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Cepagro convida para Seminário sobre Compostagem no início de julho

O Seminário A Compostagem de Pequeno Porte como Solução para os municípios de Santa Catarina acontece no dia 3 de julho, no Auditório Antonieta de Barros da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Promovido em parceria pela Fapesc, Cepagro, Comcap, Fapesc e Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF-UFSC), o evento marca o lançamento da publicação Critérios Técnicos para Elaboração de Projeto,Operação e Monitoramento de Pátios de Compostagem de Pequeno Porte, elaborado por essas instituições. O evento é gratuito e aberto ao público.

Na programação, haverá também painéis sobre Experiências de Gestão de Resíduos Orgânicos e também da Política Nacional de Resíduos Sólidos e iniciativas no Estado de Santa Catarina, com representantes do Ministério do Meio Ambiente, da Prefeitura Municipal de Florianópolis e do Ministério Público de Santa Catarina. Além disso, o professor Rick Miller, do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, falará sobre o Método UFSC de Compostagem.

 

Para participar, faça sua inscrição pelo email seminariocompostagem@gmail.com.

PROGRAMAÇÃO

8h – Recepção
8h30 – Abertura
09h30 – O Método UFSC de Compostagem –
Prof. Rick Miller
Depto. Eng. Rural CCA/UFSC
10h – Experiências de Gestão de Resíduos Orgânicos
– Projeto Família Casca – Silvane Dalpiaz do Carmo /Floram
– SESC Cacupé – Renato Trivella
– Centro de Valorização de Resíduos e Jardim Botânico – Flávia Vieira
Guimarães Orofino/COMCAP
– Revolução dos Baldinhos – Ana Karolina da Conceição, Cíntia Cruz e Rose Helena de Souza.
– Feiras Sustentáveis: São Paulo – Eugênia Gaspar da Costa/INOVA
12h – Almoço
13h30 – Painel: A Política Nacional de Resíduos Sólidos e iniciativas no Estado de Santa Catarina
– Lúcio Proença – MMA: A PNRS e a Compostagem;
– Paulo Locatelli – MP/SC: Programa Lixo nosso de cada dia;
– Elsom Bertoldo Passos – Sec. Habitação/Prefeitura Municipal de
Florianópolis: Plano Municipal de Gestão de Resíduos.
15h30 – Lançamento do Boletim Técnico: “Critérios técnicos para
elaboração de projeto, operação e monitoramento de pátios de
compostagem de pequeno porte”
16h30 – Lançamento do Vídeo:
“Revolução dos Baldinhos: o Modelo de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana” – Projeto FAPESC
17h00 – Encerramento

 

 

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Cepagro participa do Seminário “Desafios Socioambientais Contemporâneos” em São Paulo

O coordenador de Agricultura Urbana do Cepagro, Júlio César Maestri, participa nesta 5ª e 6ª (1 e 2 de junho) do seminário Diálogos sobre os Desafios Socioambientais Contemporâneos, promovido pelo SESC Vila Mariana, em São Paulo. Júlio abordará a experiência do Cepagro em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no painel  Novos Arranjos Econômicos-Tecnológicos.

O seminário propõe abordar o avanço da crise ambiental planetária a partir de uma dupla perspectiva: a compreensão do problemático contexto atual e a apresentação de caminhos teóricos e práticos que já estão em curso para minorar os impactos ambientais e construir um planeta mais sustentável e equânime. Para tanto, especialistas de várias áreas do conhecimento tratarão do tema, que é por definição transdisciplinar, ao traçar um panorama do contexto socioambiental contemporâneo, discutir a natureza como bem público e a apropriação do patrimônio ambiental como mercadoria, o caráter econômico e tecnológico envolvidos nas discussões sobre sustentabilidade, e esforços realizados para promover a educação ambiental e a influência nas políticas públicas.
(informações do SESC/SP)

Revolução dos Baldinhos lança campanha de financiamento coletivo

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Referência nacional em gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana, a Revolução dos Baldinhos busca agora o apoio da população em geral para manter suas atividades em 2017. Com a finalização dos projetos que a financiavam e ainda esperando receber uma remuneração do Poder Público pelos serviços ambientais prestados, a Revolução – que mensalmente recicla toneladas de resíduos orgânicos na Comunidade Monte Cristo, em Florianópolis – lançou na última 2ª feira, 16 de janeiro, uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar 60 mil reais, necessários para subsidiar as atividades do grupo comunitário durante pelo menos 6 meses. A campanha, disponível no link juntos.com.vc/baldinhos, fica no ar até o dia 17 de março.

