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Na semana da Luta Contra os Agrotóxicos, Major Gercino comemora avanços da Agroecologia 

Sexta-feira, 6 de dezembro, foi dia de celebrar mais um ano de promoção da Agroecologia em Major Gercino (SC).  Desde março, o Cepagro esteve desenvolvendo ações de capacitação e transição agroecológica com famílias agricultoras e atividades de educação na escola rural Professor Tercílio Bastos, através do projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em comunidades rurais. A fim de fazer uma avaliação final do projeto, foi realizado o Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidades. O evento reuniu agricultores e estudantes em torno da Agroecologia e trouxe novas possibilidades para a educação agroecológica na região.

O projeto de Horta Escolar no município surgiu a partir de uma demanda colocada por famílias agricultoras em seminário realizado no ano passado. O evento acontecia no contexto do Outubro Rosa e tinha como tema o impacto dos agrotóxicos na saúde. Naquele momento, os agricultores do Grupo Associada da Rede Ecovida falaram da necessidade de um trabalho que envolvesse os(as) jovens, o que se tornou realidade com o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz.

Durante o Seminário deste ano, turmas do 6º ano ao ensino médio compartilharam as experiências feitas junto com o técnico de campo e educador do Cepagro, Henrique Martini Romano. Ao longo do ano letivo, foi possível trabalhar o conceito de agroecologia, atividades de compostagem, cultivo de cogumelos e o mais importante, segundo Henrique, trabalhar valores para uma relação de mais respeito e cuidado com a natureza. Além disso, as turmas puderam visitar agricultores orgânicos da região e assim conhecer alternativas de trabalho e renda no campo.

A diretora da escola, Fabiane Laurindo Motta diz que a horta é um laboratório de experiências e avalia que o projeto melhorou a qualidade da alimentação escolar, levando a educação alimentar para fora da escola. “O mais importante é que a gente come o que planta. Estamos muito felizes com esse projeto e desejamos do fundo do coração que ele continue”, disse Fabiane. E assim como a horta escolar rural surgiu a partir de um seminário, este também gerou novas proposições.

Uma delas feita pela técnica da Coordenadoria Regional de Educação em Brusque, Darli de Amorim Zunino, que atende Major Gercino e outros 7 municípios. Darli lembrou que até 2022 as escolas estaduais terão de se adaptar ao novo ensino médio, com formação técnica e profissional. Contente em ver os impactos positivos do projeto, Darli afirmou a necessidade de criar um curso de Agroecologia no município e assim “preparar para que esses jovens possam estar trabalhando com produtos saudáveis e orgânicos, pela possibilidade de uma futuro melhor”, disse. Ela defendeu ainda a importância da educação do campo, “uma forma de mostrar para as crianças que ser agricultor neste país é algo significativo e precisa ser valorizado”. O Coordenador Regional de Educação, João Eugênio Rovaris, também estava presente no seminário. Ele acredita que “ensinar é amar” e parabenizou o trabalho realizado na escola dizendo que “são trabalhos como esse que contribuem muito com a comunidade”.

O Coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro, Charles Lamb, confirma a continuidade do trabalho com a horta escolar para o ano letivo de 2020 e comenta: “Do ponto de vista de fortalecer relações com as comunidades e escolas do campo, a iniciativa proposta pela coordenação regional de educação em trabalhar com um ensino profissionalizante agroecológico na Escola Professor Tercílio Bastos foi uma grande surpresa. É um reflexo dos resultados alcançados neste ano de trabalho e uma oportunidade aos jovens agricultores e agricultoras da região”.

Além dos estudantes, os agricultores orgânicos também compartilharam os avanços obtidos em 2019. Um deles foi o abastecimento da merenda escolar municipal por parte do Grupo Associada da Rede Ecovida, o que também havia sido colocado como uma demanda no último seminário. Embasado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o coordenador do Grupo, Ernande Stolarczk, articulou com a nutricionista da educação municipal, Ana Luiza Zambonato Dorneles, a compra da merenda escolar orgânica. Ana Luiza conta que graças à iniciativa do grupo, há quase 6 meses os 30% da compra da Agricultura Familiar é orgânica e defendeu a importância disso ao lembrar que a ingestão de agrotóxicos pode causar câncer e outras doenças.

