Cepagro recebe homenagem na Câmara Municipal pelo Dia Mundial do Meio Ambiente

Menos de um mês depois da homenagem pelo trabalho junto aos engenhos de farinha de Santa Catarina, o Cepagro voltou à Câmara Municipal de Florianópolis para mais uma sessão especial, desta vez celebrando o Dia Mundial do Meio Ambiente. Promovida pelo mandato do vereamor Marcos José de Abreu, o Marquito (PSOL), a sessão trouxe um colorido especial para a casa legislativa, onde 33 coletivos, associações e ativistas do meio ambiente e da educação ambiental foram homenagead@s nesta quarta, 5 de junho. “A ecologia tem que andar junto com a justiça social”, disse Marquito na abertura dos trabalhos.

O diretor-presidente do Cepagro, Eduardo Daniel da Rocha, reforçou o chamado de Marquito ao receber a honraria, bradando “Viva a Agroecologia! Viva a justiça social!”.

O Banco do Tempo, representado por Geovana Narcizo, foi um dos coletivos homenageados

Quebrando o protocolo da casa, homenageadas e homenageados tomaram a palavra para agradecer a lembrança, defender a universidade pública e também para fazer denúncias, seja de casos de desmatamentos, alvarás concedidos a grandes empreendimentos em áreas de preservação ou contra a construção do emissário submarino de esgoto na Praia do Campeche.

Cíntia da Cruz, da Revolução dos Baldinhos, também foi homenageada, lembrando que “os territórios da periferia estão organizados para fazer a revolução”.

Fechando os trabalhos, o movimento Hare Krishna trouxe música e comidas vegetarianas para o Plenarinho da Câmara, animando ainda mais a celebração da nossa Pachamama.

 

Confira a lista de homenagead@s:
Engenho do Zé;
Centro de Estudos de Promoção da Agricultura de Grupo – CEPAGRO;
Quinta das Plantas;
Instituto Çarakura;
Hotel Sesc Cacupé;
Revolução dos Baldinhos;
Eu sou Jacaré Poiô;
Movimento Internacional para a Consciência de Krishna;
Uniafro de Santa Catarina;
Movimento Estrada Parque;
Quilombo Vidal Martins;
Associação Pico do Beija-Flor;
Senhor João Antolino Monteiro;
Rede Ecovida Núcleo Litoral Catarinense / Grupo Ilha Meimbipe;
Associação de Moradores do Campeche –  AMOCAM;
SOS Campeche Praia Limpa;
Horta Comunitária Pacuca;
Projeto Compotinho;
Rádio Comunitária Campeche;
Compostaí;
Projeto Horta Orgânica do CCA – UFSC (HOCCA);
Nação Pachamama;
Recicleide;
Neiciclagem;
Nossa Senhora dos Resíduos;
Núcleo de Estudos de Permacultura da UFSC;
Núcleo de Educação Ambiental do CTC – UFSC;
Destino Certo para resíduos orgânicos;
Aliança Ecossocialista Latino Americana;
Laboratório de Comercialização de Alimentos da Agricultura Familiar (UFSC);
Prof. Rick Muller (UFSC);
Banco do Tempo;
Agrofloresta da Mariquinha.

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Cepagro promove educação agroecológica no dia Mundial do Meio Ambiente

Há 47 anos, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo pela ONU, instituiu-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data tinha como objetivo alertar a população e governos de cada país sobre os perigos de negligenciarmos o cuidado com o mundo em que vivemos. No Brasil, celebramos também a Semana Nacional do Meio Ambiente, como consequência da data criada pela ONU.

Como parte da programação desta semana, o Cepagro realizou mais uma oficina de horta agroecológica na Escola de Educação Básica Januária Teixeira da Rocha, no Campeche. Por lá, apesar da importância da data, as crianças sabem que a Educação Ambiental acontece todo dia.

Na atividade de hoje, foi a vez da turma do 4º ano sujar as mãos de terra. Junto com a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, as crianças construíram o quarto canteiro da escola. Mas antes de ir para a prática, Karina explicou para elas a diferença entre um canteiro convencional e um canteiro agroecológico.

No canteiro convencional várias mudas de uma mesma espécie são plantadas lado a lado. Se um inseto ataca uma plantinha, a chance de ele atacar o canteiro inteiro é maior. Já a horta agroecológica funciona na base da cooperação, onde cada plantinha contribui com as suas características próprias, lógica que é aplicada também na vida de cada um. Há pessoas que são boas em matemática, outras que vão melhor em geografia, e tem ainda aquelas que são ótimas artistas ou esportistas.

