Mulheres indígenas e Margaridas colorem Brasília com suas lutas

A capital federal ficou pintada de vermelho e lilás entre os dias 9 e 14  de agosto, durante a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas e a 6ª Marcha das Margaridas, que reuniram mais de 100 mil pessoas.
texto e foto: Carú Dionísio

Maria da Luz de Oliveira (esq.) viajou mais de 40 horas de ônibus para marchar com as Margaridas

“Eu vim aqui pra reunião, pra caminhada”. A quebradeira de coco Maria da Luz de Oliveira saiu no domingo, 10 de agosto, de Curvelândia, distrito de Imperatriz, no Maranhão e chegou a Brasília na terça feira, dia 13. Mais de 40 horas de viagem de ônibus para participar da maior ação de mulheres da América Latina, a Marcha das Margaridas. No dia seguinte, 14 de agosto, Maria da Luz juntou-se a mais 100 mil trabalhadoras rurais, urbanas, das florestas, das águas e marchou pela Esplanada dos Ministério até o Congresso Nacional, gritando, cantando e batucando as lutas e anseios dela e de todas as suas companheiras:  terra, água, agroecologia, soberania alimentar, educação do campo, aposentadoria e uma vida livre de violências.

Na sua sexta edição, a Marcha das Margaridas aconteceu logo após outra marcante ação de mulheres em Brasília: a 1ª Marcha de Mulheres Indígenas, no dia 13 de agosto, com o lema “Território: nosso corpo, nosso espírito” com o objetivo de dar visibilidade as ações delas, fortalecendo seus protagonismos e capacidades na defesa e garantia de seus direitos. A Marcha foi precedida pelo Fórum Nacional das Mulheres Indígenas, realizado entre os dias 9 e 12 de agosto. Durante seis dias, cerca de 2 mil guerreiras de 113 povos originários do Brasil e da América Latina estiveram acampadas na capital, discutindo questões levantadas durante o Acampamento Terra Livre, ocorrido em abril de 2019.

Território: nosso corpo, nosso espírito

“Quando Bolsonaro disse que não ia ter mais um centímetro de terra demarcada, ele declarou guerra aos povos indígenas. E as mulheres indígenas não aguentam mais a sua mãe ser explorada. E é por isso que nós marchamos, porque a terra é mãe de todas nós. é isso que viemos fazer em Brasília: marcar o nosso passo pra marcar o nosso território”. A fala de Sônia Guajajara na Câmara dos Deputados aconteceu após a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, no dia 13 de agosto, que terminou no Congresso Nacional. A conexão entre territórios e corpos das mulheres presente na fala de Sônia foi também a tônica principal da Marcha e do Fórum Nacional de Mulheres Indígenas, realizado entre os dias 9 e 12 de agosto.

O território é a pauta comum possível para a diversidade de 113 povos indígenas presentes no Fórum Nacional e na Marcha de Mulheres Indígenas. Durante o Fórum foram discutidas  questões como “Quais Direitos das mulheres indígenas estão sendo retirados?”, “O que significa pra você perder o território?”.

A vinculação entre os corpos e os territórios das mulheres indígenas é também o lema da campanha “Nossos Corpos, Nossos Territórios”,  lançada na noite do dia 10. “Nossos corpos e nossas comunidades são territórios que defenderemos dos fundamentalismos religiosos e econômicos, das botas militares e do sistema patriarcal e colonialista que nos explora, nos expropria e nos violenta”, afirma o Manifesto da Campanha, que envolve não só Brasil, como outros países da América Latina e do Caribe. Inara Mara do Nascimento, do povo Sateré Mawé, anunciou a campanha com o indicativo de fortalecer a data de 5 de setembro, Dia Internacional da Mulher Indígena, como um marco para “denunciar as violências contra as mulheres indígenas na perspectiva do corpo-território”.

