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Dia de sensibilização ambiental e Agroecologia no canteiro de obras do Floripa Airport

Na última sexta-feira, 26 de julho, o Cepagro esteve na obra do Floripa Airport, no bairro Tapera, sensibilizando trabalhadores e trabalhadoras para a compostagem e produção de alimentos em pequenos espaços. A convite da Racional Engenharia, Erika Sagae e Aline Assis, da equipe de Agricultura Urbana do Cepagro, e o coordenador de Desenvolvimento Rural, Charles Lamb, também realizaram uma oficina de produção de mudas.

No stand montado próximo aos refeitórios, onde almoçam diariamente mais de 700 funcionários, homens e mulheres das cinco regiões do país paravam para saber o que estava acontecendo. Era um tal de: “tem muda de coentro?”, “isso na minha terra é hortelã!”, “pra gente era malva”, “o açaí do Pará com 2 anos já está dando!”.

Além de conhecer diferentes formas de cultivo e aprender sobre o método UFSC de compostagem, os funcionários puderam saber sobre o destino do composto que é gerado ali mesmo, a partir do resíduo orgânico dos refeitórios. Em junho de 2018, durante a Semana do Meio Ambiente, a engenheira ambiental Luiza Marques procurou o Cepagro para dar destino ao composto gerado na obra. Desde então, a maior parte do composto do aeroporto foi doada ao Cepagro e contribuiu na implantação da horta comunitária do Posto de Saúde do Ribeirão da Ilha,  e em atividades realizadas na Escola Januária, no Campeche, e na Escola Tercílio Bastos, em Major Gercino.  Além disso, o composto também enriqueceu o cultivo das comunidades guaranis de Major Gercino, Aldeia Tekoá V’yá, e de Biguaçu, Aldeia Ygua Porã.

Na mesma ocasião, em 2018, o Cepagro facilitou a implantação de uma horta no canteiro de obras, para onde parte do composto também passou a ser destinado. O construtor civil John Nilson Alves Nepomuceno, do Pará, conta que usufrui da horta levando chás e temperos para casa. “É interessante porque a empresa tem uma preocupação com o meio ambiente, não descarta em qualquer lugar como se fosse qualquer resíduo. Eles separam os materiais reciclados, a serragem da madeira usam na compostagem. Se toda a empresa tivesse isso seria bom”, conta Nilson.

 

O Floripa Airport tem um plano básico ambiental, que vem sendo gerido pela Racional Engenharia. Segundo o técnico ambiental da empresa, Humberto Camargo Filho, a compostagem é uma das formas de gestão dos resíduos e por mês são compostados cerca de 250 kg. O responsável pela função é Romenald Albert, que aprendeu a compostar no Haiti, seu país natal. É ele também que cuida da horta diariamente.

À tarde, parte da equipe do administrativo, cozinheiras e funcionários do canteiro de obras participaram da oficina de produção de mudas. A agrônoma Aline Assis deu dicas sobre o cultivo de hortaliças em pequenos espaços e os participantes puderam levar para casa as mudas produzidas. Entre eles estava a sergipana Vanusia Jesus Santos, que ficou impressionada com o manjericão roxo e fez questão de levar uma muda para mostrar aos familiares.

Charles Lamb conta que a atividade “oportunizou uma grande troca de experiências e demonstrou o potencial que esse tipo de iniciativa pode ter em um espaço inóspito como um canteiro de obras”. Disse ainda que o Cepagro continuará apoiando a iniciativa com mais atividades até o término da obra, prevista para outubro.

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Rede de Compostagem encerra ciclo de formações e fortalece práticas pedagógicas em agricultura urbana

“A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. As pessoas transformam o mundo”. A frase de Paulo Freire resume bem o que foi a Formação Livre de Compostagem e Agricultura Urbana para Educadores/as, realizada no último final de semana, 13 e 14 de julho, na comunidade Chico Mendes. A atividade aconteceu na sede da Revolução dos Baldinhos e foi facilitada pelo trio de educadores populares Júlio Maestri, do Cepagro, Karolina Karla, da Comunidade Chico Mendes e Cíntia da Cruz, da Revolução dos Baldinhos.

