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Cepagro entrega insumos para agricultura e produção artesanal em Comunidades Guarani

Em uma ação que contou com a parceira do Polo Regional da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Cepagro entregou insumos agrícolas e para a confecção da tradicional arte Guarani em três aldeias da Grande Florianópolis. A ação contou também com o apoio da Fundação Inter-Americana (IAF), da The Conservation, Food & Health Foundation e do Instituto das Irmãs da Santa Cruz, que atualmente apoia o Cepagro na execução do projeto Terra, Comunicação e Artesanato sustentáveis: iniciativas para o fortalecimento das Tekoá Guarani, com ações em três comunidades Guarani de Major Gercino e Biguaçu. 

Entre as atividades previstas no projeto está a realização de intercâmbios entre aldeias, oficinas diversas ministradas por indígenas e mutirões nas hortas das comunidades. Como o momento exige que as aldeias permaneçam isoladas, as ações foram replanejadas. A distribuição de sementes e teares foi uma das alternativas para este momento e vai de encontro a demandas colocadas pelas comunidades. Essa ação também está de acordo com os objetivos do projeto, que tem como foco a valorização cultural, geração de renda, comunicação popular e o fortalecimento da segurança alimentar nas aldeias.

No total, foram entregues 250 kg de sementes de aveia e ervilhaca, que serão usadas especialmente para adubação verde. Essa quantia possibilita a cobertura de até 3,5 hectares e será importante para a valorização e aprimoramento da produção local de alimentos. Já os 33 teares entregues irão facilitar e aprimorar a confecção de colares e pulseiras, elementos culturais Guarani e fonte de renda para muitas famílias. Estes foram fabricados pela marcenaria Arte Viva, do bairro Ratones em Florianópolis.

As terras e comunidades indígenas são um dos ambientes mais vulneráveis desta pandemia, devido à suas especificidades e modo de vida comunitário. O Coordenador do Distrito de Saúde Indígena (DSEI) Interior Sul da SESAI, Alexandre Rossettini de Andrade Costa explica que a recomendação da SESAI continua sendo o Isolamento total, “para que não saiam das aldeias e fiquem com seus familiares e dentro das suas comunidades”.

A COVID-19 tem se aproximado muito das aldeias. Na região Sul até o momento foram confirmados 206 casos entre indígenas, resultando em duas mortes. Pensando na prevenção, a equipe de Assistentes Sociais e Psicólogos da SESAI fez documento chamado Bem Viver com informações direcionada aos/às indígenas. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também recomenda que neste momento seja restrito o acesso de pessoas não autorizadas ou vinculadas aos serviços básicos de assistência a esses territórios . A organização têm exigido do governo a elaboração de um Plano de Ação Emergencial dirigido aos povos originários.

E enquanto a pandemia exige de todos paciência, cuidado e cooperação, o Cepagro segue dialogando com as comunidades e órgãos responsáveis para agir sem colocar pessoas em risco. Assim que possível, retomaremos as atividades presenciais previstas no projeto, a fim de promover e fortalecer a Agroecologia e a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional nestas comunidades.

Cepagro inicia projeto em comunidades Guarani de Biguaçu e Major Gercino

Valorização cultural, fortalecimento da segurança alimentar, geração de renda e comunicação popular. Estes são alguns dos temas que o Cepagro irá desenvolver este ano em três Aldeias Guarani da Grande Florianópolis. É o projeto Terra, Comunicação e Artesanato sustentáveis: iniciativas para o fortalecimento das Tekoa Mbya, que tem o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz. Serão rodas de conversa, capacitações, mutirões, intercâmbios, participação em feiras e atividades nas Nhembo’e (escolas Guarani).

Nas últimas semanas estivemos planejando as atividades com lideranças e professores(as) da Tekoá V’ya, em Major Gercino,  e Tekoá Yynn Moroti Werá, em Biguaçu, para que o projeto contemple as particularidades e desejos de cada comunidade. Uma demanda em comum é o apoio na organização de mulheres em torno do artesanato, com compra de materiais, intercâmbios, oficinas e rodas de conversas. 

A professora da aldeia Moroti Werá, Celita Antunes, conta que o uso de materiais sintéticos e a dificuldade em fazer o acabamento das cestarias e biojóias acabam desvalorizando o artesanato. “Seria legal aprimorar isso pra ter uma arte mais rica. Nossa ideia é desenvolver as artes, fazer um material bem acabado para valorizar o que a comunidade faz”, disse Celita. As oficinas serão ministradas pelas artesãs das comunidades e irão promover a troca de saberes entre as três aldeias. Além disso, elas participarão de feiras e outros espaços de comercialização.

Durante a visita em Biguaçu, também definimos a realização de rodas de conversa onde os Xeramoî, ou anciãos(ãs) irão compartilhar suas histórias e conhecimentos com as crianças e jovens estudantes. Prática que já é realizada de tempos em tempos na escola em Biguaçu, como nos contou o professor Daniel Kuaray, que ressalta a importância de conhecer a história para comunicar a luta e a cultura. As oficinas de comunicação popular são outra ação dentro do projeto e uma prioridade, segundo Daniel. Elas serão ministradas pelo Coletivo Mídia Índia, que capacita jovens para promover a comunicação feita por e para indígenas. 

Foto: Renata LucasOficinas sobre ervas medicinais, adubação verde e produção de alimentos também entraram para a lista de atividades desejadas. Elas irão complementar as práticas agroecológicas que já são realizada nas comunidades, como os mutirões de plantio. Na última quinta-feira, 20 de fevereiro, os técnicos da equipe do projeto, Charles Lamb e Renata Lucas, se uniram aos estudantes e professores(as) na debulha, preparo da terra e semeio da roça de milho.

A atividade foi organizada pelos(as) professores(as) e lideranças e o projeto somou esforços trazendo práticas adaptáveis como o uso do “pé de galinha” ou “aparato A”. O equipamento, construído junto com a comunidade, possibilitou adaptar o cultivo para o terreno inclinado onde está localizada a Horta da comunidade, melhorando a retenção de água e prevenindo a erosão do solo.

E se contribuímos com técnicas de adaptação do solo, aprendemos que na cosmovisão Guarani somente as mulheres semeiam e que o calendário agrícola é outro. A agricultura é de grande importância e nem tudo o que é colhido vira alimento, parte da colheita é usada em práticas tradicionais como o batismo. 

O projeto com as comunidades Guarani se concretiza depois de quase dois anos de atuação junto à Aldeia Tekoá V’ya. É um reflexo dos intercâmbios nacionais e internacionais que o Cepagro tem realizado em conjunto com organizações Latino Americanas, onde povos e comunidades tradicionais se fazem presentes. “Essa ação fortalece a missão principal do Cepagro, que é promover a Agroecologia na região da Grande Florianópolis. As comunidades guaranis são muito presentes nesta região e nos 30 anos do Cepagro, nada mais justo do que trabalhar com esse público também”, diz Charles Lamb, Coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro. As ações nas aldeias Guarani têm o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz e da Fundação Inter-Americana.