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Mais conforto para as famílias Guarani: Cepagro conclui construção de moradias na Tekoá Vy’a

“Foi a tarde, estava chovendo. Quando era umas 4 horas da tarde veio um vento muito forte. Chegou destruindo tudo, muito rápido. A gente nem sabia o que fazer, estávamos em casa rezando pra que nada acontecesse com as crianças”.

Assim a Vice-Cacica da aldeia Tekoá Vy’a, Cecília Brizola descreve a passagem do ciclone bomba na comunidade indígena de Major Gercino em junho de 2020. O ciclone passou por Santa Catarina causando estragos e deixando pessoas desabrigadas, entre elas oito famílias da aldeia Guarani. O ocorrido deu início a uma campanha de arrecadação realizada pelo Cepagro buscando recursos para o reparo das moradias e reposição de itens domésticos perdidos. 

O que iniciou como uma campanha pontual a partir da doação de pessoas físicas, resultou numa ação conjunta com outras organizações e coletivos da Grande Florianópolis para a construção de cinco novas moradias. Neste mês de maio, a construção e instalações necessárias foram concluídas e as famílias puderam se mudar.  “Todos os que receberam as casinhas ficaram felizes. Eu principalmente, porque eu fico feliz de ter conseguido isso para as famílias que perderam suas casas. Pra gente é importante estar protegidos da chuva, dos ventos e dos raios. Eu fiquei muito assustada com o que aconteceu. Fiquei pensando ‘onde vou conseguir as casinhas para morar’”, conta Cecília Brizola, contemplada com uma das casas.

Além de trazer mais conforto e segurança para as famílias, a construção das moradias também resultou na instalação de um tratamento mais adequado para os efluentes sanitários. Com o apoio voluntário da empresa Emboá e da ONG Engenheiros Sem Fronteiras Núcleo Florianópolis, foram instalados quatro sistemas ecológicos de tratamentos de efluentes, compostos por bacia de evapotranspiração e círculo de bananeiras. Tecnologias reconhecidas que conciliam o tratamento ecológico de efluentes com a produção de alimentos, evitando assim a poluição do solo, do lençol freático e do rio.

WhatsApp Image 2021-04-29 at 17.40.23Conforme explicam os Engenheiros Sanitaristas e Ambientais da Emboá, João Vitor Cipriano, Rodrigo Franco e Caio Castílio, basicamente, o sistema instalado é dividido em duas partes: uma é o círculo de bananeiras, onde são tratadas as chamadas águas cinzas, provenientes do lavatório, pia da cozinha e chuveiro. A segunda é a bacia de evapotranspiração, que promove o tratamento das águas pretas, provenientes do vaso sanitário, ao mesmo tempo que gera nutrientes para o desenvolvimento de plantas em sua superfície. A bacia consiste em um tanque escavado, impermeabilizado e preenchido com pneus, materiais filtrantes – nesse caso, resíduos de demolição – e com solo fértil na superfície, onde é feito o plantio de espécies vegetais de crescimento rápido, como as bananeiras. Estas plantas são responsáveis por fazer a filtragem final evaporando a água limpa para fora do sistema, sem causar impacto na natureza.

A equipe Emboá avalia que na aldeia as fontes de água estão bem próximas de onde os efluentes são eliminados e que por isso “instalar um sistema que propõe uma nova forma de olhar o problema, é um passo inicial para a tomada de consciência da aldeia acerca dos passivos ambientais presentes. E também, por se tratar de um sistema que prioriza a evapotranspiração como destinação final das águas tratadas, não há o contato direto dos efluentes com o solo ou com as águas subterrâneas. Deste modo, esta tecnologia traz uma maior segurança e proteção ambiental”, comenta o coletivo. 

Um dos cuidados tomados durante a instalação, além da atenção aos equipamentos de segurança individual para prevenir a Covid, foi o envolvimento da comunidade na instalação. A partir de agora, a manutenção dos sistemas exigirá dos moradores apenas a inspeção das caixas de passagem e de gordura, podas das plantas que estão sobre a bacia e renovação da cobertura vegetal dos sistemas. 

Para os sistemas de tratamento, além do trabalho voluntário da Emboá e Engenheiros Sem Fronteiras, tivemos o apoio da empresa Emplasul com a doação de bombonas; da empresa Lider Ambiental (Nova Trento) com a doação de entulhos; da Comcap, que disponibilizou 95 pneus para o projeto; e da Prefeitura de Major Gercino que contribuiu com o maquinário necessário para execução dos trabalhos.

A ação contou ainda com o financiamento do Instituto Comunitário da Grande Florianópolis, que contribuiu com R$ 66 mil a partir do Fundo de Impacto para Justiça Social, da Empresa Elera com R$ 25 mil, do Ministério Público do Trabalho com R$ 9,5 mil, do Instituto das Irmãs da Santa Cruz com R$ 7 mil, através do projeto “Terra, Comunicação e Artesanato sustentáveis: iniciativas para o fortalecimento das Tekoá Guarani” e mais as doações de pessoas físicas, que somaram R$ 14 mil. Assim, a ação teve como valor total R$121.500,00, dos quais 90% foi gasto com empresas locais. O montante foi utilizado da seguinte forma:

  • R$ 45 mil na aquisição de 5 kits casas de madeira e acessórios;
  • R$ 42 mil para a contratação de mão de obra local para construção das casas;
  • R$ 25,5 mil para a aquisição de materiais para construção das casas;
  • R$ 9 mil para a aquisição de materiais para os sistemas ecológicos de tratamento de efluentes.

A conclusão das moradias é comemorada pelos indígenas, mas algumas preocupações persistem. A falta de saneamento básico segue sendo um problema na comunidade e nem todas as 46 famílias que compõem a aldeia contam com moradias adequadas, um reflexo do abandono das políticas públicas com relação às comunidades tradicionais. Neste momento de crise sanitária, estas questões se tornam ainda mais urgentes e requerem esforços conjuntos, não apenas de ONGs e das próprias comunidades, mas especialmente do poder público.

IMG_3501Nesse sentido, “o Cepagro manterá a parceria com o Núcleo Florianópolis dos Engenheiros Sem Fronteiras, visando a busca de outras melhorias no saneamento e no abastecimento hídrico às famílias”, como afirma o Técnico em Agropecuária e Permacultor Charles Lamb (Bagé), que tem coordenado as ações do Cepagro nas aldeias Guarani da região. Além disso, “seguimos com os trabalhos envolvendo o artesanato e os cultivos agrícolas, o apoio no fortalecimento institucional através da associação comunitária, a integração junto a outras aldeias da região e atividades que fortaleçam a cultura Mbyá na Terra Indígena Tekoá Vy’a”, complementa.