Além da defesa dos territórios e dos corpos das mulheres, outra pauta importante da Marcha é a saúde indígena, que abarca questões como a qualidade dos serviços e a alimentação, além da ameaça de deixar essas atribuições a cargo dos municípios, o que implicaria na sua precarização. No dia 11 de agosto, além de visitas a parlamentares e uma audiência no STF sobre o Sistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI/SUS), as indígenas ocuparam a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), protestando contra o desmonte e a municipalização da saúde indígena e reivindicando a saída da secretária Sônia Nobre, que, de acordo com as mulheres, não as representa.

“Trazemos nossa força como mulheres pra dizer que não vamos nos calar frente a esse governo autoritário e fascistas que vem tentando retirar direitos já conquistados”, disse Nyg Kaingang, do Paraná. “A saúde indígena tem que estar pautada pelo nosso modo de pensar a saúde, nossos conhecimentos tradicionais, nossa medicina tradicional, pela função das mulheres de trabalhar no contexto da cura dos povos. Com a proposta do governo de municipalização da saúde, a gente não consegue ter autonomia pra fazer a nossa política de saúde, de acordo com nosso modo de ver o que é saúde”, completa.

As indígenas permaneceram na SESAI durante todo o dia. Paralelamente, uma comissão elegida por elas dialogava com a Defensoria Pública da União para tentar marcar uma reunião com o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, com a presença de 68 representantes dos povos e regiões presentes. Ao final da tarde, Célia Xakriabá, liderança indígena de Minas Gerais, trouxe o resultado da negociação: o Ministro receberia apenas 10 representantes, e somente se o prédio fosse desocupado. Após uma rápida plenária no quarto andar da secretaria, de onde os/as funcionários já tinham ido embora, elas resolveram sair do prédio, mas continuariam na entrada até que o Ministro comparecesse à reunião.

“Isso não significa que estamos arredando de nossa resistência, mas sim sendo estratégicas para conseguir negociar essa agenda com o Ministro. Nossa inspiração é a flecha, que para avançar, precisa chegar um pouco pra trás”, disse Célia. Perto das 18h30, as mulheres foram finalmente recebidas pelo Ministro e pela Secretária de Saúde Indígena. De acordo com o site Mídia Ninja, “O Ministro tentou abordar os pontos tratados pelas mulheres, e mostrou-se surpreso e concordante com a necessidade da melhoria de diálogo. Além disso, informou estar apurando eventuais fraudes nos órgãos públicos responsáveis pelo setor”. Paralelamente, representantes das mulheres indígenas tiveram também uma audiência com a ministra do STF Carmen Lúcia, para quem entregaram um Manifesto.

Entre os reclamos das indígenas estão atrasos no repasse de verbas, a falta de serviços especializados para as populações originárias, além da qualidade da alimentação e dos medicamentos que chegam às aldeias. Denunciam no Manifesto as mudanças no sistema de saúde trazidas pela MP 890, editada no início de agosto, que mostra “uma total ausência das instâncias de controle social do SUS, […] sem representação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), muito menos dos povos indígenas. No entanto é garantida a participação de entidades privadas”, conforme o manifesto.

Luisa Canuto, liderança do povo Tabajara (Ceará), ressalta que não é possível falar de saúde indígena sem abordar a demarcação de terras: “Municipalizar a saúde indígena significa acabar com o atendimento que chega as aldeias, que é apenas uma migalha. Essa é nossa preocupação. Perder esses direitos que é fruto de luta, da resistência de um povo. E o principal é a demarcação de nossas terras. Porque a forma como a saúde tá chegando em nossas terras é uma forma de exterminar nosso povo. A alimentação que chega, o tipo de medicamentos… As próprias políticas públicas que precisamos pra garantir nossa existência, muitas delas não conseguimos construir porque dependemos da terra para implementá-las”.

