Oficina em Imbituba mostra que os engenhos de farinha continuam vivos

Mapeamento realizado pela Rede Catarinense de Engenhos de Farinha identificou pelo menos 23 engenhos artesanais de farinha ativos na região

As rotinas de trabalho, as brincadeiras e a fartura dos engenhos de farinha e ranchos de pesca foram relembradas no último domingo, 9 de dezembro, durante a Oficina Mapeando os Engenhos de Farinha realizada na Associação Comunitária Rural de Imbituba, a ACORDI. Na atividade, promovida pela ONG Cepagro através de um projeto apoiado pela Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (SOL), participaram agricultoras, agricultores e proprietários de engenhos da região. O objetivo foi mapear os engenhos ainda existentes e também levantar informações sobre o patrimônio cultural ligado a eles, fortalecendo a Rede Catarinense de Engenhos de Farinha e complementando os mapeamentos já realizados em Florianópolis, Bombinhas e Garopaba.

“Quando começava a farinhada, era como abrir as portas de uma festa”, recorda Luís Farias, da ACORDI. A temporada de produção artesanal de farinha – as farinhadas ­-, que começa perto de maio e estende-se até agosto, representava a reunião de vizinhos e familiares para o trabalho coletivo de arrancar e descascar a mandioca, colaborar na seva, prensar e torrar a farinha. Tudo envolto em brincadeiras, versinhos irônicos (chamados pasquim) e fartura: além da farinha, saía muito beijú, cuscuz, bijajica, mané pança, além das colheitas de batata doce e milho. “Também dava muito namoro nas farinhadas”, completa Luís Farias.

A industrialização da produção de farinha e o recrudescimento da legislação sanitária para ela contribuíram para que muitos engenhos artesanais fossem fechados. Entretanto, durante as atividades da Rede Catarinense de Engenhos de Farinha, percebe-se que os engenhos seguem vivos e ativos. No mapeamento realizado em Imbituba, foram identificados pelo menos 23 engenhos que continuam produzindo mandioca artesanalmente. A Rede também já mapeou engenhos em Bombinhas, Florianópolis e Garopaba, mostrando que esta cultura segue pulsante no litoral catarinense.

Ainda assim, muitos dos saberes relacionados aos engenhos estão desaparecendo. “A técnica de fazer um fuso ou uma prensa de madeira está se perdendo”, afirma Marlene Borges, também da ACORDI. Aroldo dos Reis Carvalho, que tem um engenho em Imbituba, conta que “Eu aprendi a tirar o ponto da farinha com a minha mãe. Colocava na boca e sentia se tava estralando. Mas vou repassar isso pra quem?”. Neste sentido, o levantamento sobre os bens culturais dos engenhos – suas celebrações, saberes, mestres, objetos – revela-se importante para sua salvaguarda como patrimônio cultural de Santa Catarina e do Brasil. Além disso, a sensibilização da juventude na preservação deste patrimônio é peça fundamental.

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