Respeitando a diversidade e cooperando com o próximo, assim a oficina aconteceu. O composto utilizado, por exemplo, foi doação da Horta Pedagógica e Comunitária do Parque Cultural do Campeche (Pacuca). O coordenador do Parque, Ataíde Silva lembra que o espaço onde hoje está a horta comunitária foi conquistado com dificuldade. “Na época em que foi implantada, a ideia da horta foi uma forma de presença da comunidade, do não abandono dos moradores”, conta Ataíde. Para ele, as crianças são a esperança de que as gerações futuras colham ainda mais frutos e “nesse dia Mundial do Meio Ambiente, a coisa mais importante é a educação, é o que vocês fazem nessa escola, isso é uma semente”.

A professora Silvia Leticia de Sá T. Cardoso diz para seus alunos que eles sãos os guardiões do Campeche. Ela lembra que o bairro já sofreu com alguns crimes ambientais e acredita que a educação ambiental na escola é uma forma de conscientizar as gerações futuras para o cuidado com o espaço onde vivem. E tem funcionado.

Alguns pais contaram para Silvia que começaram a compostar em casa a pedido dos filhos, que estão mostrando interesse em cuidar das plantinhas do quintal de casa. “No relato dos pais eu pude perceber que eles vão levar esse projeto para a vida toda. Não só na questão ambiental, mas também levam para a vida, se tornam mais responsáveis”, contou a professora Silvia, que leciona para o quarto ano.

E essa é a ideia. Através de projeto do Cepagro, apoiado pela Misereor e em parceira com a Associação de Moradores do Campeche (Amocam), Karina Smania faz atividades práticas e pontuais na escola, trabalhando sempre uma turma e uma temática diferente. A agrônoma conta que com a horta pedagógica é possível trabalhar diversos temas, mas que a educação ambiental pode ser feita também no dia a dia pelas professoras em sala de aula, aliando a educação ambiental a suas disciplinas, sejam elas quais forem.

Na sexta-feira, 7 de junho, Karina voltará à escola e vai usar a literatura e a música para falar sobre as plantas que nascem embaixo e em cima da terra.

Oficina com hortas no CRAS Capoeiras é apresentada como experiência exitosa em Seminário sobre Assistência Social

Criatividade, envolvimento, solidariedade e construção. Essas foram as palavras escolhidas pela psicóloga Gabriela C. Klauck, para descrever o trabalho com hortas agroecológicas realizado no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) Capoeiras em parceria com o Cepagro. Gabriela é de Caxambu do Sul e conheceu a experiência do CRAS durante o X Seminário Estadual de Gestores e Trabalhadores da Assistência Social, promovido pela Federação Catarinense de Municípios (FECAM).

Durante o evento, que aconteceu entre 29 e 31 de maio, foram apresentadas algumas experiências exitosas nos Sistemas Únicos de Assistência Social (SUAS) dos municípios catarinenses. As psicólogas do CRAS, Alvira Bossy e Liliana Budag Becker e a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, participaram e compartilharam com assistentes sociais, psicólogas/os e gestoras/es públicas/os, os frutos colhidos com as oficinas agroecológicas realizadas através do projeto Misereor em Rede.

O projeto iniciou com duas oficinas de horta facilitadas pelos Agrônomos do Cepagro Ícaro Pereira e Karina, e envolveu desde crianças até idosos. As psicólogas do centro viram na prática agroecológica uma forma de melhorar o vínculo com os usuários do CRAS, abraçaram a ideia e seguiram fazendo atividades envolvendo plantas, o cuidado com a terra e com as pessoas.

Uma dessas atividades foi a oficina de memórias através das plantas, voltada para a terceira idade. Os idosos foram convidados a levar uma planta que despertasse neles alguma memória e, junto com as assistentes, construíram vasos com material reciclável. Alvira Bossy conta que aquele momento lúdico de convívio com os usuários não tinha como objetivo somente a confecção do vaso, mas sim ser “um momento para refletir, compartilhar e construir memórias juntos”.

O cuidado e o fortalecimento de vínculos são princípios do trabalho com assistência social e Lilian Budag Becker acredita que “quando se quer fortalecer vínculos, a gente precisa entender de que maneira se dá esse vínculo. E usar a Agroecologia é tudo, porque você pode usar o teu ambiente, o teu quintal, as ruas, as praças, os espaços que você tem”.

A Agroecologia não é apenas um modelo de fazer agricultura, complementou Karina durante a apresentação, “ela pode ser aplicada também no nosso modo de vida”. Na diversidade de um canteiro agroecológico, uma planta com a raiz mais longa descompacta o solo, outra com aroma forte repele insetos, enquanto as flores chamativas atraem os polinizadores. “Então essa relação de colaboração entre as plantas, a gente consegue observar na relação humana também”, acrescentou.

Entre relatos, palestras e oficina, o seminário tinha como objetivo “propiciar a troca de experiências na execução e qualificação teórica das políticas de Assistência Social”, afirma Janice Merigo, assistente social da Fecam. Para ela, o relato sobre o CRAS Capoeiras acrescentou no debate porque mostrou como “as oficinas fortalecem a participação do usuário no serviço de assistência social”.

