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Seminário aborda Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos de Norte a Sul do País

Como parte da programação do III Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana, acontece na próxima 4ª feira, dia 22 de Novembro, às 13h45, o Seminário “Integrando Revoluções”. A atividade será no Jardim Botânico do Itacorubi e vai reunir representantes da Revolução dos Baldinhos junto com outras duas experiências de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos: a Cooperativa de Compostagem de Paragominas/PA e da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN. O encerramento será comandado pela banda Cores de Aidê. O evento é aberto e gratuito, resultado de uma parceria do Cepagro com a FAPESC, COMCAP, UFSC, FATMA e com apoio do Ministério da Agricultura. Para mais informações, escreva para gestaocomunitariaderesiduos@gmail.com.

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Seminário em Santa Rosa de Lima aborda desafios e demandas da Agroecologia

VIII Seminário Estadual de Agroecologia em Santa Rosa de Lima

Santa Rosa de Lima, município com 2 mil habitantes nas Encostas da Serra Catarinense, sediou o VIII Seminário Estadual de Agroecologia nos dias 26 e 27 de outubro. Conhecida pelo agroturismo – foi ali que começou o projeto Acolhida na Colônia -, a cidade, que  também tem o título de Capital Catarinense da Agroecologia Agroecologia, recebeu cerca de mil pessoas para o Seminário. O evento foi promovido pela Prefeitura de Santa Rosa de Lima, Associação dos Agricultores Agroecológicos (Agreco/CooperAgreco), Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf), Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia, Cooperativa de Crédito Cresol, Centro de Formação em Agroecologia (Cefae), além dos movimentos sociais como o Movimento dos Sem Terra – MST, e teve apoio do gabinete do Deputado Estadual Padre Pedro. O objetivo do evento foi debater os temas ligados à produção sustentável de alimentos. O Cepagro participou do evento facilitando uma oficina sobre Agricultura Urbana e Compostagem.

Oficinas

As oficinas aconteceram no segundo dia do evento, com temáticas como Educação do campo, Meliponicultura e Sementes Crioulas. O Cepagro ofereceu a oficina de Agricultura Urbana, facilitada pelo engenheiro agrônomo Júlio Maestri, da equipe técnica da organização. Na atividade estavam presentes  estudantes, agrônomos, aposentados e representantes do Poder Público.

Turma da oficina de Agricultura Urbana no VIII Seminário Estadual de Agroecologia

A abertura da oficina foi uma dinâmica em que os presentes ficavam frente à frente.  “Na nossa educação o professor é colocado de forma superior ao aluno, mas quando a olhamos no mesmo plano (nos olhos), nos reconhecemos como seres humanos, e conseguimos enxergar que somos iguais. Quero mostrar que hoje estou como facilitador da oficina, mas tem várias pessoas aqui que também têm muito a contribuir”, disse Júlio Maestri, mostrando como os conhecimentos da cultura popular também são válidos e que a oficina é uma troca de experiências entre o facilitador e os presentes, mais do que uma transmissão de informações.

Evaldo Espezim Secretário Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Agrícola e da Pesca de Imbituba – SC.

Muitas dúvidas foram levantadas, entre elas a do Secretário Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Agrícola e da Pesca de Imbituba (SC), Evaldo Espezimsobre a possibilidade de fazer compostagem com as vísceras de peixe. “Os pescadores em Imbituba descartam 30 toneladas de vísceras de peixe ao mês. Eles vendem a uma fábrica de ração em Laguna, e isso pesa no bolso deles, que arcam com transporte dos resíduos, e nem todos conseguem ir até o local de venda. A lei exige transporte específico para esse material. Por isso me interessei em conhecer a compostagem, e saber da viabilidade dela para transformar as vísceras de peixe em composto. Estamos pensando em implementar na cidade e tentar garantir um projeto contínuo, e que seja algo permanente”, disse Evaldo Espezim.

Lidiane Camargo

Além do Secretário de Imbituba, estava presente Lidiane Camargo, extensionista da Epagri em Criciúma.  “Agricultura urbana é algo novo para gente, por isso me inscrevi na oficina, para saber mais sobre gestão de resíduos urbanos”, disse a agrônoma.

