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Alunos do NEI Armação cultivam alimentos e aprendizados com Horta Agroecológica

Compostagem, orgânicos e alimentação saudável são palavras que as crianças do Núcleo de Ensino Infantil Municipal Armação conhecem bem. Desde o início do ano, as turmas de 5 e 6 anos aprendem na prática o ciclo dos alimentos orgânicos na Horta Pedagógica assessorada pela engenheira agrônoma Karina Smania de Lorenzi, da equipe técnica do Cepagro. A atividade faz parte da Rede de Fortalecimento da Segurança Alimentar Nutricional no âmbito da alimentação escolar (ReforSAN Escolar), um projeto multidisciplinar financiado por edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e realizado em conjunto com professoras do curso de Nutrição da UFSC que abrange a pesquisa, o ensino e a extensão.

A horta do NEI Armação já existia, mas estava há algum tempo desativada e sem cuidados. Com o trabalho que Karina vem realizando junto com as crianças, o espaço se tornou um ambiente de aprendizado sobre gestão de resíduos, agroecologia e alimentação saudável, três temas abordados ao longo do ano letivo. “A horta agroecológica é usada como uma ferramenta pedagógica para trabalhar o que as crianças aprendem em sala de aula: são atividades bem lúdicas como cânticos, contação de histórias, jogos e brincadeiras”, conta Karina Smania de Lorenzi.

Além da horta, outro espaço onde as crianças colocam a mão na terra é a composteira. Toda semana dois alunos ficam responsáveis por trazer para a aula os resíduos orgânicos gerados em casa. Assim, o que elas aprendem na escola é repassado também para os pais. É o que conta a professora Márcia Margarete do Nascimento: “A gente está percebendo que as crianças estão ensinado em casa os seus pais a saberem reciclar o seu lixo, saber que eles podem colocar na natureza e o que não podem. Então a horta está fazendo uma diferença muito grande não só na sala de aula mas para outras turmas e para a família”.

E a atividade da composteira não beneficia somente as crianças e os pais, “na escola muitos alimentos estavam sendo descartados e jogados fora no lixo comum, com as composteiras a gente está começando a produzir composto pra colocar na nossa horta”, conta ainda a professora. Até o final do ano, o tomate, a alface, a couve e a cenoura que as crianças estão vendo brotar na horta vão se transformar em receitas que eles mesmos vão poder fazer, junto das nutricionistas e cozinheiras do NEI Armação.

A partir das atividades na horta, as crianças desenvolvem uma relação de harmonia com a natureza. Com o minhocário dentro da sala de aula, elas aprendem como as minhocas e a centopeia Jujuba são importantes para a horta e para a natureza. É um trabalho completo que traz a horta e o cuidado com a natureza para o cotidiano das crianças.

Saiba mais sobre nossa assessoria a Hortas Escolares ou solicite um orçamento pelo e-mail: hortaescolar@cepagro.org.br.

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Associação Brasileira de Agroecologia divulga Manifesto em defesa da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e a Política de Núcleos de Estudos em Agroecologia (NEAs)

Escrito e assinado durante a reunião para discutir a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), que acontece em Brasília de 24 a 26 de abril, o Manifesto ressalta a importância dos Núcleos de Estudos em Agroecologia no Brasil (NEAs). Os NEAs “têm-se mostrado com uma política pública de amplo alcance e resultados em todo o território nacional”, já que apresentam características como capilaridade, interdisciplinariedade, articulação interinstitucional, além de outros princípios consonantes com os da Agroecologia. De acordo com o documento, “entre 2010 e 2017 os NEAs tiveram 377 projetos apoiados em 230 Campi, sendo 39 Institutos Federais; 49 Universidades Federais; 21 Universidades Estaduais; e 5 Universidades sem fins lucrativos. Está presente nos 27 estados da Federação e atendeu em torno de 60 mil beneficiários diretos entre estudantes, professores, agricultores e agricultoras familiares, técnicos da extensão rural, entre outras;  Veja abaixo o documento na íntegra ou clique aqui:

Manifesto em defesa da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e a Política de Núcleos de Estudos em Agroecologia no Brasil (NEAs)

