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SOBERANIA, SEGURANÇA ALIMENTAR E AGROBIODIVERSIDADE SÃO DEBATIDAS NA GRANDE FLORIANÓPOLIS

Avaliar e propor melhorias para políticas públicas de Alimentação e Agricultura são os objetivos do Seminário Estadual Segurança Alimentar e Nutricional: Programa de Aquisição de Alimentos e Programa Agrobiodiversidade, que acontece entre os dias 4 e 6 de dezembro em São José. Promovido pelo Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e pela Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) o evento reúne consumidores/as, agricultores/as e Poder Público para discutir principalmente três programas governamentais: o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Terra Boa (também chamado Troca-Troca) e o Programa Estadual de Agrobiodiversidade, recentemente elaborado pelo CONSEA/CAISAN. Comercialização e abastecimento de alimentos orgânicos, sementes transgênicas e crioulas são alguns dos temas a serem tratados na programação, que acontece no Golden Hotel, no bairro Serraria. Os debates e mesas redondas são abertas ao público em geral.

Criado em 2003, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma ação do Governo Federal para colaborar com o enfrentamento da fome e da pobreza no Brasil e hoje representa um importante canal de escoamento da produção da agricultura familiar.

Já o Programa Terra Boa acontece no âmbito estadual e tem finalidade “Subvencionar a aquisição de calcário e sementes de milho, a fim de aumentar a produção, reduzindo a dependência de importação”. O Programa faz parte do Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina (PESAN). Entretanto, constatou-se que, dentre as variedades de milho distribuídas aos agricultores, grande parte são transgênicas. Durante o Seminário, serão avaliadas possibilidades de ampliar e diversificar as sementes do Programa, promovendo a agrobiodiversidade em Santa Catarina.

Buscando manter e fomentar a utilização de espécies da agrobiodiversidade pelos agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, povos indígenas e quilombolas, o CONSEA e a CAISAN elaboraram o Programa Estadual de Agrobiodiversidade, que também será discutido durante o Seminário. “A conservação da agrobiodiversidade tem como finalidade promovera Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN), constituindo-se em um componente essencial para o desenvolvimento sustentável”, afirma o texto do programa.

VEJA A PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO

 

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Grupo de Florianópolis participa de curso de Consumidores e Agroecologia, em Lages

Nos dias 24 e 25 de novembro, grupos de consumidores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estiveram reunidos em Lages para participar do 2º Módulo do Curso Consumidores e Agroecologia, promovido pelo Projeto Misereor em Rede. O Cepagro acompanhou o grupo de Florianópolis, que conta com 10 cursistas, entre consumidores e agricultores.

O módulo foi dividido em dois momentos, um teórico e outro com atividades a campo. Os participantes iniciaram o primeiro dia de curso compartilhando os relatos do “Tempo Comunidade”, período entre os módulos em que os grupos realizam dinâmicas entre si para colocar os aprendizados em prática. Erika Sagae, da equipe técnica do Projeto, conta que em Florianópolis o grupo optou por realizar mutirões e oficinas, “Em todas as atividades realizadas houve a participação quase que total dos cursistas, isso demonstra uma coesão do grupo que está cada vez mais integrando, se interagindo e fortalecendo relações”, disse.

Em seguida, os consumidores receberam uma formação sobre os Fundamentos da Agroecologia e Sistemas Agroflorestais e Políticas Públicas, facilitadas pelo agrônomo e educador Natal João Magnanti e pela técnica de campo Carolina couto waltrich,  do Centro Vianei de Educação Popular, de uma forma bastante participativa e construtiva. O dia encerrou com atividades culturais e uma feirinha solidária, gerando uma interação com os grupos de artesãos locais.

No segundo dia, os cursistas fizeram uma saída de campo e puderam conhecer de perto tipos de sistemas agroflorestais existentes. A experiência de agricultura sintrópica, na Propriedade Sol de Gaia, e a Propriedade Rio Bonito, que trabalha com sementes crioulas. Dois momentos muito ricos onde consumidores compreenderam também as dificuldades existentes no escoamento da produção e nos diferentes canais de comercialização.

O curso conta com quatro módulos e, até que o próximo aconteça, os grupos locais voltam a se reunir no tempo comunidade. Segundo Erika Sagae, o grupo de Florianópolis possui uma característica interessante que é ter em sua formação tanto consumidores quanto agricultores. Essa interação está fomentando a criação de duas novas células de consumo.