Após esses dias de debates e ações, chegava o momento da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, que pintou de vermelho a Esplanada dos Ministérios. Vermelho de urucum, vermelho de luta, de resistência ao genocídio do povo indígena que marca a história brasileira. Mais de 2 mil mulheres indígenas marcharam na capital federal, cantando seus torés mesclados a denúncias. Em frente à Biblioteca Nacional de Brasília, Célia Xakriabá falou sobre a necessidade de descolonizar o conhecimento, valorizando também os conhecimentos dos povos indígenas, desconstruindo a noção de que apenas o saber acadêmico e científico é válido: “O que vão fazer quando o capitalismo acabar com as florestas? Nossa floresta viva tem mais conhecimento do que o papel morto”. Passando pelo Ministério do Meio Ambiente, uma liderança do povo Canindé clamou justiça pelas florestas e rios que estão se acabando pela ganância capitalista.

Ariadma Terena veio de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, para representar a população indígena de seu estado. “Nosso estado é todo agronegócio. E em Aquidauana há humilhações recorrentes por parte da Prefeitura. Viemos pra mostrar nossa força e que estamos resistindo. Porque o governo vai passar, mas nós vamos permanecer. Porque onde tiver sangue indígena, vai ter luta, vai ter guerra”.

Chegando ao Congresso Nacional, uma delegação de 100 mulheres indígenas entrou na Sessão Solene que acontecia desde a manhã em homenagem à 6ª Marcha das Margaridas, marcando a união das frentes de resistência feminina e feministas.

“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”: as Margaridas seguem em marcha
Realizada a cada quatro anos na capital federal, a Marcha é fruto da articulação entre mais de 4 mil sindicatos de trabalhadoras/es rurais ligados à Confederação Nacional de Trabalhadoras/es na Agricultura (CONTAG). Representantes de todos os estados brasileiros e de mais 27 países compuseram a Marcha, construída ao longo de meses de formação política com as mulheres, com plenárias, oficinas e seminários em todos estados do Brasil. Deste processo foi construída uma plataforma política com 10 eixos de luta por um Brasil soberano e feminista com democracia, justiça, igualdade e livre de violências.

A inspiração da Marcha é o legado de Margarida Maria Alves, paraibana sindicalista e liderança das trabalhadoras rurais que foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários. “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”, “Da luta eu não fujo” e “Medo nós tem, mas não usa” são algumas das insígnias da agricultora que transcendeu como semente e hoje floresce com mais força a cada Marcha.

A agricultora Vera Lúcia Pessoa Francelino mora em Juarez Távora,  na Paraíba, e é uma das guardiãs do legado de Margarida Maria Alves. “Margarida Maria Alves foi a fundadora do sindicato de trabalhadores/as rurais de Juarez Távora. Hoje eu represento a luta da militância feminista e sou presidente da Associação de Mulheres Feministas de Juarez Távora. Minha mãe foi a primeira mulher a enfrentar os latifundiários em 1976, orientada por Margarida. ela venceu na luta e aí eu comecei na militância. Pela Associação, nós temos grupos de mulheres e fazemos o resgate da histórias das trabalhadoras rurais”, conta Vera Lúcia.

Assim como as indígenas evocam sua ligação entre corpo e território, na mística de abertura da Marcha das Margaridas, no dia 13 de agosto, as mulheres conectaram as guerreiras a elementos da natureza: fogo, água e terra. A força de Gaia que alimenta a luta das decididas veio estampada em estandarte com dizeres como “Nosso fogo é a chama da Revolução”, “Mulheres são como as águas: crescem quando se juntam”, “Semear a Terra para o Bem Viver” e “Semear o Sonho é transformação, é desafio bom”, junto com velas, terra e águas de cheiro com ervas medicinais, embaladas pela batucada feminista do Fórum de Mulheres de Pernambuco.