Gabriela Klauck foi uma das profissionais que se sentiu inspirada pela iniciativa: “Quando eu vi elas eu achei fantástico, porque eu me vi enquanto psicóloga trabalhando com a arte, com a criatividade das pessoas, fazendo elas se movimentarem. Envolve solidariedade e cooperativismo, isso é construção, isso é transformação social”. Apesar da vontade de inovar no seu local de atuação, Gabriela contou que por conta do engessamento da política de assistência social, nem sempre é fácil propor ideias novas nos centros de assistência.

No caso do CRAS Capoeiras, como lembra Alvira, boa parte dos materiais utilizados para as oficinas foram materiais que tinha ali mesmo, no ambiente do CRAS, “mas não é por isso que não se precisa investir. Tem que incluir na Assistência Social mais recurso”.

Durante os relatos das experiências, mais de uma vez falou-se na necessidade de pensar fora da caixa. Alvira concorda: “A gente, como profissional, tem que se desconstruir, precisamos sair das caixas. Vamos parar de falar da psicologia só com psicólogos, de assistência social só com assistente sociais”. Sem desconsiderar as territorialidades e realidades locais, a experiência no CRAS Capoeiras mostrou que a Agroecologia tem potencial quando o assunto é Proteção Social Básica, Assistência Social  e seus princípios: cuidado e fortalecimento de vínculos.

Seminário apresenta e constrói estratégias para aproximar produção e consumo de alimentos agroecológicos

Seminário reuniu mais de 200 pessoas ao longo de 2 dias de programação

“Eu vendo mais de 90% da minha produção de açafrão e gengibre pra um atravessador de São Paulo. E eu vejo que esses produtos voltam pras feiras daqui de Santa Catarina com o preço lá em cima. E aí acham que o alimento orgânico é caro”. A fala do agricultor Eduardo May, que cultiva alimentos agroecológicos na comunidade do Pinheiral,

interior de Major Gercino (120km de Florianópolis), reflete alguns dos problemas da cadeia de produção e consumo de alimentos orgânicos no Brasil: a logística, a atuação de atravessadores e, sobretudo, o preço. “Os feirantes daqui fazem pedidos pequenos desses produtos, então não compensa gastar com o frete, nem pra mim nem pra eles. Aí eu acabo vendendo pra São Paulo, que sempre é em quantidade”, explica o agricultor. No mercado local, ele comercializa suco de uva orgânica,

Os agricultores Valdenir (esq) e Eduardo (dir) participaram do Seminário

produzido na fábrica da Cooperativa que ele participa, a Coopermajor.

Para tentar desatar alguns desses nós, Eduardo participou do Seminário Internacional “Alimentos Agroecológicos e Redes de Produção-Consumo”, promovido por Cepagro, LACAF e Slow Food nos dias 27 e 28 de maio, na UFSC. O objetivo do Seminário foi compreender e fortalecer redes de produção-consumo de alimentos agroecológicos. Ou, nas palavras do agricultor Valdenir May, de Angelina, que veio junto com o primo Eduardo ao evento: “juntar os três lados: produtores, comerciantes e consumidores”. Eduardo completa: “é muito importante incentivar os consumidores a pensar a logística junto com a gente”.

Seminário abordou gargalos e estratégias para aproximar produção e consumo de alimentos agroecológicos

A programação do Seminário teve palestras, mesas de debate e também atividades em grupos de trabalho sobre temas como: acesso a alimentos agroecológicos, valorização de alimentos da agricultura familiar, consumo político, organização de consumidores, formalização de mercados agroecológicos, articulação entre restaurantes e grupos de agricultores. A aproximação “dos três lados” da cadeia alimentar agroecológica e o maior envolvimento de consumidores/as nas dinâmicas de distribuição de alimentos foram algumas das estratégias colocadas ao longo do evento para ampliar e democratizar o acesso a alimentos bons, limpos e justos.

Comer – e consumir – é um ato político

O Seminário começou com auditório cheio e mesa farta de alimentos agroecológicos cedidos pelo grupo de agricultores AGRODEA, de Imbuia. Na palestra de abertura, a professora Francesca Forno, da Universidade de Trento (Itália), abordou o tema do “consumo político”: a possibilidade de consumidores/as intervirem social e ambientalmente através da mudança de seus hábitos de consumo. “Os modelos de produção e consumo são elementos chave para discutir  questões ambientais e sociais. Assim, nossas escolhas de consumo podem mudar situações sociais ou políticas. Em vez de pressionar o Estado, pressiona-se o mercado ”, afirma Francesca, que trouxe diversos exemplos de campanhas de boicote e organização de consumidores/as de impacto na Itália e outros países da Europa. Neste contexto, “redes agroalimentares sustentáveis emergem para fazer frente ao sistema agroalimentar industrial”, explica a professora italiana, que pesquisou grupos de consumo de alimentos na Itália. Em sua investigação, verificou que 62% das pessoas envolvidas nessas experiências são mulheres, grande parte com alto nível de instrução. Como mudanças de hábitos após engajarem-se nessas iniciativas, as/os participantes da pesquisa passaram a cultivar  alimentos em casa, consumir mais alimentos locais e sazonais, além de pensar e atuar  mais sobre reciclagem e alternativas de mobilidade – indicando como a transformação da lógica de alimentação pode ter outros reflexos além da mesa.

