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Compostagem: solução eficiente e de baixo custo para a gestão de resíduos orgânicos

Esse foi um dos principais entendimentos construídos e reforçados durante o Seminário “A Compostagem de Pequeno Porte como solução para os municípios de Santa Catarina”, realizado na última 2ª feira, 3 de julho, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Promovido pelo Cepagro em parceria com o LACAF, FATMA, COMCAP, UFSC e apoio da FAPESC, o evento reuniu representantes de experiências comunitárias e corporativas de gestão de resíduos orgânicos e do poder público para discutir as potencialidades e desafios na implementação da compostagem em larga escala para tratamento de resíduos sólidos.  Durante o Seminário também foram lançados o boletim técnico Critérios Técnicos para Elaboração de Projeto, Operação e Monitoramento de Pátios de Compostagem de Pequeno Porte e o audiovisual Revolução dos Baldinhos: Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana, elaborado pelas instituições promotoras do evento.

“O que muitos chamam de lixo, para nós representa o renascimento da vida”. A visão sobre os resíduos orgânicos expressa pelo diretor-presidente do Cepagro, Eduardo Daniel da Rocha, é uma das mudanças de paradigma necessárias para uma melhor gestão dos nossos detritos nas cidades. Considerando que entre 30 a 50% do volume de resíduos enviados para aterros e lixões brasileiros seja de matéria orgânica, considerá-la como um material passível de reciclagem – e de transformação em adubo – significa não só uma diminuição dos custos de transporte e aterramento, mas também a promoção de benefícios socioambientais.

Promulgada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos tem como uma de suas premissas a diminuição do volume de resíduos enviados para aterros. “A compostagem é estratégica para o município atingir as metas de desvio do aterro”, afirma a Gerente de Planejamento, Gestão e Projetos da Companhia de Melhoramentos da Capital (COMCAP), Karina da Silva de Souza. Neste sentido, a construção de parâmetros técnicos para pátios e técnicas de compostagem é fundamental. É a esta demanda que o boletim técnico  Critérios Técnicos para Elaboração de Projeto, Operação e Monitoramento de Pátios de Compostagem de Pequeno Porte vem atender.

O professor Oscar José Rover, do Centro de Ciências Agrárias e coordenador do projeto executado pelo Cepagro com apoio da FAPESC para fortalecimento da Revolução dos Baldinhos, reforça que, além de tecnicamente bem feito, o processo de gestão de resíduos orgânicos deve ter também envolvimento das comunidades. “Temos que olhar também para a gestão social”, afirma. Isso porque é imprescindível que os resíduos orgânicos sejam separados corretamente dos outros rejeitos já dentro das casas, dessa sensibilização de cidadãs e cidadãos depende o sucesso da gestão descentralizada da fração orgânica.

Eugênia Gaspar da Costa, da INOVA, e Renato Trivella, do SESC.

Nas diversas experiências de compostagem apresentadas durante o Seminário, a etapa da sensibilização tem suma importância. É o caso do Programa Feira Sustentável, implementado pela Prefeitura de São Paulo em parceria com a empresa INOVA e o Cepagro para tratar resíduos orgânicos de feiras livres da região da Lapa. Eugênia Gaspar da Costa, da INOVA, explicou durante o Seminário que agentes ambientais fizeram a conscientização junto aos feirantes para que a segregação na fonte fosse realizada corretamente. Segundo Eugênia, o Pátio Piloto da Lapa, implantado em 2015-2016, recebe semanalmente cerca de 60 toneladas de resíduos, além de restos de podas e palhadas. “Cada feira produz diariamente cerca de 1 tonelada de resíduos orgânicos. Em São Paulo são cerca de 388 feiras”, explica, ressaltando o potencial dos pátios de compostagem para tratamento desse material.

Cíntia da Cruz, da Revolução dos Baldinhos, e Júlio Maestri, do Cepagro

Em Florianópolis, a compostagem em várias escalas também já é uma realidade. Utilizando o chamado Método UFSC de Compostagem, sistematizado e reaplicado por professores e estudantes do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a Comcap implementou em 2008 um pátio de compostagem no Centro de Tratamento de Resíduos da instituição, no bairro Itacorubi. De acordo com Flávia Vieira Orofino, engenheira da Comcap, no pátio são tratadas mensalmente cerca de 600 toneladas de resíduos orgânicos, oriundos principalmente de grandes geradores (hotéis, restaurantes, empresas) e trazidos ali pela Associação Orgânica. Fechando o ciclo do alimento, a Comcap implementou no ano passado no Jardim Botânico do Itacorubi uma horta comunitária onde o composto serve de base para agricultura urbana. No Jardim Botânico também há estações pedagógicas demonstrativas de compostagem, onde são realizadas oficinas.

