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Oficinas enriquecem reunião do Núcleo Litoral Catarinense

A última quinta-feira, 16 de agosto, foi um dia de aprendizados durante a reunião da Comissão de Verificação do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida. Entre velhos conhecidos e caras novas, representantes dos grupos de Agroecologia que compõem o Núcleo estiveram presentes na Associação de Desenvolvimento da Microbacia do Rio Dúna, em Paulo Lopes, para discutir demandas sobre certificação e capacitação dos grupos, além de atividades futuras. Os agricultores e consumidores presentes participaram ainda de três oficinas com foco na fertilização do solo, sendo uma delas facilitada pelo Cepagro. 

Segundo Cátia Cristina Rommel, agricultora e secretária da coordenação do Núcleo, as reuniões mensais costumavam ficar centradas nas questões burocráticas e mais diretas que envolvem a certificação coletiva. Com o tempo, foi surgindo a demanda de trazer mais Agroecologia para os encontros, afinal, trocar conhecimentos e aprendizados sobre as práticas agroecológicas nunca é demais. Como o debate sobre o solo tinha vindo à tona em reuniões anteriores, surgiu a ideia de trazer oficinas com essa temática.

A primeira mini-oficina foi facilitada pelo agricultor Pedro Henrique Eger, do grupo Harmonia da Terra, de Rancho Queimado. Pedro explicou passo a passo como capturar e preparar os Microorganismos Eficazes (ME), seres que auxiliam no equilíbrio da vida do solo e no controle de doenças de folhagens. Ainda pela manhã, Ika Porã, de Garopaba, fez uma apresentação sobre a criação de minhocas e falou sobre os benefícios desses animais tanto na fertilização do solo quanto no uso para a alimentação de outras criações.

A tarde foi dedicada à oficina de Compostagem, ofertada pelo engenheiro agrônomo da equipe técnica do Cepagro, Júlio César Maestri. A oficina começou com a preparação da TV Composteira, ferramenta didática onde é possível ver o modelo de compostagem do método UFSC camada por camada. Em seguida, todos seguiram para o pátio da associação, onde as dúvidas restantes foram sanadas com a montagem da composteira no chão, com palhada.

Júlio alertou para a importância de reaproveitar os resíduos orgânicos: “Florianópolis gasta mais de R$ 2 milhões de reais por mês para enterrar o lixo produzido na capital”. Todo o resíduo é levado para o aterro de Biguaçu, sendo que praticamente 50% deste volume é de resíduos orgânicos que poderiam ser compostados. “A maior parte do resíduo orgânico é formada por água, ou seja, Florianópolis gasta um dinheirão para transportar água até o aterro”, explica o agrônomo.

Na reunião, os agricultores também discutiram a programação do Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, que acontecerá nos dias 22 e 23 de setembro na Fazenda de Dentro, em Biguaçu. O evento acontece anualmente e a programação conta com oficinas, palestras e noite cultural, atividades pensadas de acordo com o interesse dos grupos locais. Luciano Zanghelini, do Grupo Flor do Fruto, está envolvido com a organização do evento e conta que muito provavelmente haverá uma oficina sobre o uso de bambu, já que esse tema tem surgido como uma demanda entre os agricultores. Já as palestras devem trazer temáticas mais gerais, entre técnicas e práticas agroecológicas, afim de contemplar um número maior de participantes.

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Trocas de ramas, conhecimentos e causos marcam 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha

Realizado durante a já tradicional Feira da Mandioca de Imbituba, o 5º Encontro da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha aconteceu no último domingo, 22 de julho, reunindo famílias engenheiras de Florianópolis, Angelina, Palhoça, Garopaba no engenho da ACORDI (Associação Comunitária Rural de Imbituba), cuja comunidade também participou do evento. Além de desfrutar das belas paisagens, conhecer o histórico de luta da Comunidade Tradicional dos Areais da Ribanceira e saborear o almoço da roça, as/os participantes trocaram sementes, mudas, ramas de mandioca e aipim e claro, muitos causos, experiências e saberes. O Cepagro participou na articulação e cobertura do evento.

Veja a matéria completa na página da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha.

 

Mutirão agroecológico transforma quintal produtivo no Campeche

Na manhã desta quarta-feira, 11 de julho, um grupo de 12 consumidores de produtos orgânicos se reuniu para realizar um mutirão agroecológico num quintal produtivo no Campeche. A atividade foi uma extensão da primeira etapa do Curso de Formação Consumo Consciente e Responsável e Agroecologia, do projeto Consumidorxs e Agricultorxs em Rede, apoiado pela Misereor e composto pelo Cepagro e outras ONGs de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Eduardo Rocha e Erika Sagae, da diretoria do Cepagro e equipe técnica do projeto, participaram da atividade, que mobilizou também estudantes, produtores orgânicos, professores e outros consumidores  de Florianópolis.