Os desafios da Agroecologia na pauta do evento

Professor Ernesto Mendez – Universidade Vermont (EUA)

No primeiro dia do Seminário, durante a palestra “Os desafios da Agroecologia”, o professor Costarriquenho Ernesto Mendez (foto), pesquisador da Universidade de Vermont (EUA), faz três perguntas ao público: “Quem aqui pesquisa e estuda a Agroecologia? Levante a mão, por favor.” Ele mesmo levanta sua mão esquerda, e a direita segura o microfone. “Agora quem aqui é agricultor?”, e a cena se repete, desta vez com grande parte do público com as mãos levantadas. “Uma última pergunta, quem aqui pratica à agroecologia como movimento social?” Ele novamente levanta a mão esquerda, mas apenas um terço dos presentes se manifestam. Diante dessa resposta, ele afirma: “é necessário que todos nós participemos de forma integral do movimento, plantando, reivindicando, pesquisando e protestando”. De acordo com Mendez, o movimento agroecológico, além dos problemas de investimentos e reconhecimento dos órgãos que atuam na esfera da produção de alimentos, perde ainda mais força quando os seus principais agentes, os produtores e consumidores, não estão inseridos de forma ativa nos princípios da agroecologia e relaxam na militância. “É necessário um trabalho participativo de todos para uma transformação social, é isso que a agroecologia precisa agora”, disse Ernesto.

O Seminário Catarinense de Agroecologia é um marco, pois ao atingir sua maioridade – 18 anos desde o primeiro evento, em 1999, em Rio do Sul – foi publicado o Manifesto Agroecológico de Santa Rosa de Lima, que afirma: “em tempos de crise humanitária”, repudia os cortes em políticas públicas para o campo instaurada pelo atual governo e a criminalização dos movimentos sociais. Era a esses posicionamentos firmes, ativos e coletivos que o professor Ernesto se referia. Talvez, a elaboração do Manifesto foi o maior acerto da organização, que realizou um evento impecável quanto à logística

Contrapontos

Todas as palestras do evento foram proferidas por homens. Onde estavam as mulheres? Segundo o documento do Manifesto, As belezas naturais das Encostas da Serra Geral têm oportunizado a vivência familiar, garantindo a permanência de jovens e a autonomia de mulheres, pela geração de trabalho e renda com a atividade do agroturismo”. Se o ponto de partida é realmente a valorização da autonomia das mulheres, por que então não ouvi-las, e oportunizar que contem suas experiências na agroecologia?

Outro ponto que contrapõe ao Manifesto que afirma “Requeremos a criação imediata de bancos de sementes crioulas, destinados à Agroecologia, visando à preservação do patrimônio genético; e a promoção de feiras e de sistemas de trocas de sementes crioulas”. Entretanto, foi  pouca ou quase nenhuma participação na feira de sementes por parte dos agricultores. Onde estavam os guardiões e as Guardiãs das sementes? Perto da feira havia apenas um senhor alto e olhos puxados, e seu filho, expondo sua criação de abelhas sem ferrão e nativas do continente americano.

O caso do apicultor e a falta de assistência e financiamento

Guido Defrein, apicultor em Santa Rosa de Lima

 O apicultor Guido Defrein apresentou durante o Seminário algumas das 26 espécies de abelhas nativas sem ferrão, que ele cria na sua propriedade ali em Santa Rosa de Lima. Guido tem uma estrutura interessante voltada à produção e venda de enxames, mas sua produção não é orgânica. Para que isso fosse possível, suas abelhas teriam que alimentar-se com néctar natural, não poderiam ser tratadas com açúcar, como ele faz. Mesmo  sem a possibilidade de ter a certificação orgânica de sua produção, Guido Defrein gostaria de alimentar suas abelhinhas com açúcar orgânico. “O açúcar comum tem muita soda e cal” diz o apicultor, que não consegue fontes de financiamento comprar açúcar orgânico, mais caro e mais difícil de encontrar no mercado.

