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Inscrições abertas para o 4º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana

Recentemente, Florianópolis aprovou a primeira Lei da Compostagem do Brasil, que proíbe o município de incinerar ou destinar os resíduos sólidos orgânicos a aterros sanitários. Sancionada no dia 8 de abril, a lei está em processo de regulamentação e em breve o município terá de se adaptar à nova realidade. É nesse contexto que o Cepagro realiza o 4º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana, que acontece entre os dias 27 e 30 de agosto e está com as pré-inscrições abertas.

O objetivo do curso é disseminar a compostagem como uma forma de tratamento descentralizado dos resíduos orgânicos, através da gestão comunitária, e assim reduzir o volume enviado a aterros sanitários. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os resíduos orgânicos representam metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil e, segundo dados da Comcap/Prefeitura Municipal, Florianópolis gera uma média de 17,5 mil toneladas de resíduos sólidos por mês. Esse montante é enviado para o aterro sanitário em Biguaçu pelo valor aproximado de R$ 150,00 a tonelada, ou seja, mais de R$ 2 milhões por mês. Em Florianópolis, além de reduzir o impacto ambiental, o tratamento de todo o resíduo orgânico representaria uma economia de aproximadamente R$ 1 milhão de reais por mês.  

O Curso é gratuito e voltado para lideranças comunitárias, educadores/as e gestores/as públicos/as de todo Brasil. Os participantes irão aprender a compostagem na teoria e na prática, além de construir coletivamente planos de gestão de resíduos para suas comunidades. Na programação está prevista ainda a realização do Seminário Desafios e oportunidades na implantação da Lei da Compostagem em Florianópolis e duas visitas a experiências de gestão comunitária de resíduos, a Revolução dos Baldinhos, no Monte Cristo, e a Horta Comunitária e Pedagógica do Pacuca, no Campeche.

O curso será ministrado pela equipe técnica do Cepagro, com participação de palestrantes convidados, como o professor Rick Miller, Doutor em Ecologia Agrícola pela Universidade da Califórnia e professor do Departamento de Engenharia Rural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Rick Miller é referência no Método UFSC de compostagem, que representa uma solução ambientalmente adequada e de baixo custo para o tratamento de resíduos orgânicos.

As pré-inscrições estão abertas através do formulário: bit.ly/curso_compostagem_cepagro e podem ser feitas até o dia 26 de julho. A depender do número de inscritos será feita uma seleção privilegiando o público alvo: lideranças comunitárias, educadores/as e gestores/as públicos/as. Para mais informações, escreva para compostagem@cepagro.org.br.

Serviço

O que: 4º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana

Quando: 27 a 30 de agosto de 2019

Onde: Jardim Botânico, rodovia Admar Gonzaga – 742, Itacorubi, Florianópolis – SC

Contato: compostagem@cepagro.org.br.

 

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Cepagro realiza minicurso de compostagem para pós-graduandos da UFSC

Na última quinta-feira, 6 de junho, o Cepagro realizou um minicurso de compostagem para graduandos e pós-graduandos da Universidade Federal de Santa Catarina. O minicurso facilitado pela agrônoma do Cepagro, Aline de Assis, integrou a disciplina de Planejamento urbano e conservação ambiental do Programa de Pós-Graduação do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, ministrada pela professora Soraya Nor.

O minicurso foi dividido em dois momentos: uma parte teórica, onde Aline de Assis apresentou os diferentes modelos de compostagem e falou sobre os decretos e leis existentes que estabelecem normas para a gestão de resíduos orgânicos em Florianópolis. E a parte prática, onde as/os estudantes construíram uma composteira no método UFSC de compostagem.

Para mostrar o potencial urbano da gestão de resíduos, Aline trouxe alguns exemplos de trabalhos que o Cepagro vem realizando em São Paulo. Hoje, a metrópole conta com cinco pátios de compostagem assessorados por nossa equipe. Juntos, os pátios recebem resíduos orgânicos de 152 feiras, o que corresponde a 17% das feiras da capital. Além dos pátios, também existe a possibilidade de trabalhar a gestão comunitária de resíduos urbanos, como foi feito em alguns empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida.

Em seguida, Aline apresentou dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento que demonstram que em 2017 o Brasil produziu cerca de 60,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (produzidos por domicílios, restaurantes, feiras e podas urbanas). Em Florianópolis são cerca de 209.318 toneladas/ano, sendo que pelo menos 50% desse montante é orgânico e, portanto, passíveis de compostagem.