A primeira atividade local foi na casa de Margareth Mcquade, analista de sistemas e consumidora da cesta de orgânicos da Comunidade que Sustenta a Agricultura. Ao longo da manhã, os consumidores colocaram a mão na terra e deram uma cara nova para o quintal de Margareth, que ganhou hortas e duas composteiras. “Eu olho para esse quintal há tanto tempo, mas nunca tenho tempo e quando faço alguma coisa é um pouquinho aqui e ali. De repente você vê em um dia esse resultado todo e todo mundo impondo a sua energia e a sua carinha na horta, é fantástico”, conta Margareth.

O coletivo já participa das formações do projeto e resolveu manter atividades locais até que a próxima etapa do curso aconteça.   Assim, eles colocam em prática o que aprenderam, trocam conhecimentos e fortalecem o vínculo entre os consumidores da comunidade.

Além do quintal transformado, o mutirão teve como fruto o compartilhamento de conhecimentos sobre o cultivo e o consumo dos alimentos, troca de mudas orgânicas e o fortalecimento do coletivo, que para Margareth é muito importante: “Isso do coletivo é uma coisa que a gente precisa aprender mais a fazer, usar mais isso, porque o coletivo agrega, deixa a gente forte.  Até mesmo entre os vizinhos, agora por causa do mutirão a gente conheceu o vizinho do lado que veio por causa do movimento na horta. Então os seus pares vão se encontrando”.

Ao final da atividade houve um almoço, também preparado a muitas mãos, onde o grupo combinou as próximas atividades que serão realizadas.

Para mais informações sobre o Projeto Misereor em Rede acesse: cepagroagroecologia.wordpress.com/projeto-misereor-em-rede

 

Alunos do NEI Armação cultivam alimentos e aprendizados com Horta Agroecológica

Compostagem, orgânicos e alimentação saudável são palavras que as crianças do Núcleo de Ensino Infantil Municipal Armação conhecem bem. Desde o início do ano, as turmas de 5 e 6 anos aprendem na prática o ciclo dos alimentos orgânicos na Horta Pedagógica assessorada pela engenheira agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe técnica do Cepagro. A atividade faz parte da Rede de Fortalecimento da Segurança Alimentar Nutricional no âmbito da alimentação escolar (ReforSAN Escolar), um projeto multidisciplinar financiado por edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e realizado em conjunto com professoras do curso de Nutrição da UFSC que abrange a pesquisa, o ensino e a extensão.

A horta do NEI Armação já existia, mas estava há algum tempo desativada e sem cuidados. Com o trabalho que Karina vem realizando junto com as crianças, o espaço se tornou um ambiente de aprendizado sobre gestão de resíduos, agroecologia e alimentação saudável, três temas abordados ao longo do ano letivo. “A horta agroecológica é usada como uma ferramenta pedagógica para trabalhar o que as crianças aprendem em sala de aula: são atividades bem lúdicas como cânticos, contação de histórias, jogos e brincadeiras”, conta Karina Smania de Lorenzi.

Além da horta, outro espaço onde as crianças colocam a mão na terra é a composteira. Toda semana dois alunos ficam responsáveis por trazer para a aula os resíduos orgânicos gerados em casa. Assim, o que elas aprendem na escola é repassado também para os pais. É o que conta a professora Márcia Margarete do Nascimento: “A gente está percebendo que as crianças estão ensinado em casa os seus pais a saberem reciclar o seu lixo, saber que eles podem colocar na natureza e o que não podem. Então a horta está fazendo uma diferença muito grande não só na sala de aula mas para outras turmas e para a família”.

E a atividade da composteira não beneficia somente as crianças e os pais, “na escola muitos alimentos estavam sendo descartados e jogados fora no lixo comum, com as composteiras a gente está começando a produzir composto pra colocar na nossa horta”, conta ainda a professora. Até o final do ano, o tomate, a alface, a couve e a cenoura que as crianças estão vendo brotar na horta vão se transformar em receitas que eles mesmos vão poder fazer, junto das nutricionistas e cozinheiras do NEI Armação.

A partir das atividades na horta, as crianças desenvolvem uma relação de harmonia com a natureza. Com o minhocário dentro da sala de aula, elas aprendem como as minhocas e a centopeia Jujuba são importantes para a horta e para a natureza. É um trabalho completo que traz a horta e o cuidado com a natureza para o cotidiano das crianças.

Saiba mais sobre nossa assessoria a Hortas Escolares ou solicite um orçamento pelo e-mail: hortaescolar@cepagro.org.br.

