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Grupo de agroecologia da Rede Ecovida tem destaque na 19ª Festa do Queijo e do Mel de Angelina

Articulado pelo Cepagro e composto por agricultoras e artesãs, o Grupo de Agroecologia Terra Viva participou no último dia 21/04 da 19ª Festa do Queijo e do Mel de Angelina.  A festividade foi recuperada pela atual gestão municipal após um intervalo de três anos. As associações e conselhos comunitários das localidades rurais foram então convocados para montar seus estandes com produtos  e desfilar na praça central  mostrando suas produções culturais.

Por Gabriella Pieroni – Ponto de Cultura Engenhos de Farinha

Fotos Sandra Alves

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A iniciativa, batizada de 1ª Festa das Comunidades, teve a intenção de oferecer “atrativos gastronômicos e culturais diferenciados, buscando surpreender os participantes com atrações e produtos únicos, que não lhe são oportunizados diariamente”, como consta da proposta elaborada pela prefeitura.

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A  festa deste ano mostrou que  muito pode ser feito em Angelina neste sentido. O grande público presente surpreendeu os produtores locais, que não conseguiram suprir a  procura por produtos coloniais. Isto porque, além das comunidades, um grande número de pessoas de outros municípios como  Blumenau, Balneário Camboriú e Florianópolis compareceram à festa, desfrutando de um ensolarado domingo de outono.

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Os alimentos ofertados nas barracas se esgotaram na metade da programação do dia deixando muita gente com água na boca. O queijo foi o primeiro a desaparecer das barracas, revelando a necessidade de viabilização da venda da produção de diversas famílias que necessitam de certificação. Os visitantes também enfrentaram muitas filas e foi necessário fazer reservas para  levar para casa o queijo e o  mel, entre outros produtos coloniais e de estação de Angelina.

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O grupo Terra Viva expôs o artesanato com matérias-primas locais, resultado de um processo de capacitação com a formadora em economia solidária Mirian Abe, que estava presente,  juntamente com o agrônomo Javier Bartaburu, do Cepagro. Eles aproveitaram a oportunidade para  levantar alternativas  de fortalecimento do grupo e da agroecologia na região.

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Atuais exemplos únicos da agricultura familiar orgânica de Angelina, Celso e Catarina Gelsleuchter levaram à festa mel, frutas e processados de engenho de sua propriedade, que é certificada pela Rede Ecovida de Agroecologia. O mel e a farinha artesanal de mandioca, produtos de longa tradição na família, foram os mais disputados. Foi apresentada  também a rota de agroturismo da Rede dos Engenhos Artesanais de Farinha da grande Florianópolis, a qual faz parte o engenho da família Gelsleuchter, situado na localidade do Garcia e movido à roda d’água.

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Também estavam presentes  Angelita Hames e Elza Hames, atuais representantes dos grupos de artesanato Nosso Espaço e Mães e Amigas de  Garcia e Coqueiros. O grupo de agroecologia Terra Viva, junto com a equipe do Cepagro,  foram responsáveis pelo estande da comunidade do Garcia. Durante a festa, o Secretário de Agricultura do município agendou uma reunião com estas equipes para viabilizar possibilidades de avanço da agroecologia e agricultura familiar no município.

Clique na imagem abaixo para conferir a galeria completa de fotos no blog do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha

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“Educando com a Horta Escolar” cresce e retoma atividades

O programa, realizado pela Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis em parceria com o Cepagro, vai abranger 84 unidades de Educação Infantil e Ensino Fundamental, 21 escolas a mais do que no ano passado. A ideia do projeto, resultado de uma cooperação entre o Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), é promover a segurança alimentar e nutricional dos escolares e trabalhar a educação ambiental através de oficinas e vivências práticas agrupadas em três eixos: O lixo e a reciclagem; A horta escolar agroecológica e Alimentação saudável.

