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Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos reafirma: não há compostagem sem colaboração

Realizado de 27 a 30 de agosto, o IV Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana reuniu mais de 40 pessoas, entre lideranças comunitárias, gestores públicos, estudantes, empreendedores e educadores vindos de diversas cidades de Santa Catarina e de outras regiões, além de representações de El Salvador e Uruguai. Promovido pelo Cepagro, o Curso contou com patrocínio da Fundação Inter-Americana (IAF) e da Engie, além do apoio da Comcap, do Centro de Ciências Agrárias da UFSC e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

De forma lúdica, didática e bastante participativa, o grupo pôde aprender sobre o método UFSC de compostagem na teoria e na prática, conhecer as estratégias de gestão comunitária dos resíduos orgânicos, visitar experiências locais de compostagem comunitária e empreendedora e ainda discutir sobre a compostagem a nível municipal durante o seminário Desafios e Oportunidades para a Compostagem em Florianópolis, evento que foi aberto ao público.

Empatia, respeito e vontade de aprender foram algumas das expectativas trazidas pelos/as participantes na dinâmica de abertura do Curso, na manhã da terça-feira. A tarde, o professor do Departamento de Engenharia Rural da Universidade Federal de Santa Catarina, Rick Miller, referência no Método UFSC de compostagem, assumiu o microfone e tirou as dúvidas do público. Ele mostrou como a gestão descentralizada dos resíduos orgânicos é uma solução eficiente e econômica. Segundo dados apresentados pelo professor, Florianópolis gasta hoje cerca de R$150,00 para transportar uma tonelada de resíduos sólidos até o aterro sanitário, sendo a média mensal de 17,5 mil toneladas. Os dados oficiais do município apontam que 30% desse montante é resíduo orgânico.

Em 2019, o Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos trouxe uma novidade: a facilitação gráfica, com a bióloga-artista Raíssa Theberge.

Sendo assim, as bombonas utilizadas para coletar e transportar os restos de alimentos até um pátio descentralizado, modelo utilizado na gestão comunitária, são uma “inovação tecnológica”, disse Rick. Além de ter um custo muito menor, a compostagem ainda gera um produto final capaz de gerar renda. Rick trouxe ainda informações mais técnicas sobre a compostagem e sobre o funcionamento da leira que para ele é como um “bicho ofegante” que come, respira, sua e faz xixi.

Em seguida, a turma foi para o pátio do Jardim Botânico construir coletivamente uma leira de chão com as orientações do agrônomo do Cepagro Júlio Maestri. Os/as participantes também aprenderam a montar o sistema fechado de compostagem em caixa d’água, dessa vez orientados por Jessé Rodrigues Fermino e Valéria Maria da Silva, de Sorocaba e Camila Batista, de Taubaté. Os três são beneficiários do Minha Casa, Minha Vida e no ano passado receberam a reaplicação da Tecnologia Social em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana pelo Cepagro e Revolução dos Baldinhos através de projeto da Fundação Banco do Brasil.

Jessé é síndico do Condomínio Buriti, um dos 160 do Conjunto Habitacional Carandá. Hoje seu condomínio é o único com gestão comunitária dos resíduos orgânicos e o maior desafios é a conscientização, conta Jessé: “O nosso grande desafio hoje é a educação, educar o povo ali dentro a separar o reciclável, o lixo daquilo que é aproveitado”. Mas aos poucos os moradores vão aderindo ao projeto: “O nosso objetivo é chegar em todos os condomínio do Carandá. Bater de porta em porta, levar as pessoas para conhecer a nossa compostagem, levar o nosso produto pra eles e falar: ó isso aqui saiu do seu alimento, que ia poluir no aterro e agora não vai mais”, explica Jessé.

Em Taubaté, no residencial Sérgio Lucchiari, os moradores optaram por receber a gestão dos resíduos como tecnologia social, porque a situação do lixo no local estava precária, como conta Camila. Hoje oito famílias levam seus baldinhos para compostar e em troca recebem composto e biofertilizante, o restante Camila comercializa. “Estamos procurando outras soluções para os resíduos para chegar ao lixo zero”, conta ela, que é mãe de 6 filhos e leva a garotada para compostar também. “Até as crianças dos vizinhos acabam indo lá e ajudam na composteira. Isso é bom porque já faz a parte da educação também”.