A atividade foi mais uma ação da Rede Municipal de Gestão Comunitária dos Resíduos e Agricultura Urbana de Florianópolis e encerrou um ciclo de seis formações que tiveram a gerência do Instituto Çarakura em parceria com a Revolução dos Baldinhos e mandato agroecológico do vereador Marcos José de Abreu (Marquito). O objetivo dessa última formação foi gerar forças coletivas para práticas pedagógicas envolvendo compostagem e agricultura urbana. Além de educadores/as, também participaram lideranças comunitárias, estudantes e agricultores/as urbanos/as. 

O primeiro dia de atividades começou com uma apresentação da Revolução dos Baldinhos e em seguida o grupo pôde conhecer o pátio de compostagem da comunidade, que recebe em média 8 toneladas de resíduos por mês. Ali, Karol e Cíntia mostraram a estrutura e a manutenção das leiras. “O problema é tão sério e a receita é tão simples”, resume Cíntia. A agente comunitária falou sobre como a gestão dos resíduos pode ser usada para falar sobre outros temas, como as políticas públicas que nem sempre chegam em determinadas comunidades.

Em seguida, os participantes retornaram para a sede da Revolução, onde Júlio Maestri falou sobre a metodologia do Cepagro no trabalho com hortas pedagógicas, que alia o calendário agrícola com o calendário escolar abordando três temas centrais: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. A metodologia do Cepagro vem sendo desenvolvida há quase 10 anos. Entre 2010 e 2013, com o Programa Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia, o Cepagro chegou a trabalhar em 83 escola da rede municipal de Florianópolis. 

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

Além de apresentar as diversas possibilidades e metodologias unindo a horta e a compostagem no ambiente escolar, Júlio trouxe também um panorama do lixo em Florianópolis. Segundo dados da Comcap/Prefeitura Municipal, Florianópolis gera uma média de 17,5 mil toneladas de resíduos por mês.  Transportar esse montante até o aterro em Biguaçu custa cerca de R$ 150 reais por tonelada, ou seja, mais de R$ 2 milhões por mês. O Ministério do Meio Ambiente afirma que os resíduos orgânicos representam metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil. Portanto, se todo o resíduo orgânico da capital catarinense fosse tratado localmente, a economia seria próxima a R$ 1 milhão por mês.

A tarde, o vereador Marcos José de Abreu (Marquito) fez uma fala sobre a Rede Municipal de Gestão Comunitária dos Resíduos e Agricultura Urbana de Florianópolis, que nasceu de forma coletiva a partir de uma indicação do seu mandato para Edital de Subvenção Social da Prefeitura de Florianópolis. Sob a gerência do Instituto Çarakura, em parceria com a Revolução dos Baldinhos, as formações livres da Rede contemplaram lideranças comunitárias das comunidades do Morro do Mocotó, Morro do Quilombo, Morro da Mariquinha e Morro da Queimada, além de uma formação na Moradia Estudantil da UFSC. 

“A gente avalia a atuação da Rede como super positiva”, disse Marquito e lembrou que no conjunto de ações da Rede foi aprovada a Lei da Compostagem em Florianópolis, que dispõe sobre a obrigatoriedade da reciclagem de resíduos sólidos orgânicos no município. O primeiro dia de formação terminou com o percurso sensorial, uma atividade do Slow Food Mata Atlântica que estimula a despadronização do paladar. Através dos sentidos, os participantes puderam conhecer diferentes sabores e texturas de uma diversidade imensa de alimentos.

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

No domingo, a formação começou com uma atividade em teia, que teve como finalidade mostrar o poder de interdisciplinaridade da horta pedagógica. Com essa dinâmica, Júlio Maestri demonstrou como a horta é um espaço de convergência  de saberes. Ele defende que a educação escolar deve se aproximar mais da realidade das comunidades e conta que no caso da Revolução a escola teve um papel fundamental na sensibilização das famílias.

Foto: Maiara Bersch / Instituto Çarakura

Em seguida, o coletivo seguiu para a Escola América Dutra Machado onde foi realizada uma prática de plantio em canteiro elevado com técnicas compartilhadas pelos próprios participantes, como a adubação verde e a relação entre espécies. Durante a tarde, a agente comunitária Karol deu uma oficina de mini composteira. 

