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Recurso de R$ 4,5 milhões será distribuído a municípios catarinenses para compra de alimentos da Agricultura Familiar 

O recurso de R$ 4 milhões 560 mil foi repassado pelo Ministério da Cidadania à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (SDS). É destinado ao Programa Aquisição de Alimentos (PAA) na modalidade de Compra com Doação Simultânea em caráter emergencial, para enfrentamento da Insegurança Alimentar e Nutricional da população que tem aumentado devido à pandemia. O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina (Consea/SC) definiu os critérios prioritários para a distribuição do recurso e uma lista com 96 municípios aptos a acessá-lo.

O primeiro grande critério é que só podem acessar o recurso os municípios que estão no mapa de Insegurança Alimentar e Nutricional do Ministério da Cidadania. Além disso, terão prioridade os municípios que possuem famílias em condições de extrema pobreza, comunidades indígenas, quilombolas e população em situação de rua. Estabelecidos esses parâmetros, o Ministério da Cidadania enviou o recurso, que já está liberado e autorizado para uso.

Neste programa, diferentemente do PAA da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o recurso não é repassado ao governo do Estado ou municípios, mas diretamente do Ministério da Cidadania para agricultores que tiverem suas propostas aprovadas. Outra diferença é que o PAA Termo de Adesão do Ministério da Cidadania não aceita propostas de cooperativas da Agricultura Familiar. Elas até podem participar do processo, ajudando os agricultores a escrever suas propostas junto com a Epagri, que em alguns municípios tem se colocado para auxiliar nessa construção. Mas no fim, quem faz a proposta é a família agricultora. 

As representações da sociedade civil no Consea/SC não consideram essa restrição às cooperativas como a melhor opção, justamente porque pode colocar a responsabilidade de todo o processo para uma única família. “Toda a questão de planejamento de produção, prestação de contas e distribuição é a família quem faz”, explica Eduardo Rocha, Técnico do Projeto Misereor em Rede, projeto este que por meio de seus técnicos e organizações participam de diversos espaços de controle social, como o CONSEA/SC.

A avaliação das representações da sociedade civil no CONSEA/SC é de que, se ao contrário do que foi estabelecido, o recurso pudesse passar pelas cooperativas, elas seriam fortalecidas. Fortaleceria também a relação cooperativa e o associativismo e os/as agricultores/as teriam a capacidade de usar a estrutura da cooperativa como transporte e suporte administrativo para a prestação de contas. Além disso, a proposta feita por meio da cooperativa poderia garantir ainda mais diversidade às entregas.

Apesar disso, as representações do CONSEA/SC reconhecem a importância do recurso do Ministério da Cidadania nesse momento de pandemia, onde a Insegurança Alimentar e Nutricional cresce a cada dia. Para dar seguimento na adesão ao programa, tanto o Consea/SC quanto a SDS estão em conversa com os 96 municípios a fim de levar informações e orientações para que a adesão ao programa seja feita em tempo hábil. As  entidades e organizações representantes da sociedade civil no Consea/SC também estão repassando informações e orientações sobre o programa à agricultores/as, cooperativas, associações e redes da agricultura familiar. 

A orientação às famílias agricultoras é que primeiro entrem em contato com a Coordenação de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado para obter maiores informações e explicações. Outro elo importante para as famílias e cooperativas pode ser a Epagri, que sinalizou que está se colocando para auxiliar na escrita e construção de propostas em alguns municípios. Depois de aprovadas, o Ministério da Cidadania passará o recurso diretamente para as famílias agricultoras através de um cartão. 

Ao fim de todo o processo, os alimentos da agricultura familiar serão distribuídos à equipamentos públicos da rede socioassistencial, como CRAS, CREAS e Centro Pop, ou de segurança alimentar e nutricional, como restaurantes populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos. Por meio desses equipamentos o alimento deve chegar aos grupos prioritários: famílias em condição de extrema pobreza, comunidades quilombolas, indígenas e pessoas em situação de rua.

Agricultura Familiar da região sul busca alternativas para compensar queda na comercialização devido à pandemia

Foto: Comunicação Cepagro

Não é novidade que a agricultura familiar é responsável por produzir 70% dos alimentos que vão para a mesa da população brasileira. Não há pandemia que substitua a importância dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no abastecimento alimentar das cidades, muito pelo contrário, a necessidade de consumir alimentos diversos e saudáveis é ainda mais evidente agora. No entanto, o fechamento de escolas, feiras e restaurantes, combinado ao enfraquecimento das políticas públicas de Segurança Alimentar, têm afetado a comercialização desse setor e consequentemente, a garantia de renda no campo e o abastecimento das cidades.

Na região sul do Brasil, à crise da Covid-19, soma-se um período de estiagem que também tem afetado a produção da agricultura familiar. Nesse novo contexto, as famílias agricultoras buscam alternativas para dar destino à sua produção e garantir a renda no fim do mês. Uma das opções encontradas por algumas delas, foi a comercialização de cestas de alimentos diretamente para o consumidor final, em diferentes modalidades.

Foto: ASPTA Agroecologia

É o caso da Cooperativa de Famílias de Agricultores Ecológicos de São Mateus do Sul (COFAECO), no Paraná, que para comercializar os produtos que antes eram adquiridos diretamente na loja física da cooperativa, aprimorou o uso das tecnologias sociais para receber pedidos por encomenda. Houve um expressivo crescimento na demanda  nos últimos dois meses, após a chegada da pandemia no país. Em março, foram comercializadas, em média, 25 cestas por semana. Já nas duas últimas semanas de maio, mais de 60 cestas foram entregues entre produtos in natura e beneficiados.

Foto: Centro Vianei

Em Lages, na Serra Catarinense, apenas uma feira de produtores agroecológicos e da agricultura familiar está em funcionamento. Se deparando com uma queda no movimento em relação aos meses anteriores e a ausência de medidas efetivas do poder público, foi preciso buscar outros caminhos de comercialização. A alternativa de alguns/as agricultores/as foi entregar parte da produção para a Cooperativa Ecoserra, que além de fornecer para o exército através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade de Compra Institucional, também faz a distribuição de cestas agroecológicas em Lages e Florianópolis.

Essa prática de delivery de cestas agroecológicas foi adotada também por famílias do Rio Grande do Sul, onde municípios como Passo Fundo seguem com decreto de suspensão das feiras. Segundo Cíntia Gris, nutricionista do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), que atua na região,  apesar de ser uma iniciativa fundamental para o momento, é preciso aumentar a quantidade de entregas, que ainda tem um consumo inferior ao das feiras. “Estimamos que o volume comercializado atualmente significa 40% da comercialização antes exercida”, afirma Cíntia.

