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Crianças ensinam pais e mães a fazer Compostagem

Com o ano letivo chegando ao fim na Escola Municipal Dom Afonso Niehues, em Antônio Carlos (SC), as/os estudantes do 5º ano fizeram uma oficina sobre compostagem para pais e mães durante a Festa da Família que aconteceu no dia 6 de dezembro. As crianças explicaram os princípios da compostagem e montaram uma leira. A atividade faz parte das atividades da Horta Pedagógica implantada na Escola com a assessoria dos engenheiros agrônomos Karina Smania de Lorenzi e Ícaro Pereira, da equipe técnica do Cepagro.

De acordo com a professora Elisângela Decker, a teoria e prática da valorização e separação dos resíduos orgânicos na Horta Pedagógica transformou o olhar das crianças: “Quando a Karina e o Ícaro chegaram falando sobre decomposição e compostagem, os estudantes achavam que era algo meio nojento, sujo. Após o trabalho realizado, já não têm mais essa visão. Iam pra horta e realmente colocavam a mão na composteira. Antes os resíduos eram considerados lixo, e a partir da compostagem perceberam que tinha uma utilidade”.

 

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Estudantes de Antônio Carlos aprendem sobre compostagem e alimentação no ambiente da Horta Escolar

Cerca de 280 estudantes da Escola Municipal Dom Afonso Niehues, em Antônio Carlos (SC), estão desde agosto cultivando alimentos e aprendizados na Horta Pedagógica assessorada pelos engenheiros agrônomos Karina Smania de Lorenzi e Ícaro Pereira, da equipe técnica do Cepagro. Todas as turmas da escola, do 1º ao 5º ano, já trabalharam na horta ao longo desses meses. No laboratório vivo da horta, as crianças vivenciam o ciclo dos alimentos, da transformação de resíduos orgânicos em adubo através da compostagem até a colheita e preparação de receitas, feitas agora ao final do semestre.

“Já percebemos mudanças positivas. Uma delas foi a separação de resíduos orgânicos. Junto com os alunos do 5º ano fizemos uma sensibilização na escola, onde foram distribuídos baldes para os resíduos orgânicos e os estudantes estão fazendo a compostagem”, afirma Karina de Lorenzi. Na festa de final de ano da escola, a equipe Cepagro e a criançada ministrarão uma oficina de compostagem para os pais e mães da comunidade escolar. Haverá também distribuição de mudas.

A preparação de receitas com os alimentos colhidos na horta faz parte da metodologia Cepagro de educação agroecológica. “Eles já estão colhendo, fazendo receitas junto com a nutricionista Kalina Lima e também levando alimentos da horta para casa”, diz Karina.

Outro impacto positivo da horta foi na paisagem, segundo Karina: “Um espaço que estava em desuso hoje é um laboratório vivo. Depois da criação dos canteiros e plantio, os alunos estão tendo a chance de presenciar o crescimento das plantas e o aparecimento de muitos animais. A horta instiga muito a curiosidade dos alunos, pois sempre está acontecendo alguma coisa nova”, afirma a agrônoma.

 

Lúdica, didática e comunitária: Gestão de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana no Curso do Cepagro

Realizado de 20 a 23 de novembro, o III Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana contou com a participação de mais de 40 pessoas, entre estudantes, representantes do poder público, lideranças comunitárias, educadores e educadoras e também jornalistas de vários municípios de Santa Catarina e de outros estados. Mais do que ensinar a fazer compostagem, o Curso teve o objetivo de compartilhar experiências e conhecimentos em rodas de conversa e visitas de campo para fomentar a Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos em outros contextos, de acordo com o coordenador do eixo urbano de projetos do Cepagro, Júlio César Maestri. O Curso foi promovido pelo Cepagro e FAPESC, em parceria com a UFSC, FATMA e COMCAP.

Abordar a compostagem de forma lúdica e criativa foi a atividade de abertura do Curso, no Jardim Botânico do Itacorubi. Com muitxs educadoras e educadores entre os participantes, o agrônomo Júlio Maestri explicou não só o passo-a-passo da compostagem e listou os materiais necessários, mas trouxe várias dicas para trabalhar o tema em contextos educacionais e comunitários. Com a TV Composteira – uma caixa de madeira com uma das paredes feita de vidro – é possível visualizar e entender como funciona o processo de transformação de resíduos orgânicos em adubo.