Na quarta-feira, os participantes deram um rolê pela Comunidade Chico Mendes, onde a tecnologia social da gestão comunitária dos resíduos nasceu a partir da experiência da Revolução dos Baldinhos. Cíntia Aldaci da Cruz e Karolina Karla, lideranças da comunidade. contaram a história do projeto, que iniciou por conta de um problema sanitário que gerou um surto de leptospirose e hoje conta com a uma cozinha comunitária onde acontecem capacitações, cine debates e outros eventos. “Muitos que fizeram o curso anos atrás saíram das estatísticas de violência”, contou Cíntia e ressaltou que para a compostagem comunitária acontecer, “a articulação é uma arma poderosa”.

A Revolução serviu de referência para muita gente, entre elas Samuel Barros, que veio do Rio de Janeiro representando o Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM), organização da qual é vice-coordenador e que trabalha o tema da agricultura urbana e Agroecologia com jovens moradores da Penha, na Zona Norte do Rio. Sobre a visita, Samuel conta: “Fiquei muito animado porque era algo que queria fazer na favela e eu fiquei muito feliz de ver com meus olhos… deu esperança. Uma dúvida que a gente tinha era como chegar nas pessoas e aqui vimos acontecendo”.

Samuel veio junto com Lucas Fernando dos Santos, também do Rio de Janeiro e que atua em outra organização da Serra da Misericórdia, a Verdejar Socioambiental. Por lá, eles se inspiraram na Revolução para tentar diminuir a incidência do lixo “porque o saneamento básico e a coleta de resíduos é um problema no Rio de Janeiro”, disse Lucas. A Verdejar realiza trabalhos envolvendo a juventude através da comunicação com a intenção de mostrar que tem agricultura acontecendo na cidade. “Tem muito potencial nos jovens, mas a cidade não vê. É a mesma coisa com o lixo”, conta Lucas.

Da Comunidade Chico Mendes, os participantes seguiram para o sul da Ilha de Santa Catarina, para conhecer o empreendimento social Destino Certo para Resíduos Orgânicos e a Horta Comunitária do PACUCA. Num terreno com cerca de 1.000 m² numa das esquinas mais movimentadas do bairro – Avenida Campeche com a Rua Pau de Canela -, Eduardo Elias, idealizador da Destino Certo, mantém um pátio de compostagem e uma pequena agrofloresta. “Que leira linda!”, foram os primeiros comentários do grupo ao entrar no espaço.

A Destino Certo funciona assim: Eduardo faz a coleta semanal do resíduo orgânico de restaurantes, lojas de produtos naturais, escolas e condomínios do bairro, em dias alternados, trazendo entre 2 e 2,5 toneladas de restos de comida para compostar no pátio. O composto produzido vai para a horta anexa ao pátio, onde ele produz verduras e legumes orgânicos, que voltam para os restaurantes. Eduardo também comercializa o composto. Ele cobra R$ 0,30 por quilo de resíduo coletado e compostado e vende o composto a R$ 1 (bruto) ou R$ 2 (peneirado). “Com o serviço de coleta e compostagem, eu arrecado cerca de R$ 4.500. Mas esse valor só cobre os custos de aluguel, combustível e mão de obra. O lucro do empreendimento vem mesmo da venda do composto e de verduras, que nem é tão alto assim. Mas isso é mais do que um simples negócio: é uma iniciativa para diminuir nosso impacto ambiental e criar consciência ecológica”, explica Eduardo, que calcula que em três anos de atuação empresarial já reciclou mais de 300 toneladas de resíduo orgânico. “Isso sem contar o volume de palhada e serragem”, completa. “Esse empreendimento se baseia na consciência de que resto de comida não é lixo, mas um recurso”, avalia Eduardo.

A vivência de Eduardo com compostagem em maior escala começou na Horta Comunitária e Pedagógica do PACUCA, próxima parada das visitas do grupo na quarta-feira. Instalada em 2015 com muita luta e resistência da comunidade do Campeche em uma área altamente visada pela especulação imobiliária, a Horta do PACUCA recebe e composta os resíduos orgânicos de cerca de 200 famílias do bairro, compostando em torno de 100 toneladas de resíduos ao ano, calcula o coordenador da Horta, Ataíde Silva. “Aqui somos uma equipe de 30 voluntários e uns 5 loucos”, aponta Ataíde. Junto com Ubiratan Matos (Bira), eles falaram sobre o histórico da Horta e seus projetos futuros.

“A Horta surge da luta por mais áreas verdes e de lazer em Floripa, agregando também a finalidade da produção de alimentos”, disse Ataíde. A produção de verduras e legumes do PACUCA é distribuída para escolas e asilos da comunidade, além de bairros periférios da Grande Florianópolis, como Brejaru, Monte Cristo e a Ocupação Marielle Franco. Para os próximos anos, Ataíde e Bira contam que pretendem instalar estruturas para geração de energia e captação de água da chuva.