Segundo Aline, a capital catarinense já conta com políticas e programas que estabelecem incentivos para a gestão de resíduos orgânicos, como a Política Municipal de Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, o Programa Municipal de Agricultura Urbana e o Programa Florianópolis Capital Lixo Zero. No entanto, a não obrigatoriedade da compostagem dificulta a efetivação desses decretos, diz Aline.

Ao longo da sua disciplina, a professora Soraya Nor abordou a agricultura urbana e compostagem como maneiras de transformar a lógica de planejamento urbano, privilegiando os circuitos curtos e aproveitando os espaços vazios existentes no município. “A gente começou a entrar no planejamento urbano quando fomos chamados pela prefeitura de Florianópolis para lidar com os espaços vazios da cidade”, contou a professora sobre a temática da disciplina. O minicurso foi a aula de encerramento da disciplina e, segundo ela, foi muito proveitoso e complementou muito bem o que vinha sendo tratado na disciplina.

Antes de ir para a prática, Aline ainda explicou os diferentes métodos de compostagem e apresentou o método UFSC, que pode ser utilizado em pequena, média e grande escala. Utilizando apenas composto, palha e serragem, “o método possui baixo custo de implantação, não dá cheiro e gera composto com potencial para a agricultura”, explica a agrônoma.

Durante a construção coletiva da composteira, ao lado do pavilhinho do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, as/os graduandas/os e pós-graduandas/s aproveitaram para tirar as dúvidas restantes.

Cepagro apresenta compostagem no Festival Global de Inovação Social

Reunir pessoas, organizações e empresas que buscam transformar realidades: esse foi o objetivo do Festival Global de Inovação Social, que aconteceu no domingo passado, 14 de abril. O Cepagro participou do evento apresentando a compostagem, com um stand de tira-dúvidas e uma oficina.  O Festival foi promovido pela Impact Hub Floripa, uma comunidade de empreendedores/as que trabalham coletiva e colaborativamente para desenvolver ações inovadoras de impacto social.

A proposta do Cepagro de apresentar a compostagem aos/às participantes se encaixou com os objetivos do evento, que buscou diminuir sua pegada ecológica. Enquanto no stand vieram várias pessoas que não tinham muito conhecimento do processo de compostagem, na oficina pipocaram perguntas de quem já havia iniciado algum processo de compostagem ou tinha interesse no assunto.

“A forma como lidamos com os resíduos orgânicos os torna vilões. Vilões do cheiro ruim ou da sujeira”, disse o agrônomo Júlio César Maestri, da equipe Cepagro que facilitou a oficina. A separação da fração orgânica na fonte é o primeiro passo para transformar o problema dos resíduos em solução. “E a compostagem nada mais é que criar uma casa para as bactérias que vão transformar o resíduo em adubo”, explicou Júlio.

O que pode ir ou não na composteira, qual a diferença entre composteira e minhocário e os diferentes modelos de compostagem foram algumas das questões mais discutidas durante a oficina. Os 60 minutos de duração foram curtos para tirar todas as dúvidas e ainda fazer a prática de montagem da leira de compostagem, mas serviram para despertar o interesse dos/as participantes.

Uma delas foi a bióloga Renata Correia, moradora do Rio Vermelho. “Já tentei fazer minhocário e não deu certo. Ainda estou enterrando meus resíduos orgânicos. A oficina serviu para solucionar dúvidas e me deu suporte para iniciar a compostagem”, diz Renata. “Quero implantar uma agrofloresta no meu terreno”, completa.

O Festival reuniu cerca de 1.400 pessoas. A abertura contou com a participação da jornalista e vlogueira Jout Jout, que abriu sua fala chamando atenção para o privilégio – principalmente de pessoas brancas e de classe média – de ficar distraído/a da situação política. “Alguns têm o privilégio de conseguir se distrair e não prestar atenção na política, porque não vai mudar muito a sua vida”, disse. Contrastando com a maioria branca da platéia, no palco de abertura do evento estavam mais mulheres negras para falar sobre iniciativas práticas de enfrentamento ao racismo, transformação digital e discussão sobre privilégios da branquitude.

