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Cepagro promove mutirão e revitaliza o horto da Pastoral da Saúde, em Capoeiras

Na tarde da última terça-feira, 16 de outubro, o horto de plantas medicinais da Pastoral da Saúde de Capoeiras ganhou cara nova. O Cepagro, junto com a Pastoral da Saúde, promoveu um mutirão para a revitalização dos canteiros. O espaço já vinha sendo utilizado pela instituição para o cultivo orgânico de plantas medicinais, que são utilizadas para a produção de compostos fitoterápicos, cremes, xaropes e cosméticos para diversas finalidades. Produtos que são comercializados para toda a comunidade a preços sociais.

A atividade, que teve como objetivo fortalecer o trabalho realizado na Pastoral e mobilizar a comunidade, foi mais uma das ações que o Cepagro, através do Projeto Misereor em Rede, vem desenvolvendo em Capoeiras. A primeira delas foi a implementação de um canteiro em espiral com ervas medicinais no Centro de Referência em Assistência Social do bairro. As ações concretizadas até agora já renderam frutos.

Alvira Bossy, psicóloga do CRAS Capoeiras, que também participou do mutirão no horto, elogia a metodologia de trabalhar com as hortas. Para ela, ao redor de um canteiro é possível trabalhar temas como cidadania, convivência comunitária e participação social, que são pilares do trabalho de assistência social. Além disso é um espaço onde se consegue reunir muitos saberes: “em um canteiro de ervas, por exemplo, a gente consegue agregar os saberes dos profissionais que trabalham saúde, que é um saber mais técnico. A gente consegue envolver a Pastoral da Saúde, que tem todo um conhecimento técnico mas também popular. Consegue incluir uma benzedeira para trabalhar a questão das crenças, que aqui na ilha é bastante forte”, conta Alvira.

A aproximação entre o CRAS e a Pastoral da Saúde traz a possibilidade de uso do espaço para atividades de convívio social e sensibilização ambiental. Durante o mutirão, técnicos, assistentes sociais e comunidade debatem a questão dos produtos agroecológicos, compartilham as dúvidas e trocam conhecimentos. O objetivo do Projeto Misereor em Rede é justamente de trabalhar com os consumidores. Erika Sagae, vice-presidenta do Cepagro, conta que a partir desse caminho, atuando nos espaços de produção do alimento, é possível formar e conscientizar os consumidores. E as ações realizadas até agora já mostraram resultado.

A partir de uma demanda da comunidade local, em breve, o CRAS Capoeiras será uma célula de consumo, em conjunto com o Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF), onde produtores agroecológicos da Rede Ecovida vão estar entregando produtos para uma célula de consumidores. Erika reforça que as atividades resultam de um trabalho integrado: a horta, a revitalização no horto da pastoral e a construção de consumidores conscientes.

A atividade no horto contou com o apoio do Hotel SESC Cacupé, na doação do composto orgânico.

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Rede Semear fortalece articulação da Agricultura Urbana em Florianópolis

Seguindo a proposta que surgiu ao longo deste ano, a Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana realizou mais uma reunião itinerante junto a um coletivo de agricultura urbana de Florianópolis. Na última quinta-feira, 27 de setembro, a reunião aconteceu na Comcap de Canasvieiras, onde há três meses o grupo Quinta das Plantas se reúne semanalmente “para trocar saberes sobre qualidade de vida”, nas palavras de Edna Antunes, coordenadora do grupo.

Edna conta que o Quinta das Plantas já existe há sete anos e nasceu como um grupo de estudos sobre plantas medicinais. “Com o passar do tempo a gente foi percebendo que não é possível tratar de plantas medicinais sem tratar de alimento puro, alimento bom, que por sua vez nos leva a agroecologia e nos joga na agricultura urbana. Esse link que uma coisa vai trazendo para outra já deu ao Quinta das Plantas uma característica de um grupo de estudos de qualidade de vida”, explica.

Conforme as agricultoras urbanas chegavam, o centro da roda ia ficando mais colorido. Como de costume, as integrantes do Quinta das Planta são convidadas a trazer mudas, sementes ou colheitas para trocar informações, dúvidas e descobertas.

