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Cepagro promove educação agroecológica no dia Mundial do Meio Ambiente

Há 47 anos, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo pela ONU, instituiu-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data tinha como objetivo alertar a população e governos de cada país sobre os perigos de negligenciarmos o cuidado com o mundo em que vivemos. No Brasil, celebramos também a Semana Nacional do Meio Ambiente, como consequência da data criada pela ONU.

Como parte da programação desta semana, o Cepagro realizou mais uma oficina de horta agroecológica na Escola de Educação Básica Januária Teixeira da Rocha, no Campeche. Por lá, apesar da importância da data, as crianças sabem que a Educação Ambiental acontece todo dia.

Na atividade de hoje, foi a vez da turma do 4º ano sujar as mãos de terra. Junto com a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, as crianças construíram o quarto canteiro da escola. Mas antes de ir para a prática, Karina explicou para elas a diferença entre um canteiro convencional e um canteiro agroecológico.

No canteiro convencional várias mudas de uma mesma espécie são plantadas lado a lado. Se um inseto ataca uma plantinha, a chance de ele atacar o canteiro inteiro é maior. Já a horta agroecológica funciona na base da cooperação, onde cada plantinha contribui com as suas características próprias, lógica que é aplicada também na vida de cada um. Há pessoas que são boas em matemática, outras que vão melhor em geografia, e tem ainda aquelas que são ótimas artistas ou esportistas.

Respeitando a diversidade e cooperando com o próximo, assim a oficina aconteceu. O composto utilizado, por exemplo, foi doação da Horta Pedagógica e Comunitária do Parque Cultural do Campeche (Pacuca). O coordenador do Parque, Ataíde Silva lembra que o espaço onde hoje está a horta comunitária foi conquistado com dificuldade. “Na época em que foi implantada, a ideia da horta foi uma forma de presença da comunidade, do não abandono dos moradores”, conta Ataíde. Para ele, as crianças são a esperança de que as gerações futuras colham ainda mais frutos e “nesse dia Mundial do Meio Ambiente, a coisa mais importante é a educação, é o que vocês fazem nessa escola, isso é uma semente”.

A professora Silvia Leticia de Sá T. Cardoso diz para seus alunos que eles sãos os guardiões do Campeche. Ela lembra que o bairro já sofreu com alguns crimes ambientais e acredita que a educação ambiental na escola é uma forma de conscientizar as gerações futuras para o cuidado com o espaço onde vivem. E tem funcionado.

Alguns pais contaram para Silvia que começaram a compostar em casa a pedido dos filhos, que estão mostrando interesse em cuidar das plantinhas do quintal de casa. “No relato dos pais eu pude perceber que eles vão levar esse projeto para a vida toda. Não só na questão ambiental, mas também levam para a vida, se tornam mais responsáveis”, contou a professora Silvia, que leciona para o quarto ano.

E essa é a ideia. Através de projeto do Cepagro, apoiado pela Misereor e em parceira com a Associação de Moradores do Campeche (Amocam), Karina Smania faz atividades práticas e pontuais na escola, trabalhando sempre uma turma e uma temática diferente. A agrônoma conta que com a horta pedagógica é possível trabalhar diversos temas, mas que a educação ambiental pode ser feita também no dia a dia pelas professoras em sala de aula, aliando a educação ambiental a suas disciplinas, sejam elas quais forem.

Na sexta-feira, 7 de junho, Karina voltará à escola e vai usar a literatura e a música para falar sobre as plantas que nascem embaixo e em cima da terra.

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Cepagro constrói ações de educação ambiental em escola de Major Gercino

Na última quinta-feira, 23 de maio, a equipe técnica do Cepagro voltou à Major Gercino para conversar com educadores/as da Escola Professor Tercílio Bastos, onde até dezembro serão realizadas atividades de Educação Ambiental. Esta, que foi a terceira visita à escola, teve como objetivo construir coletivamente com o corpo docente as ações que serão realizadas com os/as estudantes ao longo do ano, por meio de projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz.

O projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais: ampliando os conhecimentos, fortalecendo as relações e garantindo sustentabilidade tem como objetivo promover a Agroecologia como alternativa sustentável de produção agropecuária e também de organização comunitária e conservação ambiental. Além das atividades na escola da comunidade do Pinheiral, o projeto atuará em três municípios de Santa Catarina: Nova Trento, Major Gercino e Leoberto Leal, abrangendo 12 comunidades e envolvendo 40 famílias agricultoras.