Ação Solidária COVID 19 fecha ciclo de entregas com 10 toneladas de alimentos distribuídas

Entre outubro de 2020 e março de 2021, quase toda quarta-feira às 7h30 da manhã a engenheira agrônoma Isadora Escosteguy estava na sede do Cepagro, no campus Itacorubi da Universidade Federal de Santa Catarina. Sem atividades presenciais por conta da pandemia, o escritório da organização se transformou numa central de abastecimento agroecológico. Por ali passaram as 10 toneladas de alimentos adquiridos ao longo de 6 meses de 14 famílias agricultoras e do Circuito de Comercialização da Rede Ecovida de Agroecologia, de 2 cooperativas do Movimento dos/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra, além da aldeia equipe-cepagro-indo-entregar-alimentos-acao-covid-19guarani Tekoá Vy’á. Isadora pesava, contava e distribuía as mais de 20 variedades de alimentos de acordo com as demandas de 6 cozinhas comunitárias de Florianópolis. Isso tudo com outros companheiros e companheiras da organização, como o técnico agrícola Charles Lamb, a educadora do campo Erika Sagae, a jornalista Clara Comandolli, o administrador de empresas Eduardo Rocha e o engenheiro Rafael Beghini. A picape Cepagro era carregada com os pedidos e perto das 11h Isadora saía com o/a colega da semana para a rota de distribuição, passando pelo Centro, Bairro Monte Cristo, Vila Aparecida, Ribeirão da Ilha e Rio Vermelho.

WhatsApp Image 2020-10-09 at 19.54.42Essa era apenas uma parte da lida da Ação Solidária COVID 19, iniciativa de articulação entre campo e cidade para distribuição de alimentos junto a cozinhas comunitárias. Nos outros dias da semana, Isadora e Charles estavam em contato com as famílias agricultoras e cooperativas para organizar a entrega dos alimentos no Cepagro, pensar a produção para os próximos períodos, coletar as demandas das cozinhas. “Através do trabalho em rede, a AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 coloca no debate o direito à alimentação adequada e saudável e a Segurança Alimentar das comunidades periféricas em Florianópolis. A ação aproxima o campo e a cidade por meio da promoção da agroecologia nos territórios. Acreditamos que o alimento de verdade é uma ferramenta transformadora para enfrentar momentos de crise, não só sanitária, mas também socio-cultural, ambiental e econômica”, afirma Isadora. 

WhatsApp Image 2020-11-30 at 17.09.23 (1)A iniciativa contou com apoio da Inter-American Foundation, sendo incluída no projeto LA 188, que o Cepagro desenvolve desde 2016, como uma ação emergencial para mitigação dos impactos da pandemia.  “Quando emergiu essa problemática da fome na pandemia, de imediato começamos a pensar estratégia de abastecer estruturas coletivas que estivessem distribuindo alimentos a família em situação de vulnerabilidade. E assim desenvolvemos, com parceiros institucionais, a Ação Solidária COVID 19”, explica Charles Lamb, articulador do projeto. “Por isso foi muito importante nosso histórico de articulação com famílias agricultoras da região e também no meio urbano, com diferentes coletivos que se organizaram”, completa.

Cozinhas comunitárias: espaços de resistência pelo alimento

IMG_3250Quando geridas por governos estaduais ou municipais, as cozinhas comunitárias são consideradas equipamentos públicos de Segurança Alimentar e Nutricional, assim como os bancos de alimentos e os restaurantes populares. Infelizmente, em Florianópolis, não temos nenhuma Cozinha Comunitária sob responsabilidade do Estado. O que temos é uma rede de cozinhas comunitárias solidárias – formadas por grupos de pessoas engajadas nos bairros da cidade – que se fortaleceram durante a pandemia, quando a fome ganhou proporções alarmantes.

Com diferentes dinâmicas e estruturas, elas têm levado alimento de qualidade para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Sem recursos do poder público, elas vivem de doações e da boa vontade de seus voluntários/as tornando-se espaços de encontro, inclusão social e fortalecimento de vínculos comunitários.

122912893_1122454044840489_4374407563270142912_oUma das cozinhas que recebeu alimentos semanalmente é a Cozinha Mãe, que atua desde 2018 no bairro Monte Cristo. “Esse ano a gente viu aumento muito brusco do desemprego, da ausência do poder público, nenhuma cesta foi entregue na comunidade. Essa parceria com o Cepagro foi fundamental pra ter alimento de qualidade nesse momento tão delicado da pandemia. A Cozinha foi um ponto forte para trabalhar a fome na comunidade”, conta Cíntia Cruz, coordenadora da cozinha e presidente da associação 106455923_1645396385636523_6880441035056903941_nRevolução dos Baldinhos. “A cozinha comunitária tem esse poder de interceder, sensibilizar, cultivar e fortalecer as relações. A nossa atuação tem um poder muito grande de transformar de fato essas realidades, porque diante do abandono do poder público, essas ações estão conseguindo chegar diretamente em quem precisa. Fortalecer um espaço desses é fortalecer a base, porque a gente tem uma relação direta com as famílias da comunidade”, completa. 

IMG_3327Do outro lado da BR 1010, na Vila Aparecida, outra cozinha comunitária foi atendida pela Ação Solidária COVID 19. Inaugurada em junho de 2020, o dia 27 de junho, a cozinha comunitária do Centro de Integração Social Santa Dulce dos Pobres  tem o propósito de preparar e distribuir pelo menos 150 marmitas semanalmente aos moradores da comunidade da Vila Aparecida e da Maloca. A iniciativa tem o apoio e envolvimento de lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil e voluntários, além da Ação Social Arquidiocesana. “são pessoas da comunidade que preparam os alimentos e distribuem para famílias da comunidade”, explica o  técnico de Projetos Sociais da ASA,  Luciano Leite da Silva Filho.

IMG_3356A Cozinha Solidária Ribeirão da Ilha foi outra iniciativa voluntária para atuar frente ao crescimento da fome na pandemia, distribuindo marmitas no Centro de Florianópolis e também em São José, sobretudo para população em situação de rua. Inicialmente atuando com doações de pessoas físicas, a equipe da cozinha viu uma oportunidade de fortalecer o trabalho com o aporte dos alimentos da Ação Solidária COVID 19. “Esses alimentos, além de maravilhosos por serem orgânicos na maioria das vezes, vieram num momento que as doações diminuíram muito. Foram muito importantes”, avalia Shira Maciel, culinarista e voluntária do projeto.

Segurança alimentar para além da cesta básica

WhatsApp Image 2021-02-11 at 17.32.02No percurso da Ação Solidária COVID 19, ficou evidente a diferencial de promover segurança alimentar pela Agroecologia, indo além da distribuição de cestas básicas. Isso porque, junto com os alimentos, chegam reflexões sobre segurança alimentar e o papel do estado na sua promoção. “O movimento agroecológico tem a oportunidade de falar de falta de comida, de dificuldade de abastecimento, de precariedade do duduabastecimento por parte do governo, mas trazendo junto o alimento saudável, adequado e socialmente justo. A Agroecologia tem essa potência: trazer o alimento e o abastecimento para a centralidade do combate a fome com qualidade alimentar, justiça social. Bem diferente de combater a fome somente com cestas básicas”, afirma Eduardo Rocha, diretor-presidente do Cepagro e que também atuou na equipe do projeto. 

Mesmo sabendo dos nossos limites enquanto organização da sociedade civil, e que o enfrentamento à fome passa fundamentalmente pela adoção de uma postura do Estado brasileiro de priorizar a segurança alimentar da população, fomentando e mantendo políticas públicas para que as pessoas voltem a ter pelo menos três refeições ao dia, acreditamos que essas micro iniciativas servem de exemplo de como a Agroecologia enquanto modo de produção e abastecimento é o melhor caminho para promover a segurança alimentar nas comunidades.

