Arquivo da tag: hortas pedagógicas

Horta escolar rural ganha cara nova com práticas agroecológicas

Compostagem, plantas companheiras e sazonalidade foram temas trabalhados com os/as estudantes da escola Tercílio Bastos, de Major Gercino, na última sexta-feira, 28 de junho. Mais uma vez o técnico de campo Henrique Martini Romano esteve na comunidade do Pinheiral, onde o Cepagro vem realizando atividades de educação ambiental através do projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz. 

A escola já possui uma horta com 36 canteiros e, durante o último encontro, Henrique perguntou às turmas que plantas elas gostariam de semear ali, além das que já vinham cultivando com as atividades do programa Mais Educação. Respeitando o calendário agrícola, Henrique selecionou algumas espécies da lista e planejou o plantio junto com os/as alunos/as. É dessa forma, com base na educação popular, que o Cepagro trabalha a educação agroecológica: “A gente dá bastante voz para os estudantes, propõe e escuta o que eles querem fazer”, conta Henrique.

A proposta de Henrique para as turmas dos sexto, sétimo e oitavo anos foi pensar os canteiros sob um dos princípios da Agroecologia: o consórcio de plantas, característica que auxilia no controle de pragas sem o uso de veneno. A ideia foi mostrar para eles/as que “a horta é um ecossistema, e que lá existem muitas relações e interações ecológicas entre as plantas, os animais e entre o meio físico, como o solo que tem ali”, disse Henrique. Em cada canteiro, plantas companheiras foram semeadas lado a lado em diferentes desenhos, pensados pelos/as próprios/as estudantes. 

Além de colorir e diversificar os canteiros com alimentos, temperos e flores, os/as alunos/as também aprenderam como funciona uma minhocasa. Com parte do composto doado pelo Hotel SESC Cacupé de Florianópolis, a turma do sexto ano montou uma composteira para entender como os restos de alimento são transformados em adubo para a horta. Eles/as também se divertiram tirando fotos das atividades.

O professor Izair Knaul, que leciona ciências, acompanhou as turmas durante a prática e contou que as atividades na horta colaboram muito com os aprendizados em sala de aula. O oitavo ano, por exemplo, estuda o corpo humano e a alimentação saudável e nutrição são  temas que aliam o conteúdo programado na disciplina com as práticas na horta.

Muitos aprendizados podem ser obtidos fazendo a relação com as disciplinas, mas para Henrique esse não é o principal objetivo da horta. “O objetivo maior com eles é criar um espaço de vida e de trabalho coletivo onde eles vão se relacionar de uma forma diferente do que eles se relacionam dentro da sala. A horta cria uma relação diferente entre eles e a terra, sutilmente a gente vai criando uma relação de mais amor e respeito com a natureza. Essa é a principal contribuição que a horta escolar tem para a educação e para a sociedade”, conta Henrique.

As atividades da horta pedagógica na Escola Tercílio Bastos seguirão até o final do ano letivo trabalhando 3 eixos centrais: gestão de resíduos, horta agroecológica e alimentação saudável, sempre buscando aliar o calendário agrícola com o calendário escolar.

Anúncios

Cepagro constrói ações de educação ambiental em escola de Major Gercino

Na última quinta-feira, 23 de maio, a equipe técnica do Cepagro voltou à Major Gercino para conversar com educadores/as da Escola Professor Tercílio Bastos, onde até dezembro serão realizadas atividades de Educação Ambiental. Esta, que foi a terceira visita à escola, teve como objetivo construir coletivamente com o corpo docente as ações que serão realizadas com os/as estudantes ao longo do ano, por meio de projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz.

O projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais: ampliando os conhecimentos, fortalecendo as relações e garantindo sustentabilidade tem como objetivo promover a Agroecologia como alternativa sustentável de produção agropecuária e também de organização comunitária e conservação ambiental. Além das atividades na escola da comunidade do Pinheiral, o projeto atuará em três municípios de Santa Catarina: Nova Trento, Major Gercino e Leoberto Leal, abrangendo 12 comunidades e envolvendo 40 famílias agricultoras.