A dificuldade desse senhor ultrapassa o financiamento, fica nítido quando olha para a nossa câmera e vem lágrimas aos olhos:
–       O senhor se emociona quando fala das abelhas, por quê? Tem muito amor nelas, né?”, pergunto a Guido, no fundo intrigado com as lágrimas.
–       “Claro né moço minha vida toda trabalho com isso”, responde o apicultor.
–       “É que meu pai perdeu cerca de 15.000 abelhas porque foi enganado por um camarada que vendeu açúcar envenenado pra ele” disse Hyuri Defrein, filho do apicultor.

O apicultor gostaria de tratar as abelhas da forma mais saudável possível, com certeza pelo amor que tem pelos insetos e pela dedicação naquilo que faz. Demandas como a de Guido estão expressas no Manifesto Agroecológico de Santa Rosa de Lima: “Cobramos investimentos nas redes de economia solidária que incluem o apoio técnico ao processo de produção e comercialização, criando a cultura da solidariedade”. As discussões do evento, o Manifesto e o depoimento do apicultor  refletem os desafios enfrentados por quem quer trabalhar e viver  Agroecologia, principalmente em termos de assistência técnica, financiamento e a comercialização dos produtos dos agricultores familiares de base agroecológica.

 

Cepagro promove 3º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana

O curso acontece em Florianópolis de 20 a 23 de novembro e tem promoção do Cepagro em parceria com a COMCAP, FATMA, UFSC e FAPESC. As inscrições já estão encerradas, mas convidamos a todxs para o Seminário Integrando Revoluções: Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos em SC, PA e RN, que acontece no dia 22/novembro, às 13h45, no Jardim Botânico do Itacorubi. Mais informações pelo email gestaocomunitariaderesiduos@gmail.com.

Cepagro convida para Seminário sobre Compostagem no início de julho

O Seminário A Compostagem de Pequeno Porte como Solução para os municípios de Santa Catarina acontece no dia 3 de julho, no Auditório Antonieta de Barros da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Promovido em parceria pela Fapesc, Cepagro, Comcap, Fapesc e Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF-UFSC), o evento marca o lançamento da publicação Critérios Técnicos para Elaboração de Projeto,Operação e Monitoramento de Pátios de Compostagem de Pequeno Porte, elaborado por essas instituições. O evento é gratuito e aberto ao público.

Na programação, haverá também painéis sobre Experiências de Gestão de Resíduos Orgânicos e também da Política Nacional de Resíduos Sólidos e iniciativas no Estado de Santa Catarina, com representantes do Ministério do Meio Ambiente, da Prefeitura Municipal de Florianópolis e do Ministério Público de Santa Catarina. Além disso, o professor Rick Miller, do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, falará sobre o Método UFSC de Compostagem.

 

Para participar, faça sua inscrição pelo email seminariocompostagem@gmail.com.

PROGRAMAÇÃO

8h – Recepção
8h30 – Abertura
09h30 – O Método UFSC de Compostagem –
Prof. Rick Miller
Depto. Eng. Rural CCA/UFSC
10h – Experiências de Gestão de Resíduos Orgânicos
– Projeto Família Casca – Silvane Dalpiaz do Carmo /Floram
– SESC Cacupé – Renato Trivella
– Centro de Valorização de Resíduos e Jardim Botânico – Flávia Vieira
Guimarães Orofino/COMCAP
– Revolução dos Baldinhos – Ana Karolina da Conceição, Cíntia Cruz e Rose Helena de Souza.
– Feiras Sustentáveis: São Paulo – Eugênia Gaspar da Costa/INOVA
12h – Almoço
13h30 – Painel: A Política Nacional de Resíduos Sólidos e iniciativas no Estado de Santa Catarina
– Lúcio Proença – MMA: A PNRS e a Compostagem;
– Paulo Locatelli – MP/SC: Programa Lixo nosso de cada dia;
– Elsom Bertoldo Passos – Sec. Habitação/Prefeitura Municipal de
Florianópolis: Plano Municipal de Gestão de Resíduos.
15h30 – Lançamento do Boletim Técnico: “Critérios técnicos para
elaboração de projeto, operação e monitoramento de pátios de
compostagem de pequeno porte”
16h30 – Lançamento do Vídeo:
“Revolução dos Baldinhos: o Modelo de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana” – Projeto FAPESC
17h00 – Encerramento

