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Florianópolis recebe o Festival “SANTA CATARINA AGROECOLÓGICA”

O evento acontece de 6 a 8 de outubro e engloba o Seminário “Mulheres e Agroecologia” e o 11º Encontro do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia. A promoção é do Cepagro e do Grupo Meiembipe da Rede Ecovida de Agroecologia, com apoio da Inter-American Foundation e Fundação Banco do Brasil. Em breve, traremos mais informações nesta página, ou escreva para nucleolitoralcatarinense@gmail.com. 

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Feira de Sementes reúne 3 mil pessoas no Paraná

Cerca de 3 mil pessoas, entre agricultores e agricultoras, estudantes, técnicos/as e ativistas da Agroecologia participaram da 15ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade e 1ª Festa dos Guardiões de Sementes, realizada nos dias 11 e 12 de agosto no município de Teixeira Soares, no Paraná. O Cepagro esteve presente através de uma articulação do Projeto Misereor em Rede, com um grupo formado pela educadora Maria Dênis Schneider, da diretoria e equipe técnica da organização, junto com Letícia Barbosa e David Soares, membros de coletivos de Agricultura Urbana de Florianópolis, além da estudante de agronomia Camila Tavares.
 De acordo com Maria Dênis, “A Feira teve grande presença e participação de agricultoras e agricultores que são as guardiãs e guardiões das sementes da vida”. Ela conta que na tarde do dia 11 as escolas do município de Teixeira Soares visitaram a Feira. “Os estudantes questionaram muito sobre cada semente e levaram algumas pra casa pra suas famílias plantarem”, relata Maria Dênis.
O Cepagro levou sementes de girassol, arroz cateto, milho cunha, feijão rosa, feijão guandu e soja orgânica, oriundas do grupo Semente Puras da Comunidade Luz Figueira, no interior de Minas Gerais. Dênis conclui que “Foram 2 dias muito intensos de grandes aprendizados com as guardiãs e os guardiões de sementes. Em cada troca de sementes, em cada diálogo, éramos brindadas com muitos ensinamentos de cuidados para com a terra e com as sementes”.
com informações e fotos de Maria Dênis Schneider
Veja mais fotos do encontro abaixo e na fanpage do Coletivo Triunfo.

Cepagro segue na incidência política pela Diversificação Agroecológica

Uma comissão com representantes do Cepagro, Fundação do Câncer, Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) e Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (DESER) entregou hoje ao Chefe de Gabinete da Secretaria Especial da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD), Nelson Andrade, o relatório do Seminário de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, realizado em Florianópolis no início de junho. O documento traz importantes subsídios para as chamadas de ATER da Diversificação. Na foto, o coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro, Charles Lamb, passa o documento a Nelson Andrade.

foto: ASCOM – SEAD

Oficina “Saber na Prática” aborda Produção de Mudas

Uma bela manhã agroecológica compartilhando saberes sobre produção de mudas: essa foi a oficina Saber na Prática realizada no SESC Cacupé no dia 1 de julho (sábado). Estiveram presentes participantes de diversas localidades de Florianópolis, entre elas a Diretora Sociocultural da ACIF, Maria Teresa Schultz, que destacou a importância  das iniciativas apoiadas pela ACIF e da sua continuidade após a finalização do Programa de Apoio a Projetos 2017 (PAP). O ciclo Saber na Prática é uma parceria entre Cepagro e ACIF que leva a agroecologia para comunidades de Florianópolis através de oficinas  práticas com diversas temáticas. A próxima atividade será neste sábado, 15 de julho, com o tema Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs).

A oficina começou com uma caminhada pela mata nativa e pela horta agroecológica conduzida pelo Engenheiro Agrônomo Ícaro Pereira e o Engenheiro Ambiental Guilherme Bottan, onde técnicas de coleta de estacas e sementes e transplantes de plantas jovens foram trabalhadas.

Num segundo momento, já dentro do viveiro e com a participação do Engenheiro Agrônomo do SESC Cacupé Renato Trivella e da Engenheira Agrônoma do CEPAGRO Karina Smania de Lorenzi, iniciaram-se as práticas utilizando os materiais coletados.

Foram abordados temas como diferentes tipos de recipientes (vasos) e preparo do substrato (terra). Em seguida foram feitas práticas de preenchimento dos recipientes com o substrato preparado e plantio das estacas e sementes coletados.

Equipe de facilitadorxs da oficina.

