bem Viver: Construindo Caminhos”, as atividades e discussões do 10º EARE firmaram a concepção de Agroecologia para muito além da produção orgânica, representando também uma alternativa para ter mais qualidade de vida no campo e na cidade, com segurança e soberania alimentar e respeito às diversidades de gênero e de gerações. O próximo Encontro Ampliado da Rede será no Oeste de Santa Catarina, entre 2019 e 2020.

texto e foto – Carú Dionísio

Delegação do Núcleo Litoral Catarinense que foi ao 10º Encontro Ampliado da Rede Ecovida

“Uma vez na Bahia uma camponesa me disse assim: ‘Agroecologia é chamar a terra de meu bem’. Porque o que o agronegócio faz é estupro! É pornografia! Mas o que a gente faz é agro-erótico.”. Sob os aplausos de uma plateia de quase mil pessoas, a Pastora Nancy Pereira, da Comissão Pastoral da Terra, prossegue na comparação: “A agroecologia não pode ter pressa, não pode entrar sem pedir licença, tem que acariciar, tem que esperar. É uma relação dessa outra metodologia, desse outro modo, que é o modo do cuidado.

Pastora Nancy Pereira e o agro-erotismo agroecológico

Quando você ama, você cuida! Quando você deseja, você cuida! E fazer agroecologia é se envolver nessa relação erótica com a vida, com a comida, com o sol , com a água”. Proferida durante o Painel de Abertura do 10º Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia, as provocativas comparações da Pastora evocavam o lema do evento neste ano: “Cuidado, Cultura e Bem Viver: Construindo Caminhos”.

Realizado entre os dias 21 e 23 de abril em Erexim, no Rio Grande do Sul, o 10º EARE reuniu cerca de 1.500 pessoas, entre agricultores e agricultoras, equipes técnicas de organizações, estudantes, consumidores e consumidoras que acreditam e trabalham pela Agroecologia não só como opção produtiva, mas como um caminho para o bem viver. “Quando a gente discute agroecologia, a Rede Ecovida busca isso de forma bem mais ampla do que simplesmente a produção orgânica. É um conjunto de ações, pensando principalmente no espaço e na qualidade de vida”, afirma Edson Klein, da equipe técnica do CETAP, que juntamente com o CAPA e o Núcleo de Agroecologia do Alto Uruguai, encampou a organização do Encontro em 2017. O agricultor Aires Niedzielski, da coordenação da Rede Ecovida, vai além:O nosso sonho, a nossa luta é mostrar que a Agroecologia é a salvação do nosso planeta”.

Fazendo jus a esta ampla concepção da Agroecologia, que abarca também segurança e soberania alimentar dos povos, questões trabalhistas, sociais, de gênero e de gerações, a programação do Encontro contou com uma variada programação de 30 oficinas, que aconteceram na primeira tarde do evento. Foram trabalhados temas técnicos, políticos, sociais e gastro-etílicos: de insumos a sementes crioulas, passando por discussões sobre os impactos da Reforma da Previdência para agricultores e agricultoras ou crédito para agricultora ecológica, além do compartilhamento de receitas e sabores de frutas nativas, cervejas orgânicas e plantas alimentícias não-convencionais (PANCs).

Oficina “Cuidar de Si”, com Maria Dênis Schneider, da equipe técnica do Cepagro

A equipe técnica do Cepagro facilitou quatro oficinas durante o Encontro: “Compostagem e Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos”, com Júlio César Maestri; “Cuidar de Si: Respiração, Automassagem e Relaxamento” e “Feira Orgânica CCA”, com Maria Dênis Schneider e “Consumidores e Agricultores Construindo Alternativas de Abastecimento”, com Erika Sagae e equipe do Projeto Misereor em Rede.

Oficina de compostagem, com Júlio César Maestri

 

 

 

 

Oficina “Consumidores e Agricultores Construindo Alternativas de Abastecimento”, com Erika Sagae e equipe do Projeto Misereor em Rede.

Outros momentos importantes de formação dos Encontros Ampliados são os seminários, que nesta 10ª edição aconteceram no segundo dia, 22 de abril. “Os seminários discutem temas relacionados ao trabalho da Rede Ecovida e sua dinâmica. É a partir desses seminários que a gente consegue tirar diretrizes de funcionamento da Rede para o próximo período”, explica Edson Klein. Mulheres, Juventude, Comercialização, Assistência Técnica e Extensão Rural, Sementes, Certificação e Mudanças Climáticas foram as temáticas discutidas.