Nós abaixo assinados, representantes de Núcleos de Estudo em Agroecologia das Universidades, Institutos Federais e Instituições de Pesquisa do Brasil, assim como o conjunto de parceiros – poder público, cooperativas, movimentos sociais, comunidades rurais, povos e comunidades tradicionais; Instituições de ATER; organizações da sociedade civil e empreendedores – vimos por meio deste manifestar nossas reivindicações quanto a manutenção da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – PNAPO, em especial o fomento aos Núcleos de Estudo em Agroecologia, considerando:

1. Que o avanço de uma agricultura cada vez mais distante da natureza, caracterizada pela busca do aumento da produtividade agrícola a qualquer custo, desencadeou uma série de impactos sociais, econômicos e, especialmente, ambientais, que estão interligados a partir de uma crise ecológica sem precedentes na história da humanidade;

2. Que estes impactos nos territórios rurais, bem como para a sociedade em geral, vêm sendo amplamente documentados em diversas pesquisas e revelam a incapacidade do modelo hegemônico atual de reagir às incertezas cada vez mais evidentes, sobretudo, no clima;

3. Que o esgotamento, cada vez mais evidente, de recursos vitais como terra, água e energia em um ambiente de crescimento da população mundial, coloca este modelo de agricultura altamente dependente de recursos naturais em uma encruzilhada;

4. Que atualmente, a Agroecologia tem-se apresentado como uma alternativa viável para superação destes problemas, entendida como uma ciência, prática e movimento, sendo desenvolvida por milhares de pessoas no campo e nas cidades, com diferentes expressões identitárias a partir de inúmeros ecossistemas, demonstrando sua capacidade de adaptação e resiliência em ambientes diversos;

5. Que a agricultura orgânica no Brasil cresce 20% ao ano, contribuindo com o  abastecimento de alimentos saudáveis para o conjunto da população e exportação para mais de 26 países, constituindo uma oportunidade na geração de emprego e renda em diversos segmentos econômicos;

6. Que recentemente a Agroecologia tem sido reconhecida por organismos internacionais, a exemplo da FAO, ONU, CELAC, entre outros, como necessidade de enfrentamento dos problemas globais no âmbito das mudanças climáticas, da superação da fome e geração de segurança alimentar, nutricional e soberania alimentar;

7. Que é necessária a aliança do campo científico acadêmico com os empresários, movimentos sociais, as comunidades rurais e urbanas e a diversidade de identidades dos sujeitos do campo e das cidades, das águas, das florestas para o avanço em escala da Agroecologia;

8. Diante deste contexto, os Núcleos de Agroecologia são inovações das instituições brasileiras de ensino, pesquisa e extensão com grande potencial para implementação das políticas governamentais, produção, construção e disseminação dos conhecimentos e práticas agroecológicas a partir dos territórios e em diálogo de saberes com as famílias agricultoras, camponesas, povos e comunidades tradicionais e suas organizações;

9. Entre 2010 e 2017 os NEAs tiveram 377 projetos apoiados em 230 Campi, sendo 39 Institutos Federais; 49 Universidades Federais; 21 Universidades Estaduais; e 5 Universidades sem fins lucrativos. Está presente nos 27 estados da Federação e atendeu em torno de 60 mil beneficiários diretos entre estudantes, professores,
agricultores e agricultoras familiares, técnicos da extensão rural, entre outras;

10. Os NEAs distribuídos em todo o Brasil têm-se mostrado com uma política pública de amplo alcance e resultados em todo o território nacional, por apresentarem muitas características fundamentais para uma política pública:

a) Capilaridade – Os NEAs estão distribuídos em todo o território brasileiro e atendem às demandas de diferentes realidades. Por ser uma política com capilaridade e ampla distribuição, atende as demandas específicas de cada microrregião, podendo ter alcance universal no conjunto dos territórios brasileiros;

b) Construção do conhecimento transdisciplinar – Por sua característica, atuam na construção de conhecimento transdisciplinar, aproximando a academia das comunidades, colaborando com a solução de problemas identificados na
realidade. É uma atuação horizontalizada;

c) Emancipação econômica e social de grupos – Através da atuação dos NEAs ocorre um aumento da renda dos territórios oriunda da comercialização de produtos agroecológicos por grupos de agricultores e agricultoras, consolidando os arranjos produtivos locais. Tem atuado na construção de alternativas para o processamento de alimentos, além de auxílio à produção,
com o desenvolvimento de tecnologias adaptadas, garantindo maior produção e diversidade alimentícia, contribuindo com a Segurança Alimentar e Nutricional das comunidades rurais e urbanas;