Direito à cidade e políticas públicas são debatidos no IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana de Florianópolis

“Um sonho que se sonha junto, como agricultor urbano, não é apenas um sonho, é realidade”.

A frase dita por Neldo Wazlawick, agricultor urbano da Rede Semear Floripa, durante a mesa de abertura do IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana de Florianópolis, deu o tom do evento que teve como tema o Direito à Cidade. Nos dias 23 e 24 de novembro, sociedade civil, coletivos de Agricultura Urbana, estudiosos do assunto e representantes do poder público estiveram reunidos para discutir a Agricultura Urbana em Florianópolis.

Políticas públicas, territorialidade e valorização das diversidades foram algumas das questões levantadas durante  o IV EMAU, promovido pela Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana com apoio do Cepagro, Prefeitura Municipal de Florianópolis, UFSC, FLORAM, Laboratório de Educação no Campo e Reforma Agrária (LECERA), Fundação Franklin Cascaes e COMCAP. A programação contou com seminários, oficinas e mesas de discussão que se dividiram entre o Jardim Botânico, a Epagri e o Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Na mesa de abertura, ao lado de Neldo, estiveram presentes representantes do Centro de Ciências Agrárias, Floram, COMCAP, Epagri, Prefeitura, Ministério da Agricultura e Poder Legislativo, na figura do vereador Marquito (PSOL), que definiu os espaços de articulação como a Rede Semear e o EMAU como sonhos que se concretizam. Eduardo Rocha, diretor-presidente do Cepagro, lembrou que a Agricultura Urbana é intersetorial e que trabalhar direito à cidade é trabalhar outros direitos, como segurança pública e alimentar.

A primeira atividade foi a mesa Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas, composta por Celso Sanches, professor da UNIRIO, Renata Rodrigues, do LECERA, Juliana Luiz, do Coletivo Nacional de AU e Margareth McQuade, consumidora e agricultora urbana. Juliana Luiz abriu a discussão falando sobre a cidade como um bem comum, um espaço que deve ser concebido não com função imobiliária, mas social: “Não queremos o direito à propriedade, queremos direito ao uso”, disse. Juliana lembrou que pensar a cidade e seus espaços é também defender um projeto de mundo.

Renata Rodrigues, do LECERA, trouxe para a discussão as palavras de ordem do MST: “ocupar, resistir e produzir”. Disse que a Agricultura Urbana é antissistêmica e que defendê-la significa disputar a cidade e lutar por direitos, “Ser da AU é ser ativista, enfrentar as grandes empresas que dizem que o correto é comer comida do mercado, é uma disputa com o agronegócio que está no nosso prato”. Renata resgatou ainda a história rural de Florianópolis e lembrou que o desenho das servidões do Campeche, por exemplo, é dessa maneira porque ali era um espaço de produção de alimentos.

Celso Sanches, em sua fala, nos levou de Floripa até a favela da Maré, no Rio de Janeiro, para contar a história da Vanessa, uma mulher, estudante e negra que cultiva e distribui mudas para a comunidade. Vanessa faz Agricultura Urbana no contexto da intervenção militar do Rio, e com ela Celso chamou a atenção para o embranquecimento e a invisibilidade dos sujeitos que fazem AU acontecer, algo a ser evitado.  Também reforçou o respeito que devemos ter com as ancestralidades e conhecimentos tradicionais que há muito tempo já fazem Agroecologia. Para ele, pensar AU é pensar em formas de resistência e re-existência, “fazer Agricultura Urbana é assumir um lado não neutro da história, é assumir partido” disse Celso.

A programação do evento seguiu na tarde de sexta-feira com seminários e atividades culturais e retornou no sábado de manhã com 13 oficinas gratuitas. No Cepagro, as agrônomas Karina Smania de Lorenzi e Aline de Assis facilitaram uma oficina sobre Hortas Pedagógicas.

O encerramento do evento foi uma mesa redonda sobre Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis. O vereador Marcos José de Abreu, Marquito, e o direto de Pesca, Maricultura e Agricultura de Florianópolis, Fábio Faria Brognoli foram convidados para apresentar a Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018) e o Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017) e promover o debate.