Na parte da tarde, os/as participantes montaram uma leira de compostagem no Centro de Valorização de Resíduos Orgânicos do Jardim Botânico de Florianópolis. Com a orientação dos engenheiros agrônomos Júlio MaestriAline Assis e Guilherme Bottan, a turma colocou a mão na palha, nos resíduos, na serragem e no composto, aprendendo na prática o passo a passo das camadas da leira e os cuidados na sua manutenção. 

O segundo dia de atividades foi dedicado às visitas de campo: Revolução dos Baldinhos na parte da manhã e Horta Pedagógica e Comunitária do Pacuca, no bairro Campeche, à tarde. “Os visitantes conheceram a comunidade e o rotina dos agentes comunitários, visitando os pontos de separação direta na fonte pela comunidade e a agrofloresta da Margarida dos Santos na beira da BR”, conta a agente comunitária Cíntia Aldaci Cruz. “Descobrindo que não existem lugar certo pra plantar, a gente é que faz! Também participaram da prática no Pátio de Compostagem, tirando duvidas e aprimorando conhecimentos”, completa. 

Já no Sul da Ilha, na Horta Comunitária do PACUCA, o grupo foi guiado pelos voluntários Bianca Pulice e David Soares, conhecendo as leiras de compostagem que recebem resíduos orgânicos do bairro e os canteiros de hortaliças, legumes e ervas medicinais, cultivados de forma agroecológica e seguindo princípios de consórcios entre as plantas. De acordo com Ataide Silva, uma das lideranças da iniciativa, a compostagem do Pacuca recebe em média 2 toneladas de resíduos orgânicos por semana, chegando a produzir 70 toneladas de adubo por ano. Todo o trabalho que move a Horta do Pacuca é realizado por cerca de 10 voluntários, que desde 2015 vêm transformando aquele terreno na Rua da Capela com muito trabalho, carinho e amor pela terra, como afirmou o guardião Anilton Bardança.

Na quarta-feira, 22 de novembro, o Curso abriu as portas para o público em geral, durante o Seminário INTEGRANDO REVOLUÇÕES, que trouxe para o Jardim Botânico a Revolução dos Baldinhos e outras duas experiências inspiradas por ela: a Revolução de Macaíba (RN) e a Cooperativa de Resíduos Orgânicos de Paragominas (PA). 

 

 

O Curso terminou com a elaboração de planos de ação em gestão de resíduos orgânicos para as diversas localidades presentes. Demandas de grupos que gostariam de iniciar planos e as vivências de projetos já consolidados foram intercambiadas na vivência.

SEMINÁRIO “INTEGRANDO REVOLUÇÕES” DEBATE INICIATIVAS EM GESTÃO COMUNITÁRIA DE RESÍDUOS ORGÂNICOS

O III Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana teve como parte da programação o Seminário “Integrando Revoluções”, que aconteceu no dia 22 de novembro às 14h no Jardim Botânico do Itacorubi. A atividade reuniu representantes da Revolução dos Baldinhos, da Cooperativa de Compostagem de Paragominas/PA e da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN, que relataram experiências com Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos. Assim como o Curso, o Seminário “Integrando Revoluções” foi gratuito e promovido pelo Cepagro em parceria com a FAPESC, COMCAP, UFSC, FATMA, contando com o apoio do Ministério da Agricultura. Após o Seminário, representantes de ONGs,  universidades e comunidades do Rio de Janeiro, Macaíba/RN, Paragominas/PA, São Francisco do Sul, Itapema/SC e Florianópolis se reunirão para elaborar planos de ações em gestão de resíduos orgânicos para suas localidades. A Banda Cores de Aidê encerrou o evento.

Mesa de abertura do seminário composta por representantes do poder público e ONGs

A abertura do seminário foi realizada com representantes das organizações que promoveram o evento.  Em seguida, representantes da Revolução dos Baldinhos e outras duas experiências de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos a Cooperativa de Compostagem de Paragominas/PA e da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN junto com o vereador Marcos José de Abreu ocuparam a mesa e relataram suas experiências na mobilização comunitária para agricultura urbana. A mesa foi coordenada pelo professor Oscar José Rover do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. 

