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Cepagro alimenta o debate sobre Agricultura Urbana em Florianópolis

Com 125 estabelecimentos rurais cadastrados no Censo Agropecuário do IBGE, Florianópolis vem se tornando referência em Agricultura Urbana e Compostagem há alguns anos. Com a instituição em junho do ano passado do Programa Municipal de Agricultura Urbana e a aprovação em abril deste ano do projeto de lei da Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica (PMAPO, Lei 10.392/2018), a temática da Agricultura Urbana ganha espaço nas políticas públicas municipais. Na manhã desta sexta (10 de agosto), as Políticas Públicas e Perspectivas da Agricultura em Florianópolis foram tema de um debate promovido pelo mandato do vereador Marquito (PSOL), autor do texto da PMAPO, no auditório do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. Representantes da COMCAP, COMSEAS, Rede Semear de Agricultura Urbana e Superintendência Municipal de Pesca, Maricultura e Agricultura compuseram a mesa de debate junto com Marquito, sendo que o Cepagro participou na discussão e trouxe sugestões.

“Uma Política construída a muitas mãos”. Foi assim que Marquito definiu a  PMAPO, que tem o objetivo de “integrar, articular e adequar políticas públicas, programas e ações indutoras da transição agroecológica e da produção orgânica e de base agroecológica, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população, por meio do uso sustentável dos recursos ambientais e da oferta e do consumo de alimentos saudáveis, de origem animal e vegetal”. De acordo com Marquito, a PMAPO em Florianópolis tem tudo a ver com Agricultura Urbana: para mais além do fato de ser uma política para uma cidade, a vinculação dá-se pelo “tecido social” que vem dando suporte ao movimento da Agricultura Urbana em Florianópolis, como a Rede Semear.

Um dos eixos centrais da PMAPO é a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Marquito afirma que estruturas de  SAN já instituídas em Florianópolis, como a Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CAISAN) e o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (COMSEAS), são fundamentais para implementar a PMAPO com ações práticas e controle social. A representante do COMSEAS no debate, Milena Corrêa Martins, também lembrou que há indicativos que o Brasil está voltando ao mapa da fome, portanto políticas públicas – como a PMAPO – devem estar atentas a isso.

A Promoção da Saúde também vem caminhando junto com a Agricultura Urbana. Para Maria Francisca Daussy, da Secretaria Municipal de Saúde, as hortas podem e devem ser usadas como espaços terapêuticos. Além disso, “seria importante que os estágios de estudantes de Agronomia acontecessem também em Unidades de Saúde”. Atualmente, calcula-se que 60% dos Centros de Saúde de Florianópolis tenham hortas, como o do Ribeirão da Ilha, onde o Cepagro participou ativamente na implementação.

Seja semeando hortas em Centros de Saúde, Centros de Referência em Assistência Social ou em escolas, além das ações em incidência política e a participação na Rede Semear Floripa, o Cepagro é um parceiro importante no cultivo da Agricultura Urbana em Florianópolis. Para que estas ações continuem, é fundamental que o Programa Municipal de Agricultura Urbana (PMAU) ganhe fôlego com apoio do Poder Público, o que daria um pouco mais de suporte às atividades além dos recursos que as organizações conseguem mobilizar, como afirmou Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro, durante o debate. Ela também apontou os benefícios da realização de reuniões da Rede Semear Floripa em bairros diversos. “Percebemos como é importante que as atividades circulem na Ilha pois gostaríamos que os/as agricultores/as urbanos/as participassem cada vez mais”. Além disso, Rafael Beghini, também da equipe Cepagro, propôs no debate que a sociedade civil passe a compor o Grupo Gestor do Programa Municipal de Agricultura Urbana – atualmente formado por Floram, COMCAP, Secretaria de Saúde e e Superintendência de Pesca, Maricultura e Agricultura – trazendo a implementação da política para mais próximo da população. Neste sentido, processos de formação para que a sociedade civil se aproprie dos processos e ferramentas do PMAU também fazem-se necessários.

Tanto junto a órgãos públicos como agricultores presentes na atividade, como Neldo Wazlawick, a demanda por assessoria na implementação de hortas comunitárias é grande, o que reforça a necessidade de sua profissionalização e apoio. “A Agricultura Urbana vem sendo praticada em Florianópolis há muito tempo e a Rede Semear é muito importante para articular essas iniciativas. Sempre me perguntam se eu posso colaborar numa horta. Quando posso, eu vou. Mas só no trabalho voluntário não dá”, avalia Neldo. O estudante de Agronomia Jefferson Mota concorda: “Existe um grande potencial de mão de obra com os estudantes. Mas não podemos ficar só no trabalho voluntário”, afirma Jefferson, integrante do grupo Horta Orgânica do CCA, que ocupa espaços ociosos com cultivo de alimentos no Campus  Itacorubi da UFSC.

