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Técnico do Cepagro ministra oficina de Banheiros Secos na Paraíba

(fonte: site do CEPFS)

O Centro de Educação Popular e Formação Social-CEPFS, realizou nesta quarta-feira (08/04), em sua área experimental, na comunidade Riacho das Moças, em Matureia, uma oficina sobre banheiros secos para agricultores e agricultoras que conquistaram tecnologias sociais através do projeto Convivência com a Realidade Semiárida, financiado pela Fundação Interamericana-IAF.

A oficina foi ministrada pelo engenheiro mecânico, Luciano Tommasi, técnico do CEPAGRO, de Florianópolis, Santa Catarina. Entre teoria e prática, ele repassou informações essenciais para a montagem adequada de um Banheiro Seco. “Nesse primeiro contato com o pessoal daqui de Teixeira, na Paraíba, eu achei que a questão da conservação da água, que é o foco principal do banheiro seco, está bem consciente nas pessoas, e esse é um dos motivos para que essa tecnologia se encaixe bem com todas as outras tecnologias de gerenciamento dos recursos hídricos. Acho que tem tudo para avançar bem!”, comenta.

Luciano apresenta a maquete do banheiro seco
Luciano apresenta a maquete do banheiro seco

Os Banheiros Secos são estruturas que utilizam o processo da compostagem dos resíduos sólidos, dispensando o uso de água para a descarga. Outra vantagem é que os usuários não dependem de uma rede de coleta e tratamento de esgotos, a tecnologia transforma os resíduos que seriam poluentes, em fertilizantes naturais que podem ser usados no adubo de plantações nas propriedades.

“O interesse pela construção dos banheiros secos foi primeiro por uma questão pessoal, para resolver um problema de saneamento de onde a gente morava. Eu moro na beira de uma lagoa e realmente era muito difícil de cavar para fazer uma fossa. Então para resolver meu problema pessoal eu comecei a pesquisar sobre banheiros secos depois, trabalhando no CEPAGRO eu vi que os agricultores tinham uma necessidade desse saneamento. Foi aí que surgiu a demanda nossa para começar a construir banheiros secos”, relata Luciano.

Em um cenário onde a necessidade do uso consciente da água e o cuidado com a qualidade dos solos estão cada vez mais evidentes, os Banheiros Secos representam uma alternativa de grande valor sustentável para a convivência com o Semiárido. O projeto executado pelo CEPFS beneficiará 12 famílias, dos municípios de Cacimbas e Teixeira, além de uma unidade demonstrativa que será implantada na área experimental do CEPFS.DSC_0198

Para Manoel Bernardino de Araújo, da comunidade Catolé da Pista, em Teixeira, o banheiro seco representa a tecnologia do futuro “Nós aqui estamos vendo que esse vai ser o banheiro do futuro. É uma boa nova e o benefício é muito grande, em todos os sentidos, só é preciso que a gente aprenda a manejar ele corretamente”, comenta.

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Sistematização dos trabalhos do Cepagro será lançada na próxima sexta

“Saber na Prática – Vivências em Agroecologia”, produção editorial realizada pela Assessoria de Comunicação do Cepagro, será lançada na próxima sexta, 06/12, às 13h30, no Sesc Cacupé (Florianópolis)

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A coleção apresenta a sistematização de metodologias adotadas pela entidade em seu trabalho de organização popular, dirigido a famílias em comunidades rurais e urbanas do Litoral Catarinense, Grande Florianópolis e Alto Vale do Itajaí.

Composta por 4 volumes impressos e 1 DVD, a coleção Saber na Prática: Vivências em Agroeocologia é um registro histórico e metodológico que visa auxiliar outras organizações a replicarem as ações apresentadas – levando em conta o que há de afinidades e diferenças entre as realidades, sempre no sentido de adotar técnicas sustentáveis de Agricultura e Gestão de Resíduos Orgânicos.

Os temas tratados são:

Vol 1 – Banheiro Seco

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O trabalho com esta Tecnologia Social iniciou-se junto a agricultores da Rede Ecovida de Agroecologia, que demandavam sanitários próximos aos locais de cultivo visando a ecologização completa das propriedades, seguindo princípios da permacultura. Do litoral de Santa Catarina a experiência disseminou-se para o semiárido nordestino, com apoio técnico e elaboração de material didático pelo Cepagro. A iniciativa culminou na construção de mais de uma centena de Banheiros Secos na região de Pesqueira, em Pernambuco.

Vol. 2 – Certificação Participativa

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Os Sistemas Participativos de Garantia (SPGs) tem como um dos principais diferenciais a oportunização de um espaço de formação e intercâmbio entre os agricultores, durante as sessões de avaliação da conformidade orgânica que acontecem nas propriedades rurais e agroindústrias, promovendo cidadania e incremento da produção familiar orgânica. Este volume lança luzes sobre o universo da certificação participativa, desde a constituição e funcionamento dos grupos de base da Rede Ecovida até o avanço da legislação brasileira de produção orgânica. 

