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Com música e poesia, Rede Semear articula o movimento da Agricultura Urbana em Florianópolis

“Caminho e planto sementes / nos cantos, nas pedras, nas mentes / que eu nunca perda o passo / que eu plante por todos os espaços”. Os versos cantados pela comunicadora Adriana Ribeiro, de Penha (SC), traduzem poeticamente a última reunião da Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana, realizada no sábado (04 de agosto) no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a convite do grupo Horta Orgânica do CCA (HOCCA). Com a participação de agricultores e agricultoras urbanxs (inclusive de outras cidades, como Adriana), representantes da Sociedade civil, Poder Público e Universidade, a Rede segue crescendo pautada pela diversidade e pela aproximação com grupos de base que promovem a ocupação de espaços urbanos com hortas, como a HOCCA.

Surgido a partir da iniciativa de estudantes do CCA que passaram a implantar hortas em espaços ociosos do Câmpus Itacorubi da UFSC, a HOCCA hoje fornece alimentos para o Restaurante Universitário, promove oficinas temáticas e é um espaço de aprendizado para graduandxs e também para a comunidade. Estas e outras informações foram compartilhadas durante a visita pelas hortas do campus guiada pelo grupo, que também falou sobre sua luta para seguir cultivando espaços e mentes na Universidade.

Mas a pauta principal da reunião foi a organização do IV Encontro Municipal da Agricultura Urbana (com data a ser definida), um dos principais momentos de integração e articulação do movimento em Florianópolis. “Podemos falar em movimento da Agricultura Urbana, pois reúne sociedade civil, poder público, agricultores urbanos, universidade, todos engajados em tema comum: Agricultura Urbana, produção alimentos na cidade, gestão comunitária de resíduos orgânicos e cuidado com a saúde”, explica Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro.

Além disso, também foi discutido contexto do Programa Municipal de Agricultura Urbana, instituído em junho do ano passado. Francisca Daussy, da Secretaria Municipal de Saúde, facilitou o debate sobre o Programa. Quem quiser conhecer mais sobre a proposta da PMAU, nesta sexta, 10 de agosto, das 9h às 11h, haverá um debate no Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Na busca por atender a diversas regiões da cidade e aproximar-se dos grupos de base, a próxima reunião da Rede Semear será provavelmente no Rio Vermelho, em data e local a serem confirmados.

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Cepagro renova parceria na compostagem em São Paulo

Durante os dias 25 e 26 de julho, o agrônomo Júlio Maestri, da equipe do Cepagro, esteve em São Paulo para a renovação por mais 2 meses na assessoria ao Pátio de Compostagem da LAPA, administrado pela empresa INOVA, contratada pela AMLURB . O Pátio recebe diariamente entre 3 a 4 toneladas de resíduos orgânicos de frutas, legumes e verduras de 26 feiras livres situadas na Prefeitura Regional da Lapa, mas tem potencial de receber até 10 toneladas. Nesta sequência, o Cepagro continuará no monitoramento ambiental do Pátio, verificando se o processo de compostagem ocorre de maneira adequada e prestando esclarecimentos.

O Pátio da Lapa integra o programa Feiras e Jardins Sustentáveis, que promove a separação e coleta dos resíduos de frutas, legumes e verduras de feiras livres para destiná-los à compostagem. “A ideia agora é fazer um trabalho mais específico nas feiras para qualificar a segregação”, explica Julio Maestri. Ao longo de 3 de funcionamento do Pátio, foram compostadas cerca de 2.700 toneladas de resíduos, que, ao invés de serem enviadas para o aterro sanitário, foram transformadas em 500 toneladas de composto, que é doado para escolas, postos de saúde e experiências de agricultura urbana. “As pessoas vão até o pátio, preenchem uma planilha e levam o composto, bem simples”, afirma o agrônomo. O Pátio também mantém um viveiro de mudas.

Além do aproveitamento de resíduos que seriam enviados para aterros e o estímulo à Agricultura Urbana, a experiência do Pátio da Lapa tem outro impacto importante. “O projeto da Lapa balizou um Termo de Referência da Prefeitura onde na próxima licitação todas empresas terão que fazer compostagem do resíduo das feiras”, explica Júlio Maestri. O Programa está para ser expandido para outras regiões da cidade, aguardando somente o licenciamento ambiental para implantação dos pátios.

