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Florianópolis sedia Seminário Catarinense sobre compras institucionais da agricultura familiar

SEMINÁRIO CATARINENSE Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Compras Institucionais (CI)

Data: 08 de agosto de 2013
Local: Auditório do Centro Sócio Econômico da Universidade Federal de Santa Catarina(CSE/UFSC); referência: próximo ao Fórum da UFSC – Campus Trindade – Florianópolis, SC
Objetivo: aproximar as instituições públicas demandantes de alimentos via mecanismo do PAA (CI) das entidades representativas da agricultura familiar.
Maiores informações: (48) 3334-3176 (Cepagro) chalambage@gmail.com, oscar.rover@gmail.com, vianei10@brturbo.com.br

Programação:

8:30 h:             Recepção dos participantes
8:45 h              Abertura (fala dos promotores do evento – REDE ECOVIDA, UFSC e CONSEA)
9:30 h:            PAA Compra Institucional (CI) – Hétel Leepkaln dos Santos (Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e
Coordenação-Geral de Aquisição e Distribuição de Alimentos – CGDIA
Departamento de Apoio à Aquisição e Comercialização da Produção Familiar – DECOM
Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SESAN
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS

10:30 h:         Debates
11:30 h:          Momento para preenchimento final da planilha de oferta de produtos das organizações da agricultura familiar de SC
12 h:                Almoço
13:30 h:          Mesa redonda: possibilidade de compras públicas por órgãos federais e estaduais
(a mesa será organizada com 05 expositores de instituições públicas que consomem alimentos, que apresentarão sua demanda, visando explicitar o potencial de compras da agricultura familiar por estes agentes).
O debate da mesa redonda se dará mediante uma manifestação inicial de algumas organizações de agricultores familiares dispostas a atender a demanda institucional dos agentes públicos da Grande Fpolis.
A apresentação das demandas potenciais por parte de cada agente institucional não implicará em compromisso de compra ou venda, servirá para alimentar a reflexão coletiva e discutir possibilidades de operar a modalidade Compra Institucional do PAA.
15:30 h:          Encaminhamentos, definindo futuras ações e rodadas de negócios entre os agentes presentes.

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Em circulação nacional, matéria da TV Globo exibiu a diversificação da fumicultura implementada pelo Cepagro

No mês de março, a equipe do Programa Ação (Rede Globo) reportou alguns exemplos de diversificação da fumicultura no âmbito dos projetos do Cepagro.
Além das entrevistas em campo, foram retratadas a Feira Agroecológica de Brusque e a inauguração do Primeiro Box de Produtos Agroecológicos do Brasil, na CEASA/SC, ambos espaços fundamentais para comercialização  da produção de ex-fumicultores e agricultores em transição.
CLIQUE NA IMAGEM PARA ASSISTIR NA ÍNTEGRA
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Sabores e saberes tradicionais ganham destaque em evento realizado pelo Cepagro

por Ana Carolina Dionísio

Foi com auditório lotado e mesa farta que pesquisadores, representantes de entidades governamentais, da Rede Ecovida e do Movimento Slow Food, líderes extrativistas, agricultores, estudantes, professores e eco-chefs discutiram as diversas relações entre saberes tradicionais, alimentação e cadeias produtivas durante o evento Patrimônio Agroalimentar em Debate, realizado na quarta-feira passada (27/03) no campus Continente do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), em Florianópolis. O encontro foi promovido pelo Cepagro em parceria com o Convivium Mata Atlântica, grupo de gastrônomos-expedicionários que viajam pelo Brasil buscando valorizar matérias-primas regionais, e com o Curso de Gastronomia do IFSC – que também atua neste sentido, através da formação de profissionais.

Auditório cheio para debater potenciais e restrições de alimentos tradicionais
Auditório cheio para debater potenciais e restrições de alimentos tradicionais

Lia Poggio, coordenadora do Slow Food na América Latina, abriu o debate afirmando a importância de combinar desenvolvimento territorial com preservação da identidade cultural, lembrando que o turismo consciente pode contribuir para isso. Na sequência, Andrea Fantini, pesquisador do Laboratório de Economia e Marketing Agroalimentar da Universidade de Teramo (Itália), abordou a comercialização de produtos típicos no contexto da economia solidária. Ele destacou a noção de preço justo, “aquele que maximiza o bem estar conjunto dos produtores e consumidores”, afirmando que, para chegar a este valor, é necessário “promover e garantir a transparência do processo de formação dos preços”, o que começa com o conhecimento efetivo dos custos de produção.