d) Igualdade de gênero e Agroecologia – Os NEAs têm demonstrado uma atuação importante no desenvolvimento da autonomia econômica de mulheres rurais, considerando que no campo ainda há a persistência das desigualdades de gênero. As mulheres são protagonistas na produção agroecológica e os NEAs buscam valorizar esse trabalho;

e) Integração de políticas públicas – Os NEAs contribuem significativamente com a consolidação de outras políticas públicas nacionais, a exemplo de: PNAE, PNATER, PAA, PNAN, PNSAN, Política Nacional de Educação Ambiental, Políticas de Inclusão Educacional e de ações afirmativas, entre outras políticas nacionais que atendam as especificidades locais de cada NEA. Ainda cabe
salientar as ações em consonância com diversas políticas estaduais e
municipais fortalecendo a intersetorialidade e as diferentes articulações interinstitucionais;

f) Integração efetiva de ensino, pesquisa e extensão – Os NEAs criam condições para possibilitar o diálogo e a verdadeira indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão nos Institutos Federais e Universidades, colaborando na construção de um conhecimento socialmente referenciado;

g) Institucionalização da Agroecologia nas IE – Os NEAs têm sido espaços de diálogo e construção de ações para a Agroecologia nas instituições de ensino, o que tem resultado em inúmeros cursos técnicos, tecnológicos, graduações, pós graduações em Agroecologia, além de disciplinas em currículos de outros
cursos. Outras ações são os projetos de pesquisa, extensão e inovações tecnológicas que abordam a Agroecologia, inserindo definitivamente a ciência agroecológica nas instituições de ensino;

h) Impacto ambiental – Os NEAs, por defenderem a produção de alimentos em bases agroecológicas, respeitam a utilização dos recursos naturais em moldes mais sustentáveis, otimizando recursos, melhorando as condições dos solos, da água e do ar, além de incentivar a convivência com os ambientes naturais, assim como a recuperação de áreas degradadas;

i) Articulação interinstitucional – Os NEAs proporcionam a aproximação de instituições e órgãos públicos de áreas multidisciplinares de diferentes esferas de governo, com as organizações da sociedade civil e comunitárias que atuam
no território, com a articulação e reflexão para buscar soluções aos desafios por meio da atuação conjunta, a partir da cooperação e otimização dos recursos.

Diante deste conjunto de elementos, apresentamos as reivindicações abaixo:

1. Execução financeira imediata da totalidade da Chamada MCTIC/MAPA/MEC/SAF Casa Civil/CNPq- 21/2016, tendo em vista que somente 50% dos projetos aprovados receberam recursos;

2. Abertura de um novo edital para contemplar os NEAs que estão finalizando projetos de outras chamadas com o objetivo de manter a atuação nas regiões;

3. Realizar previsão orçamentária de chamadas anuais na LOA para a continuidade das ações de desenvolvimento promovidas por cerca de 200 NEAs atuantes no país;

4. Garantia da continuidade da aplicação de recursos via editais operacionalizados pelo CNPq;

5. Que a SETEC/MEC destine recursos para aplicação via chamadas públicas do CNPq em projetos de capacitação técnica em Agroecologia e Produção Orgânica conduzidos pelos NEAs;

6. Que os parlamentares identificados com a Agroecologia e Produção Orgânica e Agricultura Familiar apresentem emendas conjuntas destinadas aos NEAs;

7. Que o CNPq destine recursos para os editais PIBEX operados pelas instituições de ensino, incluindo linhas de ações para a Agroecologia e produção orgânica;

8. Que o CONIF estude a viabilidade de criar linhas de editais de projetos integrados de Extensão-Ensino-Pesquisa em todas as unidades, e que as propostas de projetos de agroecologia e produção orgânica sejam avaliadas por pessoas que tenham
atuação na temática;

9. Que outras instituições da administração pública, tais como fundações de apoio a Pesquisa, Estatais e outras, possam incluir em seus editais a possibilidade de financiar os NEAs, CVTs e Redes de Neas.

Confira a lista de assinaturas no documento original.

