“O que eu tenho a ver com a fome?” é o questionamento da 2ª formação cidadã da Ação Solidária COVID 19


Continuando o ciclo de formações cidadãs da iniciativa #açãosolidáriacovid19, no dia 14 de setembro foi realizado o segundo no CRAS Continente II, Capoeiras. Seguindo a mesma metodologia CIRCULAR da oficina anterior – baseada na problematização de Paulo Freire,  tem em seu centro a roda de conversa, rodeada por varais com impressões dos/as participantes sobre um tema. Neste encontro, a pauta foi “Fome, miséria e pandemia”. Participaram da atividade representantes de cozinhas comunitárias, moradoras da Vila Aparecida, além da equipe Cepagro e TearSan. 

A pergunta central da atividade foi: O QUE EU TENHO A VER COM A FOME?  Todes afirmaram que nunca chegaram a passar fome, mas tiveram momentos de bastante privação e insegurança alimentar. A jornalista Gloria Irulegui, por exemplo, recordou que até hoje tem um “trauma com macarrão alho e óleo”, porque em determinado período essa foi uma refeição muito presente na sua casa, por falta de condições financeiras para comprar outros alimentos.

Ela reconhece a importância de políticas públicas para manter sua segurança alimentar durante o período que esteve na universidade, por exemplo: como estudante cotista, afirma que se alimentava direito graças ao “Restaurante Universitário”.

Já Antônia Baschirotto Orbem, moradora da Vila Aparecida e voluntária na cozinha Dona Ilda, disse que nunca passou fome porque apesar de a família não ter muito dinheiro, produziam praticamente tudo o que comiam, menos o sal. A partir de relatos como esses, a professora Neila Machado refletiu: “Leve, moderada ou grave: é tudo fome. Fome é ausência daquilo que temos vontade”.

Neste sentido, as cozinhas comunitárias assumem um papel relevante, indo além do assistencialismo. Luciano Leite, da Ação Social Arquidiocesana, que apoia a Cozinha Comunitária Dona Ilda e a Horta Comunitária da Vila Aparecida, disse que “As ações da cozinha hoje não são só assistencialistas, a gente faz parte de uma engrenagem maior”, lembrando dos companheiros e companheiras que hoje ocupam os conselhos e fóruns que debatem e ajudam a construir e garantir os direitos sociais. Neila frisou que as cozinhas comunitárias de Florianópolis “são embriões de uma política pública”. Assim como as hortas comunitárias, de acordo com Glória, que desde o início vem acompanhando o desenvolvimento da horta comunitária do CRAS Continente II: “Vejo a horta como um espaço de formação política e não de assistencialismo”.

Assim, a conversa da roda evoluiu para identificar ações que já acontecem nas comunidades para fazer frente à fome e à miséria em meio a uma pandemia. Compostagem, hortas e cozinhas comunitárias, feiras, células de consumo, CRAS, ateliê de costura e padaria comunitária foram algumas ações identificadas nos bairros Vila Aparecida, Capoeiras, Abraão e Ribeirão da Ilha. Depois, Dudu e Neila foram apresentando algumas políticas públicas municipais, estaduais e federais que se conectavam com aquelas ações. Em conjunto, o grupo foi avaliando quais daquelas políticas estavam de fato presentes nas comunidades, mas de modo geral ficou evidente  que é a a ausência de políticas públicas que prevalece. O coletivo identificou como causas desse vácuo: falta de vontade política; políticas construídas de cima para baixo, sem a participação da sociedade; lobby do agronegócio e da indústria alimentícia; interesses privados. 

Como na roda de conversa anterior, todo o debate foi sendo sistematizado em tempo real pela #facilitaçãográfica da Bárbara … A ideia é que posteriormente as reflexões sejam apresentadas aos Conselhos Estadual e Municipal de Segurança Alimentar e Nutrcional ( Consea e Comseas).

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