Após apresentar a Rede Semear para o coletivo, Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro, falou sobre o Encontro da Rede que acontecerá em novembro, e convidou o grupo para participar da programação, que ainda está sendo construída, com uma oficina e participação em uma das mesas de debate. Sem hesitar, o grupo aceitou a proposta com unanimidade e se propôs a preparar uma oficina sobre produção de mudas de plantas medicinais.

Edna Antunes se mostra contente com essa relação que se cria nos espaços de agricultura urbana  “não é simplesmente pegar um terreno baldio e plantar, mas é o quê, porquê, como e com quem vamos plantar. É um despertar de autonomia e um exercício de cidadania”.

Depois de se reunir na Horta Orgânica do CCA (HOCCA) e na Horta Comunitária do PACUCA, no Campeche, Erika conta que a proposta da Rede com as reuniões itinerantes é justamente a de promover cidadania: “a ideia é que as pessoas possam entender a importância de estar presente na Rede Semear e de participar das reuniões para que a gente possa estar identificando quais são as demandas dos grupos e ir pautando a política pública, fazendo esse papel que é o da sociedade civil e do cidadão, que é também um agricultor urbano, de exigir aquilo que é demanda. É nesses espaços de construção coletiva que a gente consegue também juntos buscar soluções”, conta.

Laços foram criados e o encontro seguiu como de costume, trocando informações sobre plantas e alimentos. No centro da roda apareceu uma batata diferente que algumas viam pela primeira vez. No fim, quem não sabia sequer que alimento era aquele, saiu conhecendo o cará aéreo e sabendo até mesmo qual a melhor forma de plantar, preparar e quais suas propriedades nutricionais. Para Edna Antunes, “a agricultura urbana é um movimento muito interessante para resgatar esses alimentos não convencionais, para que a gente comece a reaprender a se alimentar, reaprender a plantar a ter uma relação de independência, exercitar a liberdade de escolha. Esse exercício de liberdade eu acho que é a alma da agricultura urbana”.

Depois da conversa, o grupo seguiu para a horta para preparar novas mudas, regar os canteiros e cuidar da produção que cresce firme, forte, diversificada e livre de agrotóxicos. Giselene Bornhause, moradora do Rio Vermelho, apesar do pouco espaço, tem sua horta em casa. Foi no Quinta das Plantas que ela conheceu a ideia de horta agroecológica “são várias mudas e plantas diferentes e elas vão se ajudando, acho muito legal isso, essa ideia de plantar várias coisas juntas”. A tarde terminou com um café coletivo com receitas e alguns alimentos cultivados ali mesmo.

Ao final, todos foram convidados a participar do curso de Introdução à Agrofloresta e Oficina de Implantação de Canteiros Agroflorestais, que acontecerá na próxima quinta-feira, 4 de outubro, das 8h às 17h na Comcap de Canasvieiras. O curso será dividido entre teoria e prática e tem o custo de inscrição no valor de R$50,00. Também existe a opção de inscrição social por R$30,00, e quem não tiver condições pode conversar com a organização, a ideia é que todos possam participar. Os interessados podem entrar em contato com Philipe pelo número  (47) 9 9609-5818. O almoço não está incluso, fica por responsabilidade de cada um e ao final haverá um café coletivo onde cada participante é convidado a trazer um alimento para compartilhar.

Cepagro participa de evento internacional de Agricultura Urbana

A equipe técnica do Cepagro participa nesta semana da 3ª Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma sociedade urbanizada, realizada de 17 a 21 de setembro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS). O tema central da Conferência será “Alimentos saudáveis, sociobiodiversidade e sistemas agroalimentares sustentáveis: inovações do consumo a produção”. Após duas edições europeia, esta é a primeira realizada num país do sul global.

De acordo com os organizadores, a Conferência “representa o esforço de uma comunidade internacional de pesquisadores acadêmicos, organizações da sociedade civil e formuladores de políticas que estão convencidos da necessidade de se colocar os alimentos e a questão alimentar no cerne das problemáticas centrais que desafiam a humanidade no século XXI, que são as mudanças climáticas e suas repercussões sobre a água e a biodiversidade, a busca por fontes alternativas de energia e as transformações demográficas. Neste sentido, a AgUrb busca reunir múltiplos atores envolvidos com a temática agroalimentar para refletir e debater sobre novas estratégias de produção, distribuição e consumo de alimentos para o século XXI em sociedades cada vez mais urbanizadas.”