Ernande também estudou na Escola Prof. Tercílio Bastos e está há mais de 10 anos na agricultura orgânica. Ele comemora por não usar mais agrotóxico e por ver que o Grupo Associada está crescendo: “Uma família sozinha não consegue, é muito difícil, por isso a gente criou o grupo”, que hoje abrange também Angelina, Leoberto Leal, São João Batista e Nova Trento. Ernande convidou as famílias dos estudantes a participarem do Grupo Associada e a fazerem a transição agroecológica. Convite reforçado por sua mãe, Salete Stolarczk. “É muito bom trabalhar na Agroecologia, nossa saúde melhorou 80%”, disse Salete. Antes de cultivar uvas orgânicas e biodinâmicas, ela plantava fumo. Não sente saudades daquele tempo e durante o seminário recitou: “vou dar minha opinião, mesmo ela sem ser pedida. Quem produz sem agrotóxico, valoriza toda a vida”. 

As atividades de apoio a estas famílias em 2019 envolveram capacitações para o planejamento de produção, manejo integrado de pragas, implantação de biodigestor e melhoria na comercialização. Esta última se deu através da organização de células de consumo, apresentada pelo agricultor e vice-prefeito, Moacir Batisti. “A gente vem de família que trabalhava na roça antes do tempo do agrotóxico. Quando ele chegou começamos a usar pra ser mais fácil de produzir”, conta Moacir, que hoje agradece o convite feito há mais de 6 anos pela família Stolarczk para a transição agroecológica e apoio do Cepagro nesse processo.

Este ano, Moacir iniciou a entrega de cestas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Conta que já foram entregues pelo menos 2.591 cestas de 4,5 kg ou 9 kg. Mais de 12.800 kg de alimentos orgânicos entregues, melhorando o escoamento dos produtos e o faturamento da família, principalmente por se tratar de uma venda mensal garantida.

Além dessas famílias, outros agricultores do Grupo Associada se apresentaram durante o evento, como Emerson Casas Salvador, que cultiva cogumelos e contribuiu com substratos para as atividades de educação. Uma das riquezas do projeto de Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas foi a relação desenvolvida entre estudantes e agricultores. Relação que seguirá fortalecida em 2020, segundo Charles Lamb, “Enquanto Cepagro, seguiremos em 2020 parceiros e fomentadores dessas relações oportunizadas pelo projeto das Irmãs da Santa Cruz”.

Durante o seminário, os alunos e alunas também levaram as famílias agricultoras para conhecer a horta pedagógica e em seguida foi servido um café agroecológico com produtos do Grupo Associada, preparados com carinho pelas cozinheiras e funcionárias da escola. O evento encerrou com uma apresentação musical dos estudantes, em tom de comemoração pelos passos dados nos últimos meses e pelo caminho que se abre para a agroecologia no município. As famílias e estudantes também puderam levar para casa mudas de frutíferas nativas da Mata Atlântica, doadas pela Floricultura Flora Santa Rita, da Palhoça.

O Seminário foi organizado pelo Cepagro em parceria com a Escola Professor Tercílio Bastos e Grupo Associada da Rede Ecovida e contou com o apoio do Instituto das Irmãs da Santa Cruz e da Prefeitura de Major Gercino.

 

Cepagro participa de encontro de hortas educativas no Chile

Enquanto a luta do povo chileno contra o neoliberalismo nas ruas de Santiago marcava as notícias internacionais há mais de um mês, ao sul da capital, nas terras da Araucania, a força da cultura originária Mapuche aquecia e enriquecia o IX Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas, realizado entre os dias 27 e 30 de novembro em Villarica. Inspirado  no tema Con las Manos en la Tierra, por una Comunidad de Aprendizaje sin Fronteras, o evento reuniu cerca de 300 pesquisadoras/es, educadoras/es e ativistas de 16 países. “O Encontro foi bem especial porque trouxe um viés de conexão com os povos tradicionais do Chile. Também trouxe pessoas de vários cantos do mundo que estão pesquisando, trabalhando e disseminando o tema de hortas educativas”, avalia a agrônoma Karina Smania de Lorenzi, que junto com o agrônomo Júlio César Maestri, representaram o Cepagro no evento. O tema se desdobrou em eixos como Agroecologia, Alimentação, Saúde, Bem-estar e Educação Ambiental, Sementes Livres, Câmbio Climático e Políticas Públicas.

