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ECOFEST Trujillo fortalece articulação latinoamericana pela Agroecologia

A marinera trujillana, bailado típico do norte do Peru, embelzou a abertura do ECOFEST. Foto: Cecília Saito (Comunicação – MINKA)

Realizado de 2 a 4 de fevereiro em Trujillo, no norte do Perú, o Festival Agroecológico Internacional ECOFEST foi promovido pela MINKA – organização parceira do Cepagro no Projeto SABERES NA PRÁTICA EM REDE – e reuniu mais de 200 pessoas, entre agricultoras e agricultores, estudantes, educadores, técnicos de campo, nutricionistas e donos de restaurantes. Além do Cepagro, foram convidadas também CETAP (Brasil), o Centro Campesino A. C. e Tijtoca Nemiliztli (México), Asociación de Productores Orgánicos (APRO – Paraguay) e  Fundesyram (El Salvador), todas participantes do projeto, que é apoiado pela IAF. “O grande objetivo do ECOFEST foi promover os produtos agroecológicos, para que as pessoas os conheçam. Tivemos bastante cobertura da imprensa, e certamente nossas demandas chegaram por aí às autoridades”, disse William Siapo, coordenador de projetos da MINKA. “Em Trujillo, com MINKA, cada vez mais produtores têm essa visão da agroecologia e estão trabalhando com outros para melhorar a qualidade de seus solos, água, ar, produzindo alimentos que fazem bem para suas próprias famílias e daqueles que os consomem”, explica Miriam Brandão, representante da IAF no Peru.

Charles Lamb, do CEPAGRO, na abertura do ECOFEST, junto com representantes do FUNDESYRAM, IAF e CENTRO CAMPESINO. Foto: Cecília Saito (Comunicação – MINKA)

Além de trazer mais visibilidade para a Agroecologia, o evento debateu questões como a certificação de alimentos agroecológicos, comercialização, as relações entre gastronomia e saúde e também abriu espaço para a Rede Ecovida de Agroecologia. O Cepagro esteve presente em todas as mesas, da abertura ao encerramento do evento.  Trazendo um panorama sobre a Agroecologia na América Latina, Charles Lamb, coordenador do projeto SABERES NA PRÁTICA EM REDE, ressaltou que a Agroecologia é mais do que um modo de produção de alimentos limpos, mas é um sistema de promoção da vida, em contraposição aos impactos socioambientais negativos da agricultura chamada convencional. Trouxe também dados da FAO que apontam a Agroecologia como alternativa de desenvolvimento sustentável e primordial para a segurança alimentar na América Latina.

No segundo dia, a vice-presidente do Cepagro, Erika Sagae, abriu o painel sobre “Comercialização de Produtos Agroecológicos”, enfatizando a diversificação de estratégias como primordial para a comercialização na Agroecologia. Circuitos curtos, mercados institucionais e feiras foram alguns dos exemplos citados. A nutricionista Cintia Gris, da equipe técnica do CETAP, também participou do debate, trazendo exemplos de grupos de consumidores e feiras agroecológicas articuladas pela organização. “As feiras são mais do que espaços de comercialização, ali também acontecem ricas trocas de experiências e receitas”, disse. Para Victor Hugo Morales, do Centro Campesino de Desarollo Sostenible (México), o envolvimento de consumidores é fundamental para a valorização dos alimentos agroecológicos, que quase sempre têm um preço diferenciado. “As pessoas ainda veem só o preço, e não o valor”, avalia William Siapo, da MINKA. Para Genaro Ferreira Piris, da Asociación de Productores Orgânicos do Paraguay, é importante associar agroindústrias às produção de alimentos agroecológicos, para se ter um aproveitamento integral das colheitas. Durante o painel, a articulação de pequenas células de consumidores foi uma das estratégias apontadas para criar mais conscientização sobre os alimentos agroecológicos, sua valorização, além de envolver consumidores/as no movimento agroecológico. Fechando a programação do dia, as/os participantes conheceram a BioFeira Punto Verde de Huanchaco, articulada pela Minka Verde, e um dos pontos de comercialização da Frutas Selectas, que recebe a produção de diversas famílias de agricultores agroecológicos assessoradas pela MINKA.

Visita à Red de Productores Campiña de la Merced.

A organização MINKA – palavra quechua para falar de “trabalho coletivo” –  presta assessoria em produção agroecológica e articula a comercialização de cerca de 130 famílias de agricultores e agricultoras na região do Valle de Santa Catalina, próximo a Trujillo.