As oficinas têm o objetivo de promover a segurança alimentar e trabalhar a educação ambiental
As oficinas têm o objetivo de promover a segurança alimentar e trabalhar a educação ambiental

 A educação alimentar ganhou mais destaque neste ano e foi incorporada ao nome do programa, que agora se chama Educando com a Horta Escolar e Gastronomia (PEHEG). As atividades recomeçam nesta semana com a assessoria técnica de 10 profissionais do Cepagro, que realizarão duas visitas mensais a cada uma das unidades. Estes encontros seguirão um cronograma e uma metodologia construídos ao longo dos sete anos de atuação da ONG em hortas escolares de Florianópolis, buscando organizar os conteúdos em consonância com o calendário escolar.

Após um diagnóstico inicial, em que são avaliados condições e potenciais das hortas, os técnicos abordam a reciclagem do lixo e a compostagem de resíduos orgânicos. Durante o segundo bimestre, são trabalhados canteiros, sementeiras e o plantio de culturas diversas. A colheita é no bimestre seguinte, focado na alimentação saudável e oficinas com receitas. “As receitas complementam estas atividades, pois levamos os ingredientes para a sala de aula e os alunos as preparam”, explica o engenheiro agrônomo Julio Maestri, da equipe técnica do Cepagro. “Com o envolvimento criado no cuidado com a horta, aumenta o interesse em consumir aqueles alimentos”, completa. O ano letivo é encerrado com o plantio de cobertura e adubação verde para o período de férias, visando proteger o solo.

A metodologia desenvolvida pelo Cepagro busca combinar os calendários agrícola e escolar
A metodologia desenvolvida pelo Cepagro combina o calendário agrícola e o escolar

Equipe técnica do Cepagro visita semiárido nordestino para avaliação de Banheiros Secos

Entre 2008 e 2010, a cooperação entre o Cepagro, que compartilhou a tecnologia social, e o Cedapp, que organizou as comunidades demandantes, resultou na construção de 126 Banheiros Secos no semiárido pernambucano, financiados pela IAF (96) e União Européia (30). Recentemente, visitamos a região para avaliar os Banheiros construídos e conhecer uma nova demanda na Paraíba

por Fernando Angeoletto – Cepagro

No contexto da cooperação entre organizações para a construção de Banheiros Secos, estivemos enquanto equipe técnica do Cepagro no semiárido nordestino pela terceira vez, na última semana.

Os objetivos foram o de aprofundar a avaliação das unidades construídas na região de atuação do Cedapp e visitar novas comunidades demandantes, desta vez em Teixeira, município no interior da Paraíba, em área onde atua o CEPFS (Centro de Educação Popular e Formação Social, também donatário da IAF).

Na semana da visita, jornais de circulação nacional narravam a crônica de um fato bem marcante, que pudemos testemunhar ao vivo: o semiárido amargava uma seca que já somava 2 anos de duração, considerada uma das piores dos últimos 50 anos.

Foi observado, durante esta visita, que o projeto de Banheiros Secos tornou-se uma importante ferramenta do eixo de Gerenciamento de Recursos Hídricos (GRH) posto em prática pelas organizações locais. Reforçando o conceito de convivência com o semiárido – que começa pela construção de cisternas – a tecnologia social do Banheiro Seco é a alternativa de saneamento mais adequada.

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Quando não há cisterna, a água de um barreiro (foto) geralmente é a única disponível

Em comunidades do município de Buíque (PE), que já teve uma das piores taxas de mortalidade infantil do país, a simples adoção de cisternas e Banheiros Secos tem contribuído para a melhoria nos indicadores sócio-ambientais. Além disto, falamos de algo que afeta diretamente a dignidade dos moradores, que sequer dispunham de chuveiros para banho. Em muitos casos, defecavam próximo aos barreiros, que são pequenos lagos escavados para acumular a preciosa água da chuva, compartilhada com os animais da propriedade. Ainda hoje, em residências que ainda não dispõem de cisternas, a água do barreiro é a única disponível para todos os usos, incluindo cozinhar e beber.