Na escola, o projeto visa trabalhar uma horta pedagógica que permite envolver diversos conteúdos, de história e geografia à matemática e língua portuguesa. Durante a última conversa, os/as professores/as compartilharam suas ideias de como incorporar a horta em suas disciplinas. Desde o primeiro diálogo com a direção da escola, também foram colocadas outras duas demandas: a construção de cisternas para a captação de água da chuva e atividades de comunicação popular e mídias digitais.

A escola conta com alguns canteiros que foram implantados mediante projetos passados, e a ideia é reestruturar o espaço com canteiros agroecológicos. Para isso, será utilizado composto doado pelo Aeroporto Internacional de Florianópolis. Segundo a diretora da escola, Fabiana Laurindo Motta, há problemas de abastecimento de água no espaço onde eles se encontram, assim, a construção de uma cisterna seria bem vinda e melhoraria a irrigação dos canteiros.

A professora Fernanda Farias Muenich Marques, que leciona História e Geografia, disse que projetos como esse possuem um grande potencial, pois segundo ela, quando vêm pessoas de fora da escola propondo um trabalho mais prático, as/os alunas/os sempre se envolvem mais. A proposta de trabalhar a horta pedagógica com a comunidade escolar surgiu porque a Escola Prof. Tercílio Bastos se encontra na zona rural de Major Gercino e centraliza jovens de várias comunidades, sendo um potencial muito grande para sensibilizar estes para as alternativas ao tabaco e a promoção da saúde através da Agroecologia.

Antes do início das atividades na horta, ainda será realizada uma conversa com as/os estudantes do 6º ao 3º ano do Ensino Médio, além de uma formação para professores/as.

Ainda na quinta-feira, como parte das ações do projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz, os técnicos do Cepagro, Francys Pacheco e Giselle Miotto também visitaram propriedades com degradação de mata ciliar no afluente do rio Boa Esperança para realizar atividade de recuperação que também está prevista no projeto.

Crianças constroem canteiro de flores para abelhas em escola no Campeche

Na semana em que se comemora o Dia Mundial das Abelhas, alunos e alunas da Escola Januária Teixeira da Rocha, no campeche, constroem canteiro de flores para atrair esses insetos tão fundamentais para o meio ambiente. A atividade aconteceu na sexta-feira, 24 de maio, e foi mais uma oficina do projeto em parceria com a Amocam, através do projeto Misereor em Rede. Durante uma manhã ao ar livre, as crianças aprenderam com a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, a importância das abelhas para a manutenção de várias espécies de plantas e alimentos.

Quem trouxe esse tema foi a professora do quinta ano, Maria Inês Evaristo: “Como a gente está trabalhando essa parte da horta na escola e estamos fazendo vários espaços, porque não fazer um canteiro das flores para as abelhas?”. A professora propôs e Karina abraçou a ideia, principalmente porque o sumiço das abelhas é um tema que tem gerado bastante discussão ultimamente. Quando perguntados em sala de aula sobre o porquê desse fenômeno, alguns já sabiam a resposta: os agrotóxicos.

Segundo levantamento da Agência Pública e Repórter Brasil, somente em Santa Catarina foram encontradas pelo menos 50 milhões de abelhas mortas, de dezembro do ano passado a fevereiro de 2019. Especialistas e pesquisas laboratoriais apontam que o principal causador é o contato com agrotóxicos a base de neonicotinoides e fipronil, utilizados como inseticida.

Sabendo disso, mudinhas de manjericão, cravo de defunto e boca de leão foram plantadas pelas/os alunas/os com o intuito de tornar a escola um ambiente convidativo para as abelhas nativas, como a mandaçaia. Além de preparar um canteiro para as abelhas, que ganhou o formato de borboleta, “a gente pôde trabalhar também a polinização, como funciona, quais plantas precisam das abelhas para dar o nosso alimento, quais as flores que têm mais potencial em atrair abelhas. Então foi interessante, a gente conseguiu encaixar isso tudo no tema de hoje”, conta a agrônoma Karina Smania.

Crianças do terceiro ano implantam Horta Pedagógica na Escola Januária Teixeira da Rocha

Sexta-feira, 3 de maio, foi mais um dia de atividades agroecológicas na Escola de Educação Básica Januária Teixeira da Rocha, no Campeche. Junto com a Agrônoma do Cepagro Karina Smania de Lorenzi e o presidente da Associação de Moradores do Campeche (Amocam) Alencar Deck Vigano, as crianças do terceiro ano construíram uma horta agroecológica. Essa foi a terceira oficina de quatro que serão realizadas na escola em parceria com a Amocam e o Cepagro, através do projeto Misereor em Rede.

