Agricultores e técnicos compartilham saberes em atividades do Cepagro em Major Gercino

Se a troca de saberes entre agricultores é um dos princípios básicos da agroecologia, no contexto de iniciativas de promoção da agricultura ecológica é fundamental realizar cursos em que os ministrantes são também agricultores. Foi o que aconteceu nas propriedades das famílias Eger e Stolarczk, moradoras de Major Gercino e participantes do projeto de Fomento à Assistência Técnica e Extensão Rural para Fumicultores visando à Transição Agroecológica, executado desde o ano passado na região com apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Ministério Público de Santa Catarina. Na última 3ª, 9 de junho, o agricultor Dione Eger e o engenheiro agrônomo Guilherme Gomes ministraram uma oficina sobre adubação verde, na propriedade localizada na comunidade do Campinho. Já nos dias 11 e 12 foi a vez da família Stolarczk e do técnico agrícola Marcos Stumer, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, mostrarem como é o manejo orgânico da batata-salsa, cultivo que representa, junto com o fumo e a uva, uma das principais fontes de renda para os agricultores de Major Gercino.

Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy (Epagri) e Marina (Cepagro).
Os irmãos Dione e Tiago Eger [pontas] aprofundam suas explicações para os técnicos Remy Salomão (Epagri) e Marina Pinto (Cepagro).
Além dos agricultores participantes do projeto, estiveram presentes nas atividades os Secretários de Agricultura e Meio-Ambiente de Nova Trento e Major Gercino, técnicos da Epagri e a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, Marlene Fuck. A auditora do Ministério Público de Santa Catarina, Juliana Miguel Procópio da Silva, também assistiu à oficina do dia 9.

A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
A oficial do MP/SC Juliana Silva [esquerda] conversa com as agricultoras Zenaide e Zenita Eger sobre a rotina do cultivo e colheita do fumo, a qual elas se dedicam.
Manter o solo coberto, evitar a erosão e garantir a renovação da matéria orgânica incorporada à terra são alguns dos objetivos do uso da adubação verde, técnica que consiste no plantio de espécies (principalmente leguminosas) em rotação ou consorciação com as culturas anuais. Na propriedade de Dione, ele semeou aveia na área das roças de fumo. Assim que o ciclo da aveia estiver completo e ela secar, ele irá acamar as plantas e realizar o plantio direto das mudas de fumo em meio à palhada. “Por isso é muito importante conhecer o ciclo produtivo da planta que será usada na adubação verde, para saber quando acamá-la”, explica o agricultor.

Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.
Menos mão-de-obra, menos agrotóxicos e aumento da produtividade: vantagens que Dione Eger identifica no uso da adubação verde.

Segundo Dione, nos 2 anos em que vem praticando a adubação verde nas roças de fumo, já é possível perceber um aumento na produtividade do solo. “Além disso, a palhada não deixa o inço [ervas daninhas] vir. Também mantém as lesmas longe do pé de fumo”, conta o agricultor, que vem reduzindo o uso de herbicidas e inseticidas desde que começou a adotar a técnica. Sua ideia também é diminuir gradualmente o cultivo de fumo na propriedade, por não se tratar de uma cultura alimentícia.

A diminuição do uso de agrotóxicos seguramente contribui para melhorar a qualidade do solo, pois não extermina organismos que o mantém vivo e saudável, tais como fungos, bactérias e minhocas. A manutenção da qualidade do solo através da constante incorporação de matéria orgânica foi a tônica da fala introdutória ao curso, feita pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes.

A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
A parte introdutória do curso de adubação verde foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Guilherme Gomes [de azul]
Nos dias 11 e 12 de junho o tema foi o cultivo orgânico de batata-salsa, num curso promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC), através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Major Gercino, na propriedade da família Stolarczk, na comunidade do Pinheiral. Conhecendo a demanda dos beneficiários do projeto por mais conhecimento quanto a este cultivo, visto por muitos como uma alternativa rentável à produção de fumo, a equipe do Cepagro/FRBL incorporou a atividade ao projeto. “Diagnosticamos nas lavouras da cultura dos beneficiários do projeto um uso intensivo do solo sem planejamento e preparação do mesmo, a utilização demasiada e indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes químicos, o que causa um desequilíbrio do sistema e uma contaminação química do meio ambiente. O tema do curso esta totalmente ao encontro do objetivo do nosso projeto: apresentar técnicas conservacionistas do solo e diminuir o uso intensivo de insumos químicos”, explica a engenheira agrônoma Gisa Garcia, extensionista rural do projeto Cepagro/FRBL.

Na parte teórica do curso, ministrada pelo técnico agrícola Marcos Stumer, do SENAR/SC, foram abordados assuntos como: preparação e manejo do solo para a cultura da batata salsa; preparação de mudas, podas, colheita e irrigação; receitas de preparados como biofertilizantes, inseticidas e fungicidas naturais utilizando ervas como losna, arruda e erva de defunto. Após as explicações, os participantes construíram um canteiro elevado, com o objetivo de fornecer um ambiente equilibrado para cultura sem necessitar revolver o solo.

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Durante o mês de junho as técnicas do projeto seguem mobilizando as famílias inscritas, focando nas comunidades rurais do município de Leoberto Leal. A próxima oficina será neste município no dia 2 de julho, na propriedade do agricultor Gilmar Cognacco,  comunidade de Vargem dos Bugres. Gilmar, que cultivava quase 200 mil pés de tabaco, hoje destaca-se como produtor de alimentos orgânicos na região e organiza uma feira em Brusque. Durante a oficina, ele irá compartilhar um pouco de sua experiência em transição agroecológica e diversificação produtiva.

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