Gilmar Cognacco, agricultor agroecológico. Foto: Comunicação Cepagro

Já em Florianópolis, as feiras estão funcionando com restrições sanitárias, porém o movimento também caiu, segundo Gilmar Cognacco, agricultor agroecológico de Leoberto Leal, Mesorregião da Grande Florianópolis. Além de abastecer uma feira na capital catarinense, Gilmar também comercializa no município de Brusque e conta que o movimento diminuiu de 30% a 60% com relação aos meses anteriores à pandemia. 

E as feiras são apenas um dos aspectos

Outra mudança que tem afetado bastante muitas famílias da região sul foi a interrupção do abastecimento escolar através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Em alguns municípios, com a suspensão das aulas, suspendeu-se também a compra de alimentos da agricultura familiar, que no caso de Gilmar Cognacco, representava 60% da renda de sua família.

No dia 7 de abril, o Governo Federal sancionou a Lei n° 13.987, que autoriza, em caráter excepcional, a distribuição de alimentos adquiridos com recursos do PNAE aos responsáveis dos estudantes das escolas públicas de educação básica. Após essa sanção, o governo municipal de Florianópolis fez a distribuição dos alimentos que estavam estocados nas escolas, no formato de kits montados pelas diretoras e nutricionistas, à famílias de estudantes identificadas com maior insegurança alimentar. Entretanto, ao abrir um edital para a compra de novos kits, não foram incluídos os alimentos in natura, como frutas e vegetais. A Secretaria de Educação disse que pretende posteriormente incluir os gêneros alimentícios  da agricultura familiar.

Nas escolas municipais de Passo Fundo, os alimentos que estavam destinados para a alimentação dos meses de março e abril também foram distribuídos à famílias de estudantes através dos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), mas nem todos os estudantes de baixa renda foram atendidos, havendo reclamações e a necessidade de ajustes neste sentido. O município vinha realizando compras da Agricultura Familiar acima do mínimo de 30% determinado pelo PNAE, mas desde a suspensão das aulas, não foram realizadas novas compras da Agricultura Familiar.

Agricultor agroecológico de Campo Belo, Lucas Francisco Goulart e família. Foto: Centro Vianei

Na região serrana de Santa Catarina a situação foi a mesma e o agricultor Lucas Francisco Goulart, de Campo Belo, que fornecia à escolas via PNAE, deixou de entregar pelo menos cinco variedades de alimentos frescos que já estavam licitados. Assim como Neura Grando dos Santos, agricultora agroecológica do município de Lagoa Vermelha (RS), que também ficou sem fornecer via PNAE. Por outro lado, segue fazendo feira e notou um aumento na venda online dos seus produtos.

No Paraná, a nível de estado, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foi interrompido durantes quinze dias após a paralisação das aulas, sendo normalizado na sequência. É uma importante fonte de renda para muitas famílias agricultoras da região, bem como para muitos estudantes que têm a alimentação escolar como única refeição diária. As organizações da agricultura familiar realizam as entregas quinzenalmente nas escolas, onde são preparados  as cestas destes alimentos e distribuídos as famílias de estudantes em vulnerabilidades. 

Sociedade civil fora da jogada

Foto: Luiza Damigo – Comunicação ASPTA Agroecologia

Em abril, o governo do Paraná anunciou também recursos para o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), em caráter emergencial, na modalidade de compra e doação simultânea, destinando os alimentos oriundos da agricultura familiar à pessoas em risco social. No entanto, a proposta não foi debatida com a sociedade civil e organizações da agricultura familiar. “O diálogo é importante para observar as demandas, perspectivas e desafios enfrentados no campo. O aporte emergencial do estado, no valor de R$20 milhões, é insuficiente para atender as necessidades tanto de famílias agricultoras quanto das pessoas beneficiadas com os alimentos”, de acordo com Fábio Pereira, assessor técnico da AS-PTA.

A agricultora paranaense Maria Terezinha Oliveira, da Comunidade da Invernada, zona rural de Rio Azul, é uma das que fornece ao PAA. Para complementar a renda, ela também comercializa leite, ovos, panificados e a colheita de seu quintal produtivo diretamente em sua casa, que está sempre com as portas abertas – agora com algumas medidas de precaução devido a Covid-19. “Como aqui é uma região com muita plantação de fumo, as pessoas acabam não conseguindo plantar comida para o próprio sustento, às vezes até por falta de tempo. E me procuram seja para uma cuca, biscoito, verduras, sabendo que vão levar um alimento saudável. O que sinto falta é de tomar um chimarrão com minhas comadres, mas é preciso tomar cuidado”. 

Em Santa Catarina, a situação foi parecida. O governo estadual anunciou a liberação de R$ 2 milhões de reais para o PAA, na modalidade de compra institucional. Mas a proposta foi construída sem a participação do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea/SC), por meio do qual a sociedade civil apresenta suas demandas de SAN. Além do baixo valor anunciado, a proposta do governo coloca como prioritário os municípios com IDH abaixo de 0.7 para acesso ao programa, o que não revela onde estão de fato os grandes bolsões de insegurança alimentar.

Em contraste, o Consea/SC elaborou outra proposta demonstrando que o repasse precisa ser de R$ 23,2 milhões na modalidade de Compra com Doação Simultânea. O valor foi definido com base em um estudo elaborado pelo próprio conselho sobre a realidade socioeconômica de Santa Catarina.

Nesse sentido, a presença ativa das organizações da Agricultura Familiar e Agroecológica em conselhos de SAN, como os Conseas e Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), municipais e estaduais, são extremamente importantes para pautar e cobrar ações do poder público. É essa atuação que o Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), do Rio Grande do Sul, a AS-PTA – Agroecologia e Agricultura Familiar, no Paraná e as organizações catarinenses, Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro) e Centro Vianei promovem conjuntamente através do projeto Misereor em Rede, que tem como objetivo promover a soberania alimentar e a Agroecologia no sul do Brasil.

E se essas ações de incidência política são importantes, nossas escolhas de consumo também são. Devemos, enquanto consumidores e dentro da realidade e possibilidade de cada um/a, apoiar a agricultura familiar agroecológica consumindo alimentos diretamente do/a produtor/a. Se puder, compre de quem produz perto de você, afinal, comer é um ato político.

Celebrado em 25 de julho, Dia Internacional da Agricultura Familiar homenageia quem alimenta o mundo

O Dia Internacional da Agricultura Familiar foi instituído em 2014 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A data lembra da importância dos agricultores e das agricultoras para a alimentação mundial. De acordo com a FAO, entre 70 e 80% dos alimentos consumidos no mundo são produzidos por agricultores e agricultoras familiares e camponeses .

Em Santa Catarina, de acordo com a Síntese Anual da Agricultura publicada pela EPAGRI, o estado ainda caracteriza-se pelo predomínio de pequenas propriedades rurais.  Dos 183.065 estabelecimentos agropecuários do estado, 88,8% tem menos de 50 hectares, sendo que 37% destes estabelecimentos possuem menos de 10 hectares. Dentre os/as trabalhadores/as catarinenses que se identificam como agricultores/as, 84% são familiares.

