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Trocas de ramas, conhecimentos e causos marcam 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha

Realizado durante a já tradicional Feira da Mandioca de Imbituba, o 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha aconteceu no último domingo, 22 de julho, reunindo famílias engenheiras de Florianópolis, Angelina, Palhoça, Garopaba no engenho da ACORDI (Associação Comunitária Rural de Imbituba), cuja comunidade também participou do evento. Além de desfrutar das belas paisagens, conhecer o histórico de luta da Comunidade Tradicional dos Areais da Ribanceira e saborear o almoço da roça, as/os participantes trocaram sementes, mudas, ramas de mandioca e aipim e claro, muitos causos, experiências e saberes. O Cepagro participou na articulação e cobertura do evento.

Veja a matéria completa na página da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha.

 

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Cepagro participa na articulação de rede agroalimentar com LACAF-UFSC e Slow Food

Durante o Encontro de Construção de Mercados realizado na última 5ª feira (28 de junho) no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, o Cepagro esteve presente para colaborar na construção de uma rede agroalimentar que articula ações e atores sociais em torno da produção, comercialização e abastecimento de alimentos bons, limpos e justos na Grande Florianópolis. A atividade integra o Projeto Alimentos Bons, Limpos e Justos, coordenado pelo Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar da UFSC em parceria com o Movimento Slow Food, com apoio da Secretaria Especial da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD/UFSC) e é uma continuação do Seminário realizado em abril deste ano que teve o mesmo foco: construção social de mercados. Do Cepagro, participaram Erika Sagae e Eduardo Rocha, técnicos do projeto Consumidorxs e Agricultorxs em Rede (apoiado pela Misereor) e integrantes da Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana e do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional e Sustentável de Florianópolis, respectivamente. O técnico da Epagri de Major Gercino Remy Simao e a presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais do município Marlene Fuck também compareceram, assim como a assessora Letícia Barbosa, do gabinete do vereador Marquito (PSol), além de estudantes e militantes do Movimento Slow Food.

A rede busca atender uma demanda de articular produtores e consumidores de alimentos, assim como organizações e entidades de apoio. “A gente percebe que de um lado o produtor não tem relação mais direta com consumidor, que por sua vez não percebe a dificuldade que é pro alimento chegar à cidade”, explica Erika Sagae. Apesar de ainda estar em construção, já tem alguns princípios norteadores, como:

  • Mercados solidários, circuitos curtos, valorização dos produtos da socioagrobiodiversidade e dos produtos locais;
  • valorização da produção artesanal e extrativistas;
  • valorização dos alimentos bons, limpos e justos
  • mapear atores que poderiam se integrar à rede.

As Fortalezas e Comunidades do Alimento Slow Food marcaram presença na mesa do café preparado por Fabiano Gregório, da Aliança de Cozinheiros Slow Food.  Receitas dos Engenhos de Farinha, suco de butiá do Litoral Catarinense e queijo colonial da Comunidade do Diamante, junto com frutas orgânicas e pão de fermentação natural, deixaram o encontro mais saboroso.

Como próximos passos, as entidades participantes do encontro – principalmente Cepagro, LACAF e Slow Food – irão colaborar no mapeamento de atores públicos e ações que podem ser desenvolvidas no contexto da rede. “A ideia é identificar o que as organizações já fazem e quais os potenciais de trabalho conjunto e quais pautas devem ser priorizadas”, explica Eduardo Rocha, do Cepagro. Uma dessas ações já vem sendo desenvolvida no âmbito do projeto Consumidorxs e Agricultorxs em Rede, realizado pelo Cepagro e outras três organizações do Sul do Brasil e que tem o objetivo de desenvolver processos de formação e articulação entre os vários elos da cadeia de consumo de alimentos agroecológicos. O gabinete do vereador Marquito também vem desenvolvendo um mapeamento de iniciativas de comercialização de alimentos agroecológicos em Florianópolis, visando à publicação dessas informações numa plataforma virtual e interativa.

