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É tempo de cultivar no projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José”

Durante o mês o de junho, as atividades do projeto Educando e Transformando com a Horta foram intensas e cheias de novidades na CEM Santa Terezinha e no CEM Escola do Mar Flavia Scarpelli Leite, com o início da construção dos canteiros das hortas. Para isso, os/as alunos/as aprenderam a escolher o espaço ideal para a implantação dos canteiros, baseando-se na localização da escola de acordo com os pontos cardeais, declividade, drenagem, solo, acesso a água, entre outros. “Antes de plantar foi preciso aprender sobre o calendário agrícola e as plantas da estação, afinal não é toda planta que gosta do frio”, explica a agrônoma Karina de Lorenzi, do Cepagro, que coordena o projeto. 

As duas escolas estão fazendo a compostagem. No CEM Santa Terezinha, após a composteira em caixa d’água ficar cheia, foi montada uma composteira em leira junto com os alunos do 6º ano. Na Escola do Mar, após assistir um vídeo sobre a Revolução dos Baldinhos, os alunos passaram a adotar baldinhos para levar para casa e ensinar as famílias a separar os resíduos orgânicos. “Esses resíduos estão voltando para a escola, onde estamos fazendo a compostagem”, afirma Karina. 

Os/as estudantes também passaram a produzir as próprias mudas nas escolas. Na Santa Terezinha os/as participantes do projeto já haviam construído um espaço de viveiro e na Escola do Mar as mudas foram produzidas para também serem distribuídas na Semana do Meio Ambiente. A estudante Esther Silva Andrade, de 12 anos, levou mudas para casa e vem cuidando desde então. “Cuido todos os dias dessa plantinha para minha mãe”, conta Esther. “Acho o trabalho na horta bem criativo, gosto de plantar as sementes das verduras e regar as plantas. Minha mãe também gosta de hortas”, completa.

Esther Silva Andrade [ de blusa cor de vinho ] é estudante da Escola do Mar e tem achado o trabalho na horta bem criAtivo.

O projeto Educando e Transformando com a Horta em São José conta com apoio do Instituto MRV. Para realização dessas atividades tivemos a parceria do SESC para doação de composto, da CEASA para cessão de palhada e do Parque Ambiental dos Sabiás (São José), com doação de terra para substrato das mudas. Paralelamente, as vídeo-aulas continuam sendo produzidas, e desta vez conta com a participação dos alunos das duas escolas envolvidas no projeto.

Um ano de desafios e realizações: Cepagro publica Relatório de Atividades 2020

Com muita alegria compartilhamos nosso Relatório de Atividades 2020, que traz um panorama do nosso trabalho no ano que passou. Em 2020, os encontros e atividades presenciais coletivas, que tão bem definem a forma de atuar do Cepagro, tiveram de ser revistos e adaptados. A soma das crises sanitária, econômica e política decorrentes da pandemia da Covid-19 reorientaram o olhar da organização para demandas urgentes, como o combate à fome.

Desta forma, em 2020 o Cepagro realizou 9 projetos, atuando diretamente com 30 famílias agricultoras, 88 famílias indígenas e sensibilizando pelo menos outras 5 mil pessoas. Desenvolvemos ações em 14 municípios, 4 escolas, 3 aldeias indígenas, 1 Centro de Referência em Assistência Social e 6 cozinhas comunitárias. Articulamos a distribuição de 4,6 toneladas de alimentos agroecológicos para cozinhas comunitárias, que geraram cerca de 26.700 refeições para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social.

Tudo isso graças ao apoio e confiança de nossos financiadores, parceiros e de todo o público que acompanha e acredita em nosso trabalho de promoção da Agroecologia no campo e na cidade. Confira a versão completa do RELATÓRIO 2020 neste link.

Mãos à horta! Projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José” inicia atividades práticas em 2 escolas

Após um longo período somente com atividades virtuais e vídeo aulas, aos poucos o projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José” está retomando as atividades presenciais. Observando sempre os cuidados necessários, a agrônoma Karina de Lorenzi, da equipe do Cepagro, tem semanalmente realizado reuniões e atividades práticas no CEM Escola do Mar Flavia Scarpelli Leite e no Centro Educacional Municipal Santa Terezinha, ambas em São José. Além disso, o projeto mantém a produção de vídeo aulas para atender os/as estudantes que estão no ensino remoto. 