Mas o que é agricultura familiar?
A categoria “agricultor/a familiar” é regulamentada pela lei 11.326, de 2006, que instituiu a Política Nacional de Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, ainda durante o governo Lula. No texto, considera-se agricultor/a familiar quem:
– tem uma área de até 4 (quatro) módulos fiscais [em Santa Catarina isso corresponde a ate´80 hectares de terra]
– utiliza predominantemente mão-de-obra da própria família;
– tem renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento;
– dirige seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.

Enquanto em cadeias produtivas agroindustriais, como frango, suínos e fumo, a agricultura familiar é responsável por grande parte da produção, no cultivo de alimentos orgânicos as famílias que trabalham no campo também têm destaque. No Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do Ministério da Agricultura – que contabiliza todas as famílias que passam por algum processo de certificação da produção – Santa Catarina tem 1.275 unidades de produção orgânica cadastradas, figurando entre os cinco maiores produtores de orgânicos do país. O documento também aponta que o número de agricultores/as catarinenses que se dedicam ao cultivo orgânico aumentou 12,9% entre 2017 e 2018, com o município de Santa Rosa de Lima, nas encostas da Serra Geral, reunindo o maior número de produtores/as.

Em 2017, Leonilda compartilhou sua experiência de vida e trabalho no Seminário “Mulheres e Agroecologia”

Uma das famílias é a da agricultora Leonilda Boeing Baumann. Antes conhecida como “a mulher do professor”, apesar de ter crescido e sempre trabalhado na roça, Leonilda Boeing Baumann agora maneja com seu filho uma propriedade com certificação agroecológica em Santa Rosa de Lima (SC), onde produzem verduras, temperos e chás, mel, geleias e mantêm também a Pousada Vitória. A partir do contato com o projeto Acolhida na Colonia de agroturismo, Leonilda resgatou sua autoestima de ser agricultora. E, com a inserção na Rede Ecovida de Agroecologia, afirma: “Hoje, se tu tem um alimento limpo na tua propriedade pra servir pra tua família, aí está o teu remédio”. 

O filho de Leonilda, Jackson, estudou Agronomia e voltou para trabalhar na propriedade em Santa Rosa de Lima. Participa de feiras e também de atividades da Rede Ecovida de Agroecologia.

E o que mais dizem as/os agricultoras/es sobre a agricultura familiar?

“Eu costumo dizer pro meu esposo que eu nasci pra isso. Nasci pra ser agricultora e produtora orgânica. Porque cada semente que eu planto na terra é com muito amor. Tanto amor, que eu até tenho dificuldade de tirar os alimentos da terra depois”. A agricultora Thaís Teixeira da Rosa, de Porto Seguro (BA), participa há dois anos da Rede de Agroecologia Povos da Mata, que reúne outras 700 famílias agricultoras da Bahia. Neste tempo, ela aprendeu e vem praticando diversas técnicas de manejo agroecológicas, que, combinadas com os saberes tradicionais repassados por suas ancestrais, garante o sucesso de suas colheitas e a diversidade na banca das duas feiras que ela realiza semanalmente. Com o trabalho na agricultura, Thaís e seu companheiro garantem o sustento da família de seis filhos. “Não é fácil”, afirma ela, mas seu amor pela terra não a deixa desistir: “Se não dá certo, eu vou lá e tento de novo”, conta. “Se você trata bem o solo, ele sorri pra você. A terra é como uma filha”, completa.

“A gente sabe que agricultura familiar é pra gente plantar e ter alimentos de saúde pras crianças e escolas. Se possível, orgânico. Porque o convencional anda muito complicado, causando muita doença. Eu acho que as escolas deveriam tudo pegar alimento orgânico. Porque as crianças comerem alimento convencional é muito complicado”. O agricultor Orlando Ribeiro Melo vive e trabalha em Bocaina do Sul, na Serra Catarinense. Participa da Rede Ecovida há 10 anos, quando iniciou sua transição do cultivo convencional para a Agroecologia. “Agroecologia é ter mais saúde para o povo, com alimentos saudáveis e de qualidade”, afirma ele.

E a agricultura familiar caminha com os povos e comunidades tradicionais. Quem dá o recado é Walter dos Santos, liderança quilombola e agricultor do Maranhão. “A gente tem que valorizar o quilombola e a agricultura familiar porque são parceiros que andam juntos. Porque se nós não produzimos, nós não conseguimos nos alimentar e se nós produzimos juntos: tá aí a agricultura familiar. Eu acredito que uma só andorinha não faz verão, mas o povo junto muda a realidade do Brasil.”

Superando um passado de fome e analfabetismo, com apoio de entidades da igreja católica e acessando políticas públicas como o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar, a comunidade quilombola Piqui da Rampa, onde Walter nasceu e cresceu, hoje se sustenta com o que é produzido ali e sabe o valor dos alimentos. “O Bolsa Família fez com que a gente pudesse trabalhar de barriga cheia e aumentou nossa capacidade de conhecimento. E nós só soubemos o quanto valia um kilo de abóbora ou de feijão quando a CONAB chegou aqui e entramos no PAA”, conta. Com três refeições ao dia e alfabetização, a comunidade alcançou autonomia e conquistou espaços institucionais, como o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, onde Walter ocupa um assento, e a universidade pública, com várixs jovens da comunidade tendo acesso. Dois são filhxs de Walter: Valdenice, que está cursando o Mestrado em Ciências da Saúde na Universidade Federal do Maranhão, e Waldey, estudando Agronomia também na UFMA.

“Nasci e me criei na roça. Agricultura Familiar pra mim é trabalhar a terra com carinho, produzir alimentos saudáveis pra nossa população. A gente sabe que 70% dos nossos alimentos vêm da agricultura familiar. Pra mim é tudo isso: produzir alimentos saudáveis com respeito ao meio ambiente”, afirma Lindomar Lins, agricultor do município de São Gabriel, no sertão baiano.

Ele sempre trabalhou na agricultura, e até 2011 cultivava somente pepino e beterraba em sua propriedade, utilizando adubos químicos e agrotóxicos. Através da sensibilização e assistência técnica da empresa pública de assistência técnica, Lindomar iniciou sua transição agroecológica. Com o estabelecimento da Rede Povos da Mata na região a partir de 2016, Lindomar pôde certificar sua produção como orgânica. Hoje, ele produz de 40 a 45 variedades de alimentos numa área de apenas 1,5 hectare, que tem tanto uma horta diversificada quanto um Sistema Agroflorestal. A observação do ciclo natural dos cultivos somada ao uso racional da irrigação com cobertura de solo e à produção própria de adubos e insumos orgânicos colabora para as colheitas de Lindomar, que faz 3 feiras orgânicas por semana na região. “É só entender a Natureza e trabalhar com ela que dá tudo certo”, afirma o agricultor. 