E a turma também colocou as mãos na terra, plantando árvores frutíferas e nativas no terreno. “Isso sim é participação da sociedade civil. Quem sabe daqui a alguns anos vocês poderão desfrutar da sombra das árvores que vocês plantaram”, disse Bira.

No dia 29, a programação começou com uma conversa sobre a agricultura urbana pelo mundo, com Joaquim Moura, que também é do Rio e trabalha com agricultura urbana há mais de 40 anos. Além de seu trabalho como tradutor da revista de Agricultura Urbana (Urban Agriculture Magazine), Joaquim atua com educação e compostagem em escolas na região de Visconde de Mauá, localizada na Serra da Mantiqueira, onde vive desde 2001. Joaquim ressaltou a importância de trazer a educação para suas atividades com a juventude.

Ainda durante a manhã, os participantes se dividiram em grupos para elaborar planos de gestão comunitária de resíduos orgânicos a partir de diferentes contextos. O primeiro grupo discutiu a compostagem a nível municipal tendo como exemplo a capital catarinense. Foram levantadas as dificuldades e potencialidades para uma possível gestão municipal de todo o resíduo orgânico do município.

Dois outros grupos realizaram o planejamento da gestão comunitária nas comunidades da Vargem Grande, no norte da ilha e na Frei Damião, em Palhoça. Ao longo do exercício, muitas cabeças pensando juntas contribuíram para que os projetos dessas comunidades ganhassem força. As representantes das comunidades, Sandra e Mônica, puderam mapear parceiros, bolar estratégias de mobilização e perceberam que a gestão comunitária dos resíduos não se faz sozinha, é preciso colaboração.

Um quarto grupo, formado pelos beneficiários do Minha Casa, Minha Vida discutiu os desafios para onde a gestão comunitária já acontece. Uma das dificuldades nesses espaços ainda é a viabilidade financeira  e o pagamento dos moradores que se envolvem com o trabalho da compostagem, além de envolver mais famílias no processo. 

Na tarde da quinta-feira, o Jardim Botânico foi aberto ao público externo para o seminário Desafios e oportunidades  da Compostagem em Florianópolis. No evento foram apresentadas experiências com a gestão de resíduos no âmbito comunitário, doméstico, empreendedor e municipal. 

No nível doméstico, médico do SUS Renato Figueiredo – que sugeriu a compostagem como solução para o problema dos ratos na Comunidade Chico Mendes dando origem à Revolução dos Baldinhos – explicou como é feita a compostagem com minhocário, deu dicas e tirou dúvidas do público presente. Ele falou sobre o Programa Minhoca na Cabeça, desenvolvido pela Prefeitura de Florianópolis e que distribuiu quase 300 minhocários para a população, desviando desde 2017 quase 10 toneladas de resíduos orgânicos dos aterros sanitários.

Eduardo, do Destino Certo, falou um pouco sobre a sua experiência empreendedora com a compostagem. Hoje, ele recolhe o resíduo de 200 famílias e afirma: “o foco principal é a consciência ecológica. Mostrar para as pessoas que o resto de alimento não é lixo”, por esse motivo a parte pedagógica é importante, a informação tem que chegar até as pessoas.

Com Florianópolis ganhando projeção nacional ao aprovar a primeira Lei de Compostagem no país, o Vereador Marcos José de Abreu (Marquito), do PSOL, concorda ao dizer que a lei é um processo de construção pedagógica. Ele é autor da Lei Municipal 10.501, a chamada “Lei da Compostagem”, que prevê a obrigatoriedade gradativa da gestão dos resíduos orgânicos no município de Florianópolis com a meta de atingir 100% da gestão até 2030. Marquito colocou como uma das metas ao longo dessa caminhada a garantia de remuneração para aqueles/as que realizam serviços ambientais como a compostagem, já que estão desviando um volume importante dos aterros sanitários, gerando economia para os cofres públicos.

Um dos desafios para implementar a Lei é medir o custo que esse serviço tem, pois não é simples calcular aspectos como a redução do impacto ambiental que a gestão descentralizada promove. Além disso, é preciso construir mecanismos para mediar a relação entre estado e as iniciativas comunitárias que realizam a compostagem, tudo isso num contexto de intenso conflito de interesses, já que o transporte e aterramento de resíduos figura entre as três principais contas do município. “Hoje Florianópolis gasta cerca de R$ 37 milhões para transportar e aterrar resíduos orgânicos, que poderiam ser compostados localmente. Com esse dinheiro daria pra construir 12 postos de saúde, por exemplo”, aponta Marquito.

