Encontro do Núcleo Litoral Catarinense celebra a Agroecologia com participações latino-americanas

“Porque a gente precisa festejar, celebrar, se ver, ser visto. Precisa recarregar as baterias pelo menos uma vez por ano”. Perguntada sobre o que faz valer a pena construir o Encontro do Núcleo Litoral anualmente, a agricultora Tânea Mara Follmann, de Águas Mornas, ressalta o diferencial festivo e de trocas do evento: “Quando você estiver na sua propriedade e der um desânimo, você vai lembrar da turma no Encontro e vai achar força e alegria pra continuar. O encontro é isso: trocas, vivências e compartilhar de força pra gente seguir em Rede. É o retrato da Rede Ecovida”. Como parte da coordenação do Núcleo Litoral Catarinense, Tânea participa de pelo menos 20 reuniões da Rede por ano. Junto com as visitas de verificação e o manejo de toda a documentação das 73 famílias e mais 10 agroindústrias certificadas no Núcleo, não são poucos os compromissos relacionados ao Sistema Participativo de Garantia que ela assume. O Encontro do Núcleo Litoral é um respiro festivo em meio a tantas agendas de trabalho.

Realizado nos dias 22 e 23 de setembro na Comunidade Fazenda de Dentro, em Biguaçu, o Encontro deste ano foi encabeçado pelo Grupo Flor do Fruto, que reúne agricultores/as deste município e também de Santo Amaro da Imperatriz. “Fiquei com medo quando era dar o pontapé inicial e dizer que a gente faria. Mas, depois a gente vê como é gratificante, pois é uma troca de conhecimento empírico. Ver as pessoas interagindo, com tanta alegria, é muito gratificante”, conta o agricultor Pedro Luis Nau, do Grupo Flor do Fruto. Cerca de 130 pessoas participaram do Encontro neste ano, que teve convidados/as muito especiais: além do grupo de consumidores/as do projeto Misereor em Rede, vieram também representantes de 17 organizações brasileiras e latino-americanas que participavam da Vivência em SPG promovida pelo Cepagro naqueles dias. A diferença de idioma não foi um problema, frente à receptividade e acolhimento da turma do Núcleo.

Dois participantes da Vivência integraram a mesa de abertura do Encontro, junto com a agricultora Catarina Gelsleuchter, de Angelina: Romeu Leite, do Fórum Brasileiro de SPGs e Rosa Murillo Naranjo, do Movimento de Economia Social e Solidária do Equador (MESSE).Catarina Gelsleuchter: “No Sistema Participativo a gente se enxerga”, afirma a agricultora, ressaltando o caráter de envolvimento humano do SPGRomeu Leite, do Fórum Brasileiro de SPG: “O que o governo não entendeu é que a certificação participativa é mais do que só certificação. É gente visitando gente, o mais experiente acolhendo o menos experiente. O processo que a gente chama de SPG é muito mais rico do que o certificado”.

Rosa Murillo Naranjo, do MESSE (Equador), falou sobre o hiato entre a legislação de certificação de orgânicos e as práticas dos grupos de agroecologia no seu país. Também abordou a luta e as atividades de incidência política do MESSE pela conservação de sementes crioulas e contra os transgênicos.

O Encontro começou, entretanto, com a apresentação dos grupos da Rede.

Após uma animada noite cultural no sábado, durante o domingo foram realizadas as oficinas.

Boas Práticas de Pós-Colheita, com a agricultora Rosa Silva Tomás, de Paulo Lopes

 

 

 

 

 

Criação de galinhas soltas, com Romeu Leite

Plantas Medicinais, com Lourdes Lopes Souza
Jardim das brincadeiras, com Henrique Martini Romano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Minhocários, com Igor

Através de um grande esforço logístico do Grupo anfitrião e da generosidade dos/as agricultores/as do Núcleo, grande parte da alimentação oferecida no Encontro foi agroecológica.

A tradicional Feira de Saberes e Sabores ganhou novos aromas e sabores, com a participação da Alternativa a Pequena Agricultura do Tocantins (APA-TO) e da Associação Outro Olhar, de Guarapuava (PR), que integravam a Vivência em SPG. João Palmeira, da APA-TO, trouxe o COCO BABAÇU e seus subprodutos, gerando interesse e curiosidade em muita gente. Enquanto Sandra Konig, da Outro Olhar, apresentou óleos essenciais produzidos em aldeias guarani do Paraná.

No encerramento do Encontro, Tânea trouxe alguns encaminhamentos para o Núcleo. Em novembro haverá uma visita ao Centro de Referência em Agroecologia do Paraná, com 2 representantes de cada grupo. Além disso, haverá capacitações sobre preenchimento da documentação até final de outubro. E, o mais esperado: a escolha do próximo grupo que receberá o Encontro do ano que vem. Com bastante espontaneidade, o Grupo de Agroecologia Costa Esmeralda (GACE), que reúne famílias de Porto Belo, Itapema e Tijucas, se dispôs a receber o Encontro do Núcleo 2019. Já estamos a espera!

Veja abaixo mais algumas fotos do Encontro:

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