“O maior aprendizado ocorreu nestes momentos práticos onde surgem as dúvidas e muitas informações foram trocadas entre os participantes para resolver a questão elencada. A oficina foi um sucesso e e os participantes saíram dali com uma linda experiência e com os braços cheios das mudas que eles mesmos prepararam”, afirma a agrônoma Karina Smania de Lorenzi. “Agradecemos especialmente ao Engenheiro agrônomo Renato Trivella, que nos recebeu de portas abertas em um espaço de Educação Ambiental tão bem cuidado por ele e sua equipe”, completa. O SESC Cacupé conta com pátio de compostagem, viveiro de mudas e uma horta agroecológica onde recebe escolas, comunidade e grupo de pessoas interessadas.

Agricultura e Saúde debatem alternativas ao cultivo de tabaco

 

Representantes de órgãos públicos e organizações da sociedade civil ligados à agricultura familiar e saúde pública estiveram reunidos em Florianópolis de 5 a 7 de junho no Seminário de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco para discutir alternativas à produção de fumo para as cerca de 150 mil famílias de agricultores que ainda dependem dessa atividade.

texto e foto: Carú Dionísio

Promovido pela Secretaria Especial da Agricultura Familiar (SEAD) em parceria com a Fundação do Câncer e articulação local do Cepagro, o evento contou com a participação de cerca de 80 pessoas. Estiveram presentes técnicos e técnicas que operaram a chamada para Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, podendo assim dialogar diretamente com a SEAD.  “A ideia é fazer um evento mais propositivo, recuperar uma articulação nacional para colocar novamente essas demandas para o governo atual e reforçar ações que já vêm acontecendo, respaldando-nos para as próximas chamadas”, explicou Charles Lamb, coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro na abertura do evento.

Dentre os principais encaminhamentos saiu o compromisso da SEAD com uma nova chamada de ATER para Diversificação. Para colaborar na formatação do edital, reavaliando pontos complicados de operar da atual chamada, formou-se um Grupo de Trabalho com Cepagro, Deser (PR) e Capa (RS), além de outros parceiros da rede de diversificação. O GT irá se reunir com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ANATER) nos dias 19 e 20 de junho em Brasília para apresentar subsídios na elaboração da nova chamada. Expansão do tempo da chamada para 5 anos, foco de trabalho com mulheres e juventude e integração a outras políticas públicas (como de comercialização) foram algumas das demandas apresentadas pelas organizações para o próximo edital.

O Seminário aconteceu na semana seguinte ao Dia Mundial sem Tabaco, lembrado anualmente em 31 de maio. Nesta data, o Instituto Nacional do Câncer e o Ministério da Saúde lançaram estudo que mostra que as doenças relacionadas ao tabaco custam R$ 56,9 bilhões ao País anualmente, sendo  R$ 39,4 bilhões com custos médicos diretos e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos, “decorrentes da perda de produtividade, provocadas por morte prematura ou por incapacitação de trabalhadores”. Enquanto isso, a arrecadação com impostos com a venda de cigarros em 2015 somou R$ 12,9 bilhões, deixando um saldo negativo do tabagismo para o de R$ 44 bilhões. “Por enquanto, esse é nosso principal argumento para confrontar a indústria do tabaco”, afirmou Felipe Mendes, do INCA, durante o Seminário.

Os impactos socioambientais da produção de fumo, entretanto, ainda não são mensurados. Neste sentido, o Seminário trouxe profissionais do campo da saúde para dar visibilidade os impactos da fumicultura na pele dos agricultores e agricultoras. Silvana Turci, da Fiocruz, e Anaclaudia Fassa, da Universidade Federal de Pelotas, trouxeram informações sobre a Doença da Folha Verde do Tabaco e intoxicação com agrotóxicos.

Para fazer frente a essa cadeia de dependência do sistema integrado de produção – em que o agricultor recebe um “pacote tecnológico” pronto e tem a “garantia” de compra pelas fumageiras -, a articulação em rede é fundamental, como mostraram as apresentações de Rita Surita, do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) e Alessander Von Wagner Fagundes, da Cooperfumos, organizações gaúchas que operaram a chamada do ex-MDA e contaram com a parceria de sindicatos, federações e outras organizações para fundamentar sua atuação. Enquanto dados do Deser apontam que mais de 70% dos fumicultores entrevistados no Paraná têm vontade de abandonar a fumicultura, Rita afirma que “o que faz o agricultor mudar mesmo é a segurança”. Gisa Garcia, do Cepagro, traduz o que é essa segurança: “quem vai me ensinar a cultivar outra coisa e pra quem vou vender”.

