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Mãos à horta: Cepagro cultiva Agroecologia em escola rural de Major Gercino

O projeto Iniciativas socioambientais e educativas em comunidades rurais segue cultivando a educação ambiental com a juventude de Major Gercino. Nos dias 13 e 14 de junho, o técnico de campo Henrique Martini Romano esteve na escola Tercílio Bastos, na comunidade do Pinheiral, para trabalhar temáticas como agroecologia, horta agroecológica e compostagem com as turmas do Ensino Fundamental e Médio.  “A abordagem foi por meio da sensibilização do potencial da horta agroecológica em criar um ambiente de vida, de aprendizagem, de convívio e produção de alimentos dentro da escola”, conta Henrique.

A escola já possui uma horta com 36 canteiros. A diretora, Fabiane Motta, conta que a horta foi iniciada através do programa Mais Educação, que hoje mantém uma técnica desenvolvendo a atividades neste espaço com os/as estudantes. O projeto do Cepagro, apoiado pelo Instituto das Irmãs da Santa Cruz, vem apoiar ainda mais as iniciativas de promoção da Agroecologia na escola. “Nós tentamos sempre manter esse foco, da educação ambiental, da reciclagem, da sustentabilidade na nossa escola”, afirma Fabiane.

Henrique desenvolveu atividades diferentes com as diversas faixas etárias de estudantes. Com os/as adolescentes do Ensino Médio, do período noturno, foi abordado o que é uma organização da sociedade civil como o Cepagro e também o tema da agroecologia e de sua importância enquanto um movimento de transformação social por meio da produção e consumo de alimentos saudáveis com respeito aos ecossistemas naturais. Além disso, foi conversado com os/as estudantes a possibilidade de eles/as colaborarem com fotos e vídeos sobre as atividades, animando os canais de comunicação da escola. 

Já as turmas do Ensino Fundamental “fizeram o reconhecimento do espaço da horta, identificaram as plantas já cultivadas no local e realizaram um levantamento das espécies que desejam cultivar”, relata Henrique. Com a ajuda do sexto e sétimo anos, foi também iniciada a limpeza de alguns canteiros e reativada a compostagem dos resíduos orgânicos da alimentação escolar.

Até o final do ano, o Cepagro estará presente na escola Tercílio Bastos a cada duas semanas. Além do trabalho na horta, os/as estudantes irão planejar um sistema de captação de água da chuva para a escola.

A consciência ambiental está presente na escola Tercílio Bastos.

 

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Núcleo Litoral Catarinense entrega certificados e faz planejamento para o segundo semestre

“Para nós, a certificação por auditoria estava fora de cogitação. Não só pelo custo, mas porque o sistema participativo é também estar junto. Isso é fundamental neste momento político”. Em 2017, a professora Tatianne de Faria Vieira deixou o emprego no Instituto Federal de Goiás para instalar uma micro-padaria artesanal em Santo Amaro da Imperatriz. Quase  dois anos depois, ela espera ansiosamente receber o primeiro certificado para sua agroindústria, o que atesta a qualidade do local para beneficiamento de alimentos orgânicos. Mas mais do que o documento de certificação, o importante para Tatianne é estar dentro do Sistema Participativo: “Vocês são minha referência”, disse ela para as famílias que participaram da última reunião do Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia, realizada no Engenho da Família Gelsleuchter, em Angelina, na quinta passada, dia 13 de junho. Além da entrega de 56 certificados de produção orgânica, durante a reunião também foram tratados assuntos como o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, repasses do Fórum Brasileiro de SPGs e da Plenária catarinense da Rede Ecovida e ainda a agenda de capacitações do Núcleo para o segundo semestre do ano.

A entrega dos certificados 2019-2020 acontece num contexto de informatização do sistema de emissão de certificados da Rede Ecovida. Para que toda a documentação das mais de 100 famílias do Núcleo fosse organizada e digitalizada, foi mobilizada uma equipe de 10 representantes de vários grupos, como informou e agradeceu a coordenadora Tânea Mara Follmann. “Os problemas que tivemos na emissão de certificados foram por falhas no preenchimento da documentação, não por inconformidades”, afirma a agricultora. Com o sistema informatizado, qualquer problema na documentação trava o processo de emissão do certificado. Dos grupos e famílias que estavam com tudo ok, só sorrisos; quem teve problemas terá que esperar mais um pouco até a situação estar regularizada no sistema central da OPAC.