O processo de cadastro e doação é fácil e prático, dura menos de 10 minutos. A equipe do Cepagro está toda mobilizada para colaborar na iniciativa, e conta com o apoio de todxs amigxs, parceirxs e entusiastas da Revolução dos Baldinhos para não deixar o projeto morrer. Que tal começar 2017 contribuindo com a agricultura urbana?

Saiba mais sobre a campanha neste vídeo. A REVOLUÇÃO AGRADECE!

Revolução dos Baldinhos segue como exemplo de gestão de resíduos orgânicos

No artigo publicado na Revista Ciência e Cultura, intitulado “Fechando o ciclo dos resíduos orgânicos: compostagem inserida na vida urbana”, os agrônomos Marcos José de Abreu e Thais Menina de Siqueira afirmam: “De fato, a Revolução dos Baldinhos também nos ensina isto: orientada com base em envolvimento comunitário, a gestão descentralizada de resíduos orgânicos pode ser utilizada como ferramenta para promover saneamento, saúde pública, agricultura urbana e capital social em ambientes urbanos vulneráveis”.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

 

Começa a articulação da Rede Municipal de Agricultura Urbana

Lideranças comunitárias, membros de coletivos, educadores, estudantes, agrônomos, profissionais da Saúde e Assistência Social, terapeutas, empreendedores, agricultores urbanos. Tal diversidade de atores é representativa da variedade de experiências que passam a reconhecer-se e articular-se mutuamente através da Rede Municipal de Agricultura Urbana, formada durante um encontro realizado no último sábado, 8 de agosto, no Camping do Rio Vermelho. Quase 100 pessoas estiveram reunidas para a formação da Rede, que busca dar visibilidade e reconhecer  social, política e juridicamente as iniciativas de Agricultura Urbana em Florianópolis.  Dentre os principais encaminhamentos da reunião, ficou decidida a realização de um Encontro Estadual de Agricultura Urbana nos dias 26 e 27 de setembro, no Camping do Rio Vermelho.

DSC_0125 “A Agricultura Urbana é mais do que buscar uma alimentação saudável. Representa uma tecnologia para concretizar uma noção de cidade sustentável, justa e saudável”, disse o médico Leandro Pereira Garcia, diretor de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, que fez a primeira explanação durante o encontro. A partir do exemplo da formação da Rede Vida no Trânsito, que congrega 35 organizações que trabalham de forma integrada para reduzir a violência na ruas e estradas florianopolitanas, ele mostrou o passo-a-passo da construção de um coletivo articulado desta maneira. As etapas envolvem a formação de parcerias, o levantamento de informações e o desenho e execução de ações integradas.

Outra rede tomada como parâmetro durante o encontro foi a Rede Ecovida de Agroecologia, apresentada pelo engenheiro agrônomo Marcos José de Abreu, coordenador do eixo urbano do Cepagro e presidente do CONSEA/SC. “Por muito tempo a Rede não tinha nem ordenamento jurídico, mas já existia o reconhecimento mútuo entre os agricultores”, afirmou. O fortalecimento desta trama não só traz suporte e apoio para os agricultores, como também subsídios para a construção de políticas públicas. “A certificação participativa é um exemplo de iniciativa autônoma dos agricultores que agora é regulamentada”, explicou Marcos, referindo-se ao reconhecimento do Sistema Participativo de Garantia na Lei 10.831, que regulamenta a produção orgânica.