Para Carmem Munarini, agricultora e membra do Movimento de Mulheres Camponesas, “ser agricultora familiar é trabalhar junto com minha família lá na roça, lá no interior. É se organizar e ter direito também a mandar. Não deixar só os filhos e o marido mandarem, mas ter o direito também de participar nas decisões da família e nas decisões do trabalho da agricultura familiar”.

 

Cepagro constrói ações de educação ambiental em escola de Major Gercino

Na última quinta-feira, 23 de maio, a equipe técnica do Cepagro voltou à Major Gercino para conversar com educadores/as da Escola Professor Tercílio Bastos, onde até dezembro serão realizadas atividades de Educação Ambiental. Esta, que foi a terceira visita à escola, teve como objetivo construir coletivamente com o corpo docente as ações que serão realizadas com os/as estudantes ao longo do ano, por meio de projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz.

O projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais: ampliando os conhecimentos, fortalecendo as relações e garantindo sustentabilidade tem como objetivo promover a Agroecologia como alternativa sustentável de produção agropecuária e também de organização comunitária e conservação ambiental. Além das atividades na escola da comunidade do Pinheiral, o projeto atuará em três municípios de Santa Catarina: Nova Trento, Major Gercino e Leoberto Leal, abrangendo 12 comunidades e envolvendo 40 famílias agricultoras.

Na escola, o projeto visa trabalhar uma horta pedagógica que permite envolver diversos conteúdos, de história e geografia à matemática e língua portuguesa. Durante a última conversa, os/as professores/as compartilharam suas ideias de como incorporar a horta em suas disciplinas. Desde o primeiro diálogo com a direção da escola, também foram colocadas outras duas demandas: a construção de cisternas para a captação de água da chuva e atividades de comunicação popular e mídias digitais.

A escola conta com alguns canteiros que foram implantados mediante projetos passados, e a ideia é reestruturar o espaço com canteiros agroecológicos. Para isso, será utilizado composto doado pelo Aeroporto Internacional de Florianópolis. Segundo a diretora da escola, Fabiana Laurindo Motta, há problemas de abastecimento de água no espaço onde eles se encontram, assim, a construção de uma cisterna seria bem vinda e melhoraria a irrigação dos canteiros.

A professora Fernanda Farias Muenich Marques, que leciona História e Geografia, disse que projetos como esse possuem um grande potencial, pois segundo ela, quando vêm pessoas de fora da escola propondo um trabalho mais prático, as/os alunas/os sempre se envolvem mais. A proposta de trabalhar a horta pedagógica com a comunidade escolar surgiu porque a Escola Prof. Tercílio Bastos se encontra na zona rural de Major Gercino e centraliza jovens de várias comunidades, sendo um potencial muito grande para sensibilizar estes para as alternativas ao tabaco e a promoção da saúde através da Agroecologia.

Antes do início das atividades na horta, ainda será realizada uma conversa com as/os estudantes do 6º ao 3º ano do Ensino Médio, além de uma formação para professores/as.

Ainda na quinta-feira, como parte das ações do projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz, os técnicos do Cepagro, Francys Pacheco e Giselle Miotto também visitaram propriedades com degradação de mata ciliar no afluente do rio Boa Esperança para realizar atividade de recuperação que também está prevista no projeto.

Agricultores e consumidores discutem impacto dos agrotóxicos em Major Gercino

As constantes menções ao Outubro Rosa que vemos neste mês alertam para a prevenção de dois tipos de câncer que atingem as mulheres: o de mama e o de colo de útero. Ambos têm como principais causas a exposição a produtos químicos que alteram os hormônios, entre eles, os agrotóxicos. Foi com o intuito de discutir o impacto desses químicos que entidades dos setores de Saúde e Agricultura de Major Gercino, em parceria com o Cepagro, organizaram o I Seminário sobre Alimentação, Saúde e Meio Ambiente: Caminhos da Produção ao Consumo, que ocorreu ao longo da última quarta-feira, 24 de outubro, no Centro de Convivência Municipal Lourival dos Santos.

Após um café de recepção, preparado com produtos dos agricultores locais certificados pela Rede Ecovida, o evento iniciou com uma solenidade de abertura onde estiveram presentes representantes das organizações que promoveram a atividade, uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Major Gercino, Epagri, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Coopermajor e Cepagro.

A atividade foi dividida em dois momentos: primeiro para discutir segurança alimentar e o impacto dos agrotóxicos na saúde das pessoas e na parte da tarde discutiu-se a produção orgânica de alimentos onde agricultores locais puderam falar sobre suas experiências. Além de agricultores e consumidores de Major Gercino e cidades vizinhas, o evento contou com a presença dos alunos do 9º ano da Escola Prof. Tercílio Bastos que fizeram uma apresentação teatral alertando sobre o perigo do uso de agrotóxicos.

O primeiro a palestrar foi Pablo Moritz, médico do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (Ciatox-SC). Ele chamou atenção para a participação dos agrotóxicos na causa de alguns tipos de câncer, entre eles o de mama:  “a exposição a produtos químicos que alteram hormônios é uma das principais causas. Produtos químicos que alteram os hormônios são vários, estão presentes nos plásticos, nos cosméticos, nos alimentos contaminados com conservantes, mas os agrotóxicos entram como um dos principais”.

Além disso, o médico mostrou que é longa a lista de doenças causadas pelo uso de venenos, que para ele poderiam ser chamados de “biocidas”: obesidade, diabetes, infertilidade, alzheimer, impotência e autismo são alguns dos males que afetam produtores e consumidores. Ele afirmou que essa forma de produzir e consumir alimentos, carregados de substâncias químicas nocivas à saúde e ao meio ambiente, não é sustentável e ressaltou a importância da precaução: “para prevenir essas doenças temos que mudar a forma de produzir alimentos, temos que mudar nossos hábitos”. Mas a responsabilidade de mudar a maneira de produzir é também do consumidor, “todos nós estamos gerando esse mercado, a demanda reflete na oferta”, enfatizou Dr. Pablo, frisando ainda a importância desses espaços de discussão que informam e mobilizam a população.

Em seguida, Marcos Marcelino, Secretário da Saúde e Saneamento de Major Gercino, mostrou como os problemas apresentados por Pablo são uma realidade na cidade. Pacientes de 20 anos de idade usando medicamentos para dormir e para depressão, gestantes que não podem amamentar e aumento de casos de diabetes e Alzheimer são situações enfrentadas atualmente. Marcos lembrou que o Brasil é um dos únicos países que possui um sistema público e gratuito de saúde, mas no ritmo que está, não haverá dinheiro suficiente para lidar com o problema de saúde pública.