Há duas perspectivas importantes, do ponto de vista das famílias que o adotaram, sobre o uso dos Banheiros Secos. Uma delas é a constante adaptação dos modelos, desde o primeiro que foi construído em 2008. A principal é quanto ao vaso que, considerada a inclusão da bombona para retenção do material sólido (fezes), alcançava uma altura cujo acesso só era possível através de uma escada de 2 degraus. Observamos duas soluções já adotadas para este obstáculo: uma delas foi elevar a fundação de alvenaria do Banheiro, e a outra foi acondicionar a bombona em um buraco escavado por baixo do vaso. Em ambos os casos, facilitou-se o acesso por idosos, crianças e portadores de necessidades especiais.

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Banheiro Seco com círculo de bananeiras, para onde são canalizadas as águas cinzas

         Outra perspectiva é em relação ao tabu a respeito do manejo das fezes humanas, algo perfeitamente compreensível na cultura ocidental. A necessidade de transportar a bombona para compostagem ou desidratação foi identificada como uma séria restrição ao uso continuado do Banheiro Seco. Para contornar esta situação, acreditamos na necessidade de um processo educativo mais aprofundado na implementação de futuros projetos, além da adoção de sanitários com câmaras de alvenaria, onde o material é retirado com pás e transportado mais comodamente em um carrinho de mão, por exemplo.

A construção dos Banheiros Secos é também um ente de dinamização das economias e movimentos associativos locais. Cada beneficiário é estimulado a contribuir com uma pequena quantia, bem menor que o custo real de construção, para um Fundo Rotativo Solidário administrado pelas próprias comunidades. Os fundos pressupõem um engajamento na busca de soluções comuns, tornando as associações mais autônomas, inversamente proporcional à passividade estimulada pelas políticas assistencialistas oficiais.

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A associação gerencia um Fundo Rotativo Solidário, composto, entre outras, pela contribuição das famílias que recebem Banheiros Secos

Com sua experiência consolidada, embora ainda demande alguns pequenos ajustes, o Cedapp recebeu recentemente a visita de comunidades atendidas pelo CEPFS. Em Teixeira (PB), pudemos avaliar as impressões dos moradores que participaram da visita, durante um encontro no Centro de Tecnologias Experimentais de Convivência com a Seca, onde variados métodos, como aproveitamento de águas drenadas de rodovias, reuso de efluentes e pequenas barragens em lajedos de pedras, são testados e avaliados.

De maneira geral, as famílias de Teixeira apresentam grande expectativa em receber os Banheiros Secos, com uma compreensão bem aprofundada a respeito da importância de realizar saneamento e economizar água. Sem dúvida que o fato de espelharem-se numa experiência já realizada os coloca em um patamar de superação de problemas, mostrando um horizonte de Banheiros Secos ainda mais adaptados à realidade local.

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Em visita ao município de Teixeira, a percepção lúdica sobre o uso do Banheiro Seco, que é amplamente demandado pelas comunidades locais

Certamente que o manejo das fezes humanas ainda é um tabu, que foi abordado de maneira lúdica durante o encontro. Um dos presentes brincou: “sei não, usar adubo de fezes no meu coqueiro; como vai ficar minha água de côco?” Ao que foi respondido também em tom de brincadeira por Marcos de Abreu, agrônomo do Cepagro: “o senhor come tapioca, não come? E por acaso o seu braço vira uma tapioca? Pois então, na natureza, a transformação é a regra.” Eis aí um inestimável espaço de intervenção didática que deve ser explorado nos próximos projetos.

         Enquanto estratégia para atender esta demanda presente, e outras que certamente surgirão, vislumbra-se a inclusão do tema entre as entidades componentes da ASA (Articulação do Semiárido), com destaque à importância dos Banheiros Secos e a proposição de parcerias na busca por novos projetos que possam disseminá-los em dezenas, quiçá centenas, ou ainda milhares de comunidades espalhadas pelo imenso sertão brasileiro.