Insumos produzidos pela Red de Productores Campiña de la Merced

Na visitas de campo, as/os participantes do ECOFEST puderam conhecer algumas dessas experiências, tanto em estruturas de produção agroecológica quanto pontos de comercialização. A primeira parada foi na Red de Productores Campiña de la Merced, que produz insumos orgânicos como bokashi líquido e calda bordalesa. Os insumos são fornecidos para produtores de frutas orgânicas, por sua vez comercializadas através do projeto Minka Verde, apoiado pela Inter-American Foundation.

Uma das agricultoras mais interessadas na visita era Ferlinda Isabel Sánchez Córdoba (em pé, foto ao lado), que veio da província de Cajamarca, a 300km de Trujillo, para participar do evento. Ela também é assessorada pela MINKA “para tudo que seja cultivos alternativos, ecológicos. Nas capacitações, aprendemos a usar insumos naturais e também sobre irrigação”, explica Ferlinda, que além de criar animais, cultiva trigo, milho, batatas, grãos e árvores frutíferas, tudo numa propriedade de 3 hectares. Demonstrando muita identidade agroecológica, Ferlinda se denomina “todista”: “porque eu semeio de tudo. Assim, se não me vai bem em alguma safra, tenho de onde tirar minha renda por outro lado. E minha alimentação está assegurada”, afirma a agricultora. “Antes eu trabalhava para outras pessoas, na colheita do milho, por exemplo. Agora, na Agroecologia, eu tenho trabalho na minha própria casa. Não preciso mais trabalhar para os outros”, completa.

Na segunda visita, o público conheceu a produção de morangos e verduras orgânicos na região de Menocucho, próximo a Trujillo. A Asociación de Freseros de Menocucho reúne 12 famílias e comercializa cerca de 400kg de morangos por semana, também articulada pela Minka Verde. O agricultor José Luiz Chavez (foto ao lado) conta que “Minka nos ajuda a ter um mercado estável”. Sobre a produção agroecológica, ele afirma que “ao combater insetos e outros bichinhos, só aumenta a necessidade de uso de mais inseticidas. Na agricultura orgânica, o próprio ecossistema se equilibra. A natureza trabalha junto com o agricultor”. O processo de transição, contudo, não é fácil: José Luiz explica que só depois da 3ª safra é o ecossistema atingiu um equilíbrio razoável para ter uma boa produção. Na propriedade da família de José Luiz também são produzidas mudas de tomate, alface e outras verduras.

 

 

 

 

 

Certificação gera grande interesse no público
Com uma apresentação inicial de Claudete Ponath, agricultora do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, a Certificação de Alimentos Orgânicos – especialmente no Sistema Participativo – foi debatida no primeiro dia de programação ECOFEST. Claudete trouxe um histórico da certificação no Brasil, enfocando nos princípios do sistema participativo (como participação e confiança) e falou também sobre a dinâmica do SPG da Rede Ecovida de Agroecologia, enfatizando os mercados locais e a mobilização social. Dentre os desafios apontados ao longo da discussão, a contaminação das propriedades agroecológicas por resíduos de agrotóxicos foi um dos principais. Participaram no debate Genaro Ferreira Piris, da Asociación de Produtores Orgánicos de Paraguay; Fernando George Pluma, da Tijtoca Nemiliztli A. C. – TNAC “Sembramos Vida” (México) e Salvador Sanchez da Asociación Regional de Produtores Ecológico de La Libertad (ARPELL). Tanto APRO quanto TIJTOCA inspiraram-se na Rede Ecovida de Agroecologia para desenvolverem seus SPGs. “Buscamos esta construção para atender à demanda de uma certificação que estivesse ao alcance dos pequenos agricultores”, disse Genaro.

Educação agroecológica e Políticas Públicas para Agroecologia: demandas do ECOFEST TRUJILLO

Durante o evento, a ausência de representantes do Poder Público foi sentida e apontada em diversos momentos. Ao mesmo tempo, foram apresentadas experiências que demonstram a importância de políticas públicas para o desenvolvimento da agricultura familiar, agroecológica e de pequena escala, como é o caso do Brasil. Neste sentido, reforça-se a demanda pela construção de políticas públicas de apoio à produção e comercialização de alimentos orgânicos e agroecológicos. Também convidou-se o público a contribuir na construção do Consejo Regional de Produtores Orgânicos de a Libertad junto à Gerência Regional de Agricultura, assim como a pressionar as autoridades para que efetivem a doação de um espaço para o Centro Educativo de Agricultura Orgânica. A partir da experiência brasileira, percebemos a importância da participação da sociedade civil em espaços de controle social, como os conselhos, para incidir na construção de políticas públicas.

