Cepagro inicia ciclo de rodas de conversa sobre segurança alimentar no CRAS Continente II

Fome: condição que voltou a assombrar quase 20 milhões de pessoas no Brasil no final do ano passado. Num cenário de desmonte de políticas públicas que assegurem esse direito básico à população – o direito à alimentação adequada – o que as comunidades mais periféricas e vulneráveis podem fazer para combater a fome? E o que esperam e precisam que o Estado faça para combater a fome de alimentos e também de direitos? Foi com perguntas assim que iniciou-se o ciclo de formações cidadãs da iniciativa Ação Solidária COVID 19, com sua primeira roda de conversa realizada no dia 24 de agosto, no CRAS CONTINENTE II, Capoeiras.

O primeiro encontro teve como tema “FOME, MISÉRIA E ALIMENTAÇÃO – O QUE É FOME PRA VOCÊ?”. Facilitada por uma equipe multidisciplinar resultante da parceria entre Cepagro e o projeto TearSan (Teia de Articulação pelo Fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional), da UFSC, a roda de conversa teve a presença de lideranças comunitárias dos territórios da Chico Mendes, Vila Aparecida e Capoeiras, além de representantes de cozinhas comunitárias e da ASA Florianópolis (Ação Social Arquidiocesana). A metodologia utilizada foi batizada de CIRCULAR: seu centro foi a roda de conversa, rodeada por varais com impressões dos/as participantes sobre o tema da FOME. “Estes varais ficam instalados nas cozinhas comunitárias e a comunidade interage por uma semana nestes materiais, com auxílio da ‘caixa de sementes'”, explica Isadora Escosteguy, facilitadora da equipe técnica do Cepagro.

Após os encontros serão compartilhados vídeos interativos que compõem a discussão do tema, cuja personagem principal é Marina, moradora do território em que se desenvolvem as atividades. “Essa metodologia está baseada na problematização de Paulo Freire, em que o ponto de partida é a realidade vivida nas comunidades”, explica a professora da TearSAN Neila Maria Viçosa Machado. Paralelamente, a dinâmica da #facilitaçãográfica ia criando um registro escrito e ilustrado das falas.

“A fome sempre esteve presente na comunidade e existe um apoio entre as pessoas para que a fome não seja agravada”, disse a jornalista Gloria Irulegui, moradora da Vila Aparecida, noção reforçada por Cíntia Cruz, liderança da Revolução dos Baldinhos, na Chico Mendes: “As comunidades não passaram e nunca vão passar por um isolamento social durante uma pandemia, pois as relações que as mantêm vivas são de proximidade entre os/as membros”, afirma.

A importância da articulação dentro e entre comunidades para combater a fome emergiu na roda de conversa, mas sem esquecer do papel do Estado e das políticas públicas de romper o ciclo de fome e miséria em que cada vez mais pessoas têm vivido. Neste sentido, é fundamental discutir a diferença entre assistencialismo e políticas públicas, de acordo com Eduardo Rocha, do Cepagro: “Enquanto o assistencialismo não emancipa, as políticas públicas que asseguram DIREITOS estão se esvaindo neste momento político que estamos. Sendo assim os espaços comunitários de apoio, como as cozinhas e o restaurante popular, são fundamentais. As organizações como a ASA e o CEPAGRO também se fazem necessárias e realizam seu trabalho nesse sentido”, afirma.

As formações cidadãs continuam nos próximos meses, trabalhando temas como fome, miséria e pandemia; fome, miséria e políticas públicas e direitos sociais. “No último encontro realizaremos a construção coletiva do mapa da comunidade identificando o acesso a direitos, tanto como a promoção e violação de SAN nos territórios”, completa Isadora. Esta ação complementa a distribuição de alimentos às cozinhas do ciclo inicial do Ação Solidária Covid 19. E é proporcionando esses espaços de diálogo e reflexão que vão se fortalecendo sujeitos/as “reivindicando direitos, reivindicando políticas públicas estruturantes que combatam as desigualdades sociais e econômicas e que assegurem a vida com qualidade de todos e para todos, todas e todes”, nas palavras da professora Neila.

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