Já Rafael Rioja Arantes, do Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, apresentou iniciativas práticas de sua organização pela promoção de hábitos alimentares saudáveis, com incidência política e acesso à informação. Uma das iniciativas mais conhecidas do Instituto é o Mapa de Feiras Orgânicas, um site onde consumidores/as podem apontar e sugerir atualizações sobre iniciativas de comercialização de orgânicos. O Mapa surgiu a partir de uma pesquisa do IDEC que apontou que nas feiras os alimentos orgânicos eram pelo menos 50% mais baratos do que nos supermercados. “Nosso objetivo é unir as pontas da produção e do consumo”, afirma Rafael. “É muito importante a participação de consumidores para manter o mapa atualizado”, completa. Outra frente importante de atuação do IDEC é quanto a rotulagem de alimentos, desenvolvida em parceria com a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, lutando para que sejam indicados nos rótulos se há componentes transgênicos entre os ingredientes, por exemplo, além de indicar os níveis de açúcar e gordura em alimentos industrializados.

Fechando a programação da 2ª, um colorido café agroecológico com alimentos da época e regionais preparados pelos ecochefs do Slow Food Brasil Mata Atlântica.

Prática ancestral, ciência e movimento social

Na terça-feira, o dia iniciou com a palestra do professor Oscar José Rover, coordenador do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF/UFSC). Ele respondeu para a diversidade de público presente o questionamento: O que são alimentos agroecológicos? Segundo o pesquisador, que é também um dos representantes do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF), “a Agroecologia e a produção orgânica se caracterizam justamente por aquilo o que elas não são, ou não utilizam”. Livre de agrotóxicos e transgênicos, a Agroecologia, segundo Oscar, tem pelo menos três dimensões: a de ser uma prática ancestral, uma ciência de manejo sustentável, ao mesmo tempo em que é um movimento social.

São justamente essas três características que diferenciam os alimentos agroecológicos dos alimentos orgânicos. Enquanto a ênfase da produção orgânica está na certificação do alimento, que pode ser cultivado em monoculturas, a produção agroecológica enfatiza também a certificação dos sistemas de produção e tem como objetivo a democracia e a justiça agroalimentar com preços justos a consumidores e agricultores.

Cooperativas de consumo, ecogastronomia, participação social: praticando a responsabilidade como consumidores/as

Durante todo o evento, o acesso aos alimentos agroecológicos foi colocado como um dos principais desafios da Agroecologia atualmente. Como aproximar quem consome de quem produz? A fim de aprofundar a discussão sobre o assunto, Eduardo Rocha, presidente do Cepagro, Sidilon Mendes, da COOPET (Cooperativa de Consumidores de Produtos Ecológicos de Três Cachoeiras) e Fabiano Gregório, ecochef do movimento Slow Food, se reuniram no debate Acesso aos alimentos agroecológicos e orgânicos e o papel dos consumidores.

Eduardo Rocha iniciou sua fala com a reflexão sobre o alimento como um direito ao lembrar que foi há apenas nove anos que a alimentação se tornou um direito social garantido pela Constituição. Apesar disso, hoje em Florianópolis, o número de pessoas com insegurança alimentar está perto dos 30 mil. Ou seja, quase 10% da população não tem acesso a alimentos seguros e adequados para consumo. Para o presidente do Cepagro, “o desafio é romper com o individualismo nos processos de compra”.

Foi unanimidade entre os debatedores que é preciso haver uma corresponsabilidade na garantia do acesso aos alimentos agroecológicos, cabendo aos cidadãos dar preferência aos alimentos produzidos de forma limpa e justa.  Comprar diretamente com agricultoras/es em feiras ou por meio das cestas semanais, como na Célula de Consumidores Responsáveis, são maneiras de contribuir com o movimento agroecológico e se aproximar da realidade do agricultor. Mas é possível dar um passo além.

