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Engenheiros de Farinha de SC promovem encontro em Santo Antônio de Lisboa

??????????Após receber o Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Ponto de Cultura Engenhos de Farinha realiza um encontro no Engenho dos Andrade, em Santo Antônio de Lisboa, no próximo sábado, 17 de dezembro. O objetivo do evento é prosseguir qualificando a articulação da Rede de Engenhos Artesanais de Farinha de Santa Catarina, que engloba famílias “engenheiras” desde Imbituba até Bombinhas, passando por Palhoça, Florianópolis e Angelina. As atividades começam às 9h da manhã e vão até às 18h.

O Ponto de Cultura foi uma iniciativa do Cepagro que promoveu ações de valorização dos engenhos artesanais de farinha catarinenses entre 2010 e 2014. No ano passado, ficou em quarto na premiação do IPHAN dentre 121 ações espalhadas pelo Brasil.  Na programação desse reencontro, além de avançar no mapeamento participativo dos Engenhos no Estado, acontece a exibição do documentário Engenhos da Cultura: Teias Agroecológicas e uma roda de conversa sobre os engenhos de farinha e áreas rurais no Plano Diretor de Florianópolis.

Outro ponto importante do encontro – além do cardápio cheio de quitutes de engenho – é a oficina sobre a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, com Regina Helena Santiago (IPHAN/SC). Isso porque esta nova fase do Projeto marca a continuidade da mobilização para construir a proposta de Registro dos Engenhos de Farinha como Patrimônio Cultural do Brasil de forma colaborativa entre as várias iniciativas do Estado.

A participação no evento é aberta e gratuita, mas espera-se uma contribuição de R$ 30 para o almoço e café, além da confirmação de presença pelo email engenhosdefarinha@gmail.com até a 5ª feira (15 de dezembro).

SERVIÇO:

O quê: Encontro de Articulação da Rede de Engenhos de Farinha de SC
Quando: Sábado, 17 de dezembro, às 9h
Onde: Casarão e Engenho dos Andrade (Caminho dos Açores, 1180, Santo Antônio de Lisboa).

 

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Agricultores conhecem iniciativas agroecológicas em intercâmbio promovido pelo Cepagro e FRBL

Realizada nos dias 11 e 12 de agosto, a atividade reuniu 15 famílias beneficiárias do projeto de diversificação na fumicultura que o Cepagro executa nos municípios de Leoberto Leal, Major Gercino e Nova Trento com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Foram visitadas propriedades e agroindústrias agroecológicas em Rancho Queimado e Santo Amaro da Imperatriz, além do Box 721 de Orgânicos da Ceasa em São José. O objetivo do intercâmbio foi mostrar que é possível produzir de maneira sustentável, além de incentivar a troca de conhecimentos com quem já vem trabalhando com sistemas agroecológicos. A ideia é possibilitar a formação de redes de agricultores sob novas formas de organização para a cooperação entre as famílias.

texto e fotos – Ana Carolina Dionísio, Gisa Garcia e Marina Pinto

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A primeira parada do intercâmbio, ainda na manhã da terça-feira, foi na propriedade de Pedro Eger em Rancho Queimado, que faz parte do grupo Harmonia da Terra da Rede Ecovida de Agroecologia. O agricultor mostrou os canteiros onde produz morangos orgânicos, explicando como é feito o preparo do solo, a adubação orgânica, a compra coletiva de mudas, a colheita, pós-colheita e custo de produção. Quanto à comercialização, a família destina sua produção para uma rede de supermercados local, algumas feiras e merenda escolar. Os que não atendem ao padrão de comercialização in natura vão para a agroindústria da região, servindo de matéria prima para deliciosas geleias e polpa de frutas. “Nenhum morango é perdido e recebemos muitos pedidos de encomenda, mas não damos conta de contempla-los”, disse Pedro Eger, que também ressaltou que “os agricultores estarem organizados é fundamental para que tenham força na conquista de mercados e no acesso a políticas públicas junto aos governos locais”.