Fortalecendo a Segurança Alimentar também nas comunidades guarani

Assim como nas comunidades urbanas, no contexto rural e de povos e comunidades tradicionais a promoção da Segurança Alimentar preconizada pela AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 vai além da distribuição de cestas básicas. No caso da aldeia guarani Tekoá Vy’á, em Major Gercino, o projeto envolve o estímulo à produção de alimentos agroecológicos que servem tanto às famílias da comunidade quanto das periferias urbanas, aonde chegam através da AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19. 

WhatsApp Image 2021-02-10 at 17.27.53Cultivada desde 2018, a parceria entre o Cepagro e a comunidade guarani trouxe aportes como mudas e sementes para agricultura, materiais para artesanato, participação das famílias em feiras para comercialização de seus produtos, além da promoção de práticas de conservação do solo.

A chegada da pandemia impactou a comunidade guarani, já que não era mais possível sair da aldeia para vender artesanato, uma das principais fontes de renda das famílias. Nesse momento, a produção de alimentos iniciada no ano anterior aliviou um pouco os efeitos dessas restrições, pois serviu para abastecer as famílias da aldeia e também serem comercializados, gerando renda.

Os guaranis forneceram para a AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 cerca de 200 kg de batata doce, 150 kg de banana e 260 kg de feijão – tudo produzido sem agrotóxicos. Mudas e sementes conservadas pela agricultura familiar e movimentos sociais frutificaram no solo guarani, provendo alimentos de qualidade às periferias urbanas. O projeto também distribuiu o arroz do MST para as famílias guarani, fortalecendo sua base alimentar com um produto orgânico da reforma agrária.

Agricultura Familiar: cultivando a Segurança Alimentar da população 

WhatsApp Image 2020-11-30 at 17.20.01Responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelos/as brasileiros/as, durante a pandemia a agricultura familiar reforçou seu compromisso com a segurança alimentar. No âmbito da Ação Solidária COVID não foi diferente: para abastecer as cozinhas comunitárias, o CEPAGRO contatou grupos e cooperativas de agricultores/as familiares,  conectando campo e cidade com comida de verdade.

Dentre as iniciativas fornecedoras de alimentos estão a Rede Ecovida de Agroecologia, que reúne mais de 4 mil famílias agricultoras do Sul do Brasil. Para a Ação Solidária COVID, recebemos alimentos de 14 famílias da Rede. Além disso, compramos arroz orgânico da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (COOPAN-RS), ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), maior produtor de arroz agroecológico da América Latina. Grande parte do feijão distribuído veio da CooperConstestado, de Fraiburgo (SC), também ligada ao MST.

bárbaraValorizar quem produz comida de verdade para a população, sobretudo num contexto de pandemia, também é promover a Agroecologia. E seguimos na luta para que essa valorização seja retomada em políticas públicas de apoio à agricultura familiar, às cozinhas comunitárias, aso equipamentos públicos de segurança alimentar. Do Assentamento Comuna Amarildo de Souza, um dos fornecedores de alimentos para a Ação Solidária, vem o indicativo desse caminho: “É necessário se organizar para se inserir nas tomadas de decisões políticas que favoreçam a Agroecologia e não o agronegócio. Nós somos beneficiados hoje pela nossa luta e podemos nos alimentar e também oferecer alimentos de qualidade para nossos consumidores e para projetos como da Ação Solidária”, afirma a agricultora e agrônoma Bárbara Ventura, assentada da Comuna. 

WhatsApp Image 2021-03-22 at 16.45.52 (1)Para favorecer essa discussão, a sequência da Ação Solidária COVID 19 será com formações cidadãs com as equipes das cozinhas, abordando temas como fortalecimento institucional, segurança e soberania alimentar e direito humano à alimentação adequada.

Ação Solidária COVID 19 conecta comunidades tradicionais e urbanas pelo alimento

A iniciativa de articulação entre comunidades para aquisição e distribuição de alimentos orgânicos a cozinhas comunitárias de Florianópolis completou 5 meses em fevereiro. Mais de 1,1 tonelada de alimentos chegaram às cozinhas, que serviram 6.580 refeições a pessoas em situação de vulnerabilidade social e de rua.

Clique aqui para ver mais uma edição do Boletim AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19, em que destacamos a participação da comunidade guarani da Tekoá Vy’á no projeto.

Os guaranis forneceram para a AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 cerca de 200 kg de batata doce, 150 kg de banana e 260 kg de feijão – tudo produzido sem agrotóxicos. Mudas e sementes conservadas pela agricultura familiar e movimentos sociais frutificaram no solo guarani, provendo alimentos de qualidade às periferias urbanas. O projeto também distribuiu o arroz do MST para as famílias guarani, fortalecendo sua base alimentar com um produto orgânico da reforma agrária.

Rótulo do suco de uva da CooperMajor simboliza conquista da agricultura familiar

Foto: Di20 Design

Quando compramos um suco, uma geleia ou um molho no supermercado, o que olhamos no rótulo? Talvez as informações nutricionais, a quantidade de calorias, os ingredientes… No caso de alimentos orgânicos, o rótulo traz estampada a garantia da produção sem veneno. Mas para quem produz esses alimentos, sobretudo nas agroindústrias familiares, um rótulo traz muito mais do que informações. No caso da CooperMajor, cooperativa de famílias agricultoras de Major Gercino, a conquista do rótulo para os sucos de uva produzidos na agroindústria representa anos de trabalho e formação coletivos. 

“Esse é mais um passo importante pra gente poder comercializar nossos produtos”, conta o agricultor Ernande Stolarczk, do Conselho Fiscal da CooperMajor. Ele é uma das 8 famílias que produzem suco de uva na agroindústria da cooperativa, inaugurada em 2018 – são 3 famílias com produção orgânica e outras 5 no modelo convencional – que tem uma capacidade de processamento de 1.500 litros de suco por dia.   

“Essa iniciativa agrega renda e principalmente coloca possibilidades de comercialização com a prefeituras via alimentação escolar e supermercados. Esse era um objetivo ao qual as famílias vinham se dedicando ao longo de 05 anos e que não era possível por conta de algumas inconformidades, agora resolvidas”, afirma Charles Lamb, técnico do Cepagro que fez a articulação entre a Coopermajor e a Nectalimentos, que realizou uma consultoria para adequação da agroindústria e registro do suco junto ao Ministério da Agricultura. Os 15.000 litros de suco orgânico da safra 2020/2021 produzidos por 3 famílias agricultoras agroecológicas da CooperMajor – de Ernande, dos seus pais Aluísio e Salete Stolarczk e de Eduardo e Larissa May – agora já podem ir para as prateleiras comerciais e também entrar em compras públicas. Anteriormente, o produto só podia ser comercializado diretamente – em casa, em feiras ou por cestas.  