Por fim, a formação terminou com um momento de planejamento comunitário. Como o público não era somente de professores/as, os participantes se dividiram em grupos e coletivamente decidiram fazer um plano de educação ambiental para uma escola e para três comunidades de Florianópolis. Aurora Liuzzi, do Instituto Çarakura, conta que as formações sempre têm esse momento de planejamento, onde os participantes pensam a técnica de compostagem pode ser integrada da melhor forma no cotidiano daquela realidade.

As formações que vêm sendo realizadas pela Rede desde janeiro resultaram na implantação da gestão comunitária dos resíduos em três lugares: na Moradia Estudantil, no Morro do Quilombo e no Morro do Mocotó, cada uma com um método diferente. 

“No Mocotó a gente viu a galera se colocando mesmo pra mudar sua realidade diante da necessidade”, contou Cíntia. Lá, a identificação com o projeto foi grande e a formação envolveu 80 pessoas. Além de uma horta na creche, a atividade resultou na implantação de duas leiras de compostagem que vêm recebendo os resíduos orgânicos da creche da comunidade. Paulo Rogério Gomes Antunes, morador do Mocotó, conta que a gestão comunitária de resíduos serve para “mudar a realidade e reeducar as crianças da comunidade. Tirar essa imagem do crime e da rua que a comunidade tem”.

Mas apesar da vontade dos moradores, algumas questões dificultam o processo. Segundo Cíntia, a dificuldade maior hoje é a falta de apoio, principalmente com material estruturante, como a poda e serragem, porque nem sempre o poder público dá o apoio necessário.

E o projeto das Formações Livres tem o intuito de englobar essas questões também, conta Aurora Liuzzi: “tem a parte técnica da compostagem que dá um destino para o resíduo orgânico. Mas tem o porta a porta nas famílias e toda essa sensibilização também que dá resultados que saem só do ambiental e entram no âmbito social. Que é você chegar numa família para falar do resíduo e se deparar com uma situação social ali acontecendo e ter que dar conta disso também, se colocar à disposição”. 

Karol e Cíntia viveram isso ao longo dos 10 anos de Revolução dos Baldinhos, fazendo mobilização e sensibilização diariamente na comunidade Chico Mendes. “A gente acredita que outro ser pode transformar a realidade dele assim como a gente está transformando a nossa. A gente vai se comunicando e trazendo essa interação comunitária, trazendo essa certeza de que o poder está na mão do povo e somos dignos de transformar cada um a sua realidade”, disse Cinta da Cruz. 

Oficina com hortas no CRAS Capoeiras é apresentada como experiência exitosa em Seminário sobre Assistência Social

Criatividade, envolvimento, solidariedade e construção. Essas foram as palavras escolhidas pela psicóloga Gabriela C. Klauck, para descrever o trabalho com hortas agroecológicas realizado no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) Capoeiras em parceria com o Cepagro. Gabriela é de Caxambu do Sul e conheceu a experiência do CRAS durante o X Seminário Estadual de Gestores e Trabalhadores da Assistência Social, promovido pela Federação Catarinense de Municípios (FECAM).

Durante o evento, que aconteceu entre 29 e 31 de maio, foram apresentadas algumas experiências exitosas nos Sistemas Únicos de Assistência Social (SUAS) dos municípios catarinenses. As psicólogas do CRAS, Alvira Bossy e Liliana Budag Becker e a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, participaram e compartilharam com assistentes sociais, psicólogas/os e gestoras/es públicas/os, os frutos colhidos com as oficinas agroecológicas realizadas através do projeto Misereor em Rede.

O projeto iniciou com duas oficinas de horta facilitadas pelos Agrônomos do Cepagro Ícaro Pereira e Karina, e envolveu desde crianças até idosos. As psicólogas do centro viram na prática agroecológica uma forma de melhorar o vínculo com os usuários do CRAS, abraçaram a ideia e seguiram fazendo atividades envolvendo plantas, o cuidado com a terra e com as pessoas.