Cepagro é contemplado no Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura

A proposta do livro de receitas Saberes, Sabores e Histórias dos Engenhos de Farinha foi selecionada dentre outros 1.800 projetos inscritos em 2017. O projeto do Cepagro foi contemplado na categoria Culturas Populares e tem o objetivo de promover, através de eventos gastronômicos e da publicação de um livro de receitas, o patrimônio agroalimentar e biocultural dos engenhos de farinha de Santa Catarina. A iniciativa dá continuidade à mobilização junto aos engenhos de farinha artesanais de Santa Catarina que o Cepagro – através do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha – vem retomando desde final do ano passado.

 

 

 

Engenhos artesanais de Santa Catarina realizam Encontro em Garopaba

Realizado no último domingo, 2 de abril, o III Encontro da Rede de Engenhos Artesanais de Santa Catarina integra um ciclo de eventos viabilizados com recursos do Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, concedido pelo IPHAN ao Cepagro em 2015, pelo trabalho realizado no Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, projeto que entre 2010 e 2014 promoveu diversas ações de valorização do patrimônio agroalimentar e cultural representado pelos engenhos de farinha catarinenses, através do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura. 

texto e foto: Ana Carolina Dionísio (Cepagro)

Passava um pouco das 9h da manhã quando parte da equipe do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha chegou ao Engenho do Ademir, uma casa de madeira com chão batido numa encosta de morro na comunidade da Costa do Macacu, em Garopaba. Ao entrar no engenho, deixaram pra trás a bela paisagem da Praia do Siriú para encontrar o café posto na mesa e o proprietário do local, Ademir Rosalino, pilotando o fogão a lenha na preparação do almoço. “Fazer comida pra 40, 50 pessoas não me preocupa. Mas é que aqui é casa de engenho, depois da farinhada a gente só amontoa tudo num canto, aí fica tudo bagunçado”, desculpa-se o agricultor de 57 anos. Junto com as famílias dos 8 irmãos e outras 2 de vizinhos, ele continua fazendo farinha no engenho – antes propriedade do seu pai e do seu tio – “só por farra”. Nessa brincadeira, na farinhada do ano passado foram processadas ali cerca de 25 toneladas de mandioca, que renderam 52 sacos de farinha, ou 2.340 kilos. “Aí quando termina a farinhada é aquele chororô. Até me ofereceram um engenho pra comprar, mas eu não quis. Prefiro vir aqui com eles”, conta a agricultora Alice Gonçalves Vieira, vizinha de Ademir e parceira imprescindível nas farinhadas.

Ademir e Alice, vizinhos e parceiros de farinhadas

Com a ajuda da família e dos vizinhos, Ademir conseguiu deixar o engenho organizado para o III Encontro da Rede de Engenhos Artesanais de Santa Catarina, que aconteceu ali no último domingo, 2 de abril, promovido pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, com apoio também do Projeto Misereor em Rede, articulado pelo Cepagro. Os coxos e o cevador foram acomodados próximos às paredes, os balaios e alqueires (caixas de madeira para medir o volume de farinha) empilhados num canto e as ferramentas acomodadas dentro do forno para ceder espaço a engenheiros e engenheiras da mandioca de Garopaba, Biguaçu, Imbituba, Palhoça e Florianópolis, além do Secretário de Turismo de Garopaba, membros do Movimento Slow Food e outros parceiros e entusiastas da iniciativa, como o historiador Francisco do Valle Pereira (NEA-UFSC) e a antropóloga Alessandra Schmitt (da ONG AMA-Garopaba). De acordo com a educadora Giselle Miotto, que colabora na articulação da Rede e ajudou na facilitação do evento, o Encontro tinha o objetivo de “fortalecer a Rede, que será a base para trabalhar a proposta de registro junto ao IPHAN mais adiante”, referindo-se à construção coletiva e participativa de um dossiê para chancelar os engenhos de farinha como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Buscando esse fortalecimento da Rede, as atividades começaram com a engenheira agrônoma Flora Castellano, do Projeto Slow Food-UFSC-MDA, apresentando uma linha do tempo da Rede de Engenhos, cujos primórdios remontam aos trabalhos do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, projeto que entre 2010 e 2014 promoveu diversas ações de valorização do patrimônio agroalimentar e cultural representado pelos engenhos através do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura. Na sequência, a agricultora Catarina Gelsleuchter, proprietária de um engenho em Angelina (SC), falou sobre sua experiência na Rede Ecovida de Agroecologia, para trazer aos participantes um pouco do que é integrar um coletivo com esse caráter. “Me sinto outra pessoa, pois sabemos que não estamos sozinhos. Agora também falamos com mais orgulho que somos agricultores”, contou Catarina.