Fábio abriu o bate-papo apresentando o PMAU e contando um pouco sobre como o decreto foi construído pela Rede Semear. Ele frisou a importância da participação da comunidade na promoção da agricultura na cidade e disse que o poder público tem um papel muito importante na garantia de estrutura e apoio, mas que quem de fato faz a AU acontecer são as pessoas. Em seguida, Marquito explicou como funciona a Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis, projeto de lei construído por seu mandato em conjunto com sociedade civil. Ele apresentou a lei como uma conquista coletiva e que garante uma política concreta que deve permanecer independente da gestão. “Nós temos que pensar também a longo prazo”, disse o vereador e revelou que um dos desafios para a Agricultura Urbana hoje é colocar as políticas públicas acima das questões político partidárias.

Francisca Daussy, coordenadora de promoção da saúde da Secretaria de Saúde, participou na organização do evento e esteve presente no debate. Para ela, a Agricultura Urbana é um “campo de maravilhas” na área da saúde, apesar de ser ainda pouco explorada no Brasil. Francisca disse que a saúde ainda é muito prescritiva e que muitos problemas vêm da questão alimentar, e a Agricultura Urbana dialoga com tudo isso: “Eu vejo que é um espaço muito livre, as pessoas se sentem livres para contribuir com as discussões e é isso que a gente quer”. E a questão do fortalecimento político também é importante. Segundo a coordenadora, “esse fortalecimento na Câmara, na parte legislativa e na própria estrutura da Prefeitura é muito importante. E tudo isso são frutos desses encontros”.

Além de promover muitas discussões ricas e trocas de conhecimento, o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana encerrou com a formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis, que em breve será divulgada ao público.

Fotos: Evan Bowness

Florianópolis recebe o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana

Trazendo como temática o Direito à Cidade, o IV Encontro Municipal de Agricultura Urbana acontece em Florianópolis nos dias 23 e 24 de novembro, com programações no Jardim Botânico, na Epagri e no Centro de Ciências Agrárias da UFSC (todos no Itacorubi). De acordo com a organização do evento, o objetivo é “reunir pessoas e instituições para compartilhar experiências, discutir e fortalecer estratégias e práticas agrícolas de base agroecológica cujos avanços no município de Florianópolis o fazem referência em vários domínios nesta área, favorecendo a qualidade de vida, a sustentabilidade e a proteção ambiental”. Oficinas, seminários e apresentações culturais integram a programação, que é totalmente gratuita. Para participar, é só fazer a inscrição neste link.
A abertura do Encontro será na 6ª feira, com a mesa Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas, a partir das 10h, no Jardim Botânico. Na parte da tarde, 4 seminários abordarão a relação da Agricultura Urbana com Organização Popular, Promoção da Saúde, Processos Educativos e Produção, comercialização e consumo. No sábado pela manhã acontecem 13 oficinas com temáticas variadas. Encerrando o evento, haverá um mesa redonda às 14h sobre Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis, além da formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis, a partir das 15h30.
O IV EMAU é promovido pela Rede Semear Floripa de Agricultura Urbana e conta com apoio do Cepagro, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, UFSC, FLORAM, LECERA, CCA, Fundação Franklin Cascaes e COMCAP.
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PROGRAMAÇÃO
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23 novembro 2018 – 6ª feira
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8h às 9h – CREDENCIAMENTO
Inscrição com café coletivo
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9h às 10h – ABERTURA
Mística de abertura – Música e poesia – Maria Adriana.
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10h às 12h – MESA REDONDA
Perspectivas e desafios da Agricultura Urbana e Políticas Públicas
Celso Sanches – UNIRIO
Renata Rodrigues – LECERA CCA/UFSC
Eduardo Elias – Destino Certo
Juliana Luiz – Coletivo Nacional de Agricultura Urbana
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 15h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO I – Agricultura Urbana e Organização Popular
● SEMINÁRIO II – Agricultura Urbana e Promoção da Saúde
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15h às 15h30min – Atividade cultural e café coletivo
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15h30min às 17h – SEMINÁRIOS
● SEMINÁRIO III – Agricultura Urbana e Processos Educativos
● SEMINÁRIO IV -Segurança Alimentar, Produção, comercialização e consumo
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24 novembro 2018 – SÁBADO
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9h às 12h – OFICINAS
Oficina 1 – Tipos de agriculturas – CCA
Oficina 2 – Vermicompostagem e Compostagem – Jardim Botânico
Oficina 3 – Circuito EPAGRI – PANCs, Cores da Terra, Meliponídeos, Plantio de Hortaliças.
Oficina 4 – Preparados Orgânicos para cultivos (Cancelada) – CCA
Oficina 5 – Oficina de Autocuidado – CCA
Oficina 6 – Agricultura Sintrópica – Jardim Botânico
Oficina 7 – Oficina de bancos de sementes crioulas artesanais – CCA
Oficina 8 – Gestão comunitária de resíduos orgânicos – CCA
Oficina 9 – Oficina de plantas medicinais – Quinta das Plantas CCA
Oficina 10 – Slowfood – CCA
Oficina 11 – Hortas pedagógicas – CCA
Oficina 12 – Agricultura Urbana e Direito à cidade – CCA
Oficina 13 – Video Mulheres Ambientalistas, exibição e discussão – EPAGRI
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12h às 13h30min – Almoço
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13h30min às 14h – Atividade Cultural
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14h às 15h – MESA REDONDA – Políticas Públicas de Agricultura Urbana em Florianópolis
Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica de Florianópolis (PL 10.392/2018)
Marcos José de Abreu
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Programa Municipal de Agricultura Urbana (Decreto 17.688/2017)
Fábio Faria Brognoli
TRABALHO COLETIVO
15h às 15h30min – Sistematização dos Seminários
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15h30min às 16h30min – Formulação da II Carta de Agricultura Urbana de Florianópolis
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16h30min às 17h – Rio da Vida
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17h às 17h30min – Celebração final