Na escola, o projeto visa trabalhar uma horta pedagógica que permite envolver diversos conteúdos, de história e geografia à matemática e língua portuguesa. Durante a última conversa, os/as professores/as compartilharam suas ideias de como incorporar a horta em suas disciplinas. Desde o primeiro diálogo com a direção da escola, também foram colocadas outras duas demandas: a construção de cisternas para a captação de água da chuva e atividades de comunicação popular e mídias digitais.

A escola conta com alguns canteiros que foram implantados mediante projetos passados, e a ideia é reestruturar o espaço com canteiros agroecológicos. Para isso, será utilizado composto doado pelo Aeroporto Internacional de Florianópolis. Segundo a diretora da escola, Fabiana Laurindo Motta, há problemas de abastecimento de água no espaço onde eles se encontram, assim, a construção de uma cisterna seria bem vinda e melhoraria a irrigação dos canteiros.

A professora Fernanda Farias Muenich Marques, que leciona História e Geografia, disse que projetos como esse possuem um grande potencial, pois segundo ela, quando vêm pessoas de fora da escola propondo um trabalho mais prático, as/os alunas/os sempre se envolvem mais. A proposta de trabalhar a horta pedagógica com a comunidade escolar surgiu porque a Escola Prof. Tercílio Bastos se encontra na zona rural de Major Gercino e centraliza jovens de várias comunidades, sendo um potencial muito grande para sensibilizar estes para as alternativas ao tabaco e a promoção da saúde através da Agroecologia.

Antes do início das atividades na horta, ainda será realizada uma conversa com as/os estudantes do 6º ao 3º ano do Ensino Médio, além de uma formação para professores/as.

Ainda na quinta-feira, como parte das ações do projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz, os técnicos do Cepagro, Francys Pacheco e Giselle Miotto também visitaram propriedades com degradação de mata ciliar no afluente do rio Boa Esperança para realizar atividade de recuperação que também está prevista no projeto.

Crianças constroem canteiro de flores para abelhas em escola no Campeche

Na semana em que se comemora o Dia Mundial das Abelhas, alunos e alunas da Escola Januária Teixeira da Rocha, no campeche, constroem canteiro de flores para atrair esses insetos tão fundamentais para o meio ambiente. A atividade aconteceu na sexta-feira, 24 de maio, e foi mais uma oficina do projeto em parceria com a Amocam, através do projeto Misereor em Rede. Durante uma manhã ao ar livre, as crianças aprenderam com a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, a importância das abelhas para a manutenção de várias espécies de plantas e alimentos.

Quem trouxe esse tema foi a professora do quinta ano, Maria Inês Evaristo: “Como a gente está trabalhando essa parte da horta na escola e estamos fazendo vários espaços, porque não fazer um canteiro das flores para as abelhas?”. A professora propôs e Karina abraçou a ideia, principalmente porque o sumiço das abelhas é um tema que tem gerado bastante discussão ultimamente. Quando perguntados em sala de aula sobre o porquê desse fenômeno, alguns já sabiam a resposta: os agrotóxicos.

Segundo levantamento da Agência Pública e Repórter Brasil, somente em Santa Catarina foram encontradas pelo menos 50 milhões de abelhas mortas, de dezembro do ano passado a fevereiro de 2019. Especialistas e pesquisas laboratoriais apontam que o principal causador é o contato com agrotóxicos a base de neonicotinoides e fipronil, utilizados como inseticida.

Sabendo disso, mudinhas de manjericão, cravo de defunto e boca de leão foram plantadas pelas/os alunas/os com o intuito de tornar a escola um ambiente convidativo para as abelhas nativas, como a mandaçaia. Além de preparar um canteiro para as abelhas, que ganhou o formato de borboleta, “a gente pôde trabalhar também a polinização, como funciona, quais plantas precisam das abelhas para dar o nosso alimento, quais as flores que têm mais potencial em atrair abelhas. Então foi interessante, a gente conseguiu encaixar isso tudo no tema de hoje”, conta a agrônoma Karina Smania.