Encontro do Núcleo Litoral Catarinense será em Porto Belo
O grupo Costa Esmeralda, que promove nos dias 24 e 25 de agosto o Encontro do Núcleo Litoral Catarinense, fez alguns informes sobre a organização.  “Nossa ideia é ter alimentação 100% orgânica”, disse Flávia Mundstock, da equipe de organização. Para isso, a colaboração das famílias agricultoras do Núcleo será fundamental, doando e fornecendo alimentos. Para as oficinas estão listados temas como: preparados biodinâmicos, plantas alimentícias não convencionais (PANCs), reaproveitamento integral de alimentos, plantas medicinais, processamento, integração agricultores/as e consumidores/as e gênero. Haverá atividades especiais para as crianças, o famoso Encontrinho, além do espaço Cuidar de Si, com diversas práticas terapêuticas.

Fórum Brasileiro de SPGs: equidade e violência de gênero passam a integrar princípios dos sistemas participativos
A temática de gênero emergiu na discussão sobre o Encontro do Núcleo a partir dos informes feitos pela agricultora Claudete Ponath sobre o encontro do Fórum Brasileiro de SPGs, realizado em Valinhos (SP) nos dias 1 a 3 de maio, reunindo 54 representantes de 26 Sistemas Participativos de Garantia do Brasil. A Carta de Valinhos, documento final do encontro, traz que “O Fórum recomenda fortemente que os manuais de procedimentos dos SPGs e OCSs explicitem que a violência de gênero não será tolerada e implica na suspensão do certificado do responsável”. Neste sentido, a proposta de manter a discussão de gênero viva nos encontros da Rede é para “Ver o que pode estar velado. Não tolerar a violência de gênero parece algo óbvio, mas não é. Tanto é, que não falamos muito. Precisamos trazer esse tema mais para as reuniões”, disse Claudete. Outros pontos abordados no encontro e disponíveis na carta foram notas técnicas e instruções normativas sobre a certificação orgânica que ainda precisam ser discutidas com o coletivo dos SPGs, além do encaminhamento de manter as Comissões Estaduais de Produção Orgânica (CPOrgs) funcionando, apesar do decreto presidencial 9759, de 11 de abril de 2019, que extingue diversos conselhos e comissões.

Núcleo Litoral Catarinense terá mais duas capacitações neste ano
Enquanto no primeiro semestre os grupos estavam intensamente envolvidos nas visitas e dinâmicas da certificação, a partir de agosto as reuniões do Núcleo terão caráter mais formativo. Para depois do Encontro do Núcleo em Porto Belo nods dias 24 e 25 de agosto, ficaram agendadas capacitações sobre:
– o Circuito de Comercialização da Rede Ecovida, que será na propriedade da família Cognacco, em Leoberto Leal, em outubro;
– mudas orgânicas, com uma visita a um centro produtor em Blumenau.

Fechando a atividade, uma rodada pela bela propriedade da família Gelsleuchter, visitando as áreas de cultivo e aproveitando para trocar informações e saberes sobre a produção agroecológica.

Veja mais fotos da reunião!

 

 

Eleita a nova Comissão Executiva do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional

Na última terça-feira, 11 de junho, durante plenária do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Florianópolis (COMSEAS), conselheiras/os governamentais e da sociedade civil elegeram a Comissão Executiva para o biênio 2019-2021. A presidência ficou com a nutricionista Débora Bottega, representante da Associação dos Diabéticos da Grande Florianópolis. Simone Froza, da Secretaria Municipal de Assistência Social, ficou na Secretaria Geral e Lidiamara Dornelles, representante do Conselho Regional de Nutricionistas da Décima Região como 1ª Secretária. O cargo de 2ª secretária será definido na próxima plenária.