É o caso do grupo de consumidores de Florianópolis formado pelo Cepagro através do Projeto Consumidorxs e Agricultorxs em Rede, apoiado pela Misereor. Com o Curso de Formação Consumidores e Agroecologia, o grupo tem conhecido de perto a realidade de agricultores agroecológicos, as dificuldades enfrentadas por eles e os benefícios que esse modelo de produção traz para ambos. “Não é um caminhão que traz o alimento até a gente. São pessoas, e é importante que o consumidor tenha contato com a realidade do campo, com o agricultor”, complementou Eduardo.

Sidilon Mendes compartilhou a experiência com a Cooperativa dos Consumidores de Produtos Ecológicos de Três Cachoeiras-RS (COOPET), que existe há mais de 20 anos. A COOPET comercializa alimentos a preço de custo para seus 100 cooperados/as, que pagam uma mensalidade de R$ 35 para manutenção do espaço e pagamento de funcionários/as. Como uma dica para as próximas cooperativas de consumo a serem formadas, Sidilon aponta que seria interessante que “cada cooperado prestasse também algumas horas de serviço à cooperativa, que fossem 4 horas mensais. Varrendo o chão, limpando prateleira, ajudando a organizar o estoque”, explica.  

A riqueza da sociobiodiversidade catarinense esteve presente no Seminário

Com o olhar de quem se coloca entre as duas pontas, consumidores e produtores, o ecochef Fabiano Gregório afirma que faz diferença conhecer o caminho dos alimentos. Ele trabalha com Agroecologia há 12 anos e afirma: “O ecochef não pode se limitar as receitas. Ele tem que ir à campo e conhecer como o seu alimento é produzido, os agricultores, a sazonalidade”. Uma das frentes de atuação de Fabiano é na Aliança de Cozinheiros Slow Food, grupo de ecochefs que fazem incidência em restaurantes para adoção de alimentos agroecológicos – com toda sua diversidade e sazonalidade – em seus cardápios. “Com criatividade e planejamento, conseguimos usar a diversidade a nosso favor”, afirma Fabiano.

E quando a margem de escolha e de acesso a alimentos orgânicos é mínima? Como exemplificou Eduardo Rocha: “aqui atrás de nós está o Maciço do Morro da Cruz, onde provavelmente muitas pessoas nem sabem o que é um alimento orgânico”. A estudante de Ciências Sociais e representante da Rede SAN de Mulheres Negras, Luana Brito, completa: “considerando que 54% da população brasileira é negra, a Agroecologia ainda é elitizada e branca”. Luana, que recebe uma bolsa-auxílio da universidade, conta que consome  alimentos orgânicos na Feira da Universidade ou quando são servidos no Restaurante Universitário – mostrando a importância de políticas públicas de compras institucionais para ampliar o acesso a esses alimentos. “Mas quando tem pessoas que precisam escolher entre pagar as contas ou comprar uma cesta de orgânicos, é preciso refletir sobre quem são as pessoas que têm acesso ao alimento de qualidade e orgânico?”, questiona a estudante. Para ela, o Seminário foi uma oportunidade de somar e ampliar esse debate tão necessário.  

Planilha aberta, políticas públicas, venda direta: as estratégias de  valorização da agricultura familiar agroecológica

“O mercado convencional não valoriza o alimento. Os supermercados podem ser um canal ‘seguro’ de comercialização, mas querem comprar a um preço que inviabiliza a produção agroecológica”. Dividindo-se entre o trabalho como docente e feirante na UFSC, o agricultor-agrônomo Anderson Romão observa o mercado de alimentos orgânicos agroecológicos como pesquisador e fornecedor. Membro do Grupo Flor do Fruto da Rede Ecovida de Agroecologia, Anderson e seus companheiros de grupo fornecem alimentos para a Feira Orgânica do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, para grupos de cestas de consumo e também para a merenda escolar. Na mesa “Estratégias de valorização da agricultura familiar”, ele aponta que a venda direta ainda é a melhor estratégia de comercialização para a agricultura familiar agroecológica. “E também de comunicação com nossos/as consumidores/as, com quem conversamos e estamos abertos para receber em nossas propriedades”, completa. “O consumidor tem que entender a lógica da produção agroecológica. Ele precisa saber que não tem como ter alface o ano inteiro.” Anderson acredita que a educação é a base de tudo, e o consumidor também precisa ser educado e conscientizado, até mesmo sobre as sazonalidade e intemperanças que influenciam no produto final. Ele vê de perto como a comercialização direta facilita essa compreensão, quando se negocia com um comprador intermediário essa relação é perdida.

Assim como a organização de grupos de consumidores é importante para praticar novas lógicas de consumo e encurtar as distâncias da comercialização, Anderson afirma que “a organização dos/as agricultores/as em grupo traz resiliência frente ao mercado convencional”. Anderson destaca a importância do fortalecimento de políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos para ampliar o acesso a alimentos agroecológicos e propiciar alternativas de comercialização para as famílias agricultoras. “Em Biguaçu, por exemplo, as crianças comem açaí e banana orgânicos nas escolas”.