Foto: César Ramos/CONTAG

Na solenidade de abertura, a Secretária de Mulheres da CONTAG, Mazé Moraes, fez uma fala emocionada, recuperando sua trajetória de jovem trabalhadora rural sindicalizada aos 16 anos e reafirmando o compromisso das Margaridas com o projeto de um Brasil democrático, popular, feminista, antirracista e soberano. “O projeto de Brasil pelo qual lutamos é feminista e agroecológico, e que se coloca contra ao sistema capitalista, sexista, racista, que reproduz profundas desigualdades no Brasil e no mundo e tem se aprofundado na atual conjuntura diante de um governo da extrema direita que se apoia num modelo econômico neoliberal e de valores conservadores”, afirmou. Participaram também na abertura a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT); as deputadas federais Erika Kokay (PT-DF), Talíria Petrone (PSOL/RJ) e Sônia Guajajara, coordenadora da Associação de Povos Indígenas do Brasil. Ao final, todas reafirmaram: SEGUIREMOS EM MARCHA, ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

A hora é agora: Juventudes promovem festival

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Mazé Moraes (esq.), Secretária de Mulheres da CONTAG e Mônica Bufon (dir.), Secretária de Juventudes.

“Lançar o Festival das Juventudes durante a Marcha das Margaridas reforça nosso compromisso com a participação das juventudes e a sucessão rural”. Após a solenidade política de abertura, Mazé Moraes falou também no lançamento do 4º Festival da Juventude Rural da CONTAG, que será realizado entre os dias 28 e 30 de abril de 2020, em Brasília. Com o objetivo de reunir 5 mil jovens na capital federal, o Festival representa a maior ação de massa da juventude rural brasileira. Seu anúncio deu-se com Maracatu e a música de Thaísa Bruna, da Secretaria de Jovens da CONTAG/ES.

De acordo com a Secretária de Juventudes da CONTAG Mônica Bufon, o Festival terá caráter formativo e reivindicatório. “Nosso grande desafio é a saída dos jovens do campo, sobretudo as mulheres jovens. Sendo que o campo tem sim oportunidade de vida digna com soberania alimentar”, disse Mônica.

“A história nos desafia”: feministas anunciam encontro nacional
As latas e tambores da Batucada Feminista soaram novamente para o lançamento do 1º Encontro Feminista do Brasil, que será em 2020, no Recife. O Encontro acontece num contexto em que a mobilização das mulheres mostra-se como uma força imprescindível na resistência aos inúmeros retrocessos da conjuntura sociopolítica e ambiental brasileira. Gestado por uma ampla articulação de movimentos, entidades e partidos do campo político da esquerda, o Encontro terá como sede a capital de Pernambuco, “território capaz de inspirar articulação feminista”, segundo o Manifesto das realizadoras.

A noite terminou com apresentações culturais, com destaque para a atriz e cantora Letícia Sabatella, que emocionou a plateia cantando Lamento Sertanejo, de Dominguinhos, seguido de A lua girou (Milton Nascimento), Assum Preto (Luiz Gonzaga), Cio da Terra (Milton) e Volver a los 17 (Violeta Parra). O set feminino e feminista ficou por conta de Não há guarda chuva , da cantora paraibana Cátia de França e o poema Ilha, da escritora pernambuca Ezter Liu. “Temos que nos somar à luta das mulheres indígenas e das Margaridas. A gente sabe o quanto essas pessoas têm a nos ensinar enquanto país”. ”, afirmou Letícia.

Por que marcham as Margaridas?
“O nosso lema – Margaridas na Luta por um Brasil com Soberania Popular, Democracia, Justiça, Igualdade e Livre de Violência – é mais do que um lema. É um modelo de Brasil, de desenvolvimento de sociedade que nós margaridas defendemos”, disse Mazé Moraes, Secretária de Mulheres da CONTAG durante a Sessão Solene em homenagem às Margaridas na Câmara dos Deputados, no dia 13. “O caráter de nossa marcha é resistência. É de luta e denúncia, mas também de proposição”, completa. As propostas das Margaridas estão reunidas em 10 eixos políticos, cujo primeiro e prioritário é Terra, Água e Agroecologia, que encabeçou a Marcha.