Para legalização da agroindústria e obtenção do rótulo do suco com registro no Ministério da Agricultura, as famílias da CooperMajor tiveram que fazer reformas na estrutura física da fábrica, passar por capacitações em boas práticas de fabricação e atravessar um longo caminho de trâmites burocráticos. “Na prática a gente faz tudo certo, mas no papel é complicado”, explica Ernande sobre os desafios burocráticos para legalização do suco. “Nessa parte a Rossana nos deu bastante ajuda, na legalização junto ao MAPA, elaboração do rótulo… E continua, sempre sanando dúvidas”, completa, referindo-se à assessoria da engenheira agrônoma Rossana Podestá, da Nectalimentos, contratada através do projeto LA-188, que o Cepagro executa com apoio da IAF.

Rossana iniciou o trabalho com uma visita à agroindústria ainda em 2017, sugerindo então adequações na estrutura física para que as instalações estivem de acordo com as exigências do Ministério da Agricultura. Também colaborou na elaboração do Manual de Boas Práticas, das fichas técnicas e no desenvolvimento de procedimentos operacionais padrão, todos requisitos de órgãos fiscalizadores. “Todas as famílias tinham noção da qualidade do produto, mas não do quão importante era observar todos os procedimentos corretamente. Mas foram muito receptivos e toparam a ideia do curso de boas práticas de produção de alimentos”. O curso foi realizado em outubro de 2018, contando com a presença de 20 famílias integrantes da cooperativa. Na sequência, mais adequações de documentação para o registro do suco no Ministério da Agricultura. 

Todo esse processo ganhou cara nova com o rótulo desenhado pela Di_20 Design, empresa especializada em embalagens e renovação de marcas. “Desenvolvemos uma ilustração em base à região e à casa original onde são produzidos os sucos – nos vales de Major Gercino -, valorizando a origem artesanal do produto e gerando maior confiança para o público-alvo”, explica a agência na apresentação da nova marca.

Paralelamente à assessoria de Rossana, em 2019 a estudante de Engenharia de Alimentos Alice Nied realizou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) analisando as características físco-químicas dos sucos produzidos pela CooperMajor, atestando mais uma vez sua qualidade e adequação aos parâmetros do Ministério da Agricultura. Para 2021, Charles Lamb explica os próximos passos da assessoria: “Continuaremos com o  acompanhamento da produção dos sucos, análises de qualidade dos produtos, manutenção de documentos como fichas técnicas e manuais, cursos e treinamentos, além de apoio na manutenção do site QRCODE presente no rótulo”, afirma. 

Cepagro fortalece práticas agroecológicas em aldeias Guarani do Litoral Catarinense

O mês de fevereiro marca o fim do Ara Pyau, período do ano que representa tempo novo na cosmovisão Guarani. Iniciado em setembro, junto com a primavera, o Ara Pyau orienta todo o calendário agrícola Guarani, do preparo do solo à colheita, em especial das variedades de milho que além de alimento, são também um bem sagrado imprescindível nas cerimônias de batismo Guarani, realizadas justamente neste período.

Estes são alguns dos conhecimentos que a equipe Cepagro pôde adquirir ao longo do último ano, a partir da relação de confiança que se estabeleceu com as aldeias Yguá Porã, Yynn Moroti Wherá e Tekoa Vy’a, localizadas na Grande Florianópolis. Através dos projetos “Terra, Comunicação e Artesanato sustentáveis: iniciativas para o fortalecimento das Tekoa Guarani”, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz eCulturas de cobertura da próxima geração, com o apoio da Conservation Food & Health Foundation, foi possível fortalecer a produção de alimentos nas três aldeias e assim promover a soberania e segurança alimentar e nutricional e a diversificação alimentar das famílias Guarani, especialmente afetadas pela pandemia.

Desde março, foram entregues sementes de pelo menos 10 variedades de hortaliças, ramas de mandioca provenientes de agricultores da Rede Ecovida de Agroecologia e mudas de espécies tradicionais, como o sagrado pety, fumo tradicional Guarani. As equipes dos projetos também participaram de mutirões, distribuiu sementes de adubos verdes e deu orientações sobre a utilização desta técnica agroecológica para o preparo e conservação do solo, buscando assim reduzir a necessidade de fertilizantes químicos (principalmente da uréia).

Para Adailton Karay Moreira, professor de cultura na escola indígena da aldeia Yynn Moroti Wherá, em Biguaçú, os aprendizados sobre como melhorar a saúde do solo através da adubação verde foram importantes pois vão ser repassados na prática para seus alunos e alunas, já que a roça da comunidade também é um espaço pedagógico. Ali as crianças aprendem a preparar a terra, conhecem as sementes e qual o mês certo para o plantio de cada uma delas. Dessa forma Adailton ensina também sobre a importância de cultivar as sementes tradicionais.

“Para mim é bem importante ter algumas plantações de alimentos tradicionais, porque é bem mais saudável estar colhendo e comendo daquilo que plantou na própria terra. Se tu for pensar, todos os alimentos que vêm do supermercado que vêm em lata ou em conserva não é muito bom consumir direto, porque isso pode fazer mal ao longo do tempo. Por isso, para mim é importante estar cultivando alimentos”.

Na aldeia Tekoa Vy’a, em Major Gercino, a oficina de adubação verde envolveu a criançada e foi organizada em parceria com as lideranças e professores da Nhemboeá Vy’a (escola da comunidade). Junto com esta atividade, realizada no último dia 25 de fevereiro, a equipe do Cepagro também auxiliou na preparação das áreas que logo receberão as sementes de hortaliças, do avaxi ete’i (milho Guarani) e ainda o milho crioulo comum. Estes plantios devem acontecer antes da chegada do Ara Yma, período que vai de março a setembro e, ao contrário do Ara Pyau, corresponde ao tempo velho, período de recolhimento.

Segundo Letícia Filipini, engenheira agrônoma e técnica do Cepagro no projeto Culturas de cobertura da próxima geração, “os adubos verdes de inverno são uma ótima estratégia para as aldeias já que nesse período [do Ara Yma] não se cultiva outras culturas”. Novas atividades estão previstas para acontecer nas três aldeias parceiras ao longo dos próximos meses, “com Adubação verde vamos iniciar um processo de restauração do solo, aumentando a fertilidade e consequentemente garantindo uma melhor produção dos cultivos que destinam para a alimentação da comunidade”, aponta Letícia.

A aldeia Tekoá Vy’a também foi parceira na Ação Solidária Covid-19, desenvolvida pelo Cepagro com o apoio da Fundação Interamericana (IAF). A ação busca promover segurança alimentar e nutricional e fortalecer a Agroecologia através da compra de alimentos agroecológicos e da agricultura familiar e entrega desses alimentos a 6 cozinhas comunitárias de Florianópolis. Através desta parceria, foi feito o planejamento de produção com o Cacique Artur Benites para a produção e comercialização de feijão preto e batata doce. Além da produção abastecer a própria comunidade diversificando a alimentação das famílias Guarani, uma quantia de aproximadamente 200kg de batata doce, 150kg de banana e 260 kg de feijão foram comercializados para a Ação, levando alimento e saúde a famílias em situação de vulnerabilidade social de Florianópolis.