Se pensar os objetivos da Rede é fundamental para seu fortalecimento, refletir sobre as motivações das pessoas para vir ao próprio Encontro é um dos passos iniciais. A partir do que já havia sido apontado nos Encontros anteriores, a equipe do PdC sistematizou as motivações das pessoas, que serviu de ponto de partida para a reflexão do domingo. Tradição, paixão e resistência foram evocadas várias vezes, assim como os impasses vividos pelos engenheiros e engenheiras artesanais.

Um dos principais é quanto às restrições sanitárias sofridas pela farinha de mandioca produzida artesanalmente, o que inclusive barra a certificação orgânica desses produtos. Para obter um selo “Orgânico Brasil” do Ministério da Agricultura, os engenhos teriam que enquadrar-se nos parâmetros de agroindústrias normais, com adequações na infra-estrutura e processos produtivos. “Nem temos interesse em ter essa certificação oficial, pois isso descaracterizaria o nosso produto”, afirma Catarina Gelsleuchter. Na lógica sanitarista, os saberes tradicionais de forneiro artesanal do seu marido, Celso Gelsleuchter, por exemplo, pouca importância teriam. Marlene Borges, da Associação Comunitária Rural de

A agricultora Catarina Gelsleuchter fala sobre sua vivência na Rede Ecovida de Agroecologia.

Imbituba (ACORDI), pondera que “a rigidez sanitária chega a alguns absurdos, principalmente quanto a edificação. Mas a questão sanitária é importante. Às vezes são pequenos pontos que podemos nos orientar para regularizar o produto. Não dá pra fugir do

problema, tem que enfrentar. Mas não é porque uma construção é rústica que não tem higiene”. Luiz Farias, também da ACORDI, concorda: “Não importa se o Engenho é de tábua ou não, tem que estar limpo”. Para José Antônio Furtado, o Zezinho, proprietário de um engenho na Garopaba e membro da Rede Ecovida de Agroecologia, “o importante é a certificação na roça, da matéria-prima”. Joaquim Pereira de Souza, o Biluca, dono de um engenho e alambique de cachaça também no Macacu, concorda com Zezinho: “Olham pra azulejo, pra fábrica, pra o que é moderno, mas não pra matéria prima. O conjunto da obra é que é importante, se tem veneno na roça de mandioca ou não, por exemplo”.

A professora Jaqueline Prudêncio, o agricultor Luiz Farias e o historiador Francisco do Vale Pereira durante o Encontro.

Neste sentido, as iniciativas do Movimento Slow Food em construir as Fortalezas do Alimento – projetos que visam conservar um produto ou sua técnica de produção tradicional em risco de extinção – pode ser uma alternativa para certificar a farinha de mandioca artesanal sem implicar na descaracterização do seu processo produtivo. “É o reconhecimento de produtos que não

necessariamente se enquadram nos padrões sanitários”, explicou Flora Castellano. A regularização ou certificação da farinha de mandioca toca em outro ponto bastante discutido no encontro: a comercialização dos produtos dos engenhos. Divididos em grupos temáticos, os participantes debateram estratégias de fortalecimento deste eixo, assim como o turismo, a questão fundiária e a educação e cultura.