Mas essas iniciativas precisam andar junto com a Reforma Agrária e programas de distribuição de renda, de acordo com Fábio Santos Teixeira Mendes, do Instituto Chão (SP), que participou na mesa com Anderson e Valentina Bianco, do Slow Food. “Sem mexer nisso fica difícil falar em alimentação saudável. Enquanto não fizer a reforma agrária e a redistribuição de renda, tudo o que a gente fizer é paliativo. Ajuda, mas tem que mexer na questão da terra”.

O Instituto Chão é um espaço de comercialização de alimentos na capital paulista que trabalha com uma planilha aberta de custos: quem compra lá sabe quanto eles pagaram para adquirir os alimentos – priorizam-se cooperativas, assentamentos da reforma agrária e agricultores/as familiares -, além das contas de luz, aluguel. Os alimentos são vendidos basicamente a preço de custo, sugerindo-se um adicional de 30-35% no valor para cobrir os gastos de manutenção do espaço e salários da equipe, que hoje conta com 22 pessoas. O Chão comercializa mais de R$ 1 milhão em alimentos todos os meses. “Não abrimos mão das relações justas de trabalho. Na nossa equipe, todos ganham o mesmo salário. E, com agricultores/as, esperamos que tenham relações justas de trabalho também”, afirma.

Valentina Bianco, do Slow Food, falou sobre as diversas campanhas promovidas pelo Movimento para valorização do alimento, como a Disco Xepa (centrada no tema da diminuição do desperdício), a Festa Junina sem Transgênicos e o Banquetaço.

Outra iniciativa de valorização e democratização do acesso a alimentos agroecológicos apresentada durante o Seminário foi a da Rede de Cidadania Agroalimentar, também em formato de mapa virtual. A RCA lista experiências de venda direta em que a distância entre produção e comercialização seja de no máximo 200km.

WhatsApp: grande aliado na articulação de consumidores/as e produtores/as

Na terceira e última parte do Seminário, grupos de trabalho se reuniram para discutir a articulação entre restaurantes e produtores, a formalização de mercados agroecológicos e formação de grupos de consumidores. Foram criados grupos de whatsapp de todos, com participantes inscrevendo-se para colaborar na coordenação e animação destes. O GT dos Restaurantes fará um cadastro de agricultores/as e restaurantes, enquanto o de Formalização propõem-se a fortalecer o diálogo com órgãos públicos de fiscalização e controle. Dos consumidores, ficou o encaminhamento de articular mais experiências de grupos de consumo, incorporando práticas como a planilha aberta e a construção coletiva de preço.

Donizete (de boné, à esq) aproveitou para incrementar a diversidade de alimentos cultivados em sua propriedade, comprando sementes crioulas da ASPTA, que também participou do Seminário

Enquanto a comunicação foi apontada como um dos grandes gargalos para aproximação entre produção e consumo, ferramentas como o WhatsApp mostram-se como grandes aliadas neste esforço. O grupo AGRODEA, que fornece alimentos para a Célula de Consumo Responsável da UFSC, aproveita bastante essa ferramenta. “Se não fosse o zap, a Célula não funcionava”, conta Dulciani Allein Schlikmann, articuladora da Célula em Imbuia. O agricultor Donizete Goerdert, que cultiva alimentos para o grupo, concorda. Além de vender pela Célula de Consumo Responsável, ele tem um grupo de WhatsApp com consumidores/as da própria Imbuia, para quem ele fornece cestas semanalmente. “Metade da minha produção eu vendo para cestas e para a Célula. A outra metade é para mercados e empórios da região. Forneço também para a merenda”, conta Donizete, exemplo de diversificação agroecológica na produção e na comercialização.

O cozinheiro Jorge Luiz Lopes, de Florianópolis, traz outra experiência de articulação entre produção e consumo via zap-zap. Ele articula o grupo de compras coletivas Madresita, que tem 108 participantes na capital catarinense. “Com a compra coletiva, conseguimos ampliar o pedido. Aí o frete vale a pena”, explica Jorge. A família que fornece para o grupo é de Rio Fortuna e cultiva uma diversidade de alimentos em 2 hectares de agrofloresta. “Eles começaram fazendo entrega de camionete e hoje têm 2 caminhão baú para entregas”, afirma Jorge. Exemplo prático do que disse o agrônomo-agricultor Anderson Romão: ao comprar da agricultura agroecológica, estamos viabilizando a permanência dessa família no campo.

“Não gosto muito de cozinhar. Mas hoje tenho prazer em fazer isso, por ser um alimento sem veneno. Sou filha de agricultores, esses alimentos trazem minhas memórias de infância, de quando eu comia tudo que era plantado pela minha mãe ao redor de casa. Ainda preciso me desconstruir com a sazonalidade. Mas, desde que comecei a comprar alimentos pela Célula de Consumo, passei a comer plantas como ora-pro-nobis, beldroega e as folhas da beterraba e da cenoura” Teresinha Rocha Cavaleiro, dona de casa e membro da Célula de Consumo Responsável da UFSC.