Vol. 3 – Agricultura Urbana

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Enquanto os impactos da urbanização são fragilmente encarados pelas políticas públicas, inúmeras iniciativas no mundo repensam as cidades em suas características de produção, consumo e descarte de alimentos. Das Hortas Urbanas à Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos, e com amplo reflexo na rede municipal de ensino de Florianópolis, o Cepagro tem gerado referências nacionais no tema.

Vol. 4 – Diversificação Produtiva

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A cadeia produtiva do tabaco, embora controversa, é encarada por muitos agricultores familiares do Sul do país como a única alternativa de renda. No contexto das ações nacionais de diversificação em áreas de tabaco, são apresentados exemplos bem sucedidos em propriedades no território do Alto Vale do Itajaí e tendo como paradigma a conversão para sistemas agroecológicos de produção – desde a a assistência técnica para transição à articulação de mercados de varejo e institucionais.

Serviço: Lançamento da Coleção “Saber na Prática – Vivências em Agroecologia”

Local: SESC Cacupé – Rod. Haroldo Soares Glavan, 1670 – Cacupe, Florianópolis – SC – (48) 3231-3200

Data: sexta, 06/12/2013 –  a partir das 13h30

Programação: 

13h30 –  Abertura do evento e apresentação da Coleção (Reserva de 10 minutos para o Sr David Fleischer contextualizar o trabalho da IAF no Brasil)

14hExibição dos vídeos “Banheiro Seco” e “Agricultura Urbana”

14h45 – Momento de testemunho 1: fala dos beneficiários, instituições parceiras, órgãos públicos sobre os temas apresentados

15h15 – Exibição dos vídeos “Certificação Participativa” e “Diversificação Produtiva”

16h – Momento de testemunho 2: fala dos beneficiários, instituições parceiras, órgãos públicos sobre os temas apresentados

16h45Café agroecológico – Produtos do BOX 721 da Ceasa e  daRede de Engenhos de Farinha de Mandioca artesanais, preparado por chefs do Movimento Slow  Food.

DVD

 

 

Cepagro apóia a campanha “Juntos pelo Semiárido”

A iniciativa é do Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS), ONG sediada no município de Teixeira, no sertão paraibano, e que há 24 anos vem fomentando o desenvolvimento rural sustentável na região através de programas focados no empoderamento dos agricultores e na pesquisa de tecnologias de convivência com o semiárido.

O Cepagro visitou a instituição em abril, e desta vivência surgiu a proposta de continuar instalando banheiros secos no semiárido nordestino como parte da estratégia de gerenciamento dos escassos recursos hídricos locais. Outra importante ferramenta de convivência sustentável com o semiárido é a implantação de cisternas para armazenamento de água. É neste contexto que o CEPFS lançou a campanha Juntos pelo Semiárido, para levantar fundos para a construção de cisternas comunitárias. O objetivo é arrecadar R$6.300 até o dia 22/05/2013. Se o valor proposto for atingido, um investidor externo completará com mais 50% do total arrecadado e mais uma família será beneficiada. Para colaborar com a iniciativa, acesse o site.

Equipe técnica do Cepagro visita semiárido nordestino para avaliação de Banheiros Secos

Entre 2008 e 2010, a cooperação entre o Cepagro, que compartilhou a tecnologia social, e o Cedapp, que organizou as comunidades demandantes, resultou na construção de 126 Banheiros Secos no semiárido pernambucano, financiados pela IAF (96) e União Européia (30). Recentemente, visitamos a região para avaliar os Banheiros construídos e conhecer uma nova demanda na Paraíba

por Fernando Angeoletto – Cepagro

No contexto da cooperação entre organizações para a construção de Banheiros Secos, estivemos enquanto equipe técnica do Cepagro no semiárido nordestino pela terceira vez, na última semana.

Os objetivos foram o de aprofundar a avaliação das unidades construídas na região de atuação do Cedapp e visitar novas comunidades demandantes, desta vez em Teixeira, município no interior da Paraíba, em área onde atua o CEPFS (Centro de Educação Popular e Formação Social, também donatário da IAF).

Na semana da visita, jornais de circulação nacional narravam a crônica de um fato bem marcante, que pudemos testemunhar ao vivo: o semiárido amargava uma seca que já somava 2 anos de duração, considerada uma das piores dos últimos 50 anos.

Foi observado, durante esta visita, que o projeto de Banheiros Secos tornou-se uma importante ferramenta do eixo de Gerenciamento de Recursos Hídricos (GRH) posto em prática pelas organizações locais. Reforçando o conceito de convivência com o semiárido – que começa pela construção de cisternas – a tecnologia social do Banheiro Seco é a alternativa de saneamento mais adequada.