 

Cepagro implanta pátios de compostagem em usinas hidrelétricas de SC e RS

Entre os dias 16 e 18 de julho, os agrônomos Aline de Assis e Júlio César Maestri rodaram pelo interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul para assessorar a implantação de 3 pátios de compostagem de pequeno porte em usinas hidrelétricas da empresa ENGIE. Os pátios foram instalados nas usinas de Passo Fundo (RS), Itá e Machadinho (SC) e servirão para reciclar os resíduos orgânicos dos refeitórios dessas unidades.

A implantação dos pátios teve 3 etapas. Na primeira, no período das manhãs, foi feito o sistema de drenagem das leiras, além de ser montada a 1ª destas. Depois, Aline e Júlio fizeram uma demonstração sobre a virada de bombonas e manutenção das leiras com palhada e materiais secos, com a participação da equipe técnica e operacional da Usina, além de representantes de empresas terceirizadas de educação ambiental que atuam na região. Nas tardes, a equipe Cepagro facilitou encontros com os funcionários da usina para apresentar a compostagem, utilizando como ferramenta pedagógica a TV Composteira.

“No geral, tivemos 100% de aceitação, todo o pessoal estava bem interessado”, avalia Aline Assis, da equipe técnica do Cepagro. A assessoria continua agora com um acompanhamento a distância.

Para saber mais sobre a assessoria em compostagem e Gestão de Resíduos Orgânicos do Cepagro, escreva para compostagem@cepagro.org.br.

Cepagro e Revolução dos Baldinhos levam a Gestão de Resíduos Orgânicos para Foz do Iguaçu (PR)


E a Revolução dos Baldinhos segue inspirando práticas de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana pelo Brasil. No último final de semana (6 a 9 de julho), foi a vez do Conjunto Habitacional Grande Lago, em Foz do Iguaçu (PR), receber a capacitação em compostagem e montar suas leiras e canteiros de horta, com a assessoria de agente comunitária Cíntia Aldaci da Cruz, da Revolução dos Baldinhos, e o agrônomo Júlio César Maestri, da equipe de Agricultura Urbana do Cepagro. A reaplicação faz parte do projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social, que conta com apoio da Fundação Banco do Brasil para disseminar Tecnologias Sociais em empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. 

Nesta etapa, “foram mobilizadas 50 famílias, que receberam baldinhos para coletar seus resíduos e participaram da dinâmica de escolher o desenho do pátio, onde ficariam as hortas e o desenho delas”, explica Júlio Maestri.  A coleta, compostagem e manutenção das leiras e hortas ficou sob responsabilidade de um grupo de 15 moradoras/es – na sua maioria, mulheres e jovens.  Assim como na Revolução dos Baldinhos, no Grande Lago a liderança também é feminina, com a presidente da Associação de Moradores, Nina Nassif, participando ativamente em todo o processo. “Achei muito interessante de ver o empoderamento feminino ali, já que a maioria do grupo é composto por mulheres. Vi muito potencial com elas, a agricultura urbana já está bem presente ali”, avalia Cíntia Cruz.

As atividades começaram na 6ª feira (6 de julho), com a escolha do modelo tradicional de leira do método UFSC para fazer a compostagem pelas famílias, que elaboraram também o seu próprio projeto de pátio, sempre com a assessoria de Cíntia e Júlio. No sábado, foi feito o mutirão para implantar a horta e o pátio, que saiu com um belo diferencial: o caminho das flores, feito de caixotes plantados com cravinhos, espécie que é ótima para controlar insetos nas hortas. No domingo, Cíntia e as lideranças comunitárias locais fizeram a rodada de sensibilização. “Fizemos a sensibilização porta a porta, conscientizamos 3 grandes geradores, fechamos com 50 famílias, que foram bem receptivas, muito carinhosas”, conta Cíntia.

Inicialmente, foram implantadas 2 leiras de compostagem para reciclar cerca de 3 toneladas de resíduos orgânicos das 50 famílias iniciais por mês. Deste volume, espera-se produzir 600 kg de composto mensalmente. “Serão 300kg pra doação entre moradoras/es e outros 300 kg pra venda, resultando em 150 pacotes de 2kg. Se considerarmos o preço de venda que a Revolução dos Baldinhos pratica (R$ 10), seria uma renda mensal de R$ 1.500 para dividir entre as 50 famílias”, explica Júlio Maestri. Além disso, a compostagem geraria cerca de 180 litros de biofertilizante líquido, sendo metade para doação e outra metade para venda, podendo chegar a um total de R$ 900 de receita. “Estima-se então uma geração de renda de R$ 2.400 para as 50 famílias”, completa. Se a Tecnologia Social fosse expandida para o total das famílias do empreendimento – 296, ou cerca de 1184 pessoas – Júlio e Cíntia calculam que resultaria numa renda de R$ 13 mil para o coletivo.