Erika Sagae, Aline Assis, Juliana Luiz e Manuela Braganholo, da nossa equipe técnica, apresentam trabalhos;  enquanto Charles Lamb participa de Seminários Temáticos. Erika Sagae aborda o artigo Urban Agrarianism in Florianópolis: An Ethnographic Film – Innovative initiatives for sustainable cities (Agrarismo Urbano em Florianópolis: um filme etnográfico – iniciativas inovadoras para cidades sustentáveis), escrito em conjunto com o doutorando Evan Bowness e a professora Hanna Witmann, ambos da Universidade de British Columbia (Canadá).

No Grupo de Trabalho 9, As (re)configurações rurais e urbanas na alimentação e a perspectiva territorial, Manuela Braganholo discute o trabalho Engenhos de Farinha: construindo resistências em rede, sobre as relações sociais, tradições e práticas vividas nos engenhos de farinha catarinenses e articuladas entre diversos atores na Rede Catarinense de Engenhos de Farinha, ensejando seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil. Já Juliana Luiz  participa no GT8: Conexões entre Agricultura Urbana, Agroecologia, Direito à Alimentação e Direito à Cidade, com o artigo Agriculturas Urbanas cultivadas por populações caboverdianas na Grande Lisboa; direito a cidade e cidadania insurgente.

 

 

Turma do NEI Armação conhece a Horta Comunitária do Pacuca

Na tarde da última terça, 28 de agosto, os alunos do Núcleo de Ensino Infantil Armação conheceram a Horta Comunitária do Pacuca, Parque Cultural de Campeche. As crianças se divertiram ao ver numa escala maior o que já estão praticando na escola, como a compostagem e o plantio de hortaliças. 

Quem recepcionou a turma foi Ataíde Silva, um dos articuladores do Pacuca, que começou apresentando as composteiras em diferentes etapas do processo de reciclagem de resíduos orgânicos. Karina Smania De Lorenzi, engenheira agrônoma do Cepagro responsável pelas atividades na Horta Pedagógica do NEI Armação, acompanhou a visita e contou: “Eles ficaram muito felizes porque já conheciam e explicaram também que já fazem compostagem na escola”.

Ataíde contou um pouco sobre a história do Parque, onde antes se localizava o Campo de Aviação do Campeche, sobre o piloto e escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, e convidou as crianças para conhecer a Geladoteca, uma geladeira repleta de livros que elas puderam levar para casa.

Em seguida, elas deram um pulo na horta e reconheceram lá algumas plantas que estão cultivando na escola, como repolho, rúcula, manjericão e brócolis. Conheceram também a roça de aipim e as técnicas de colher esse alimento tão rico, que ao final do dia foi levado para as cozinheiras do NEI.

Por fim, a turminha aproveitou o dia ensolarado para fazer um piquenique onde elas saborearam morangos e cenouras colhidos no dia.

Cepagro alimenta o debate sobre Agricultura Urbana em Florianópolis

Com 125 estabelecimentos rurais cadastrados no Censo Agropecuário do IBGE, Florianópolis vem se tornando referência em Agricultura Urbana e Compostagem há alguns anos. Com a instituição em junho do ano passado do Programa Municipal de Agricultura Urbana e a aprovação em abril deste ano do projeto de lei da Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica (PMAPO, Lei 10.392/2018), a temática da Agricultura Urbana ganha espaço nas políticas públicas municipais. Na manhã desta sexta (10 de agosto), as Políticas Públicas e Perspectivas da Agricultura em Florianópolis foram tema de um debate promovido pelo mandato do vereador Marquito (PSOL), autor do texto da PMAPO, no auditório do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. Representantes da COMCAP, COMSEAS, Rede Semear de Agricultura Urbana e Superintendência Municipal de Pesca, Maricultura e Agricultura compuseram a mesa de debate junto com Marquito, sendo que o Cepagro participou na discussão e trouxe sugestões.