IMG_0110A próxima visita, ainda no período da manhã, foi na agroindústria do Rancho EcoFrutícola, outro nó local da Rede Ecovida de Agroecologia. Na propriedade também são cultivados morangos orgânicos, mas na forma de canteiros suspensos e protegidos, um sistema diferente da propriedade anterior. De acordo com o  proprietário Samuel Weigert, a técnica cria um ambiente menos propício ao desenvolvimento de fungos e um maior controle no fornecimento dos nutrientes necessários para o desenvolvimento da cultura. Os participantes também conheceram os locais onde os morangos são selecionados, embalados e destinados para polpas ou geleias. Samuel relatou que absorvem a produção de outros agricultores orgânicos, mas que a demanda é muito maior que a oferta.

A última parada do primeiro dia de intercâmbio foi no BOX 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos.

O primeiro dia de intercâmbio terminou com uma visita ao Box 721 da Ceasa, o único ali que comercializa exclusivamente produtos orgânicos. O agricultor Elton Laureth e o técnico do Cepagro Francys Luiz Pacheco, que fazem a gestão da iniciativa, explicaram um pouco da logística e funcionamento do Box, enquanto o coordenador do projeto Charles Lamb ressaltou o caráter coletivo do empreendimento.

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A maioria dos agricultores não conhecia a CEASA e não tinha ideia do tamanho da movimentação comercial de alimentos que acontece naquele espaço. Um deles afirmou: “Estamos acostumados a receber o comprador em casa, mas com a desvantagem de que ele é que coloca o preço, aqui realmente podemos ficar mais próximos do cliente e possibilitar a negociação”.

DSC_0263Após um belo fim de tarde e pernoite no Hotel do SESC Cacupé, a caravana partiu na manhã seguinte para Santo Amaro da Imperatriz. O destino foi a chácara Recanto da Natureza, localizada na comunidade da Vargem do Braço. A propriedade pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e recentemente os órgãos ambientais determinaram que no local só serão permitidas atividades agrícolas feitas de forma ecológica. Não foi a legislação ambiental, contudo, que levou as seis famílias proprietárias da chácara a entrarem na produção orgânica. Foi um episódio de forte intoxicação por agrotóxicos, ainda no início dos anos 90, que estimulou o agricultor Amilton Voges a fazer sua revolução agroecológica.

DSC_0244Os participantes do intercâmbio visitaram algumas áreas da chácara, que possui 22 hectares cultivados. Amilton mostrou como adaptou as técnicas agroecológicas para sua realidade: “Quando resolvemos plantar orgânico, tive que ir para outras propriedades longe daqui para aprender as técnicas e também fiz muitos cursos, mas muito do conhecimento tem que ser adaptado para nossa realidade e particularidade. Na agricultura orgânica é assim, o planejamento é fundamental e a toda hora temos que ter ideias e experimentar coisas novas”. Ainda complementou que a primeira técnica que realizou foi a adubação verde, que “proporcionou a desintoxicação das nossas terras e até hoje nos utilizamos dessa técnica como geradora de nutrientes para as hortaliças”.

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A chácara também tem uma agroindústria de pré-processamento das hortaliças, a qual foi construída por uma demanda de mercado. Eles abastecem restaurantes e mercados da Grande Florianópolis e também a merenda escolar. Como a demanda é maior que a produção, a agroindústria também compra hortaliças de outros agricultores orgânicos locais.

DSC_0274Amilton expôs que a produção da agricultura orgânica é constantemente fiscalizada pela CIDASC e por isso realiza todo o registro da produção que entra para pré-processamento. A garantia da qualidade dos produtos, entretanto, vai além dos controles burocráticos. Para Amilton, “uma vez que o agricultor experimenta fazer agricultura orgânica, ele nunca mais volta a usar agrotóxicos e insumos químicos”. Hoje as famílias se orgulham de seu trabalho e de serem exemplos vivos de que uma agricultura sustentável dá certo.