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Com a volta às aulas, é tempo de colheita no NEI Armação

Depois de compostar os resíduos orgânicos, preparar a terra, semear as hortaliças e cuidar da horta com muito carinho, as crianças do Núcleo de Educação Infantil Municipal Armação completaram o primeiro ciclo da horta pedagógica, implantada no início do ano letivo. Com o fim das férias e o retorno às aulas, chegou a hora de fazer a primeira colheita e preparar uma receita com os alimentos cultivados.

Desde o início do ano, as turmas de 5 e 6 anos aprendem na prática três temas centrais: compostagem, horta agroecológica e alimentação saudável. O trabalho é assessorado pela engenheira agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe técnica do Cepagro e pela nutricionista da unidade de ensino, Tamires Ávila Rech.

Na última segunda-feira, 6 de agosto, as crianças da turma de cinco anos experimentaram pela primeira vez cozinhar com os alimentos que elas mesmas cultivaram. Couve, orégano, salsinha, rúcula, alface e repolho roxo, alimentos que geralmente não atraem muito o paladar infantil, se transformaram numa deliciosa torta salgada, feita à muitas mãos.

Em suas atividades com alunos de diferentes núcleos de educação municipal, a nutricionista Tamires se depara frequentemente com crianças que acham que o leite vem da caixinha ou do supermercado. Para ela, é um benefício muito grande ter a horta no NEI Armação e as atividades relacionadas à ela. “A gente sabe da importância de as crianças saberem desde cedo de onde vem o alimento. Então trazer isso de volta, essa questão cultural da horta de as crianças cuidarem da terra, plantar, colher e então trabalhar com o alimento, é essencial”, conta.

As atividades com a horta pedagógica envolvem brincadeiras, jogos, cantos e contação de histórias, que de forma lúdica trazem a educação ambiental e alimentar pro cotidiano das crianças. “Não temos um dia específico. O trabalho que a gente faz tenta incluir o que eles podem trazer dessa questão da educação ambiental para o dia a dia das crianças”, explica Karina.

O trabalho com a horta agroecológica faz parte da Rede de Fortalecimento da Segurança Alimentar Nutricional no âmbito da alimentação escolar (ReforSAN Escolar), um projeto multidisciplinar financiado por edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e realizado em conjunto com professoras do curso de Nutrição da UFSC que abrange a pesquisa, o ensino e a extensão.

Com música e poesia, Rede Semear articula o movimento da Agricultura Urbana em Florianópolis

“Caminho e planto sementes / nos cantos, nas pedras, nas mentes / que eu nunca perda o passo / que eu plante por todos os espaços”. Os versos cantados pela comunicadora Adriana Ribeiro, de Penha (SC), traduzem poeticamente a última reunião da Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana, realizada no sábado (04 de agosto) no Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a convite do grupo Horta Orgânica do CCA (HOCCA). Com a participação de agricultores e agricultoras urbanxs (inclusive de outras cidades, como Adriana), representantes da Sociedade civil, Poder Público e Universidade, a Rede segue crescendo pautada pela diversidade e pela aproximação com grupos de base que promovem a ocupação de espaços urbanos com hortas, como a HOCCA.

Surgido a partir da iniciativa de estudantes do CCA que passaram a implantar hortas em espaços ociosos do Câmpus Itacorubi da UFSC, a HOCCA hoje fornece alimentos para o Restaurante Universitário, promove oficinas temáticas e é um espaço de aprendizado para graduandxs e também para a comunidade. Estas e outras informações foram compartilhadas durante a visita pelas hortas do campus guiada pelo grupo, que também falou sobre sua luta para seguir cultivando espaços e mentes na Universidade.

Mas a pauta principal da reunião foi a organização do IV Encontro Municipal da Agricultura Urbana (com data a ser definida), um dos principais momentos de integração e articulação do movimento em Florianópolis. “Podemos falar em movimento da Agricultura Urbana, pois reúne sociedade civil, poder público, agricultores urbanos, universidade, todos engajados em tema comum: Agricultura Urbana, produção alimentos na cidade, gestão comunitária de resíduos orgânicos e cuidado com a saúde”, explica Erika Sagae, da equipe técnica do Cepagro.