A demanda por uma perspectiva agroecológica na Educação – tanto de agricultores para a adoção de práticas de manejo agroecológicas como de consumidores/as para priorização de uma alimentação saudável – foi apontada em vários painéis. Como estratégias, foram citadas a implantação de hortas escolares e comunitárias, além do trabalho direto com consumidores/as através de campanhas e também em feiras, assim como a instalação de “puntos verdes” de alimentos saudáveis nas escolas.

 

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Encontro de Donatários da IAF reúne organizações de 14 países latino-americanos

Entre Encontros da Rede Ecovida e de Donatários, o grupo esteve reunido por quase uma semana, trocando experiências e aprendendo mutuamente

“Químico es veneno, acaba con la vida! La única salida es laAgroecología!”. O idioma não foi problema para que a plateia do 10º Encontro da Rede Ecovida de Agroecologia entoasse essas palavras de ordem junto com a delegação latino-americana que enchia o palco na Plenária Final do evento. Presenteando a Rede Ecovida com a colorida bandeira da wiphala e sementes de quinoa e noni, mais de 50 compañeras e compañeros de 14 países latino-americanos marcaram sua presença no evento, que foi uma preparação para o 3º Encontro de Donatários da Fundação Inter-Americana (IAF), realizado entre 24 e 26 de abril em Passo Fundo (RS).  Organizado pelo CETAP com apoio do Cepagro, o Encontro de Donatários reuniu representantes de 41 organizações apoiadas pela IAF na Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, costa Rica, Equador, el Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Paraguai, Peru e República Dominicana. Comercialização, SPG, Gênero, Juventude e Sementes foram alguns dos temas trabalhados em oficinas e visitas de campo. Além do amplo intercâmbio de experiências, demandas e interesses entre as organizações, o Encontro marcou também a continuidade da articulação do Convênio entre Cepagro e IAF que mobilizará uma rede de Agroecologia na América Latina.

Na Plenária Final do 10º EARE, a delegação latino-americana propôs a realização de uma oficina sobre Agroecologia na América Latina no próximo Encontro da Rede.

O intercâmbio dos donatários e donatárias começou durante o Encontro Ampliado da Rede Ecovida, em Erexim, com apresentações e atividades para o reconhecimento mútuo dxs participantes. Com a facilitação dxs agrônomxs Eliziana Vieira de Araújo e Rogério Súniga Rosa, o grupo compartilhou suas expectativas e contribuições para o Encontro enquanto localizavam-se no mapa da América Latina. “Amistad” – “amizade”, em castelhano – foi um dos aportes mais mencionados.

Mauricio Tinari, do Gran Chaco argentino
Beatriz Choque, da ECOTOP, Bolívia
Representantes do FUNDESYRAM, de El Salvador.
Buscando a Nicarágua no mapa
Representantes do MESSE, do Equador

 

 

 

 

Com uma exposição de banners sobre os trabalhos das organizações, as possibilidades de intercâmbios começaram a ser desenhadas. Divididos em grupos, os participantes liam os materiais e indicavam com quais organizações tinham interesse em trocar experiências e aprendizados. Rodas de chimarrão ao final de cada tarde também serviram como espaços de articulação e (re)conhecimento mútuo.

Através de uma parceria com a Universidade de Passo Fundo, uma equipe de tradutores e tradutoras fez a ponte linguística para que xs latino-americanxs pudem participar das oficinas e seminários do Encontro Ampliado da Rede Ecovida.

A temática dos Sistemas Participativos de Garantia (SPG) na Rede Ecovida foi uma das mais apontadas pelxs participantes como sendo de seu interesse. David Flores, do Grupo Guia, de Honduras, é um deles: “Um aspecto desconhecido é o caso do Sistema Participativo de Garantia, que nós queremos implementar no meu país esse sistema”, disse. A semente de um SPG a partir do Encontro Ampliado da Rede Ecovida já brotou em outros países, como aconteceu com o Centro Campesino, do México. Inspirada pela experiência da Rede Ecovida que eles conheceram durante o Encontro Ampliado de 2012, realizado em Florianópolis (SC), a organização fundou a associação Tijtoca Nemiliztli, que hoje implementa um  SPG no estado de Tlaxcala, a 100km da Cidade do México.