Cooperativa de agricultores de Major Gercino inaugura agroindústria de sucos e geleia de uva

A agricultura familiar de Major Gercino obteve mais uma conquista na última sexta-feira, 15 de junho: foi inaugurada a agroindústria de Suco de Uva e Geleia da Coopermajor, cooperativa formada por agricultores município do Alto Vale do Rio Tijucas. A agroindústria, situada no Distrito de Pinheiral, conta com dez viticultores associados e já começou a funcionar. O Cepagro esteve presente na solenidade de inauguração, junto com IMG_2662o Prefeito de Major Gercino, Valmor Pedro Kammers, o Secretário da Agricultura do município, Valdecir Marchi, o engenheiro agrônomo extensionista da Epagri, Remy Simão e o presidente da Coopermajor, Elvino Staroski, além dos agricultores que compõem a cooperativa. De acordo com Elvino, até agora, cerca de 4 mil litros de sucos já foram processados ali. A produção é feita separadamente pelos agricultores, mas a comercialização, que deve iniciar em breve utilizará uma só rotulagem. A agroindústria processará tanto uvas convencionais quanto orgânicas, estas certificadas pela Rede Ecovida de Agroecologia. 

Para o presidente da Coopermajor, a agroindústria beneficia os associados principalmente no valor da venda. Se antes a uva era vendida à granel e com um preço estipulado, muitas vezes, pelo comprador, com a venda do suco, a valorização do produto e do produtor aumentam. “A gente foi conversando em reuniões e viu que tinha um meio de agregar mais valor e nos juntamos. Hoje a gente está com 10 associados nomeados e com um preço bem melhor do suco do que com a uva vendida a granel”, conta Elvino. Nenhuma garrafa foi comercializada até agora, mas a produção já está acontecendo desde fevereiro deste ano.

O investimento para a concretização da Indústria veio em grande parte dos próprios agricultores associados e contou também com recursos do programa SC Rural, do Governo do estado de Santa Catarina, mobilizados através da Epagri. Além disso, a produção dos sucos e geleias, que serão em parte orgânicos, conta com a certificação participativa da Rede Ecovida de Agroecologia, da qual Aloísio, Salete e outros agricultores familiares da região fazem parte.

IMG_2667Depois das falas iniciais da cerimônia, Valdecir Marchi, Secretário da Agricultura e Meio Ambiente do município, falou um pouco sobre a história da cooperativa e fez um agradecimento especial à Aloísio e Salete Stolarczk, casal de agricultores associados que doaram o terreno para a construção da indústria da Coopermajor.

IMG_2676Após os agradecimentos, os presentes assistiram à palestra com o enólogo Stevan Arcari, que explicou um pouco sobre o novo sistema de produção do suco, não mais feito em panelas e com evaporação, mas por meio de um processo enzimático. Segundo Stevan, os viticultores que produzirem no maquinário da indústria terão a vantagem de fabricar um suco integral, feito com pura uva, colhida de manhã e processada a noite – vantagem ainda maior para aqueles que utilizarem uvas orgânicas.

O enólogo ainda lembrou que o custo final do suco pode até ficar um pouco maior, se comparado à grandes empresas produtoras. Mas essa característica é compensada levando em conta toda a qualidade embutida no produto, vindo de agricultura familiar e fruto de uma cooperativa.

IMG_2698Após a palestra, os casais associados, Aloísio e Salete e Elvino e Ana, cortaram a fita de inauguração e os presentes puderam fazer uma visita ao interior da fábrica. 

Cepagro, Revolução dos Baldinhos e Rede Ecovida participam do IV Encontro Nacional de Agroecologia

Realizado em Belo Horizonte (MG) de 31 de maio a 3 de junho com o lema Agroecologia e Democracia Unindo Campo e Cidade, o IV Encontro Nacional de Agroecologia reuniu mais de 2 mil participantes, em sua maioria agricultoras e agricultores, indígenas, quilombolas, jovens e militantes de movimentos sociais ligados à agroecologia e à defesa de territórios e recursos ambientais. O Parque Municipal de Belo Horizonte foi tomado por geodésicas com seminários e rodas de conversa, além de intervenções artísticas, culturais e a colorida Feira de Saberes e Sabores, que funcionou nos dias 2 e 3 de junho.