Além disso, também foi discutido contexto do Programa Municipal de Agricultura Urbana, instituído em junho do ano passado. Francisca Daussy, da Secretaria Municipal de Saúde, facilitou o debate sobre o Programa. Quem quiser conhecer mais sobre a proposta da PMAU, nesta sexta, 10 de agosto, das 9h às 11h, haverá um debate no Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Na busca por atender a diversas regiões da cidade e aproximar-se dos grupos de base, a próxima reunião da Rede Semear será provavelmente no Rio Vermelho, em data e local a serem confirmados.

Cepagro renova parceria na compostagem em São Paulo

Durante os dias 25 e 26 de julho, o agrônomo Júlio Maestri, da equipe do Cepagro, esteve em São Paulo para a renovação por mais 2 meses na assessoria ao Pátio de Compostagem da LAPA, administrado pela empresa INOVA, contratada pela AMLURB (por extenso). O Pátio recebe diariamente entre 3 a 4 toneladas de resíduos orgânicos de frutas, legumes e verduras de 26 feiras livres situadas na Prefeitura Regional da Lapa, mas tem potencial de receber até 10 toneladas. Nesta sequência, o Cepagro continuará no monitoramento ambiental do Pátio, verificando se o processo de compostagem ocorre de maneira adequada e prestando esclarecimentos.

O Pátio da Lapa integra o programa Feiras e Jardins Sustentáveis, que promove a separação e coleta dos resíduos de frutas, legumes e verduras de feiras livres para destiná-los à compostagem. “A ideia agora é fazer um trabalho mais específico nas feiras para qualificar a segregação”, explica Julio Maestri. Ao longo de 3 de funcionamento do Pátio, foram compostadas cerca de 2.700 toneladas de resíduos, que, ao invés de serem enviadas para o aterro sanitário, foram transformadas em 500 toneladas de composto, que é doado para escolas, postos de saúde e experiências de agricultura urbana. “As pessoas vão até o pátio, preenchem uma planilha e levam o composto, bem simples”, afirma o agrônomo. O Pátio também mantém um viveiro de mudas.

Além do aproveitamento de resíduos que seriam enviados para aterros e o estímulo à Agricultura Urbana, a experiência do Pátio da Lapa tem outro impacto importante. “O projeto da Lapa balizou um Termo de Referência da Prefeitura onde na próxima licitação todas empresas terão que fazer compostagem do resíduo das feiras”, explica Júlio Maestri. O Programa está para ser expandido para outras regiões da cidade, aguardando somente o licenciamento ambiental para implantação dos pátios.

 

Gerações diversas fazem horta do CRAS Capoeiras crescer

A primeira oficina de horta agroecológica no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) do bairro Capoeiras, que aconteceu há pouco mais de um mês, já rendeu frutos. Nesta quinta-feira, 19 de julho, os agrônomos Karina Smania de Lorenzi e Ícaro Pereira, da equipe de Agricultura Urbana do Cepagro, voltaram ao CRAS para montar outro canteiro no espaço, que antes, era ocioso e acumulava entulhos. Dessa vez, a atividade contou com a participação das crianças do Centro Educacional Dom Orione, moradores dos bairros Capoeiras e Coqueiros, além do público da terceira idade que frequenta o CRAS.

Foi uma atividade intergeracional de trocas de saberes e experiências. A psicóloga do Centro de Referência, Alvira Bossy, conta que não é fácil integrar as gerações dessa maneira: “Às vezes a gente fica quebrando a cabeça pra tentar integrar esses públicos e a horta propicia isso. A gente vê que a criança se diverte pegando uma plantinha e colocando na terra e ao mesmo tempo um idoso consegue ajudar fazendo algo mais pesado. Um ensina sobre as plantas para o outro e essa troca de saberes acontece de uma maneira muito natural na horta”.

A presença da horta em espaços públicos como esse não integra somente gerações, mas diferentes políticas públicas. Alvira lembrou que desde a construção do canteiro de plantas medicinais, também facilitada pelo Cepagro, as pessoas que passam por ali notaram a diferença no ambiente, que antes acumulava lixo. A curiosidade sobre a horta foi uma oportunidade de chamar os moradores para outras atividades que acontecem no centro. “A ideia está sendo aos poucos uma forma de integrar as políticas públicas que unam a assistências social, a saúde, a educação. Enquanto a gente traz um grupo de crianças aqui para fazer uma atividade voltada para o cultivo de plantas, a gente também fala da questão de cidadania e dos direitos. Ao mesmo tempo que a gente faz um canteiro com plantas medicinais aqui, as pessoas que trabalham com saúde podem vir e aproveitar esse espaço”, conta a psicóloga.