 

 

Prefeitura de Florianópolis assina decreto que cria Programa Municipal de Agricultura Urbana

O texto, resultado de um processo de construção participativa da Rede Semear de Agricultura Urbana, foi assinado pelo prefeito Gean Loureiro (PMDB) na última segunda, 5 de junho. O Cepagro esteve presente na cerimônia, tendo participado do Grupo de Trabalho intersetorial da Prefeitura que construiu o decreto.  O decreto estabelece diretrizes para a construção do Programa Municipal de Agricultura Urbana e Produção Orgânica.

Foto: Flora Neves

O Programa Municipal de Agricultura Urbana permite exclusivamente práticas agroecológicas que envolvam produção, agroextrativismo, coleta, transformação e prestação de serviços, de forma segura, para gerar produtos agrícolas, pesca e pecuários voltados ao consumo próprio, trocas, doações ou comercialização, reaproveitando-se de forma eficiente e sustentável os recursos e insumos locais.

(com informações da Prefeitura Municipal de Florianópolis).

Cepagro e Revolução dos Baldinhos são homenageados na ALESC

A homenagem, feita pelo gabinete do Deputado  Padre Pedro (PT-SC), aconteceu na última 2ª feira (6 de março), durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2017 na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. A agrônoma Aline Assis, da equipe técnica do Cepagro e articuladora da campanha de financiamento coletivo da Revolução dos Baldinhos, representou o projeto para receber a homenagem, concedida também a movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MMC (Movimento das Mulheres Camponesas) e Movimento pela Ponta do Coral 100% Pública. Ao final da sessão, o deputado Padre Pedro reforçou o chamado para doações para a Revolução, que podem ser feitas no site juntos.com.vc/baldinhos até o dia 17 de março.

Com o tema Biomas Brasileiros e Defesa da Vida, a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deste ano “coloca em pauta a temática ambiental e seus impactos sociais”, segundo Pe. Pedro. Ressaltando o princípio da “ecologia integral” colocado na Encíclica Laudato Si, publicada pelo Papa Francisco em novembro de 2015, o deputado afirma que “não podemos mais pensar na natureza como algo separado”. Como atitudes importantes para preservação do meio ambiente e, consequentemente, da espécie humana, Pe. Pedro apontou a necessidade de mudar nosso modelo agrícola para uma base agroecológica. Para isso, aumentar o acesso a crédito para fomentar tecnologias de produção e estratégias de comercialização de alimentos agroecológicos é fundamental.  A mesma crítica ao modelo de agricultura químico dependente ainda hegemônico – e por isso chamado convencional – foi feita pelo professor Dr. Ademir Reis (Biologia – UFSC). “É possível produzir sem usar tanto veneno, preservando nossas águas também”.

Ciclo de oficinas “Saber na Prática” continua em 2017

gama3778Contemplado pelo Programa de Apoio a Projetos da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), o ciclo de oficinas “Saber na Prática”, que trabalha temáticas de agroecologia para o público em geral, terá continuidade em 2017. O diretor-presidente do Cepagro, Eduardo Daniel Rocha, e o coordenador urbano da entidade, Júlio César Maestri, participaram no dia 17 de janeiro da cerimônia de entrega das placas e assinatura do convênio com a ACIF.

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O diretor-presidente do Cepagro, Eduardo Rocha, recebe a placa do presidente da ACIF

O programa apoiará a realização de 5 oficinas, com temáticas como: compostagem, hortas residenciais e escolares, plantas medicinais e plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Eduardo ressalta que o projeto do Cepagro foi o único aprovado que tem enfoque de educação ambiental. Para mais informações, o email de contato é sabernapratica.cepagro@gmail.com.

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Júlio Maestri explica as temáticas das oficinas