O curso encerrou na sexta-feira, 30, com a apresentação dos planos de gestão discutido nos grupos. Ainda rolou um momento cultural com música, poesia e muitos abraços no Sarau Composto por Nós.

 

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Do doméstico ao empresarial e municipal: Seminário em Florianópolis discute oportunidades para Compostagem

O Seminário Desafios e Oportunidades para a Compostagem em Florianópolis é parte da programação do 4º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana realizado pelo Cepagro ao longo desta semana. 

Florianópolis é referência nacional quando se fala em compostagem, uma técnica eficiente e de baixo custo para reciclar resíduos orgânicos, como cascas de alimentos e sobras de comida. Do projeto Revolução dos Baldinhos à primeira Lei de Compostagem do Brasil, sancionada em abril deste ano, a capital catarinense tem experiências em diversos contextos: doméstico, escolar, empresarial e institucional. Algumas delas serão apresentadas e discutidas no Seminário Desafios e Oportunidades para a Compostagem em Florianópolis, que acontece nesta 5ª feira, 29 de agosto, às 14h, no Jardim Botânico de Florianópolis.

Uma das experiências apresentadas no Seminário é a do Núcleo de Educação Infantil da Armação, onde o Cepagro assessorou a implantação de uma composteira e uma horta. Os resíduos da preparação das refeições são transformados em adubo, que vai para a horta, de onde saem temperos e verduras para a alimentação das crianças, fechando um ciclo virtuoso do alimento. A mesma lógica, só que em escala maior, marca a iniciativa empresarial Destino Certo, que também estará presente no Seminário. A Destino Certo recolhe e faz a compostagem dos resíduos orgânicos de restaurantes do Campeche. Com o adubo resultante do processo, são cultivadas verduras orgânicas que retornam para os restaurantes.

Também participarão do Seminário moradoras e moradores de empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida de Foz do Iguaçu (PR), Sorocaba (SP) e Taubaté (SP), onde o Cepagro fez a implantação de pátios de compostagem para atender às famílias dos residenciais. Essas atividades foram realizadas junto com a Revolução dos Baldinhos, com apoio da Fundação Banco do Brasil.

E, para falar sobre a inédita Lei da Compostagem, estará o vereador Marcos José de Abreu, o Marquito (PSOL), autor da proposta da Lei. Ele vai mediar a discussão sobre as possibilidades e desafios para expandir a reciclagem de resíduos orgânicos em Florianópolis que a nova legislação representa. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os resíduos orgânicos representam metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil e, segundo dados da Comcap/Prefeitura Municipal, Florianópolis gera uma média de 17,5 mil toneladas de resíduos sólidos por mês. Esse montante é enviado para o aterro sanitário em Biguaçu pelo valor aproximado de R$ 150,00 a tonelada, ou seja, mais de R$ 2 milhões por mês. Em Florianópolis, além de reduzir o impacto ambiental, o tratamento de todo o resíduo orgânico representaria uma economia de aproximadamente R$ 1 milhão de reais por mês.

Inscrições abertas para o 4º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana

Recentemente, Florianópolis aprovou a primeira Lei da Compostagem do Brasil, que proíbe o município de incinerar ou destinar os resíduos sólidos orgânicos a aterros sanitários. Sancionada no dia 8 de abril, a lei está em processo de regulamentação e em breve o município terá de se adaptar à nova realidade. É nesse contexto que o Cepagro realiza o 4º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana, que acontece entre os dias 27 e 30 de agosto e está com as pré-inscrições abertas.

O objetivo do curso é disseminar a compostagem como uma forma de tratamento descentralizado dos resíduos orgânicos, através da gestão comunitária, e assim reduzir o volume enviado a aterros sanitários. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os resíduos orgânicos representam metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil e, segundo dados da Comcap/Prefeitura Municipal, Florianópolis gera uma média de 17,5 mil toneladas de resíduos sólidos por mês. Esse montante é enviado para o aterro sanitário em Biguaçu pelo valor aproximado de R$ 150,00 a tonelada, ou seja, mais de R$ 2 milhões por mês. Em Florianópolis, além de reduzir o impacto ambiental, o tratamento de todo o resíduo orgânico representaria uma economia de aproximadamente R$ 1 milhão de reais por mês.  

O Curso é gratuito e voltado para lideranças comunitárias, educadores/as e gestores/as públicos/as de todo Brasil. Os participantes irão aprender a compostagem na teoria e na prática, além de construir coletivamente planos de gestão de resíduos para suas comunidades. Na programação está prevista ainda a realização do Seminário Desafios e oportunidades na implantação da Lei da Compostagem em Florianópolis e duas visitas a experiências de gestão comunitária de resíduos, a Revolução dos Baldinhos, no Monte Cristo, e a Horta Comunitária e Pedagógica do Pacuca, no Campeche.