A professora do Centro Educacional Dom Orione, Candida Eugenia da Silva, contou que a atividade foi uma oportunidade de trabalhar com as crianças a questão do contato com a terra, a sustentabilidade e principalmente a educação alimentar: “Geralmente elas têm uma alimentação bastante industrializada e assim elas conseguem observar de onde vêm as hortaliças e como elas são feitas. Conseguem, de repente, ter mais gosto por esses alimentos não industrializadas, passar a experimentar”.

O grupo de cerca de 15 pessoas participou de todas as etapas da construção da horta: desde o reconhecimento do terreno e observação da posição do sol, passando pela preparação do solo e dos canteiros, até a replantagem das mudas de hortaliças, ervas e flores. Para a repórter fotográfica Rosane Talayer de Lima, “a oficina é uma forma de fazer as pessoas terem um olhar mais coletivo, pensar mais no coletivo e principalmente pensar em uma alimentação mais saudável. Hoje a gente vem em uma campanha contra o agrotóxico e essa atividade proporciona com que as pessoas possam ter um olhar mais solidário”. Já Silvia Einloft Pereira, funcionária do Tribunal Regional Eleitoral, soube da atividade e veio da Palhoça para participar. Ela acredita que “a gente enquanto sociedade se afastou muito desse contato com a natureza, de viver em harmonia e interagir. É muito importante para a saúde, pras nossas relações e para várias áreas da nossa vida”.

A oficina foi uma ação do projeto Misereor em Rede, que trabalha a segurança alimentar e nutricional voltada para os consumidores. Estiveram presentes na atividade a Vice-Presidenta do Cepagro, Erika Sagae e Maria Cláudia Goulart, diretora de Proteção Social Básica, da Secretaria Municipal de Assistência Social. A partir de agora, junto com as plantinhas semeadas no CRAS Capoeiras, a importância de atividades como essa vão florescer e mostrar que saúde, educação assistência social e agroecologia podem andar de mãos dadas.

Mutirão agroecológico transforma quintal produtivo no Campeche

Na manhã desta quarta-feira, 11 de julho, um grupo de 12 consumidores de produtos orgânicos se reuniu para realizar um mutirão agroecológico num quintal produtivo no Campeche. A atividade foi uma extensão da primeira etapa do Curso de Formação Consumo Consciente e Responsável e Agroecologia, do projeto Consumidorxs e Agricultorxs em Rede, apoiado pela Misereor e composto pelo Cepagro e outras ONGs de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Eduardo Rocha e Erika Sagae, da diretoria do Cepagro e equipe técnica do projeto, participaram da atividade, que mobilizou também estudantes, produtores orgânicos, professores e outros consumidores  de Florianópolis.

A primeira atividade local foi na casa de Margareth Mcquade, analista de sistemas e consumidora da cesta de orgânicos da Comunidade que Sustenta a Agricultura. Ao longo da manhã, os consumidores colocaram a mão na terra e deram uma cara nova para o quintal de Margareth, que ganhou hortas e duas composteiras. “Eu olho para esse quintal há tanto tempo, mas nunca tenho tempo e quando faço alguma coisa é um pouquinho aqui e ali. De repente você vê em um dia esse resultado todo e todo mundo impondo a sua energia e a sua carinha na horta, é fantástico”, conta Margareth.

O coletivo já participa das formações do projeto e resolveu manter atividades locais até que a próxima etapa do curso aconteça.   Assim, eles colocam em prática o que aprenderam, trocam conhecimentos e fortalecem o vínculo entre os consumidores da comunidade.

Além do quintal transformado, o mutirão teve como fruto o compartilhamento de conhecimentos sobre o cultivo e o consumo dos alimentos, troca de mudas orgânicas e o fortalecimento do coletivo, que para Margareth é muito importante: “Isso do coletivo é uma coisa que a gente precisa aprender mais a fazer, usar mais isso, porque o coletivo agrega, deixa a gente forte.  Até mesmo entre os vizinhos, agora por causa do mutirão a gente conheceu o vizinho do lado que veio por causa do movimento na horta. Então os seus pares vão se encontrando”.

Ao final da atividade houve um almoço, também preparado a muitas mãos, onde o grupo combinou as próximas atividades que serão realizadas.