O Encontro teve oficinas práticas, mesas temáticas, Feira de Sociobiodiversidade, troca de sementes, e saídas de campo para conhecer mais do território e da cultura Mapuches. “Conhecemos as rotas de Kurarrewe, onde pudemos conhecer sobre povos Mapuches, sua história, sua cultura, seus costumes e nos conectar com sua ancestralidade”, conta Karina. “Foi muito rica a experiência de trocas de conhecimento, de estar conectados com o mesmo objetivo e principalmente de fortalecer os laços dessa rede”, completa. Karina explica que o termo Hortas Educativas foi um diferencial no encontro deste ano: “Entende-se que as hortas são espaços educativos não só na escola, mas existe também as comunitárias, as experiências de agricultura urbana… E o termo ‘educativas’ contempla tudo isso”.

Confira a entrevista com Claudia Flisfisch, da Comissão Organizadora do Encontro, feita por Karina.

Como foi a experiência de trazer o Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas para o Chile?
Foi uma decisão muito sábia desde o início, vimos a possibilidade de sediar o Encontro Internacional como uma oportunidade muito concreta de articular as iniciativas de hortas educativas em nível nacional. Esperamos promover uma rede nacional de hortas educativas e acredito que alcançamos esse objetivo de inspirar e reunir pessoas que estão trabalhando em questões comuns. Agora temos que continuar trabalhando para dar continuidade a isso. Esta é apenas uma faísca inicial.

Quantas pessoas e países estiveram presentes?
Cerca de 300 pessoas participaram do Encontro, de 16 nacionalidades diferentes: Estados Unidos do México, Guatemala, Nicarágua, Peru, Uruguai, Brasil, Argentina, Itália, França, Chile, Colômbia. É muito interessante entendermos que o Chile é um território muito longo e magro, com uma presença importante de diferentes regiões do país do norte ao sul chilenos. Conseguimos reunir pessoas de territórios muito diferentes e também entender que o Chile é um país composto por diferentes culturas. E no Encontro estiveram representantes da cultura aimara, quíchua e, claro, a cultura mapuche. Foi um encontro muito diverso, o que obviamente lhe dá uma enorme riqueza.

O Encontro caracterizou-se por uma forte presença da cultura Mapuche, além de acontecer num momento de várias manifestações sociais no Chile. Queres comentar sobre isso?
Para sermos anfitriões do IX Encontro da Rede Internacional de Hortas Educativas e ter tomado a decisão de realizar a reunião no Wallmapu, no território Mapuche, foi porque entendemos que as hortas educacionais não estão separadas do território que os rodeia. As hortas educativas são a expressão desse território, a cultura local reflete o clima e o ecossistema local e nos parecia importante poder apresentar um pouco da cultura mapuche em um contexto mais vinculado à educação e à criação de alternativas que ecoem as necessidades que temos hoje nos aspectos sociais e ambientais.

Finalmente, e sem saber que isso aconteceria, acho que também é muito potente que a reunião coincidisse com um momento social muito importante em nosso país. Estamos passando por uma profunda crise, que é a expressão de um sistema que está em crise no econômico, no social, no político no ambiental. De certa forma, acho que o Encontro caiu muito bem porque dá respostas muito específicas às necessidades e desafios que estamos enfrentando, então estamos definitivamente muito felizes em vários níveis por ter acolhido o evento.

Como é trabalhar um tema comum como as hortas com um grupo tão diverso de participantes?
Sediar Encontros internacional é muito importante quando se quer fazer um trabalho em nível territorial ou mais local, porque permite que as pessoas que participam estejam cientes de que os desafios que temos aqui são desafios que se repetem em muitos outros territórios do planeta, e a possibilidade de vinculá-los a outros territórios com outras realidades é muito potente. Existem soluções, existem caminhos percorridos que podem ser usados ​​para inspirar trocas de experiências, de conhecimentos e também, é claro, gerar laços humanos sinceros, relacionamentos fraternos, de colaboração. Às vezes cabe trabalhar um pouco em contracorrente e essas reuniões também servem para dar força e esperança às pessoas que trabalham no dia a dia nessas questões.