A nova mesa diretiva formada integralmente por mulheres terá grandes desafios para os próximos 2 anos, especialmente na promoção do acesso ao alimento saudável para as populações em Insegurança Alimentar Severa, garantindo o Direito Humano à Alimentação Adequada.

As reuniões do COMSEAS acontecerão nas segundas 3ª feiras de cada mês. “Todas e todos estão convidadas/os a participar como observadores deste importante espaço de participação e controle social da Política Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional”, afirma Eduardo Daniel da Rocha, ex-presidente do COMSEAS.

Composição das representações do COMSEAS 2019-2021

  • 1º Organizações Governamentais:

I – Secretaria Municipal de Assistência Social: a) Simone Frozza, b) Alvira Bossy;

II – Secretaria Municipal da Educação: a) Raquel Erdmann, b) Cleusa Regina Silvano;

III – Secretaria Municipal da Saúde: a) Tatiane Meirelles de Deus, b) Luiza Moritz Age;  

  • 2 º Organizações Não Governamentais:

I Associação de Diabéticos da Grande Florianópolis (ADIFLOR);

II – Associação Dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins;

III – Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo;

IV – Serviço Social do Comércio;

V – Associação Catarinense de Nutrição;

VI – Conselho Regional de Nutricionistas da Décima Região;

VII – Grupo Ilha Meimbipe de Agroecologia;

VIII – Sociedade Espírita de Recuperação, Trabalho e Educação – SERTE, a) Ianes Cunha Nether dos Santos, b) Maria Sonia de Pelegrin Warken.

Cepagro realiza minicurso de compostagem para pós-graduandos da UFSC

Na última quinta-feira, 6 de junho, o Cepagro realizou um minicurso de compostagem para graduandos e pós-graduandos da Universidade Federal de Santa Catarina. O minicurso facilitado pela agrônoma do Cepagro, Aline de Assis, integrou a disciplina de Planejamento urbano e conservação ambiental do Programa de Pós-Graduação do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, ministrada pela professora Soraya Nor.

O minicurso foi dividido em dois momentos: uma parte teórica, onde Aline de Assis apresentou os diferentes modelos de compostagem e falou sobre os decretos e leis existentes que estabelecem normas para a gestão de resíduos orgânicos em Florianópolis. E a parte prática, onde as/os estudantes construíram uma composteira no método UFSC de compostagem.

Para mostrar o potencial urbano da gestão de resíduos, Aline trouxe alguns exemplos de trabalhos que o Cepagro vem realizando em São Paulo. Hoje, a metrópole conta com cinco pátios de compostagem assessorados por nossa equipe. Juntos, os pátios recebem resíduos orgânicos de 152 feiras, o que corresponde a 17% das feiras da capital. Além dos pátios, também existe a possibilidade de trabalhar a gestão comunitária de resíduos urbanos, como foi feito em alguns empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida.

Em seguida, Aline apresentou dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento que demonstram que em 2017 o Brasil produziu cerca de 60,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (produzidos por domicílios, restaurantes, feiras e podas urbanas). Em Florianópolis são cerca de 209.318 toneladas/ano, sendo que pelo menos 50% desse montante é orgânico e, portanto, passíveis de compostagem.

Segundo Aline, a capital catarinense já conta com políticas e programas que estabelecem incentivos para a gestão de resíduos orgânicos, como a Política Municipal de Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, o Programa Municipal de Agricultura Urbana e o Programa Florianópolis Capital Lixo Zero. No entanto, a não obrigatoriedade da compostagem dificulta a efetivação desses decretos, diz Aline.

Ao longo da sua disciplina, a professora Soraya Nor abordou a agricultura urbana e compostagem como maneiras de transformar a lógica de planejamento urbano, privilegiando os circuitos curtos e aproveitando os espaços vazios existentes no município. “A gente começou a entrar no planejamento urbano quando fomos chamados pela prefeitura de Florianópolis para lidar com os espaços vazios da cidade”, contou a professora sobre a temática da disciplina. O minicurso foi a aula de encerramento da disciplina e, segundo ela, foi muito proveitoso e complementou muito bem o que vinha sendo tratado na disciplina.