O almoço agroecológico preparado com produtos orgânicos e locais encerrou a primeira parte o Seminário, que retornou com a apresentação de Tânea Mara Follmann, coordenadora do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia. A agricultora lembrou que não devemos culpar simplesmente os agricultores que ainda utilizam agrotóxico, porque quando essa tecnologia surgiu foram muitas as promessas feitas para os produtores. No entanto, ressaltou a importância de discutir e compartilhar experiências, para que aqueles que ainda não saíram do convencional, possam conhecer os benefícios da produção orgânica em diversos sentidos. Em seguida abriu o microfone para que os agricultores e consumidores presentes compartilhassem suas experiências.

Eduardo May, produtor orgânico há cerca de 9 anos, foi um dos primeiros a fazer o seu relato. Ele contou que sua produção de gengibre hoje é a mesma de quando produzia no modo convencional, só que a saúde dele e da família mudou para melhor. Antigamente o veneno que ele utilizava afetava até mesmo a transpiração, sentia cheiro de veneno. Por fim, agradeceu ao Cepagro que auxiliou no processo de transição e contou que “não é fácil sair do convencional porque tem produtos que tem o valor agregado. Mas quando você trabalha com orgânico, você tem dinheiro pra tudo, com um valor maior e qualidade a mais também”, contou Eduardo.

Raquel Solange de Souza, agricultora urbana de Florianópolis também contou sua experiência com os orgânicos, que até agora tem valido muito a pena. Para ela, uma dificuldade presente é para escoar a produção. Tânea Mara lembrou que a merenda escolar é normalmente um espaço onde os produtores orgânicos têm prioridade. Infelizmente, no caso de Major Gercino, as escolas municipais não são abastecidas com alimentos orgânicos. Mas essa é uma realidade que pode mudar: ao longo da tarde os agricultores retiraram alguns encaminhamentos, entre eles de encontrar a melhor forma de coletivamente abastecer a rede pública de ensino.

Outro encaminhamento que surgiu foi a necessidade de ampliar o debate sobre o tema entre os jovens do município. Charles Lamb, Coordenador de Desenvolvimento Rural do Cepagro, que participou na organização do evento, contou que um dos propósito do encontro também foi de “juntar a educação no sentido de sensibilizar jovens que ainda estão no meio rural ou que estão no núcleo urbano no município de Major Gercino pras questões da agricultura, da valorização do seu espaço e principalmente vislumbrando potenciais que o município oferece, tanto na produção vegetal, como na pecuária e até potencial turístico pouquíssimo explorado no município”.

Por fim, o prefeito Valmor Pedro Kammers agradeceu pela iniciativa e oportunidade de discutir o tema no município.  Estiveram presentes também o vice-prefeito Moacir Batisti e o Secretário da Agricultura e Meio Ambiente, Valdecir Marchi.

Cepagro participa de Feira de Sementes Crioulas no Paraná

Realizada nos dias 31 de agosto e 1 de setembro em São João do Triunfo (PR), a 16ª Feira Regional das Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade recebeu mais de 4 mil visitantes para conhecer as 120 bancas de guardiões e guardiãs de sementes, além de artesanato e alimentos agroecológicos. A maioria dos grupos expondo sementes eram do Paraná, mas marcaram presença também Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraíba e Mato Grosso do Sul. O Cepagro participou através do projeto apoiado pela Misereor, levando um grupo de consumidores/as, produtores/as, feirantes e agricultore/as urbanos/as para intercambiar experiências e saberes sobre a riqueza da agrobiodiversidade representada pelas sementes. “Foi uma experiência riquíssima aproximar consumidorxs desse universo das sementes, pra entendermos o que significa proteger sementes crioulas e disseminar seu cultivo no processo produtivo, fazendo frente à indústria da alimentação e agronegócio. É importante pra gente entender a diversidade e variedade de sementes que tem e como estamos à mercê de indústria de alimentos que padroniza o acesso, os sabores e a relação que temos com alimento”, avalia Eduardo Daniel da Rocha, da equipe Cepagro/Misereor.

“Nunca tinha vindo numa feira com uma variedade de sementes tão grande. Com tantas experiências, pessoas preocupadas com não agrotóxicos e com a saúde, com alimento mais saudável”, conta a consumidora-produtora Isamara Thomas de Quadros, da Enseada do Brito, que estava na delegação de Floripa mobilizada pelo Cepagro. Outro estreante em Feiras de Sementes Crioulas era o agricultor Juliano Alexandre dos Santos, de Águas Mornas: “Antes de vir pra cá, pensei: ‘se eu conseguir um milho crioulo, já fico satisfeito”. Mas foi muito mais do que isso”, conta. Juliano é agricultor orgânico e já vem buscando sementes e mudas orgânicas para qualificar sua produção, que ele comercializa em feiras na Grande Florianópolis. Ele também cria animais para o consumo da família e “não ficava tranquilo de dar milho transgênico pra eles”, afirma. Além das inúmeras variedades de milho, ele trouxe da Feira sementes de hortaliças crioulas que ele nem sabia que existia, alimentos processados para revender na sua feira, material didático sobre manejo de sementes crioulas… “Quase enchi o bagageiro inteiro da van”, brinca o agricultor. “E claro, o conhecimento: em cada stand, com cada guardião a gente adquire uma bagagem riquíssima”, completa.

Somente no acervo da AS-PTA, organizadora da Feira, são 256 variedades crioulas de milho, feijão, adubos verdes, hortaliças, arroz, café, amendoim, mostarda e outros grãos. E as Feiras são o grande momento de troca e circulação dessas variedades, além do enriquecimento dos bancos locais. “A maioria das entidades não têm muitas pessoas na equipe, dependemos de financiamento. Então nas Feiras conseguimos catalogar com cada agricultor/a o que está sendo exposto, toda a diversidade de alimentos cultivados pela agricultura familiar”, conta André Emílio Jantara, da AS-PTA Palmeira, organizadora do evento. André conta que a ideia das Feiras regionais surgiu com um grupo de mulheres no ano 2000. “Elas sentaram numa comunidade e cada uma levou as sementes que tinham para fazer a troca entre elas. Só ali já tinha mais de 100 variedades de sementes. Daí surgiu a ideia das Feiras Municipais, depois as Feiras Regionais e assim foi aumentando o número de guardiões de sementes”.

Autonomia das grandes empresas e adaptação às práticas de cultivo agroecológicas que diminuem o custo de produção são algumas das vantagens do uso das sementes crioulas apontadas por agricultores e agricultoras. “Tem um custo mais acessível, porque além de eu não precisar comprar a semente, ela também aceita adubo orgânico, esterco de galinha e os resíduos orgânicos que eu uso pra adubar”, afirma a agricultora e guardiã de sementes Maria Vanderléia Barbosa, da comunidade Rio Baio, de São João do Triunfo. Ela participa da COAFTRIL (Cooperativa Mista Triunfense de Agricultores e Agricultoras Familiares) e veio para a Feira com diversas variedades de milho, feijão, gila, mostarda. “É uma tradição, né. É uma coisa boa, pura, saudável, sem veneno. O sabor é outro. Então a gente não quer perder”, afirma a agricultora.