Produtos típicos a preços justos e economia solidária foram tópicos abordados pelo prof. Andrea Fantini, da Universidade de Teramo (Itália)
Produtos típicos e economia solidária foram abordados pelo prof. Andrea Fantini, da Universidade de Teramo (Itália)

O coordenador geral do Cepagro Charles Lamb encerrou a primeira mesa apresentando as várias frentes de atuação da ONG e da Rede Ecovida em prol da agricultura familiar e da democratização do acesso a alimentos saudáveis em Santa Catarina. As iniciativas de agricultura urbana da organização, que envolvem a gestão comunitária de resíduos orgânicos e de hortas escolares, foi um dos eixos de trabalho abordados, assim como a assessoria para a certificação participativa de produtos ecológicos – sistema de garantia em que conformidade orgânica é avaliada pelos próprios agricultores articulados em rede, não por uma agência.

Outro projeto abordado é o da diversificação produtiva em áreas de cultivo de tabaco. No Brasil, um dos maiores produtores mundiais de fumo, cerca de 200 mil famílias (55 mil só em Santa Catarina), ainda sobrevivem da fumicultura. Segundo Lamb, para mudar esta realidade é fundamental questionar não só as fumageiras, mas “o próprio modelo de produção, que privilegia o tabaco em detrimento do cultivo de alimentos”. Buscando isso, o Cepagro presta assessoria técnica para dezenas de famílias fumicultoras em processo de transição para o cultivo de alimentos (especialmente orgânicos). Este apoio não se restringe às etapas de plantio, mas também do escoamento da produção, através do circuito de comercialização da Rede Ecovida e do recém-inaugurado Box de Produtos Orgânicos no Ceasa/SC. Lamb também ressaltou a forte incidência política da Rede na discussão de marcos legislatórios para alimentos orgânicos e agricultura familiar.

A busca de alternativas para o funcionamento de engenhos artesanais de farinha de mandioca que combinem a preservação da sua atividade como patrimônio cultural com a legalização e valorização dos seus produtos foi o tema da segunda mesa de debates do evento. A mediação foi do agrônomo Marcos José de Abreu, idealizador do projeto “Ponto de Cultura Engenhos de Farinha”, que desde 2011 vem realizando ações no sentido de reconhecer e dinamizar atividades nestes locais em 5 municípios do Litoral Catarinense.

A importância histórica e cultural dos engenhos artesanais de farinha e os entraves para a comercialização dos seus produtos foram discutidos durante o evento
A importância histórica e cultural dos engenhos artesanais de farinha e os entraves para a comercialização dos seus produtos foram discutidos durante o evento

O painel começou com uma recuperação histórica do papel da farinha de mandioca na economia catarinense, feita por Claudio Andrade, proprietário do Casarão e Engenho dos Andrade, no bairro de Santo Antônio de Lisboa. Do surgimento dos engenhos como uma adaptação dos moinhos de vento europeus, ele chegou ao panorama atual em que a farinha de mandioca artesanal sofre um desprestígio frente a outros alimentos industrializados, somado ao que ele chamou de “exigências sanitárias absurdas”, como a instalação de azulejos em pequenas unidades produtivas familiares.

É por causa da inviabilidade destas medidas que o agrônomo da Epagri Enilto Neubert, que falou a seguir, diferenciou os engenhos voltados para a preservação da memória dos que têm produção comercial. Para ele, a realização de trabalhos de pesquisa e extensão universitária nestes locais é fundamental para a manutenção de ambos, assim como a valorização gastronômica da farinha de mandioca no âmbito das unidades produtivas comerciais. Já o representante da Cidasc Wladimir Mendes apresentou um olhar mais pessimista, destacando o declínio do consumo de farinha de mandioca no país e a dificuldade de encontrar opções para que os engenhos continuem ativos sem ferir a legislação e os parâmetros sanitários brasileiros.

Se o reconhecimento culinário da farinha é um caminho para os engenhos com atividade comercial, a salvaguarda deste produto como patrimônio cultural pode ser uma opção para as unidades mais tradicionais, num processo que foi esclarecido pela historiadora Regina Helena Santiago, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela explicou que o pedido de registro deve ser feito por um coletivo representativo da comunidade, pensando na questão “O que essa farinha representa para as populações que a consomem?”, assim como aconteceu com o queijo mineiro, os doces de Pelotas e o acarajé baiano, itens que já estão sendo registrados junto ao Iphan.