 

Comunicação Popular e Agroecologia Visual viram temas de oficinas no Cepagro

Capacitar jovens do campo e da cidade para produzir fotos e vídeos sobre suas vivências agroecológicas, construindo a noção de que todas e todos são comunicadorxs: esta é a ideia do ciclo de oficinas de Comunicação Popular e Agroecologia Visual que o Cepagro está promovendo desde final de outubro. Através de um convênio com a University of British Columbia (Canadá) e com apoio da Inter-American Foundation, acontecem 3 oficinas sobre fotografia e audiovisual, com viés da Comunicação Popular, utilizando os equipamentos disponíveis, por mais simples que sejam. Como objetivo maior, está trazer mais visibilidade para práticas e experiências agroecológicas em contextos diversos: da universidade a escolas do movimento sem-terra, passando pela agricultura familiar de Santa Catarina.

A primeira oficina foi realizada nos dias 27 e 28 de outubro, no Centro de Ciências Agrárias da UFSC. Participaram estudantes de graduação e pós-graduação do CCA, além de técnicas do Cepagro. Durante a oficina do sábado (27/10), o fotógrafo Carlos Pontalti, que também é estudante de Agronomia, trabalhou conceitos básicos como luz, enquadramento e tipos de planos, além das possibilidades e limites dos equipamentos: das câmeras artesanais aos smartphones. No domingo, a sequência foi com o jornalista Fernando Lisbôa, que retomou os conceitos da fotografia agregando componentes específicos do audiovisual, como a captação de som e os tipos de planos para imagens em movimento.

Como prática, os/as participantes gravaram e começaram a editar projetos em audiovisual sobre temas de seu interesse. A dupla Andressa Ferreira e Aline de Assis, por exemplo, escolheu gravar um tutorial sobre compostagem doméstica. Já o trio Gisa Garcia, Karina de Lorenzi e Vinícius Cauê escolheram montar um mini-doc com entrevistas e imagens da Agroecologia no CCA.

Ainda num ambiente educacional, mas desta vez em parceria com o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra, a segunda oficina aconteceu na Escola 25 de Maio, no Assentamento Vitória da Conquista, em Fraiburgo. Durante os dias 8 e 9 de novembro, a turma de 15 estudantes de Ensino Médio (também da Escola 30 de Outubro, de Lebon Régis) e do Curso Técnico em Agroecologia produziu várias fotos retratando o dia-a-dia da Escola e suas práticas agroecológicas. Também gravaram e editaram 3 vídeos sobre sustentabilidade, cultura e protagonismo feminino na agricultura familiar, utilizando os próprios celulares. As temáticas foram escolhidas e construídas por elxs a partir de perguntas como: O que é Agroecologia pra ti? O que queremos comunicar?