O agricultor e estudante Mateus Gelinski, de 19 anos, avalia que “Além da independência das grandes produtoras de semente transgênicas, temos mais variabilidade e melhor custo benefício”. Mateus também acrescenta que “O jovem tem papel fundamental na preservação das sementes, porque é ele que vai manter as futuras gerações. Tem variedades que meu pai planta há mais de 30 anos, se a gente não seguir com isso, elas vão se acabar”, completa. André Jantara concorda: o envolvimento da juventude no trabalho de resgate, conservação e multiplicação de sementes é primordial. “O foco está nas escolas, com a juventude, com aqueles que estão na propriedade com os pais ainda. Esses são nossos guardiões mirins”, afirma.

Na programação da Feira, além da grande troca de sementes, aconteceram também oficinas e o I Seminário de Consumo Consciente e Alimentação Saudável, com o professor Rubens Nodari (UFSC) e o engenheiro Manuel Delafoulhouze, do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA). Delafoulhouze trouxe reflexões sobre a dinâmica de distribuição centralizada de alimentos e seu impacto negativo na qualidade da nossa alimentação. Buscando fazer um contraponto, o CPRA media grupos de Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA), proposta de comercialização que compartilha custos e responsabilidades da produção entre agricultorxs e consumidorxs, aproximando esses elos da cadeia. Só na Grande Curitiba, o CSA articula entre 40 a 50 grupos de consumidorxs, que recebem alimentos de mais de 1000 famílias de agricultorxs.

Abordando inicialmente os já conhecidos reveses dos monocultivos – sobretudo transgênicos – no Brasil e no mundo (aumento da contaminação por agrotóxicos, diminuição da população de insetos polinizadores e maior vulnerabilidade agrícola), Nodari ressaltou a contribuição que o público urbano pode ter para resgatar a dignidade dos agricultores e agricultoras: consumindo alimentos agroecológicos. Para Nodari, se considerarmos a qualidade superior desses alimentos, veremos que não são tão caros como se diz. Além disso, a diversidade de cultivos postulada pela Agroecologia é a melhor barreira contra pragas.

A agricultora Angelice Dias Barbosa conhece na prática a diferença dos alimentos agroecológicos. Tendo trabalhado como confeiteira e salgadeira durante vários anos, Angelice passou a trabalhar na agricultura agroecológica em 2016, quando conheceu seu companheiro, Celson José Chagas. Vivendo e trabalhando no Assentamento Contestado, na Lapa (PR), Angelice conta que “eu achava que conhecia sabor, mas era sabor artificial. Hoje é o sabor natural. Tenho tomate com sabor de verdade. Brócolis e alface antes era borracha, hoje é algo suculento, sem veneno. Hoje eu posso usar numa receita o morango orgânico do companheiro que é nosso vizinho e planta. Conheci trigo orgânico, saí do veneno. Hoje me orgulho disso”.

O companheiro de Angelice, Celson, tem mais experiência no trabalho com sementes crioulas. Ele conta que, junto com os Núcleos Maria Rosa da Anunciação e Maurício Burmester da Rede Ecovida de Agroecologia, o Assentamento Contestado vem fomentando esse trabalho para “ter mais sustentabilidade e soberania na questão da semente. A gente participa também da Casa da Semente e vem tentando resgatar o conhecimento sobre as sementes crioulas de hortaliças”, afirma. “A ideia é vender de agricultor para agricultor. Temos 10 famílias produzindo sementes no Assentamento, além de outras 20 em Palmeira. Fazemos também o melhoramento genético dessas sementes”, completa. “Hoje não dá pra falar em Agroecologia sem falar de semente. Primeiro para seu consumo, depois na comunidade do entorno e, se possível, para outros agricultores da região”.

Uma participação mais do que especial na Feira foi do povo Guarani-Kaiowá junto com assentados da Reforma Agrária que vieram na delegação do Mato Grosso do Sul, articulados pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. “Começamos a plantar semente que não era nossa e fomos perdendo nossos alimentos. Mas estamos resgatando e agora até os fazendeiros procuram nossas sementes. Pra nós isso é uma grande soberania. Pois isso é vida, alimento saudável. Hoje temos DAP e vendemos  mandioca, batata doce, abacate e moranga nas escolas da reserva indígena”, conta Edite Martins Guarani, da Aldeia Jaguaperu, localizada na Terra Indígena de Dourados.

Na cultura Guarani-Kaiowá, o manejo dessas sementes é especial, pois conta com tecnologias espirituais, como conta Anastácio Peralta, também da TI Dourados: “A semente pra nós tem alma, tem vida. Hoje quem manda é o trator, o veneno. Isso mata o ser humano, a natureza, os microrganismos. Mas nós trabalhamos com tecnologias espirituais. O solo é batizado, a semente também. Fazemos reza para chamar a chuva. Como a planta tem vida e alma, temos que rezar pra ela sempre ir e voltar”.

 

Engenheiros de Farinha de SC promovem encontro em Santo Antônio de Lisboa

??????????Após receber o Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ponto de Cultura Engenhos de Farinha realiza um encontro no Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa, no próximo sábado, 17 de dezembro. O objetivo do evento é prosseguir qualificando a articulação da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Santa Catarina, que engloba famílias “engenheiras” desde Imbituba até Bombinhas, passando por Palhoça, Florianópolis e Angelina. As atividades começam às 9h da manhã e vão até às 18h.

O Ponto de Cultura foi uma iniciativa do Cepagro que promoveu ações de valorização dos engenhos artesanais de farinha catarinenses entre 2010 e 2014. No ano passado, ficou em quarto na premiação do IPHAN dentre 121 ações espalhadas pelo Brasil.  Na programação desse reencontro, além de avançar no mapeamento participativo dos Engenhos no Estado, acontece a exibição do documentário Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas e uma roda de conversa sobre os engenhos de farinha e áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis.

Outro ponto importante do encontro – além do cardápio cheio de quitutes de engenho – é a oficina sobre a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, com Regina Helena Santiago (IPHAN/SC). Isso porque esta nova fase do Projeto marca a continuidade da mobilização para construir a proposta de Registro dos Engenhos de Farinha como Patrimônio Cultural do Brasil de forma colaborativa entre as várias iniciativas do Estado.

A participação no evento é aberta e gratuita, mas espera-se uma contribuição de R$ 30 para o almoço e café, além da confirmação de presença pelo email engenhosdefarinha@gmail.com até a 5ª feira (15 de dezembro).