Apesar dos entraves burocráticos e dificuldades econômicas, os engenhos artesanais continuam em atividade. Dois dos seus produtos, a bijajica (bolo de farinha de mandioca com amendoim) e o beijú, foram degustados durante o evento, junto com outros sabores tradicionais do litoral catarinense, como o berbigão, servido em um patê, doces e geleias orgânicos, pães integrais e queijo cremoso. Tudo acompanhado de águas aromatizadas e sucos naturais preparados na cozinha industrial do IFSC pelos chefs Fabiano Gregório, Bernardo Simões e Philipe Bellettini, além de frutas do Box de Produtos Orgânicos do Ceasa.

Beijú, bijajica, patê de berbigão, doces caseiros e frutas orgânicas deixaram o debate mais colorido e saboroso
Beijú, bijajica, patê de berbigão, doces caseiros e frutas orgânicas deixaram o debate mais colorido e saboroso

Assim como a produção tradicional de farinha, a pesca artesanal também enfrenta impasses. Alguns deles foram expostos durante o segundo painel do evento, mediado por Gregório, que também estava representando o Convivium Mata Atlântica/SC e o Movimento Slow Fish, que pretende recuperar os saberes tradicionais de comunidades de pescadores. Além da doutoranda em Sociologia Política Mariana Policarpo, participaram do debate duas importantes lideranças de Reservas Extrativistas de Pesca Artesanal (Resex) de Santa Catarina: Maria Aparecida Ferreira, de Ibiraquera, e Valdeuclides do Nascimento, da Costeira do Pirajubaé, em Florianópolis.

Numa fala emocionada, Maria Aparecida contou os vários obstáculos enfrentados pelas comunidades de pescadores do litoral sul catarinense para prosseguir com a pesca de subsistência, da falta de apoio (e às vezes até oposição) do município à ação predatória da grande indústria. Na mesma linha, Valdeuclides do Nascimento apresentou o panorama da Resex da Costeira, que segundo ele é a primeira do Brasil e a maior em uma área urbana. Por estar dentro da cidade, sofre muito mais a pressão da crescente especulação imobiliária na Ilha de Santa Catarina. Sr. Vado, como é conhecido, questionou a concessão de licenças ambientais para empreendimentos à beira-mar enquanto ranchos de pesca artesanal são considerados ilegais. “A Resex é vista por alguns como um obstáculo ao desenvolvimento do sul da Ilha, por exemplo, por atrapalhar a duplicação da estrada para o aeroporto”, completou.

Maria Aparecida Ferreira, da Resex de Imbituba e Garopaba: “Ninguém quer conhecer essa maravilha que é a pesca artesanal só por fotos. Todos queremos vê-la ao vivo e a cores sempre”
Maria Aparecida Ferreira, da Resex de Imbituba e Garopaba: “Ninguém quer conhecer essa maravilha que é a pesca artesanal só por fotos”

Os representantes da pesca artesanal também falaram de conquistas, como a própria Resex de Imbituba e Ibiraquera, resultado de 5 anos de discussões na comunidade e de atuação política em diversas instâncias. “Muitas vezes dá vontade de largar o pano, mas quando vemos tanta gente nos apoiando, dá mais ânimo de continuar”, disse Maria Aparecida. Uma das plataformas de apoio à atividade está na pesquisa acadêmica, como a investigação de Mariana Policarpo, focada nas estratégias integradas de geração de trabalho e renda a partir da valorização da identidade cultural das comunidades pesqueiras tradicionais. De acordo com ela, estes territórios estão marcados por atividades diversificadas, como pesca, agricultura e turismo. Conciliá-las com a preservação de recursos naturais é um desafio necessário, já que o meio-ambiente é também o principal atrativo turístico local. Mariana constatou isso após analisar cerca de 3 mil exemplares de materiais impressos de promoção turística da região de Imbituba e Garopaba; na maioria deles, as praias e lagoas tinham destaque. Mas, como lembrou Maria Aparecida, estas belezas não podem ficar só no papel: “Ninguém quer conhecer essa maravilha que é a pesca artesanal só por fotos. Todos queremos vê-la ao vivo e a cores sempre”.