Uma dessas atividades foi a oficina de memórias através das plantas, voltada para a terceira idade. Os idosos foram convidados a levar uma planta que despertasse neles alguma memória e, junto com as assistentes, construíram vasos com material reciclável. Alvira Bossy conta que aquele momento lúdico de convívio com os usuários não tinha como objetivo somente a confecção do vaso, mas sim ser “um momento para refletir, compartilhar e construir memórias juntos”.

O cuidado e o fortalecimento de vínculos são princípios do trabalho com assistência social e Lilian Budag Becker acredita que “quando se quer fortalecer vínculos, a gente precisa entender de que maneira se dá esse vínculo. E usar a Agroecologia é tudo, porque você pode usar o teu ambiente, o teu quintal, as ruas, as praças, os espaços que você tem”.

A Agroecologia não é apenas um modelo de fazer agricultura, complementou Karina durante a apresentação, “ela pode ser aplicada também no nosso modo de vida”. Na diversidade de um canteiro agroecológico, uma planta com a raiz mais longa descompacta o solo, outra com aroma forte repele insetos, enquanto as flores chamativas atraem os polinizadores. “Então essa relação de colaboração entre as plantas, a gente consegue observar na relação humana também”, acrescentou.

Entre relatos, palestras e oficina, o seminário tinha como objetivo “propiciar a troca de experiências na execução e qualificação teórica das políticas de Assistência Social”, afirma Janice Merigo, assistente social da Fecam. Para ela, o relato sobre o CRAS Capoeiras acrescentou no debate porque mostrou como “as oficinas fortalecem a participação do usuário no serviço de assistência social”.

Gabriela Klauck foi uma das profissionais que se sentiu inspirada pela iniciativa: “Quando eu vi elas eu achei fantástico, porque eu me vi enquanto psicóloga trabalhando com a arte, com a criatividade das pessoas, fazendo elas se movimentarem. Envolve solidariedade e cooperativismo, isso é construção, isso é transformação social”. Apesar da vontade de inovar no seu local de atuação, Gabriela contou que por conta do engessamento da política de assistência social, nem sempre é fácil propor ideias novas nos centros de assistência.

No caso do CRAS Capoeiras, como lembra Alvira, boa parte dos materiais utilizados para as oficinas foram materiais que tinha ali mesmo, no ambiente do CRAS, “mas não é por isso que não se precisa investir. Tem que incluir na Assistência Social mais recurso”.

Durante os relatos das experiências, mais de uma vez falou-se na necessidade de pensar fora da caixa. Alvira concorda: “A gente, como profissional, tem que se desconstruir, precisamos sair das caixas. Vamos parar de falar da psicologia só com psicólogos, de assistência social só com assistente sociais”. Sem desconsiderar as territorialidades e realidades locais, a experiência no CRAS Capoeiras mostrou que a Agroecologia tem potencial quando o assunto é Proteção Social Básica, Assistência Social  e seus princípios: cuidado e fortalecimento de vínculos.

Rede Semear inicia o ano conhecendo experiência do SESC Cacupé em Agricultura Urbana

Representantes de associações de bairro, coletivos de agricultura urbana, de organizações não governamentais, do poder público municipal, estadual e federal, além de acadêmicos e curiosos por conhecer a Rede estiveram presentes na primeira reunião da Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana em 2019. O encontro aconteceu no Hotel SESC Cacupé, na tarde da última quarta-feira, 10 de abril, e discutiu principalmente as perspectivas para a atuação da Rede em 2019.

O encontro iniciou com uma apresentação da experiência em Agricultura Urbana realizada pelo SESC Cacupé, que conta com um pátio de compostagem, uma horta e um viveiro. Ali os resíduos orgânicos gerados no restaurante são transformados em adubo para a horta, que possui fim didático. No espaço, está sendo desenvolvido ainda experimentos com aquecimento de água a partir energia gerada nas leiras de compostagem, além de trabalho com agrofloresta e abelhas nativas.