Para saber mais: matéria veiculada no Jornal do Commercio à época da implantação dos Banheiros Secos

Álbum completo da visita do Cepagro ao semiárido

Grande Florianópolis ganha espaço que aproxima consumidores e agricultores agroecológicos

por Ana Carolina Dionisio e Fernando Angeoletto / Cepagro

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Aproximar produtores e consumidores, oferecer alimentos saudáveis a preços justos e gerar alternativas de diversificação produtiva para famílias fumicultoras: objetivos centrais do movimento agroecológico em Santa Catarina que ganharam agora um grande aliado, com a inauguração do Box de Produtos Orgânicos na Ceasa/SC. A solenidade aconteceu na última quarta (20/03) às 10h, e teve a participação de representantes de entidades da sociedade civil, da UFSC (Universidade federal de Santa Catarina), dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, da Câmara Municipal de Florianópolis e de agricultores(as) e membros(as) da Rede Ecovida dos três estados do Sul do Brasil. O Box 721 da Ceasa/SC será o único destinado exclusivamente à comercialização de produtos agroecológicos, que terão garantia de conformidade orgânica por certificação participativa ou por auditoria.

Público assiste à inauguração do Box 721
Público assiste à inauguração do Box 721

 

A abertura do espaço é resultado de dois anos de esforços conjuntos entre o Cepagro e o Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (Lacaf) da UFSC, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que repassou verba necessária para viabilizar o funcionamento do local e pagar funcionários que prestarão apoio técnico à comercialização. O Box já estava aberto desde janeiro, mas trabalhando somente com feiras, restaurantes, pequenos e médios varejistas. A partir desta semana, atenderá também ao público em geral, às segundas, quartas e sextas-feiras, das 5h às 8h da manhã. Além das variedades orgânicas de cebola, batata, feijão, maçã, morango, laranja e mini-tomate que já eram ofertadas, entraram para a lista de produtos: banana, milho, caqui, abóbora, alho-poró, maracujá, batata-doce, além de sucos, doces, geleias e da polpa de açaí extraída dos frutos da palmeira juçara da Mata Atlântica.

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O Box 721, exclusivo para produtos orgânicos certificados

Muitos destes itens são oriundos de propriedades onde antes se plantava tabaco, cultura ao qual se dedicam cerca de 55 mil famílias só em Santa Catarina. A inclusão de novos produtores que desejam sair da fumicultura é uma das principais metas do Box, segundo o coordenador geral do Cepagro Charles Lamb, pois aumenta as opções de escoamento da produção agroecológica. O representante da Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Santa Catarina, Elder Guedes, concorda: “A implementação do Box atende a diversas demandas do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, como a articulação de mercados institucionais e convencionais e a realização de projetos de espaços coletivos de comercialização”. Ele ressalta que, para o fumicultor, a agroecologia sinaliza uma perspectiva de cultivo com valor agregado, por isso é um caminho viável para a substituição do tabaco. “Diminuir a participação de intermediários através da estruturação da comercialização em rede agrega mais valor ainda ao produto”, completa, lembrando que “a conquista deste espaço é um mérito da Rede Ecovida”.

Programa Ação, da rede Globo, produziu nesta semana matéria com agricultor da Rede Ecovida, ex-fumicultor que hoje produz orgânicos e comercializa em feiras e no Box 721
Programa Ação, da rede Globo, produziu nesta semana matéria com agricultor da Rede Ecovida, ex-fumicultor que hoje produz orgânicos e comercializa em feiras e no Box 721

Além dos agricultores, os consumidores saem ganhando, tendo acesso a produtos de qualidade orgânica com preços similares – e às vezes até mais baixos – do que os convencionais. O kilo da banana branca, por exemplo, está R$2 no Box, enquanto numa das maiores redes de supermercados de Santa Catarina custa R$2,99. A cebola, vendida a R$3 no Box, sai por R$3,29 no outro estabelecimento. Isso é possível, de acordo com Lamb, devido ao trabalho conjunto de cooperativas, associações e grupos de agricultores do estado na logística de transporte associado à agricultura de base ecológica.

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Outro mercado servido pelo Box poderá ser o das compras governamentais, como para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a merenda escolar. Atualmente, a Lei 11.947 determina que pelo menos 30% da alimentação escolar seja procedente da agricultura familiar, mas esta participação pode crescer muito mais, de acordo com o coordenador do Cepagro, o que garantiria um canal seguro de comercialização para os produtores de orgânicos.

