Cepagro participa de encontro de SPG no México e inicia articulação do Convênio com IAF

A participação da equipe do Cepagro no II Encuentro, Taller y Feria de Certificación Participativa y SPG, promovido entre os dias 25 e 27 de novembro pelas organizações mexicanas Centro Campesino e Tijtoca Nemiliztli no município de Hueyotlipan (estado de Tlaxcala, a 105 km da Cidade do México), marcou o início da articulação do Comitê Gestor do convênio que a entidade firmou em setembro deste ano com a Inter-American Foundation (IAF). Além de apresentar as experiências do Cepagro dsc_0013em SPG e fomento à agroecologia, durante o evento os técnicos Charles Lamb e Ana Carolina Dionísio puderam conversar com representantes do Centro Campesino e da Asociación de Productores Orgánicos do Paraguay (APRO) para convidá-los a integrar o Comitê Gestor do projeto, que será formado por 5 ou 6 organizações brasileiras e de outros países latinoamericanos, compondo uma instância de coordenação compartilhada das ações e tomada de decisões participativas. Nos próximos três anos de atividades, o Cepagro trabalhará em cooperação com a IAF e seus donatários para articular uma rede de colaboração em torno da agroecologia, promovendo a troca de experiências e o compartilhar de conhecimentos entre organizações latino-americanas.

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baixa8O Encontro de Hueyotlipan já foi um exemplo de evento combinando momentos de formação, troca de experiências e articulação para outras iniciativas. Estavam presentes organizações dos estados mexicanos de Tlaxcala, Hidalgo, Oaxaca, Puebla e Michoacan, e todas apresentaram suas ações nos eixos de produção, garantia e comercialização de produtos agroecológicos. A experiência em certificação participativa da Tijtoca Nemiliztli – associação consolidada em 2016 e que teve sua primeira inspiração para formar um SPG durante o Encontro Ampliado da Rede Ecovida realizado em Florianópolis em 2012 – é única no México.

baixa7Fora a Tijtoca, a outra possibilidade de certificação participativa é pelos Mercados Alternativos (Tianguis), que funcionam como organismos de controle social, cada um tendo sua comissão de verificação. Segundo Humberto Morales, coordenador do Centro Campesino – entidade que assessora a Tijtoca – a participação de organizações de outros estados e também de outros países traz mais credibilidade para o SPG frente à autoridades locais, contribuindo para a expansão dele em mais regiões mexicanas.

baixa3No momento, cerca de 40 propriedades familiares (“fincas”) são certificadas pela Tijtoca Nemiliztli, na maioria quintais produtivos. Há também 15 produtores de grãos, além de micro-agroindústrias,  produções de cogumelos e também de cosméticos. A participação ativa de consumidores na comissão de verificação da Tijtoca é um dos seus diferenciais, pois fortalece a noção de “olhar externo” para as propriedades que integram a rede de certificação, de acordo com Rafael Palafox, um dos coordenadores da associação. Além disso, os produtores de grãos devem cultivar exclusivamente sementes crioulas para serem certificados.

baixa32Com um foco marcante em quintais produtivos voltados ao autoconsumo e comercialização de excedentes, o SPG da Tijtoca Nemiliztli acaba tendo um vínculo forte com as mulheres. Isso porque os chamados huertos de traspatio, a “pequena produção” nos arredores das casas é uma atividade frequentemente a cargo delas. Desta forma, não é surpreendente que a discussão sobre gênero esteja na pauta de organizações presentes, como o Grupo Vicente Guerrero e do Centro Económico Social Julián Garcez, ambas de Tlaxcala. “Trabalhamos a temática de gênero desde 2004, através de uma parceria com o Centro de Direitos Humanos”, explica a agricultora e comerciantes Martha Zempoaltecal, do Grupo Vicente Guerrero. Além da prevenção do HIV, as organizações também atuam na prevenção ao tráfico de mulheres indígenas na região.

baixa12A gestão de recursos hídricos foi outra temática apresentada por diversas organizações, já que a disponibilidade de água para a agricultura é problemática no México, seja pela escassez ou pela contaminação. A construção de cisternas e sistemas de captação de água da chuva e biodigestores para tratamento de dejetos animais e humanos foi uma solução apresentada por diversas organizações para superar este desafio.

baixa9Como encaminhamentos da sistematização das apresentações do encontro, percebeu-se a mudança de mentalidade demandada para o avanço da agroecologia. “A resistência à mudança ocorre também porque existe um foco só no econômico, sem considerar o impacto ambiental e na saúde”, explica Humberto Morales. Neste sentido, campanhas de conscientização junto a consumidores é uma estratégia que caminha junto com a sensibilização dos agricultores. “Tocamos o coração, para daí mudar a cabeça e então a propriedade”, completa Morales. Além desses eixos, os da incidência política e articulação em rede também são fundamentais, como explica Martha Zempoaltecal: “É necessário que nos organizemos e nos fortaleçamos para conseguirmos mais valorização de nossos produtos. E fazermos alianças e articulações para fortalecer os processos”.

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Se a comercialização também foi outro desafio apontado por praticamente todas as organizações participantes, nada como a promoção de uma Feira para pensar soluções conjuntos e ampliar a divulgação dos produtos. No domingo de encerramento do evento, a Calle Juarez, em frente à Casa Ejidal de Hueyotlipan, foi fechada para a montagem do mercado com produtos agroecológicos das associações que estiveram no evento, apresentações culturais, rodas de conversa temáticas e preparação de receitas.

dsc_0252Conhecer as organizações participantes foi fundamental para compreender um pouco mais dos desafios, demandas e soluções na promoção em agroecologia fora do contexto brasileiro. O diálogo do Cepagro com outras organizações será fundamental para definir as temáticas a serem trabalhadas e o planejamento de atividades do projeto, dentre as quais estão previstas: a realização de três seminários (2 no Brasil e 1 em outro país), além de 5 oficinas de intercâmbio para troca de experiências e melhores práticas (sendo 2 no Brasil e 3 em diferentes países da América Latina). As oficinas serão momentos de formação e troca de conhecimentos com foco em temas baixa45relacionados à agroecologia, como práticas sustentáveis de agricultura, comercialização de produtos agroecológicos, certificação participativa, gênero, gestão sustentável da água e de resíduos orgânicos. Os seminários incluirão a presença de especialistas e também treinamento em desenvolvimento organizacional. Neste projeto, uma das principais ferramentas de comunicação e aprendizado será a plataforma virtual Red Colaborar.

 

 

 

 

 

 

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