Depois da ambientação, o grupo seguiu para o Engenho de Farinha do SESC, onde a enfermeira da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e gestora do Programa Municipal de Agricultura Urbana Francisca Daussy e a Vice-Presidenta do Cepagro Erika Sagae fizeram uma apresentação da Rede Semear para aqueles que estavam na reunião pela primeira vez. Francisca lembrou que desde o início, a Rede tem como foco articular os diversos setores que debatem agricultura urbana para que juntos pautem políticas públicas no tema.

A Rede Semear é aberta e permite a participação de pessoas e instituições. Ela é composta por diferentes setores da prefeitura municipal, desde a saúde até a educação e assistência social. Na reunião desta terça-feira, estiveram presentes representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Saúde, Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (LECERA), Epagri, Sloow Food, Quinta das Plantas, Departamento de Alimentação Escolar da Prefeitura Municipal de Florianópolis, SESC, Conselho Comunitário da Costa de Dentro, Pousada Rosemary Dream e gabinete do Vereador Marquito.

Além de conversar sobre as perspectivas para 2019, a Rede também fez um balanço do IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana de Florianópolis, que aconteceu em novembro do ano passado. Mais uma vez o encontro se mostrou um espaço de discussão muito positivo para a AU na capital e para o fortalecimento da Rede Semear e resultou na construção coletiva da Carta Política do IV Encontro, que ainda será divulgada ao público.

Falou-se sobre os avanços da Rede no último ano, como a criação do Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017) e a aprovação da Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018), projeto de lei elaborado junto ao mandato do vereador Marcos José de Abreu, o Marquito. Outras conquistas são a presença de hortas em 35 centros de saúde e o aumento do número de hortas comunitárias pelos bairros de Florianópolis.

Essas hortas que vão surgindo demandam estrutura e assistência do poder público e é nesse sentido que caminham os desafios da Rede Semear para a Agricultura Urbana. Eugênio Luiz Gonçalves, membro do Conselho Comunitário da Costa de Dentro e do Conselho de Saneamento Básico, esteve presente na reunião. Ele falou de algumas dificuldades enfrentadas pela Horta Comunitária do bairro e sobre a necessidade de apoio institucional na distribuição dos alimentos colhidos para entidades carentes, apoio na realização de uma feira local e formação para os agricultores urbanos, ações que fortaleceriam o trabalho local.

As ferramentas existem e as ações em Agricultura Urbana estão acontecendo, mas a falta de recurso dificulta o trabalho. Para planejar as ações práticas para o ano de 2019, a Rede Semear voltará a se reunir no final de abril.  Antes de encerrar a reunião, Erika Sagae lembrou do IV Encontro Latinoamericano de Agricultura Urbana e Periurbana – ELAUP, que acontecerá em Florianópolis entre os dias 6 e 8 de novembro. 

O Encontro é um espaço acadêmico para professores, pesquisadores e gestores públicos e de projetos na América Latina e no Caribe apresentarem suas pesquisas, as experiências em andamento e discutirem os aportes teóricos e metodológicos provenientes das ciências sociais, econômicas e ambientais. A participação dos agricultores urbanos neste encontro é muito importante, por isso haverá isenção de taxa de inscrição para estes.

A tarde terminou com um café e troca de mudas e sementes.

 

Cepagro e Revolução dos Baldinhos reaplicam Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos

Desde o último domingo, 10 de fevereiro, mais 160 famílias do programa Minha Casa, Minha Vida passaram a ter um espaço correto para a destinação dos seus resíduos orgânicos. De 8 a 10 de fevereiro, o Engenheiro Agrônomo do Cepagro, Júlio Maestri e a agente comunitária da Revolução dos Baldinhos, Cíntia Aldaci da Cruz estiveram em Sorocaba para a reaplicação da Tecnologia Social em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no Conjunto Habitacional Carandá, um dos maiores empreendimentos do programa de habitação, com mais de 2.500 apartamentos. 

O Carandá está dividido em condomínios de 160 apartamentos cada. A atividade de formação e implantação das composteiras durou três dias e foi realizada no Condomínio Buriti, como um projeto piloto. Além de moradores, participaram da formação representantes do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), lideranças locais, agentes de saúde e representantes de outros condomínios do Carandá.

ideia é que o Projeto Vidas: compostagem para um mundo melhor, Carandá e Altos do Ipanema seja estendido aos demais moradores do conjunto, englobando também o Residencial Altos do Ipanema, que se encontra próximo ao Carandá.