 

Atividades na Horta Escolar de Major Gercino encerram com visita a agricultores

Na última quinta-feira, 28 de novembro, foi realizada a última atividade na Horta Pedagógica da Escola Professor Tercílio Bastos, no Pinheiral, em Major Gercino. E para enriquecer ainda mais os aprendizados obtidos ao longo de todo o ano letivo, os estudantes encerraram as atividades visitando a propriedade de agricultores da região. A atividade compõe o projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em comunidades rurais, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz. 

Foram realizadas duas visitas, começando pela propriedade da família Stolarczk, onde Dona Salete e Seu Aloísio cultivam uvas biodinâmicas e produzem sucos e vinhos orgânicos. Mas antes de conhecer os parreirais da família, os(a) estudantes aprenderam o funcionamento de um Biodigestor. A estrutura foi implantada como uma ação do mesmo projeto, que envolveu além da escola, famílias agricultoras do município, visando promover a Agroecologia.

Seu Aloísio explicou todo o processo de transformação do esterco das vacas em adubo e gás de cozinha. Ele contou que o equipamento produz em média o equivalente à 3 botijões por mês e que o investimento a ser feito para a sua implantação pode ser recuperado em 2 anos. O agricultor conta que apesar de ser um sistema simples, vale muito à pena. Depois das dúvidas sanadas, as turmas seguiram para o parreiral da família. 

Lá, eles puderam entender um pouco melhor como produz quem não utiliza agrotóxicos, prática que foi bastante trabalhada pelo técnico de campo e educador do Cepagro, Henrique Martini Romano, durante as atividades na horta. Henrique conta que um dos objetivos com a visita foi justamente apresentar para os estudantes, alternativas de trabalho e renda no campo.

Em seguida, Dona Salete mostrou os preparados biodinâmicos que ela usa para fertilizar as parreiras de uva. Como todos os ingredientes utilizados são inofensivos para a saúde, diferente dos agrotóxicos que a família deixou de usar há mais de 10 anos, os alunos puderam ver de perto e ajudar a fazer as misturas a base de melado, chá, leite e outros ingredientes naturais. Tudo para deixar as uvas mais bonitas, saudáveis e saborosas sem agredir a saúde do solo, dos agricultores e dos consumidores.

E antes de retornar para a escola, a turma tomou um lanche com os sucos da família Stolarczk e pratos preparados pela cozinheira da escola, Roseli S. Scheidt. Roseli conta que a experiência com a horta agroecológica não foi boa somente para os estudantes, mas para ela também, que pôde cultivar alimentos e temperos que nunca havia cultivado antes. Ela também disse que gostou de aprender a preparar pratos com cogumelo e de poder cozinhar com alimentos saudáveis vindos da horta da escola.

A escola já contava com uma horta, mas ainda não com uma proposta agroecológica. a Diretora Fabiane Laurindo Motta conta ter notado uma grande diferença: “os canteiros estão cheios, a horta está produzindo e a gente tem visto que os canteiros estão mais nutridos”. Além disso o projeto contribuiu com a aprendizagem, principalmente pelo caráter rural da escola. “É fundamental que as nossas crianças e adolescentes tenham contato com a agricultura, com o cultivo das hortaliças, com a manutenção do solo, porque é algo que eles podem levar para os seus pais e familiares e adotar esse tipo de cultivo nas suas hortas também”, disse Fabiane.

Além da diretora, o professor de ciências Izair Knaul deseja que o projeto tenha continuidade no ano que vem. “O trabalho que o Henrique desenvolve aqui vem colaborar muito com a prática e isso é importante porque acaba reforçando a teoria, o diálogo que acontece é super interessante”, afirma Izair. Relações e ciclos ecológicos foram alguns dos conteúdos trabalhados em aula que se tornaram mais visíveis na horta, segundo o professor.

No período da tarde, as turmas do 6º e 7ª ano foram conhecer os cultivos de shimeji do fumicultor aposentado Paulo Gazdzcki. Com a visita, os alunos e alunas viram em escala maior, a experiência com o cultivo de cogumelos feita na escola. Paulo é avô de um dos estudantes e cultiva cogumelos há um ano. Ele transformou a antiga estufa de fumo em um ambiente agradável para o cultivo dos fungos e atualmente colhe cerca de 5kg por semana.