DSC_0132 A Rede Municipal de Agricultura Urbana surge após este eixo de trabalho ser desmantelado no Ministério de Desenvolvimento Social e num momento em que se discute não só a possibilidade e a necessidade de produzir alimentos dentro das cidades, mas a própria finalidade dos espaços urbanos. Questões como o acesso à terra e aos recursos naturais e a promoção da agricultura urbana como alternativa em situações de crise econômica entrelaçaram-se na fala da docente Juliana Luiz, membro do Coletivo Nacional de Agricultura Urbana. Para mostrar como a AU representa um rompimento de paradigmas e o enfrentamento de questões complexas, ela apresentou 3 experiências: a da Rede Carioca de Agricultura Urbana, da Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana e da Rede Portuguesa de Agricultura Urbana e Periurbana. “Já podemos dizer que a Agricultura Urbana é um movimento social nacional. Nossa batalha é aprofundar as relações em rede e romper com o estatuto precário da Agricultura Urbana”, disse Juliana, que considera que “já existe muito trabalho sendo feito, mas que não é reconhecido”. DSC_0116 DSC_0158 Antes de seguir na luta por reconhecimento externo, é necessário conhecer-se mutuamente. Para que isto acontecesse de forma lúdica e ativa, os participantes do encontro compartilharam um pouco de suas experiências em uma dinâmica animada pelo biólogo André Ganzaroli Martins, da equipe do Camping. Dispostas em círculo, quase 100 pessoas tramaram a articulação da Rede utilizando um simples rolo de barbante. Mesmo com alguns nós e tensões, o objetivo era comum: a promoção da Agricultura Urbana como forma de desenvolvimento social.

Esta discussão será aprofundada durante o Encontro Estadual de Agricultura Urbana, que será realizado nos dias 26 e 27 de setembro, no Camping do Rio Vermelho. Além do amadurecimento do debate, nesse momento também serão escolhidos os delegados para participar do Encontro Nacional de AU, que será em outubro, no Rio de Janeiro.

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Para avançar, compostagem comunitária tem que ser incluída nos orçamentos dos municípios

por Fernando Angeoletto – coordenador de comunicação do Cepagro

Não são ideias novas nem a gestão comunitária de resíduos, nem a prática de compostagem como tratamento das sobras orgânicas. No entanto, o que faz da Revolução dos Baldinhos um marco, a ponto de ser adotada como bandeira por coletivos de todo o país que participaram da Formação em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos, pode ser resumido em uma palavra: persistência.

Completando seus 7 anos em 2015, este modelo de compostagem comunitária e agricultura urbana reverbera fortemente Brasil afora, embora enfrente dificuldades que por si só explicam a fragilidade de iniciativas que enfrentam o lucrativo e ineficiente, ao menos do ponto de vista ambiental, negócio do mercado do lixo.

Historicamente incubada por projetos, a revolução hoje pavimenta o caminho de se estabelecer como associação comunitária, com a missão de sensibilizar famílias para separação dos resíduos orgânicos, coletá-los e processá-los, gerando recursos com a venda do produto final. Uma solução aparentemente simples, mas que demandou muito empenho na mediação de conflitos e modelagem do plano de negócios, com a indispensável colaboração da ITCP/Univali, em um processo que deve ser concluído até o meio do ano.

Ainda assim, a iniciativa tem diante de si  2 pesados obstáculos : a negativa do poder público em manejar o orçamento municipal e destinar verbas ao pagamento de serviços de limpeza pública realizados pela comunidade (enquanto a empresa contratada diretamente pela prefeitura recebe cerca de R$ 120 por tonelada de lixo enviado aos aterros), e a falta de um terreno adequado para a prática do compostagem.

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Todos estes aspectos foram discutidos nos últimos dias da Formação, preparando os participantes à formulação de novos planos de gestão comunitária em cidades e comunidades distintas, uma das metas conclusivas do Curso. Na quinta (26/03) de tarde, após apresentação sobre os múltiplos usos pedagógicos da compostagem por Júlio Maestri (agrônomo) e André Martins (biólogo), e sobre experiências comunitárias de gestão de resíduos na Índia, França e Brasil pelo doutorando em Gestão Marc-Antoine Diego Guidi, o grupo comunitário da Revolução dos Baldinhos fez uma palestra aos participantes.