O curso será ministrado pela equipe técnica do Cepagro, com participação de palestrantes convidados, como o professor Rick Miller, Doutor em Ecologia Agrícola pela Universidade da Califórnia e professor do Departamento de Engenharia Rural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Rick Miller é referência no Método UFSC de compostagem, que representa uma solução ambientalmente adequada e de baixo custo para o tratamento de resíduos orgânicos.

As pré-inscrições estão abertas através do formulário: bit.ly/curso_compostagem_cepagro e podem ser feitas até o dia 26 de julho. A depender do número de inscritos será feita uma seleção privilegiando o público alvo: lideranças comunitárias, educadores/as e gestores/as públicos/as. Para mais informações, escreva para compostagem@cepagro.org.br.

Serviço

O que: 4º Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana

Quando: 27 a 30 de agosto de 2019

Onde: Jardim Botânico, rodovia Admar Gonzaga – 742, Itacorubi, Florianópolis – SC

Contato: compostagem@cepagro.org.br.

 

Rede de Compostagem encerra ciclo de formações e fortalece práticas pedagógicas em agricultura urbana

“A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. As pessoas transformam o mundo”. A frase de Paulo Freire resume bem o que foi a Formação Livre de Compostagem e Agricultura Urbana para Educadores/as, realizada no último final de semana, 13 e 14 de julho, na comunidade Chico Mendes. A atividade aconteceu na sede da Revolução dos Baldinhos e foi facilitada pelo trio de educadores populares Júlio Maestri, do Cepagro, Karolina Karla, da Comunidade Chico Mendes e Cíntia da Cruz, da Revolução dos Baldinhos.

A atividade foi mais uma ação da Rede Municipal de Gestão Comunitária dos Resíduos e Agricultura Urbana de Florianópolis e encerrou um ciclo de seis formações que tiveram a gerência do Instituto Çarakura em parceria com a Revolução dos Baldinhos e mandato agroecológico do vereador Marcos José de Abreu (Marquito). O objetivo dessa última formação foi gerar forças coletivas para práticas pedagógicas envolvendo compostagem e agricultura urbana. Além de educadores/as, também participaram lideranças comunitárias, estudantes e agricultores/as urbanos/as. 

O primeiro dia de atividades começou com uma apresentação da Revolução dos Baldinhos e em seguida o grupo pôde conhecer o pátio de compostagem da comunidade, que recebe em média 8 toneladas de resíduos por mês. Ali, Karol e Cíntia mostraram a estrutura e a manutenção das leiras. “O problema é tão sério e a receita é tão simples”, resume Cíntia. A agente comunitária falou sobre como a gestão dos resíduos pode ser usada para falar sobre outros temas, como as políticas públicas que nem sempre chegam em determinadas comunidades.

Em seguida, os participantes retornaram para a sede da Revolução, onde Júlio Maestri falou sobre a metodologia do Cepagro no trabalho com hortas pedagógicas, que alia o calendário agrícola com o calendário escolar abordando três temas centrais: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. A metodologia do Cepagro vem sendo desenvolvida há quase 10 anos. Entre 2010 e 2013, com o Programa Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia, o Cepagro chegou a trabalhar em 83 escola da rede municipal de Florianópolis. 

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

Além de apresentar as diversas possibilidades e metodologias unindo a horta e a compostagem no ambiente escolar, Júlio trouxe também um panorama do lixo em Florianópolis. Segundo dados da Comcap/Prefeitura Municipal, Florianópolis gera uma média de 17,5 mil toneladas de resíduos por mês.  Transportar esse montante até o aterro em Biguaçu custa cerca de R$ 150 reais por tonelada, ou seja, mais de R$ 2 milhões por mês. O Ministério do Meio Ambiente afirma que os resíduos orgânicos representam metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil. Portanto, se todo o resíduo orgânico da capital catarinense fosse tratado localmente, a economia seria próxima a R$ 1 milhão por mês.

A tarde, o vereador Marcos José de Abreu (Marquito) fez uma fala sobre a Rede Municipal de Gestão Comunitária dos Resíduos e Agricultura Urbana de Florianópolis, que nasceu de forma coletiva a partir de uma indicação do seu mandato para Edital de Subvenção Social da Prefeitura de Florianópolis. Sob a gerência do Instituto Çarakura, em parceria com a Revolução dos Baldinhos, as formações livres da Rede contemplaram lideranças comunitárias das comunidades do Morro do Mocotó, Morro do Quilombo, Morro da Mariquinha e Morro da Queimada, além de uma formação na Moradia Estudantil da UFSC. 