A participação de uma delegação com cerca de 50 membros de organizações de 14 países latino-americanos foi novamente um dos destaques do 10º Encontro Ampliado, assim como na edição de 2015, em Marechal Cândido Rondon (PR). Apoiadas pela Fundação Inter-Americana (IAF), as organizações integraram o 10º EARE como uma preparação para o Encontro de Donatários da Fundação que aconteceu na sequência, em Passo Fundo. “Nestes dias como delegação aprendemos muito. Que os problemas e estratégias para superá-los são similares na américa latina. Que os países que representamos não estamos sós, pois temos vocês. Que é mais importante o grupo, e não o indivíduo. Que nos sentimos uma rede latino-americana de agroecologia graças a vocês”, afirmou durante a Plenária do Encontro Roberto Sandoval Rodriguez, da organização FUNDESYRAM, de El Salvador. “Queremos voltar com essa energia pros nossos lugares e internacionalizar esse processo. Porque a Rede Ecovida pode ser uma rede que vai quebrar as fronteiras criadas pelos estados. A Rede Ecovida é uma rede que pode construir entre os povos”, disse Aymara Victoria Llanque Zonta, da organização boliviana IPHAE.

Delegação Latino-Americana na Plenária Final do Encontro

A delegação do Núcleo Litoral Catarinense também compareceu em peso, com quase 80 pessoas. Produtores de cogumelos orgânicos em São João Batista (SC) e membros do grupo Associada, o casal Cristina Alves e Emerson Casas Salvador participavam pela primeira vez de um Encontro Ampliado. “A gente entrou na rede em busca da certificação , mas descobrimos que a Rede é mais que isso. Na rede a gente fez vários contatos. Hoje valeria entrar na Rede mesmo que não houvesse certificação”, afirma Emerson. A troca de experiências e saberes durante o Encontro também chamou a atenção deles, assim como a dinâmica de funcionamento da Rede Ecovida: “Eu achei bem interessante porque a Rede não é só um nome, ela funciona em Rede mesmo. Não é uma hierarquia, as decisões são horizontais. E os problemas resolvidos pontualmente”, avalia Cristina. A estudante de Biologia da UFSC Eduarda Silva também estava na caravana e contou que “Foi muito bonito ver o quanto o trabalho coletivo é real e pode acontecer quando se tem um propósito verdadeiro. Foi muito gratificante ter essa vivência com agricultores, trocando informações, experiências e sementes”.

A delegação do Núcleo Litoral Catarinense incluiu estudantes, consumidorxs, equipe técnica do Cepagro e da Revolução dos Baldinhos.

Uma das inovações do 10º Encontro Ampliado foi a parceria entre Rede Ecovida e o Movimento Slow Food para prover a alimentação durante o evento. Foram 7.500 refeições preparadas com sete toneladas de alimentos orgânicos por uma equipe de 38 cozinheiras, cozinheiros e estudantes de Gastronomia dos três estados do Sul do Brasil. “Foi um grande desafio reunir e ligar os Núcleos da Rede Ecovida para conseguir os alimentos. E agora estamos aqui, cozinhando pra quem são os protagonistas dessa agricultura linda e limpa, que são os agricultores e agricultoras”, afirma o cozinheiro Israel Dedéa, do Movimento Slow Food.

 

 

 

 

 

 

 

A riqueza e o colorido da produção Agroecológica também podiam ser conferidos na Feira de Saberes e Sabores.

Além da posse da nova coordenação da Rede, foi deliberado na Plenária Final que o próximo Encontro Ampliado será no Oeste de Santa Catarina, em 2019 ou 2020. Também foi nomeado o mais novo núcleo da Rede Ecovida de Agroecologia: o Peroba Rosa, apadrinhado pelos núcleos Maria Rosa, Libertação Camponesa e Arenita Caiuá, do Paraná. Assim, a Rede Ecovida de Agroecologia conta agora com 29 células regionais nos três estados do Sul do Brasil e também Sul de São Paulo. Foram apresentados ainda dois pré-núcleos: Vale do Itapocu (apadrinhado pelo Núcleo Litoral Catarinense) e Sudeste Gaúcho (a partir do Núcleo Vale do Caí).