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Grande Florianópolis ganha espaço que aproxima consumidores e agricultores agroecológicos

por Ana Carolina Dionisio e Fernando Angeoletto / Cepagro

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Aproximar produtores e consumidores, oferecer alimentos saudáveis a preços justos e gerar alternativas de diversificação produtiva para famílias fumicultoras: objetivos centrais do movimento agroecológico em Santa Catarina que ganharam agora um grande aliado, com a inauguração do Box de Produtos Orgânicos na Ceasa/SC. A solenidade aconteceu na última quarta (20/03) às 10h, e teve a participação de representantes de entidades da sociedade civil, da UFSC (Universidade federal de Santa Catarina), dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, da Câmara Municipal de Florianópolis e de agricultores(as) e membros(as) da Rede Ecovida dos três estados do Sul do Brasil. O Box 721 da Ceasa/SC será o único destinado exclusivamente à comercialização de produtos agroecológicos, que terão garantia de conformidade orgânica por certificação participativa ou por auditoria.

Público assiste à inauguração do Box 721
Público assiste à inauguração do Box 721

 

A abertura do espaço é resultado de dois anos de esforços conjuntos entre o Cepagro e o Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (Lacaf) da UFSC, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que repassou verba necessária para viabilizar o funcionamento do local e pagar funcionários que prestarão apoio técnico à comercialização. O Box já estava aberto desde janeiro, mas trabalhando somente com feiras, restaurantes, pequenos e médios varejistas. A partir desta semana, atenderá também ao público em geral, às segundas, quartas e sextas-feiras, das 5h às 8h da manhã. Além das variedades orgânicas de cebola, batata, feijão, maçã, morango, laranja e mini-tomate que já eram ofertadas, entraram para a lista de produtos: banana, milho, caqui, abóbora, alho-poró, maracujá, batata-doce, além de sucos, doces, geleias e da polpa de açaí extraída dos frutos da palmeira juçara da Mata Atlântica.

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O Box 721, exclusivo para produtos orgânicos certificados

Muitos destes itens são oriundos de propriedades onde antes se plantava tabaco, cultura ao qual se dedicam cerca de 55 mil famílias só em Santa Catarina. A inclusão de novos produtores que desejam sair da fumicultura é uma das principais metas do Box, segundo o coordenador geral do Cepagro Charles Lamb, pois aumenta as opções de escoamento da produção agroecológica. O representante da Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Santa Catarina, Elder Guedes, concorda: “A implementação do Box atende a diversas demandas do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, como a articulação de mercados institucionais e convencionais e a realização de projetos de espaços coletivos de comercialização”. Ele ressalta que, para o fumicultor, a agroecologia sinaliza uma perspectiva de cultivo com valor agregado, por isso é um caminho viável para a substituição do tabaco. “Diminuir a participação de intermediários através da estruturação da comercialização em rede agrega mais valor ainda ao produto”, completa, lembrando que “a conquista deste espaço é um mérito da Rede Ecovida”.

Programa Ação, da rede Globo, produziu nesta semana matéria com agricultor da Rede Ecovida, ex-fumicultor que hoje produz orgânicos e comercializa em feiras e no Box 721
Programa Ação, da rede Globo, produziu nesta semana matéria com agricultor da Rede Ecovida, ex-fumicultor que hoje produz orgânicos e comercializa em feiras e no Box 721

Além dos agricultores, os consumidores saem ganhando, tendo acesso a produtos de qualidade orgânica com preços similares – e às vezes até mais baixos – do que os convencionais. O kilo da banana branca, por exemplo, está R$2 no Box, enquanto numa das maiores redes de supermercados de Santa Catarina custa R$2,99. A cebola, vendida a R$3 no Box, sai por R$3,29 no outro estabelecimento. Isso é possível, de acordo com Lamb, devido ao trabalho conjunto de cooperativas, associações e grupos de agricultores do estado na logística de transporte associado à agricultura de base ecológica.

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Outro mercado servido pelo Box poderá ser o das compras governamentais, como para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a merenda escolar. Atualmente, a Lei 11.947 determina que pelo menos 30% da alimentação escolar seja procedente da agricultura familiar, mas esta participação pode crescer muito mais, de acordo com o coordenador do Cepagro, o que garantiria um canal seguro de comercialização para os produtores de orgânicos.