“A gente está em conversa com as escolas desde fevereiro, realizando o planejamento das atividades com os/as profissionais das unidades. Em março fizemos um diagnóstico das escolas, apresentação do projeto para comunidade escolar e iniciamos as atividades no formato híbrido, com presencial e também com vídeo aulas”, explica Karina. Na sala de aula, Karina conversou com as turmas sobre o que é Agroecologia e vem projetando junto com os/as estudantes como fazer a horta. “Pensamos juntos/as como vai ser, em qual espaço da escola que seja mais adequado ao plantio, os materiais que são necessários, onde vamos consegui-los”, afirma a agrônoma.

Além desse caráter participativo, outra característica da metodologia de hortas pedagógicas do Cepagro implementada no projeto é criar diálogos entre as disciplinas escolares e o trabalho na horta. “Iniciamos trabalhando principalmente com as professoras nas disciplinas de História e Geografia, falando sobre a origem da agricultura, das plantas, sobre o solo”, diz Karina “Quando a Karina chegou e  trouxe pra sala o planisfério, globo terrestre, sementes para falar sobre a origem dos alimentos, veio ao encontro do que estávamos trabalhando: a superfície terrestre, planeta terra, povos que

foram habitando as Américas e como apropriar-se da agricultura colaborou na sedentarização”, explica a professora Clarisse da Luz Nascimento, que trabalha com os 5ºs anos do Centro Educacional Municipal Santa Terezinha. “E as crianças começaram a fazer essa associação: pra morar, preciso ter um ambiente bom e agradável. Na sequência, foram a campo para escolher o melhor local para fazer a horta. Foi incrível”, completa. 

Na Escola do Mar, o trabalho nos canteiros já começou, com os trabalhos sobre o solo e a diversidade no plantio agroecológico. No Centro Educacional Santa Terezinha, estão começando as atividades de compostagem e a montagem dos canteiros. O projeto Educando e Transformando com a Horta em São José conta com apoio do Instituto MRV e vai até dezembro de 2021.  Ao todo, 237 estudantes e 10 professoras/es nas 2 escolas participam das atividades. 

Gestão de Resíduos e Compostagem movimentam o 2º semestre do projeto “Educando e Transformando com a Horta em São José”

Aprender a separar os resíduos, entender que cascas de frutas e sobras de comida podem ser transformadas em adubo, compreender o ciclo do alimento. Esses foram alguns dos passos dados pelo projeto Educando e Transformando com a Horta, apoiado pelo Instituto MRV, durante o segundo semestre de 2020. As atividades foram realizadas com estudantes da Escola Santa Terezinha e Escola do Mar, ambas da Rede Municipal de São José, de forma não presencial, através de vídeo-aulas e materiais impressos. Mesmo com a pandemia, foi possível promover a educação agroecológica através do projeto.

“Antes de iniciarmos a prática de compostagem, fizemos um longo caminho ao aprender a separar os resíduos, estudamos a importância da separação e a destinação correta de cada resíduos, e as implicações que a geração de lixo acarreta na nossa sociedade”, conta a agrônoma Karina Smania de Lorenzi, responsável pelas atividades. “Já na segunda etapa, as aulas  trataram de ensinar sobre o ciclo da compostagem, sua importância, onde fazer, tipos de compostagem e seu funcionamento, para no final, realizar um passo a passo da montagem de uma composteira”, completa.

Mesmo a distância, as crianças aplicaram esses conhecimentos na prática, construindo uma mini-composteira em garrafa PET – o plástico transparente da garrafa possibilita ver o processo de decomposição dos alimentos. A agrônoma deixou insumos como palha e serragem disponíveis nas escolas. As crianças levaram os materiais pra casa, montaram a composteira e ainda fizeram os registros, compartilhando fotos e vídeos. “Depois de realizada a montagem foi feita uma aula virtual ao vivo, no qual os alunos puderam tirar suas dúvidas”, conta Karina.

E a mini-composteira fez sucesso com os/as estudantes. “O que eu mais gostei foi fazer a composteira e ver como funcionou. E como conseguia acompanhar a decomposição da matéria orgânica”, conta João Miguel Broch Freire, do 5º ano. “Achei legal. Aprendi que com simples objetos podemos fazer uma composteira e ter adubo para colocar nas plantas, ajudando o meio ambiente de uma forma ecológica”, completa. 

O estudante Vitor Moraes, também do 5º ano, já conhecia a compostagem de casa. “Aqui na minha casa e do meu avô Batista a gente sempre recicla o lixo. Meu vô sempre fez a compostagem, que ele bota na horta dele”, relata, mostrando ainda mais entusiasmo por montar sua própria composteira. E lembra que “Se todo mundo cuidasse do seu lixo, o mundo seria bem melhor”.  

Como aconteceu em 2020, para 2021 as atividades terão que ser repensadas em virtude da pandemia. Enquanto isso, as videoaulas estão sendo publicadas no canal do Cepagro no Youtube, para que outras escolas e educadores possam utilizá-las: https://bit.ly/transformandocomahorta“. 