Depois das visitas, as turmas ainda voltaram para a escola e começaram a preparar os canteiros para o período de férias, quando as atividades serão interrompidas. Sobre esse ano de projeto, Henrique conta que além de trabalhar muitos conteúdos e conhecimento, foram desenvolvidas também habilidades e, o mais importante, muitos valores. “Esse cuidado com a terra e essa observação do ciclo de vida de uma planta e dos insetos que aparecem, as borboletas e as abelhas, isso traz um encantamento com a natureza e esse encantamento gera uma relação de mais respeito e de mais cuidado com a natureza. Isso pra mim é a maior contribuição da horta nas escolas”, diz Henrique.

E para encerrar também as atividades do projeto apoiado pelas Irmãs da Santa Cruz como um todo, será realizado o Seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidade, nesta sexta-feira, 6 de dezembro. O Seminário irá promover o inverso e trazer as famílias agricultoras para dentro da Escola Professor Tercílio Bastos. O evento é aberto à quem quiser participar e conhecer a produção agroecológica na região, além de ouvir dos próprios estudantes a sua experiência com a horta escolar.

Para saber mais sobre esse evento acesse: http://bit.ly/34Rlg11.

Cepagro leva metodologia de Hortas Escolares para estudantes e educadores no bairro Armação

O último sábado, 9 de novembro, foi dia de compartilhar um pouco da experiência com as hortas escolares. O Cepagro, em parceria com o curso de Educação do Campo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizou uma formação sobre Hortas Educativas e Agroecológicas na escola Dilma Lúcia dos Santos, no bairro Armação. O curso contou com a presença de professores e professoras da escola e da Educação do Campo, além de estudantes e educadores interessados no tema.

Ao longo do dia, a agrônoma Karina Smania de Lorenzi apresentou a metodologia desenvolvida pelo Cepagro para trabalhar a horta pedagógica, aliando esse espaço com os conteúdos do currículo escolar. O curso foi divido em dois momentos e iniciou com uma explicação mais teórica no período da manhã. Karina trouxe o conceito de Agroecologia e do que é uma horta agroecológica. Falou também sobre os três eixos da horta escolar: gestão de resíduos e compostagem, horta educativa e agroecológica e segurança alimentar e nutricional.

Na horta escolar, que constitui um laboratório vivo para os/as alunos/as, os três eixos são abordados ao longo de todo o ano letivo, aliando sempre o calendário agrícola com o escolar. Karina falou ainda sobre como trabalhar a interdisciplinaridade com as hortas escolares, como envolver cada disciplina e quais as atividades possíveis de serem feitas pelos/as próprios professores/as.

O período da tarde foi voltado para as atividades práticas. Juntos, educadores/as e estudantes aprenderam a construir uma composteira didática em garrafas, ótima para a apresentar a gestão de resíduos orgânicos para as crianças. Como o dia foi de chuva, a turma aprendeu a construir uma horta agroecológica em caixas de feira. Também aprenderam a fazer produção de cogumelos shimeji, uma atividade possível de fazer em sala de aula e assim trabalhar a alimentação saudável.

Karina conta que através das atividades realizadas, os participantes puderam refletir as inúmeras possibilidades de integrar diferentes conteúdos e tornar um projeto de hortas escolares interdisciplinar. “Os participantes estavam muito integrados e foi um rico momento de compartilhar conhecimentos e refletir como a Agroecologia pode se inserir e transformar a escola e a comunidade escolar”, conta a agrônoma.

Para Fernanda Katharine de Souza Lins Borba, professora de ciências da Escola Dilma Lúcia dos Santos, o curso “foi uma grande oportunidade de reciclar conhecimentos e aprender novas técnicas agroecológicas que podem ser utilizadas no processo de ensino-aprendizagem”.

A metodologia das hortas escolares desenvolvida pelo Cepagro ao longo de mais de 10 anos de experiência com o tema foi reunida no Guia de Atividades: Educando com a Horta. O livro traz conteúdos e exemplos de atividades que podem ser feitas por educadores e assim trabalhar a educação ambiental e alimentar  nas escolas. Para que o Guia possa ser publicado nós lançamos uma campanha de financiamento coletivo disponível em benfeitoria.com/guiaeducandocomahorta.

A campanha vai até o dia 22 de novembro e está funcionando como uma pré-venda do livro. Acesse, veja as recompensas, faça a sua contribuição e ajude a levar as hortas pedagógicas para mais escolas do Brasil.

