Desafios e alternativas ao cultivo de tabaco em discussão

O Cepagro organizou na última terça, 4 de junho, um debate que faz parte de um ciclo de reuniões sobre atividades bem sucedidas que oferecem potencial para implementação dos artigos 17 e 18 da Convenção Quadro para Controle do Tabaco. Estes tópicos dizem respeito a alternativas economicamente viáveis para produtores que desejam abandonar a fumicultura e a proteção ao meio ambiente e a saúde das pessoas. Promovido pela Secretaria Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (SE-CONICQ) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceria com o Cepagro, o encontro aconteceu no Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

por Ana Carolina Dionísio

Artesãs, agricultoras, estudantes e representantes dos poderes públicos estavam presentes
Artesãs, agricultoras, estudantes e representantes dos poderes públicos estavam presentes

Estiveram presentes representantes do Ministério da Saúde, Instituto Nacional do Câncer, Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, MDA, Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Embrapa, além de estudantes de pós-graduação da UFSC, membros do Grupo de Mães da comunidade de Três Barras (Palhoça) e do Grupo de Agroecologia Terra Viva de Angelina.  A secretária-executiva da Conicq Tânia Cavalcante apresentou um panorama dos avanços da Convenção Quadro no país e no mundo, lembrando como o tratado não está focado somente na diminuição do consumo do tabaco, mas também em criar alternativas de produção para as milhares de famílias (só no Brasil são 186 mil) que ainda dependem da fumicultura. “A Convenção busca salvaguardas para quem produz, não simplesmente a proibição”, disse.

Tânia Cavalcante apresentou a Convenção Quadro de Controle do Tabaco, seus avanços e metas
Tânia Cavalcante apresentou a Convenção Quadro de Controle do Tabaco, seus avanços e metas

Outra convidada foi a empresária Francisca Vieira, do Grupo Natural Cotton Color, que desenvolve roupas feitas com algodão naturalmente colorido desenvolvido pela Embrapa. O cultivo, processamento e confecção de peças com esta fibra tem se mostrado como uma opção de desenvolvimento sustentável para dezenas de agricultores familiares da Paraíba, inclusive ex-fumicultores. Para impulsionar a iniciativa, Francisca contou com o apoio do Sebrae, e não só financeiro. “O mais problemático é o desenvolvimento do produto: saber qual produto fazer, para quem e como vender”, afirmou, lembrando como capacitações neste sentido são fundamentais para agricultores e artesãos. Esta fala foi extremamente valiosa sobretudo para o Grupo de Agroecologia Terra Viva, que reúne mulheres que trabalham com artesanato com fibras naturais e tecelagem manual. O intercâmbio entre elas foi intenso, e Francisca destacou que os artigos delas têm potencial para atingir vários mercados, desde que seja uma produção planejada, com apoio técnico especializado. Neste sentido, o grupo vem sendo apoiado pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha através da formadora em economia solidária Miriam Abe, que promove capacitações com as mulheres sobre artesanato com matérias primas locais e cooperativismo.

A confecção com algodão colorido representa, segundo Francisca, uma produção sustentável, pois leva em conta as comunidades produtoras
Francisca expõe e vende suas roupas com algodão colorido em feiras e eventos de moda no Brasil e no exterior

O algodão colorido poderia ser, então, uma alternativa ao tabaco no Sul do Brasil, região responsável por 95% da produção de folhas no país? Nem Francisca nem Gilvan Ramos, da Embrapa-PB, puderam responder estar pergunta, mas lembraram que a riqueza do algodão colorido não é o cultivo em si, mas o arranjo produtivo local organizado ao redor dele. “É nisto que devemos concentrar esforços e recursos, nestes produtos únicos que ao longo do tempo vão ser aperfeiçoando”, completou Ramos.

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