Cepagro presente na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Com o tema “Bioeconomia: riqueza e biodiversidade para o desenvolvimento sustentável”, a 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que foi de 21 a 27 de outubro, resultou em eventos de divulgação científica em todo o país. Na grande Florianópolis, o evento aconteceu entre sexta-feira e sábado e reuniu ciência e cultura no Jardim Botânico de São José (SC). O Cepagro esteve presente falando sobre compostagem e alimentos processados ao lado dos laboratórios de pesquisa da UFSC, Udesc, Univali e IFSC.

O evento iniciou na sexta-feira com uma roda de conversa sobre a bioeconomia no modo de vida Guarani com o professor indígena da Aldeia M’Biguaçu, Daniel Kuaray. Daniel falou sobre como a comunidade Guarani Mbya costuma receber escolas e grupos que querem conhecer a aldeia, o que é visto pela comunidade como uma “estratégia de luta de não se isolar”. Falou também sobre as roças e variedades de alimentos tradicionais cultivados na terra indígena de Biguaçu, como a mandioca, o amendoim e o milho, ou avatí na língua guarani.

Daniel também é estudante do curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, na UFSC, e apontou a importância de aliar os conhecimentos científicos da Universidade com os saberes tradicionais dos povos indígenas e assim “fazer ciência com um olhar indígena”. Como professor de escola indígena, ele vê os benefícios de ter como referência trabalhos universitários e científico produzidos por indígenas, os quais ele apresenta aos alunos.

Além de rodas de conversa, os/as estudantes presentes no evento puderam participar ainda de oficinas, apresentações culturais e circular pelas exposições científicas presentes. Em São José, a organização do evento foi feita pela professora do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, Bárbara Segal e pela Bióloga e artista Muryel de Carvalho Gonçalves. Elas são membros da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC-SC) e contaram com o apoio do Jardim Botânico Municipal de São José e das instituições de ensino participantes.

Bárbara Segal conta que a divulgação científica se torna ainda mais importante neste momento atual de descrença na ciência e desvalorização do meio ambiente em prol dos commodities. Para Bárbara, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia na Grande Florianópolis teve como objetivo chamar a atenção para a importância da preservação do meio ambiente. Ela defende um olhar sobre os benefícios que a natureza pode proporcionar em qualidade de vida, e não no uso dos recursos naturais somente para fins monetários e imediatistas. 

A fim de contribuir no debate promovido pelo evento, as engenheiras agrônomas do Cepagro, Karina Smania e Gisa Garcia estiveram presentes falando principalmente sobre os alimentos processados e ultra processados.  E já que a Semana objetiva a divulgação científica, elas levaram o Guia Alimentar para a População Brasileira, “que teve sua construção baseada em pesquisas que relacionam o consumo desses alimentos à doenças crônicas não transmissíveis”, segundo Gisa Garcia. O Guia recomenda o consumo de alimentos in natura e minimamente processados, trazendo o conceito de “Comida de Verdade”. “O Cepagro também trouxe uma reflexão sobre o que tem por trás de cada escolha alimentar que fazemos, e porque parte da população não pode fazer sua escolha alimentar”, complementa Gisa.

Além do conteúdo científico, a organização local do evento optou por incluir na programação momentos culturais e artísticos como a oficina de cerâmica facilitada por Carmem Melo. Na sexta-feira ainda teve uma conversa sobre gênero promovida pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) da UFSC. O intuito foi trazer para o espaço a discussão sobre a violência de gênero, pois ela está presente em todos os espaços, como aponta Assis Menin, doutorando em Ciências Humanas e membro do NIGS. Ele chamou a atenção para o combate dessas violências sejam elas físicas ou simbólicas e lembrou que a educação de gênero nas escolas é importante nesse combate, já que 70% dos abusos sexuais contra crianças acontecem dentro de casa.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a Semana totalizou mais de 8 mil atividades realizadas em mais de 300 cidades pelo país.

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