“A gente avalia a atuação da Rede como super positiva”, disse Marquito e lembrou que no conjunto de ações da Rede foi aprovada a Lei da Compostagem em Florianópolis, que dispõe sobre a obrigatoriedade da reciclagem de resíduos sólidos orgânicos no município. O primeiro dia de formação terminou com o percurso sensorial, uma atividade do Slow Food Mata Atlântica que estimula a despadronização do paladar. Através dos sentidos, os participantes puderam conhecer diferentes sabores e texturas de uma diversidade imensa de alimentos.

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

No domingo, a formação começou com uma atividade em teia, que teve como finalidade mostrar o poder de interdisciplinaridade da horta pedagógica. Com essa dinâmica, Júlio Maestri demonstrou como a horta é um espaço de convergência  de saberes. Ele defende que a educação escolar deve se aproximar mais da realidade das comunidades e conta que no caso da Revolução a escola teve um papel fundamental na sensibilização das famílias.

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

Em seguida, o coletivo seguiu para a Escola América Dutra Machado onde foi realizada uma prática de plantio em canteiro elevado com técnicas compartilhadas pelos próprios participantes, como a adubação verde e a relação entre espécies. Durante a tarde, a agente comunitária Karol deu uma oficina de mini composteira. 

Por fim, a formação terminou com um momento de planejamento comunitário. Como o público não era somente de professores/as, os participantes se dividiram em grupos e coletivamente decidiram fazer um plano de educação ambiental para uma escola e para três comunidades de Florianópolis. Aurora Liuzzi, do Instituto Çarakura, conta que as formações sempre têm esse momento de planejamento, onde os participantes pensam a técnica de compostagem pode ser integrada da melhor forma no cotidiano daquela realidade.

As formações que vêm sendo realizadas pela Rede desde janeiro resultaram na implantação da gestão comunitária dos resíduos em três lugares: na Moradia Estudantil, no Morro do Quilombo e no Morro do Mocotó, cada uma com um método diferente. 

“No Mocotó a gente viu a galera se colocando mesmo pra mudar sua realidade diante da necessidade”, contou Cíntia. Lá, a identificação com o projeto foi grande e a formação envolveu 80 pessoas. Além de uma horta na creche, a atividade resultou na implantação de duas leiras de compostagem que vêm recebendo os resíduos orgânicos da creche da comunidade. Paulo Rogério Gomes Antunes, morador do Mocotó, conta que a gestão comunitária de resíduos serve para “mudar a realidade e reeducar as crianças da comunidade. Tirar essa imagem do crime e da rua que a comunidade tem”.

Mas apesar da vontade dos moradores, algumas questões dificultam o processo. Segundo Cíntia, a dificuldade maior hoje é a falta de apoio, principalmente com material estruturante, como a poda e serragem, porque nem sempre o poder público dá o apoio necessário.

E o projeto das Formações Livres tem o intuito de englobar essas questões também, conta Aurora Liuzzi: “tem a parte técnica da compostagem que dá um destino para o resíduo orgânico. Mas tem o porta a porta nas famílias e toda essa sensibilização também que dá resultados que saem só do ambiental e entram no âmbito social. Que é você chegar numa família para falar do resíduo e se deparar com uma situação social ali acontecendo e ter que dar conta disso também, se colocar à disposição”. 

Karol e Cíntia viveram isso ao longo dos 10 anos de Revolução dos Baldinhos, fazendo mobilização e sensibilização diariamente na comunidade Chico Mendes. “A gente acredita que outro ser pode transformar a realidade dele assim como a gente está transformando a nossa. A gente vai se comunicando e trazendo essa interação comunitária, trazendo essa certeza de que o poder está na mão do povo e somos dignos de transformar cada um a sua realidade”, disse Cinta da Cruz. 

Cepagro realiza minicurso de compostagem para pós-graduandos da UFSC

Na última quinta-feira, 6 de junho, o Cepagro realizou um minicurso de compostagem para graduandos e pós-graduandos da Universidade Federal de Santa Catarina. O minicurso facilitado pela agrônoma do Cepagro, Aline de Assis, integrou a disciplina de Planejamento urbano e conservação ambiental do Programa de Pós-Graduação do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, ministrada pela professora Soraya Nor.