Fortalecimento comunitário

Além das ações ligadas à agricultura, o projeto Terra, Comunicação e Artesanato também possibilitou atender outras demandas das comunidades Guarani, como o fortalecimento do artesanato, com a entrega de insumos como miçangas, teares, formões e argila e com apoio à comercialização. 

Através deste projeto, também foi realizada uma oficina de comunicação no formato de videoaulas preparadas pelo Coletivo Mídia Índia. A atividade aconteceu na aldeia Yynn Moroti Wherá em parceria com os professores Daniel Kuaray e Celita Antunes, que facilitaram a formação para os jovens da aldeia. O propósito da atividade foi levar um pouco do conhecimento do coletivo que é referência nacional no movimento indígena para que a rede de comunicadores indígenas se amplie e possa cada vez mais comunicar a diversidade e riqueza cultural dos povos originários do Brasil, assim como suas realidades e lutas por direitos.

Por fim, nos últimos meses, o coordenador do projeto, Charles Lamb (Bagé) também esteve ao lado das lideranças acompanhando de perto os trâmites e burocracias necessárias para a regularização da Associação da comunidade, passo imprescindível para garantir mais autonomia no acesso a recursos indenizatórios e editais voltados para povos indígenas.

“Em tempos pandêmicos vimos o quão importante é a interação social, seja ela presencial, ou da maneira possível remotamente por telefone, mensagens e vídeos. Assim como as ações diretas do projeto. O artesanato, principal atividade para geração de renda, permaneceu ativo com a ajuda de insumos e de comercialização. Promovemos a segurança alimentar através do fortalecimento das práticas tradicionais de agricultura, fornecendo insumos e estimulando o aumento da produção para comercialização do excedente. O fortalecimento social, através da associação, foi fundamental para a organização e acesso a editais e recursos para a viabilização de demandas estruturais e de saúde. Além disto, foi o tempo de estreitar relações e parcerias para auxiliar órgãos indigenistas nas demandas crescentes destas comunidades”, avalia Renata Lucas, da equipe técnica do projeto.

O desenvolvimento destas e outras atividades junto às aldeias Guarani foi possível graças ao apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz (IISC), da Conservation, Food & Health Foundation, da Fundação Interamericana (IAF) e da parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), Funai e outras organizações e coletivos que contribuíram em ações pontuais e emergenciais.

AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19: Segurança alimentar para além da cesta básica

Uma tonelada de alimentos saudáveis distribuídos a cinco cozinhas comunitárias de Florianópolis, gerando mais de 8 mil refeições para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade socioeconômica. Esse é o balanço de mais um mês da Ação Solidária COVID 19, iniciativa do Cepagro com apoio da Fundação Inter-Americana (IAF) para articular campo e cidade e fazer comida de verdade chegar aonde precisa. Veja aqui a versão completa do Boletim Ação Solidária COVID 19.

Um diferencial de iniciativas como a AÇÃO SOLIDÁRIA COVID 19 é o foco em aproximar campo e cidade para fazer circular alimentos saudáveis e socialmente justos. É ir além da distribuição de cestas básicas (que também são importantes). É, por exemplo, articular organizações camponesas com comunidades periféricas, potencializando tanto o trabalho dos movimentos sociais da agricultura familiar quanto o tecido social das periferias onde atuam cozinhas comunitárias, organizações da igreja e equipamentos públicos como o CRAS.

Junto com os alimentos, chegam reflexões sobre segurança alimentar e o papel do estado na sua promoção. E assim vai sendo fortalecida a articulação em torno do direito humano à
alimentação adequada, fundamental para a mobilização da sociedade civil na defesa e reivindicação por políticas públicas. Porque combater a fome é combater a miséria e a pobreza, não só com produção e distribuição de alimentos, mas também com educação, direito à moradia, trabalho e renda.

 

Ação solidária COVID distribuiu mais de 1 tonelada de alimentos em dezembro

A Ação Solidária COVID 19, iniciativa de distribuição de alimentos agroecológicos que o Cepagro vem desenvolvendo com apoio da Fundação Inter-Americana (IAF), distribuiu 1,4 tonelada de comida para 5 cozinhas comunitárias em dezembro. Juntas, essas cozinhas serviram mais de 10 mil refeições para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade socioeconômica. Saiba mais sobre na edição de dezembro do Boletim Ação Solidária COVID 19.

Projeto de cooperação internacional inicia construção de indicadores da Agroecologia na América Latina 

A aceleração da crise climática global ameaça cada vez mais a segurança alimentar e nutricional das populações do campo e da cidade. Nesse contexto, a Agroecologia ganha importância por combinar produção de alimentos saudáveis com a conservação dos recursos naturais e a justiça social. Embora já esteja comprovado que os sistemas agroecológicos são mais resilientes às mudanças climáticas, há ainda uma carência de indicadores que relacionem o seu potencial econômico, social e ambiental.

Foi buscando preencher esta lacuna que um conjunto de organizações latinoamericanas deram início ao projeto “Agroecologia na América Latina: construindo caminhos”, uma iniciativa piloto regional que tem como estratégia coletar e sistematizar evidências científicas para o desenvolvimento de Indicadores da Agroecologia, com o objetivo de contribuir com a transição agroecológica e subsidiar a construção de políticas públicas que promovam o avanço da Agroecologia.

Foto mostra representantes das 8 organizações participantes do projeto
Comitê Gestor do projeto ‘Indicadores da Agroecologia: construindo caminhos’ reunido em El Salvador, janeiro de 2020

O projeto é desenvolvido através de cooperação internacional entre o Cepagro, a Universidade da Colúmbia Britânica (UBC) – através da professora e pesquisadora canadense Hannah Wittman – e seis organizações que promovem a Agroecologia na América Latina: Centro Campesino, A.C. e Tijtoca Nemiliztli, A.C. (México), Fundesyram (El Salvador), Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador – meSSe (Equador), APRO (Paraguay), Movimento Mecenas da Vida – MMV (Bahia) e Centro de Tecnologias Alternativas Populares – CETAP (Rio Grande do Sul). O projeto tem o apoio da Fundação Interamericana (IAF).

O projeto tem o formato de uma pesquisa-ação, onde a coleta de dados será realizada de forma participativa com famílias agricultoras e organizações de apoio. Esta coleta será facilitada pelo LiteFarm, uma ferramenta digital de gestão agrícola desenvolvida por uma equipe de cientistas, agricultores-colaboradores, designers, desenvolvedores e estudantes da UBC. Além de dinamizar a coleta de dados das propriedades agroecológicas, o aplicativo visa auxiliar famílias agricultoras no acompanhamento e gestão de suas áreas produtivas. Como se trata de um projeto piloto, a efetividade desta ferramenta ainda está sendo testada e aprimorada.

Construção coletiva e pedagógica

Cada uma das organizações está trabalhando em parceria com pelo menos 15 famílias que possuem mais de três anos de experiência em produção agroecológica. Neste primeiro trimestre, em meio às dificuldades enfrentadas pela pandemia, as organizações iniciaram o diálogo com as famílias participantes para explicar melhor sobre o projeto, seus objetivos e benefícios.