Cepagro realiza atividades de educação agroecológica à distância com comunidade escolar de São José

Através do Projeto Educando e Transformando com a Horta, o Cepagro tem desenvolvido atividades de educação agroecológica junto à escolas municipais de São José, na região da Grande Florianópolis (SC). O Projeto começou no início deste ano, depois de ter sido selecionado na 7ª edição do programa Educar para Transformar, do Instituto MRV. As atividades, que inicialmente seriam realizadas com visitas semanais às escolas, tiveram que ser adaptadas para o contexto atual, com aulas à distância.

O projeto foi construído com três escolas de São José, o Colégio Municipal Maria Luiza de Melo, Centro Educacional Municipal Santa Terezinha e CEM Escola do Mar. Em diálogo com professores/as, direção e cozinheiras, explicamos os eixos de trabalho e planejamos as atividades, alinhando o calendário escolar ao agrícola e trazendo essa dinâmica para o Plano Político Pedagógico. Quando o ano letivo começou, apresentamos o projeto também para as turmas das escolas, mas logo chegou a necessidade do isolamento social e com a suspensão das aulas resolvemos adaptar para aulas remotas, sempre no diálogo com professoras e diretoras.

Compreendemos que essa modalidade não substitui a vivência presencial e democrática da horta escolar. Entendemos também que a modalidade de educação à distância não atinge todos/as os/as estudantes, especialmente de escolas públicas, onde o acesso a internet e a dispositivos digitais, em muitos casos, não é uma realidade. E quando há internet e dispositivos, esses são divididos com outros membros da família. No entanto, essa foi a maneira que encontramos de levar a Agroecologia para dentro de algumas  casas, enquanto aguardamos ansiosamente o retorno seguro das aulas presenciais.

O materiais enviados as crianças são vídeo-aulas e conteúdos complementares preparados pela Engenheira Agrônoma do Cepagro e coordenadora do projeto, Karina Smania de Lorenzi. Os temas preparados por ela estão sempre relacionados com a temática trabalhada pelas professoras no momento. Karina explica, “as professoras mandam os conteúdos e eu relaciono com os elementos do projeto, como por exemplo o sistema respiratório, onde trabalhamos com plantas que ajudam o sistema respiratório, como o gengibre. Ou sobre a história do Brasil, onde trabalhamos com alimentos indígenas”. Além do vídeo, Karina também envia uma parte escrita com o mesmo conteúdo, a qual alguns/as alunos/as retiram impresso na escola.

Os irmãos gêmeos Gustavo e Otávio Pereira da Silva, estudantes do 5º ano da escola Sta. Terezinha têm conseguido assistir as vídeo-aulas. Depois de aprender sobre as plantas medicinais que ajudam no bom funcionamento do sistema respiratório, eles foram até a casa da avó buscar mudinhas de gengibre. A mãe, Daniela Pereira conta que eles têm um primo e um colega da escola com problemas respiratórios e que ficavam muito assustados quando dava uma crise neles, “agora já sabem como ajudar a prevenir com chás que podemos fazer em casa”. Como experimento proposto pela Karina, eles replantaram  mudinhas de gengibre e de açafrão em casa.

Também aprenderam sobre a cultura alimentar indígena e descobriram como se planta e colhe a mandioca. Assim como Marcos (foto), também do quinto ano. A professora dos meninos, Fabiana dos Santos conta que teve um bom retorno dos alunos. “As vídeo aulas são ótimas e o material que a Karina prepara demonstra muita identidade com a comunidade onde a escola está situada. Essa identidade é muito importante para um bom trabalho, mesmo que a distância”. A escola Santa Terezinha está localizada em Zona Rural, no bairro Forquilhas.

Muitas crianças desta comunidade ainda se encontram sem acesso a internet ou a computadores. A distância tem sido um grande obstáculo pela falta de trocas, vivências e interação, segundo Fabiana, “um trabalho educativo precisa de todo esse processo. Penso que nem professores e nem alunos estavam preparados para essa atividade de ensino remoto em regime emergencial. Mas precisamos continuar e achar metodologias que consigam nesse momento nos aproximar de nossos alunos e fazer com que percebam que estamos aqui”.

A crescente preocupação com a sustentabilidade e o impacto ambiental das ações humanas mostra a importância de se trabalhar a educação ambiental desde a infância. Assim, enquanto as aulas presenciais ainda não tem data certa e segura para retorno, seguimos jogando sementes de Agroecologia e Alimentação Saudável na esperança de que encontrem solo fértil para brotar e gerar frutos.