Coordenação da Rede Ecovida que finalizou suas atividades durante o 10º EARE.

 

Nova Coordenação da Rede apresentando-se à Plenária.

Seminários traçam diretrizes da Rede

Seminário Mulheres e Agroecologia

Cerca de 120 mulheres, entre agricultoras, técnicas, professoras, estudantes e consumidoras, participaram do seminário “Mulheres construindo Agroecologia”. Na sistematização das discussões, as participantes salientaram o protagonismo feminino em questões centrais da agroecologia, como resgate e conservação de sementes crioulas, segurança e soberania alimentar, processamento e comercialização de alimentos agroecológicos. “Porém, sua participação nos espaços de coordenação e processos de decisão das organizações, grupos, associações, cooperativas e ONGs ainda precisa avançar muito”. Ressaltam também que esta não é uma luta só das mulheres: “É necessários que nossos companheiros revejam suas posturas e práticas, que as organizações assumam o desafio de tratar as desigualdades de gênero como prioridade e não mais como uma ação pontual”. Como afirmou a agricultora Diva Vani Deitos, da coordenação da Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (APACO) e uma das principais referências nas discussões de Gênero dentro da Rede: “E que sejam as mulheres as protagonistas da suas histórias… As mulheres têm que contar sua história, não mais ser contada somente pelos homens.”

Seminário de Juventude e Agroecologia, em Aratiba.

Se sem feminismo não há agroecologia, sem a mobilização da juventude tampouco. No Seminário realizado no município de Aratiba (a 40km de Erexim), cerca de 150 pessoas estiveram reunidas para discutir e conhecer experiências que conectam Juventude e Agroecologia. Iniciativas como o Conselho Municipal da Juventude de Itatiba do Sul, a Feira Jovem de Boa Vista e a Escola Família Agrícola, de Santa Cruz do Sul, foram apresentadas, com a facilitação de Rogério Suniga Rosa.  Além dos fatores que atraem e afastam os e as jovens do campo, a relatora do seminário na Plenária Final, Anelise Becker, apresentou demandas do coletivo da juventude agroecológica. A participação da juventude na coordenação da Rede e em maior número nos Encontros Ampliados, a realização de um Encontro de jovens da Rede Ecovida e a formação de uma caravana da juventude para o 4º Encontro Nacional de Agroecologia (que acontece em 2018 em Belo Horizonte) foram algumas das propostas apresentadas.

Seminário sobre Sementes

“As sementes quer dizer pra gente autonomia, se a gente consegue ter a nossa própria semente, a gente tem autonomia, como plantar, onde e quando né?”. Enquanto oferta variedades de milho crioulo a R$ 5/kilo de sementes na Feira de Saberes e Sabores, a agricultora Edelaine Brinker, de Sananduva (RS), fala da importância dos guardiões e guardiães desse patrimônio genético e cultural: “Os agricultores conseguem dominar todo esse processo: plantam, cuidam, colhem, selecionam. E eles não ficam nas mãos das multinacionais, eles são os donos da semente”.
O professor do Curso de Agronomia da UFSC Rubens Onofre Nodari concorda: “Fazer agroecologia sem sementes crioulas não é agroecologia”. Além de facilitar uma uma oficina sobre os impactos de novas (bio)tecnologias para a agricultura, Nodari participou também do Seminário Sementes e Agroecologia, coordenado pela ReSA- Rede Sementes da Agroecologia. Dentre as muitas propostas delineadas durante as discussões, destacam-se: a necessidade de apoio do BNDES para financiamento de projeto com sementes na Rede Ecovida, inclusive com financiamento de kits de detecção de transgênicos para distribuição e conscientização entre os agricultores; a realização de feiras e festas para trocas de sementes dentro da Rede; a formação de grupos de trabalho para sistematizar como anda esta questão em cada núcleo e a mobilização para modificação das legislações estaduais e municipais para o uso de agrotóxicos e a proibição da pulverização aérea. Além disso, foi reafirmado o papel fundamental de cada agricultor e agricultora como guardiães de sementes, assumindo a a responsabilidade de guardar pelo menos uma variedade de semente que cultiva, não para comercialização em grande escala, mas para troca entre seus pares.