“Uma Política construída a muitas mãos”. Foi assim que Marquito definiu a  PMAPO, que tem o objetivo de “integrar, articular e adequar políticas públicas, programas e ações indutoras da transição agroecológica e da produção orgânica e de base agroecológica, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população, por meio do uso sustentável dos recursos ambientais e da oferta e do consumo de alimentos saudáveis, de origem animal e vegetal”. De acordo com Marquito, a PMAPO em Florianópolis tem tudo a ver com Agricultura Urbana: para mais além do fato de ser uma política para uma cidade, a vinculação dá-se pelo “tecido social” que vem dando suporte ao movimento da Agricultura Urbana em Florianópolis, como a Rede Semear.

Um dos eixos centrais da PMAPO é a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Marquito afirma que estruturas de  SAN já instituídas em Florianópolis, como a Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CAISAN) e o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (COMSEAS), são fundamentais para implementar a PMAPO com ações práticas e controle social. A representante do COMSEAS no debate, Milena Corrêa Martins, também lembrou que há indicativos que o Brasil está voltando ao mapa da fome, portanto políticas públicas – como a PMAPO – devem estar atentas a isso.

A Promoção da Saúde também vem caminhando junto com a Agricultura Urbana. Para Maria Francisca Daussy, da Secretaria Municipal de Saúde, as hortas podem e devem ser usadas como espaços terapêuticos. Além disso, “seria importante que os estágios de estudantes de Agronomia acontecessem também em Unidades de Saúde”. Atualmente, calcula-se que 60% dos Centros de Saúde de Florianópolis tenham hortas, como o do Ribeirão da Ilha, onde o Cepagro participou ativamente na implementação.

Seja semeando hortas em Centros de Saúde, Centros de Referência em Assistência Social ou em escolas, além das ações em incidência política e a participação na Rede Semear Floripa, o Cepagro é um parceiro importante no cultivo da Agricultura Urbana em Florianópolis. Para que estas ações continuem, é fundamental que o Programa Municipal de Agricultura Urbana (PMAU) ganhe fôlego com apoio do Poder Público, o que daria um pouco mais de suporte às atividades além dos recursos que as organizações conseguem mobilizar, como afirmou Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro, durante o debate. Ela também apontou os benefícios da realização de reuniões da Rede Semear Floripa em bairros diversos. “Percebemos como é importante que as atividades circulem na Ilha pois gostaríamos que os/as agricultores/as urbanos/as participassem cada vez mais”. Além disso, Rafael Beghini, também da equipe Cepagro, propôs no debate que a sociedade civil passe a compor o Grupo Gestor do Programa Municipal de Agricultura Urbana – atualmente formado por Floram, COMCAP, Secretaria de Saúde e e Superintendência de Pesca, Maricultura e Agricultura – trazendo a implementação da política para mais próximo da população. Neste sentido, processos de formação para que a sociedade civil se aproprie dos processos e ferramentas do PMAU também fazem-se necessários.

Tanto junto a órgãos públicos como agricultores presentes na atividade, como Neldo Wazlawick, a demanda por assessoria na implementação de hortas comunitárias é grande, o que reforça a necessidade de sua profissionalização e apoio. “A Agricultura Urbana vem sendo praticada em Florianópolis há muito tempo e a Rede Semear é muito importante para articular essas iniciativas. Sempre me perguntam se eu posso colaborar numa horta. Quando posso, eu vou. Mas só no trabalho voluntário não dá”, avalia Neldo. O estudante de Agronomia Jefferson Mota concorda: “Existe um grande potencial de mão de obra com os estudantes. Mas não podemos ficar só no trabalho voluntário”, afirma Jefferson, integrante do grupo Horta Orgânica do CCA, que ocupa espaços ociosos com cultivo de alimentos no Campus  Itacorubi da UFSC.

Com a volta às aulas, é tempo de colheita no NEI Armação

Depois de compostar os resíduos orgânicos, preparar a terra, semear as hortaliças e cuidar da horta com muito carinho, as crianças do Núcleo de Educação Infantil Municipal Armação completaram o primeiro ciclo da horta pedagógica, implantada no início do ano letivo. Com o fim das férias e o retorno às aulas, chegou a hora de fazer a primeira colheita e preparar uma receita com os alimentos cultivados.