Estudantes de Antônio Carlos aprendem sobre compostagem e alimentação no ambiente da Horta Escolar

Cerca de 280 estudantes da Escola Municipal Dom Afonso Niehues, em Antônio Carlos (SC), estão desde agosto cultivando alimentos e aprendizados na Horta Pedagógica assessorada pelos engenheiros agrônomos Karina Smania de Lorenzi e Ícaro Pereira, da equipe técnica do Cepagro. Todas as turmas da escola, do 1º ao 5º ano, já trabalharam na horta ao longo desses meses. No laboratório vivo da horta, as crianças vivenciam o ciclo dos alimentos, da transformação de resíduos orgânicos em adubo através da compostagem até a colheita e preparação de receitas, feitas agora ao final do semestre.

“Já percebemos mudanças positivas. Uma delas foi a separação de resíduos orgânicos. Junto com os alunos do 5º ano fizemos uma sensibilização na escola, onde foram distribuídos baldes para os resíduos orgânicos e os estudantes estão fazendo a compostagem”, afirma Karina de Lorenzi. Na festa de final de ano da escola, a equipe Cepagro e a criançada ministrarão uma oficina de compostagem para os pais e mães da comunidade escolar. Haverá também distribuição de mudas.

A preparação de receitas com os alimentos colhidos na horta faz parte da metodologia Cepagro de educação agroecológica. “Eles já estão colhendo, fazendo receitas junto com a nutricionista Kalina Lima e também levando alimentos da horta para casa”, diz Karina.

Outro impacto positivo da horta foi na paisagem, segundo Karina: “Um espaço que estava em desuso hoje é um laboratório vivo. Depois da criação dos canteiros e plantio, os alunos estão tendo a chance de presenciar o crescimento das plantas e o aparecimento de muitos animais. A horta instiga muito a curiosidade dos alunos, pois sempre está acontecendo alguma coisa nova”, afirma a agrônoma.

 

Cepagro colabora no III Encontro Municipal de Agricultura Urbana

Nos dias 17 e 18 de novembro, Florianópolis recebe o
III Encontro de Agricultura Urbana e Práticas Integrativas Complementares. Construído pela Rede Semear, que reúne poder público e organizações civis, o evento conta com a organização do Ministério da Agricultura e Pecuária, UFSC, Epagri, Cepagro, Câmara de Vereadores e Prefeitura de Florianópolis. Estão programadas mais de 20 oficinas, rodas de conversa, palestras e cuidados. As atividades acontecem no Jardim Botânico, no CETRE – EPAGRI e no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, todos no Itacorubi.

Na 6ª feira à tarde e no sábado de manhã, o Cepagro facilitará as Rodas de Conversa de “Consumidores e Produtores: aproximações agroecológicas”, no LACAF (CCA) e “Hortas Escolares”, no Cepagro. Confira a programação e veja mais informações na página do evento.

PROGRAMAÇÃO 

17 novembro 2017 – 6ª feira
Local: Jardim Botânico
8h​ ​às​ ​9h-​ ​ ​Credenciamento​ ​e​ ​Lanche​ ​ColaborATIVO
9h​ ​às​ ​10h​ ​ ​-​ ​Solenidade​ ​de​ ​Abertura
10h​ ​às​ ​12h​ ​-​ ​Palestra​ ​”​ ​Integrar​ ​cuidados​ ​com​ ​o​ ​ser​ ​Humano​ ​e​ ​cuidados​ ​com​ ​a​ ​terra”.
12h​ ​às​ ​13h30min​ ​ ​-​ ​Almoço
13h30min​ ​ ​às​ ​14h​ ​-​ ​Atividade​ ​Cultural
14h​ ​às​ ​16h​ ​-​ ​Oficinas​ ​e​ ​Rodas​ ​de​ ​Conversa – Locais variados – consultar no momento da inscrição
16h30min​ ​-​ ​Intervalo
16h30min​ ​às​ ​18h30min​ ​-​ ​Troca​ ​de​ ​Saberes​ ​sobre​ ​Plantas​ ​Medicinais.