Representantes das experiencias em gestão de resíduos orgânicos de Macaíba/RN, Paragominas/PA e Revolução dos Baldinhos de Florianópolis/SC.

Projeto “Revolução dos Baldinhos e Agricultura Urbana” inspira outras experiências pelo país

As duas experiências do Norte e Nordeste do país, a Cooperativa de Compostagem de Paragominas e a Revolução dos Baldinhos de Macaíba foram inspiradas na primeira Revolução dos Baldinhos e Agricultura Urbana aqui do sul, em Florianópolis, na comunidade Chico Mendes. O projeto do Sul implementado em 2008 e certificado como “Tecnologia Social” pelo Banco do Brasil em 2011. Em seguida, replicado em Macaíba/RN e em Paragominas/PA.

A experiência paraense teve início em 2015, quando o técnico Júlio Maestri esteve em Paragominas/PA para realizar a mobilização de famílias com objetivo de replicar o Modelo de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana realizado pelo Cepagro. A experiência teve seu início junto ao projeto Sustentabilidade Ambiental do empreendimento Morada dos Ventos (Minha Casa Minha Vida/CAIXA), no local vivem 1.100 famílias,  contou com o apoio integral do poder público e se transformou em uma cooperativa.

A iniciativa do Rio Grande do Norte foi concebida em empreendimentos imobiliários do Programa Minha Casa, Minha Vida.  Por meio de uma parceria entre  a Associação de Apoio às Comunidades do Campo do RN (AACC), o Cepagro, e a Revolução dos Baldinhos da comunidade Chico Mendes foi realizada uma capacitação em dezembro de 2016 em Macaíba/RN com a participação de 50 pessoas. Facilitaram essa capacitação o técnico do Cepagro  Júlio Maestri e a coordenadora comunitária da Revolução, Ana Karolina da Conceição. A capacitação facilitada pela equipe do Cepagro foi o ponto de partida para a criação da “Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN. “As pessoas (em Macaíba/RN) não sabiam o que era compostagem até a chegada do Cepagro para dar assessoria técnica. Então aprendemos a construir hortas e a fazer nosso próprio adubo” disse Maria Heloísa Lima  da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN durante o seminário “Integrando Revoluções”

No seminário, representantes das experiências do Norte e Nordeste do país foram as primeiras a relatar como se deram as atividades em suas localidades. “Ao contrário das experiências aqui presentes (Revolução dos Baldinhos da comunidade Chico Mendes, Florianópolis e Macaíba/RN), a nossa experiência com gestão de resíduos orgânicos teve iniciativa do poder público, da prefeitura de Paragominas que enxergou a possibilidade de geração de trabalho e renda por meio da compostagem”. disse Rosilene Oliveira, Assistente Social do CRAS Comunidade Morada dos Ventos em Paragominas/PA e colaboradora da Cooperativa de Compostagem de Paragominas.

Rosilene Oliveira, Assistente Social do CRAS Comunidade Morada dos Ventos em Paragominas/PA e colaboradora da Cooperativa de Compostagem de Paragominas.
Maria Heloísa Lima  da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN durante o seminário “Integrando Revoluções”

Poder público

Sobre o patrocínio das entidades públicas ainda há uma lacuna que precisa ser preenchida, segundo Ana Karolina da Conceição coordenadora da Revolução dos Baldinhos na comunidade Chico Mendes, “Diferente da experiência da colega lá do Norte, aqui é preciso mais apoio, sempre vamos cobrar isso, porque o que fazemos é tarefa do poder público.” avaliou Ana Karolina. O Diretor Presidente do Cepagro, Eduardo Rocha reforçou a importância da participação mais ampla do poder público. “Essas experiências têm a participação pontual de agentes e técnicos públicos, é necessário ampliar a participação governamental na gestão de resíduos” disse Eduardo Rocha.

Eduardo Rocha – Diretor Presidente do Cepagro à esquerda. Profº Oscar Rover do Centro de Ciencias Agrárias –  UFSC à direita.