Mais além da geração de renda, Cíntia percebe que a Tecnologia Social pode elevar a autoestima da comunidade, como aconteceu na Chico Mendes: “Elas têm um potencial muito grande, mesmo considerando que elas sofrem preconceito pelo local onde se encontram, que é bem retirado. Mas a Revolução Grande Lago vai ajudar nesse processo”, avalia a agente comunitária.

Para que a iniciativa tenha sucesso, as parcerias  são fundamentais. Por isso, na 2ª feira (9 de julho), Cíntia e Júlio, juntamente com Nina Nassif, da Associação de Moradores do Residencial, estiveram reunidos com representantes da Prefeitura e da empresa local de coleta de resíduos, além da parceira local QI COMEX. “O presidente da empresa de coleta de resíduos se prontificou para disponibilizar grama cortada pra ajudar no processo”, afirma Júlio. Também participaram dessas reuniões as lideranças do conjunto habitacional, o presidente da Rede Interação, Altemir Almeida e do projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social – que articulam a reaplicação das TS em empreendimentos Minha Casa, Minha Vida. “Todos  demonstraram empenho e se colocaram para ajudar”, conta Cíntia.

 

 

 

Rede Semear Floripa ganha cara nova com reunião na Horta Comunitária do PACUCA

Buscando aproximar-se dos grupos de base da Agricultura Urbana de Florianópolis, a Rede Semear Floripa teve sua última reunião na Horta Comunitária e Pedagógica do PACUCA, no Campeche, no sábado passado, dia 30 de junho. A vice-diretora do Cepagro, Erika Sagae, representou a organização ali e avaliou o encontro como “muito positivo, com ampla participação de agricultores e agricultoras urbanos locais, profissionais do CRAS Capoeiras e Saco dos Limões, estudantes, professores e acadêmicos da UFSC (Geografia, Arquitetura, Saúde e Agronomia), órgãos públicos e do gabinete do vereador Marquito”. Cerca de 25 pessoas participaram da atividade, que teve também uma visita guiada pela horta, um “momento muito importante de troca de experiências, conhecimentos e mudas”, disse Erika. “Isso mostra a importância de que as reuniões aconteçam nos espaços das hortas, pra ter interação e fortalecer a Rede”, completa.

Depois de conhecerem a história da Horta do PACUCA pelo relato de seu coordenador, Ataíde Silva, as/os participantes  discutiram a importância da participação na Rede para a construção do IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana. Além de encaminhamentos, todxs saíram com sacolas cheias de verduras e aipim. A próxima reunião será no dia 4 de agosto no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a convite do grupo HOCCA – Horta Orgânica do CCA. Junto com a organização do Encontro de Agricultura Urbana, na pauta também está uma oficina sobre formatos de horta e propagação de mudas.

Entre em contato!
Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana – facebook.com/redesemearfloripa/
Horta Pedagógica e Comunitária do PACUCA – facebook.com/hortadopacuca/

fotos: Paulo Freitas e Erika Sagae

 

Cepagro e Revolução dos Baldinhos são parceiros da Prefeitura de Florianópolis em projeto de compostagem

Ana Karolina da Conceição, coordenadora comunitária da Revoluução dos Baldinhos, durante lançamento do projeto apoiado pelo MMA.

Na última sexta-feira, 8 de junho, foi lançado no Jardim Botânico o Projeto Ampliação e Fortalecimento da Valorização de Resíduos Orgânicos de Florianópolis, que ficou em 2º lugar dentre 12 cidades selecionadas pelo Ministério do Meio Ambiente no edital para projetos de compostagem de resíduos orgânicos urbanos. O Cepagro participou ativamente da construção do projeto e esteve presente na solenidade, junto com a Revolução dos Baldinhos e a Horta Comunitária do PACUCA. Marcaram presença também o Prefeito de Florianópolis, representantes da COMCAP, FLORAM, Secretarias de Saúde, Educação e Infraestrutura e SESC/SC. O agrônomo Antônio Storel Júnior, que foi coordenador de resíduos orgânicos da Amlurb (São Paulo) à época da implantação do Pátio de Compostagem do Programa Feira Livre Sustentável, que conta com assessoria técnica do Cepagro desde sua implantação, também fez uma fala durante o evento.

