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Horta Pedagógica da Escola Januária Teixeira da Rocha dá os primeiros passos

Ontem, 5 de fevereiro, a Escola de Educação Básica Januária Teixeira da Rocha, no Campeche, iniciou as atividades práticas para a implantação de uma Horta Pedagógica assessorada pelo Cepagro. A ação é uma parceria entre a escola e a Associação de Moradores do Campeche (Amocam) e está inserida na meta de oficinas do Cepagro para a Educação Alimentar e Nutricional através do projeto Misereor em Rede. O objetivo é trabalhar com crianças do primeiro ao quinto ano três eixos centrais: Compostagem, Horta Pedagógica e Educação Alimentar e Nutricional, ao longo de todo o ano letivo.

A ideia surgiu depois que o diretor da escola, Abrão Iuskow, procurou a Amocam a fim de redesenhar uma pequena composteira utilizada pelo colégio. O presidente da associação de moradores, Alencar Deck Vigano, procurou o Cepagro e em dezembro uma primeira reunião foi realizada para ver o que era possível fazer. Ao fim do encontro, o que era pra ser apenas a manutenção de uma composteira acabou se transformando em um projeto de implantação de Horta Pedagógica com direito a 4 visitas técnicas de formação para professores, alunos e familiares.

Nesta terça-feira, a Engenheira Agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe do Cepagro, realizou a primeira formação com as professoras e funcionárias da unidade. Ela falou sobre Agroecologia e a importância da destinação correta dos resíduos, além de mostrar maneiras de inserir a composteira e a horta na educação fundamental. 

Karina esteve desenvolvendo uma Horta Pedagógica no Núcleo de Educação Infantil da Armação em 2018, com crianças de 5 e 6 anos. Lá o trabalho é mais lúdico, envolve música, contação de histórias e personagens. Ela conta que no ensino fundamental é possível se aprofundar mais, “fazer algumas experiências mais técnicas, dá pra aliar as disciplinas com os conhecimentos da horta e fazer as práticas das disciplinas das professoras na horta pedagógica”. 

Hoje a escola já tem uma horta, mas ela não tem sido incluída no conteúdo programático das turmas. O diretor Abrão conta que “é altamente indicado que se faça isso em uma escola, principalmente em uma escola como a nossa, do primeiro ao quinto ano. É melhor do que a creche, porque a creche é mais pelo deslumbramento. Aqui não, aqui é a assimilação para a vida delas. Desses cinco anos que as crianças passam na escola, algumas coisas vão ficar para o resto da vida. … E esses projetos é que ficam”, disse o diretor.

As atividades na horta serão realizadas em etapas bimestrais, respeitando assim o tempo da natureza. O primeiro bimestre será focado na sensibilização, gestão dos resíduos sólidos e compostagem. Em seguida o enfoque será nos canteiros, sementeiras e no plantio. Depois que a horta estiver dando frutos começa o trabalho sobre alimentação saudável e gastronomia, para então falar sobre adubação verde, plantas de cobertura e fazer a  avaliação final.

A professora Maria Inês Evaristo ficou muito feliz com a novidade: “A ideia está casando bem com o que a gente já estava pretendendo fazer. Aliás, a gente já tinha começado mas no ano passado a ideia estava meio adormecida. Quando a Karina apareceu no final do ano, avivou tudo e hoje a gente pode ver quantas ideias boas existem”.

A professora Ellen Regina Batista também está bastante motivada e quer contribuir com a horta: “cada passo desse projeto vai ser um momento de aprendizado, de descoberta, de curiosidade. E tanto as crianças quanto nós vamos estar aprendendo e aprofundando nossos conhecimentos”, disse.

E não foram somente as professoras que ficaram contentes com a parceria. Rozinéia do Carmo, que é funcionária da escola e mãe de alunas, disse que é ótimo saber que as filhas vão ter esse espaço dentro da escola: “As minhas filhas comem de tudo, elas vão amar. E eu acho que melhora até na alimentação das crianças, porque tem muita criança que não come porque não conhece”. Rozinéia está certa, temas como segurança alimentar e nutricional, alimentação saudável e desperdício de alimentos serão alguns dos assuntos trabalhados. A educação pode ser transformadora e uma Horta Pedagógica dentro da escola traz muitos benefícios para pais, alunos e professores.