SERVIÇO:

O quê: Encontro de Articulação da Rede de Engenhos de Farinha de SC
Quando: Sábado, 17 de dezembro, às 9h
Onde: Casarão e Engenho dos Andrade (Caminho dos Açores, 1180, Santo Antônio de Lisboa).

 

Agricultores conhecem iniciativas agroecológicas em intercâmbio promovido pelo Cepagro e FRBL

Realizada nos dias 11 e 12 de agosto, a atividade reuniu 15 famílias beneficiárias do projeto de diversificação na fumicultura que o Cepagro executa nos municípios de Leoberto Leal, Major Gercino e Nova Trento com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Foram visitadas propriedades e agroindústrias agroecológicas em Rancho Queimado e Santo Amaro da Imperatriz, além do Box 721 de Orgânicos da Ceasa em São José. O objetivo do intercâmbio foi mostrar que é possível produzir de maneira sustentável, além de incentivar a troca de conhecimentos com quem já vem trabalhando com sistemas agroecológicos. A ideia é possibilitar a formação de redes de agricultores sob novas formas de organização para a cooperação entre as famílias.

texto e fotos – Ana Carolina Dionísio, Gisa Garcia e Marina Pinto

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A primeira parada do intercâmbio, ainda na manhã da terça-feira, foi na propriedade de Pedro Eger em Rancho Queimado, que faz parte do grupo Harmonia da Terra da Rede Ecovida de Agroecologia. O agricultor mostrou os canteiros onde produz morangos orgânicos, explicando como é feito o preparo do solo, a adubação orgânica, a compra coletiva de mudas, a colheita, pós-colheita e custo de produção. Quanto à comercialização, a família destina sua produção para uma rede de supermercados local, algumas feiras e merenda escolar. Os que não atendem ao padrão de comercialização in natura vão para a agroindústria da região, servindo de matéria prima para deliciosas geleias e polpa de frutas. “Nenhum morango é perdido e recebemos muitos pedidos de encomenda, mas não damos conta de contempla-los”, disse Pedro Eger, que também ressaltou que “os agricultores estarem organizados é fundamental para que tenham força na conquista de mercados e no acesso a políticas públicas junto aos governos locais”.

IMG_0110A próxima visita, ainda no período da manhã, foi na agroindústria do Rancho EcoFrutícola, outro nó local da Rede Ecovida de Agroecologia. Na propriedade também são cultivados morangos orgânicos, mas na forma de canteiros suspensos e protegidos, um sistema diferente da propriedade anterior. De acordo com o  proprietário Samuel Weigert, a técnica cria um ambiente menos propício ao desenvolvimento de fungos e um maior controle no fornecimento dos nutrientes necessários para o desenvolvimento da cultura. Os participantes também conheceram os locais onde os morangos são selecionados, embalados e destinados para polpas ou geleias. Samuel relatou que absorvem a produção de outros agricultores orgânicos, mas que a demanda é muito maior que a oferta.

A última parada do primeiro dia de intercâmbio foi no BOX 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos.

O primeiro dia de intercâmbio terminou com uma visita ao Box 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos. O agricultor Elton Laureth e o técnico do Cepagro Francys Luiz Pacheco, que fazem a gestão da iniciativa, explicaram um pouco da logística e funcionamento do Box, enquanto o coordenador do projeto Charles Lamb ressaltou o caráter coletivo do empreendimento.

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A maioria dos agricultores não conhecia a CEASA e não tinha ideia do tamanho da movimentação comercial de alimentos que acontece naquele espaço. Um deles afirmou: “Estamos acostumados a receber o comprador em casa, mas com a desvantagem de que ele é que coloca o preço, aqui realmente podemos ficar mais próximos do cliente e possibilitar a negociação”.

DSC_0263Após um belo fim de tarde e pernoite no Hotel do SESC Cacupé, a caravana partiu na manhã seguinte para Santo Amaro da Imperatriz. O destino foi a chácara Recanto da Natureza, localizada na comunidade da Vargem do Braço. A propriedade pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e recentemente os órgãos ambientais determinaram que no local só serão permitidas atividades agrícolas feitas de forma ecológica. Não foi a legislação ambiental, contudo, que levou as seis famílias proprietárias da chácara a entrarem na produção orgânica. Foi um episódio de forte intoxicação por agrotóxicos, ainda no início dos anos 90, que estimulou o agricultor Amilton Voges a fazer sua revolução agroecológica.

DSC_0244Os participantes do intercâmbio visitaram algumas áreas da chácara, que possui 22 hectares cultivados. Amilton mostrou como adaptou as técnicas agroecológicas para sua realidade: “Quando resolvemos plantar orgânico, tive que ir para outras propriedades longe daqui para aprender as técnicas e também fiz muitos cursos, mas muito do conhecimento tem que ser adaptado para nossa realidade e particularidade. Na agricultura orgânica é assim, o planejamento é fundamental e a toda hora temos que ter ideias e experimentar coisas novas”. Ainda complementou que a primeira técnica que realizou foi a adubação verde, que “proporcionou a desintoxicação das nossas terras e até hoje nos utilizamos dessa técnica como geradora de nutrientes para as hortaliças”.

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A chácara também tem uma agroindústria de pré-processamento das hortaliças, a qual foi construída por uma demanda de mercado. Eles abastecem restaurantes e mercados da Grande Florianópolis e também a merenda escolar. Como a demanda é maior que a produção, a agroindústria também compra hortaliças de outros agricultores orgânicos locais.

DSC_0274Amilton expôs que a produção da agricultura orgânica é constantemente fiscalizada pela CIDASC e por isso realiza todo o registro da produção que entra para pré-processamento. A garantia da qualidade dos produtos, entretanto, vai além dos controles burocráticos. Para Amilton, “uma vez que o agricultor experimenta fazer agricultura orgânica, ele nunca mais volta a usar agrotóxicos e insumos químicos”. Hoje as famílias se orgulham de seu trabalho e de serem exemplos vivos de que uma agricultura sustentável dá certo.

Agricultores e técnicos compartilham saberes em atividades do Cepagro em Major Gercino

Se a troca de saberes entre agricultores é um dos princípios básicos da agroecologia, no contexto de iniciativas de promoção da agricultura ecológica é fundamental realizar cursos em que os ministrantes são também agricultores. Foi o que aconteceu nas propriedades das famílias Eger e Stolarczk, moradoras de Major Gercino e participantes do projeto de Fomento à Assistência Técnica e Extensão Rural para Fumicultores visando à Transição Agroecológica, executado desde o ano passado na região com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Na última 3ª, 9 de junho, o agricultor Dione Eger e o engenheiro agrônomo Guilherme Gomes ministraram uma oficina sobre adubação verde, na propriedade localizada na comunidade do Campinho. Já nos dias 11 e 12 foi a vez da família Stolarczk e do técnico agrícola Marcos Stumer, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, mostrarem como é o manejo orgânico da batata-salsa, cultivo que representa, junto com o fumo e a uva, uma das principais fontes de renda para os agricultores de Major Gercino.

Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy (Epagri) e Marina (Cepagro).
Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy Salomão (Epagri) e Marina Pinto (Cepagro).
Além dos agricultores participantes do projeto, estiveram presentes nas atividades os Secretários de Agricultura e Meio-Ambiente de Nova Trento e Major Gercino, técnicos da Epagri e a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, Marlene Fuck. A auditora do Ministério Público de Santa Catarina, Juliana Miguel Procópio da Silva, também assistiu à oficina do dia 9.

A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
Manter o solo coberto, evitar a erosão e garantir a renovação da matéria orgânica incorporada à terra são alguns dos objetivos do uso da adubação verde, técnica que consiste no plantio de espécies (principalmente leguminosas) em rotação ou consorciação com as culturas anuais. Na propriedade de Dione, ele semeou aveia na área das roças de fumo. Assim que o ciclo da aveia estiver completo e ela secar, ele irá acamar as plantas e realizar o plantio direto das mudas de fumo em meio à palhada. “Por isso é muito importante conhecer o ciclo produtivo da planta que será usada na adubação verde, para saber quando acamá-la”, explica o agricultor.

Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.
Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.

Segundo Dione, nos 2 anos em que vem praticando a adubação verde nas roças de fumo, já é possível perceber um aumento na produtividade do solo. “Além disso, a palhada não deixa o inço [ervas daninhas] vir. Também mantém as lesmas longe do pé de fumo”, conta o agricultor, que vem reduzindo o uso de herbicidas e inseticidas desde que começou a adotar a técnica. Sua ideia também é diminuir gradualmente o cultivo de fumo na propriedade, por não se tratar de uma cultura alimentícia.

A diminuição do uso de agrotóxicos seguramente contribui para melhorar a qualidade do solo, pois não extermina organismos que o mantém vivo e saudável, tais como fungos, bactérias e minhocas. A manutenção da qualidade do solo através da constante incorporação de matéria orgânica foi a tônica da fala introdutória ao curso, feita pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes.

A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
Nos dias 11 e 12 de junho o tema foi o cultivo orgânico de batata-salsa, num curso promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC), através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, na propriedade da família Stolarczk, na comunidade do Pinheiral. Conhecendo a demanda dos beneficiários do projeto por mais conhecimento quanto a este cultivo, visto por muitos como uma alternativa rentável à produção de fumo, a equipe do Cepagro/FRBL incorporou a atividade ao projeto. “Diagnosticamos nas lavouras da cultura dos beneficiários do projeto um uso intensivo do solo sem planejamento e preparação do mesmo, a utilização demasiada e indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes químicos, o que causa um desequilíbrio do sistema e uma contaminação química do meio ambiente. O tema do curso esta totalmente ao encontro do objetivo do nosso projeto: apresentar técnicas conservacionistas do solo e diminuir o uso intensivo de insumos químicos”, explica a engenheira agrônoma Gisa Garcia, extensionista rural do projeto Cepagro/FRBL.

Na parte teórica do curso, ministrada pelo técnico agrícola Marcos Stumer, do SENAR/SC, foram abordados assuntos como: preparação e manejo do solo para a cultura da batata salsa; preparação de mudas, podas, colheita e irrigação; receitas de preparados como biofertilizantes, inseticidas e fungicidas naturais utilizando ervas como losna, arruda e erva de defunto. Após as explicações, os participantes construíram um canteiro elevado, com o objetivo de fornecer um ambiente equilibrado para cultura sem necessitar revolver o solo.

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Durante o mês de junho as técnicas do projeto seguem mobilizando as famílias inscritas, focando nas comunidades rurais do município de Leoberto Leal. A próxima oficina será neste município no dia 2 de julho, na propriedade do agricultor Gilmar Cognacco,  comunidade de Vargem dos Bugres. Gilmar, que cultivava quase 200 mil pés de tabaco, hoje destaca-se como produtor de alimentos orgânicos na região e organiza uma feira em Brusque. Durante a oficina, ele irá compartilhar um pouco de sua experiência em transição agroecológica e diversificação produtiva.

Cepagro participa de evento de sementes crioulas no Uruguai

A 5ª Fiesta Nacional de La Semilla Criolla y la Agricultura Familiar, promovida pela Red Nacional de Semillas Nativas y Criollas e a Comisión Nacional de Fomento Rural do Uruguai, aconteceu no Valle Edén, próximo à cidade de Tacuarembó, entre os dias 12 a 14 de abril. A convite da organização e com apoio do Curso de Agronomia da UFSC, os engenheiros agrônomos Júlio Maestri e Javier Bartaburu e os estudantes de agronomia Renato Trivella e Nicolas Zaslavsky, do Cepagro, participaram do evento, onde avaliaram a possibilidade de concretizar parcerias para potencializar o trabalho da instituição em áreas diversas, como produção e sementes orgânicas, hortas escolares e gestão de resíduos urbanos e rurais.

Da esquerda para direita: Renato, Nicolás, Javier e Julio, representantes do Cepagro na 5ª Fiesta de la Semilla Criolla
Da esquerda para direita: Renato, Nicolas, Javier e Júlio, representantes do Cepagro/UFSC na 5ª Fiesta de la Semilla Criolla

A Red Nacional de Semillas Nativas y Criollas é parte do programa de Resgate e Revalorização de Sementes Crioulas e Soberania Alimentar, desenvolvido pelas organizações REDES – Amigos de la Tierra e Asociación de Productores Orgánicos del Uruguay (APODU) (atualmente desarticulada), Centro Regional Sur (CRS) da Facultad de Agronomía da Universidad de la República – Uruguay e a Fundación Pereira, da Argentina. A rede existe desde 2004 e nucleia hoje 140 propriedades familiares organizadas em 21 Grupos Locais, envolvendo mais de 200 produtores e produtoras em 12 departamentos.

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A Rede Nacional de Sementes Crioulas do Uruguai existe desde 2004 e hoje reúne mais de 200 produtores e produtoras.

A equipe do Cepagro realizou um intenso trabalho durante os três dias do evento. Além de colaborar na organização do evento e participar de palestras e oficinas, os técnicos estabeleceram bases para futuras parcerias com a Faculdade de Agronomia do Uruguai e o seu Programa de Hortas Escolares, com a cooperativa de produção de sementes Bionatur e com o movimento de descendentes de Charrúas do Uruguai, entre outros. Também montaram um stand para divulgação das atividades do Cepagro na Feira de Troca de Sementes, onde houve um rico intercâmbio com agricultores, técnicos e demais participantes do evento, bem como a realização de entrevistas com figuras importantes da Red Nacional de Semillas Nativas y Criollas.

Stand do Cepagro na Feira de Troca de Sementes
Stand do Cepagro na Feira de Troca de Sementes