 

Cepagro constrói ações de educação ambiental em escola de Major Gercino

Na última quinta-feira, 23 de maio, a equipe técnica do Cepagro voltou à Major Gercino para conversar com educadores/as da Escola Professor Tercílio Bastos, onde até dezembro serão realizadas atividades de Educação Ambiental. Esta, que foi a terceira visita à escola, teve como objetivo construir coletivamente com o corpo docente as ações que serão realizadas com os/as estudantes ao longo do ano, por meio de projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz.

O projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais: ampliando os conhecimentos, fortalecendo as relações e garantindo sustentabilidade tem como objetivo promover a Agroecologia como alternativa sustentável de produção agropecuária e também de organização comunitária e conservação ambiental. Além das atividades na escola da comunidade do Pinheiral, o projeto atuará em três municípios de Santa Catarina: Nova Trento, Major Gercino e Leoberto Leal, abrangendo 12 comunidades e envolvendo 40 famílias agricultoras.

Na escola, o projeto visa trabalhar uma horta pedagógica que permite envolver diversos conteúdos, de história e geografia à matemática e língua portuguesa. Durante a última conversa, os/as professores/as compartilharam suas ideias de como incorporar a horta em suas disciplinas. Desde o primeiro diálogo com a direção da escola, também foram colocadas outras duas demandas: a construção de cisternas para a captação de água da chuva e atividades de comunicação popular e mídias digitais.

A escola conta com alguns canteiros que foram implantados mediante projetos passados, e a ideia é reestruturar o espaço com canteiros agroecológicos. Para isso, será utilizado composto doado pelo Aeroporto Internacional de Florianópolis. Segundo a diretora da escola, Fabiana Laurindo Motta, há problemas de abastecimento de água no espaço onde eles se encontram, assim, a construção de uma cisterna seria bem vinda e melhoraria a irrigação dos canteiros.

A professora Fernanda Farias Muenich Marques, que leciona História e Geografia, disse que projetos como esse possuem um grande potencial, pois segundo ela, quando vêm pessoas de fora da escola propondo um trabalho mais prático, as/os alunas/os sempre se envolvem mais. A proposta de trabalhar a horta pedagógica com a comunidade escolar surgiu porque a Escola Prof. Tercílio Bastos se encontra na zona rural de Major Gercino e centraliza jovens de várias comunidades, sendo um potencial muito grande para sensibilizar estes para as alternativas ao tabaco e a promoção da saúde através da Agroecologia.

Antes do início das atividades na horta, ainda será realizada uma conversa com as/os estudantes do 6º ao 3º ano do Ensino Médio, além de uma formação para professores/as.

Ainda na quinta-feira, como parte das ações do projeto apoiado pelo Instituto Irmãs da Santa Cruz, os técnicos do Cepagro, Francys Pacheco e Giselle Miotto também visitaram propriedades com degradação de mata ciliar no afluente do rio Boa Esperança para realizar atividade de recuperação que também está prevista no projeto.

Crianças constroem canteiro de flores para abelhas em escola no Campeche

Na semana em que se comemora o Dia Mundial das Abelhas, alunos e alunas da Escola Januária Teixeira da Rocha, no campeche, constroem canteiro de flores para atrair esses insetos tão fundamentais para o meio ambiente. A atividade aconteceu na sexta-feira, 24 de maio, e foi mais uma oficina do projeto em parceria com a Amocam, através do projeto Misereor em Rede. Durante uma manhã ao ar livre, as crianças aprenderam com a agrônoma do Cepagro, Karina Smania de Lorenzi, a importância das abelhas para a manutenção de várias espécies de plantas e alimentos.

Quem trouxe esse tema foi a professora do quinta ano, Maria Inês Evaristo: “Como a gente está trabalhando essa parte da horta na escola e estamos fazendo vários espaços, porque não fazer um canteiro das flores para as abelhas?”. A professora propôs e Karina abraçou a ideia, principalmente porque o sumiço das abelhas é um tema que tem gerado bastante discussão ultimamente. Quando perguntados em sala de aula sobre o porquê desse fenômeno, alguns já sabiam a resposta: os agrotóxicos.

Segundo levantamento da Agência Pública e Repórter Brasil, somente em Santa Catarina foram encontradas pelo menos 50 milhões de abelhas mortas, de dezembro do ano passado a fevereiro de 2019. Especialistas e pesquisas laboratoriais apontam que o principal causador é o contato com agrotóxicos a base de neonicotinoides e fipronil, utilizados como inseticida.