Silvane Dalpiaz do Carmo, da Floram

Aliar o tratamento local de resíduos orgânicos com educação ambiental é a proposta também do projeto Família Casca, desenvolvido com apoio da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Florianópolis (Floram) no Parque Ecológico do Córrego Grande. Moradores e moradoras da região podem trazer seus resíduos orgânicos ali, além de levar minhocas para casa para usar em minhocários. “Mas essas atividades estão dentro de um circuito de educação ambiental”, explica a educadora ambiental Silvane Dalpiaz do Carmo, da Floram. Ela ressalta que o fato de o Parque estar num local público e de fácil acesso permite a sensibilização ambiental da comunidade.

“Se a comunidade não fechar junto, não tem como. A sensibilização é fundamental”. Visitando semanalmente as cerca de 150 famílias que participam do projeto Revolução dos Baldinhos, a agente comunitária Cíntia da Cruz reforça a importância da conscientização de moradoras e moradores para que a gestão de resíduos tenha sucesso. Além de resolver um problema sanitário e trazer uma possibilidade de geração de renda através da venda do adubo, a compostagem na Chico Mendes também fez diferença da auto-estima da comunidade, de acordo com Cíntia. Isso porque a Revolução dos Baldinhos tornou-se conhecida para muito além da Chico Mendes, sendo inclusive certificada como tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil, o que abriu as portas para sua reaplicação em empreendimentos do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Outro desdobramento significativo da Revolução foi a adoção da compostagem pelo SESC de Santa Catarina. Na unidade do Cacupé, em Florianópolis, um pátio de 700m² trata diariamente 250kg de resíduos orgânicos dos restaurantes da instituição, conforme apresentado pelo engenheiro agrônomo Renato Trivella. O composto produzido é doado para interessados e também alimenta o viveiro de mudas da instituição.

“O resíduo orgânico é o único que dá pra fechar todo um ciclo, por isso tem potencial de integração com outras políticas públicas”, afirma o analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Lúcio Costa Proença. Segurança Alimentar, Agroecologia e Produção Orgânica e Mudanças Climáticas são algumas das políticas públicas que podem ser trabalhadas juntamente com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Para ele, urge passarmos do paradigma do aterramento para o da reciclagem da fração orgânica, que representaria inclusiva uma diminuição da emissão de gás carbônico nos aterros devido à decomposição de restos de comida.

Como disse o agrônomo e vereador Marcos José de Abreu, que mediou parte do evento, “por enquanto só conseguimos medir os benefícios da compostagem através das toneladas desviadas dos aterros. Mas se considerarmos também a diminuição das emissões de CO², consumo de combustíveis e contaminação de lençóis freáticos, os benefícios ambientais e econômicas aumentam”.

Confira também as reportagens da TV Assembléia Legislativa e da TV UFSC sobre o evento, além da matéria do portal Desacato.info.

Veja abaixo o álbum completo do Seminário.

 

 

 

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Alimentos orgânicos: mais saúde e segurança para quem cultiva e para quem come

Seja pela apresentação de dados estatísticos, estudos acadêmicos ou pelas histórias de agricultoras e agricultores, essa foi a tônica da Semana Nacional do Alimento Orgânico em Florianópolis, celebrada no final de maio e início de junho. No Seminário de Alimentos Orgânicos realizado pela Cidasc em parceria com o Cepagro na FIESC no dia 1º de junho e na Feira Orgânica CCA do dia 2, o público pode conhecer melhor sobre a produção, certificação e comercialização de alimentos orgânicos. Além de mais reconhecimento pelo trabalho dos e das que produzem alimentos bons e limpos, outra demanda ganhou força nessa Semana: maior participação dos consumidores e consumidoras nos processos de certificação e comercialização de orgânicos. Como disse o agricultor Anderson Romão, do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida: “A parte mais difícil a gente faz, que é acordar cedo e plantar. Para o negócio virar mesmo, tem que partir do consumidor”.