A ação iniciou na sexta-feira,  quando o Júlio e a Cíntia fizeram a apresentação da Tecnologia Social e explicaram o passo-a-passo do processo de compostagem com a composteira televisão. No sábado, os moradores puderam confeccionar suas próprias composteiras, feitas de caixas d’água e decoradas com a ajuda das crianças.

Com as composteiras implantadas, era hora de planejar a gestão comunitária e, no domingo, os moradores e lideranças locais definiram a logística das atividades que deverão ser realizadas no pátio de compostagem. No início, 50 famílias ficarão responsáveis pela gestão e por sensibilizar mais moradores a separarem os resíduos orgânicos.

Cíntia Adalci da Cruz viu um potencial enorme na comunidade local, principalmente nas mulheres, que compareceram em peso na formação. Algumas das famílias, inclusive, já se mobilizam fazendo a triagem dos materiais recicláveis e o dinheiro da venda retorna para a comunidade: “Elas ajudaram o time de futebol com uniformes, roupas, compraram materiais de música, como tambor e violino. Então eles já têm uma organização bem legal no local. É um potencial enorme daquelas mulheres”, conta Cíntia.

É a segunda vez que a agente comunitária realiza uma formação e conta que foi realizador ver pessoas depressivas que nunca tinham saído do seu condomínio comparecendo em todos os dias de formação e participando ativamente. “Eu me senti fazendo o meu papel mesmo. Ser uma recrutadora popular e poder contribuir com outras comunidades no desenvolvimento social, econômico e pensando mesmo nessa prática para o futuro”, disse.

A ação é uma parceria entre o Cepagro, Revolução dos Baldinhos, projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (MUTS), da Fundação Banco do Brasil, Rede Interação, Mater Dei e Prefeitura de Sorocaba. E a parceria promete ainda novas frentes: na segunda-feira, Cepagro e Revolução dos Baldinhos estiveram reunidos na Secretaria de Habitação, com representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria de Água e Esgoto a fim de discutir a possibilidade de aliar a gestão dos resíduos secos, que já vem sendo feita por cerca de 50 famílias, e gestão dos resíduos orgânicos. A ideia é tornar o Conjunto Habitacional Carandá uma referência na gestão integrada de resíduos.

Lar São Francisco ganha Horta Agroecológica

Ontem, 20 de dezembro, foi dia de comemoração no Lar São Francisco, quando a vontade de ter uma Horta Agroecológica na instituição se tornou realidade. As engenheiras agrônomas do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi e Aline Assis e o engenheiro ambiental Pedro Ocampos Palermo estiveram no Lar construindo a Horta que agora vai enriquecer o ambiente e a alimentação dos residentes.

Quem deu o pontapé inicial para a implantação do espaço foi a nutricionista Bruna Cavalheiro: “a ideia de fazer uma horta já era antiga, o administrador do Lar tinha essa vontade há um tempo, até tinha uma horta tímida mas sem muita diversidade.” Com a variedade de alimentos orgânicos que serão colhidos a partir de agora, a lista de compras no Ceasa vai diminuir, além de garantir mais saúde no prato dos residentes e funcionários, que totalizam uma média de 60 pessoas.

Além da horta, também foi construído um berçário de plantas e as funcionárias receberam uma formação sobre Agroecologia. Por enquanto, Pedro Palermo vai ficar responsável pelo manejo da horta ao lado do funcionário Osni dos Santos, que participou do processo de implantação.

É Osni quem também cuida da composteira do Lar, que hoje absorve todo o resíduo orgânico gerado na cozinha. Bruna contou que com a inauguração da horta o ciclo se fecha: “nossos restos de alimento vão para o lixo orgânico, é levado para a composteira onde vira adubo e agora esse adubo está indo para a horta. Para mim é um sonho realizado”.