As fotos produzidas pelxs jovens viraram cards com lemas que valorizam diversos aspectos das escolas do MST, como a cultura, a educação e a agroecologia. “Queremos mostrar que somos muito mais do que resistência, temos também arte e cultura”, afirma a professora Sandra Formagini, que trabalha na escola de Lebon Régis e participou da oficina. O diretor da escola, Agnaldo Cordeiro, considera que “sair da rotina e ampliar a dimensão da comunicação atrelada ao debate político é muito pedagógico e importante”. Além disso, ele compreende que a Comunicação é fundamental para a  “formação de filhos de camponeses sobre uma proposta para o campo voltada à Agroecologia, com reconhecimento e valorização dessas práticas”.

A próxima e última oficina do ciclo será em Santa Rosa de Lima, no início de dezembro. Participarão agricultores e agricultoras do Núcleo Litoral Catarinense.

 

 

 

Cepagro vai ao Mato Grosso do Sul para capacitar funcionários da ENGIE em Compostagem

No final de outubro, o agrônomo Júlio César Maestri, da equipe do Cepagro, esteve em Sonora (MS) participando da Semana de Meio Ambiente e Sustentabilidade promovida na Usina Hidrelétrica Ponte de Pedra pela empresa ENGIE. Júlio conversou com 3 escolas e funcionários da usina sobre A Compostagem como estratégia na Gestão de Resíduos Orgânicos e Hortas Pedagógicas. “Além de informações teóricas, foi montada uma mini-composteira, onde os alunos irão acompanhar o passo a passo das cascas virando adubo. Agradecemos a parceria e acolhida dos envolvidos”, conta o agrônomo.

 

Empoderar mulheres e sensibilizar homens: Cepagro vai a El Salvador para conhecer o trabalho em Gênero da organização FUNDESYRAM

Buscando qualificar seu trabalho na temática de Gênero,  o Cepagro participou de mais um belo e potente encontro de mulheres que constroem a Agroecologia: o I CONGRESO MUJER Y AGROECOLOGIA, promovido em El Salvador pela Fundación para el Desarrollo Socioeconómico y Restauración Ambiental (FUNDESYRAM), organização parceira no projeto apoiado pela Inter-American Foundation. O evento aconteceu nos dias 10 e 11 de outubro e reuniu mais de 120 mulheres de 35 organizações de todo país. Cepagro e Rede Ecovida foram representados pela jornalista Ana Carolina Dionísio e pela agricultora Cátia Cristina Rommel, respectivamente. Nos dias após o encontro, as representantes brasileiras tiveram a oportunidade de conhecer mais um pouco do trabalho da FUNDESYRAM na linha de Gênero e Agroecologia.

Mesmo com as fortes chuvas que atingiam o pequeno país centroamericano nos dias anteriores ao Congreso, dificultando a circulação nas áreas rurais, a participação de mulheres no evento superou as expectativas da engenheira agrônoma Flor Quintanilla, coordenadora das ações em Gênero da organização. Ela explica que o objetivo do evento foi exatamente promover a articulação de diferentes organizações de mulheres para que incidam, tenham mais protagonismo na produção e integrem a recém-formada Red Agroecológica de El Salvador, composta por organizações e coletivos das três regiões do país: Oriente, Central e Occidente.

Ao longo dos dois dias foram compartilhadas experiências, além de serem discutidas estratégias e ações para promover o empoderamento feminino, a autonomia financeira e a superação do machismo no trabalho e através da Agroecologia. “É nestes espaços que conseguimos nos encontrar e nos reconhecer, e assim vemos que estamos na mesma luta”, afirma Flor.

Num país em que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, metade das mulheres já sofreram violência física ou psicológica na vida, trabalhar pelo seu empoderamento não é tarefa fácil.  É com muita paciência e bom humor que a Fundesyram apoia associações e coletivos de mulheres, facilitando oficinas e capacitações em liderança, empreendedorismo, técnicas agroecológicas e artesanato.  Além disso, colaboram todos os anos na organização da Feria de Logros (Feira de Realizações), onde as participantes das atividades apresentam seus produtos. Todo este trabalho caminha junto com programas do governo salvadorenho, como o Ciudad Mujer, que possui postos de atendimento em todo país para atenção integral às mulheres, nas linhas de Saúde Sexual e Reprodutiva; Atenção à Violência de Gênero; Autonomia Econômica; Gestão Territorial e do Conhecimento e Atenção Infantil.