Cepagro promove campanha de financiamento coletivo para publicar livro sobre Hortas Escolares

O Guia de Atividades Educando com a Horta reúne a experiência de mais de 10 anos do Cepagro com Hortas Pedagógicas. A publicação traz nossa metodologia que une o calendário agrícola ao escolar, além de um conjunto de atividades para cultivar a educação ambiental e alimentar nas escolas. As atividades estão organizadas em três eixos: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. Com o Guia de Atividades Educando com a Horta, educadores e educadoras descobrirão como trabalhar diversas disciplinas no espaço da horta, que constitui um laboratório vivo de aprendizados.

Para imprimir e distribuir o Guia, o Cepagro lançou uma campanha de financiamento coletivo. A campanha funciona como uma pré-venda do livro: a partir de R$ 50 é possível adquirir um exemplar e recebê-lo pelo Correio. Com o recurso arrecadado, será feita a impressão e envio dos Guias pelo correio. O material já está escrito, diagramado e lindamente ilustrado.  As colaborações podem ser feitas com cartão de crédito ou boleto pelo link https://benfeitoria.com/guiaeducandocomahorta.

A campanha pretende arrecadar pelo menos R$ 15 mil até o dia 22 de novembro. Se não atingirmos esse valor, devolveremos todas as colaborações. Se levantarmos R$ 20 mil, conseguiremos imprimir E enviar os livros pelo correio sem precisar pagar o frete por outras fontes. Com uma arrecadação de R$ 27 mil, nós poderemos imprimir e enviar os livros, pagar as taxas financeiras da campanha e remunerar a equipe que o produziu – que até agora trabalhou voluntariamente. 

A colaboração de todas e todos que têm um compromisso com uma educação transformadora e voltada para a sustentabilidade é fundamental, tanto financeiramente quanto na divulgação. Este material será importante para estimular e fortalecer o trabalho com hortas e a Educação Ambiental em escolas de todo Brasil. Esperamos a visita de todas e todos em https://benfeitoria.com/guiaeducandocomahorta.

Horta escolar rural ganha cara nova com práticas agroecológicas

Compostagem, plantas companheiras e sazonalidade foram temas trabalhados com os/as estudantes da escola Tercílio Bastos, de Major Gercino, na última sexta-feira, 28 de junho. Mais uma vez o técnico de campo Henrique Martini Romano esteve na comunidade do Pinheiral, onde o Cepagro vem realizando atividades de educação ambiental através do projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz. 

A escola já possui uma horta com 36 canteiros e, durante o último encontro, Henrique perguntou às turmas que plantas elas gostariam de semear ali, além das que já vinham cultivando com as atividades do programa Mais Educação. Respeitando o calendário agrícola, Henrique selecionou algumas espécies da lista e planejou o plantio junto com os/as alunos/as. É dessa forma, com base na educação popular, que o Cepagro trabalha a educação agroecológica: “A gente dá bastante voz para os estudantes, propõe e escuta o que eles querem fazer”, conta Henrique.

A proposta de Henrique para as turmas dos sexto, sétimo e oitavo anos foi pensar os canteiros sob um dos princípios da Agroecologia: o consórcio de plantas, característica que auxilia no controle de pragas sem o uso de veneno. A ideia foi mostrar para eles/as que “a horta é um ecossistema, e que lá existem muitas relações e interações ecológicas entre as plantas, os animais e entre o meio físico, como o solo que tem ali”, disse Henrique. Em cada canteiro, plantas companheiras foram semeadas lado a lado em diferentes desenhos, pensados pelos/as próprios/as estudantes. 

Além de colorir e diversificar os canteiros com alimentos, temperos e flores, os/as alunos/as também aprenderam como funciona uma minhocasa. Com parte do composto doado pelo Hotel SESC Cacupé de Florianópolis, a turma do sexto ano montou uma composteira para entender como os restos de alimento são transformados em adubo para a horta. Eles/as também se divertiram tirando fotos das atividades.

O professor Izair Knaul, que leciona ciências, acompanhou as turmas durante a prática e contou que as atividades na horta colaboram muito com os aprendizados em sala de aula. O oitavo ano, por exemplo, estuda o corpo humano e a alimentação saudável e nutrição são  temas que aliam o conteúdo programado na disciplina com as práticas na horta.