Leni Heidrich, residente do Lar São Francisco, também ficou muito feliz com o novo espaço. Filha de fazendeiros, ela ficou maravilhada em ver os canteiros com tanta diversidade, do jeito que seu pai fazia antigamente. “Para mim é um dos projetos mais bonitos, achei maravilhoso porque cada um tem que fazer a sua parte, né. Tem que motivar as pessoas a mexer na terra”, disse Leni.

Florianópolis recebe o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana

Trazendo como temática o Direito à Cidade, o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana acontece em Florianópolis nos dias 23 e 24 de novembro, com programações no Jardim Botânico, na Epagri e no Centro de Ciências Agrárias da UFSC (todos no Itacorubi). De acordo com a organização do evento, o objetivo é “reunir pessoas e instituições para compartilhar experiências, discutir e fortalecer estratégias e práticas agrícolas de base agroecológica cujos avanços no município de Florianópolis o fazem referência em vários domínios nesta área, favorecendo a qualidade de vida, a sustentabilidade e a proteção ambiental”. Oficinas, seminários e apresentações culturais integram a programação, que é totalmente gratuita. Para participar, é só fazer a inscrição neste link.
A abertura do Encontro será na 6ª feira, com a mesa Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas, a partir das 10h, no Jardim Botânico. Na parte da tarde, 4 seminários abordarão a relação da Agricultura Urbana com Organização Popular, Promoção da Saúde, Processos Educativos e Produção, comercialização e consumo. No sábado pela manhã acontecem 13 oficinas com temáticas variadas. Encerrando o evento, haverá um mesa redonda às 14h sobre Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis, além da formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis, a partir das 15h30.
O IV EMAU é promovido pela Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana e conta com apoio do Cepagro, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, UFSC, FLORAM, LECERA, CCA, Fundação Franklin Cascaes e COMCAP.
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PROGRAMAÇÃO
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23 novembro 2018 – 6ª feira
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8h às 9h – CREDENCIAMENTO
Inscrição com café coletivo
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9h às 10h – ABERTURA
Mística de abertura – Música e poesia – Maria Adriana.
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10h às 12h – MESA REDONDA
Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas
Celso Sanches – UNIRIO
Renata Rodrigues – LECERA CCA/UFSC
Eduardo Elias – Destino Certo
Juliana Luiz – Coletivo Nacional de Agricultura Urbana
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 15h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO I – Agricultura Urbana e Organização Popular
● SEMINÁRIO II – Agricultura Urbana e Promoção da Saúde
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15h às 15h30min – Atividade cultural e café coletivo
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15h30min às 17h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO III – Agricultura Urbana e Processos Educativos
● SEMINÁRIO IV -Segurança Alimentar, Produção, comercialização e consumo
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24 novembro 2018 – SÁBADO
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9h às 12h – OFICINAS
Oficina 1 – Tipos de agriculturas – CCA
Oficina 2 – Vermicompostagem e Compostagem – Jardim Botânico
Oficina 3 – Circuito EPAGRI – PANCs, Cores da Terra, Meliponídeos, Plantio de Hortaliças.
Oficina 4 – Preparados Orgânicos para cultivos (Cancelada) – CCA
Oficina 5 – Oficina de Autocuidado – CCA
Oficina 6 – Agricultura Sintrópica – Jardim Botânico
Oficina 7 – Oficina de bancos de sementes crioulas artesanais – CCA
Oficina 8 – Gestão comunitária de resíduos orgânicos – CCA
Oficina 9 – Oficina de plantas medicinais – Quinta das Plantas CCA
Oficina 10 – Slowfood – CCA
Oficina 11 – Hortas pedagógicas – CCA
Oficina 12 – Agricultura Urbana e Direito à cidade – CCA
Oficina 13 – Video Mulheres Ambientalistas, exibição e discussão – EPAGRI
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 14h – Atividade Cultural
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14h às 15h – MESA REDONDA – Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis
Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018)
Marcos José de Abreu
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Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017)
Fábio Faria Brognoli
TRABALHO COLETIVO
15h às 15h30min – Sistematização dos Seminários
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15h30min às 16h30min – Formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis
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16h30min às 17h – Rio da Vida
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17h às 17h30min – Celebração final