Após o evento de inauguração do Box, membros do Circuito de Comercialização da Rede Ecovida reuniram-se ali para discutir os critérios de uso do espaço e estratégias coletivas de abastecimento, tanto daquele quanto de outros pontos de comercialização de produtos agroecológicos. Produtores, associados e cooperados de 12 municípios dos três estados do Sul do Brasil estavam presentes e apresentaram produtos que têm em oferta e demanda no momento.

VEJA TAMBÉM: MATÉRIA NO BOM DIA SC SOBRE A INAUGURAÇÃO (Clique na Imagem abaixo)

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GALERIA DE FOTOS (Clique na Imagem abaixo)

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Espaço para comercialização de produtos orgânicos será aberto na próxima quarta, 20/03

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O Cepagro, em conjunto com Cooperativas, Grupos e Associações integrantes dos Núcleos Regionais da Rede Ecovida em Santa Catarina, tem o imenso prazer em  comunicar  mais uma conquista da Agricultura Familiar para nosso Estado.
Trata-se de um momento afirmativo resultante de dois anos de pleito junto à CEASA/SC, visando a disponibilização de um espaço, agora concretizado, para comercialização de alimentos de base ecológica da agricultura familiar.
A relevância deste espaço – o Box 721, no Pavilhão da Agricultura Familiar da CEASA (São José/SC), cuja inauguração será em 20/03 (vide convite acima), se deve ao grande gargalo ainda existente em torno da logística de distribuição, e maior incidência desta sobre o custo na venda direta dos alimentos. “Embora saibamos que somente esta ação é pouca para ampliar  a agricultura de base ecológica, consideramos que, aliada a outros esforços públicos e da sociedade civil, resultará em passos largos na direção do real sentido de Desenvolvimento Sustentável dos ambientes rurais e urbanos”, avalia Charles Lamb, da coordenação geral do Cepagro.
O Box 721 vai permitir maior constância e variedade no abastecimento de dezenas de pequenos varejos de Florianópolis. O consumidor ganha ao ter acesso a produtos com preços justos e com garantia da procedência orgânica, uma vez que somente alimentos certificados, tanto por sistema participativo quanto de auditoria, serão comercializados no local.
A diversidade da oferta, respeitado a sazonalidade dos cultivos, ganha mais consistência através da articulação do Box com o Circuito de Comercialização da Rede Ecovida, que movimenta produtos da Agricultura Familiar de base ecológica provenientes dos 3 Estados do Sul. No momento, variedades orgânicas de batatas, cebolas, laranjas, maças e feijões, além de morango e mini-tomate, estão na lista de produtos ofertados. Outro produto com grande destaque é a Polpa de Açaí, extraído dos frutos da árvore Juçara (palmiteiro) da Mata Atlântica, com qualidade, textura, aparência e valor nutricional superiores ao açaí amazônico. O Açaí de Juçara é extraído por agricultores da região de Jaraguá do Sul e Joinville, numa manejo que gera recursos financeiros e a preservação da mata, mantendo e propagando os palmiteiros.
Além de servir aos varejos, o Box 721 vai facilitar a logística de circulação das compra governamentais, a exemplo do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) implementado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento). Semanalmente, cerca de 5 toneladas de produtos orgânicos serão enviados pela Cooperativa Ecoserra, de Lages, para abastecer instituições sociais e de caridade da grande Florianópolis.
Organizado a partir de uma frutífera articulação com a UFSC, através do LACAF (Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar), o Box 721 é também um forte aliado para transformações positivas no campo. A garantia de mercado para os produtos orgânicos viabiliza outra realidade para produtores de fumo, historicamente expostos à grande carga de agrotóxicos e a integração dificilmente superável com as indústrias fumageiras. Dezenas de ex-fumicultores, pertencentes a grupos e cooperativas da região, escoarão seus produtos orgânicos através do Box. É o caso do sr. Jair Scheidt (foto abaixo), agricultor de Imbuia (SC), que abandonou o fumo e atualmente produz cebolas, tomates, feijões e frutas orgânicas.
Os contatos comerciais do Box 721 são: (48) 9652-6610 (TIM) e 8437-1875 (OI).
Para mais informações: Assessoria de Comunicação / Cepagro – (48) 9633-4007 / comunicacao@cepagro.org.br
Sr. Jair Scheidt, ex-fumicultor de Imbuia, que irá comercializar seus produtos no Box 721
Sr. Jair Scheidt, ex-fumicultor de Imbuia, que irá comercializar seus produtos no Box 721
Na seqüência, diálogos sobre a comercialização na Rede
No mesmo dia da inauguração, no período da tarde, acontece a reunião do Circuito de Comercialização Rede Ecovida, seguindo a dinâmica mensal de organização do coletivo. Serão tratados os seguintes pontos, pautados pelos integrantes e articuladores:
  • Apresentação dos participantes;
  • Apresentação do funcionamento operacional e critérios acordados de utilização do espaço CEASA;
  • Demandas e ofertas das estações, estratégias coletivas de abastecimento;
  • Dinâmica de funcionamento de cada estação presente;
  • Situação e encaminhamentos de projetos;
  • construção de agendas comuns, inclusive proposta de data para plenária de comercialização da Rede;
  • Informes gerais