Como disse Beth Cardoso, do GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia durante a oficina de Soberania Alimentar e Agroecologia realizada na tarde do dia 13, antes da mística, “historicamente às mulheres foram delegadas as tarefas do cuidado, da alimentação. Por isso, muitas vezes são as mulheres que impulsionam a transição agroecológica nas propriedades”. E é no sentido de valorizar e dar visibilidade à participação feminina nesses processos de transição que reforça-se o lema SEM FEMINISMO, NÃO HÁ AGROECOLOGIA.

A agricultora e assentada da Reforma Agrária Maria Erivânia dos Santos, de Águas Mornas, integra o Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida de Agroecologia e viajou 30 horas de ônibus para chegar à Marcha. “O que me trouxe aqui foi a vontade de lutar por um Brasil melhor e ver como as mulheres são unidas no Brasil”.

“Nós marchamos contra o agronegócio”, afirma a quebradeira de côco Rozeny Batista Alexandre, de Axixá, no Tocantins. Ela conta que no seu território, a região do Bico do Papagaio, “o agronegócio está derrubando nossas palmeiras. Daqui a pouco não vamos mais ter como sobreviver, sem ter côco pra catar”. Ela afirma que veio também marchar contra a Reforma da Previdência. “A gente já leva nossos filhos com 5 anos pra quebrar coco com a gente. Se tivermos que trabalhar até os 60 anos, não vamos dar conta de trabalhar”, pontua.

A jovem Patrícia Klock é filha de uma família fumicultora de Ibirama (SC) e hoje estuda Ciências Sociais na UFSC e integra o Movimento de Mulheres Camponesas. “Uma das coisas que me traz é principalmente a minha história. Tenho duas irmãs, e em casa as relações sempre foram muito marcadas pelo machismo. Não só familiar, mas da comunidade e da sociedade que não reconhecem as mulheres como agricultoras e capazes de tomar as decisões nas propriedades. Estou aqui pra lutar contra essas injustiças e por agroecologia e respeito às mulheres”.

“Meu objetivo aqui é lutar pelos direitos de todas as mulheres, principalmente nessa Reforma da Previdência, que está retirando muitos direitos das mulheres. Dizer que não aceitamos que retirem nenhum direito nosso”, afirma Azelepônia Carneiro Rodrigues, presidente do Sindicato de Trabalhadoras/es Rurais de Itapipoca, no Ceará.

Vanusa Cardoso, quilombola do território de Abacatal, no Pará, veio à Marcha para  denunciar a violação de direitos que está ocorrendo em seu estado. “O governo do Pará e o Governo Federal estão entregando o estado para o capital internacional. E nós não vamos admitir que nossos territórios sejam entregues ao capital internacional. Não ao agronegócio, aos empreendimentos e ao capital que está acabando com nosso país!”, brada a liderança quilombola.

A trabalhadora rural Ana Luiza Lobato viajou quase 2 mil km de Palmeirândia, no Maranhão, até Brasília. “O que me trouxe é a luta pelos direitos das mulheres trabalhadoras rurais, mais políticas públicas, menos violência, e o direito à terra, à vida e à saúde”, afirma.

 

Francisdalva Cardoso, também do Quilombo do Abacatal, no Pará, afirma que “A gente veio pra defender nosso território. Sabemos que se não tiver a natureza, não tem como sobreviver. Como a gente vive em comunhão com a natureza há 309 anos, que é a idade do meu quilombo, a gente veio pedir respeito e direitos de titulação e liberdade de vida. Porque funciona viver em harmonia com a natureza. A gente é prova viva disso. Então que o congresso e governantes aprendam com os Povos e Comunidades Tradicionais a proteger e defender o que é nosso, pra que a gente tenha por muito tempo e não se acabe”, diz.

Enquanto muitas Margaridas ainda estão na estrada voltando para suas casas, fica o chamado de Mazé Moraes no Congresso:  “Nós mulheres seremos rebeldia, continuaremos na luta. E da luta não sairemos!”.

 

 

 

 

 

 

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