Muitos aprendizados podem ser obtidos fazendo a relação com as disciplinas, mas para Henrique esse não é o principal objetivo da horta. “O objetivo maior com eles é criar um espaço de vida e de trabalho coletivo onde eles vão se relacionar de uma forma diferente do que eles se relacionam dentro da sala. A horta cria uma relação diferente entre eles e a terra, sutilmente a gente vai criando uma relação de mais amor e respeito com a natureza. Essa é a principal contribuição que a horta escolar tem para a educação e para a sociedade”, conta Henrique.

As atividades da horta pedagógica na Escola Tercílio Bastos seguirão até o final do ano letivo trabalhando 3 eixos centrais: gestão de resíduos, horta agroecológica e alimentação saudável, sempre buscando aliar o calendário agrícola com o calendário escolar.

Cepagro promove educação agroecológica no dia Mundial do Meio Ambiente

Há 47 anos, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo pela ONU, instituiu-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data tinha como objetivo alertar a população e governos de cada país sobre os perigos de negligenciarmos o cuidado com o mundo em que vivemos. No Brasil, celebramos também a Semana Nacional do Meio Ambiente, como consequência da data criada pela ONU.

Como parte da programação desta semana, o Cepagro realizou mais uma oficina de horta agroecológica na Escola de Educação Básica Januária Teixeira da Rocha, no Campeche. Por lá, apesar da importância da data, as crianças sabem que a Educação Ambiental acontece todo dia.

Na atividade de hoje, foi a vez da turma do 4º ano sujar as mãos de terra. Junto com a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, as crianças construíram o quarto canteiro da escola. Mas antes de ir para a prática, Karina explicou para elas a diferença entre um canteiro convencional e um canteiro agroecológico.

No canteiro convencional várias mudas de uma mesma espécie são plantadas lado a lado. Se um inseto ataca uma plantinha, a chance de ele atacar o canteiro inteiro é maior. Já a horta agroecológica funciona na base da cooperação, onde cada plantinha contribui com as suas características próprias, lógica que é aplicada também na vida de cada um. Há pessoas que são boas em matemática, outras que vão melhor em geografia, e tem ainda aquelas que são ótimas artistas ou esportistas.

Respeitando a diversidade e cooperando com o próximo, assim a oficina aconteceu. O composto utilizado, por exemplo, foi doação da Horta Pedagógica e Comunitária do Parque Cultural do Campeche (Pacuca). O coordenador do Parque, Ataíde Silva lembra que o espaço onde hoje está a horta comunitária foi conquistado com dificuldade. “Na época em que foi implantada, a ideia da horta foi uma forma de presença da comunidade, do não abandono dos moradores”, conta Ataíde. Para ele, as crianças são a esperança de que as gerações futuras colham ainda mais frutos e “nesse dia Mundial do Meio Ambiente, a coisa mais importante é a educação, é o que vocês fazem nessa escola, isso é uma semente”.

A professora Silvia Leticia de Sá T. Cardoso diz para seus alunos que eles sãos os guardiões do Campeche. Ela lembra que o bairro já sofreu com alguns crimes ambientais e acredita que a educação ambiental na escola é uma forma de conscientizar as gerações futuras para o cuidado com o espaço onde vivem. E tem funcionado.

Alguns pais contaram para Silvia que começaram a compostar em casa a pedido dos filhos, que estão mostrando interesse em cuidar das plantinhas do quintal de casa. “No relato dos pais eu pude perceber que eles vão levar esse projeto para a vida toda. Não só na questão ambiental, mas também levam para a vida, se tornam mais responsáveis”, contou a professora Silvia, que leciona para o quarto ano.

E essa é a ideia. Através de projeto do Cepagro, apoiado pela Misereor e em parceira com a Associação de Moradores do Campeche (Amocam), Karina Smania faz atividades práticas e pontuais na escola, trabalhando sempre uma turma e uma temática diferente. A agrônoma conta que com a horta pedagógica é possível trabalhar diversos temas, mas que a educação ambiental pode ser feita também no dia a dia pelas professoras em sala de aula, aliando a educação ambiental a suas disciplinas, sejam elas quais forem.

Na sexta-feira, 7 de junho, Karina voltará à escola e vai usar a literatura e a música para falar sobre as plantas que nascem embaixo e em cima da terra.