 

Seminário sobre Comercialização

Realizado no município de Três Arroios (a 25km de Erechim), o Seminário “Estratégias de Comercialização para a Segurança Alimentar e Nutricional” reuniu quase 150 pessoas para discutir questões como “Como os produtores e participantes da Rede podem ter acesso à alimentação 100% orgânica”, “Que tipo de Vigilância Sanitária queremos para a Agroecologia” e “Qual mercado queremos construir?”. O município é sede da ECOTERRA, associação que congrega 75 famílias de 10 municípios da região que produzem e comercializam alimentos agroecológicos. Representantes da associação, do Circuito de Comercialização da Rede Ecovida de Agroecologia e da Vigilância Sanitária do Paraná compuseram o painel inicial da atividade. As demandas apresentadas a partir das discussões incluem o fortalecimento das estações dos circuitos de comercialização, prática de preços menores dos alimentos entre os agricultores e agricultoras da Rede, cursos e oficinas de abastecimento, a inclusão de consumidores e consumidoras nas reuniões de grupos e núcleos, além da revisão da legislação para agroindústrias familiares e que a Vigilância Sanitária atue para orientar, não só punir.

Aqui, o álbum completo do 10º Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia.

Delegação catarinense segue rumo ao Encontro Nacional de Agricultura Urbana

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Partiu hoje rumo ao Rio de Janeiro um grupo de 20 representantes da temática de Agricultura Urbana em SC, para participarem do 1° Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU).

Entre os coletivos e organizações representados estão: Cepagro, Camping do Rio Vermelho, Educando com a Horta, Revolução dos Baldinhos, Associação de Mulheres Camponesas do Oeste, Associação de Trabalhadores de Materiais Recicláveis e Resíduos Sólidos da Palhoça, União das Associações Comunitárias de Xanxerê, CAUP/SC, Quintais de Floripa, Coletivo Pátios Amigos, Centro Terra Viva de Apoio à AUP e UNEAGRO (Câmara Setorial de Agricultura Familiar).

A participação efetiva da delegação catarinense é fruto de um processo com vários encontros para mapeamento, socialização e entendimentos da temática, que vem sendo realizados desde 2012 e apontam para o surgimento de políticas públicas voltados ao segmento.

Acompanhe, no blog, notícias a partir da cobertura colaborativa do evento ao longo desta semana.

Impactos da fumicultura e alternativas ao cultivo são temas de mesa-redonda na Assembleia Legislativa de SC

 

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ATUALIZADO EM 22/10/2015

O evento, que acontece em 09/11/2015 no Plenarinho da ALESC (veja local no link), integra um ciclo de reuniões estratégicas sobre modelos de atividades bem sucedidas que oferecem potencial para implementação dos artigos 17 (apoio a atividades alternativas economicamente viáveis ao tabaco) e 18 (proteção ao meio ambiente e a saúde das pessoas) da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT).

OBJETIVOS:

  1. Debater alternativas e apoios viáveis ao cultivo do tabaco no Brasil
  2. Apresentar as conseqüências do tabaco: da produção ao consumo
  3. Discutir a implementação da ConvençãoQuadro para o Controle do Tabaco em Santa Catarina e no Brasil

PÚBLICO ALVO: Agricultores, Agentes Públicos e da Sociedade Civil, Acadêmicos, Docentes, Pesquisadores, Comunicadores, profissionais da Saúde e demais interessados.

 ORGANIZADORES PROPONENTES:

PROGRAMA

Clique no link para acessar: programacao-mesa-redonda-tabaco

APOIADORES 

 CONVIDADOS:

  1. Agricultores Familiares e suas representações
  2. Organizações públicas e não públicas executoras de ações ligadas as alternativas
  3. INCA
  4. ANVISA
  5. MDA, MAPA, MMA, IBAMA
  6. RFB
  7. SVS
  8. ALESC
  9. Universidades
  10. ETHCI
  11. CIT/SC
  12. AMUCC
  13. SOCIEDADE CATARINENSE DE PNEUMOLOGIA
  14. EPAGRI, CIDASC, Outros
  15. SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SC
  16. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E ESTADUAL
  17. Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT)
  18. MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DE SC
  19. UNIMED GRANDE FLORIANÓPOLIS
  20. CEREST ESTADUAL
  21. CONSEAs
  22. OPAS/OMS Brasil
  23. AMB
  24. ACM
  25. PROFESSORES, ACADÊMICOS
  26. OUTROS  INTERESSADOS