Encontro entre agricultores da Rede Povos da Mata e técnicos do Movimento Mecenas da Vida

No Sul da Bahia, região nordeste do Brasil, o Movimento Mecenas da Vida irá trabalhar com famílias vinculadas à Rede de Agroecologia Povos da Mata. Entre as 15 unidades produtivas selecionadas há produção de frutíferas, folhosas, temperos e raízes, mas predominam as famílias que cultivam o cacau, principal cultura agrícola da região. Segundo Luiz Fernando Vieira Pozza, da diretoria do MMV, com esse projeto a instituição almeja “o fortalecimento das práticas sustentáveis e agroecológicas exercidas pelos agricultores da rede Povos da Mata. As  trocas,  aprendizagens e a cooperação fraterna com as instituições parceiras também são almejadas pelo MMV”, afirma.

Já no sul do Brasil, a iniciativa envolverá famílias agricultoras da Rede Ecovida de Agroecologia. Giovani Gonçalves, Coordenador técnico do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP) espera que o projeto e o uso da ferramenta LiteFarm possam fornecer informações relevantes para fortalecer a transição agroecológica e subsidiar ações da organização nesse sentido, bem como “auxiliar as famílias na geração de dados que sirvam para os processos de certificação participativa”.

Nesses primeiros meses, as técnicas e técnicos extensionistas das organizações estiveram centrados em se familiarizar com a ferramenta LiteFarm, através de capacitações virtuais realizadas com desenvolvedores da UBC. Nestas capacitações as organizações contribuíram com sugestões para o aprimoramento da ferramenta, para que ela seja acessível aos agricultores/as e compatível com diferentes sistemas agroecológicos. Um desafio que se apresentou até o momento foi o acesso limitado à internet nas comunidades rurais, o que dificulta o uso do aplicativo à campo e exige metodologias adaptadas para a coleta de dados.

Rosa Murillo em visita às famílias participantes do projeto na Serra norte do Equador

Rosa Murillo, agricultora e dinamizadora do Movimento de Economia Social e Solidária do Equador (meSSe), acredita que o projeto piloto, ao capacitar a equipe de dinamizadores do meSSe para o uso da ferramenta e para a análise da informação sob critérios técnicos econômicos, ambientais e sociais, “permitirá a médio e longo prazo fazer incidência interna e externa para o fortalecimento da agricultura familiar camponesa agroecológica, apoiando com mais precisão as atividades onde as famílias têm mais fragilidades”.

“Internamente o movimento pode fazer uso desta expertise para difundir o trabalho das famílias e as práticas desenvolvidas em suas propriedades a fim de ampliar seu raio de ação para novas famílias a nível territorial”. “A nível externo, permitirá incidir nas políticas públicas locais para conseguir o apoio do Estado às dinâmicas territoriais baseadas numa produção sustentável, estas podem conseguir uma assistência técnica à produção agroecológica, transformação de produtos, acesso a mercado, entre outros”, complementa Rosa.

Histórico de atuação em rede

As organizações latinoamericanas envolvidas neste projeto piloto já vinham atuando em uma rede de colaboração formada em torno da agroecologia desde 2016, através do projeto Saberes na Prática em Rede, coordenado pelo Cepagro com o apoio da Fundação Interamericana (IAF). As experiências e aprendizados vivenciados coletivamente em encontros presenciais e virtuais ao longo desses anos, despertaram não apenas a necessidade de seguir promovendo a agroecologia, mas também de medir os avanços que ela vem proporcionando em suas múltiplas dimensões.

Visualizando essa necessidade, as organizações identificaram conjuntamente uma série de indicadores relevantes nos âmbitos social, econômico e ambiental. Para citar alguns, estão o acesso à terra, água e sementes agroecológicas, a participação em agroindústrias e cooperativas, canais de comercialização, autoconsumo e dependência de insumos externos, por exemplo. Nesta primeira fase do projeto, serão então definidos entre 3 a 5 indicadores por eixo – social, econômico e ambiental – de forma participativa.

Para Erika Sagae, Vice-Presidenta do Cepagro e coordenadora do Projeto Agroecologia na América Latina: construindo caminhos, “a utilização do aplicativo, somada a construção de indicadores a partir da parceria com a UBC vai trazer elementos importantes, tanto para a efetivação de políticas públicas em Agroecologia a partir de dados que a gente possa estar apresentando para os governos locais, como também para essa troca de conhecimentos entre os países.”

Reunião com técnicos do Centro Campesino e Rede Tijtoca para discutir o andamento do projeto no México

Além de estreitar as relações entre os países e organizações latinoamericanas no campo da Agroecologia, o projeto fortalece também o trabalho de agricultores e agricultoras ecológicos. Para Victor Hugo Morales Hernandez, do Centro Campesino A.C. em Tlaxcala, no México, os agricultores(as) familiares serão beneficiados pois “terão disponíveis informações e dados que lhes permitam defender o seu trabalho para conseguir posicionar os seus produtos no mercado, sensibilizando a sociedade para reconhecer que não é justo que concorram com os modelos de agricultura moderna nem com os custos de comercialização”. Aponta ainda que “é um grande avanço para as organizações e produtores agroecologistas contar com ferramentas  que permitam compartilhar os resultados em diferentes contextos e assim apoiar a consolidação de movimentos e políticas”.

Portanto, com esta iniciativa piloto, espera-se melhorar o intercâmbio de experiências e conhecimentos sobre práticas agroecológicas locais, fortalecendo a Agroecologia na base e ao mesmo tempo vislumbrar um horizonte onde ela seja política e socialmente assumida como uma abordagem para o enfrentamento às crises emergentes.

Cepagro inicia Ação Solidária para fortalecer Redes de Segurança Alimentar e Nutricional

Neste Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o Cepagro celebra o início de uma Ação Solidária que tem como objetivo fortalecer as Redes de Segurança Alimentar e Nutricional através da aquisição e doação de alimentos agroecológicos e da agricultura familiar a cozinhas comunitárias parceiras de Florianópolis. 

Desde o início da pandemia, diversas iniciativas de abastecimento alimentar surgiram ou se fortaleceram em Florianópolis. Entre elas estão as cozinhas comunitárias que estão tendo um papel muito importante em garantir alimentação para famílias que passaram a conviver com a fome. Buscando fortalecer e potencializar este trabalho nas comunidades e levar comida de verdade a quem precisa, o Cepagro iniciou esta semana a Ação Solidária Covid-19.

A ação tem o apoio da Fundação Interamericana (IAF) e é realizada em parceria com seis cozinhas comunitárias de Florianópolis: a Cozinha Dona Ilda, na Vila Aparecida, bairro Coqueiros, Cozinha Mãe, na Comunidade Chico Mendes, bairro Monte Cristo, Cozinha Hare Krishna, no Centro de Florianópolis, Cozinha Casa do Migrante, no bairro Capoeiras, Cozinha do Rio Vermelho e Cozinha Solidária Ribeirão da Ilha. Juntas estas cozinhas tem distribuído mensalmente mais de 7 mil refeições.

Entrega na Cozinha Solidária Ribeirão da Ilha

Assim, a Ação Solidária Covid-19 do Cepagro fortalece um trabalho em Rede e além de promover segurança alimentar e nutricional nas comunidades urbanas, também tem como objetivo gerar renda local no meio rural e promover a Agroecologia. Os alimentos entregues em Florianópolis estão sendo adquiridos de 5 famílias agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida, além do Assentamento Comuna Amarildo, cooperativas do Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da agricultura familiar regional. Futuramente, também entrarão para esta lista famílias indígenas de aldeias Guarani da Grande Florianópolis.