Texto e foto: Carú Dionísio

“Me sinto confortável em dizer para os consumidores que podem consumir orgânico em Santa Catarina, porque é de qualidade”. A fala do engenheiro agrônomo Matheus Mazon Fraga, da CIDASC, veio após ele apresentar os resultados do Programa de Monitoramento da Produção Orgânica Vegetal durante o Seminário de Alimentos Orgânicos que aconteceu no dia 1º de junho. Implementado pela CIDASC com apoio do Banco Mundial, o Programa fez a coleta e análise de 1840 amostras de 13 cultivos orgânicos entre 2012 e 2016. Dessas, apenas 6% apresentaram inconformidades, como resíduos de agrotóxicos. “E, nesses casos, os órgãos públicos estão tomando as providências”, assegurou o agrônomo.

Enquanto a coleta e análise de resultados cabe à CIDASC, a averiguação das inconformidades está a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo o engenheiro agrônomo Francisco Powell Van de Casteele, do MAPA, a maioria das ocorrências de resíduos de agrotóxicos em alimentos orgânicos é devido à proximidade entre propriedades agroecológicas e convencionais, com barreiras insuficientes: “Parece um contrassenso, mas é o produtor orgânico que tem que proteger sua produção de um vizinho que às vezes não segue boas práticas no uso de agrotóxicos”, afirmou. Nos casos em que se verifica negligência ou má fé por parte do agricultor supostamente orgânico, é feito um auto de infração, que pode gerar multas. “Depois de várias autuações, encaminhamos para o Ministério Público”, completou.

Se pela segurança a população pode confiar nos alimentos orgânicos, seu valor de mercado ainda restringe seu consumo. Entretanto, os benefícios ambientais da agricultura orgânica não têm preço, de acordo com Francisco Powell: “Falam que o orgânico é caro. Mas se pensarmos na água potável que deixa de ser contaminada e na contribuição da agricultura orgânica para sua preservação, perceberemos os benefícios dessa atividade no fornecimento de água de qualidade para toda população”, avaliou.

A relação entre o consumo de alimentos orgânicos e os benefícios ambientais e para a saúde da agricultura ecológica foi corroborada durante o Seminário pela nutricionista Elaine de Azevedo, professora da Universidade Federal do Espírito Santo: “Comprando da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais, continuaremos donos de nossos recursos ambientais”, afirmou. Convidando o público a refletir sobre o alto consumo de carnes – já que a pecuária é uma das atividades com mais impactos socioambientais da atualidade -, a professora ressaltou na sua fala como a alimentação também é política. Quando podemos escolher o que comemos, optamos também por determinado modelo produtivo e social. “Para a alimentação ser política, é preciso pensar em quem trabalha no campo”, disse. Além de mais seguro para trabalhadores e trabalhadoras rurais, pois não envolve o manejo de agrotóxicos, os alimentos orgânicos também têm melhor valor nutricional em relação aos chamados convencionais, de acordo com vários estudos apresentados pela professora no Seminário. Elaine encerrou sua fala com a leitura do potente “Manifesto da Comida de Verdade”.

Mas como aumentar o acesso a esses alimentos bons, limpos e justos, num cenário em que grandes conglomerados empresariais dominam o mercado mundial de alimentos? Para o professor Oscar José Rover, coordenador do Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar da UFSC, a chave é aproximar produtores e consumidores, investindo em feiras, circuitos curtos de comercialização e células de consumidores, muitas vezes organizados pela internet. Novamente, o papel do consumidor e da consumidora é enfatizado, como disse o agricultor agroecológico Anderson Romão.

Anderson fez sua apresentação junto com outros 5 agricultores e agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, que fecharam a programação do Seminário de Alimentos Orgânicos. Além de explicar o funcionamento da Rede, a agricultora Claudete Ponath (Piçarras) apresentou um panorama de abrangência do Núcleo Litoral Catarinense, que envolve 130 famílias de agricultores de 28 municípios, de Garopaba até Joinville. Nas suas falas, o grupo reforçou que a Rede vai bem além da certificação, como disse a agricultora Sônia Jendiroba, do grupo Ilha Meiembipe (Florianópolis): “Quando entrei pra Rede eu queria muito mais do que plantar sem veneno. Queria fazer parte da agroecologia, estar mais próximo dos consumidores e com outros agricultores”.