No âmbito da comercialização, a alimentação escolar foi considerada como um canal importante para escoar os produtos dos engenhos, como sugerido pelo Secretário de Turismo de Garopaba, Jackson Sena. Outros temas, como a formação de preço em rede, a possibilidade de um selo territorial ou de qualidade ligada à tradicionalidade e o criação de circuitos culturais-gastronômicos também foram levantados. De acordo com os participantes, a demanda por farinha de mandioca artesanal está em alta: “Estão procurando demais”, avalia Biluca.

O facilitador Pedro Xavier da Silva, do Projeto Slow Food-UFSC-MDA apresenta as sugestões do eixo temático de Turismo.

No caso dos engenhos, a comercialização vai de mãos dadas com o turismo. “O turista que visita os engenhos também pode ser uma avaliador dos produtos, se criamos esse laço de amizade com os clientes”, considerou Catarina Gelsleuchter. A partir do exemplo da Rota da Baleia Franca, no litoral sul do estado, e da Acolhida na Colônia, nas Encostas da Serra, os e as participantes ressaltaram a importância de que este turismo seja de base cultural e comunitária, o que pode demandar uma preparação e capacitação dos engenhos para receber o público. Se por um lado temos exemplos de engenhos valorizados por suas edificações e patrimônio material, como o Casarão e Engenho dos Andrade, em Florianópolis, por outro o saber-fazer que envolve os engenhos em atividade – da escolha das variedades de mandioca e a influência destas na qualidade da farinha ao ponto da torra no forno – também pode constituir um atrativo cultural.

Um dos temas mais delicados e com mais especificidades na discussão é quanto à questão fundiária, com uma diversidade de situações abarcando os engenhos da Rede, conforme foi sintetizado pelo facilitador Alexandre Pires Lage, da equipe do PdC (foto). A ACORDI, por exemplo, encontra-se em uma área comunal que há anos vem resistindo a especulação imobiliária e a mega-projetos de “desenvolvimento” que buscam expropriar as terras dxs agricultorxs e trazem pesados impactos socioambientais para todo território. Já os engenhos da Ilha de Santa Catarina sofrem com a falta de terras para o cultivo de mandioca, pois as áreas rurais deixaram de ser consideradas no novo Plano Diretor. Para construir estratégias de atuação nesses contextos, os participantes tiraram como encaminhamento realizar um estudo sobre os Planos Diretores dos municípios e também buscar assessoria jurídica para ter esclarecimentos sobre seus direitos.

Como tema transversal a todos estão a Educação e a Cultura, como apontou a facilitadora Manuela Braganholo, também da equipe PdC Engenhos de Farinha. Nessa ponte entre escola e engenhos, tanto a alimentação escolar pode ser um canal de escoamento para os derivados da mandioca, quanto os próprios engenhos configuram espaços de aprendizagem. Atividades práticas para colocar as mãos na massa e na terra, produção de cartilhas e livros de receitas e um mapeamento dos mestres de engenho foram algumas das ações apontadas para fortalecer este eixo no âmbito da Rede.

Os recursos do Prêmio do IPHAN que vinham financiando os eventos já estão terminando, sendo suficientes para mais um encontro da Rede, que acontecerá na propriedade da família Gelsleuchter, em Angelina (SC), no final de maio ou início de junho. Mesmo sem a garantia de apoio financeiro, os/as membros da Rede continuam motivadxs a continuar encontrando-se para fortalecer seus nós e laços, mostrando na prática como os engenhos são movidos por paixão e resistência.

Mandioca neles!

Engenheiros de Farinha de SC promovem encontro em Santo Antônio de Lisboa

??????????Após receber o Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ponto de Cultura Engenhos de Farinha realiza um encontro no Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa, no próximo sábado, 17 de dezembro. O objetivo do evento é prosseguir qualificando a articulação da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Santa Catarina, que engloba famílias “engenheiras” desde Imbituba até Bombinhas, passando por Palhoça, Florianópolis e Angelina. As atividades começam às 9h da manhã e vão até às 18h.