Na semana da Luta Contra os Agrotóxicos, Major Gercino comemora avanços da Agroecologia 

Sexta-feira, 6 de dezembro, foi dia de celebrar mais um ano de promoção da Agroecologia em Major Gercino (SC).  Desde março, o Cepagro esteve desenvolvendo ações de capacitação e transição agroecológica com famílias agricultoras e atividades de educação na escola rural Professor Tercílio Bastos, através do projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em comunidades rurais. A fim de fazer uma avaliação final do projeto, foi realizado o Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidades. O evento reuniu agricultores e estudantes em torno da Agroecologia e trouxe novas possibilidades para a educação agroecológica na região.

O projeto de Horta Escolar no município surgiu a partir de uma demanda colocada por famílias agricultoras em seminário realizado no ano passado. O evento acontecia no contexto do Outubro Rosa e tinha como tema o impacto dos agrotóxicos na saúde. Naquele momento, os agricultores do Grupo Associada da Rede Ecovida falaram da necessidade de um trabalho que envolvesse os(as) jovens, o que se tornou realidade com o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz.

Durante o Seminário deste ano, turmas do 6º ano ao ensino médio compartilharam as experiências feitas junto com o técnico de campo e educador do Cepagro, Henrique Martini Romano. Ao longo do ano letivo, foi possível trabalhar o conceito de agroecologia, atividades de compostagem, cultivo de cogumelos e o mais importante, segundo Henrique, trabalhar valores para uma relação de mais respeito e cuidado com a natureza. Além disso, as turmas puderam visitar agricultores orgânicos da região e assim conhecer alternativas de trabalho e renda no campo.

A diretora da escola, Fabiane Laurindo Motta diz que a horta é um laboratório de experiências e avalia que o projeto melhorou a qualidade da alimentação escolar, levando a educação alimentar para fora da escola. “O mais importante é que a gente come o que planta. Estamos muito felizes com esse projeto e desejamos do fundo do coração que ele continue”, disse Fabiane. E assim como a horta escolar rural surgiu a partir de um seminário, este também gerou novas proposições.

Uma delas feita pela técnica da Coordenadoria Regional de Educação em Brusque, Darli de Amorim Zunino, que atende Major Gercino e outros 7 municípios. Darli lembrou que até 2022 as escolas estaduais terão de se adaptar ao novo ensino médio, com formação técnica e profissional. Contente em ver os impactos positivos do projeto, Darli afirmou a necessidade de criar um curso de Agroecologia no município e assim “preparar para que esses jovens possam estar trabalhando com produtos saudáveis e orgânicos, pela possibilidade de uma futuro melhor”, disse. Ela defendeu ainda a importância da educação do campo, “uma forma de mostrar para as crianças que ser agricultor neste país é algo significativo e precisa ser valorizado”. O Coordenador Regional de Educação, João Eugênio Rovaris, também estava presente no seminário. Ele acredita que “ensinar é amar” e parabenizou o trabalho realizado na escola dizendo que “são trabalhos como esse que contribuem muito com a comunidade”.

O Coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro, Charles Lamb, confirma a continuidade do trabalho com a horta escolar para o ano letivo de 2020 e comenta: “Do ponto de vista de fortalecer relações com as comunidades e escolas do campo, a iniciativa proposta pela coordenação regional de educação em trabalhar com um ensino profissionalizante agroecológico na Escola Professor Tercílio Bastos foi uma grande surpresa. É um reflexo dos resultados alcançados neste ano de trabalho e uma oportunidade aos jovens agricultores e agricultoras da região”.

Além dos estudantes, os agricultores orgânicos também compartilharam os avanços obtidos em 2019. Um deles foi o abastecimento da merenda escolar municipal por parte do Grupo Associada da Rede Ecovida, o que também havia sido colocado como uma demanda no último seminário. Embasado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o coordenador do Grupo, Ernande Stolarczk, articulou com a nutricionista da educação municipal, Ana Luiza Zambonato Dorneles, a compra da merenda escolar orgânica. Ana Luiza conta que graças à iniciativa do grupo, há quase 6 meses os 30% da compra da Agricultura Familiar é orgânica e defendeu a importância disso ao lembrar que a ingestão de agrotóxicos pode causar câncer e outras doenças.

Ernande também estudou na Escola Prof. Tercílio Bastos e está há mais de 10 anos na agricultura orgânica. Ele comemora por não usar mais agrotóxico e por ver que o Grupo Associada está crescendo: “Uma família sozinha não consegue, é muito difícil, por isso a gente criou o grupo”, que hoje abrange também Angelina, Leoberto Leal, São João Batista e Nova Trento. Ernande convidou as famílias dos estudantes a participarem do Grupo Associada e a fazerem a transição agroecológica. Convite reforçado por sua mãe, Salete Stolarczk. “É muito bom trabalhar na Agroecologia, nossa saúde melhorou 80%”, disse Salete. Antes de cultivar uvas orgânicas e biodinâmicas, ela plantava fumo. Não sente saudades daquele tempo e durante o seminário recitou: “vou dar minha opinião, mesmo ela sem ser pedida. Quem produz sem agrotóxico, valoriza toda a vida”. 