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Quando não há cisterna, a água de um barreiro (foto) geralmente é a única disponível

Em comunidades do município de Buíque (PE), que já teve uma das piores taxas de mortalidade infantil do país, a simples adoção de cisternas e Banheiros Secos tem contribuído para a melhoria nos indicadores sócio-ambientais. Além disto, falamos de algo que afeta diretamente a dignidade dos moradores, que sequer dispunham de chuveiros para banho. Em muitos casos, defecavam próximo aos barreiros, que são pequenos lagos escavados para acumular a preciosa água da chuva, compartilhada com os animais da propriedade. Ainda hoje, em residências que ainda não dispõem de cisternas, a água do barreiro é a única disponível para todos os usos, incluindo cozinhar e beber.

Há duas perspectivas importantes, do ponto de vista das famílias que o adotaram, sobre o uso dos Banheiros Secos. Uma delas é a constante adaptação dos modelos, desde o primeiro que foi construído em 2008. A principal é quanto ao vaso que, considerada a inclusão da bombona para retenção do material sólido (fezes), alcançava uma altura cujo acesso só era possível através de uma escada de 2 degraus. Observamos duas soluções já adotadas para este obstáculo: uma delas foi elevar a fundação de alvenaria do Banheiro, e a outra foi acondicionar a bombona em um buraco escavado por baixo do vaso. Em ambos os casos, facilitou-se o acesso por idosos, crianças e portadores de necessidades especiais.

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Banheiro Seco com círculo de bananeiras, para onde são canalizadas as águas cinzas

         Outra perspectiva é em relação ao tabu a respeito do manejo das fezes humanas, algo perfeitamente compreensível na cultura ocidental. A necessidade de transportar a bombona para compostagem ou desidratação foi identificada como uma séria restrição ao uso continuado do Banheiro Seco. Para contornar esta situação, acreditamos na necessidade de um processo educativo mais aprofundado na implementação de futuros projetos, além da adoção de sanitários com câmaras de alvenaria, onde o material é retirado com pás e transportado mais comodamente em um carrinho de mão, por exemplo.

A construção dos Banheiros Secos é também um ente de dinamização das economias e movimentos associativos locais. Cada beneficiário é estimulado a contribuir com uma pequena quantia, bem menor que o custo real de construção, para um Fundo Rotativo Solidário administrado pelas próprias comunidades. Os fundos pressupõem um engajamento na busca de soluções comuns, tornando as associações mais autônomas, inversamente proporcional à passividade estimulada pelas políticas assistencialistas oficiais.

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A associação gerencia um Fundo Rotativo Solidário, composto, entre outras, pela contribuição das famílias que recebem Banheiros Secos

Com sua experiência consolidada, embora ainda demande alguns pequenos ajustes, o Cedapp recebeu recentemente a visita de comunidades atendidas pelo CEPFS. Em Teixeira (PB), pudemos avaliar as impressões dos moradores que participaram da visita, durante um encontro no Centro de Tecnologias Experimentais de Convivência com a Seca, onde variados métodos, como aproveitamento de águas drenadas de rodovias, reuso de efluentes e pequenas barragens em lajedos de pedras, são testados e avaliados.

De maneira geral, as famílias de Teixeira apresentam grande expectativa em receber os Banheiros Secos, com uma compreensão bem aprofundada a respeito da importância de realizar saneamento e economizar água. Sem dúvida que o fato de espelharem-se numa experiência já realizada os coloca em um patamar de superação de problemas, mostrando um horizonte de Banheiros Secos ainda mais adaptados à realidade local.

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Em visita ao município de Teixeira, a percepção lúdica sobre o uso do Banheiro Seco, que é amplamente demandado pelas comunidades locais

Certamente que o manejo das fezes humanas ainda é um tabu, que foi abordado de maneira lúdica durante o encontro. Um dos presentes brincou: “sei não, usar adubo de fezes no meu coqueiro; como vai ficar minha água de côco?” Ao que foi respondido também em tom de brincadeira por Marcos de Abreu, agrônomo do Cepagro: “o senhor come tapioca, não come? E por acaso o seu braço vira uma tapioca? Pois então, na natureza, a transformação é a regra.” Eis aí um inestimável espaço de intervenção didática que deve ser explorado nos próximos projetos.

         Enquanto estratégia para atender esta demanda presente, e outras que certamente surgirão, vislumbra-se a inclusão do tema entre as entidades componentes da ASA (Articulação do Semiárido), com destaque à importância dos Banheiros Secos e a proposição de parcerias na busca por novos projetos que possam disseminá-los em dezenas, quiçá centenas, ou ainda milhares de comunidades espalhadas pelo imenso sertão brasileiro.

Para saber mais: matéria veiculada no Jornal do Commercio à época da implantação dos Banheiros Secos

Álbum completo da visita do Cepagro ao semiárido