Desde o início do ano, as turmas de 5 e 6 anos aprendem na prática três temas centrais: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. O trabalho é assessorado pela engenheira agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe técnica do Cepagro e pela nutricionista da unidade de ensino, Tamires Ávila Rech.

Na última segunda-feira, 6 de agosto, as crianças da turma de cinco anos experimentaram pela primeira vez cozinhar com os alimentos que elas mesmas cultivaram. Couve, orégano, salsinha, rúcula, alface e repolho roxo, alimentos que geralmente não atraem muito o paladar infantil, se transformaram numa deliciosa torta salgada, feita à muitas mãos.

Em suas atividades com alunos de diferentes núcleos de educação municipal, a nutricionista Tamires se depara frequentemente com crianças que acham que o leite vem da caixinha ou do supermercado. Para ela, é um benefício muito grande ter a horta no NEI Armação e as atividades relacionadas à ela. “A gente sabe da importância de as crianças saberem desde cedo de onde vem o alimento. Então trazer isso de volta, essa questão cultural da horta de as crianças cuidarem da terra, plantar, colher e então trabalhar com o alimento, é essencial”, conta.

As atividades com a horta pedagógica envolvem brincadeiras, jogos, cantos e contação de histórias, que de forma lúdica trazem a educação ambiental e alimentar pro cotidiano das crianças. “Não temos um dia específico. O trabalho que a gente faz tenta incluir o que eles podem trazer dessa questão da educação ambiental para o dia a dia das crianças”, explica Karina.

O trabalho com a horta agroecológica faz parte da Rede de Fortalecimento da Segurança Alimentar Nutricional no âmbito da alimentação escolar (ReforSAN Escolar), um projeto multidisciplinar financiado por edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e realizado em conjunto com professoras do curso de Nutrição da UFSC que abrange a pesquisa, o ensino e a extensão.

Com música e poesia, Rede Semear articula o movimento da Agricultura Urbana em Florianópolis

“Caminho e planto sementes / nos cantos, nas pedras, nas mentes / que eu nunca perda o passo / que eu plante por todos os espaços”. Os versos cantados pela comunicadora Adriana Ribeiro, de Penha (SC), traduzem poeticamente a última reunião da Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana, realizada no sábado (04 de agosto) no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a convite do grupo Horta Orgânica do CCA (HOCCA). Com a participação de agricultores e agricultoras urbanxs (inclusive de outras cidades, como Adriana), representantes da Sociedade civil, Poder Público e Universidade, a Rede segue crescendo pautada pela diversidade e pela aproximação com grupos de base que promovem a ocupação de espaços urbanos com hortas, como a HOCCA.

Surgido a partir da iniciativa de estudantes do CCA que passaram a implantar hortas em espaços ociosos do Câmpus Itacorubi da UFSC, a HOCCA hoje fornece alimentos para o Restaurante Universitário, promove oficinas temáticas e é um espaço de aprendizado para graduandxs e também para a comunidade. Estas e outras informações foram compartilhadas durante a visita pelas hortas do campus guiada pelo grupo, que também falou sobre sua luta para seguir cultivando espaços e mentes na Universidade.

Mas a pauta principal da reunião foi a organização do IV Encontro Municipal da Agricultura Urbana (com data a ser definida), um dos principais momentos de integração e articulação do movimento em Florianópolis. “Podemos falar em movimento da Agricultura Urbana, pois reúne sociedade civil, poder público, agricultores urbanos, universidade, todos engajados em tema comum: Agricultura Urbana, produção alimentos na cidade, gestão comunitária de resíduos orgânicos e cuidado com a saúde”, explica Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro.

Além disso, também foi discutido contexto do Programa Municipal de Agricultura Urbana, instituído em junho do ano passado. Francisca Daussy, da Secretaria Municipal de Saúde, facilitou o debate sobre o Programa. Quem quiser conhecer mais sobre a proposta da PMAU, nesta sexta, 10 de agosto, das 9h às 11h, haverá um debate no Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Na busca por atender a diversas regiões da cidade e aproximar-se dos grupos de base, a próxima reunião da Rede Semear será provavelmente no Rio Vermelho, em data e local a serem confirmados.