O tom foi de estímulo ao debate, com encaminhamentos coletivos em torno de apoiar a prática e fazer incidência política para a sua incorporação nas agendas legislativas municipais. O principal compromisso assumido foi a elaboração de um crowdfunding, buscando fundos para a sobrevida do projeto mas, acima de tudo, fortalecendo a bandeira como forma de pressão política. “Na lei dos resíduos sólidos já está bem explícito que os municípios devem se articular para contratar cooperativas de materiais recicláveis sem licitação, para coletar, processar e comercializar as sobras. Devemos evoluir este mesmo tipo de entendimento aos resíduos orgânicos”, analisa o analista ambiental Lúcio Proença Costa, do Ministério do Meio Ambiente.

Na sexta pela manhã, foi a vez da visita de campo à Revolução dos Baldinhos. Na Escola América Dutra, onde é feita a compostagem, os participantes vivenciaram parte da rotina do grupo comunitário: viraram mais de 30 bombonas de resíduos sobre a “cama” de galhos e serragem, incorporam-no ao inoculante (adubo já pronto, carregado de fungos e bactérias que são vetores microbiológicos do método), cobriram com mais serragem e grossa camada de palha, montando uma extensa leira de compostagem esculpida a muitas mãos.

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Em seguida viram em funcionamento a máquina que separa o adubo em distintas granulometrias, do mais fininho, excelente para criação de mudas, ao mais grosso, útil para aterrar e elevar os canteiros de hortas.DSC_1886

Por fim, conheceram um importante parceiro do projeto, o Lar Fabiano de Cristo, que faz atendimentos familiares e atividades no contraturno escolar abarcando mais 700 moradores da comunidade. Com uma ampla área verde nos fundos do terreno, o Lar avalia a possibilidade de receber um pátio de compostagem para fortalecimento da Revolução e expansão do projeto à comunidades vizinhas.

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Na tarde de sexta, os cerca de 40 participantes foram divididos em 6 grupos, para a formulação de planos de gerenciamento comunitário de resíduos. “A Revolução dos Baldinhos começou de modo empírico, mas agora temos um fluxograma de acontecimentos que pode ter analogias com outros processos novos”, explica o agrônomo Marcos José de Abreu, um dos idealizadores do projeto. Como subsídio à atividade, foi disponibilizado um material listando as várias etapas de construção do método: criação dos grupos executivo e comunitário, boas práticas no tratamento dos resíduos, prospecção e escolha de terreno, compromissos e rotinas de trabalho, equipamentos mínimos, etc.

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O grupo que formulou o plano para o bairro Rio Vermelho

O resultado foi a elaboração dos planos para a Comunidade Quilombola Vidal Martins, no entorno do Parque Municipal do Rio Vermelho (Florianópolis), Comunidade da Grota, vizinha à Revolução dos Baldinhos (Florianópolis), Território do Baixo Onça (região periférica de Belo Horizonte-MG), Maciço do Morro da Cruz (Florianópolis), Bairro Rio Vermelho (Florianópolis) e comunidade União Vila Nova (bacia do rio Tietê na grande São Paulo). Em breve, a minuta dos planos será disponibilizada aqui.

Agricultura Urbana no mundo e no Brasil

Juliana Torquato Luiz, doutora pela Universidade de Coimbra e articuladora de Agricultura Urbana em parceria com o Cepagro, contribuiu com um panorama sobre o tema na manhã de sábado. A pesquisadora alerta que 60 a 80% do orçamento de famílias pobres é gasto com alimentação (segundo IOP, 2014 e FAO, 2008). Embora invisibilizada, a prática de produzir alimentos em áreas urbanas e periurbanos envolve no mundo 800 milhões de agricultores, atingindo 15 a 20% da produção de vegetais e carnes. Os números refletem ainda o grave problema da falta de acesso à terra, já que 80% dos terrenos cultivados não são legalizados.

Estas e outras questões transversais são debatidas no âmbito de um Grupo de Trabalho (GT) do CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional). “No GT também realizamos um mapeamento colaborativo, não como mera localização, mas para ser um instrumento de qualificar e dar visibilidade às experiências em Agricultura Urbana”, explica Juliana. Recentemente, o Ministério do Desenvolvimento Agrário sinalizou o acolhimento do tema em suas pautas de trabalho. “É uma luzinha verde apontando para a integração com as políticas públicas, uma frente que a gente está batalhando há tempos”, conclui.