Cumprindo agenda de tratado mundial, Cepagro integra reunião que discute os impactos da fumicultura e rumos da diversificação produtiva

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Dando seqüência a um compromisso institucional e diplomático decorrente do maior tratado internacional de saúde pública já realizado, realizou-se na última semana, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Brasília, a primeira reunião aberta de 2015 da Convenção Quadro para Controle do Tabaco (CQCT), promovida pela Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro (CONICQ). Reunindo os Ministérios da Saúde, Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, representações nacionais da indústria fumageira,  organizações da sociedade civil envolvidas com o controle e prevenção do tabagismo, e protagonistas de ações com diversificação produtiva alternativa ao tabaco junto aos agricultores familiares.

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Dra. Tania Cavalcanti conduz a abertura da reunião

Em sua fala de abertura da reunião, a  Dra. Tania Cavalcanti, secretária executiva da CONICQ, reafirmou que o objetivo destes diálogos é de qualificar cada vez mais as proposições dos setores envolvidos na implementação da Convenção no Brasil, bem como dos que recebem algum impacto resultante da mesma. Da reunião resultaram ainda subsídios ao posicionamento do Estado Brasileiro na 7ª Conferência das Partes da CQCT (COP7), que acontecerá em outubro de 2016 em Nova Delhi (Índia).

A metodologia utilizada na reunião proporcionou que todos tivessem voz e apresentassem suas demandas e  questionamentos, tornando o ambiente construtivo e propositivo. Enquanto participação do Cepagro, entidade membro da Rede Nacional de Diversificação desde 2006, contribuímos para ampliar as reivindicações em torno dos artigos 17 (trata da diversificação de cultivos) e 18  (trata da proteção ao meio ambiente e à saúde das pessoas) da CQCT, contextualizando as necessidades atuais e as conquistas obtidas nesta última década de trabalhos realizados no universo rural brasileiro, considerando as diversas organizações que atuam em sintonia com a Convenção Quadro.

Amadeu Bonatto (esq), do DESER, e Charles Lamb, coordenador do Cepagro
Amadeu Bonatto (esq), do DESER, e Charles Lamb, coordenador do Cepagro

Para Amadeu Bonatto, do DESER, o impacto da exclusão de produtores de tabaco nesta última safra 2014/15 foi significativo, influenciado em parte pelas baixas nas exportações brasileiras, baixos preços pagos aos agricultores em determinadas regiões, e a própria orientação do setor fumageiro para que se plantasse menos fumo, pois os estoques mundiais estão altos – obstáculos que tendem a se agravar na próxima safra, que já contabiliza um acréscimo de 20% em média no custo de produção.

O quadro aponta para uma necessidade real de atenção ao movimento mundial da Indústria, cujo contexto evidencia a urgência de promover alternativas duradouras e realmente sustentáveis do ponto de vista da saúde pública, do meio ambiente e da diversificação produtiva.

Importante também é destacar o maior interesse do meio acadêmico no assunto, embasando cientificamente resultados positivos de substituição plena do cultivo de tabaco por alimentos, ou outros produtos e serviços em andamento. Além da apresentação dos novos parceiros conquistados, como o projeto de diversificação da fumicultura apoiado pelo FRBL de Santa Catarina, com foco voltado às atividades de diversificação agroecológica.

Um novo encontro ficou pré-agendado para novembro de 2015, tendo uma nova rodada de negociações e fortalecimento das estratégias nacionais de implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco.

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Território com 25 municípios reúne-se em Imbuia para o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense

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Na próxima semana (09 e 10/09/2015), representantes de 25 municípios catarinenses serão recepcionados em Imbuia para o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia. O evento é realizado para socialização das conjunturas, experiências e produtos das famílias agricultoras de base ecológica do território, fazendo parte das festividades do aniversário de emancipação do município sede.