Para mais informações sobre o Projeto Misereor em Rede acesse: cepagroagroecologia.wordpress.com/projeto-misereor-em-rede

 

Cepagro e Revolução dos Baldinhos levam a Gestão de Resíduos Orgânicos para Foz do Iguaçu (PR)


E a Revolução dos Baldinhos segue inspirando práticas de Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana pelo Brasil. No último final de semana (6 a 9 de julho), foi a vez do Conjunto Habitacional Grande Lago, em Foz do Iguaçu (PR), receber a capacitação em compostagem e montar suas leiras e canteiros de horta, com a assessoria de agente comunitária Cíntia Aldaci da Cruz, da Revolução dos Baldinhos, e o agrônomo Júlio César Maestri, da equipe de Agricultura Urbana do Cepagro. A reaplicação faz parte do projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social, que conta com apoio da Fundação Banco do Brasil para disseminar Tecnologias Sociais em empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. 

Nesta etapa, “foram mobilizadas 50 famílias, que receberam baldinhos para coletar seus resíduos e participaram da dinâmica de escolher o desenho do pátio, onde ficariam as hortas e o desenho delas”, explica Júlio Maestri.  A coleta, compostagem e manutenção das leiras e hortas ficou sob responsabilidade de um grupo de 15 moradoras/es – na sua maioria, mulheres e jovens.  Assim como na Revolução dos Baldinhos, no Grande Lago a liderança também é feminina, com a presidente da Associação de Moradores, Nina Nassif, participando ativamente em todo o processo. “Achei muito interessante de ver o empoderamento feminino ali, já que a maioria do grupo é composto por mulheres. Vi muito potencial com elas, a agricultura urbana já está bem presente ali”, avalia Cíntia Cruz.

As atividades começaram na 6ª feira (6 de julho), com a escolha do modelo tradicional de leira do método UFSC para fazer a compostagem pelas famílias, que elaboraram também o seu próprio projeto de pátio, sempre com a assessoria de Cíntia e Júlio. No sábado, foi feito o mutirão para implantar a horta e o pátio, que saiu com um belo diferencial: o caminho das flores, feito de caixotes plantados com cravinhos, espécie que é ótima para controlar insetos nas hortas. No domingo, Cíntia e as lideranças comunitárias locais fizeram a rodada de sensibilização. “Fizemos a sensibilização porta a porta, conscientizamos 3 grandes geradores, fechamos com 50 famílias, que foram bem receptivas, muito carinhosas”, conta Cíntia.

Inicialmente, foram implantadas 2 leiras de compostagem para reciclar cerca de 3 toneladas de resíduos orgânicos das 50 famílias iniciais por mês. Deste volume, espera-se produzir 600 kg de composto mensalmente. “Serão 300kg pra doação entre moradoras/es e outros 300 kg pra venda, resultando em 150 pacotes de 2kg. Se considerarmos o preço de venda que a Revolução dos Baldinhos pratica (R$ 10), seria uma renda mensal de R$ 1.500 para dividir entre as 50 famílias”, explica Júlio Maestri. Além disso, a compostagem geraria cerca de 180 litros de biofertilizante líquido, sendo metade para doação e outra metade para venda, podendo chegar a um total de R$ 900 de receita. “Estima-se então uma geração de renda de R$ 2.400 para as 50 famílias”, completa. Se a Tecnologia Social fosse expandida para o total das famílias do empreendimento – 296, ou cerca de 1184 pessoas – Júlio e Cíntia calculam que resultaria numa renda de R$ 13 mil para o coletivo.

Mais além da geração de renda, Cíntia percebe que a Tecnologia Social pode elevar a autoestima da comunidade, como aconteceu na Chico Mendes: “Elas têm um potencial muito grande, mesmo considerando que elas sofrem preconceito pelo local onde se encontram, que é bem retirado. Mas a Revolução Grande Lago vai ajudar nesse processo”, avalia a agente comunitária.

Para que a iniciativa tenha sucesso, as parcerias  são fundamentais. Por isso, na 2ª feira (9 de julho), Cíntia e Júlio, juntamente com Nina Nassif, da Associação de Moradores do Residencial, estiveram reunidos com representantes da Prefeitura e da empresa local de coleta de resíduos, além da parceira local QI COMEX. “O presidente da empresa de coleta de resíduos se prontificou para disponibilizar grama cortada pra ajudar no processo”, afirma Júlio. Também participaram dessas reuniões as lideranças do conjunto habitacional, o presidente da Rede Interação, Altemir Almeida e do projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social – que articulam a reaplicação das TS em empreendimentos Minha Casa, Minha Vida. “Todos  demonstraram empenho e se colocaram para ajudar”, conta Cíntia.