Dentre os donatários e donatárias brasileirxs, a Rede Ecovida também é um exemplo. “Nós estamos articulando uma Rede Tocantinense de Agroecologia, uma rede horizontal, que envolva os agricultores . Então, conhecer como funciona a Rede Ecovida foi fundamental”, explicou Selma Yuki Ishii, da APA-TO. Para que a estrutura e dinâmicas de funcionamento da Rede ficassem claras, o agrônomo Laércio Meirelles, um dos seus fundadores, realizou duas apresentações sobre a Rede Ecovida: uma durante o Encontro Ampliado, outra no Encontro de Donatários.

Já reunido em Passo Fundo, o grupo iniciou as atividades montando um relicário , reunindo símbolos e recordações dos seus países e organizações. A esses tesouros, foram adicionados mais sonhos e expectativas, juntamente com uma colheita dos aprendizados do Encontro da Rede Ecovida.

“O mais importante para nós é criar essa rede de interesses com  objetivos comuns pela agroecologia”, afirmou David Ivan Fleischer, representante da IAF no Brasil, durante a abertura do Encontro.

David Fleischer e Jeremy Coon, da IAF, falam sobre os objetivos do Encontro de Donatários.
Apresentação dos representantes da IAF que participaram do Encontro.
Parte da equipe do CETAP que organizou o Encontro de Donatários.

Mas a atividade principal do primeiro dia do Encontro de Donatários foi as visitas a campo para conhecer cinco experiências em agroecologia apoiadas pelo CETAP. O ponto de comercialização de produtos agroecológicos da Associação Sagra Italiana, no município de São Domingos do Sul (a 85km de Passo Fundo), foi a primeira parada de um dos grupos.

Também foram visitadas pequenas propriedades agroecológicas em que destacam-se o protagonismo das mulheres e da juventude. Uma delas foi a de Odete Mezomo e seus filhos André e Gabriela Favretto, em São Domingos do Sul. Com uma produção diversificada, a família entrega alimentos para escolas e também participa de duas feiras. “Quando meus pais entraram nesse tipo de produção, veio a vontade de ficar. Não ia querer trabalhar com veneno”, conta Gabriela. Além da transição agroecológica, outro desafio enfrentado pela agricultora de 30 anos foi o machismo. “Quando o nosso grupo pediu para eu dirigir o caminhão para a Feira, eu mesma resisti, porque achei que eu não ia conseguir dirigir o caminhão. Isso é machismo! Porque a sociedade nos coloca papéis. Pois, dirigir um caminhão é ‘coisa de homem e não é coisa de mulher’. Então eu duvidei que eu ia conseguir fazer. Mesmo assim fui, por insistência do grupo, e consegui fazer!”, conta.

Ali perto, na propriedade da família de Maristela Ferro, a participação das mulheres e dos jovens na produção, comercialização e tomada de decisões também é significativa, assim como na da família de Ademir Cé, outra experiência visitada.

A rodada de visitas terminou com jantares nas comunidades. Dois dos grupos foram recebidos no Salão da Comunidade 6 de Maio, em São Domingos do Sul. Muitos moradores vieram recepcionar os visitantes latino-americanxs. Além da bela macarronada com galinha caipira e vinho colonial, a noite teve muita música em português, italiano e espanhol.

As visitas a campo foram apontadas como um dos pontos altos da programação do Encontro por vários participantes , como Rosa Murillo, do MESSE (Equador): “A visita com as famílias e o tema de transformação, que aqui é constante no sentido de valorizar a diversificação da produção, foi muito interessante. Como vocês lidam com as capacidades humanas, de troca, de partilha. A experiencia da Ecovida é maravilhosa pelo modo que se vai articulando as coisas e envolvendo as pessoas”, disse.

A troca entre as organizações também foi potencializada nas oficinas e apresentações do Encontro, trabalhando com temas como  Comercialização, SPG, Gênero, Juventude e Sementes.

Genaro Ferreira apresenta a experiência da APRO (Paraguay) em SPG
Apresentação do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, com Neucy Fagundes
David Monchon e Victor Hugo Morales falam sobre o SPG da Tijtoca Nemiliztli, de Tlxacala (México)
Protagonismo feminino é destaque no trabalho da Alternativa para Pequena Agricultura do Tocantis (APA-TO), apresentada por Selma Yuki. Ishii durante a Oficina de Gênero
Oficina sobre Sementes

A metodologia do encontro estimulou os e as participantes a realizar e apresentar sínteses das discussões já durante o Encontro.