Compostagem é abordada na teoria e na prática em curso organizado pelo Cepagro

texto e foto – Carú Dionísio

Da história da convivência humana com seus detritos a uma visita ao Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos da Comcap, os participantes da 1ª Formação em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos que acontece durante esta semana no Camping do Rio Vermelho tiveram um contato teórico e prático com a compostagem, visitando experiências de pequena, média e larga escala. Além de conhecerem mais sobre o processo de decomposição da matéria orgânica e sua aplicação no Brasil e em outros países, eles visitaram os pátios do Camping do Rio Vermelho, na 3ª feira, e os da Comcap, do Parque Ecológico do Córrego Grande (foto) e do SESC Cacupé, na 4ª. Os três últimos foram percorridos com o apoio logístico da Superintendência Federal no Estado de Santa Catarina do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Nesta 6ª, a saída de campo terá como destino a Revolução dos Baldinhos.

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A diferença entre “resíduo” – o que ainda pode ser reaproveitado ou reciclado – e “lixo” –  que não tem mais nenhum aproveitamento – foi um dos tópicos abordados pelo engenheiro agrônomo Camilo Teixeira, da equipe técnica do Camping do Rio Vermelho, na palestra introdutória sobre compostagem que ele ministrou durante o curso.  “Mas a própria legislação não abarca ainda esta diferenciação”, afirmou, lembrando como alguns textos legais ainda falam em “lixo orgânico”. Entretanto, como explicou o agrônomo Júlio Maestri na sequência: “Podemos tratar o resíduo como matéria prima, que ainda pode ser transformada”.

Se esta lógica fosse colocada em prática, a quantidade de “lixo” que circula em caminhões pelas cidades poderia cair pela
metade, já que cerca de 51% do montante que chega atualmente aos aterros brasileiros é constituído de matéria orgânica. Misturados a lâmpadas quebradas, pilhas vencidas, restos de produtos de limpeza e lixo hospitalar – dentre outras centenas de tipos de rejeitos contaminantes – os resíduos orgânicos em processo de decomposição tornam-se poderosos agentes diluidores de metais pesados e outras substâncias tóxicas. Resultado: emissão de gases e efluentes líquidos poluentes, com impacto socioambiental profundamente negativo nas comunidades do entorno dos aterros, além da atmosfera e dos lençóis freáticos.

A técnica em produção orgânica Diana Masis, da Costa Rica, cobre a leira com serragem durante uma das vivências práticas da Formação

Junto a folhas secas, serragem, capim, palhada, bactérias, minhocas e fungos, contudo, os mesmos resíduos são transformados em adubo, a partir de um processo com mínimo impacto ambiental quando feito corretamente. Estimulando a vida, a compostagem pode então ser feita por tempo indefinido num mesmo espaço; já um aterro tem prazo de utilidade determinado, demandando uma contínua expansão de área.

O tratamento local dos resíduos também pode gerar uma reflexão social sobre a própria geração deles e o desperdício, comentou a agrônoma Mônica Auga, que está participando da Formação. “Quando você está vendo o lixo, passa a refletir, questionar. A partir daí é que pode sair uma mudança”, disse.

Os participantes não perderam nenhum detalhe das apresentações

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Do papel à prática, após as exposições da equipe Técnica, o grupo visitou as leiras de compostagem do Camping do Rio Vermelho, onde é tratado o resíduo orgânico gerado pelo restaurante e pelos campistas. Durante os três meses da temporada de verão, 8 toneladas de material foram recebidas ali. Na vivência, os participantes montaram uma leira para depositar os resíduos produzidos durante os primeiros dias da Formação, contando com o apoio dos agrônomos Guilherme Bottan e Ícaro Pereira e do biólogo André Ganzaroli Martins.

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???????????????????????????????Leira quente, compostagem bem feita: a geração de calor é um dos principais meios de verificar se a decomposição da matéria orgânica está funcionando ou não. Isso porque ela é feita por bactérias chamadas aeróbicas, que precisam de ar para viver. A atividade delas aumenta a temperatura e acelera a transformação dos resíduos em composto.