As atividades de apoio a estas famílias em 2019 envolveram capacitações para o planejamento de produção, manejo integrado de pragas, implantação de biodigestor e melhoria na comercialização. Esta última se deu através da organização de células de consumo, apresentada pelo agricultor e vice-prefeito, Moacir Batisti. “A gente vem de família que trabalhava na roça antes do tempo do agrotóxico. Quando ele chegou começamos a usar pra ser mais fácil de produzir”, conta Moacir, que hoje agradece o convite feito há mais de 6 anos pela família Stolarczk para a transição agroecológica e apoio do Cepagro nesse processo.

Este ano, Moacir iniciou a entrega de cestas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Conta que já foram entregues pelo menos 2.591 cestas de 4,5 kg ou 9 kg. Mais de 12.800 kg de alimentos orgânicos entregues, melhorando o escoamento dos produtos e o faturamento da família, principalmente por se tratar de uma venda mensal garantida.

Além dessas famílias, outros agricultores do Grupo Associada se apresentaram durante o evento, como Emerson Casas Salvador, que cultiva cogumelos e contribuiu com substratos para as atividades de educação. Uma das riquezas do projeto de Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas foi a relação desenvolvida entre estudantes e agricultores. Relação que seguirá fortalecida em 2020, segundo Charles Lamb, “Enquanto Cepagro, seguiremos em 2020 parceiros e fomentadores dessas relações oportunizadas pelo projeto das Irmãs da Santa Cruz”.

Durante o seminário, os alunos e alunas também levaram as famílias agricultoras para conhecer a horta pedagógica e em seguida foi servido um café agroecológico com produtos do Grupo Associada, preparados com carinho pelas cozinheiras e funcionárias da escola. O evento encerrou com uma apresentação musical dos estudantes, em tom de comemoração pelos passos dados nos últimos meses e pelo caminho que se abre para a agroecologia no município. As famílias e estudantes também puderam levar para casa mudas de frutíferas nativas da Mata Atlântica, doadas pela Floricultura Flora Santa Rita, da Palhoça.

O Seminário foi organizado pelo Cepagro em parceria com a Escola Professor Tercílio Bastos e Grupo Associada da Rede Ecovida e contou com o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz e da Prefeitura de Major Gercino.

 

Cepagro participa de encontro de hortas educativas no Chile

Enquanto a luta do povo chileno contra o neoliberalismo nas ruas de Santiago marcava as notícias internacionais há mais de um mês, ao sul da capital, nas terras da Araucania, a força da cultura originária Mapuche aquecia e enriquecia o IX Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas, realizado entre os dias 27 e 30 de novembro em Villarica. Inspirado  no tema Con las Manos en la Tierra, por una Comunidad de Aprendizaje sin Fronteras, o evento reuniu cerca de 300 pesquisadoras/es, educadoras/es e ativistas de 16 países. “O Encontro foi bem especial porque trouxe um viés de conexão com os povos tradicionais do Chile. Também trouxe pessoas de vários cantos do mundo que estão pesquisando, trabalhando e disseminando o tema de hortas educativas”, avalia a agrônoma Karina Smania de Lorenzi, que junto com o agrônomo Júlio César Maestri, representaram o Cepagro no evento. O tema se desdobrou em eixos como Agroecologia, Alimentação, Saúde, Bem-estar e Educação Ambiental, Sementes Livres, Câmbio Climático e Políticas Públicas.

O Encontro teve oficinas práticas, mesas temáticas, Feira de Sociobiodiversidade, troca de sementes, e saídas de campo para conhecer mais do território e da cultura Mapuches. “Conhecemos as rotas de Kurarrewe, onde pudemos conhecer sobre povos Mapuches, sua história, sua cultura, seus costumes e nos conectar com sua ancestralidade”, conta Karina. “Foi muito rica a experiência de trocas de conhecimento, de estar conectados com o mesmo objetivo e principalmente de fortalecer os laços dessa rede”, completa. Karina explica que o termo Hortas Educativas foi um diferencial no encontro deste ano: “Entende-se que as hortas são espaços educativos não só na escola, mas existe também as comunitárias, as experiências de agricultura urbana… E o termo ‘educativas’ contempla tudo isso”.