​18​ ​de​ ​novembro​ ​2017​ ​–​ ​Sábado
9h​ ​-​ ​ ​Café​ ​ColaborATIVO
09h30​ ​-​ ​11h30 ​-​ ​Oficinas​ ​e​ ​Rodas​ ​de​ ​Conversa – Locais variados – consultar no momento da inscrição

Local: Jardim Botânico
11h30​ ​-​ ​12h​ ​-​ ​ ​Troca​ ​de​ ​Sementes
12h​ ​às​ ​13h30​ ​-​ ​Almoço
13h30 às 15h30 – Mesa redonda “Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica e Programa​ ​Municipal​ ​de​ ​Agricultura​ ​Urbana”
15h30​ ​às​ ​17h​ ​ ​-​ ​ ​Perspectivas​ ​para​ ​2018​ ​-​ ​Conhecendo​ ​a​ ​Rede​ ​Semear
17h​ ​às​ ​17h​30​ ​-​ ​ ​Carta​ ​III​ ​EMAU​ ​e​ ​PICs
17h​​30 -​ ​Encerramento​ ​e​ ​Atividade​ ​cultural

Cepagro promove Hortas Pedagógicas em Antônio Carlos

Na última sexta, 21 de julho, a equipe do Cepagro esteve em Antônio Carlos, na Grande Florianópolis, ministrando um seminário sobre metodologia de Hortas Pedagógicas para cerca de 70 educadoras, educadores e funcionárias da rede de ensino desse município. Estavam presentes também técnicas da Epagri e o Secretário Municipal de Agricultura, Osvaldino Gesser. A partir de agosto, o Cepagro implementará uma horta pedagógica na Escola Municipal Dom Afonso Niehues, num projeto piloto resultante de uma parceria entre Prefeitura de Antônio Carlos, Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (FATMA) e Cepagro.

O seminário começou com uma apresentação sobre o Cepagro com o diretor administrativo da organização, Rafael Beghini
A agrônoma Karina Smania de Lorenzi enfatizou o caráter interdisciplinar e pedagógico das hortas

“O objetivo da Horta na escola não é só ensinar como plantar, mas trazer uma nova ferramenta pedagógica. A Horta é como um laboratório vivo”, explicou a agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe do Cepagro, na abertura do evento. Desenvolvida ao longo de anos atuando no Programa Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia (PEHEG), a metodologia de hortas pedagógicas do Cepagro caracteriza-se por conjugar o calendário agrícola com o ano letivo, além de propiciar a abordagem de várias disciplinas no trabalho com a terra e as plantas. Compostagem e alimentação saudável também são eixos trabalhados nessa metodologia.

Ícaro Pereira, agrônomo do Cepagro, falou sobre a importância da compostagem nas escolas
A professora Enedina Maura Duarte compartilhou sua experiência com hortas pedagógicas na educação infantil

Após a apresentação da metodologia por Karina e Ícaro Pereira, também do Cepagro, a professora aposentada Enedina Maura Duarte compartilhou sua vivência como educadora que apostou nas hortas no Núcleo de Educação Infantil São João Batista, no Rio Vermelho. Ela contou que, apesar da resistência inicial da equipe da escola em implementar a horta, o envolvimento das crianças e dos seus pais e mães era gratificante. O resultado das apresentações da equipe técnica junto com a da professora não poderia ser melhor: o público pôde ter uma percepção bem apurada das transformações que acontecem no ambiente escolar a partir da horta. “Eu achei que iria ser útil pra iniciar a compostagem, já que uma porcentagem alta do lixo do nosso município pode ser compostada. Mas eu não imaginava que servia pra todas as matérias”, afirmou o Secretário da Agricultura de Antônio Carlos, Osvaldino Gesser.