Após o evento de inauguração do Box, membros do Circuito de Comercialização da Rede Ecovida reuniram-se ali para discutir os critérios de uso do espaço e estratégias coletivas de abastecimento, tanto daquele quanto de outros pontos de comercialização de produtos agroecológicos. Produtores, associados e cooperados de 12 municípios dos três estados do Sul do Brasil estavam presentes e apresentaram produtos que têm em oferta e demanda no momento.

VEJA TAMBÉM: MATÉRIA NO BOM DIA SC SOBRE A INAUGURAÇÃO (Clique na Imagem abaixo)

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GALERIA DE FOTOS (Clique na Imagem abaixo)

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Espaço para comercialização de produtos orgânicos será aberto na próxima quarta, 20/03

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O Cepagro, em conjunto com Cooperativas, Grupos e Associações integrantes dos Núcleos Regionais da Rede Ecovida em Santa Catarina, tem o imenso prazer em  comunicar  mais uma conquista da Agricultura Familiar para nosso Estado.
Trata-se de um momento afirmativo resultante de dois anos de pleito junto à CEASA/SC, visando a disponibilização de um espaço, agora concretizado, para comercialização de alimentos de base ecológica da agricultura familiar.
A relevância deste espaço – o Box 721, no Pavilhão da Agricultura Familiar da CEASA (São José/SC), cuja inauguração será em 20/03 (vide convite acima), se deve ao grande gargalo ainda existente em torno da logística de distribuição, e maior incidência desta sobre o custo na venda direta dos alimentos. “Embora saibamos que somente esta ação é pouca para ampliar  a agricultura de base ecológica, consideramos que, aliada a outros esforços públicos e da sociedade civil, resultará em passos largos na direção do real sentido de Desenvolvimento Sustentável dos ambientes rurais e urbanos”, avalia Charles Lamb, da coordenação geral do Cepagro.
O Box 721 vai permitir maior constância e variedade no abastecimento de dezenas de pequenos varejos de Florianópolis. O consumidor ganha ao ter acesso a produtos com preços justos e com garantia da procedência orgânica, uma vez que somente alimentos certificados, tanto por sistema participativo quanto de auditoria, serão comercializados no local.
A diversidade da oferta, respeitado a sazonalidade dos cultivos, ganha mais consistência através da articulação do Box com o Circuito de Comercialização da Rede Ecovida, que movimenta produtos da Agricultura Familiar de base ecológica provenientes dos 3 Estados do Sul. No momento, variedades orgânicas de batatas, cebolas, laranjas, maças e feijões, além de morango e mini-tomate, estão na lista de produtos ofertados. Outro produto com grande destaque é a Polpa de Açaí, extraído dos frutos da árvore Juçara (palmiteiro) da Mata Atlântica, com qualidade, textura, aparência e valor nutricional superiores ao açaí amazônico. O Açaí de Juçara é extraído por agricultores da região de Jaraguá do Sul e Joinville, numa manejo que gera recursos financeiros e a preservação da mata, mantendo e propagando os palmiteiros.
Além de servir aos varejos, o Box 721 vai facilitar a logística de circulação das compra governamentais, a exemplo do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) implementado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento). Semanalmente, cerca de 5 toneladas de produtos orgânicos serão enviados pela Cooperativa Ecoserra, de Lages, para abastecer instituições sociais e de caridade da grande Florianópolis.
Organizado a partir de uma frutífera articulação com a UFSC, através do LACAF (Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar), o Box 721 é também um forte aliado para transformações positivas no campo. A garantia de mercado para os produtos orgânicos viabiliza outra realidade para produtores de fumo, historicamente expostos à grande carga de agrotóxicos e a integração dificilmente superável com as indústrias fumageiras. Dezenas de ex-fumicultores, pertencentes a grupos e cooperativas da região, escoarão seus produtos orgânicos através do Box. É o caso do sr. Jair Scheidt (foto abaixo), agricultor de Imbuia (SC), que abandonou o fumo e atualmente produz cebolas, tomates, feijões e frutas orgânicas.
Os contatos comerciais do Box 721 são: (48) 9652-6610 (TIM) e 8437-1875 (OI).
Para mais informações: Assessoria de Comunicação / Cepagro – (48) 9633-4007 / comunicacao@cepagro.org.br
Sr. Jair Scheidt, ex-fumicultor de Imbuia, que irá comercializar seus produtos no Box 721
Sr. Jair Scheidt, ex-fumicultor de Imbuia, que irá comercializar seus produtos no Box 721
Na seqüência, diálogos sobre a comercialização na Rede
No mesmo dia da inauguração, no período da tarde, acontece a reunião do Circuito de Comercialização Rede Ecovida, seguindo a dinâmica mensal de organização do coletivo. Serão tratados os seguintes pontos, pautados pelos integrantes e articuladores:
  • Apresentação dos participantes;
  • Apresentação do funcionamento operacional e critérios acordados de utilização do espaço CEASA;
  • Demandas e ofertas das estações, estratégias coletivas de abastecimento;
  • Dinâmica de funcionamento de cada estação presente;
  • Situação e encaminhamentos de projetos;
  • construção de agendas comuns, inclusive proposta de data para plenária de comercialização da Rede;
  • Informes gerais