De acordo com Flávia Vieira Guimarães Orofino, engenheira sanitarista da COMCAP e coordenadora do projeto, o objetivo da iniciativa – que tem um orçamento total de cerca de R$ 967 mil e duração prevista de 2 anos – é desviar resíduos orgânicos do aterro sanitário, através da distribuição de composteiras domésticas, coleta porta-a-porta em bairros piloto (Monte Verde e Itacorubi), além do apoio a grupos comunitários (Revolução dos Baldinhos e PACUCA) e a a instalação de outros 5 pátios de compostagem institucional, a cargo da COMCAP e FLORAM. “Com os grupos comunitários, o desafio é a sustentabilidade financeira”, explica Flávia Orofino. “Por isso iremos fazer um estudo em parceria com a Revolução dos Baldinho para verificar a viabilidade de remunerá-los a partir do Pagamento por Serviços Ambientais Urbanos (PSAU). Ao final do projeto, esperamos colocar o PSAU em prática”, afirma a engenheira sanitarista. Enquanto isso, o grupo comunitário d da Revolução receberá 2 bolsas no valor de 1 salário mínimo para continuar as atividades durante 18 meses.

“A gente não quer que a Revolução fique só na Chico Mendes, mas que vá pra todo Brasil. E o pagamento por serviços ambientais é uma alternativa para que várias comunidades possam fazer sua Revolução também”, disse o coordenador do eixo urbano do Cepagro Júlio Maestri durante o Seminário. O Cepagro ficará responsável pelas formações em compostagem no projeto apoiado pelo MMA, considerando os mais de 10 anos de experiência em gestão de resíduos orgânicos da organização. Júlio apresentou esse histórico da atuação do Cepagro em compostagem: desde o Projeto Família Casca, passando pela Revolução Dos Baldinhos, Programa Educando com a Horta Escolar, reaplicação da tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil e os cursos de gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana.

Em 10 anos de atuação na comunidade Chico Mendes, a Revolução dos Baldinhos já reciclou e desviou do aterro sanitário centenas de toneladas de resíduos orgânicos da comunidade, de acordo com Ana Karolina da Conceição, coordenadora comunitária da Revolução. Somente entre 2009 e 2013 foram 437 toneladas de resíduos transformadas em adubo, resultando numa economia de R$ 137 mil aos cofres públicos, de acordo com a pesquisa de mestrado do agrônomo Marcos José de Abreu, um dos fundadores do projeto. Nos anos seguintes, a Revolução manteve uma média de compostagem de 6 toneladas de resíduos por mês, resultando em cerca de outras 300 toneladas de resíduos desviados do aterro entre 2013 e 2018. Considerando a média de R$ 148/tonelada enviada ao aterro, seriam outros R$ 44 mil reais economizados. Além de coletar orgânicos e fazer a compostagem, a Revolução também transforma óleo de cozinha em sabão e coleta roupas usadas para um brechó comunitário onde a peça mais cara custa R$ 5. “Nós somos o meio ambiente, então temos que voltar a participar desse circuito”, disse Ana Karolina da Conceição durante o Seminário.

Revolução dos Baldinhos e Cepagro falam sobre compostagem em Santos (SP)

A coordenadora comunitária da Revolução Ana Karolina da Conceição e o agrônomo Júlio Maestri, da equipe do Cepagro, participaram no último sábado (12 de maio) da OCUPAÇÃO VERDE, uma série de encontros do SESC Santos (SP) que traz “reflexões e práticas sobre ocupações de espaços públicos baseadas na cultura da sustentabilidade”. Na roda de conversa sobre “Compostagem Urbana Descentralizada”, Júlio e Karol falaram sobre a experiência da Revolução, “tentando motivar na cidade de Santos algumas ações”, afirma Júlio. O evento reuniu professores, representantes do poder público e moradore/as de comunidades diversas.

Santos foi uma das cidades selecionadas no edital de Apoio a Projetos de Compostagem do Ministério do Meio Ambiente. A formação com as 12 prefeituras selecionadas aconteceu em Florianópolis em meados de abril, e incluiu uma visita à Revolução (foto abaixo).