A Ação está prevista para acontecer em ciclos de entregas semanais e os alimentos são adquiridos e entregues às cozinhas conforme suas demandas mensais. Também de acordo com a sazonalidade e a produção das famílias agricultoras. 

Trabalho em rede

Preparação de refeições na Cozinha Mãe, Comunidade Chico Mendes.

Cada uma das cozinhas possui uma dinâmica própria quanto aos dias e formatos de distribuição. A Cozinha Dona Ilda, por exemplo, tem como público alvo as famílias das crianças da Comunidade Vila Aparecida que participavam de uma escolinha de futebol, projeto social. A cozinha é gerida pela Ação Social Arquidiocesana (ASA) em parceria com o projeto Vivendo e Aprendendo, coletivo local da Vila Aparecida. As refeições são distribuídas especialmente aos sábados à noite em locais abertos e arejados da Comunidade.

Luciano Leite da Silva Filho, Coordenador do Centro de Integração Social Santa Dulce dos Pobres e que tem participado na gestão da cozinha, conta que as duas organizações eram parceiras em outros projetos sociais na comunidade e com a pandemia surgiu a demanda por alimento. Mas esse trabalho da cozinha, iniciado em junho, já ultrapassou a questão da segurança alimentar.

Início da produção na Padaria Comunitária Dona Zezé, Vila Aparecida

“Através de Cozinha Comunitária a gente vem pensando também o espaço do próprio território. Então através da cozinha comunitária foram surgindo outros projetos. A horta comunitária, que a gente está idealizando, a padaria comunitária que a gente fez uma fornada de teste ontem e amanhã vai começar a produção e a comercialização. E surgiram outros projetos como o ateliê de costura formado por mulheres da comunidade”, explica Luciano.

O pontapé inicial para a instalação da cozinha teve o apoio da Rede Com a Rua e Cozinha Solidária Ribeirão da Ilha. Luciano conta que a maior parte dos alimentos vem da doação de pessoas físicas, mas que há uma rede de apoio entre as cozinhas comunitárias em Florianópolis. Quando uma delas recebe alimentos a mais, repassa para outras e assim o trabalho acontece.

A Cozinha Solidária Ribeirão da Ilha chega a distribuir em média 2.900 marmitas ao mês, com refeições entregues de segunda a sexta, três vezes por semana na Praça XV (Centro) e duas vezes em São José. Para Shira Maciel, culinarista e voluntária, “a importância desse trabalho é trazer dignidade para a população carente. O alimento saudável é um direito de todos e com isso lutamos também pela necessidade do Restaurante Popular”.

Muito além do alimento

Alimento de quem produz para quem consome.

Uma questão importante da Ação Solidária Covid-19 é promover a aproximação do campo e cidade na prática, um dos preceitos da Agroecologia, abastecendo com alimento limpo, livre de agrotóxicos, com história a quem precisa. Para a Mestra em Agroecossistemas e técnica do Cepagro, Isadora Leite Escosteguy, um dos desafios desta ação é o redesenho do sistema agroalimentar, rompendo as lógicas dominantes da centralização, dos ultraprocessados e circuitos longos e promovendo logísticas mais eficientes de abastecimento agroalimentar. Se torna assim uma estratégia de venda direta a partir de uma demanda garantida, onde o Cepagro é um articulador entre as famílias agricultoras, futuramente indígenas e os coletivos das cozinhas comunitárias. 

“Acredito que o alimento é uma ferramenta política transformadora para atravessar momentos de crise – sanitária, ambiental, econômica, social. Nesses tempos, a pressão pela efetivação de políticas públicas para o abastecimento e garantia de SAN é extremamente necessária, mas em paralelo, estas ações solidárias de ONGs e coletivos em torno do alimento de verdade é crucial para potencializar a transformação que queremos”, comenta Isadora.

E além de fortalecer as Redes de Segurança Alimentar e Nutricional e atender demandas urgentes, esta ação também tem como propósito promover a formação cidadã e o debate acerca do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.

Organizações latino americanas de apoio à agricultura orgânica e agroecológica respondem à pandemia

Desde que foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde, em 11 de março, a pandemia do novo coronavírus impõe muitos desafios a pessoas, governos e organizações. A necessidade do isolamento social como a medida mais urgente aumentou a vulnerabilidade de populações rurais e urbanas e a aproximação entre campo e cidade desponta como uma estratégia ao combate à insegurança alimentar e nutricional.

No meio rural, agricultores/as familiares foram fortemente impactados/as pela redução dos canais de comercialização, com o fechamento de feiras, escolas e restaurantes. Nas cidades, o aumento do desemprego soma-se a uma realidade onde a taxa de trabalho informal já é alta, agravando a pobreza e a fome. De um total de 292 milhões de pessoas empregadas na América Latina e no Caribe, 158 milhões trabalham em condições de informalidade, ou seja, uma média de 54%*, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Foto: Centro Campesino de Desarollo Sustentable

Nesse contexto, e agora que a América Latina é o novo epicentro da pandemia de COVID-19, as organizações de apoio à agricultura orgânica e agroecológica se tornam ainda mais importantes e se adaptam para garantir a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) no campo e na cidade. No Brasil, Paraguai, Equador, Peru, El Salvador e México, sete organizações parceiras do Cepagro no projeto Saberes na Prática em Rede, apoiado pela Fundação Inter Americana, respondem de maneira parecida à nova realidade imposta.

Rosa Murillo, agricultora e dinamizadora de meSSe.

Da região central do México ao sul do Brasil, a venda de cestas de alimentos orgânicos e agroecológicos tem sido uma alternativa para o escoamento da produção e abastecimento alimentar das cidades. No Equador, por exemplo, essa modalidade de comercialização passou a ser difundida nacionalmente, quase que de forma prioritária, segundo Rosa Murillo, agricultora e dinamizadora do Movimiento de Economía Social y Solidaria del Equador (meSSe).

No Rio Grande do Sul, alguns/as agricultores/as familiares apoiados/as pelo Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP)  também aderiram à venda de cestas. No entanto, como pontua a nutricionista do CETAP, Cíntia Gris, apesar de ser uma iniciativa fundamental para o momento, tanto para garantir a chegada de alimentos ecológicos à cidade quanto a renda de muitas famílias de agricultores, “o volume comercializado é inferior ao comercializado nas feiras. Estimamos que o volume comercializado atualmente significa 40 % da comercialização antes exercida”.

Foto: Asociación Paraguay Orgánico

Já a Asociación Paraguay Orgánico (APRO) viu a demanda por cestas orgânicas disparar desde o Decreto Presidencial que instaurou a quarentena e o fechamento de todas as feiras e restaurantes no Paraguai. Para Genaro Ferreira, secretário da APRO, “o desafio agora é melhorar a logística das entregas das cestas e a implementação de novo sistema virtual para ser mais eficiente”. Afinal, se essa modalidade de venda direta tem sido estratégica e importante, por aproximar produtores/as e consumidores/as, traz também novos desafios. 