Veja também: notícia do Box no Jornal do Ceasa (abaixo)

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Links externos sobre o Box 721 de Produtos Orgânicos da Grande Florianópolis

Box para produtos agroecológicos no Ceasa/SC: uma conquista da agricultura familiar catarinense

Foi no fatídico dia marcado para ser o “fim do mundo” que uma negociação de 2 anos foi enfim concluída em prol da agricultura familiar de base ecológica catarinense. Na manhã do dia 21/12, agricultores e entidades representativas da sociedade civil e da UFSC receberam das mãos de Felício Francisco Silveira, presidente do CEASA/SC, as chaves do Box 721, um galpão de 75m2 requerido para fortalecer a logística de comercialização da produção agroecológica na região.

À direita, o presidente do Ceasa/SC entrega as chaves do Box para Charles Lamb, do Cepagro
À direita, o presidente do Ceasa/SC entrega as chaves do Box para Charles Lamb, do Cepagro

Com articulação iniciada entre a UFSC (LACAF/Laboratório de Comercialização na Agricultura Familiar), o Cepagro e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a solicitação da infraestrutura foi pensada no contexto das alternativas aos produtores de tabaco em SC, sobretudo os que se encontram em transição para os sistemas ecológicos. Naturalmente o interesse ampliou-se para a malha da Rede Ecovida, cujas associações e cooperativas, que hoje já somam 1253 propriedades orgânicas certificadas pelo sistema participativo no sul do Brasil, possuem volume de produção que constantemente demanda incremento nas estruturas de comercialização. No ato de entrega das chaves, cerca de 10 organizações com estas características, somados a 7 grupos de agricultores do litoral catarinense, alto vale do Itajaí e Encostas da Serra, além do Grupo de Compras Coletivas de Florianópolis, uniram-se para iniciar a gestão coletiva do espaço e de todo o arcabouço logístico que a empreitada impõe.

O grupo que fará a gestão coletiva do Box de produtos agroecológicos
O grupo que fará a gestão coletiva do Box de produtos agroecológicos

Todo o processo preliminar de organização, que foi desde a própria viabilização do local, passando pela realização de rodadas de negócios entre agricultores, orçamento de equipamentos para o Box, produção de selos para produtos em transição e fomento à criação de uma cooperativa central, foi realizado neste período de 2 anos pelo Cepagro e o LACAF. Já as estratégias de ocupação do espaço, que deve ser inaugurado em fevereiro próximo, serão implementadas pelo conjunto das organizações presentes, tendo com instância deliberativa uma assembleia geral. O LACAF e o Cepagro, que assinou o contrato de utilização do Box com o Ceasa, seguem atuando enquanto parceiros na equipe de coordenação do Box. Tanto os custos de condomínio quanto a contratação de um gestor operacional deverão ser bancados por seus próprios usuários.

Com circulação anual de 400 mil toneladas, principalmente de hortifrutigranjeiros e frutas, que somam uma movimentação de R$ 444 milhões ao ano, o CEASA/SC será pioneiro na cessão de um espaço exclusivo para produtos agroecológicos. Outras centrais possuem iniciativas semelhantes, porém de cunho privado, com interesses diferenciados do sistema cooperativo aqui proposto. Inicialmente, o Box catarinense não será utilizado para venda direta. O objetivo imediato é a utilização como um entreposto em lugar estratégico, em plena BR-101, bem próximo da entrada de Florianópolis. Desta maneira, pretende-se melhorar o abastecimento de feiras, restaurantes, pequenos e médios varejistas, compras coletivas e compras institucionais, especialmente as direcionadas à alimentação escolar.