Antes de ir para a prática, Aline ainda explicou os diferentes métodos de compostagem e apresentou o método UFSC, que pode ser utilizado em pequena, média e grande escala. Utilizando apenas composto, palha e serragem, “o método possui baixo custo de implantação, não dá cheiro e gera composto com potencial para a agricultura”, explica a agrônoma.

Durante a construção coletiva da composteira, ao lado do pavilhinho do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, as/os graduandas/os e pós-graduandas/s aproveitaram para tirar as dúvidas restantes.

Doutoranda dos EUA apresenta resultados de pesquisa para famílias agricultoras

Ervilhaca e aveia, duas culturas comuns em adubação verde.

Como a adubação verde e os consórcios de hortaliças podem melhorar a produtividade dos cultivos e a qualidade dos alimentos? Essa pergunta motivou a doutoranda Anne Elise Stratton, da Universidade de Michigan (EUA), a vir para Santa Catarina desenvolver a pesquisa de campo do seu doutorado. “Minha tese é de que a diversificação de cultivos e a adubação verde têm potencial de reduzir custos e aumentar a produtividade, contribuindo para a autossuficiência das famílias agricultoras”, explica Anne Elise. Desenvolvida em parceria com o Cepagro, a pesquisa Cultivos em consórcio, adubação verde e a qualidade do solo e das hortaliças produzidas já trouxe alguns resultados, que foram apresentados na última terça, 4 de junho, em Angelina.

O engenho da família Gelsleuchter (da Rede Ecovida de Agroecologia) recebeu a atividade, que reuniu 10 agricultoras e agricultores de Angelina, Major Gercino e Leoberto Leal. Anne Elise apresentou um panorama da pesquisa, que envolveu 15 propriedades em seis municípios: Angelina, Águas Mornas, Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento e Santa Rosa de Lima. Em todas foram implantadas parcelas experimentais de consórcio de cultivos, quando dois ou três espécies são cultivadas no mesmo espaço simultaneamente. Além disso, em sete das 15 propriedades foram feitos experimentos com adubação verde  – cultivos feitos para fornecer cobertura e nutrientes para o solo, não para serem colhidos.

Visitando a parcela experimental de adubação verde

O consórcio experimentado por Anne nas propriedades foi de ervilha e pepino. Os resultados foram variados: em alguns casos, houve diferença na produção, em outros não, indicando que é preciso aprofundar as análises. No caso da adubação verde, os resultados foram diferentes, principalmente para o pepino: quanto mais tempo de cobertura de solo, melhor o rendimento do pepino. Já a ervilha, de acordo com Anne Elise, “fixa seu próprio nitrogênio no solo e não precisa de tantos nutrientes, por isso o benefício não é tão evidente”.

Dione Eger (centro) falando sobre o uso da adubação verde em sua propriedade

As famílias agricultoras já vêm observando as vantagens da adubação verde há tempos. Uma delas é o casal Dione e Zenaide Eger, que cultiva fumo na sua propriedade em Major Gercino. “Lá tem muita erosão, então temos que usar cobertura de solo. Usamos aveia preta como adubação de inverno, pois é a cultura mais adaptada à nossa região”, explica Dione, que já facilitou uma oficina sobre o assunto em 2015. Sobre a pesquisa, Zenaide avalia que “é fundamental para nós. Pois assim entendemos o porquê das coisas. Se ficamos só com a nossa observação, precisamos esperar um ano até colher a nova safra pra saber se o que a gente tentou vai dar certo ou não”.

Gabriela e Amauri Batisti mudaram da fumicultura para a agroecologia.