Uma foi a produtora cultural Vitorí Barreiros, CEO da start-up Expressionismo Preto, que criou um robô chamado Dandara para identificar e denunciar práticas de racismo em redes sociais, começando pelo Twitter. Luana Génot (falando na foto), diretora do Instituto Identidades do Brasil, falou sobre a campanha Sim à Igualdade Racial, que tem o objetivo de reduzir a desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro. Ela falou também sobre “ocupar espaços com mulheres e mães”, fazendo consonância com Talita Matos, gerente de comunidade do Impact Hub Floripa, que ressaltou a diferença em eventos e organizações com grande participação feminina.

Cepagro e Revolução dos Baldinhos reaplicam Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos

Desde o último domingo, 10 de fevereiro, mais 160 famílias do programa Minha Casa, Minha Vida passaram a ter um espaço correto para a destinação dos seus resíduos orgânicos. De 8 a 10 de fevereiro, o Engenheiro Agrônomo do Cepagro, Júlio Maestri e a agente comunitária da Revolução dos Baldinhos, Cíntia Aldaci da Cruz estiveram em Sorocaba para a reaplicação da Tecnologia Social em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no Conjunto Habitacional Carandá, um dos maiores empreendimentos do programa de habitação, com mais de 2.500 apartamentos. 

O Carandá está dividido em condomínios de 160 apartamentos cada. A atividade de formação e implantação das composteiras durou três dias e foi realizada no Condomínio Buriti, como um projeto piloto. Além de moradores, participaram da formação representantes do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), lideranças locais, agentes de saúde e representantes de outros condomínios do Carandá.

ideia é que o Projeto Vidas: compostagem para um mundo melhor, Carandá e Altos do Ipanema seja estendido aos demais moradores do conjunto, englobando também o Residencial Altos do Ipanema, que se encontra próximo ao Carandá.

A ação iniciou na sexta-feira,  quando o Júlio e a Cíntia fizeram a apresentação da Tecnologia Social e explicaram o passo-a-passo do processo de compostagem com a composteira televisão. No sábado, os moradores puderam confeccionar suas próprias composteiras, feitas de caixas d’água e decoradas com a ajuda das crianças.

Com as composteiras implantadas, era hora de planejar a gestão comunitária e, no domingo, os moradores e lideranças locais definiram a logística das atividades que deverão ser realizadas no pátio de compostagem. No início, 50 famílias ficarão responsáveis pela gestão e por sensibilizar mais moradores a separarem os resíduos orgânicos.

Cíntia Adalci da Cruz viu um potencial enorme na comunidade local, principalmente nas mulheres, que compareceram em peso na formação. Algumas das famílias, inclusive, já se mobilizam fazendo a triagem dos materiais recicláveis e o dinheiro da venda retorna para a comunidade: “Elas ajudaram o time de futebol com uniformes, roupas, compraram materiais de música, como tambor e violino. Então eles já têm uma organização bem legal no local. É um potencial enorme daquelas mulheres”, conta Cíntia.

É a segunda vez que a agente comunitária realiza uma formação e conta que foi realizador ver pessoas depressivas que nunca tinham saído do seu condomínio comparecendo em todos os dias de formação e participando ativamente. “Eu me senti fazendo o meu papel mesmo. Ser uma recrutadora popular e poder contribuir com outras comunidades no desenvolvimento social, econômico e pensando mesmo nessa prática para o futuro”, disse.

A ação é uma parceria entre o Cepagro, Revolução dos Baldinhos, projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (MUTS), da Fundação Banco do Brasil, Rede Interação, Mater Dei e Prefeitura de Sorocaba. E a parceria promete ainda novas frentes: na segunda-feira, Cepagro e Revolução dos Baldinhos estiveram reunidos na Secretaria de Habitação, com representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria de Água e Esgoto a fim de discutir a possibilidade de aliar a gestão dos resíduos secos, que já vem sendo feita por cerca de 50 famílias, e gestão dos resíduos orgânicos. A ideia é tornar o Conjunto Habitacional Carandá uma referência na gestão integrada de resíduos.

Cepagro e Revolução dos Baldinhos são parceiros da Prefeitura de Florianópolis em projeto de compostagem

Ana Karolina da Conceição, coordenadora comunitária da Revoluução dos Baldinhos, durante lançamento do projeto apoiado pelo MMA.