Veja também: notícia do Box no Jornal do Ceasa (abaixo)

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Links externos sobre o Box 721 de Produtos Orgânicos da Grande Florianópolis

Box para produtos agroecológicos no Ceasa/SC: uma conquista da agricultura familiar catarinense

Foi no fatídico dia marcado para ser o “fim do mundo” que uma negociação de 2 anos foi enfim concluída em prol da agricultura familiar de base ecológica catarinense. Na manhã do dia 21/12, agricultores e entidades representativas da sociedade civil e da UFSC receberam das mãos de Felício Francisco Silveira, presidente do CEASA/SC, as chaves do Box 721, um galpão de 75m2 requerido para fortalecer a logística de comercialização da produção agroecológica na região.

À direita, o presidente do Ceasa/SC entrega as chaves do Box para Charles Lamb, do Cepagro
À direita, o presidente do Ceasa/SC entrega as chaves do Box para Charles Lamb, do Cepagro

Com articulação iniciada entre a UFSC (LACAF/Laboratório de Comercialização na Agricultura Familiar), o Cepagro e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a solicitação da infraestrutura foi pensada no contexto das alternativas aos produtores de tabaco em SC, sobretudo os que se encontram em transição para os sistemas ecológicos. Naturalmente o interesse ampliou-se para a malha da Rede Ecovida, cujas associações e cooperativas, que hoje já somam 1253 propriedades orgânicas certificadas pelo sistema participativo no sul do Brasil, possuem volume de produção que constantemente demanda incremento nas estruturas de comercialização. No ato de entrega das chaves, cerca de 10 organizações com estas características, somados a 7 grupos de agricultores do litoral catarinense, alto vale do Itajaí e Encostas da Serra, além do Grupo de Compras Coletivas de Florianópolis, uniram-se para iniciar a gestão coletiva do espaço e de todo o arcabouço logístico que a empreitada impõe.

O grupo que fará a gestão coletiva do Box de produtos agroecológicos
O grupo que fará a gestão coletiva do Box de produtos agroecológicos

Todo o processo preliminar de organização, que foi desde a própria viabilização do local, passando pela realização de rodadas de negócios entre agricultores, orçamento de equipamentos para o Box, produção de selos para produtos em transição e fomento à criação de uma cooperativa central, foi realizado neste período de 2 anos pelo Cepagro e o LACAF. Já as estratégias de ocupação do espaço, que deve ser inaugurado em fevereiro próximo, serão implementadas pelo conjunto das organizações presentes, tendo com instância deliberativa uma assembleia geral. O LACAF e o Cepagro, que assinou o contrato de utilização do Box com o Ceasa, seguem atuando enquanto parceiros na equipe de coordenação do Box. Tanto os custos de condomínio quanto a contratação de um gestor operacional deverão ser bancados por seus próprios usuários.