Haverá ainda a Feira de Saberes e Sabores, aberta ao público, e a Feira de Sementes, espaço dedicado ao intercâmbio do material genético não transgênico produzido pelos agricultores do Núcleo. O Encontro acontece no Centro Social Dona Emília e Seu Lulu (Rua Otto Scheidt, 81 – próximo da Pizzaria La Bella Pizza/ Imbuia-SC).

Confira abaixo a programação completa.

Dia 09/09/2015

8:00 às 9:00hs – Recepção / Inscrição e café da manhã

9:00 – Espaço para organização da Feira de Saberes e Sabores;

10:00 – Abertura do evento

  • Representante do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia;
  • Representante da Rede Ecovida de Agroecologia;
  • Representantes do município de Imbuia (SC);

11:00 – Rede Ecovida – Laércio Meirelles;

12:00 – Almoço

13:30 – Oficinas

  • 1) Certificação Participativa, com representantes do Núcleo Litoral Catarina: Cadastro da Unidade Produtiva/ Agroindústria, Plano de manejo, DTC, Caderno de Campo;
  • 2) Adequação de agroindústrias (engenhos / alambiques artesanais), com Leomar Prezotto e Representante da Vigilância Sanitária Estadual;
  •  3) Rodada de negócios – representante da prefeitura de Florianópolis – compras para merenda escolar – representantes do Núcleo Litoral Catarinense relatando experiências diversas sobre comercialização (BOX 721 – Feiras – Mercados diversos);
  • 4) Mulheres & Gênero – com Ana Meirelles (coordenação da Rede Ecovida);

15:30 – Palestra sobre Vida, Alimentação e Saúde;

17:00 – Solicitação de novos interessados em assumir a equipe de Coordenação do Núcleo;

17:30 – Tesouraria – prestação de contas;

18:30 – Juventude – perspectivas futuras do Núcleo Litoral Catarinense;

19:30 – Jantar

20:00 – Apresentação Cultural – Grupo Folclórico de Dança e Viola de Vidal Ramos;

Dia 10/09/2015

7:30 às 8:30hs – Café da manhã

9:00 – Palestra sobre reprodução de sementes de hortaliças com Vladimir Moreira;

Feira de Troca de Sementes_Imbuia_201511:00 – Programação especial: Feira de Sementes (clique no cartaz ao lado para saber mais);

12:00 – Almoço

13:30 – Palestra com Rogério Dias – Coordenador de Agroecologia do MAPA (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento);

14:30 – Palestras:

  • Controle de resíduos de Agrotóxicos (CIDASC – Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina)
  • Conformidade orgânica no Sistema Participativo – com Eduardo Amaral e Francisco Castelle (MAPA –  Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento);

16:00 – Encaminhamentos e Encerramento;

TRAGAM SUAS CANECAS!

Agricultores conhecem iniciativas agroecológicas em intercâmbio promovido pelo Cepagro e FRBL

Realizada nos dias 11 e 12 de agosto, a atividade reuniu 15 famílias beneficiárias do projeto de diversificação na fumicultura que o Cepagro executa nos municípios de Leoberto Leal, Major Gercino e Nova Trento com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Foram visitadas propriedades e agroindústrias agroecológicas em Rancho Queimado e Santo Amaro da Imperatriz, além do Box 721 de Orgânicos da Ceasa em São José. O objetivo do intercâmbio foi mostrar que é possível produzir de maneira sustentável, além de incentivar a troca de conhecimentos com quem já vem trabalhando com sistemas agroecológicos. A ideia é possibilitar a formação de redes de agricultores sob novas formas de organização para a cooperação entre as famílias.

texto e fotos – Ana Carolina Dionísio, Gisa Garcia e Marina Pinto

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A primeira parada do intercâmbio, ainda na manhã da terça-feira, foi na propriedade de Pedro Eger em Rancho Queimado, que faz parte do grupo Harmonia da Terra da Rede Ecovida de Agroecologia. O agricultor mostrou os canteiros onde produz morangos orgânicos, explicando como é feito o preparo do solo, a adubação orgânica, a compra coletiva de mudas, a colheita, pós-colheita e custo de produção. Quanto à comercialização, a família destina sua produção para uma rede de supermercados local, algumas feiras e merenda escolar. Os que não atendem ao padrão de comercialização in natura vão para a agroindústria da região, servindo de matéria prima para deliciosas geleias e polpa de frutas. “Nenhum morango é perdido e recebemos muitos pedidos de encomenda, mas não damos conta de contempla-los”, disse Pedro Eger, que também ressaltou que “os agricultores estarem organizados é fundamental para que tenham força na conquista de mercados e no acesso a políticas públicas junto aos governos locais”.