O minicurso foi dividido em dois momentos: uma parte teórica, onde Aline de Assis apresentou os diferentes modelos de compostagem e falou sobre os decretos e leis existentes que estabelecem normas para a gestão de resíduos orgânicos em Florianópolis. E a parte prática, onde as/os estudantes construíram uma composteira no método UFSC de compostagem.

Para mostrar o potencial urbano da gestão de resíduos, Aline trouxe alguns exemplos de trabalhos que o Cepagro vem realizando em São Paulo. Hoje, a metrópole conta com cinco pátios de compostagem assessorados por nossa equipe. Juntos, os pátios recebem resíduos orgânicos de 152 feiras, o que corresponde a 17% das feiras da capital. Além dos pátios, também existe a possibilidade de trabalhar a gestão comunitária de resíduos urbanos, como foi feito em alguns empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida.

Em seguida, Aline apresentou dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento que demonstram que em 2017 o Brasil produziu cerca de 60,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (produzidos por domicílios, restaurantes, feiras e podas urbanas). Em Florianópolis são cerca de 209.318 toneladas/ano, sendo que pelo menos 50% desse montante é orgânico e, portanto, passíveis de compostagem.

Segundo Aline, a capital catarinense já conta com políticas e programas que estabelecem incentivos para a gestão de resíduos orgânicos, como a Política Municipal de Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, o Programa Municipal de Agricultura Urbana e o Programa Florianópolis Capital Lixo Zero. No entanto, a não obrigatoriedade da compostagem dificulta a efetivação desses decretos, diz Aline.

Ao longo da sua disciplina, a professora Soraya Nor abordou a agricultura urbana e compostagem como maneiras de transformar a lógica de planejamento urbano, privilegiando os circuitos curtos e aproveitando os espaços vazios existentes no município. “A gente começou a entrar no planejamento urbano quando fomos chamados pela prefeitura de Florianópolis para lidar com os espaços vazios da cidade”, contou a professora sobre a temática da disciplina. O minicurso foi a aula de encerramento da disciplina e, segundo ela, foi muito proveitoso e complementou muito bem o que vinha sendo tratado na disciplina.

Antes de ir para a prática, Aline ainda explicou os diferentes métodos de compostagem e apresentou o método UFSC, que pode ser utilizado em pequena, média e grande escala. Utilizando apenas composto, palha e serragem, “o método possui baixo custo de implantação, não dá cheiro e gera composto com potencial para a agricultura”, explica a agrônoma.

Durante a construção coletiva da composteira, ao lado do pavilhinho do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, as/os graduandas/os e pós-graduandas/s aproveitaram para tirar as dúvidas restantes.

Cepagro apresenta compostagem no Festival Global de Inovação Social

Reunir pessoas, organizações e empresas que buscam transformar realidades: esse foi o objetivo do Festival Global de Inovação Social, que aconteceu no domingo passado, 14 de abril. O Cepagro participou do evento apresentando a compostagem, com um stand de tira-dúvidas e uma oficina.  O Festival foi promovido pela Impact Hub Floripa, uma comunidade de empreendedores/as que trabalham coletiva e colaborativamente para desenvolver ações inovadoras de impacto social.

A proposta do Cepagro de apresentar a compostagem aos/às participantes se encaixou com os objetivos do evento, que buscou diminuir sua pegada ecológica. Enquanto no stand vieram várias pessoas que não tinham muito conhecimento do processo de compostagem, na oficina pipocaram perguntas de quem já havia iniciado algum processo de compostagem ou tinha interesse no assunto.

“A forma como lidamos com os resíduos orgânicos os torna vilões. Vilões do cheiro ruim ou da sujeira”, disse o agrônomo Júlio César Maestri, da equipe Cepagro que facilitou a oficina. A separação da fração orgânica na fonte é o primeiro passo para transformar o problema dos resíduos em solução. “E a compostagem nada mais é que criar uma casa para as bactérias que vão transformar o resíduo em adubo”, explicou Júlio.

O que pode ir ou não na composteira, qual a diferença entre composteira e minhocário e os diferentes modelos de compostagem foram algumas das questões mais discutidas durante a oficina. Os 60 minutos de duração foram curtos para tirar todas as dúvidas e ainda fazer a prática de montagem da leira de compostagem, mas serviram para despertar o interesse dos/as participantes.

Uma delas foi a bióloga Renata Correia, moradora do Rio Vermelho. “Já tentei fazer minhocário e não deu certo. Ainda estou enterrando meus resíduos orgânicos. A oficina serviu para solucionar dúvidas e me deu suporte para iniciar a compostagem”, diz Renata. “Quero implantar uma agrofloresta no meu terreno”, completa.