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Estudantes de Antônio Carlos aprendem sobre compostagem e alimentação no ambiente da Horta Escolar

Cerca de 280 estudantes da Escola Municipal Dom Afonso Niehues, em Antônio Carlos (SC), estão desde agosto cultivando alimentos e aprendizados na Horta Pedagógica assessorada pelos engenheiros agrônomos Karina Smania de Lorenzi e Ícaro Pereira, da equipe técnica do Cepagro. Todas as turmas da escola, do 1º ao 5º ano, já trabalharam na horta ao longo desses meses. No laboratório vivo da horta, as crianças vivenciam o ciclo dos alimentos, da transformação de resíduos orgânicos em adubo através da compostagem até a colheita e preparação de receitas, feitas agora ao final do semestre.

“Já percebemos mudanças positivas. Uma delas foi a separação de resíduos orgânicos. Junto com os alunos do 5º ano fizemos uma sensibilização na escola, onde foram distribuídos baldes para os resíduos orgânicos e os estudantes estão fazendo a compostagem”, afirma Karina de Lorenzi. Na festa de final de ano da escola, a equipe Cepagro e a criançada ministrarão uma oficina de compostagem para os pais e mães da comunidade escolar. Haverá também distribuição de mudas.

A preparação de receitas com os alimentos colhidos na horta faz parte da metodologia Cepagro de educação agroecológica. “Eles já estão colhendo, fazendo receitas junto com a nutricionista Kalina Lima e também levando alimentos da horta para casa”, diz Karina.

Outro impacto positivo da horta foi na paisagem, segundo Karina: “Um espaço que estava em desuso hoje é um laboratório vivo. Depois da criação dos canteiros e plantio, os alunos estão tendo a chance de presenciar o crescimento das plantas e o aparecimento de muitos animais. A horta instiga muito a curiosidade dos alunos, pois sempre está acontecendo alguma coisa nova”, afirma a agrônoma.

 

Da cidade para o campo: Projeto Misereor em Rede difunde a Agroecologia

Grupo que visitou a propriedade da família Cognacco, em Leoberto Leal.

Neste mês de novembro, as atividades do Projeto Misereor em Rede continuam difundindo a Agroecologia para a população, em atividades como oficinas, intercâmbios e visitas de campo. No sábado, 11 de novembro, representantes da comunidade e profissionais dos Postos de Saúde do Ribeirão da Ilha e Alto Ribeirão participaram de uma oficina de compostagem no Jardim Botânico do Itacorubi. E no domingo, 12 de novembro, um grupo de consumidores e consumidoras da Feira Agroecológica do Campeche visitou a propriedade da família Cognacco, na comunidade Vargem dos Bugres, em Leoberto Leal (SC), onde são cultivados muitos dos alimentos que abastecem a Feira.

Turma da Oficina de Compostagem no Jardim Botânico.

A oficina de compostagem do sábado foi facilitada pela equipe da COMCAP e fez parte de uma série de atividades realizadas no Posto de Saúde do Ribeirão da Ilha através de uma parceria entre Cepagro e Epagri. “Agora também contamos com apoio da COMCAP e das Secretarias de Saúde e Agricultura de Florianópolis”, explica Erika Sagae, da equipe de campo do Projeto. Nos próximos encontros, será implantada uma horta naquela unidade de saúde. “Agradecemos a todxs que participam com entusiasmo da atividade, incentivando e acreditando na Agricultura Urbana em Florianópolis”, completa Erika.

 

 

No domingo, um grupo de 10 consumidores e consumidoras, além da equipe Cepagro e estudantes do Centro de Ciências Agrárias, foram ao interior de Leoberto Leal, a 150 km de Florianópolis, para conhecer a propriedade de Gilmar e Lúcia Cognacco, família que todos os sábados traz uma grande diversidade de alimentos agroecológicos para a Feira Agroecológica do Campeche.

Além de disfrutar das belas paisagens do interior de Santa Catarina, o grupo (re)conheceu na prática e no campo o esforço de toda a família para produzir alimentos bons, limpos e justos. Comentários sobre a distância percorrida pelo agricultor todas as semanas para fazer a Feira, a união da família no trabalho pela agroecologia e o cuidado no cultivo dos alimentos e criação dos animais brotavam a todo momento entre os participantes. Para a família, foi mais uma oportunidade de reconhecimento e valorização pela sua jornada agroecológica.