Na última sexta-feira, 8 de junho, foi lançado no Jardim Botânico o Projeto Ampliação e Fortalecimento da Valorização de Resíduos Orgânicos de Florianópolis, que ficou em 2º lugar dentre 12 cidades selecionadas pelo Ministério do Meio Ambiente no edital para projetos de compostagem de resíduos orgânicos urbanos. O Cepagro participou ativamente da construção do projeto e esteve presente na solenidade, junto com a Revolução dos Baldinhos e a Horta Comunitária do PACUCA. Marcaram presença também o Prefeito de Florianópolis, representantes da COMCAP, FLORAM, Secretarias de Saúde, Educação e Infraestrutura e SESC/SC. O agrônomo Antônio Storel Júnior, que foi coordenador de resíduos orgânicos da Amlurb (São Paulo) à época da implantação do Pátio de Compostagem do Programa Feira Livre Sustentável, que conta com assessoria técnica do Cepagro desde sua implantação, também fez uma fala durante o evento.

De acordo com Flávia Vieira Guimarães Orofino, engenheira sanitarista da COMCAP e coordenadora do projeto, o objetivo da iniciativa – que tem um orçamento total de cerca de R$ 967 mil e duração prevista de 2 anos – é desviar resíduos orgânicos do aterro sanitário, através da distribuição de composteiras domésticas, coleta porta-a-porta em bairros piloto (Monte Verde e Itacorubi), além do apoio a grupos comunitários (Revolução dos Baldinhos e PACUCA) e a a instalação de outros 5 pátios de compostagem institucional, a cargo da COMCAP e FLORAM. “Com os grupos comunitários, o desafio é a sustentabilidade financeira”, explica Flávia Orofino. “Por isso iremos fazer um estudo em parceria com a Revolução dos Baldinho para verificar a viabilidade de remunerá-los a partir do Pagamento por Serviços Ambientais Urbanos (PSAU). Ao final do projeto, esperamos colocar o PSAU em prática”, afirma a engenheira sanitarista. Enquanto isso, o grupo comunitário d da Revolução receberá 2 bolsas no valor de 1 salário mínimo para continuar as atividades durante 18 meses.

“A gente não quer que a Revolução fique só na Chico Mendes, mas que vá pra todo Brasil. E o pagamento por serviços ambientais é uma alternativa para que várias comunidades possam fazer sua Revolução também”, disse o coordenador do eixo urbano do Cepagro Júlio Maestri durante o Seminário. O Cepagro ficará responsável pelas formações em compostagem no projeto apoiado pelo MMA, considerando os mais de 10 anos de experiência em gestão de resíduos orgânicos da organização. Júlio apresentou esse histórico da atuação do Cepagro em compostagem: desde o Projeto Família Casca, passando pela Revolução Dos Baldinhos, Programa Educando com a Horta Escolar, reaplicação da tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil e os cursos de gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana.

Em 10 anos de atuação na comunidade Chico Mendes, a Revolução dos Baldinhos já reciclou e desviou do aterro sanitário centenas de toneladas de resíduos orgânicos da comunidade, de acordo com Ana Karolina da Conceição, coordenadora comunitária da Revolução. Somente entre 2009 e 2013 foram 437 toneladas de resíduos transformadas em adubo, resultando numa economia de R$ 137 mil aos cofres públicos, de acordo com a pesquisa de mestrado do agrônomo Marcos José de Abreu, um dos fundadores do projeto. Nos anos seguintes, a Revolução manteve uma média de compostagem de 6 toneladas de resíduos por mês, resultando em cerca de outras 300 toneladas de resíduos desviados do aterro entre 2013 e 2018. Considerando a média de R$ 148/tonelada enviada ao aterro, seriam outros R$ 44 mil reais economizados. Além de coletar orgânicos e fazer a compostagem, a Revolução também transforma óleo de cozinha em sabão e coleta roupas usadas para um brechó comunitário onde a peça mais cara custa R$ 5. “Nós somos o meio ambiente, então temos que voltar a participar desse circuito”, disse Ana Karolina da Conceição durante o Seminário.

Revolução dos Baldinhos e Cepagro falam sobre compostagem em Santos (SP)

A coordenadora comunitária da Revolução Ana Karolina da Conceição e o agrônomo Júlio Maestri, da equipe do Cepagro, participaram no último sábado (12 de maio) da OCUPAÇÃO VERDE, uma série de encontros do SESC Santos (SP) que traz “reflexões e práticas sobre ocupações de espaços públicos baseadas na cultura da sustentabilidade”. Na roda de conversa sobre “Compostagem Urbana Descentralizada”, Júlio e Karol falaram sobre a experiência da Revolução, “tentando motivar na cidade de Santos algumas ações”, afirma Júlio. O evento reuniu professores, representantes do poder público e moradore/as de comunidades diversas.