Participação da comunidade

Para as participantes de Paragominas/PA a comunidade tem papel essencial para o desenvolvimento do projeto. “A participação da comunidade é fundamental para o desenvolvimento da gestão comunitária de resíduos. Na nossa experiência essa foi a parte mais difícil, mas hoje somos referência para outras regiões do norte do país.” disse Rosilene Oliveira. Segundo Cínthia Cruz é necessário sensibilizar as pessoas sobre a causa da gestão comunitária de resíduos orgânicos e a agricultura urbana. “A sensibilização é um trabalho difícil, mas tem que ser feito, porque sem a comunidade não há Revolução” diz Cíntia Cruz que divide a coordenação do Projeto com Ana Karolina da Conceição na comunidade Chico Mendes.

A força da mulher

“A grande força de trabalho é de mulheres! Os homens desistem mais fácil. Nós persistimos e colocamos nossa força naquele propósito (compostagem). É um trabalho pesado, muito pesado, mas insistimos nele porque acreditamos nisso (Gestão de Resíduos Orgânicos) ” disse Sonia Maria Oliveira – Diretora Financeira da Cooperativa de Compostagem Resíduos Orgânicos de Paragominas. A socióloga Janaína Henrique Santos ainda afirma: “Não existe agricultura urbana sem as mulheres”. Janaína também compôs a mesa representando a iniciativa de Macaíba/RN. A socióloga chamou a atenção para a condição das mulheres nas iniciativas, eventos e movimentos que envolvem a Agricultura Urbana e solicitou para que as reividicações do feminismo também nessa mobilização fossem respeitadas e não ficassem às margens desse Movimento Social.

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Planos de ações

No dia seguinte ao Seminário “Integrando Revoluções” representantes de ONGs,  universidades e comunidades do Rio de Janeiro, Macaíba/RN, Paragominas/PA, São Francisco do Sul, Itapema/SC e Florianópolis se reuniram para elaborar planos de ações em gestão de resíduos orgânicos para suas localidades.

Os planos de ações eram elaborados por grupos que continham participantes da localidade-alvo da ação, e participantes que eram de outras comunidades, e que ajudavam a elaborar os planos a partir das experiências já consolidadas.

Para Macaíba/RN  o tema central do plano de ação para aquela localidade é de criar mecanismos de fortalecer a Revolução de Baldinhos de Macaíba, e envolver mais a comunidade com a gestão de resíduos orgânicos. Em Paragominas tembém foram concentrados esforços em planos de ações para maior envolvimento da comunidade e fortalecer a cooperativa local de compostagem e gestão de resíduos orgânicos, a Coompag.

A AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, organização do Rio de Janeiro que atua no fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável, enviou representantes para conhecerem as experiências relatadas no seminário e participarem do III Curso de Gestão de Resíduos Orgânicos. Para o Rio de Janeiro o plano de ação se concentrou na implementação da compostagem.

 

Para Florianópolis, os planos de ações se concentraram tanto na implementação da compostagem quanto no fortalecimento das experiências já existentes. Philipe  Bellettini, cozinheiro integrante do movimento Slow Food, e mora  no bairro Agronômica e Carine Bergeman do Bairro Costa de dentro conversaram com as lideranças dessas comunidades sobre as experiências relatadas no Seminário “Integrando Revoluções”, no caso do bairro Agronômica para implementação da compostagem em condomínios. A experiência do projeto “Revolução dos Baldinhos e Agricultura Urbana” do bairro Chico Mendes segue com plano de ações para o fortalecimento da iniciativa e continuar servindo de referência para outras iniciativas.

Organizações das cidade de Brasília/DF e Bombinhas/SC também enviaram representantes para III Curso de Gestão de Resíduos Orgânicos realizado pelo Cepagro. Esses representantes não puderam participar do plano de ações, mas seguem em diálogo com Júlio Maestri, técnico do Cepagro e  com outros participantes do curso para troca de experiências e conhecimento.

O contato contínuo com os participantes faz parte também do planejamento de ações do III Curso de Gestão de Resíduos Orgânicos realizado pelo Cepagro. A finalidade do contato permanente entre os participantes do curso, o Cepagro e os representantes das experiências relatadas em seminário é criar uma rede de colaborativa, para que os integrantes troquem conhecimentos e solicitem ajuda em qualquer dificuldade técnica.