???????????????????????????????Na 4ª feira, após uma apresentação sobre a compostagem institucional com os agrônomos Marcos José de Abreu e Victor Elias, o grupo partiu para as visitas aos pátios de compostagem de médios e grandes geradores. A primeira parada foi o Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos (CTRes) da Comcap, com o acompanhamento da engª sanitarista Rita de Cássia Rodrigues, gerente da divisão. Através de uma parceria com a Associação Orgânica, em janeiro deste ano foi feito um pátio de compostagem no CTRes com 6 leiras de 30 metros de comprimento por 4 metros de largura, que atualmente recebem 3 toneladas diárias de resíduos orgânicos coletados em 20 pontos, entre restaurantes, hotéis e mercados. “Os grandes geradores são o nosso foco”, afirmou o agrônomo Gerson ???????????????????????????????Konig Júnior, membro da Associação que coordena a coleta dos resíduos e a operação das composteiras. “Os pontos de coleta surgiram da demanda da Associação de ter material para tratar e dos geradores de tratarem seus resíduos”, explicou. Complementando o ciclo das matérias orgânicas urbanas, a compostagem também atende à necessidade da própria Comcap de destinar corretamente os resíduos das podas de árvores e cortes de grama da cidade, que são triturados no CTRes e servem para estruturar e manter a aeração das leiras de compostagem.

O próximo pátio visitado, no Parque Ecológico do Córrego Grande, tem proporções menores, mas representa uma importante ferramenta de educação ambiental. Atendendo à população do bairro, que traz os resíduos para um Ponto de Entrega Voluntária (PEV) instalado na entrada do Parque, a compostagem realizada ali faz parte do Projeto Família Casca, administrado pela ??????????????????????????????????????????????????????????????Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram). Complementando o processo realizado em 10 leiras, são usados também 3 minhocários. “O resíduo fica 2 meses na composteira e 1 mês no minhocário”, explicou o engº ambiental Gilberto Napoleão, assessor técnica da Diretoria de Gestão Ambiental da Floram. Ele conta que o processamento feito pelas minhocas melhora a qualidade do adubo, que depois pode ser recolhido gratuitamente pela comunidade. Como as “ajudantes” da compostagem se multiplicam embaixo da terra rica em matéria orgânica, também acabam sendo distribuídas para os moradores que desejam ter um minhocário em sua casa ou apartamento.

???????????????????????????????Voltando às grandes escalas, o roteiro da saída de campo foi finalizado no pátio do SESC Cacupé, que contou com a assessoria da equipe da Revolução dos Baldinhos para sua instalação, em 2012. Integrada ao programa de educação do SESC, a compostagem está ligada a outras políticas de mitigação de impacto ambiental e eficiência energética da instituição. As leiras recebem entre 800kg e 1 tonelada de resíduos diários, vindos dos restaurantes de 4 unidades: Cacupé, Prainha, Estreito e Balneário Camboriú. De acordo com o agrônomo Alexandre Cordeiro, que recepcionou o grupo, a compostagem necessita de manutenção diária, realizada por pelo menos 3 trabalhadores. O adubo produzido é distribuído gratuitamente e ???????????????????????????????também usado em um viveiro de mudas de plantas comestíveis e ornamentais.

Na 5ª feira de manhã os participantes fizeram uma avaliação coletiva das visitas, compartilhando suas impressões. Entre sugestões, críticas e elogios às práticas visitadas, a ideia de incentivar os participantes da Formação a colocar a mão na composteira e visitar experiências diversas foi vista positivamente. A engenheira florestal Layse Ennes, da prestadora de serviços HortiNutri, de Brasília, é um exemplo. Ela destacou o trabalho da Associação Orgânica no pátio da Comcap, manejando os resíduos de grandes geradores e gerando caminhões de adubo: “Isso era algo que eu nem viabilizava. Foi um ganho ver a coisa de forma tão viável”. Além disso, “ver a educação ambiental sendo trabalhada dentro de um parque ecológico na cidade, onde as pessoas podem entregar seus resíduos orgânicos e coletar adubo, e contagiar os outros que passam por ali, também foi muito marcante”.