Diversificação agroecológica, valorização do protagonismo feminino e incentivo à juventude são algumas das estratégias das organizações para fortalecer as alternativas ao cultivo de fumo. Do público de 1.200 famílias atendidas pelo CAPA na região de Pelotas e São Lourenço do Sul (RS), por exemplo, metade é liderada por mulheres. Numa pesquisa feita a 160 do total das famílias, a organização verificou que “em cerca de 60% dos casos a diversificação é puxada por mulheres. Além disso, após a chamada verificamos que 85 famílias passaram a comercializar pelo Programa de Aquisição de Alimentos e Programa Nacional da Alimentação Escolar”, contou Rita.

Veja também a reportagem de Fernando Lisbôa na TV UFSC sobre o Seminário.

 

 

Alimentos orgânicos: mais saúde e segurança para quem cultiva e para quem come

Seja pela apresentação de dados estatísticos, estudos acadêmicos ou pelas histórias de agricultoras e agricultores, essa foi a tônica da Semana Nacional do Alimento Orgânico em Florianópolis, celebrada no final de maio e início de junho. No Seminário de Alimentos Orgânicos realizado pela Cidasc em parceria com o Cepagro na FIESC no dia 1º de junho e na Feira Orgânica CCA do dia 2, o público pode conhecer melhor sobre a produção, certificação e comercialização de alimentos orgânicos. Além de mais reconhecimento pelo trabalho dos e das que produzem alimentos bons e limpos, outra demanda ganhou força nessa Semana: maior participação dos consumidores e consumidoras nos processos de certificação e comercialização de orgânicos. Como disse o agricultor Anderson Romão, do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida: “A parte mais difícil a gente faz, que é acordar cedo e plantar. Para o negócio virar mesmo, tem que partir do consumidor”.

Texto e foto: Carú Dionísio

“Me sinto confortável em dizer para os consumidores que podem consumir orgânico em Santa Catarina, porque é de qualidade”. A fala do engenheiro agrônomo Matheus Mazon Fraga, da CIDASC, veio após ele apresentar os resultados do Programa de Monitoramento da Produção Orgânica Vegetal durante o Seminário de Alimentos Orgânicos que aconteceu no dia 1º de junho. Implementado pela CIDASC com apoio do Banco Mundial, o Programa fez a coleta e análise de 1840 amostras de 13 cultivos orgânicos entre 2012 e 2016. Dessas, apenas 6% apresentaram inconformidades, como resíduos de agrotóxicos. “E, nesses casos, os órgãos públicos estão tomando as providências”, assegurou o agrônomo.

Enquanto a coleta e análise de resultados cabe à CIDASC, a averiguação das inconformidades está a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo o engenheiro agrônomo Francisco Powell Van de Casteele, do MAPA, a maioria das ocorrências de resíduos de agrotóxicos em alimentos orgânicos é devido à proximidade entre propriedades agroecológicas e convencionais, com barreiras insuficientes: “Parece um contrassenso, mas é o produtor orgânico que tem que proteger sua produção de um vizinho que às vezes não segue boas práticas no uso de agrotóxicos”, afirmou. Nos casos em que se verifica negligência ou má fé por parte do agricultor supostamente orgânico, é feito um auto de infração, que pode gerar multas. “Depois de várias autuações, encaminhamos para o Ministério Público”, completou.

Se pela segurança a população pode confiar nos alimentos orgânicos, seu valor de mercado ainda restringe seu consumo. Entretanto, os benefícios ambientais da agricultura orgânica não têm preço, de acordo com Francisco Powell: “Falam que o orgânico é caro. Mas se pensarmos na água potável que deixa de ser contaminada e na contribuição da agricultura orgânica para sua preservação, perceberemos os benefícios dessa atividade no fornecimento de água de qualidade para toda população”, avaliou.

A relação entre o consumo de alimentos orgânicos e os benefícios ambientais e para a saúde da agricultura ecológica foi corroborada durante o Seminário pela nutricionista Elaine de Azevedo, professora da Universidade Federal do Espírito Santo: “Comprando da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais, continuaremos donos de nossos recursos ambientais”, afirmou. Convidando o público a refletir sobre o alto consumo de carnes – já que a pecuária é uma das atividades com mais impactos socioambientais da atualidade -, a professora ressaltou na sua fala como a alimentação também é política. Quando podemos escolher o que comemos, optamos também por determinado modelo produtivo e social. “Para a alimentação ser política, é preciso pensar em quem trabalha no campo”, disse. Além de mais seguro para trabalhadores e trabalhadoras rurais, pois não envolve o manejo de agrotóxicos, os alimentos orgânicos também têm melhor valor nutricional em relação aos chamados convencionais, de acordo com vários estudos apresentados pela professora no Seminário. Elaine encerrou sua fala com a leitura do potente “Manifesto da Comida de Verdade”.