Para Sônia, ser visitada pelas pessoas que comem os alimentos que ela cultiva só traz mais credibilidade para seu trabalho, além de fortalecer seu compromisso com a Rede: “Esse olhar nos dá credibilidade e também responsabilidade de produzir e vender, saber que não vamos falhar na frente, senão toda a Rede vai pagar o pato. Temos esse compromisso social de que o que produzimos é saúde”, concluiu.

Já Pedro Eger, do grupo Harmonia da Terra, de Rancho Queimado, enfatizou o intercâmbio de informações entre agricultores e agricultoras como uma das principais motivações para estar na Rede: “Além da diminuição do custo, nós migramos da certificação por auditoria para a participativa pela oportunidade de trocar experiências com outros agricultores”, disse.

A Semana do Alimento Orgânico terminou com uma edição festiva da Feira Orgânica CCA. Veja como foi na fotorreportagem de Joelson Cardoso para o Cotidiano UFSC e também na reportagem de Marcelo Luiz Zapelini para o Desacato.info.

Confira também a matéria de Fernando Lisbôa para o telejornal UFSC Cidade.

Veja mais fotos do Seminário na galeria abaixo:

Cepagro lança documentário “Agroecologia no Parque Estadual do Rio Vermelho” durante Mostra Planeta.doc

folder-planeta-docRealizado com apoio da REGA – Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil –  e do cineasta Renan Ramos Rocha, o documentário Agroecologia no Parque Estadual do Rio Vermelho foi lançado na última quarta (09/11) na Mostra Planeta.doc de Cinema Socioambiental.  O filme retrata os 2 anos e meio da Gestão Agroecológica do Camping do Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis/SC,  realizada pelo Cepagro em conjunto com a FATMA.

Gravado durante o I Encontro Regional Sul de Grupos de Agroecologia e com imagens de arquivo, o curta-metragem mostra, ao longo de seus 29 minutos, as diversas ações de sustentabilidade aliadas ao turismo ecológico implementadas pelo Cepagro entre dezembro de 2013 e maio de 2016. Dentre elas, estavam atividades de educação ambiental, hortas e agroflorestas para restauração ambiental, coleta seletiva, compostagem e viveiro com dezenas de espécies da Mata Atlântica. O documentário integrou a Mostra Competitiva do Festival e foi exibido no Auditório da Reitoria da UFSC.

Clique no link abaixo para assistir!

 

 

Programa da BAND traz panorama da agroecologia e segurança alimentar em SC

Com participação dos agrônomos Marcos José de Abreu, presidente do CONSEA/SC, e Javier Bartaburu, ambos da equipe técnica do Cepagro, o programa Sustentar abordou os esforços da sociedade civil e governos em fortalecer a agroecologia, da produção às estratégias de comercialização, como ferramenta para garantir o acesso à alimentação adequada.  Abaixo o vídeo, na íntegra.

Comunidade continua sem terreno e prefeitura demonstra descaso com o imobiliário urbano

Mais do que negar à comunidade o acesso a este espaço com comprovado potencial para uma área verde, dispondo inclusive de recursos próprios para construção de uma Ecopraça com planta recicladora para enorme carga de resíduos orgânicos,  a postura da prefeitura municipal frente ao impasse na cessão de terreno as comunidades do Monte Cristo expõe um grave descaso no controle do imobiliário urbano.

Como desculpa pelo não cumprimento do prazo para conclusão dos tramites de desapropriação, a autoridade competente divulgou nota afirmando que “houve transferência de titularidade, e que o dono do terreno não é mais quem a prefeitura achava que era” – nas palavras do jornalista Mario Motta, em nova reportagem sobre o caso exibida ontem no Jornal do Almoço da RBS TV. Para assistir na integra clique na imagem abaixo.

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Na TV, prefeitura de Florianópolis compromete-se a resolver impasse sobre terreno para pátio de compostagem

No Jornal do Almoço de hoje, o secretário de Habitação e Saneamento Ambiental de Florianópolis, Domingos Zancanaro, comprometeu-se com o mes de agosto  como prazo para solução do impasse sobre cessão de terreno para pátio de compostagem da Revolução dos Baldinhos. Clique na imagem para ver o vídeo.

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