Na outra ponta da transição agroecológica está o casal Gabriela e Amauri Batisti, também de Major Gercino. Eles também cultivavam fumo e resolveram investir na agroecologia para trabalhar com mais saúde. “Depois que paramos com o fumo, chegamos a trabalhar fora durante dois anos. Mas aí fizemos as contas e vimos que seria melhor os dois ficarem trabalhando na roça”, conta Gabriela. Hoje eles produzem banana, açaí, aipim, batata salsa, batata doce e hortaliças num sistema agroflorestal, com cultivos tanto em meio à floresta nativa quanto junto com eucaliptos. “Antes a gente plantava uma coisa só em cada lugar. Depois que ela chegou, começamos a plantar tudo junto. E ainda quero experimentar plantar aveia no meio das bananeiras”, afirma a agricultora. Ela e o companheiro comercializam sua produção na alimentação escolar de Major Gercino e São João Batista, além de fornecerem 40 a 45 cestas de alimentos semanalmente. “No futuro, queremos montar uma agroindústria para beneficiamento de aipim”, completa.

O agricultor Gilmar Cognacco também plantava fumo e hoje está na agroecologia, participando da pesquisa. Aproveitou a atividade para colher um pouco de couve para as feiras de Brusque e Florianópolis.

Além das conexões acadêmicas entre a UFSC e a Universidade de Michigan, essas diferentes caminhadas na transição para uma agricultura mais sustentável foram um atrativo para Anne Elise desenvolver sua pesquisa de campo no Brasil. “Vocês são um exemplo dessa transição sustentável na agricultura, com conservação de solos e diversificação”, disse ela às famílias. “Acredito que essa pesquisa será um reforço para a noção da Agroecologia como ciência, além de reunir informações e dados sobre práticas como a adubação verde”, completa Anne Elise.

A pesquisa continua até 2020. Um novo ciclo de adubação verde será plantado em agosto, para ser incorporado e aí receber mudas de hortaliças. Nessas próximas fases, será importante o apoio que o Cepagro vem recebendo do Instituto das Irmãs da Santa Cruz para compra de insumos e logística da equipe de campo.

Cepagro conversa sobre direito à alimentação no serviço de proteção social básica

A convite do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) Canasvieiras, o Cepagro colaborou na revitalização da Horta do Centro de Saúde de Canasvieiras. A atividade aconteceu como uma oficina do Chá de Direitos, que toda primeira sexta-feira do mês reúne mulheres usuárias do CRAS para participar de uma oficina e discutir sobre direitos sociais. No último dia 7, o tema da conversa foi o Direito à Alimentação e a agrônoma Aline de Assis e o presidente do Cepagro, Eduardo Rocha, foram contribuir com o debate.

O convite veio da assistente social do CRAS, Simone Serafim Corrêa e da graduanda em Serviço Social pela UFSC, Maria Eduarda Libano, que estagia no local. Foi Maria Eduarda quem iniciou a conversa apresentando um panorama da fome no Brasil. Ela demonstrou em gráfico que em 2014 o Brasil saiu do Mapa da Fome, mas que nos últimos anos o número de pessoas sem acesso a alimentos de forma regular e suficiente voltou a crescer e o retorno à lista de países em que a insegurança alimentar é problemática pode se tornar realidade.

Maria Eduarda estagia no CRAS Canasvieiras desde março do ano passado e conta que diariamente aparecem no centro pessoas pedindo por alimento: “é em praticamente todo atendimento”, conta. O CRAS Canasvieiras atende anualmente cerca de 5 mil famílias e, por trabalhar com pessoas em situação de vulnerabilidade, pode oferecer até 7 cestas básicas por mês. No entanto, como aponta a assistente social Simone Serafim Corrêa, “a cesta básica funciona como um paliativo, ela não resolve o problema social que é o desemprego”.

Simone confirma o aumento da demanda por alimentação no CRAS, que é diário. Ela explica que o CRAS, enquanto serviço de proteção social básica, pode e deve tratar da Insegurança Alimentar, já que a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional é uma política transversal. Pensando nisso, durante a conversa que iniciou a oficina, Eduardo Rocha lembrou que a alimentação só se tornou um direito garantido na constituição em 2010 e, já que é um direito, o Estado tem o dever de garantir que todas e todos os/as cidadãos/ãs brasileiros/as se alimentem adequadamente.