Lançamento do Observatório de Inovação Social de Florianópolis

O Cepagro integra a rede de iniciativas identificadas pelo Observatório de Inovação Social de Florianópolis, uma nova plataforma digital que será lançada em 21 de setembro, às 18:30, no auditório da Esag – Udesc. A plataforma é colaborativa, de livre acesso, que visa mapear, dar visibilidade e fortalecer a rede de Inovação Social na região da capital catarinense. Confira mais sobre o Observatório de Inovação Social de Florianópolis no vídeo de lançamento!

 

História, Geografia e Cultura Indígena são cultivadas na horta pedagógica de Antônio Carlos

No início de setembro, as turmas do 3º ano da Escola Municipal Dom Afonso Niehues, em Antônio Carlos (SC), onde o Cepagro está implementando uma horta pedagógica, tiveram uma vivência diferente: coordenadas pelos técnicos Karina Smania de Lorenzi e Ícaro Pereira, as crianças plantaram uma roça indígena. “Levamos música dos índios guarani e alguns artefatos como cestas, tipiti, peneiras de açaí. Trabalhamos a importância que teve e tem o indígena das Américas na nossa alimentação, pois muitos dos alimentos que comemos hoje foram os índios que iniciaram o cultivo”, explica Karina.
Karina e Ícaro mostraram alguns dos alimentos originários das Américas, como mandioca,  batata-doce, batata, milho, amendoim, abacaxi, feijão, abóbora, girassol, tomate, taiá. “Levamos também urucum, lembrando que esta planta era utilizada pelos indígenas para repelente de insetos e protetor solar. Neste momento muitos alunos lembraram que as mães utilizam o urucum como colorau”, completa Karina.
Foram construídos 3 canteiros, sendo um deles o formato sugerido pelos/as estudantes, de estrela.
“Todas essas plantas, raízes e sementes mostradas na atividade foram plantadas no canteiro, num espaço onde chamamos de roça indígena. Os alunos ficaram a vontade em tirar os calçados e trabalhar com o pé na terra”, conta Karina.

Ministério do Meio Ambiente lança Manual de Compostagem elaborado em parceria com Cepagro e SESC

Buscando popularizar e disseminar conhecimento sobre a reciclagem de resíduos orgânicos através da compostagem, o Ministério do Meio Ambiente lançou na última quarta, 21 de junho, o manual Compostagem Doméstica, Comunitária e
Institucional de Resíduos Orgânicos. A publicação é o primeiro resultado do Acordo de Cooperação Técnica firmado em 2015 entre a Secretaria de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, o Serviço Social do Comércio de Santa Catarina (Sesc/SC) e o Centro de Estudo e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro). A parceria tem por objetivo estabelecer intercâmbio de experiências, informações, material técnico, metodologias e tecnologias referentes à gestão comunitária e institucional de resíduos orgânicos, associada à agricultura urbana e à educação ambiental.

Com linguagem acessível e ilustrações lúdicas, o manual traz técnicas de compostagem doméstica, comunitária e institucional de resíduos orgânicos e aborda o “Método UFSC” (em referência à Universidade Federal de Santa Catarina, onde foi mais estudado e adaptado às condições brasileiras), que consiste em uma estratégia segura e de baixo custo. A publicação está disponível neste link.

E não perca, no dia 3 de julho, o Seminário “A Compostagem de Pequeno Porte como solução para os municípios de Santa Catarina”, que acontece na ALESC a partir das 8h. Durante o evento será lançado a publicação Critérios Técnicos para Elaboração e Projeto, Operação e Monitoramento de Pátios de Compostagem de Pequeno Porte, elaborada pelo Cepagro em parceria com a Comcap e Fatma e com apoio da FAPESC.  Inscrições e informações pelo email seminariocompostagem@gmail.com.

(informações de Waleska Barbosa, da ASCOM-MMA)

Revolução dos Baldinhos segue como exemplo de gestão de resíduos orgânicos

No artigo publicado na Revista Ciência e Cultura, intitulado “Fechando o ciclo dos resíduos orgânicos: compostagem inserida na vida urbana”, os agrônomos Marcos José de Abreu e Thais Menina de Siqueira afirmam: “De fato, a Revolução dos Baldinhos também nos ensina isto: orientada com base em envolvimento comunitário, a gestão descentralizada de resíduos orgânicos pode ser utilizada como ferramenta para promover saneamento, saúde pública, agricultura urbana e capital social em ambientes urbanos vulneráveis”.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.