IMG_0110A próxima visita, ainda no período da manhã, foi na agroindústria do Rancho EcoFrutícola, outro nó local da Rede Ecovida de Agroecologia. Na propriedade também são cultivados morangos orgânicos, mas na forma de canteiros suspensos e protegidos, um sistema diferente da propriedade anterior. De acordo com o  proprietário Samuel Weigert, a técnica cria um ambiente menos propício ao desenvolvimento de fungos e um maior controle no fornecimento dos nutrientes necessários para o desenvolvimento da cultura. Os participantes também conheceram os locais onde os morangos são selecionados, embalados e destinados para polpas ou geleias. Samuel relatou que absorvem a produção de outros agricultores orgânicos, mas que a demanda é muito maior que a oferta.

A última parada do primeiro dia de intercâmbio foi no BOX 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos.

O primeiro dia de intercâmbio terminou com uma visita ao Box 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos. O agricultor Elton Laureth e o técnico do Cepagro Francys Luiz Pacheco, que fazem a gestão da iniciativa, explicaram um pouco da logística e funcionamento do Box, enquanto o coordenador do projeto Charles Lamb ressaltou o caráter coletivo do empreendimento.

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A maioria dos agricultores não conhecia a CEASA e não tinha ideia do tamanho da movimentação comercial de alimentos que acontece naquele espaço. Um deles afirmou: “Estamos acostumados a receber o comprador em casa, mas com a desvantagem de que ele é que coloca o preço, aqui realmente podemos ficar mais próximos do cliente e possibilitar a negociação”.

DSC_0263Após um belo fim de tarde e pernoite no Hotel do SESC Cacupé, a caravana partiu na manhã seguinte para Santo Amaro da Imperatriz. O destino foi a chácara Recanto da Natureza, localizada na comunidade da Vargem do Braço. A propriedade pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e recentemente os órgãos ambientais determinaram que no local só serão permitidas atividades agrícolas feitas de forma ecológica. Não foi a legislação ambiental, contudo, que levou as seis famílias proprietárias da chácara a entrarem na produção orgânica. Foi um episódio de forte intoxicação por agrotóxicos, ainda no início dos anos 90, que estimulou o agricultor Amilton Voges a fazer sua revolução agroecológica.

DSC_0244Os participantes do intercâmbio visitaram algumas áreas da chácara, que possui 22 hectares cultivados. Amilton mostrou como adaptou as técnicas agroecológicas para sua realidade: “Quando resolvemos plantar orgânico, tive que ir para outras propriedades longe daqui para aprender as técnicas e também fiz muitos cursos, mas muito do conhecimento tem que ser adaptado para nossa realidade e particularidade. Na agricultura orgânica é assim, o planejamento é fundamental e a toda hora temos que ter ideias e experimentar coisas novas”. Ainda complementou que a primeira técnica que realizou foi a adubação verde, que “proporcionou a desintoxicação das nossas terras e até hoje nos utilizamos dessa técnica como geradora de nutrientes para as hortaliças”.

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A chácara também tem uma agroindústria de pré-processamento das hortaliças, a qual foi construída por uma demanda de mercado. Eles abastecem restaurantes e mercados da Grande Florianópolis e também a merenda escolar. Como a demanda é maior que a produção, a agroindústria também compra hortaliças de outros agricultores orgânicos locais.

DSC_0274Amilton expôs que a produção da agricultura orgânica é constantemente fiscalizada pela CIDASC e por isso realiza todo o registro da produção que entra para pré-processamento. A garantia da qualidade dos produtos, entretanto, vai além dos controles burocráticos. Para Amilton, “uma vez que o agricultor experimenta fazer agricultura orgânica, ele nunca mais volta a usar agrotóxicos e insumos químicos”. Hoje as famílias se orgulham de seu trabalho e de serem exemplos vivos de que uma agricultura sustentável dá certo.