Seminário aborda Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos de Norte a Sul do País

Como parte da programação do III Curso de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana, acontece na próxima 4ª feira, dia 22 de Novembro, às 13h45, o Seminário “Integrando Revoluções”. A atividade será no Jardim Botânico do Itacorubi e vai reunir representantes da Revolução dos Baldinhos junto com outras duas experiências de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos: a Cooperativa de Compostagem de Paragominas/PA e da Revolução dos Baldinhos de Macaíba/RN. O encerramento será comandado pela banda Cores de Aidê. O evento é aberto e gratuito, resultado de uma parceria do Cepagro com a FAPESC, COMCAP, UFSC, FATMA e com apoio do Ministério da Agricultura. Para mais informações, escreva para gestaocomunitariaderesiduos@gmail.com.

Cepagro colabora no III Encontro Municipal de Agricultura Urbana

Nos dias 17 e 18 de novembro, Florianópolis recebe o
III Encontro de Agricultura Urbana e Práticas Integrativas Complementares. Construído pela Rede Semear, que reúne poder público e organizações civis, o evento conta com a organização do Ministério da Agricultura e Pecuária, UFSC, Epagri, Cepagro, Câmara de Vereadores e Prefeitura de Florianópolis. Estão programadas mais de 20 oficinas, rodas de conversa, palestras e cuidados. As atividades acontecem no Jardim Botânico, no CETRE – EPAGRI e no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, todos no Itacorubi.

Na 6ª feira à tarde e no sábado de manhã, o Cepagro facilitará as Rodas de Conversa de “Consumidores e Produtores: aproximações agroecológicas”, no LACAF (CCA) e “Hortas Escolares”, no Cepagro. Confira a programação e veja mais informações na página do evento.

PROGRAMAÇÃO 

17 novembro 2017 – 6ª feira
Local: Jardim Botânico
8h​ ​às​ ​9h-​ ​ ​Credenciamento​ ​e​ ​Lanche​ ​ColaborATIVO
9h​ ​às​ ​10h​ ​ ​-​ ​Solenidade​ ​de​ ​Abertura
10h​ ​às​ ​12h​ ​-​ ​Palestra​ ​”​ ​Integrar​ ​cuidados​ ​com​ ​o​ ​ser​ ​Humano​ ​e​ ​cuidados​ ​com​ ​a​ ​terra”.
12h​ ​às​ ​13h30min​ ​ ​-​ ​Almoço
13h30min​ ​ ​às​ ​14h​ ​-​ ​Atividade​ ​Cultural
14h​ ​às​ ​16h​ ​-​ ​Oficinas​ ​e​ ​Rodas​ ​de​ ​Conversa – Locais variados – consultar no momento da inscrição
16h30min​ ​-​ ​Intervalo
16h30min​ ​às​ ​18h30min​ ​-​ ​Troca​ ​de​ ​Saberes​ ​sobre​ ​Plantas​ ​Medicinais.

​18​ ​de​ ​novembro​ ​2017​ ​–​ ​Sábado
9h​ ​-​ ​ ​Café​ ​ColaborATIVO
09h30​ ​-​ ​11h30 ​-​ ​Oficinas​ ​e​ ​Rodas​ ​de​ ​Conversa – Locais variados – consultar no momento da inscrição

Local: Jardim Botânico
11h30​ ​-​ ​12h​ ​-​ ​ ​Troca​ ​de​ ​Sementes
12h​ ​às​ ​13h30​ ​-​ ​Almoço
13h30 às 15h30 – Mesa redonda “Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica e Programa​ ​Municipal​ ​de​ ​Agricultura​ ​Urbana”
15h30​ ​às​ ​17h​ ​ ​-​ ​ ​Perspectivas​ ​para​ ​2018​ ​-​ ​Conhecendo​ ​a​ ​Rede​ ​Semear
17h​ ​às​ ​17h​30​ ​-​ ​ ​Carta​ ​III​ ​EMAU​ ​e​ ​PICs
17h​​30 -​ ​Encerramento​ ​e​ ​Atividade​ ​cultural