O Festival reuniu cerca de 1.400 pessoas. A abertura contou com a participação da jornalista e vlogueira Jout Jout, que abriu sua fala chamando atenção para o privilégio – principalmente de pessoas brancas e de classe média – de ficar distraído/a da situação política. “Alguns têm o privilégio de conseguir se distrair e não prestar atenção na política, porque não vai mudar muito a sua vida”, disse. Contrastando com a maioria branca da platéia, no palco de abertura do evento estavam mais mulheres negras para falar sobre iniciativas práticas de enfrentamento ao racismo, transformação digital e discussão sobre privilégios da branquitude.

Uma foi a produtora cultural Vitorí Barreiros, CEO da start-up Expressionismo Preto, que criou um robô chamado Dandara para identificar e denunciar práticas de racismo em redes sociais, começando pelo Twitter. Luana Génot (falando na foto), diretora do Instituto Identidades do Brasil, falou sobre a campanha Sim à Igualdade Racial, que tem o objetivo de reduzir a desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro. Ela falou também sobre “ocupar espaços com mulheres e mães”, fazendo consonância com Talita Matos, gerente de comunidade do Impact Hub Floripa, que ressaltou a diferença em eventos e organizações com grande participação feminina.

Cepagro e Revolução dos Baldinhos reaplicam Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos

Desde o último domingo, 10 de fevereiro, mais 160 famílias do programa Minha Casa, Minha Vida passaram a ter um espaço correto para a destinação dos seus resíduos orgânicos. De 8 a 10 de fevereiro, o Engenheiro Agrônomo do Cepagro, Júlio Maestri e a agente comunitária da Revolução dos Baldinhos, Cíntia Aldaci da Cruz estiveram em Sorocaba para a reaplicação da Tecnologia Social em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no Conjunto Habitacional Carandá, um dos maiores empreendimentos do programa de habitação, com mais de 2.500 apartamentos. 

O Carandá está dividido em condomínios de 160 apartamentos cada. A atividade de formação e implantação das composteiras durou três dias e foi realizada no Condomínio Buriti, como um projeto piloto. Além de moradores, participaram da formação representantes do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), lideranças locais, agentes de saúde e representantes de outros condomínios do Carandá.

ideia é que o Projeto Vidas: compostagem para um mundo melhor, Carandá e Altos do Ipanema seja estendido aos demais moradores do conjunto, englobando também o Residencial Altos do Ipanema, que se encontra próximo ao Carandá.

A ação iniciou na sexta-feira,  quando o Júlio e a Cíntia fizeram a apresentação da Tecnologia Social e explicaram o passo-a-passo do processo de compostagem com a composteira televisão. No sábado, os moradores puderam confeccionar suas próprias composteiras, feitas de caixas d’água e decoradas com a ajuda das crianças.

Com as composteiras implantadas, era hora de planejar a gestão comunitária e, no domingo, os moradores e lideranças locais definiram a logística das atividades que deverão ser realizadas no pátio de compostagem. No início, 50 famílias ficarão responsáveis pela gestão e por sensibilizar mais moradores a separarem os resíduos orgânicos.

Cíntia Adalci da Cruz viu um potencial enorme na comunidade local, principalmente nas mulheres, que compareceram em peso na formação. Algumas das famílias, inclusive, já se mobilizam fazendo a triagem dos materiais recicláveis e o dinheiro da venda retorna para a comunidade: “Elas ajudaram o time de futebol com uniformes, roupas, compraram materiais de música, como tambor e violino. Então eles já têm uma organização bem legal no local. É um potencial enorme daquelas mulheres”, conta Cíntia.

É a segunda vez que a agente comunitária realiza uma formação e conta que foi realizador ver pessoas depressivas que nunca tinham saído do seu condomínio comparecendo em todos os dias de formação e participando ativamente. “Eu me senti fazendo o meu papel mesmo. Ser uma recrutadora popular e poder contribuir com outras comunidades no desenvolvimento social, econômico e pensando mesmo nessa prática para o futuro”, disse.

A ação é uma parceria entre o Cepagro, Revolução dos Baldinhos, projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (MUTS), da Fundação Banco do Brasil, Rede Interação, Mater Dei e Prefeitura de Sorocaba. E a parceria promete ainda novas frentes: na segunda-feira, Cepagro e Revolução dos Baldinhos estiveram reunidos na Secretaria de Habitação, com representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria de Água e Esgoto a fim de discutir a possibilidade de aliar a gestão dos resíduos secos, que já vem sendo feita por cerca de 50 famílias, e gestão dos resíduos orgânicos. A ideia é tornar o Conjunto Habitacional Carandá uma referência na gestão integrada de resíduos.