Confira a entrevista com Claudia Flisfisch, da Comissão Organizadora do Encontro, feita por Karina.

Como foi a experiência de trazer o Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas para o Chile?
Foi uma decisão muito sábia desde o início, vimos a possibilidade de sediar o Encontro Internacional como uma oportunidade muito concreta de articular as iniciativas de hortas educativas em nível nacional. Esperamos promover uma rede nacional de hortas educativas e acredito que alcançamos esse objetivo de inspirar e reunir pessoas que estão trabalhando em questões comuns. Agora temos que continuar trabalhando para dar continuidade a isso. Esta é apenas uma faísca inicial.

Quantas pessoas e países estiveram presentes?
Cerca de 300 pessoas participaram do Encontro, de 16 nacionalidades diferentes: Estados Unidos do México, Guatemala, Nicarágua, Peru, Uruguai, Brasil, Argentina, Itália, França, Chile, Colômbia. É muito interessante entendermos que o Chile é um território muito longo e magro, com uma presença importante de diferentes regiões do país do norte ao sul chilenos. Conseguimos reunir pessoas de territórios muito diferentes e também entender que o Chile é um país composto por diferentes culturas. E no Encontro estiveram representantes da cultura aimara, quíchua e, claro, a cultura mapuche. Foi um encontro muito diverso, o que obviamente lhe dá uma enorme riqueza.

O Encontro caracterizou-se por uma forte presença da cultura Mapuche, além de acontecer num momento de várias manifestações sociais no Chile. Queres comentar sobre isso?
Para sermos anfitriões do IX Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas e ter tomado a decisão de realizar a reunião no Wallmapu, no território Mapuche, foi porque entendemos que as hortas educacionais não estão separadas do território que os rodeia. As hortas educativas são a expressão desse território, a cultura local reflete o clima e o ecossistema local e nos parecia importante poder apresentar um pouco da cultura mapuche em um contexto mais vinculado à educação e à criação de alternativas que ecoem as necessidades que temos hoje nos aspectos sociais e ambientais.

Finalmente, e sem saber que isso aconteceria, acho que também é muito potente que a reunião coincidisse com um momento social muito importante em nosso país. Estamos passando por uma profunda crise, que é a expressão de um sistema que está em crise no econômico, no social, no político no ambiental. De certa forma, acho que o Encontro caiu muito bem porque dá respostas muito específicas às necessidades e desafios que estamos enfrentando, então estamos definitivamente muito felizes em vários níveis por ter acolhido o evento.

Como é trabalhar um tema comum como as hortas com um grupo tão diverso de participantes?
Sediar Encontros internacional é muito importante quando se quer fazer um trabalho em nível territorial ou mais local, porque permite que as pessoas que participam estejam cientes de que os desafios que temos aqui são desafios que se repetem em muitos outros territórios do planeta, e a possibilidade de vinculá-los a outros territórios com outras realidades é muito potente. Existem soluções, existem caminhos percorridos que podem ser usados ​​para inspirar trocas de experiências, de conhecimentos e também, é claro, gerar laços humanos sinceros, relacionamentos fraternos, de colaboração. Às vezes cabe trabalhar um pouco em contracorrente e essas reuniões também servem para dar força e esperança às pessoas que trabalham no dia a dia nessas questões.

 

Atividades na Horta Escolar de Major Gercino encerram com visita a agricultores

Na última quinta-feira, 28 de novembro, foi realizada a última atividade na Horta Pedagógica da Escola Professor Tercílio Bastos, no Pinheiral, em Major Gercino. E para enriquecer ainda mais os aprendizados obtidos ao longo de todo o ano letivo, os estudantes encerraram as atividades visitando a propriedade de agricultores da região. A atividade compõe o projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em comunidades rurais, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz. 

Foram realizadas duas visitas, começando pela propriedade da família Stolarczk, onde Dona Salete e Seu Aloísio cultivam uvas biodinâmicas e produzem sucos e vinhos orgânicos. Mas antes de conhecer os parreirais da família, os(a) estudantes aprenderam o funcionamento de um Biodigestor. A estrutura foi implantada como uma ação do mesmo projeto, que envolveu além da escola, famílias agricultoras do município, visando promover a Agroecologia.

Seu Aloísio explicou todo o processo de transformação do esterco das vacas em adubo e gás de cozinha. Ele contou que o equipamento produz em média o equivalente à 3 botijões por mês e que o investimento a ser feito para a sua implantação pode ser recuperado em 2 anos. O agricultor conta que apesar de ser um sistema simples, vale muito à pena. Depois das dúvidas sanadas, as turmas seguiram para o parreiral da família. 