Agricultores e técnicos compartilham saberes em atividades do Cepagro em Major Gercino

Se a troca de saberes entre agricultores é um dos princípios básicos da agroecologia, no contexto de iniciativas de promoção da agricultura ecológica é fundamental realizar cursos em que os ministrantes são também agricultores. Foi o que aconteceu nas propriedades das famílias Eger e Stolarczk, moradoras de Major Gercino e participantes do projeto de Fomento à Assistência Técnica e Extensão Rural para Fumicultores visando à Transição Agroecológica, executado desde o ano passado na região com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Na última 3ª, 9 de junho, o agricultor Dione Eger e o engenheiro agrônomo Guilherme Gomes ministraram uma oficina sobre adubação verde, na propriedade localizada na comunidade do Campinho. Já nos dias 11 e 12 foi a vez da família Stolarczk e do técnico agrícola Marcos Stumer, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, mostrarem como é o manejo orgânico da batata-salsa, cultivo que representa, junto com o fumo e a uva, uma das principais fontes de renda para os agricultores de Major Gercino.

Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy (Epagri) e Marina (Cepagro).
Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy Salomão (Epagri) e Marina Pinto (Cepagro).
Além dos agricultores participantes do projeto, estiveram presentes nas atividades os Secretários de Agricultura e Meio-Ambiente de Nova Trento e Major Gercino, técnicos da Epagri e a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, Marlene Fuck. A auditora do Ministério Público de Santa Catarina, Juliana Miguel Procópio da Silva, também assistiu à oficina do dia 9.

A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
Manter o solo coberto, evitar a erosão e garantir a renovação da matéria orgânica incorporada à terra são alguns dos objetivos do uso da adubação verde, técnica que consiste no plantio de espécies (principalmente leguminosas) em rotação ou consorciação com as culturas anuais. Na propriedade de Dione, ele semeou aveia na área das roças de fumo. Assim que o ciclo da aveia estiver completo e ela secar, ele irá acamar as plantas e realizar o plantio direto das mudas de fumo em meio à palhada. “Por isso é muito importante conhecer o ciclo produtivo da planta que será usada na adubação verde, para saber quando acamá-la”, explica o agricultor.

Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.
Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.

Segundo Dione, nos 2 anos em que vem praticando a adubação verde nas roças de fumo, já é possível perceber um aumento na produtividade do solo. “Além disso, a palhada não deixa o inço [ervas daninhas] vir. Também mantém as lesmas longe do pé de fumo”, conta o agricultor, que vem reduzindo o uso de herbicidas e inseticidas desde que começou a adotar a técnica. Sua ideia também é diminuir gradualmente o cultivo de fumo na propriedade, por não se tratar de uma cultura alimentícia.

A diminuição do uso de agrotóxicos seguramente contribui para melhorar a qualidade do solo, pois não extermina organismos que o mantém vivo e saudável, tais como fungos, bactérias e minhocas. A manutenção da qualidade do solo através da constante incorporação de matéria orgânica foi a tônica da fala introdutória ao curso, feita pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes.

A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
Nos dias 11 e 12 de junho o tema foi o cultivo orgânico de batata-salsa, num curso promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC), através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, na propriedade da família Stolarczk, na comunidade do Pinheiral. Conhecendo a demanda dos beneficiários do projeto por mais conhecimento quanto a este cultivo, visto por muitos como uma alternativa rentável à produção de fumo, a equipe do Cepagro/FRBL incorporou a atividade ao projeto. “Diagnosticamos nas lavouras da cultura dos beneficiários do projeto um uso intensivo do solo sem planejamento e preparação do mesmo, a utilização demasiada e indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes químicos, o que causa um desequilíbrio do sistema e uma contaminação química do meio ambiente. O tema do curso esta totalmente ao encontro do objetivo do nosso projeto: apresentar técnicas conservacionistas do solo e diminuir o uso intensivo de insumos químicos”, explica a engenheira agrônoma Gisa Garcia, extensionista rural do projeto Cepagro/FRBL.