O Ponto de Cultura foi uma iniciativa do Cepagro que promoveu ações de valorização dos engenhos artesanais de farinha catarinenses entre 2010 e 2014. No ano passado, ficou em quarto na premiação do IPHAN dentre 121 ações espalhadas pelo Brasil.  Na programação desse reencontro, além de avançar no mapeamento participativo dos Engenhos no Estado, acontece a exibição do documentário Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas e uma roda de conversa sobre os engenhos de farinha e áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis.

Outro ponto importante do encontro – além do cardápio cheio de quitutes de engenho – é a oficina sobre a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, com Regina Helena Santiago (IPHAN/SC). Isso porque esta nova fase do Projeto marca a continuidade da mobilização para construir a proposta de Registro dos Engenhos de Farinha como Patrimônio Cultural do Brasil de forma colaborativa entre as várias iniciativas do Estado.

A participação no evento é aberta e gratuita, mas espera-se uma contribuição de R$ 30 para o almoço e café, além da confirmação de presença pelo email engenhosdefarinha@gmail.com até a 5ª feira (15 de dezembro).

SERVIÇO:

O quê: Encontro de Articulação da Rede de Engenhos de Farinha de SC
Quando: Sábado, 17 de dezembro, às 9h
Onde: Casarão e Engenho dos Andrade (Caminho dos Açores, 1180, Santo Antônio de Lisboa).

 

Engenhos de Farinha: a expressão do Patrimônio Agroalimentar no litoral catarinense

Resultado de uma fusão de saberes e técnicas guaranis e açorianas, os Engenhos Artesanais de farinha de mandioca de Santa Catarina vêm enfrentando desafios para manter sua identidade e modos de fazer tradicionais transmitidos através das gerações em mais de dois séculos de história. De restrições sanitárias para a produção aos impactos da urbanização acelerada em algumas regiões do estado, várias são as pressões sofridas por este complexo agrícola e cultural. Ainda assim, os engenhos continuam rodando, seja como núcleos de educação patrimonial ou como unidades produtivas.

Articulados em rede e apoiados pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha, estes espaços vêm sendo reavivados com práticas agroecológicas, vivências culturais e turismo de base comunitária. Um exemplo é o processo de certificação participativa da Rede Ecovida, do qual alguns “engenheiros” fazem parte, que além de assegurar a qualidade orgânica dos alimentos produzidos nas propriedades, fortalece e mobiliza o coletivo de agricultores familiares. Outra estratégia é a realização de atividades educativas nos engenhos, que sensibiliza as novas gerações para a importância da preservação dos saberes e sabores dos engenhos.

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Mapa de visitação dos Engenhos – Clique para ampliar

Complementando este desenhar de soluções criativas para a preservação deste patrimônio agroalimentar, o turismo de base comunitária vem se consolidando como uma ferramenta importante para a manutenção da sustentabilidade dos engenhos. Mais do que o simples consumo de paisagens, produtos e serviços, a atividade apresenta-se como uma oportunidade para visitantes e visitados compartilharem vivências culturais e gastronômicas. Visitar um engenho é saborear as histórias de iguarias como o beijú, a bijajica e o cuscus, as técnicas e tradições, ritos e rituais que circulam junto com as engrenagens. É compreender a importância do trabalho destes agricultores familiares para a segurança alimentar da população, contribuindo para o fortalecimento desta rede e preservação desta (agri)cultura. E ainda desfrutar de cenários diversos, que vão das belas praias da costa catarinense e sua tradição açoriana aos vales do interior, onde a influência germânica e italiana é mais presente.

Atenção: Para visitar os Engenhos, é fundamental fazer agendamento (vide contatos no mapa acima).