Lá, eles puderam entender um pouco melhor como produz quem não utiliza agrotóxicos, prática que foi bastante trabalhada pelo técnico de campo e educador do Cepagro, Henrique Martini Romano, durante as atividades na horta. Henrique conta que um dos objetivos com a visita foi justamente apresentar para os estudantes, alternativas de trabalho e renda no campo.

Em seguida, Dona Salete mostrou os preparados biodinâmicos que ela usa para fertilizar as parreiras de uva. Como todos os ingredientes utilizados são inofensivos para a saúde, diferente dos agrotóxicos que a família deixou de usar há mais de 10 anos, os alunos puderam ver de perto e ajudar a fazer as misturas a base de melado, chá, leite e outros ingredientes naturais. Tudo para deixar as uvas mais bonitas, saudáveis e saborosas sem agredir a saúde do solo, dos agricultores e dos consumidores.

E antes de retornar para a escola, a turma tomou um lanche com os sucos da família Stolarczk e pratos preparados pela cozinheira da escola, Roseli S. Scheidt. Roseli conta que a experiência com a horta agroecológica não foi boa somente para os estudantes, mas para ela também, que pôde cultivar alimentos e temperos que nunca havia cultivado antes. Ela também disse que gostou de aprender a preparar pratos com cogumelo e de poder cozinhar com alimentos saudáveis vindos da horta da escola.

A escola já contava com uma horta, mas ainda não com uma proposta agroecológica. a Diretora Fabiane Laurindo Motta conta ter notado uma grande diferença: “os canteiros estão cheios, a horta está produzindo e a gente tem visto que os canteiros estão mais nutridos”. Além disso o projeto contribuiu com a aprendizagem, principalmente pelo caráter rural da escola. “É fundamental que as nossas crianças e adolescentes tenham contato com a agricultura, com o cultivo das hortaliças, com a manutenção do solo, porque é algo que eles podem levar para os seus pais e familiares e adotar esse tipo de cultivo nas suas hortas também”, disse Fabiane.

Além da diretora, o professor de ciências Izair Knaul deseja que o projeto tenha continuidade no ano que vem. “O trabalho que o Henrique desenvolve aqui vem colaborar muito com a prática e isso é importante porque acaba reforçando a teoria, o diálogo que acontece é super interessante”, afirma Izair. Relações e ciclos ecológicos foram alguns dos conteúdos trabalhados em aula que se tornaram mais visíveis na horta, segundo o professor.

No período da tarde, as turmas do 6º e 7ª ano foram conhecer os cultivos de shimeji do fumicultor aposentado Paulo Gazdzcki. Com a visita, os alunos e alunas viram em escala maior, a experiência com o cultivo de cogumelos feita na escola. Paulo é avô de um dos estudantes e cultiva cogumelos há um ano. Ele transformou a antiga estufa de fumo em um ambiente agradável para o cultivo dos fungos e atualmente colhe cerca de 5kg por semana.

Depois das visitas, as turmas ainda voltaram para a escola e começaram a preparar os canteiros para o período de férias, quando as atividades serão interrompidas. Sobre esse ano de projeto, Henrique conta que além de trabalhar muitos conteúdos e conhecimento, foram desenvolvidas também habilidades e, o mais importante, muitos valores. “Esse cuidado com a terra e essa observação do ciclo de vida de uma planta e dos insetos que aparecem, as borboletas e as abelhas, isso traz um encantamento com a natureza e esse encantamento gera uma relação de mais respeito e de mais cuidado com a natureza. Isso pra mim é a maior contribuição da horta nas escolas”, diz Henrique.

E para encerrar também as atividades do projeto apoiado pelas Irmãs da Santa Cruz como um todo, será realizado o Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidade, nesta sexta-feira, 6 de dezembro. O Seminário irá promover o inverso e trazer as famílias agricultoras para dentro da Escola Professor Tercílio Bastos. O evento é aberto à quem quiser participar e conhecer a produção agroecológica na região, além de ouvir dos próprios estudantes a sua experiência com a horta escolar.

Para saber mais sobre esse evento acesse: http://bit.ly/34Rlg11.

Cepagro leva metodologia de Hortas Escolares para estudantes e educadores no bairro Armação

O último sábado, 9 de novembro, foi dia de compartilhar um pouco da experiência com as hortas escolares. O Cepagro, em parceria com o curso de Educação do Campo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizou uma formação sobre Hortas Educativas e Agroecológicas na escola Dilma Lúcia dos Santos, no bairro Armação. O curso contou com a presença de professores e professoras da escola e da Educação do Campo, além de estudantes e educadores interessados no tema.