Antes de seguir para a prática, Karina explicou em sala de aula a lógica de uma horta agroecológica, como o solo que vai acolher as mudinhas deve ser preparado e o porquê de misturar diferentes tipos de plantas em um mesmo espaço. Como a composteira da escola ainda precisa de tempo para gerar composto, a horta foi iniciada com o composto doado pela obra do novo aeroporto de Florianópolis, através do núcleo de meio ambiente da Racional Engenharia.

Além da oficina com hortaliças, a turma do terceiro ano também fez uma roça de mandioca, prática que foi de encontro ao que estão estudando em sala de aula. A professora Ellen Regina Damasceno Batista contou que está começando a trabalhar sobre a cultura de Santa Catarina e com a prática vai aproveitar para abordar a cultura da mandioca.

É sempre nesse formato que Karina planeja suas atividades na escola: conversa com as professoras e traz para a horta os aprendizados que estão sendo trabalhados em sala de aula. No dia 30 de abril, já havia sido realizada uma primeira oficina de horta pedagógica com a turma do primeiro ano. Na ocasião a professora Maria Inês Evaristo estava trabalhando as estações do ano e pediu para  incluir na oficina plantas que pudessem auxiliar em doenças respiratórios. Assim, a prática envolveu as plantas de outono e vários chás que ajudam nas doenças respiratórias.

No caso do terceiro ano “a professora estava trabalhando com a cultura açoriana então a gente resolveu fazer além da oficina de hortaliças, flores e temperos, uma roça de mandioca para explicar um pouco do contexto de Florianópolis”, conta Karina. Segundo a Agrônoma, “ciências, história, matemática e demais disciplinas podem utilizar a horta como a parte prática dos estudos”.

O diretor da Escola Januária Teixeira da Rocha, Abrão Iuskow, contou que entre uma oficina e outra, as turmas da Januária ainda puderam fazer uma visita à Horta Comunitária do Parque Cultural do Campeche, o Pacuca. Lá elas viram como funciona a compostagem em maior escala e conheceram outras iniciativas de Agroecologia e Educação Ambiental.

A próxima oficina prevista para acontecer deverá abordar, além de alguma disciplina, a alimentação saudável, que é um dos três eixos de trabalho do Cepagro com Hortas Pedagógicas, junto com Compostagem e a Horta Agroecológica.

Crianças do NEIM Armação recebem visita de uma Bruxa na horta encantada

O ano letivo terminou com uma visita muito especial no Núcleo de Educação Infantil Municipal da Armação. Ontem, 18 de dezembro, foi a última aula do ano na Horta Pedagógica e a Bruxa Manidipá esteve na escola, à convite das crianças, especialmente para conhecer o canteiro de plantas medicinais que elas mesmas ajudaram a fazer.

A professora Angélica Laurent contou que a ideia de mandar uma cartinha convite surgiu depois que elas conheceram uma bruxa no SESC Cacupé. Lá elas descobriram que existem bruxas boas e que elas são criaturas que conhecem muito sobre plantas. Como as crianças da turma G5 já vinham fazendo um correio entre elas, resolveram juntas escrever a cartinha para a bruxa, e não demorou muito para a visita acontecer. Ao longo do dia elas ouviram muitas histórias e aprenderam que as plantas têm poderes mágicos e podem curar.

Nos bastidores, a engenheira agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe técnica do Cepagro, que é responsável pelas atividades na Horta do NEIM Armação entregou a carta para a colega Maria Dênis Schneider, da diretoria do Cepagro que, assim como as bruxas, entende muito de plantas. O convite foi aceito e a bruxa Manidipá surgiu e pôde ir até a escola conhecer a horta encantadora das crianças.

Depois de contar algumas histórias em sala de aula, a bruxa acompanhou os pequenos até a horta, onde fizeram suas próprias varinhas mágicas com as plantas do canteiro de ervas medicinais. Maria Dênis lembrou que as bruxas têm uma relação direta com a horta porque as plantas são a matéria prima de tudo o que ela faz, seja uma água perfumada, um remédio ou chá. “Galhos de lavanda junto com folhas de capim-limão amarradinhas embaixo do travesseiro são uma poção mágica que serve para acalmar e ajuda a dormir melhor. Ou o chá de calêndula que acalma a nossa pele depois de pegar muito sol na praia”, são algumas das receitas de Maria Dênis. 