O acesso à internet, às tecnologias e ao conhecimento tecnológico são alguns deles. No México, onde o Centro Campesino de Desarollo Sustentable e a Rede Tijtoca Nemiliztli atuam, as famílias agricultoras aderiram a venda de cestas através do Facebook e Whatsapp. Nesse ponto, o apoio dos/as mais jovens tem sido fundamental, pois possuem mais facilidade com as comunicações digitais.

Já na Bahia, a maior dificuldade dos agricultores agroecológicos da Rede Povos da Mata tem sido o transporte para abastecer os centros urbanos. Como 90% das feiras da Rede seguem suspensas desde o início da quarentena, o Movimento Mecenas da Vida, que atua na região, têm buscado apoios específicos para promover ações emergenciais de segurança alimentar, através da compra de alimentos desses produtores e entrega de cestas a famílias vulneráveis. Essa também tem sido uma prática do CETAP e, juntas, as duas organizações já distribuíram pelo menos 2.380 cestas agroecológicas, graças a projetos específicos.

Foto: Centro de Tecnologias Alternativas Populares

Essa resposta emergencial das ONGs acaba sendo um alívio para muitas famílias, principalmente quando o Estado se ausenta em garantir os direitos mais básicos dos/as cidadãos/as. No Equador, assim como no Brasil, o governo federal tem respondido à crise sanitária e econômica com “medidas drásticas que acentuam ainda mais a crise das famílias equatorianas e o  apoio aos agricultores foi quase nulo”, segundo Rosa Murillo. 

Para responder a essa ausência do Estado, o meSSe vem apostando nas práticas de economia solidária que já são praticadas nos territórios onde está presente. Trocas de alimentos entre amigos, vizinhos e comunidades, moedas sociais e circuitos interculturais solidários são algumas das ações que têm sido fortalecidas pelo movimento.

Tanto o Movimento de Economia Solidária, quanto o Movimento Agroecológico, com sua visão holística e integradora, tem muito a contribuir no combate às crises contemporâneas e nos processos de ampliação da democracia e participação social. Em El Salvador, a Fundación para el Desarrollo Socioeconómico y Restauración Ambiental (Fundesyram) tem percebido que o Sistema de Extensão Comunitária, metodologia de trabalho usada pela organização, está sendo essencial no apoio às famílias agricultoras.

 Através desse sistema de extensão rural, a Fundesyram impulsiona a Agroecologia combinando os conhecimentos técnicos que a organização desenvolve, com as práticas e conhecimentos locais, de forma horizontal e participativa. Técnicos/as da Fundesyram se comunicam com extensionistas das próprias comunidades, que por sua vez compartilham as informações e conhecimentos com seu grupo de produtores.

Se antes essa metodologia já era eficiente, por promover a autonomia e educação das comunidades de forma horizontal, agora que os técnicos da Fundesyram não podem estar presente nas comunidades por questões de segurança sanitária, esse sistema se torna ainda mais importante. Para Roberto Rodríguez, diretor da Fundesyram, como esses extensionistas comunitários residem e estão sempre dentro das comunidades, conseguem fazer um acompanhamento mais próximo das famílias, “o sistema de extensão comunitária é fundamental para o desenvolvimento sustentável, é a garantia da continuidade das ações do projeto e do apoio técnico e emocional dos produtores”, afirma Roberto.

Se por um lado esse fortalecimento nos territórios é essencial, o diálogo entre sociedade civil e poder público também é de extrema importância. É nesse sentido que o Cepagro participa historicamente em espaços de construção de políticas públicas de SAN e de fortalecimento da Agroecologia, com presença ativa em fóruns, conselhos, redes e articulações. Há anos esses espaços de organização da sociedade civil têm atuado na defesa do Direito Humano à Alimentação Adequada e de SAN e com as mudanças que enfrentamos mundialmente, novas demandas sociais precisam e estão sendo apresentadas.

“Já vínhamos enfrentando o desmantelamento destas mesmas conquistas desde que o governo atual não colocou o tema nas suas pautas prioritárias.  Com o advento da pandemia isso apenas se acirrou e faz com que a sociedade civil além de enfrentar a pandemia, enfrente o descaso e o desconhecimento de práticas como o Programa de Aquisição de Alimentos, Programa Nacional de Alimentação Escolar e tantas políticas que poderiam neste momento atender as duas pontas, agricultores e comunidades vulneráveis”, explica Erika Sagae, coordenadora do Projeto Saberes na Prática em Rede. Para ela, a participação do Cepagro nesses espaços não tem compromisso apenas com os impactos da realidade atual, “mas também com projeções de soluções futuras pós pandemia”, 

A pandemia da COVID-19 nos revela a natureza sistêmica do nosso mundo e nos convida forçadamente a repensar nosso modo de desenvolvimento e a forma como nos relacionamos com a natureza. As organizações de apoio à agricultura orgânica e agroecológica estão atentas à isso e são unânimes em reafirmar a necessidade de fortalecer as relações entre o campo e a cidade. E enquanto reorganizam o seu planejamento de atividades, vislumbram ações estratégicas à longo prazo.

Foto: Movimiento de Economía Social y Solidaria del Equador (meSSe)

Para Rosa Murillo, nesse momento é especialmente importante “evidenciar a produção agroecológica e a agricultura familiar camponesa, participando de eventos virtuais como conferências, palestras, vídeos e maratonas de agroecologia”, além de “continuar trabalhando sob os princípios de cosmovisão andina: minga (mutirão), reciprocidade, respeito à natureza e promoção da troca”.

Foto: Centro Campesino de Desarollo Sustentable

Victor Hugo Morales, do Centro Campesino, aponta que essa crise “nos faz refletir sobre como fortalecer o vínculo com os consumidores para que os/as agricultores/as sejam vistos como parte importante da cadeia produtiva e da mesma forma, criar circuitos curtos de comercialização que priorizem a Agroecologia e o impacto da pegada ambiental”.

A Agroecologia é resiliência e para Tiago Tombini, um dos fundadores do Mecenas da Vida, essa característica traz otimismo para encarar o futuro. “Acreditamos que essa crise não afetará negativamente nossa Instituição. Pelo contrário, vai nos trazer novos estímulos e oportunidades para criarmos soluções e contornarmos os problemas. O fato de trabalharmos com temas de importância global, tais como mudanças climáticas, economia regenerativa e colaborativa e empoderamento socioeconômico de grupos sociais vulneráveis, nos faz crer que conseguiremos acessar novos apoios institucionais, nos fortalecer e superar as adversidades momentâneas e aquelas que poderão surgir durante a extensão desta crise”.

E se cada organização atua conforme o contexto local, a troca entre essas experiências através de uma rede latino americana de agroecologia só vem fortalecer ainda mais essa atuação. É isso o que o projeto do Cepagro Saberes na Prática em Rede, que tem o apoio Fundação Inter Americana,  representa e por isso ele é importante.

Registro da última reunião das organizações parceiras no Projeto Saberes na Prática em Rede.

*nota informativa global sobre “A crise da COVID-19 e o emprego informal”, publicada esta semana pela OIT.