Cepagro cultiva parceria com a comunidade Guarani Mbya, em Major Gercino

A cerca de 100 km de Florianópolis, a Aldeia Tekoá V’yá (Aldeia Feliz) é agora mais um ponto de parada do Cepagro. Há pouco mais de três meses, a comunidade Guarani Mbya, de Major Gercino, vem cultivando relações com o Cepagro, a partir de uma apresentação do técnico da Epagri, Remy Simão, que mediou o contato entre o Cacique Artur Benites e Charles Lamb, técnico da equipe do rural do Cepagro.

As lideranças da aldeia já vinham se mostrando interessadas pela produção orgânica e agroecológica ao comparecerem em reuniões com agricultores da região ligados à Rede Ecovida de Agroecologia. Depois de algumas conversas, o Cepagro identificou que a horta coletiva era uma demanda da comunidade e a primeira ação dentro da aldeia resultou em um mutirão para implementá-la.

Seguindo a tradição do calendário agrícola Guarani, a atividade aconteceu no dia 9 de agosto, mês que representa o início para um novo ciclo de plantio das hortaliças, amendoins e, principalmente, do milho. De lá pra cá a horta já serviu para alimentar a comunidade, que conta com 28 famílias e cerca de 120 moradores. O espaço também envolveu atividades da escola com a crianças que, de tempos em tempos, se juntam para cuidar dos canteiros.

Questionado sobre as plantas medicinais cultivadas na horta, o líder espiritual e Cacique Artur Benites conta que “na verdade, toda a verdura que está ali é um remédio para todos os problemas que existem no corpo. Às vezes o problema é nos ossos, às vezes no sangue, no pulmão, coração, visão e para isso tudo a horta serve. Pra quem não sabe, pensa que é só para comer. Mas não, tudo o que é de comer é remédio: pepino, salsa, cebola, alho. Eu tô comendo salada, então estou cada vez mais forte”, conta a liderança que pretende seguir o passo dos avós e passar dos 100 anos de idade.

Além de garantir alimentos para a comunidade, a horta agroecológica já rendeu novas ações. Charles Lamb conta que a partir dela “começou a se construir uma relação de maior integração e identificação de outras demandas que a comunidade tinha, como a participação em feiras para comercializar o artesanato e a melhoria no plantio de grãos”. Em sua rede, o Cepagro conseguiu então sementes de milho crioulo dos próprios agricultores da Rede Ecovida da região, como  Antonio Gilmar Cognacco, de Leoberto Leal, que produziu sementes que serão cultivadas na Tekoá V’yá.

Além do mutirão, houve uma viagem até a Reserva Indígena Coxilha da Cruz, no Rio Grande do Sul, para buscar sementes do milho Avati, variedade tradicional Guarani. E a participação de moradores da comunidade na feira festiva do CCA, na Universidade Federal de Santa Catarina.

A ações realizadas até agora na Aldeia Tekoá V’yá têm tido suporte provenientes do projeto Saberes na Prática em Rede (Inter-American Foundation), e Ministério Público do Trabalho, via TACs (Termo de Ajustamento de Conduta), este último, possibilitará tanto a compra de equipamentos e ferramentas para a lavoura, como a melhoria dos insumos para fortalecer a produção de alimentos para a comunidade. “Essa é uma característica bem interessante da comunidade, que tem como prioridade produzir alimentos agroecológicos, alimentos sem veneno para atender as mais de 100 pessoas que hoje residem na Tekoa V’yá”, conta o técnico Charles Lamb.

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