Revolução dos Baldinhos e Cepagro estiveram presentes na Tenda das Metrópoles, atividade realizada no dia 1 de junho que trouxe experiências de Agricultura Urbana, Gestão de Resíduos Orgânicos e Economia Solidária do Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. Estou cursando Educação do Campo. O campo que eu pretendo defender é a cidade, as pequenas hortas produtivas. Pra gente ter um país melhor, precisa construir uma política coletiva. Geralmente as políticas públicas são feitas para as grandes indústrias, o agronegócio. Agora é nossa vez de tentar construir coisas para que a população possa ter acesso”, disse Ana Karolina da Conceição, da Revolução dos Baldinhos, durante sua apresentação. Nas discussões, reafirmou-se o importância da Agricultura Urbana para produzir comida de verdade, ressaltando-se a participação de mulheres e também de povos e comunidades tradicionais. Porque na cidade tem quilombo sim, e terra indígena também! Segurança e cultura alimentar, feminismos, direito a cidade foram algumas das temáticas discutidas, ressaltando a necessidade de visibilizar a Agroecologia praticada nas cidades, resistência a especulação imobiliária, ao silenciamento nos planos diretores e ao modelo de produção de alimentos baseado no latifúndio e no uso indiscriminado de agrotóxicos.

Aires Niedzielski, da Rede Ecovida de Agroecologia, na tenda Mata Atlântica do Sul.

A Rede Ecovida marcou presença nas tendas dos biomas Mata Atlântica do Sul e Pampa, instalações onde representantes de movimentos sociais e comunidades dos diversos territórios naturais do Brasil se reuniram: Mata Atlântica, Pampa, Caatinga, Cerrado(s), Amazônia, Litoral e Pantanal.

As irmãs Adriana e Ivonete Ferreira da Silva, da Comunidade Quilombola Invernada dos Negros (SC), na tenda Mata Atlântica do Sul.

O IV ENA na verdade foram muitos com dezenas de atividades paralelas abarcando a diversidade da agroecologia em um território continental como o Brasil. Foram 4 Plenárias (Mulheres, Juventudes, Quilombolas, Indígenas), 14 Seminários Temáticos, 16 vivências de campo, além de dezenas de oficinas autogestionadas, da Feira de Saberes e Sabores e também da Agrobiodiversidade. Na Plenária Final, foram lidas as sínteses das discussões realizadas ao longo dos 3 dias anteriores.

Neste momento, assim como havia sido na abertura político cultural e durante todo o encontro, um dos marcos foi a centralidade das lutas dos povos e comunidades tradicionais, das mulheres e das juventudes, trazendo pautas como o enfrentamento ao racismo e ao genocídio de povos indígenas, a demarcação de territórios tradicionais e originários e as demandas ligadas aos diversos feminismos, como a distribuição justa de tarefas domésticas e o fim da violência de gênero e LGTBfobia. Mesmo com os impactos da greve dos caminhoneiros que abalou as estruturas de abastecimento brasileiras no final de maio, o IV ENA foi mantido e fortaleceu a Agroecologia, em suas diversas formas de implementação por populações tão diversas, como modelo de produção, abastecimento e distribuição de alimentos saudáveis. Ao ecoar as vozes de sujeitas/os comumente invisibilizados por opressões de gênero, raça e classe, o IV ENA também fortaleceu os laços entre Agroecologia e Democracia, no campo, na cidade, nas florestas e nas águas.

Clique aqui para ver a CARTA POLÍTICA DO IV ENA.

Saiba mais sobre a Plenária das Mulheres, das Juventudes, dos Povos Indígenas e da Comunidades Quilombolas.

 

 

 

 

Semana do Alimento Orgânico movimenta feiras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida

Nos dias 25 e 26 de maio (6ª e sábado), feiras orgânicas em Florianópolis, Garopaba e Imbituba têm programação especial.

Celebrando 4 anos de atuação pela alimentação saudável e apoio à agricultura familiar agroecológica, a FEIRA ORGÂNICA CCA terá a presença de vários grupos de Agroecologia da Rede Ecovida, trazendo alimentos, experiências e sementes para trocar com o público. Haverá também um saboroso CAFÉ AGROECOLÓGICO (traga sua caneca!), além do sorteio de uma cesta de alimentos orgânicos.

Neste mesmo dia também haverá EDIÇÃO ESPECIAL DA FEIRA ORGÂNICA DE GAROPABA, pra quem está mais ao sul do litoral! Roda de conversa com agricultor@s agroecológic@s, degustação de alimentos e distribuição de materiais vão rechear a programação da feira, que acontece das 8h ao meio-dia ao lado da Rodoviária de Garopaba.

E no sábado, dia 26 de maio, é a vez de IMBITUBA celebrar o Alimento Orgânico e Agroecológico, na feira ORGÂNICOS IMBITUBA, que acontece na Av. 3 de Outubro, no centro da cidade. Nesta manhã agroecológica haverá também conversa com  agricultor@s agroecológic@s, degustação de alimentos e distribuição de materiais.