Cepagro e Ponto de Cultura participam do 7º Encontro dos Sem-Terrinha

Cerca de 350 crianças de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em Santa Catarina estiveram reunidos entre os dias 10 e 12 de outubro na UFSC para o 7º Encontro Estadual dos Sem-Terrinhas. Na programação, além de atividades culturais e de intercâmbio com projetos sociais urbanos, os meninos e meninas integraram 24 oficinas com temas ligados a arte, agroecologia e educação, realizadas na 5ª feira (10/10). Nesta parte do evento, os técnicos do Cepagro Gisa Garcia e Alexandre Cordeiro e o chef do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha / Slow Food Fabiano Gregório contribuíram abordando práticas de agricultura urbana e percepção sensorial dos alimentos.

O Encontro reuniu 350 crianças de assentamentos do MST em Santa Catarina na UFSC. Foto: Wagner Behr (Agecom / UFSC)
O Encontro reuniu na UFSC 350 crianças de assentamentos do MST em Santa Catarina. Foto: Wagner Behr (Agecom / UFSC)

Quinze crianças de assentamentos de Curitibanos, Campos Novos e Ponte Alta testaram suas aptidões sensoriais durante a Oficina do Sabor, ministrada pelo chef Fabiano Gregório, integrante dos movimentos Slow Food e Convivia Mata Atlântica e educador do gosto do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha. A atividade, que já se tornou uma rotina durante os eventos do Ponto de Cultura, busca estimular os cinco sentidos dos participantes através do contato com diferentes alimentos. De olhos vendados – e por isso com os sentidos mais aguçados -, as crianças degustaram suco de uva, beiju e balas de banana, tatearam frutas e sentiram o cheiro de café.

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O objetivo da prática era que elas adivinhassem quais eram os alimentos presentes ali, e a maioria dos meninos e meninas descobriram quase tudo o que estavam provando. A exceção foi o beiju, que várias crianças disseram não conhecer ou não gostar. “Eu também não gostei muito da bala de banana”, disse Ana Paula dos Santos, de 13 anos. Moradora do assentamento Neri Fabres, em Curitibanos, ela iria conhecer outra novidade durante o Encontro: o mar, já que na programação também estava prevista uma confraternização na Praia do Forte. Junto com o irmão Gustavo, de 8 anos, ela estava visitando a costa pela primeira vez. “Tem gente que diz que às vezes o mar fica branco, outras está mais azul. Quero ver como que é”, contou.

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Enquanto cada participante da Oficina do Sabor conversava individualmente com Fabiano, os outros companheiros desenhavam e contavam histórias sobre os alimentos que são comuns nos seus assentamentos, junto com as monitoras Marivane dos Santos, Suzimara Garcia e Neusete de Arruda. Após a atividade, as crianças saborearam um pic-nic agroecológico com alguns dos alimentos que foram degustados, além de pão integral e geleia orgânica. Esta foi uma oportunidade para verificar qual a percepção que eles tinham do que é alimento orgânico. A resposta unânime foi: “Aquele que não tem veneno!”.

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Na oficina de Agricultura Urbana, ministrada pelos agrônomos Gisa Garcia e Alexandre Cordeiro, da equipe técnica do Cepagro, junto com duas agrônomas do Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (Lecera-UFSC), as crianças construíram uma horta suspensa usando garrafas PET, onde plantaram hortaliças e temperos. Os técnicos abordaram todo o passo a passo de construção da horta de forma lúdica, mesclando jogos de adivinhação dos nomes das mudas, por exemplo. “A única planta que elas não conheciam era o manjericão”, disse Gisa Garcia.

A horta foi instalada nas grades da janela da diretora do Restaurante Universitário, que se comprometeu a cuidar dela. A ideia da atividade, de acordo com Gisa, era mostrar que é possível cultivar alimentos mesmo quando há restrição de espaço (como é o caso das áreas urbanas), além de avaliar a compreensão deles acerca das vantagens de plantar alimentos na cidade.

Ao conjugar o lúdico com o educativo, as oficinas atendem a dois objetivos que estão sempre presentes nos Encontros dos Sem-Terrinha. “Sempre juntamos estudo, diversão, luta e intercâmbio com as crianças do urbano”, explica Revero Ribeiro, da comissão organizadora do evento. Nos dois últimos tópicos, as crianças construíram uma pauta de reivindicações para o governador Raimundo Colombo a partir de uma discussão realizada na manhã de 5ª feira sobre as condições das escolas e de qualidade de vida nos assentamentos da Reforma Agrária. O debate foi sistematizado em um documento entregue para o governador na 6ª (11/10). Neste dia eles também visitaram o Instituto Vilson Groh, para conhecer as crianças que participam de projetos sócio-educacionais em bairros desfavorecidos de Florianópolis, como o Morro do Mocotó e o Monte Serrat.

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