Ao longo do dia, a agrônoma Karina Smania de Lorenzi apresentou a metodologia desenvolvida pelo Cepagro para trabalhar a horta pedagógica, aliando esse espaço com os conteúdos do currículo escolar. O curso foi divido em dois momentos e iniciou com uma explicação mais teórica no período da manhã. Karina trouxe o conceito de Agroecologia e do que é uma horta agroecológica. Falou também sobre os três eixos da horta escolar: gestão de resíduos e compostagem, horta educativa e agroecológica e segurança alimentar e nutricional.

Na horta escolar, que constitui um laboratório vivo para os/as alunos/as, os três eixos são abordados ao longo de todo o ano letivo, aliando sempre o calendário agrícola com o escolar. Karina falou ainda sobre como trabalhar a interdisciplinaridade com as hortas escolares, como envolver cada disciplina e quais as atividades possíveis de serem feitas pelos/as próprios professores/as.

O período da tarde foi voltado para as atividades práticas. Juntos, educadores/as e estudantes aprenderam a construir uma composteira didática em garrafas, ótima para a apresentar a gestão de resíduos orgânicos para as crianças. Como o dia foi de chuva, a turma aprendeu a construir uma horta agroecológica em caixas de feira. Também aprenderam a fazer produção de cogumelos shimeji, uma atividade possível de fazer em sala de aula e assim trabalhar a alimentação saudável.

Karina conta que através das atividades realizadas, os participantes puderam refletir as inúmeras possibilidades de integrar diferentes conteúdos e tornar um projeto de hortas escolares interdisciplinar. “Os participantes estavam muito integrados e foi um rico momento de compartilhar conhecimentos e refletir como a Agroecologia pode se inserir e transformar a escola e a comunidade escolar”, conta a agrônoma.

Para Fernanda Katharine de Souza Lins Borba, professora de ciências da Escola Dilma Lúcia dos Santos, o curso “foi uma grande oportunidade de reciclar conhecimentos e aprender novas técnicas agroecológicas que podem ser utilizadas no processo de ensino-aprendizagem”.

A metodologia das hortas escolares desenvolvida pelo Cepagro ao longo de mais de 10 anos de experiência com o tema foi reunida no Guia de Atividades: Educando com a Horta. O livro traz conteúdos e exemplos de atividades que podem ser feitas por educadores e assim trabalhar a educação ambiental e alimentar  nas escolas. Para que o Guia possa ser publicado nós lançamos uma campanha de financiamento coletivo disponível em benfeitoria.com/guiaeducandocomahorta.

A campanha vai até o dia 22 de novembro e está funcionando como uma pré-venda do livro. Acesse, veja as recompensas, faça a sua contribuição e ajude a levar as hortas pedagógicas para mais escolas do Brasil.

Cepagro promove campanha de financiamento coletivo para publicar livro sobre Hortas Escolares

O Guia de Atividades Educando com a Horta reúne a experiência de mais de 10 anos do Cepagro com Hortas Pedagógicas. A publicação traz nossa metodologia que une o calendário agrícola ao escolar, além de um conjunto de atividades para cultivar a educação ambiental e alimentar nas escolas. As atividades estão organizadas em três eixos: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. Com o Guia de Atividades Educando com a Horta, educadores e educadoras descobrirão como trabalhar diversas disciplinas no espaço da horta, que constitui um laboratório vivo de aprendizados.

Para imprimir e distribuir o Guia, o Cepagro lançou uma campanha de financiamento coletivo. A campanha funciona como uma pré-venda do livro: a partir de R$ 50 é possível adquirir um exemplar e recebê-lo pelo Correio. Com o recurso arrecadado, será feita a impressão e envio dos Guias pelo correio. O material já está escrito, diagramado e lindamente ilustrado.  As colaborações podem ser feitas com cartão de crédito ou boleto pelo link https://benfeitoria.com/guiaeducandocomahorta.

A campanha pretende arrecadar pelo menos R$ 15 mil até o dia 22 de novembro. Se não atingirmos esse valor, devolveremos todas as colaborações. Se levantarmos R$ 20 mil, conseguiremos imprimir E enviar os livros pelo correio sem precisar pagar o frete por outras fontes. Com uma arrecadação de R$ 27 mil, nós poderemos imprimir e enviar os livros, pagar as taxas financeiras da campanha e remunerar a equipe que o produziu – que até agora trabalhou voluntariamente. 

A colaboração de todas e todos que têm um compromisso com uma educação transformadora e voltada para a sustentabilidade é fundamental, tanto financeiramente quanto na divulgação. Este material será importante para estimular e fortalecer o trabalho com hortas e a Educação Ambiental em escolas de todo Brasil. Esperamos a visita de todas e todos em https://benfeitoria.com/guiaeducandocomahorta.