Com circulação anual de 400 mil toneladas, principalmente de hortifrutigranjeiros e frutas, que somam uma movimentação de R$ 444 milhões ao ano, o CEASA/SC será pioneiro na cessão de um espaço exclusivo para produtos agroecológicos. Outras centrais possuem iniciativas semelhantes, porém de cunho privado, com interesses diferenciados do sistema cooperativo aqui proposto. Inicialmente, o Box catarinense não será utilizado para venda direta. O objetivo imediato é a utilização como um entreposto em lugar estratégico, em plena BR-101, bem próximo da entrada de Florianópolis. Desta maneira, pretende-se melhorar o abastecimento de feiras, restaurantes, pequenos e médios varejistas, compras coletivas e compras institucionais, especialmente as direcionadas à alimentação escolar.

Sistema Nacional de Segurança Alimentar, Box agroecológico no CEASA/SC e alimentação nas escolas foram discutidos com governador Raimundo Colombo

Foto: Carla Coloniese

Fonte: Assessoria da Bancada do PT na Alesc

Representantes do Conselho Nacional e Estadual de Segurança Alimentar (Consea) estiveram com o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, nesta quarta-feira (17), para discutir sobre a adesão ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). A presidente do Consea Nacional, Maria Emília Pacheco, expôs ao governador algumas das medidas necessárias para que o Estado esteja apto a aderir ao Sisan, que tem entre os objetivos a formulação e implementação de políticas e planos de segurança alimentar e nutricional.

A primeira providência, de acordo com ela, é adequar a composição do Consea-SC aos termos da lei federal 11.346/2006, que define a proporção de um terço de representantes governamentais e dois terços de representantes da sociedade civil, diferente do que consta na Constituição de Santa Catarina que estabelece representação paritária de membros do Poder Público e da sociedade civil organizada.

Maria Emília, que veio a Santa Catarina para participar do I Simpósio sobre Segurança Alimentar e Nutricional, realizado na terça-feira (16), destacou que outro fator condicionante à adesão ao Sisan é a criação da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), cuja principal função é articular políticas governamentais relacionadas à alimentação.

O terceiro ponto, considerado um dos mais relevantes pelo presidente do Consea Estadual, Natal Magnanti, é a elaboração do Plano Estadual de Segurança Alimentar. “Não adianta ter o plano apenas no papel, precisamos de interlocução entre os diferentes setores, com a participação efetiva das pessoas nomeadas pelo Governo do Estado em conjunto com as entidades que integram o conselho”, frisa.

Também participaram da reunião Charles Lamb, do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro), Manuella Machado, do Centro Colaborador de Alimentação e Nutrição do Escolar (Cecane), vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e o líder do PT na Assembleia Legislativa, deputado Dirceu Dresch.

Incentivo à conversão agroecológica – Charles Lamb, do Cepagro, apresentou ao governador a solicitação de um box no Pavilhão da Agricultura Familiar no Ceasa de São José/SC, destinado especificamente à comercialização de produtos orgânicos e agroecológicos oriundos da agricultura familiar. Ainda durante a reunião, em contato por telefone com a direção do Ceasa, o governador garantiu o espaço no local.

Os integrantes do Consea também reivindicaram mais incentivos por parte do Governo do Estado às alternativas agroecológicas para os agricultores que estão abandonando a produção de fumo, com o fortalecimento das estruturas de comercialização e o fomento da pesquisa e extensão focadas na agroecologia.

Alimentação Escolar – Outro assunto tratado com Colombo foi o fim da terceirização da alimentação escolar em Santa Catarina. O governador enfatizou discordar com o modelo atual e garantiu que até o final deste ano a autogestão da alimentação escolar estará funcionando em quatro Secretarias de Desenvolvimento Regional (SDR’s) e que a meta é chegar a 50% das SDR’s até agosto de 2013. Para o restante das regionais é preciso mais prazo para providenciar a infraestrutura das instituições de ensino para que estas possam assumir a compra e preparo dos alimentos.

Na avaliação do deputado Dirceu Dresch, apesar dos sucessivos adiamentos para o fim da terceirização, a reunião foi satisfatória e o governador demonstrou sensibilidade às demandas, assumindo o compromisso de encaminhar as medidas necessárias para que o Estado participe do Sisan e consolide políticas de segurança alimentar.