Mas como aumentar o acesso a esses alimentos bons, limpos e justos, num cenário em que grandes conglomerados empresariais dominam o mercado mundial de alimentos? Para o professor Oscar José Rover, coordenador do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar da UFSC, a chave é aproximar produtores e consumidores, investindo em feiras, circuitos curtos de comercialização e células de consumidores, muitas vezes organizados pela internet. Novamente, o papel do consumidor e da consumidora é enfatizado, como disse o agricultor agroecológico Anderson Romão.

Anderson fez sua apresentação junto com outros 5 agricultores e agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, que fecharam a programação do Seminário de Alimentos Orgânicos. Além de explicar o funcionamento da Rede, a agricultora Claudete Ponath (Piçarras) apresentou um panorama de abrangência do Núcleo Litoral Catarinense, que envolve 130 famílias de agricultores de 28 municípios, de Garopaba até Joinville. Nas suas falas, o grupo reforçou que a Rede vai bem além da certificação, como disse a agricultora Sônia Jendiroba, do grupo Ilha Meiembipe (Florianópolis): “Quando entrei pra Rede eu queria muito mais do que plantar sem veneno. Queria fazer parte da agroecologia, estar mais próximo dos consumidores e com outros agricultores”.

Para Sônia, ser visitada pelas pessoas que comem os alimentos que ela cultiva só traz mais credibilidade para seu trabalho, além de fortalecer seu compromisso com a Rede: “Esse olhar nos dá credibilidade e também responsabilidade de produzir e vender, saber que não vamos falhar na frente, senão toda a Rede vai pagar o pato. Temos esse compromisso social de que o que produzimos é saúde”, concluiu.

Já Pedro Eger, do grupo Harmonia da Terra, de Rancho Queimado, enfatizou o intercâmbio de informações entre agricultores e agricultoras como uma das principais motivações para estar na Rede: “Além da diminuição do custo, nós migramos da certificação por auditoria para a participativa pela oportunidade de trocar experiências com outros agricultores”, disse.

A Semana do Alimento Orgânico terminou com uma edição festiva da Feira Orgânica CCA. Veja como foi na fotorreportagem de Joelson Cardoso para o Cotidiano UFSC e também na reportagem de Marcelo Luiz Zapelini para o Desacato.info.

Confira também a matéria de Fernando Lisbôa para o telejornal UFSC Cidade.

Veja mais fotos do Seminário na galeria abaixo:

Feira Orgânica CCA: três anos aproximando o campo da cidade

fotos: Carlos Pontalti

Para comemorar seu terceiro aniversário e celebrar a Semana do Alimento Orgânico, a Feira Orgânica CCA teve uma edição especial na última sexta-feira, 2 de junho. Café agroecológico, oficinas, sorteio de cesta de alimentos orgânicos e uma animada apresentação musical movimentaram o Centro de Ciências Agrárias. A articulação com outros grupos de agroecologia da Rede Ecovida enriqueceu a oferta de alimentos: além do Grupo Flor do Fruto, de Biguaçu, vieram agricultoras e agricultores de Garopaba, Angelina, Piçarras e Florianópolis.

O grupo comunitário da Revolução dos Baldinhos também marcou presença.

A parceria com Laboratórios da Universidade também coloriu a Feira. Vieram representantes do Assentamento Comuna Amarildo, convidados pelo Laboratório de Educação no Campo e Estudos da Reforma Agrária (LECERA).

O grupo Horta Orgânica CCA, coordenado pelo professor  Antonio Augusto, realizou um belo manejo da agrofloresta em frente ao Cepagro, transformando-a numa horta mandala, com a colaboração do pessoal da Horta Comunitária do PACUCA.

O professor Ilyas Siddique colaborou na troca e distribuição de sementes, enquanto Rick Miller fez uma oficina de despolpa de jerivá.

Saiba mais sobre a Feira Orgânica CCA nas reportagens do portal Desacato e do Cotidiano UFSC.

Confira também o ensaio fotográfico do estudante Carlos Pontalti.