Sabendo disso, mudinhas de manjericão, cravo de defunto e boca de leão foram plantadas pelas/os alunas/os com o intuito de tornar a escola um ambiente convidativo para as abelhas nativas, como a mandaçaia. Além de preparar um canteiro para as abelhas, que ganhou o formato de borboleta, “a gente pôde trabalhar também a polinização, como funciona, quais plantas precisam das abelhas para dar o nosso alimento, quais as flores que têm mais potencial em atrair abelhas. Então foi interessante, a gente conseguiu encaixar isso tudo no tema de hoje”, conta a agrônoma Karina Smania.

Cepagro volta a El Salvador para debater Políticas Públicas e fortalecer articulações agroecológicas

A convite da Fundación para el Desarrollo Socioeconómico y Restauración Ambiental (FUNDESYRAM) – organização parceira do Cepagro no projeto apoiado pela IAF -, nosso coordenador de desenvolvimento rural, Charles Lamb, esteve em El Salvador entre os dias 13 e 18 de maio, participando do Fórum “POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EL FOMENTO DE LA AGROECOLOGÍA EN EL SALVADOR” e conhecendo o trabalho de fomento à Agroecologia no país centroamericano. “Foram dias de diálogo muito aberto sobre as iniciativas e contextos atuais no Brasil e de El Salvador relacionados à organização de base e promoção da agroecologia. Há muitas semelhanças e compartilhamento de saberes, conhecimentos técnicos e metodológicos”, afirma Charles.

O Fórum “POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EL FOMENTO DE LA AGROECOLOGÍA EN EL SALVADOR” foi realizado no dia 16 de maio na capital, San Salvador, com o objetivo de  “elaborar propostas de políticas públicas nacionais e locais que apóiem a promoção da agroecologia para a produção e consumo de alimentos saudáveis em El Salvador”, visando à criação de um documento a ser apresentado ao Presidente recém-eleito do país, que tomará posse dia 1 de junho. O evento reuniu mais de 200 pessoas de todo o país, representando diferentes movimentos e organizações de base, além da cooperação internacional, representações da União Europeia, representantes públicos de municípios e academia. De acordo com Charles Lamb, foram reafirmadas “convicções de que a agroecologia realmente promove não somente o desenvolvimento das comunidades, mas é um elemento determinante para as questões relacionadas aos efeitos do clima, principalmente nos países que têm na agricultura a sua principal fonte de renda e manutenção de populações no campo”, de acordo com Charles. “Além dos painéis que trataram de temática relacionadas, à tarde se distribuiu o público presente em diferentes mesas, gerando através dessas um documento a ser apresentado ao governo federal de El Salvador, iniciativa única e respaldada por um coletivo convicto de suas proposições”, completa.

A Fundesyram é uma das principais articuladoras de uma Rede de Agroecologia em El Salvador, que reúne mais de 50 organizações do ocidente ao oriente do país. “A articulação da Rede é uma das estratégias mais concretas e acertadas para a promoção da segurança alimentar e nutricional, além da geração de renda e preservação ambiental para as famílias agricultoras. As iniciativas promovem do desenvolvimento local e regional, gerando possibilidades concretas das pessoas permanecerem em suas comunidades com qualidade de Vida”, conta o membro da equipe Cepagro.

Durante a visita à parte ocidental de El Salvador, Charles conheceu a Escola de Campo de Agricultores no município de Apaneca, a 1400 metros de altitude. Relata que ali “foi possível conhecer e dialogar com agricultoras e agricultores, representantes da Horizont 3000, e com a equipe técnica responsável por diferentes projetos executados nas regiões de atuação de Fundesyram. Chamou atenção a questão das Biofábricas existentes, uma estratégia muito avançada de oportunizar insumos de baixo custo a nível comunitário (Biofortificadores e bokashi), gerando economia e disseminação de manejos sustentáveis dos cafezais, cultura muito presente nesta região. A certificação participativa via SPG, compras públicas, câmbios climáticos, redes colaborativas, e cooperação, também foram debatidas com o grupo presente.”

Na parte Oriental, ele conheceu a Associação Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte de Morazán, que vem colocando prioridade no desenvolvimento territorial desta região através de um consórcio de municípios, se mantendo há mais de 12 anos demandando aos governantes políticas que sejam efetivas. Ali, a Fundesyram promove a agroecologia junto a uma Escola-fundação, que até 2018 ainda trabalhava com insumos químicos procedentes de grandes multinacionais. Charles observa que “A partir do acompanhamento da Fundesyram e de outras parcerias locais, foi possível incorporar práticas agroecológicas ao conteúdo escolar e, através de grupos de estudos, implementar ações concretas de cultivos, manejos, compostagem e outros que somente reforçam a importância das hortas pedagógicas como alimentadoras do desenvolvimento local”.