Seminário em Santa Rosa de Lima aborda desafios e demandas da Agroecologia

VIII Seminário Estadual de Agroecologia em Santa Rosa de Lima

Santa Rosa de Lima, município com 2 mil habitantes nas Encostas da Serra Catarinense, sediou o VIII Seminário Estadual de Agroecologia nos dias 26 e 27 de outubro. Conhecida pelo agroturismo – foi ali que começou o projeto Acolhida na Colônia -, a cidade, que  também tem o título de Capital Catarinense da Agroecologia Agroecologia, recebeu cerca de mil pessoas para o Seminário. O evento foi promovido pela Prefeitura de Santa Rosa de Lima, Associação dos Agricultores Agroecológicos (Agreco/CooperAgreco), Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf), Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia, Cooperativa de Crédito Cresol, Centro de Formação em Agroecologia (Cefae), além dos movimentos sociais como o Movimento dos Sem Terra – MST, e teve apoio do gabinete do Deputado Estadual Padre Pedro. O objetivo do evento foi debater os temas ligados à produção sustentável de alimentos. O Cepagro participou do evento facilitando uma oficina sobre Agricultura Urbana e Compostagem.

Oficinas

As oficinas aconteceram no segundo dia do evento, com temáticas como Educação do campo, Meliponicultura e Sementes Crioulas. O Cepagro ofereceu a oficina de Agricultura Urbana, facilitada pelo engenheiro agrônomo Júlio Maestri, da equipe técnica da organização. Na atividade estavam presentes  estudantes, agrônomos, aposentados e representantes do Poder Público.

Turma da oficina de Agricultura Urbana no VIII Seminário Estadual de Agroecologia

A abertura da oficina foi uma dinâmica em que os presentes ficavam frente à frente.  “Na nossa educação o professor é colocado de forma superior ao aluno, mas quando a olhamos no mesmo plano (nos olhos), nos reconhecemos como seres humanos, e conseguimos enxergar que somos iguais. Quero mostrar que hoje estou como facilitador da oficina, mas tem várias pessoas aqui que também têm muito a contribuir”, disse Júlio Maestri, mostrando como os conhecimentos da cultura popular também são válidos e que a oficina é uma troca de experiências entre o facilitador e os presentes, mais do que uma transmissão de informações.

Evaldo Espezim Secretário Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Agrícola e da Pesca de Imbituba – SC.

Muitas dúvidas foram levantadas, entre elas a do Secretário Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Agrícola e da Pesca de Imbituba (SC), Evaldo Espezimsobre a possibilidade de fazer compostagem com as vísceras de peixe. “Os pescadores em Imbituba descartam 30 toneladas de vísceras de peixe ao mês. Eles vendem a uma fábrica de ração em Laguna, e isso pesa no bolso deles, que arcam com transporte dos resíduos, e nem todos conseguem ir até o local de venda. A lei exige transporte específico para esse material. Por isso me interessei em conhecer a compostagem, e saber da viabilidade dela para transformar as vísceras de peixe em composto. Estamos pensando em implementar na cidade e tentar garantir um projeto contínuo, e que seja algo permanente”, disse Evaldo Espezim.

Lidiane Camargo

Além do Secretário de Imbituba, estava presente Lidiane Camargo, extensionista da Epagri em Criciúma.  “Agricultura urbana é algo novo para gente, por isso me inscrevi na oficina, para saber mais sobre gestão de resíduos urbanos”, disse a agrônoma.

Os desafios da Agroecologia na pauta do evento

Professor Ernesto Mendez – Universidade Vermont (EUA)

No primeiro dia do Seminário, durante a palestra “Os desafios da Agroecologia”, o professor Costarriquenho Ernesto Mendez (foto), pesquisador da Universidade de Vermont (EUA), faz três perguntas ao público: “Quem aqui pesquisa e estuda a Agroecologia? Levante a mão, por favor.” Ele mesmo levanta sua mão esquerda, e a direita segura o microfone. “Agora quem aqui é agricultor?”, e a cena se repete, desta vez com grande parte do público com as mãos levantadas. “Uma última pergunta, quem aqui pratica à agroecologia como movimento social?” Ele novamente levanta a mão esquerda, mas apenas um terço dos presentes se manifestam. Diante dessa resposta, ele afirma: “é necessário que todos nós participemos de forma integral do movimento, plantando, reivindicando, pesquisando e protestando”. De acordo com Mendez, o movimento agroecológico, além dos problemas de investimentos e reconhecimento dos órgãos que atuam na esfera da produção de alimentos, perde ainda mais força quando os seus principais agentes, os produtores e consumidores, não estão inseridos de forma ativa nos princípios da agroecologia e relaxam na militância. “É necessário um trabalho participativo de todos para uma transformação social, é isso que a agroecologia precisa agora”, disse Ernesto.

