Revolucionando a sustentabilidade urbana

Artigo do coordenador do eixo urbano do Cepagro Marcos José de Abreu sobre a Revolução dos Baldinhos, publicado no Diário Catarinense (Caderno DC Continente) de 24/01/2013.

artigo baldinhos

 

Recentemente, uma iniciativa pioneira realizada desde 2008 no bairro Monte Cristo recebeu o 2o. lugar no Prêmio de Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil. Trata-se do projeto Agricultura Urbana e a Revolução dos Baldinhos, que representa o engajamento comunitário iniciado com a busca de solução para um problema de saúde pública. Após sofrer uma grave infestação de ratos, a comunidade deflagrou uma ação articulada em rede, visando a separação e coleta dos resíduos orgânicos domésticos, diminuindo assim a disponibilidade de alimento aos roedores.

 As sobras passaram a ser encaminhadas para compostagem, tratamento ambientalmente correto que tem como resultado a produção de riquíssimo adubo. Distribuído na comunidade, este adubo contribui substancialmente para a viabilização da agricultura nos quintas, escolas e creches.

 A Revolução dos Baldinhos é também um espaço de oportunidades de ocupação, renda e visibilidade social. As ações são realizadas por um grupo comunitário de jovens e adultos, atualmente com 6 moradores que coletam cerca de 15 toneladas de resíduos por mês em 25 Pontos de Entrega Voluntária e 08 Unidades Escolares e Associações. Em 5 anos foram tratadas mais de 900 toneladas de resíduos orgânicos, que deixaram de ser despejadas em aterros sanitários ao custo de R$108,00 por tonelada, resultando em economia de R$ 97.000 aos cofres públicos e na produção de aproximadamente 350 toneladas de adubo.

 Assessorado pelo Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro), o coletivo alavanca agora o seu potencial de empreendedorismo, através de metodologia implementada pela ITCP (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares / Univali), para comercializar o composto excedente e oferecer serviços de palestras, oficinas e consultorias.

 A continuidade e ampliação desta iniciativa carece de espaço e infraestruturas. Como resultado da articulação desempenhada pelo Cepagro, temos garantidos, através de patrocínios da FAPESC e da ONU/UNHabitat, os recursos para a construção de um pátio de compostagem de 5.000m² e a aquisição de todos os equipamentos necessários para operá-lo. A contrapartida para aplicação da verba, porém, depende diretamente da Prefeitura Municipal de Florianópolis: a cessão de um terreno adequado para atividade, que é do mais estrito interesse público.

 É urgente o posicionamento da Prefeitura, que até hoje não ofereceu qualquer apoio institucional consistente, nesta questão. Do contrário, a cidade perde o momento histórico de afirmar-se como promotora de um exemplo concreto de Tecnologia Social focada na organização popular e na sustentabilidade urbana.

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