Além das histórias e confecção das varinha mágicas, a bruxa também pôde conhecer a casa das abelhinhas Mandaçaias que moram na horta do NEIM. Ao final do dia, todos juntos repetiram as palavras mágicas, aquelas conhecidas mundialmente: sim sim salabim e outras como: cuidar das plantas e dos animais.

Turma do NEI Armação conhece a Horta Comunitária do Pacuca

Na tarde da última terça, 28 de agosto, os alunos do Núcleo de Ensino Infantil Armação conheceram a Horta Comunitária do Pacuca, Parque Cultural de Campeche. As crianças se divertiram ao ver numa escala maior o que já estão praticando na escola, como a compostagem e o plantio de hortaliças. 

Quem recepcionou a turma foi Ataíde Silva, um dos articuladores do Pacuca, que começou apresentando as composteiras em diferentes etapas do processo de reciclagem de resíduos orgânicos. Karina Smania De Lorenzi, engenheira agrônoma do Cepagro responsável pelas atividades na Horta Pedagógica do NEI Armação, acompanhou a visita e contou: “Eles ficaram muito felizes porque já conheciam e explicaram também que já fazem compostagem na escola”.

Ataíde contou um pouco sobre a história do Parque, onde antes se localizava o Campo de Aviação do Campeche, sobre o piloto e escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, e convidou as crianças para conhecer a Geladoteca, uma geladeira repleta de livros que elas puderam levar para casa.

Em seguida, elas deram um pulo na horta e reconheceram lá algumas plantas que estão cultivando na escola, como repolho, rúcula, manjericão e brócolis. Conheceram também a roça de aipim e as técnicas de colher esse alimento tão rico, que ao final do dia foi levado para as cozinheiras do NEI.

Por fim, a turminha aproveitou o dia ensolarado para fazer um piquenique onde elas saborearam morangos e cenouras colhidos no dia.

Com a volta às aulas, é tempo de colheita no NEI Armação

Depois de compostar os resíduos orgânicos, preparar a terra, semear as hortaliças e cuidar da horta com muito carinho, as crianças do Núcleo de Educação Infantil Municipal Armação completaram o primeiro ciclo da horta pedagógica, implantada no início do ano letivo. Com o fim das férias e o retorno às aulas, chegou a hora de fazer a primeira colheita e preparar uma receita com os alimentos cultivados.

Desde o início do ano, as turmas de 5 e 6 anos aprendem na prática três temas centrais: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. O trabalho é assessorado pela engenheira agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe técnica do Cepagro e pela nutricionista da unidade de ensino, Tamires Ávila Rech.

Na última segunda-feira, 6 de agosto, as crianças da turma de cinco anos experimentaram pela primeira vez cozinhar com os alimentos que elas mesmas cultivaram. Couve, orégano, salsinha, rúcula, alface e repolho roxo, alimentos que geralmente não atraem muito o paladar infantil, se transformaram numa deliciosa torta salgada, feita à muitas mãos.

Em suas atividades com alunos de diferentes núcleos de educação municipal, a nutricionista Tamires se depara frequentemente com crianças que acham que o leite vem da caixinha ou do supermercado. Para ela, é um benefício muito grande ter a horta no NEI Armação e as atividades relacionadas à ela. “A gente sabe da importância de as crianças saberem desde cedo de onde vem o alimento. Então trazer isso de volta, essa questão cultural da horta de as crianças cuidarem da terra, plantar, colher e então trabalhar com o alimento, é essencial”, conta.

As atividades com a horta pedagógica envolvem brincadeiras, jogos, cantos e contação de histórias, que de forma lúdica trazem a educação ambiental e alimentar pro cotidiano das crianças. “Não temos um dia específico. O trabalho que a gente faz tenta incluir o que eles podem trazer dessa questão da educação ambiental para o dia a dia das crianças”, explica Karina.

O trabalho com a horta agroecológica faz parte da Rede de Fortalecimento da Segurança Alimentar Nutricional no âmbito da alimentação escolar (ReforSAN Escolar), um projeto multidisciplinar financiado por edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e realizado em conjunto com professoras do curso de Nutrição da UFSC que abrange a pesquisa, o ensino e a extensão.