“Me senti muito bem e confortável aqui. Percebemos como a Fundesyram se interessa pelo bem comum, e tudo que foi discutido aqui vai em concordância com o enfoque do nosso trabalho em Segurança Alimentar e Nutricional”, conta a agricultora Sandra Hernández, que participou do Congreso. Ela produz hortaliças e mel na sua parcela no município de Morazán, já próximo da fronteira com Honduras. Ela participa da Asociación de Municípios del Norte de Morazán e integra a Red Agroecológica de El Salvador junto com outras 350 famílias só na região oriental do país.

E como aumentar a participação das mulheres nos processos produtivos e também decisórios das organizações? Embora seja consensual que a superação das limitações impostas pelo patriarcado é o primeiro passo, as estratégias para promover essa superação são múltiplas. No Congreso foram sugeridas a realização de campanhas de conscientização dos direitos das mulheres, trabalhos em escolas e também nos lares e organização de grupos de incidência política nas prefeituras. Dar visibilidade nas redes sociais ao trabalho desenvolvido por mulheres e formar grupos de poupança e empréstimo comunitários para elas também foram elencadas.

“Mas também precisamos incluir os homens nos trabalhos domésticos, não só as mulheres nas organizações”, pondera Fátima Landaverde, técnica na área de Gestão Ambiental e Territorial da Associación Colectiva de Mujeres por el Desarollo Local, também presente no evento. “É importante que os homens desenvolvam o olhar de que nas organizações as mulheres são capazes de assumir trabalhos além de secretaria e cuidados, por exemplo. É importante que eles estejam dispostos a ceder nos cargos de direção para eleger mulheres”, completa Fátima.  A Colectiva tem enfoque feminista: “Nossa organização trabalha com formação de mulheres em insumos e comercialização agroecológicos, enfatizando o papel da mulher na Agroecologia”, explica. Sobre o Congreso, ela sugere que se incorpore às discussões também a luta pela defesa dos territórios e das águas empreendida por mulheres.

“Nossa luta é pelo equilíbrio”, afirma Rosa Areval, da ADECIME (Asociación de Mujeres Empreendedoras). De volta ao Congreso, ela defende que “É preciso envolver-se no movimento feminista para que as mulheres possam avançar, mesmo que pouco a pouco. Dar visibilidade ao nosso trabalho e impulsar leis a favor das mulheres”, afirma ela.

É no sentido de envolver também aos homens  na luta pela equidade de gêneros que a FUNDESYRAM promove atividades com grupos de novas masculinidades (nuevas masculinidades). Formando Comitês de Vínculos Solidários em conjunto com associações comunitárias, a Fundesyram realiza rodas de conversa para que eles possam refletir sobre o ciclo da violência contra as mulheres e a paternidade responsável, entender valores e preconceitos impostos pelo machismo que são nocivos para eles e suas famílias e compreender que não há problemas em um homem expressar seus sentimentos e emoções. Melhorias nas relações familiares e compartilhamento de tarefas domésticas são algumas das mudanças relatadas pelos participantes, que também têm a responsabilidade de multiplicar as discussões em suas comunidades. 

“Passei a entender que um homem não precisa passar por cima de uma mulher, pois todos e todas temos as mesmas capacidades”, conta o jovem Marciel López, um dos participantes do Círculo no município de Tabuca, onde a FUNDESYRAM também atua. “E não precisa ser uma mulher para lavar a toupa, varrer a casa ou fazer tortilha. Os homens também têm que fazer isso”, completa ele.

“E as crianças podem brincar com o que quiserem”, acrescenta O agricultor Jorge Hernandez Ramos. Desnaturalizar o ciúme foi outro aprendizado dele nas atividades do Círculo, o que trouxe mais harmonia em suas relações familiares. “Precisamos avançar mais nas comunidades, para que as crianças se sintam cada vez mais protegidas”, afirma Jorge.

A partir das experiências de mulheres e de homens, percebe-se como a AUTO-ORGANIZAÇÃO é fundamental nestes processos. A agricultora Maria Lucrécia Argueta, da Fundação Segundo Monte, de Morazán, concorda: “Que se organizem! Já começamos a unir as mulheres, temos um discurso comum, temos muitos desafios e precisamos nos unir pelo meio ambiente”, afirma ela. Na sua parcela, Maria Lucrécia cultiva frutas, desenvolve técnicas de conservação da água e produz xampus naturais. Saiu de casa às 2h da manhã para chegar a tempo do início do Congreso, mais uma amostra da garra e disposição das mulheres salvadorenhas.