O Seminário Catarinense de Agroecologia é um marco, pois ao atingir sua maioridade – 18 anos desde o primeiro evento, em 1999, em Rio do Sul – foi publicado o Manifesto Agroecológico de Santa Rosa de Lima, que afirma: “em tempos de crise humanitária”, repudia os cortes em políticas públicas para o campo instaurada pelo atual governo e a criminalização dos movimentos sociais. Era a esses posicionamentos firmes, ativos e coletivos que o professor Ernesto se referia. Talvez, a elaboração do Manifesto foi o maior acerto da organização, que realizou um evento impecável quanto à logística

Contrapontos

Todas as palestras do evento foram proferidas por homens. Onde estavam as mulheres? Segundo o documento do Manifesto, As belezas naturais das Encostas da Serra Geral têm oportunizado a vivência familiar, garantindo a permanência de jovens e a autonomia de mulheres, pela geração de trabalho e renda com a atividade do agroturismo”. Se o ponto de partida é realmente a valorização da autonomia das mulheres, por que então não ouvi-las, e oportunizar que contem suas experiências na agroecologia?

Outro ponto que contrapõe ao Manifesto que afirma “Requeremos a criação imediata de bancos de sementes crioulas, destinados à Agroecologia, visando à preservação do patrimônio genético; e a promoção de feiras e de sistemas de trocas de sementes crioulas”. Entretanto, foi  pouca ou quase nenhuma participação na feira de sementes por parte dos agricultores. Onde estavam os guardiões e as Guardiãs das sementes? Perto da feira havia apenas um senhor alto e olhos puxados, e seu filho, expondo sua criação de abelhas sem ferrão e nativas do continente americano.

O caso do apicultor e a falta de assistência e financiamento

Guido Defrein, apicultor em Santa Rosa de Lima

 O apicultor Guido Defrein apresentou durante o Seminário algumas das 26 espécies de abelhas nativas sem ferrão, que ele cria na sua propriedade ali em Santa Rosa de Lima. Guido tem uma estrutura interessante voltada à produção e venda de enxames, mas sua produção não é orgânica. Para que isso fosse possível, suas abelhas teriam que alimentar-se com néctar natural, não poderiam ser tratadas com açúcar, como ele faz. Mesmo  sem a possibilidade de ter a certificação orgânica de sua produção, Guido Defrein gostaria de alimentar suas abelhinhas com açúcar orgânico. “O açúcar comum tem muita soda e cal” diz o apicultor, que não consegue fontes de financiamento comprar açúcar orgânico, mais caro e mais difícil de encontrar no mercado.

A dificuldade desse senhor ultrapassa o financiamento, fica nítido quando olha para a nossa câmera e vem lágrimas aos olhos:
–       O senhor se emociona quando fala das abelhas, por quê? Tem muito amor nelas, né?”, pergunto a Guido, no fundo intrigado com as lágrimas.
–       “Claro né moço minha vida toda trabalho com isso”, responde o apicultor.
–       “É que meu pai perdeu cerca de 15.000 abelhas porque foi enganado por um camarada que vendeu açúcar envenenado pra ele” disse Hyuri Defrein, filho do apicultor.

O apicultor gostaria de tratar as abelhas da forma mais saudável possível, com certeza pelo amor que tem pelos insetos e pela dedicação naquilo que faz. Demandas como a de Guido estão expressas no Manifesto Agroecológico de Santa Rosa de Lima: “Cobramos investimentos nas redes de economia solidária que incluem o apoio técnico ao processo de produção e comercialização, criando a cultura da solidariedade”. As discussões do evento, o Manifesto e o depoimento do apicultor  refletem os desafios enfrentados por quem quer trabalhar e viver  Agroecologia, principalmente em termos de assistência técnica, financiamento e a comercialização dos produtos dos agricultores familiares de base agroecológica.