Na parte teórica do curso, ministrada pelo técnico agrícola Marcos Stumer, do SENAR/SC, foram abordados assuntos como: preparação e manejo do solo para a cultura da batata salsa; preparação de mudas, podas, colheita e irrigação; receitas de preparados como biofertilizantes, inseticidas e fungicidas naturais utilizando ervas como losna, arruda e erva de defunto. Após as explicações, os participantes construíram um canteiro elevado, com o objetivo de fornecer um ambiente equilibrado para cultura sem necessitar revolver o solo.

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Durante o mês de junho as técnicas do projeto seguem mobilizando as famílias inscritas, focando nas comunidades rurais do município de Leoberto Leal. A próxima oficina será neste município no dia 2 de julho, na propriedade do agricultor Gilmar Cognacco,  comunidade de Vargem dos Bugres. Gilmar, que cultivava quase 200 mil pés de tabaco, hoje destaca-se como produtor de alimentos orgânicos na região e organiza uma feira em Brusque. Durante a oficina, ele irá compartilhar um pouco de sua experiência em transição agroecológica e diversificação produtiva.

Cepagro participa de evento de sementes crioulas no Uruguai

A 5ª Fiesta Nacional de La Semilla Criolla y la Agricultura Familiar, promovida pela Red Nacional de Semillas Nativas y Criollas e a Comisión Nacional de Fomento Rural do Uruguai, aconteceu no Valle Edén, próximo à cidade de Tacuarembó, entre os dias 12 a 14 de abril. A convite da organização e com apoio do Curso de Agronomia da UFSC, os engenheiros agrônomos Júlio Maestri e Javier Bartaburu e os estudantes de agronomia Renato Trivella e Nicolas Zaslavsky, do Cepagro, participaram do evento, onde avaliaram a possibilidade de concretizar parcerias para potencializar o trabalho da instituição em áreas diversas, como produção e sementes orgânicas, hortas escolares e gestão de resíduos urbanos e rurais.

Da esquerda para direita: Renato, Nicolás, Javier e Julio, representantes do Cepagro na 5ª Fiesta de la Semilla Criolla
Da esquerda para direita: Renato, Nicolas, Javier e Júlio, representantes do Cepagro/UFSC na 5ª Fiesta de la Semilla Criolla

A Red Nacional de Semillas Nativas y Criollas é parte do programa de Resgate e Revalorização de Sementes Crioulas e Soberania Alimentar, desenvolvido pelas organizações REDES – Amigos de la Tierra e Asociación de Productores Orgánicos del Uruguay (APODU) (atualmente desarticulada), Centro Regional Sur (CRS) da Facultad de Agronomía da Universidad de la República – Uruguay e a Fundación Pereira, da Argentina. A rede existe desde 2004 e nucleia hoje 140 propriedades familiares organizadas em 21 Grupos Locais, envolvendo mais de 200 produtores e produtoras em 12 departamentos.

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A Rede Nacional de Sementes Crioulas do Uruguai existe desde 2004 e hoje reúne mais de 200 produtores e produtoras.

A equipe do Cepagro realizou um intenso trabalho durante os três dias do evento. Além de colaborar na organização do evento e participar de palestras e oficinas, os técnicos estabeleceram bases para futuras parcerias com a Faculdade de Agronomia do Uruguai e o seu Programa de Hortas Escolares, com a cooperativa de produção de sementes Bionatur e com o movimento de descendentes de Charrúas do Uruguai, entre outros. Também montaram um stand para divulgação das atividades do Cepagro na Feira de Troca de Sementes, onde houve um rico intercâmbio com agricultores, técnicos e demais participantes do evento, bem como a realização de entrevistas com figuras importantes da Red Nacional de Semillas Nativas y Criollas.

Stand do Cepagro na Feira de Troca de Sementes
Stand do Cepagro na Feira de Troca de Sementes