Santos foi uma das cidades selecionadas no edital de Apoio a Projetos de Compostagem do Ministério do Meio Ambiente. A formação com as 12 prefeituras selecionadas aconteceu em Florianópolis em meados de abril, e incluiu uma visita à Revolução (foto abaixo).

Lúdica, didática e comunitária: Gestão de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no Curso do Cepagro

Realizado de 20 a 23 de novembro, o III Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana contou com a participação de mais de 40 pessoas, entre estudantes, representantes do poder público, lideranças comunitárias, educadores e educadoras e também jornalistas de vários municípios de Santa Catarina e de outros estados. Mais do que ensinar a fazer compostagem, o Curso teve o objetivo de compartilhar experiências e conhecimentos em rodas de conversa e visitas de campo para fomentar a Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos em outros contextos, de acordo com o coordenador do eixo urbano de projetos do Cepagro, Júlio César Maestri. O Curso foi promovido pelo Cepagro e FAPESC, em parceria com a UFSC, FATMA e COMCAP.

Abordar a compostagem de forma lúdica e criativa foi a atividade de abertura do Curso, no Jardim Botânico do Itacorubi. Com muitxs educadoras e educadores entre os participantes, o agrônomo Júlio Maestri explicou não só o passo-a-passo da compostagem e listou os materiais necessários, mas trouxe várias dicas para trabalhar o tema em contextos educacionais e comunitários. Com a TV Composteira – uma caixa de madeira com uma das paredes feita de vidro – é possível visualizar e entender como funciona o processo de transformação de resíduos orgânicos em adubo.

Na parte da tarde, os/as participantes montaram uma leira de compostagem no Centro de Valorização de Resíduos Orgânicos do Jardim Botânico de Florianópolis. Com a orientação dos engenheiros agrônomos Júlio MaestriAline Assis e Guilherme Bottan, a turma colocou a mão na palha, nos resíduos, na serragem e no composto, aprendendo na prática o passo a passo das camadas da leira e os cuidados na sua manutenção. 

O segundo dia de atividades foi dedicado às visitas de campo: Revolução dos Baldinhos na parte da manhã e Horta Pedagógica e Comunitária do Pacuca, no bairro Campeche, à tarde. “Os visitantes conheceram a comunidade e o rotina dos agentes comunitários, visitando os pontos de separação direta na fonte pela comunidade e a agrofloresta da Margarida dos Santos na beira da BR”, conta a agente comunitária Cíntia Aldaci Cruz. “Descobrindo que não existem lugar certo pra plantar, a gente é que faz! Também participaram da prática no Pátio de Compostagem, tirando duvidas e aprimorando conhecimentos”, completa. 

Já no Sul da Ilha, na Horta Comunitária do PACUCA, o grupo foi guiado pelos voluntários Bianca Pulice e David Soares, conhecendo as leiras de compostagem que recebem resíduos orgânicos do bairro e os canteiros de hortaliças, legumes e ervas medicinais, cultivados de forma agroecológica e seguindo princípios de consórcios entre as plantas. De acordo com Ataide Silva, uma das lideranças da iniciativa, a compostagem do Pacuca recebe em média 2 toneladas de resíduos orgânicos por semana, chegando a produzir 70 toneladas de adubo por ano. Todo o trabalho que move a Horta do Pacuca é realizado por cerca de 10 voluntários, que desde 2015 vêm transformando aquele terreno na Rua da Capela com muito trabalho, carinho e amor pela terra, como afirmou o guardião Anilton Bardança.

Na quarta-feira, 22 de novembro, o Curso abriu as portas para o público em geral, durante o Seminário INTEGRANDO REVOLUÇÕES, que trouxe para o Jardim Botânico a Revolução dos Baldinhos e outras duas experiências inspiradas por ela: a Revolução de Macaíba (RN) e a Cooperativa de Resíduos Orgânicos de Paragominas (PA). 

 

 

O Curso terminou com a elaboração de planos de ação em gestão de resíduos orgânicos para as diversas localidades presentes. Demandas de grupos que gostariam de iniciar planos e as vivências de projetos já consolidados foram intercambiadas na vivência.