Como a proposta do Chá de Direitos é justamente conversar sobre nossas garantias constitucionais, Eduardo apresentou os programas do governo que de fato tratam a alimentação como direito. É o caso do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que repassa às escolas municipais, estaduais e federais um valor para ser aplicado na alimentação e em ações de educação alimentar e nutricional a estudantes.

O PNAE estabelece que 30% do valor repassado deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar, medida que estimula também o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades. Durante sua fala, Eduardo Rocha lembrou que 70% da nossa comida vem da agricultura familiar, por isso nada mais justo do que investir no setor.

Como aponta Eduardo, “os direitos não caem do céu, são conquistados através do coletivo e da organização” e, para ele, espaços como o CRAS, CREAS, bem como os conselhos da sociedade civil responsáveis por fiscalizar os programas e as políticas públicas são de grande importância.

Além de discutir sobre os direitos sociais, o grupo de mulheres, gestantes, crianças e servidoras públicas presentes na atividade aproveitou para colocar as mãos na terra e plantar alimento no espaço público. Acompanhados pela agrônoma do Cepagro, Aline de Assis, o grupo seguiu para a horta do Centro de Saúde de Canasvieiras que está aos cuidados da profissional de educação física Claudia Pedroso e da auxiliar de serviços Nair.

Claudia tem realizado atividades de fortalecimento de vínculo principalmente com o público atendido pelo Centro de Saúde. Durante a oficina os canteiros foram revitalizados no modelo agroecológico e ganharam ainda mais vida e potencial de se tornar uma espaço de convivência e promoção da saúde. Quando Eduardo perguntou às usuárias do CRAS o que vinha à mente quando elas olhavam para a imagem de um canteiro agroecológico, surgiram as palavras: harmonia, variedade, biodiversidade e coletivo.

Assim foi a atividade na tarde de sexta-feira: diversa, coletiva e harmônica.

Plenária catarinense da Rede Ecovida reúne 11 núcleos em Caçador

Plenária Caçador 2Nem as chuvas intensas nem as longas distâncias desanimaram os/as representantes dos 11 núcleos da Rede Ecovida de Agroecologia em Santa Catarina, que se reuniram na semana passada (31 de maio) em Caçador, no meio-oeste catarinense, para mais uma Plenária Estadual da Rede. As plenárias são importantes instâncias de decisão e encaminhamento da Rede Ecovida, fundamentais para manter princípios como a confiança, a coletividade e o respeito entre integrantes do movimento agroecológico.

Plenária Caçador 3Um dos principais pontos discutidos durante a Plenária foi o 11º Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia, que será em Anchieta, no oeste Catarinense, de 15 a 17 de novembro. Construído num cenário de restrição de recursos, o Encontro está previsto para receber 800 pessoas dos três estados que compõem a Rede. Ainda assim, os núcleos Oeste, Vale do Uruguai e Noroeste, responsáveis pela organização, estão determinados a manter princípios importantes do Encontro, como a alimentação majoritariamente agroecológica. Nos próximos meses, a organização receberá inscrições para Oficinas, além de fechar a programação de seminários. Até o momento, há 5 seminários listados: Agroflorestas, Juventudes, Sementes, Criação de aves e Produção de leite.

Também foi aprovada a criação de um novo núcleo, o Vale do Itapocu, um desmembramento do Núcleo Litoral Catarinense. O Vale do Itapocu abrange 10 municípios ao redor de Joinville e conta com 46 famílias certificadas e 2 agroindústrias, distribuídas em 9 grupos. O anúncio do novo núcleo será feito durante o Encontro Ampliado de Anchieta.

Durante a Plenária foram indicadas novas representações de Santa Catarina para a coordenação geral da Rede Ecovida: Iran Fogaça (Núcleo Planalto Serrano), Edilza Frison (Oeste), Aires Niedzielki (Planalto Norte) e uma integrante do Litoral Catarinense a confirmar. Problemas de documentação e questões burocráticas da certificação também foram discutidos. Para além dos pormenores de cada caso, foi consenso entre os/as participantes que a certificação não deve ser o principal foco da Rede. A Rede existe para promover a articulação e confiança entre seus membros, não só para conceder um selo.