O Encontro de Donatários coincidiu com o encerramento das comemorações pelos 30 anos do CETAP, Uma grande celebração no dia 25 de abril, com a entrega de homenagens a figuras históricas da entidade, painel de discussão sobre o papel das organizações da sociedade civil e degustação das delícias produzidas pelos grupos de agroecologia assessorados pelo CETAP deu um toque mais do que festivo à programação do Encontro.

Equipe CETAP comemora os 30 anos da organização.
O representante da IAF para o Brasil, David Ivan Fleischer, fala sobre a parceria entre a fundação e o CETAP

Depois de quase uma semana de vivências, a avaliação dos e das participantes sobre os Encontros – da Rede Ecovida e de Donatários – enfatizou o fortalecimento mútuo através do compartilhamento de informações, demandas e desafios. “Apesar de ter coisas parecidas entre as organizações, há também diferenças e aí está o verdadeiro aprendizado. Podemos estreitar as relações com outras organizações e partilhar o que nós sabemos e o que nós fazemos com as outras organizações”, disse David Flores, do Grupo Guia (Honduras). Ele faz coro com a fala de Roberto Sandoval Rodriguez, do Fundesyram (El Salvador), durante a Plenária Final do Encontro da Rede Ecovida: “Nestes dias como delegação aprendemos muito. Que os problemas e estratégias para superá-los são similares na américa latina. Que os países que representamos não estamos sós, pois temos vocês. Que é mais importante o grupo, e não o indivíduo. Que nos sentimos uma rede latino-americana de agroecologia graças a vocês”.

Selma Yuki, da APA-TO, identificou desafios às entidades que trabalham com agroecologia: “Pouco apoio governamental na realidade dos países que tem interesse de resolver os problemas na agroecologia. O apoio é dado por instituições como a IAF, que aportam os recursos, e isso limita o campo de atuação e a potencialidade de a gente disseminar mais isso como política, e de desenvolvimento como país. Eu vejo a agroecologia como uma matriz tecnológica que poderia ser a base de um desenvolvimento de um país, e, isso passa desapercebido. De qualquer forma, as instituições que apoiam a agroecologia estão atuando nesse sentido, fortalecendo a agroecologia e disseminando conhecimento. Isso é formidável e espero que a gente consiga, através de uma Rede a nível de América Latina, inserir políticas públicas para que a gente consiga realmente transformar a agroecologia”.

Além dos desafios, as organizações também listam suas fortalezas a serem compartilhadas com outras. “Um ponto forte que podemos compartilhar é o processo de produção agroecológica com enfoque em prioridades em segurança alimentar para consumo próprio. Porque sabemos que há grupos que produz comida sã para outros comerem, sem consumir a própria comida que produz”, avalia David Flores, do Grupo Guia, que trabalha com o fornecimento de cestas agroecológicas com excedentes da produção de pequenos agricultores e agricultoras  como estratégia que conjuga produção agroecológica diversificada, segurança e soberania alimentar e circuitos curtos de comercialização.

Representantes do MESSE, do Equador

Articulando cerca de 200 organizações, associações e cooperativas equatorianas, o Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador (MESSE) também esteve representado no Encontro. Rosa Murillo, uma de suas integrantes, conta que o coletivo poderia compartilhar suas experiências sobre “o aspecto administrativo e organizacional e a comercialização articulada com a campanha de consumo responsável , porque incluímos aí os consumidores nesse processo. Trabalhamos com comunicação alternativa em visitas do Movimento, além da troca de saberes das práticas da Economia Solidária”.

Comitê Gestor do projeto “Saberes na Prática em Rede”.

O Convênio firmado em setembro de 2016 entre Cepagro e IAF buscará acolher algumas dessas demandas de intercâmbios. Até 2019, o projeto Saberes na Prática em Rede promoverá a cooperação do Cepagro com a IAF e outras 5 organizações latino-americanas – CETAP (Brasil), Fundesyram (El Salvador), MINKA (Peru), APRO (Paraguay) e Centro Campesino (México) – para articular uma rede de colaboração em torno da agroecologia, promovendo a troca de experiências e o compartilhar de conhecimentos entre organizações latino-americanas. Nos próximos 2 anos e meio serão realizados seminários e oficinas de intercâmbio no Brasil e em outros países da América Latina, cujas temáticas e locais serão decididas participativamente pelo Comitê Gestor.

Veja abaixo o álbum completo de fotos do III Encontro de Donatários da IAF.